Predador: A Irmandade Dos Justiceiros
26 Capitulo 26: Justiceiro ou Assassino?
Notas iniciais
Amanhece e novamente o azulado não foi dormir, Lilith chega no laboratório e o encontra mexendo em 3 projetos de uma só vez, era visível o cansaço nos olhos azuis cheio de olheiras.
– Caique o que você esta fazendo, para ficar enfurnado aqui sem dormir?
– Estou recriando os wolfs. – Responde calmo. – Slicer e Spear foram destruídos, preciso reconstrui-los para que possam nos ajudar nas cassadas.
A mulher segura os cabelos do azulado e com força bate a testa dele na mesa. – JÁ CHEGA! VOCÊ VAI PARAR COM ISSO E IR PRA SUA CAMA AGORA. – Diz segurando um maçarico na mão.
O azulado com a mão na testa, vendo que Lilith não iria mudar de opinião e se ele ficasse as coisas iriam piorar, decide ir para seu quarto.
Assim que o azulado sai ela repara na parede do laboratório, uma armadura branca com um bilhete: Já imaginava que você fosse me encher o saco, então entregue para Sayuri essa armadura.
Lilith chama a loira e mostra o objeto para ela, a armadura de Sayuri era branca com detalhes em preto, protegia seu peito, braços e pernas o capacete era branco com uma viseira cinza que cobria todo o rosto. Vinha com um riflei de longo alcance, uma espada branca, duas pistolas e 4 facas. A jovem ficou fascinada com o formato e beleza da armadura, a vestiu e experimentou ativando e se movimentando.
Mais tarde depois de descansar por ordem de Lilith Caique reúne os justiceiros e pede para que ativem as armaduras que eles iriam sair.
– Mas e a sua armadura Caique? – Carol pergunta olhando que o rapaz não utilizava nenhuma.
– Não tenham pressa logo vocês irão vê-la. – Diz calmo.
Todos já estavam prontos esperando o líder dos Dragões, assim que o justiceiro é avistado ele estava sem armadura. Usava uma jaqueta preta com uma camisa sem manga preta por baixo, uma calça jeans e tênis preto, carregava duas pistolas, uma espada e um arco com varias flechas nas costas. – Vamos? – Diz calmo para os outros.
– Você vai assim? Sem proteção? – Akemi diz olhando para o mais velho.
– Não se preocupem comigo, vamos. – Diz deixando o local e seguindo para a cidade.
Em cima de um prédio Caique enxerga um grupo de milicianos que controlavam um bairro pobre da área sul da cidade. O azulado aponta e em instantes Carol, Akemi e Sayuri somem indo em direção dos alvos.
Kenshiro ficou parado no local e o azulado estranhou aquilo. – Ei cara não vai se divertir? – Perguntou calmo.
– Não me divirto arrancando a vida dos outros, estou voltando para o esconderijo. – Informou o ruivo que vira as costas e vai embora.
Akemi e Carol observam quantos homens estavam no local, percebendo que eram 15. O azulado da o sinal e Akemi atira duas flechas que atingem o pescoço de dois bandidos, com sua foice ela se esconde nas sombras e agilmente arranca a cabeça de outro, logo salta e grava a lamina no pescoço do quarto a puxando e rasgando o local atingido.
Carol retira os revolvers e salta no meio de 4 homens abre os braços e atira atingindo o peito de dois, rapidamente ela da um giro e deixa a mão esquerda para trás e a direita para frente, disparando e atingindo a cabeça de mais dois.
Sayuri surge ao lado de um bandido, com uma faca em mãos ela atinge a jugular do homem, logo depois lança a lamina no peito de outro, salta e saca a espada a fincando na testa de outro, depois a retira e com um giro atinge o estomago do mais próximo.
– 12 homens com armas poderosas eliminados em 10.9 segundos. – Pensa o azulado que salta de um muro onde observava as garotas retirando a espada, ele corre e corta um dos últimos homens ao meio, joga a espada para cima e saca suas duas pistolas provocando um disparo rápido que acerta o coração de um e o ombro do ultimo. A espada do justiceiro cai certeira na bainha nas costas do azulado que caminha calmamente. – Foi muito interessante. – Diz apontando a arma para o homem que esticava a mão pedindo piedade, sem se importar puxa o gatilho 4 vezes.
