Notas iniciais
Demorei D: Omg, perdão. Juro que não vou desistir da fic! Esse capítulo tem umas cenas meio pesadas. Ele começa com uma cena +18 (que, apesar das circunstâncias, eu não consideraria lemon), mas que é uma cena muito importante, então eu recomendaria àqueles leitores que pulam as cenas de sexo a não pular. Aos leitores que gostam de lemon: não é uma cena sexy, então não fiquem animadinhos com lemon. É uma coisa bem pesada, acho, mas necessária. No mais, aproveitem o capítulo o

Cansado de todos as falsidades
Então vou entregar todos os meus segredos
Desta vez

Máscara da Morte chegou nervoso em casa. Não um nervoso irritadiço, terreno que lhe era comum, mas aquele nervoso ansioso e descontrolado, aquele nervoso que sentia muito ultimamente e que não sabia como controlar ou reagir. Desde que, horas atrás, viu que tinha algo de muito errado com relação ao acidente estava se sentindo assim, ainda mais levando em conta que Aiolia parecia na defensiva: mais calado e taciturno que o normal.

Mas, equilibrando os acontecimentos, foi uma noite proveitosa. Tinha tempo que não saía, visitar locais que antes lhe eram comuns com seu eu “novo” era uma experiência no mínimo curiosa que lhe tirava da rotina e isso ajudava. E não dá para se esconder o resto da vida.

Isso fez com o que, no geral, Máscara da Morte se sentisse melhor e Aiolia percebeu isso, enchendo o canceriano de beijinhos quando os dois chegaram a Câncer, sendo afastado pelo namorado falsamente irritado, estranhando tanta melosidade.

— O que aconteceu? – volveu Aiolia, se afastando e passando a mão pelos cabelos – Mesmo nos seus piores dias... Você não costuma me afastar assim.

Máscara da Morte riu ante ao ego ferido de Aiolia e como o mesmo falava como se os dois tivessem uma feliz vida sexual ativa, obrigado, e não um pequeno problema de ordem biológica que impossibilitava (momentaneamente, ambos esperavam) tal. – Só estou nervoso.

— Por ver o local do acidente?

— Não. Mais por saber que a culpa pode não ser minha.

Não era de todo mentira. Tinha isso, mas... Também tinha aquela sensação estranha de se sentir um idiota sem nem saber o motivo e Aiolia estava estranho... Muito estranho. Balançou a cabeça negativamente. Não queria ficar pensando nisso, não queria pensar demais e depois ficar fissurado em uma idéia que podia ou não ser verdade, uma premissa verdadeira ou falsa, e depois enlouquecer, não se decidindo entre enfrentar a verdade e morrer na dúvida.

— Não é nada, Aiolia. Esquece.

O canceriano rodou até o quarto, com um falso sorriso safado no rosto.

— Uhhhm, que cara é essa? – respondeu Aiolia, o seguindo, animado – Não me lembro de te ver com essa carinha.

— Pensei que poderíamos tentar alguma coisa.

Era o único tipo de conciliação que Máscara da Morte conhecia, mesmo que de fato ele e Aiolia não tivessem brigado às claras. Era só aquele clima ruim de Guerra Fria, mais ou menos. Quando ainda namorava Afrodite, sexo era o único jeito de resolver as coisas. Acalmar os ânimos. Deixar o namorado temporariamente feliz, mesmo que Afrodite chorasse escondido depois e ambos fingissem estar tudo bem.

Fingir parecia ser suficiente. De fingir Máscara da Morte entendia.

Máscara subiu na cama, se recostando em algumas almofadas, chamando Aiolia – Eu pensei que... Se não dá por um jeito, podíamos tentar por outro.

Aiolia levantou uma sobrancelha em dúvida, rindo – Certeza que vai dar certo?

— Podemos tentar.

Máscara da Morte se aprumou na cama com a ajuda das mãos, no que Aiolia subiu, tirando a calça e cueca, ficando com Máscara entre as pernas. – Quer tentar?

