Notas iniciais
Outra atualização rápida (!) Pois é, esse capítulo é diminuto, mas isso se deve à temática :p Calculo que a fic tem mais dois capítulos, acho. Curiosidade: ainda que por palavras essa é minha fic mais longa desde o capítulo 12 ou 13, nesse capítulo eu bati meu recorde de "fic com mais capítulos"! Oficialmente minha fic mais longa ever! Emocionada aqui *enxuga as lágrimas* ♥ Enjoy

Não tenho razão

Não tenho vergonha

Não tenho família

Que eu possa culpar

Só não me deixe desaparecer

Vou te contar tudo, então

No dia seguinte, a última coisa que Máscara da Morte queria era procurar Aiolia. Seus olhos lacrimejavam num misto de raiva e alívio quando lembrava do dia anterior e tentava ao máximo ignorar o impulso de chorar alto, se sentindo traído.

Máscara da Morte suspirou, resignado. Mal tinha um dia da briga com Aiolia e já sentia falta do leonino. Acordar sozinho naquela casa era solitário e só aumentava sua vontade de chorar, o que aumentava sua irritação em níveis alarmantes. Se recusava a chorar por Aiolia. Olhou os aprendizes treinando, finalmente ordenados e disciplinados e agradeceu a Camus pela ajuda. Nunca teria conseguido controlar aqueles moleques sozinho e reconhecia que quase todo o trabalho fora feito pelo aquariano.

Camus estava ao seu lado, sentado em uma pedra, relaxado. Ultimamente Camus sempre se abaixava ou se sentava quando estava por perto e Máscara da Morte se sentia grato por isso.

— Camus, como você agüenta brigar com o Milo?

— Eu não agüento – Camus riu – Brigou com o Aiolia?

— É, ele... – Máscara da Morte estava dividido se se abria com Camus ou não. Seria bom ter uma segunda opinião no assunto e não poderia contar com Afrodite para isso. Também não tinha mais ninguém, e, fora o ex e o (ex) namorado. Bem, ele não tinha nada a perder. Talvez apenas o resto do seu orgulho se não conseguisse se segurar e começasse a chorar ali, na frente de Camus e no meio dos aprendizes – Ontem ele me disse que ele viu o acidente. O meu acidente.

— Ah, sim. – anuiu, para então se levantar e dar novas ordens para os aprendizes, que obedeceram de imediato. – Foi ele que avisou de seu acidente aqui no Santuário.

— É, só que ele mentiu.

— Mentiu?

— É. Ele disse que eu estava em alta velocidade, bêbado e atravessei o sinal – Máscara suspirou, segurando a raiva e o choro – Mas era mentira. Ele viu o acidente e mentiu. A culpa do acidente não foi minha.

O francês assobiou, espantando. – Sacrébleu. Não é uma mentira pequena.

— Daí tivemos uma briga ontem. Eu não sei o que fazer.

— Pessoalmente falando, eu teria dificuldades de lidar com isso. Para não falar que eu hipoteticamente faria o Milo engolir cada uma das agulhas escarlate e posteriormente o prenderia em um esquife de gelo, eu digo que eu reagiria mal. – Camus deu uma pausa, como se pensando no que falar em seguida, antes de continuar – Mas eu diria que não é seu caso, já que não sabe o que fazer.

Máscara sentia que merecia a mentira de Aiolia então, mesmo que estivesse irritado com isso, entendia o leonino e queria perdoar. E também gostava de Aiolia e queria fazer certo na relação dos dois. Então se sentia dividido e perdido. – Eu achei que você encararia de boa isso.

— Ah, não. Eu tenho um limite. Eu agüento as brigas idiotas por ciúme para ter sexo depois por que amo o Milo, mas ele me sufoca muito. Mentiras, de qualquer tipo, já é uma coisa que eu não suportaria. Ainda mais uma dessa.

— Eu não sei o quê eu faço, Camus.

— Já conversou com ele? Depois da briga.

— Não.

Camus não esperou uma resposta e se levantou. Com uma frase curta, liberou os aprendizes do treinamento da manhã, se virando para Máscara da Morte depois que se encontraram sozinhos. – Vou te levar até Leão, vem.

O canceriano ergueu uma sobrancelha, confuso. Camus era estranho.

E Shaka também era. Neste momento, o virginiano estava sentado no sofá da sala de Aiolia, ouvindo as lamúrias bêbadas do amigo e já quase perdendo a paciência. Tinha chegado à conclusão de que tinha um apreço excessivo por ele e acreditava estar sendo bem sucedido em esconder o fato.