Caique havia matado o último bandido a sangue frio não dando chances de reação, os jovens justiceiros se sentiam poderosos e invencíveis, o predador olhava para o corpo inerte de seu adversário no chão e ofegava sorrindo maliciosamente, longe dali Kaelina apenas observava suas ações com expressão insatisfeita, ela suspira balançando a cabeça decepcionada e some novamente nas sombras.
Horas depois os justiceiros estavam de volta, eles vinham sorrindo e comentado sobre a noite maravilhosa de matanças que haviam realizado, eles brincavam e gesticulavam fazendo caretas como exemplo das expressões de horror daqueles que haviam perecido em suas mãos, Caique também sorria satisfeito, eles entram no esconderijo e cada um volta para seus aposentos, Kaelina esperava Caique e quando o jovem percebe que ela o fitava já sabia que ela tinha algo a lhe falar, a mulher vira o rosto e se retira do local, Caique suspira e a segue.
Ela fica em uma sala mais reservada de costas quando o rapaz adentra desconfiado.
– Olha se tem a ver com o leite da geladeira, vou logo avisando que não fui eu que...
– O que está tentando provar Caique? — Ela pergunta ainda de costas.
– Uhm? Do que está falando? — Ele rebate.
– O que está tentando provar saindo pelas ruas brincando de matar os outros? — Kaelina pergunta novamente e se vira para ele.
– Como assim? Que pergunta idiota está com pena de bandido agora Kaelina ou está com raiva por que perdeu a festa? — Ele parecia cínico.
Ela fica calada analisando o rapaz, ele não parecia se importar com as palavras da mulher, a morena suspira decepcionada.
– Você não sabe o que está fazendo... Não tem ideia de onde está se metendo... – Kaelina olha de maneira penetrante para o rapaz. — Caique... Saia dessa vida, você não sabe agir como um justiceiro.
Ele fica furioso.
– Como é que é? Que palhaçada é essa? Eu não sei ser um justiceiro? Aqueles malditos foram mortos por que eram um mal para a sociedade, a ausência deles não fará falta a ninguém Kaelina! Nós fizemos um favor para os outros, se eles não tivessem morrido hoje quem sabe o que eles poderiam estar fazendo com as pessoas de bem amanhã?! — Ele braveja muito irritado.
Kaelina ainda parecia olhar decepcionada.
– E é com esse tipo de pensamento que pretende trazer paz a cidade que tanto se importa? — A mulher não tirava os olhos dele. — Se continuar assim a única coisa que conseguirá é o ódio dos outros e uma morte rápida.
Caique cerra os dentes.
– Eu não vou morrer nas mãos de bandidos medíocres como aqueles! Eu jurei que não iria morrer enquanto não limpasse essa cidade desses desgraçados que fazem dela um inferno, enquanto não os fizer pagar por seus crimes, eu nunca iria...!
– Você vai sim. — Kaelina corta o seu raciocínio. — O que decide se você vai morrer ou não, não é sua vontade ou suas orações, muito menos juras ou promessas, todas não passam de palavras, se você vive ou morre é uma questão de atitude, ações, e quanto a isso nos últimos dias você tem agido como uma criança idiota pondo a vida de todos na linha mais uma vez sem pensar nas consequências.
– É para isso que eu dediquei todo aquele tempo construindo aquelas armaduras, para que o mesmo erro não se repita outra vez!
Kaelina balança a cabeça.
– Caique, vá embora, saia dessa vida, você não sabe o significado de justiça, arranje uma nova identidade, recomece sua vida, esqueça tudo isso que tem feito até agora...
– O quê?! Primeiro você me ajuda e agora quer que eu vá embora? Tá me achando com cara de palhaço? Quem é você para falar de justiça se você também faz as mesmas coisas que eu?! — Ele grita irritado e pela primeira vez de modo desafiador aponta sua espada para Kaelina.
– Por que eu sou uma assassina! — Ela responde com um tom de voz penetrante que faz Caique suar frio não por medo, mas por seu impacto. — Eu não sou uma justiceira, sou uma assassina e quando o conheci meses atrás... Quando as notícias começaram a se espalhar pela cidade de que um novo justiceiro havia surgido eu fiquei feliz! — Ela eleva um pouco o tom de sua voz.
Caique fica mudo, a mulher baixa a cabeça e demonstrava tristeza no olhar.
– Fiquei feliz por que eu achei ter encontrado alguém que pudesse apagar a imagem errada que tinham de mim... A imagem de alguém que matava os outros que lhes faziam mal... Mas isso não era verdade... — Ela levanta o rosto para Caique.