Sorrindo de lado, Máscara da Morte usou as mãos para começar a masturbar Aiolia. Gostava muito dele, achava que amava, mas isso por que era muito cedo para dizer que se ama alguém, não era? Aiolia o havia ajudado tanto desde o acidente, havia sido tão importante. Ainda assim, era difícil se imaginar fazendo sexo com ele. Não seria por que não fizera sexo desde o acidente? Ou por que ainda não conseguia ficar ereto? Máscara da Morte não sabia. Tinha pensamentos dúbios e contraditórios ao ver Aiolia à sua frente, seminu, no início do que prometia ser a primeira relação sexual do relacionamento dos dois.

Se sentia, ao mesmo tempo, desejoso e nojento. Desejava Aiolia, apesar de não ter uma imagem mental de si mesmo transando com ele. E também o queria longe. Não só ele, talvez, qualquer um. Ou não. Era confuso. Máscara da Morte não sabia o que pensar.

No meio da masturbação que Máscara fazia com as mãos, tendo agora levado à boca, seus pensamentos de repente se voltaram a Afrodite. Sentiu como se estivesse no “antes”. Um antes em que ainda andava, que ainda namorava o pisciano, em que era normal fazer sexo depois de uma briga e fingir que não ouviu o namorado chorando depois.

Como se estivesse traindo Aiolia. Masturbar um pensando em outro.

Um canalha.

— Ah... Algo errado?

Sem perceber que parara os movimentos, Máscara olhou para cima, tirando a boca do falo semi ereto de Aiolia para responder – Não foi nada. – respondeu, beijando Aiolia, logo voltando ao que fazia.

Tentou não pensar em nada, continuando seu trabalho, ignorando a imagem de Afrodite que surgia vez ou outra. E, quando foi suficiente, se virou de lado de modo meio automático, tendo a ajuda de Aiolia para tirar a roupa.

Aiolia percebera que tinha algo de errado. Mas preferiu ignorar. Movido pelo medo de que o próprio Máscara da Morte percebesse algo, movido pela luxúria, ignorou.

Todos aqueles sinais que mostravam que ele não queria de verdade, que ele estava triste demais, ansioso demais, nervoso demais, confuso demais. Aqueles sinais que mostravam que ele só não sabia o que fazer, dizer, sentir. Tudo aquilo que Aiolia sabia e se sentia um lixo por ter ignorado, por estar ignorando.

Pegou o lubrificante e passou, fingindo desejo real, fingindo que era o que realmente queria, a despeito da ereção. E, quando começou a penetrar Máscara da Morte, com cuidado, fingiu que o silêncio e tensão do outro eram fruto de uma primeira vez. Fingiu que não sabia que Máscara da Morte não estava sentindo nada, fingiu que não era como se estivesse transando com uma boneca de pano, fingiu que não tinha percebido que o outro começara a chorar, até que não conseguiu fingir mais.

Saindo de dentro de Máscara da Morte, Aiolia passou para o outro lado da cama, se deitando de frente ao outro. – Não precisava... Não precisávamos disso, Ettore.

Sem conseguir controlar o choro, Máscara da Morte abraçou Aiolia, que o aninhou, apertando com carinho e tentando não chorar também.

Não perguntou por que o namorado chorava. Aiolia sabia que era muito mais do que qualquer um dos dois conseguiria exteriorizar e entender. Máscara da Morte se sentiu agradecido por não ouvir a pergunta “O que aconteceu?” que esperava. Ele não saberia responder. Tudo havia acontecido, nada nessa vida parecia certo.

Nos braços de Aiolia, chorando baixinho, ele conseguiu se acalmar. Quando se acalmou, se afastou um pouco e olhou direto nos olhos de Aiolia, vendo que este chorava também.

— Grazie, Aiolia.

— Não há de que, meu amor. – respondeu, dando um beijo de leve nos lábios do outro. – Eu estou aqui sempre que precisar de mim. Sempre.

No dia seguinte, depois de tomarem banho, trocar os lençóis sujos e dormirem juntos, ambos estavam melhor. Aiolia saíra cedo para a ronda com os soldados e Máscara da Morte desceu, com a ajuda de Camus, para treinar os aprendizes, depois de ficar fora por muitos dias.

Curiosamente, estava mais calmo, mais feliz, depois do fiasco da noite anterior. Chorou todas as lágrimas que precisava e decidira por não deixar os comentários das pessoas à sua volta o incomodarem. Já tinha ouvido hoje ainda cochichos e ofensas, mas isso eventualmente iria diminuir, parar. Máscara da Morte não conseguia moldar a realidade como uma massinha de modelar, colorir e dar a forma que quisesse, colar novamente sua medula.

Então teria que se moldar à realidade. O caminho oposto.

Oposto ao que realmente queria fazer, chorar, esbravejar, literalmente mandar ao inferno quem o tivesse ofendido, morrer. Em oposição a isso tudo, sobreviveria, viveria. Seria muito mais do que qualquer um pensasse.

E daria o primeiro passo, figurativamente falando.

Com esse pensamento, riu. Camus o olhou de lado e sorriu, antes de dizer – A noite foi boa?

Camus estava sentado em um banco de madeira, ao lado de Máscara da Morte na cadeira de rodas e dividia sua atenção com os aprendizes, que faziam os exercícios designados.

— Na verdade, o fim de noite foi horrível. – o canceriano respondeu sorrindo – Mas agora está tudo bem.

— O Milo... – começou Camus, ainda observando os pequenos, mas se reclinando para trás, recostando no encosto do banco – O Milo às vezes se comporta como se sexo resolvesse tudo. Ele me disse um dia que gostava de discutir comigo por causa da reconciliação. – Camus riu antes de continuar – Não deu certo com o Aiolia, não é? Vocês brigaram?

— Eu era assim com o Afrodite. Mas não é o mesmo com Aiolia, por uma série de fatores. – Ficaram em silêncio um pouco. Camus não sabia muito bem o que dizer e Máscara da Morte se sentia estranho por conversar com o aquariano sobre assuntos assim. – Mas acabou sendo melhor. Candidato a uma das piores noites de sexo da minha vida. Não é como se estivéssemos brigados, mas...

— Um clima ruim, então?

— Mais ou menos. – Máscara da Morte suspirou e rodou até ficar de frente a Camus – Você tem muitos problemas com Milo?

— Não muito. A maioria por ciúmes, por parte dele. Eu não gosto de ciúmes, me sinto preso – Camus se endireitou no banco, voltando todas sua atenção para Máscara da Morte – Mas nada que não dê para contornar. E ele já melhorou muito.

— Eu não sei ter um relacionamento saudável — o canceriano riu nervosamente, segurando o braço da cadeira de rodas com força e desviando o olhar antes de continuar – O único duradouro que tive antes de Aiolia, Afrodite, foi devastador para ele. E com Aiolia estou estragando tudo.

— Não sou a melhor pessoa do mundo para dar conselhos amorosos. Eu e Milo... Nós dois já estivemos por um fio. Credito toda culpa a mim.

— Mas já está tudo bem agora?

— Está – Camus respondeu, dando as costas e se levantando – Descobri que ele estava se doando demais, abrindo mão demais. Eu ignorava isso. Então eu decidi aprender. Aprender como o Milo é, o que ele precisa, quem ele é. Pode demorar um pouco, mas dá certo.

Observando Camus sair e dar as costas, Máscara da Morte se decidiu por ser uma pessoa melhor não só por ele mesmo, como havia pensado antes. Mas por Aiolia também. Não queria que Aiolia sofresse como Afrodite sofreu e só hoje reconhecia. Queria que Aiolia fosse um cara feliz e tivesse orgulho dele, de Máscara da Morte, Ettore. E, mesmo se acabasse um dia, que o namoro dos dois fosse uma lembrança gostosa, não uma dolorosa e difícil de engolir.

Por Aiolia iria melhorar, buscaria ser alguém que nunca foi, um alguém melhor.

Por Afrodite, não faria Aiolia sofrer.

E, por si mesmo, seria sincero. Com os dois.

Notas finais
Pois é, foi isso. Espero que tenham gostado! Ainda não decidi se o próximo capítulo é um especial do Camus e do Milo ou não, ainda tô pensando. O que acham? Até o próximo o