– Do que está falando...? — Ele parecia nervoso.
– Eu não mato criminosos para fazer justiça Caique, eu apenas os mato por que estão entre mim e meu objetivo, mato por que eles possuem algo que preciso... Que procuro... Não tiro eles do caminho por que eu desejo o melhor para alguém.
– Kaelina você...!? — Ele parecia confuso. — Então por que está treinando a gente em artes de combate? Se não é para matar é para o que?
– Eu os ensino para que eles aprendam a lutar, para dar-lhes uma chance melhor do que a que seus antigos companheiros tiveram, mas eu não posso ensiná-los o propósito de tudo isso, é você quem precisa guiá-los! É você quem precisa dar o exemplo! Mostrar o caminho do futuro que pretende construir!
– Como disse!? — Ele olha surpreso.
– Um justiceiro serve de exemplo para todos, ele é a personificação da inspiração que brota nos corações daqueles que não têm mais esperanças... Ele não usa os fins para justificar os meios, age com firmeza de ações, é aquele que dá a certeza de que pode existir um futuro melhor... — Ela fala.
–... Kaelina... — Caique ainda apontava a espada para ela sem perceber.
A mulher anda em sua direção.
– Um assassino é uma cria do inferno e vive nele, é egoísta, não pensa em ninguém a não ser em si mesmo, não sonha com o futuro, não deseja um futuro, sua vida se resume ao seu objetivo, sem ele não existe propósito... Vive por vingança, morre por vingança, existe para matar ou existe para morrer... E o principal de tudo isso... — Kaelina faz algo inesperado, ela ergue sua mão esquerda e a transpassa na lâmina de Caique e continua caminhando em direção ao rapaz que já olhava perplexo conforme ela se aproximava sem fazer expressão de dor, ela agia naturalmente enquanto sua mão perfurada pela lâmina encosta na empunhadura derramando sangue no chão — Um assassino não teme derramar sangue. — Ela completa. — Seja o seu, de seus inimigos, ou mesmo de seus amigos ou família... Mas você ainda tem medo de sangue Caique e isso prova que ainda possui um coração... Que ainda pode voltar atrás...
As palavras da mulher atingem o rapaz eles ficam imóveis enquanto ele olhava para o sangue que pingava no chão.
– Você ainda têm pessoas que se preocupam com você, um filho que o ama e o aguarda, amigos que acreditam em você e em seus objetivos, viva por isso Caique, não destrua o seu coração por vingança, não jogue tudo para o alto... Pense naquilo que lhe é importante e volte a ser o justiceiro que deveria ser, seja um exemplo para aqueles que se inspiram em seu nome, não os jogue no inferno de onde nunca mais poderão sair...
Kaelina retira sua mão da espada e com a mão que não estava ferida levanta o seu rosto para olhá-la.
– Por que do que adianta mudar a cidade se não conseguir mudar as pessoas? Que futuro você pretende construir para os jovens justiceiros que estão lutando ao seu lado agora? O que eles se tornarão quando tudo isso acabar? Assassinos? Ou um exemplo para aqueles que amam e que os esperam? Vocês precisam ser um marco de uma nova era Caique. Você não está sozinho, lembre-se disso, pois não está pronto para jogar tudo isso para o alto apenas para se tornar alguém vazio como eu.
Dizendo isso Kaelina termina a conversa e se prepara para sair do recinto, mas assim que passa por Caique o rapaz segura em sua mão machucada, ela se vira para ele que olhava arrependido para sua mão ferida.
– Me... Me perdoe... A espada... Sua mão... — A expressão do azulado tremia.
Kaelina sorri.
– Não se preocupe, já estou acostumada com isso, além do mais eu fiz aquilo por que quis.
As palavras de Kaelina fazem Caique se sentir pior, privar alguém de sentir dor parecia inumano e ela percebe suspirando.
– Vá descansar, você acabou de voltar de uma noite agitada, não se preocupe com a minha mão, eu vou enfaixá-la e também já estou indo dormir. — Ela recolhe sua mão. — Nos encontraremos no desjejum. — Kaelina se vira outra vez indo embora.
– Kaelina! — Caique a chama.
Ela para e olha de soslaio.
– Você... Você também.
Ela fica sem entender e levanta uma sobrancelha, o rapaz remodela o que pretendia dizer.
– Você também não está sozinha. — Ele fala. — Se podemos construir um futuro para nós, também poderemos construí-lo para você.
Kaelina olha surpresa ao ouvir as palavras repentinas de Caique, ela fecha os olhos e então sorri.
– Agora sim você está falando como um justiceiro de verdade. — Com um aceno ela volta a tomar seu rumo saindo do recinto.
Caique fica parado, ele olha para o sangue de Kaelina no chão e se ajoelha.
– Sua idiota... Será que não dava para usar um exemplo melhor...? — Lamenta nada feliz pelo sangue que ela havia derramado.
Do lado de fora Kaelina passava pelo salão e Lillith que andava com seu filho ao lado vê a mão ferida da mulher.
– Kaelina sua mão! — Ela exclama preocupada.
– Está tudo bem, não foi nada, vão descansar já estou indo dar um jeito nisso. — Ela responde.
– Mas esse corte está muito feio, deixa eu dar um jeito! — Lillith insiste.
– Já disse que...!
Lillith não espera Kaelina falar e a arrasta pelo salão, o filho de Lillith volta para o quarto e as duas mulheres ficam na pequena enfermaria, Kaelina com a mão sobre a mesa e Lillith limpando com gaze.
– Que corte mais feio transpassou sua mão, o que foi isso? — Ela pergunta.
– Espada.
Lilith olha um pouco surpresa.
– Acidente de trabalho?
– Mais ou menos.
As duas continuam em silêncio Lillith pega o antisséptico e se prepara para jogar em cima.
– Vai arder um pouco, aguenta firme.
Lillith joga o remédio, mas Kaelina não demonstra nenhum tipo de reação o que a faz olhar um pouco surpresa, se não desconfiada, a mão da mulher é enfaixada e a outra guarda os medicamentos nas estantes.
– Obrigada. — Kaelina agradece inspecionando o trabalho da outra, ela se levanta e começa a ir embora.
– Kaelina?
A morena se vira para Lillith.
– Está tudo bem entre você e o Caique? — Ela parecia preocupada.
Kaelina não entende.
– Por que pergunta?
– É porque vocês dois não pareciam se falar muito esses dias, então eu...
– Eu não sou de conversar e Caique anda muito ocupado, então é normal que exista silêncio entre nós.
– Caique sempre foi muito comunicativo e brincalhão, mas desde o incidente da mansão ele vive enfurnado naquele laboratório, come pouco, dorme pouco, e seus olhos se tornaram mais frios... Estou ficando preocupada com aquele idiota, você sabe de alguma coisa? — Lillith pergunta.
– E por que eu deveria saber?
– Ué, por que vocês parecem se dar bem. — Ela responde automaticamente.
–... No momento não sei como ele está, então por que você mesma não verifica? — Com um sinal Kaelina se vira outra vez. — Com licença.
Lillith cruza os braços emburrada.
– Credo essa mulher não tem jeito!
Kenshiro encontra o azulado ajoelhado e repara no sangue no chão do local. – Vejo que tiveram que falar com você. – O ruivo fala esperando uma resposta do outro.
– Eu sou um justiceiro ou um assassino? – Aquelas palavras deixaram Kenshiro confuso. – Pensei que não conseguiria ajudar quem eu amava, então quis esquecer meus sentimentos... Percebi agora que fiz uma grande burrice, fazendo as coisas parecendo um sofredor que acabou de levar um chute da namorada. – O rapaz se levanta rápido. – Mas isso não vai mais acontecer. – Caique caminha ate um canto e de lá retira uma garrafa fechada de absinto. – Não tem nada melhor que curar os erros que o álcool.
– Você por acaso é bipolar ou tem transtorno de personalidade? – O ruivo pergunta surpreso com a enorme mudança do outro.
– Não, Kaelina fez eu me tocar que ficar por ai sofrendo como um corno melancólico e descontar essa tristeza e dor matando bandidos sem nenhum objetivo, nunca ira mudar essa cidade. – O azulado diz com um sorriso no rosto.
– Você com certeza é bipolar. – O ruivo toma a garrafa da mão do outro, a abre e da o um gole direto do bico, sentindo a queimação na garganta e o ar quente subindo para suas narinas.
– Vamos matar nossas magoas com isso. – Caique pega a garrafa e da um gole.
Esquecer os erros tomando uma garrafa inteira de Absinto... ISSO VAI DAR MERDA.
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