O que Shaka não esperava, no entanto, era que ver Aiolia lamentar te machucaria tanto. Sabia que não tinha chances com o amigo enquanto esse estivesse namorando. Parte de si nem queria ter uma chance, na verdade. Shaka sabia que não sabia nada de romance e isso o assustava e o afastava de tal. A outra parte queria descobrir, experimentar e, no momento, consolar Aiolia.

Mas em uma coisa as partes de Shaka eram unânimes: ele não merecia alguém que já gostava de outro. E era isso que o impedia de avançar em um emocionalmente instável e bêbado Aiolia.

— O que acha, Sha? – disse Aiolia, tropeçando nos próprios pés, não caindo por conta dos reflexos de Shaka, que se levantou e pegou o amigo antes que o mesmo fosse parar no chão. – Eu não queria magoar ele.

— Mentira. Queria sim – vociferou o virginiano, sentando Aiolia no sofá e tirando o copo de ouzo da mão dele – Você arrependeu, é diferente. Agora lide com suas escolhas como um homem. E já chega de beber.

— O que eu faço? Eu amo ele – parou de falar para recostar a cabeça nas mãos, se sentia tonto, e então Aiolia continuou – Eu acho. Mas eu não tenho coragem de... Eu não tenho coragem, Shaka.

Shaka abriu os olhos e observou Aiolia. O grego estava em um estado alcoólico vergonhoso e lastimável, que fazia Shaka torcer o nariz e se perguntar por que gostava daquilo. Ainda assim estava ali o ajudando e servindo de ombro amigo. Passando por cima do seu orgulho, ouvindo lamúrias sobre uma outra pessoa e controlando seus impulsos mundanos. – Aiolia, você é realmente um covarde detestável. – Neste exato momento, Shaka percebera algo que era tão claro que tinha se recusado a ver. Foi como se tivesse visto claramente na sua frente aquilo que estava enterrado lá fundo, e entendeu.

Amava Aiolia havia tempos e isso era fato certo. E nunca se importara em ter um avanço romântico com ele por também amar o ver feliz e era por isso que ajudava Máscara da Morte e, por Atena, até começava a o considerar amigo. Fazia Aiolia feliz.

Mas Aiolia não estava feliz agora, por culpa da própria ignorância, e por isso Shaka se irritava.

De fato, o virginiano estava a um ponto de praticar certos atos de violência com o leonino, mas teve o pensamento interrompido quando entraram pela sala Camus e Máscara da Morte, o francês empurrando a cadeira de rodas.

Aiolia, até então em um estado meio bêbado e catatônico, olhou o italiano como se fosse uma espécie de miragem e sorriu, para depois começar a chorar baixinho ao ver a cara de poucos amigos dele.

— Ettore, eu...

— Não me chama de Ettore, Aiolia. – começou Máscara, vendo sua irritação subir ainda mais ao ver o estado deplorável do grego – Não quero que me chame assim.

Camus suspirou, passando a mão pelos cabelos e então puxando Shaka – Vamos esperar lá fora. O Aiolia vai precisar de você depois.

Se vendo sozinho com o até então namorado, Aiolia se levantou e caminhou lentamente para onde Máscara da Morte estava, se sentando no chão em frente à cadeira de rodas depois de se desequilibrar. Máscara da Morte suspirou. Não seria tão difícil.

— Aiolia, eu vim aqui fazer a coisa certa. – começou, levantando o rosto de Aiolia e enxugando as lágrimas – Non ho mai mentito¹ para você. Nem omiti nada propositalmente. Voi tem sido o pilar que tem me sustentado, Aiolia, mas eu não posso usar outra pessoa de sustento. Como io fico se voi ruir? – Máscara não ligava se Aiolia não fosse lembrar depois ou não entendesse o grego misturado com um italiano solto. Tampouco havia preparado um discurso, não fazia idéia de onde aquelas palavras o levariam – Capisce? Io preciso aprender a me levantar sozinho, não literalmente. Io ti agradeço de verdade por esse apoio que voi me deu. Ti amo, de verdade, leone. Io quero fazer certo. Então quando... – Máscara da Morte parou e respirou, se controlando e tentando falar em um grego claro para que Aiolia entendesse e continuou – Quando você quiser fazer certo. Quando você não quiser mais mentir para mim ou me forçar a algo que eu não estou preparado e sim, eu estou falando de sexo – completou quando viu que seria interrompido por Aiolia, ao lembrarem-se das duas tentativas frustradas, que, no geral, foram motivada forçadamente por Aiolia – Quando você estiver preparado para ser sincero, você volta. Por que eu me recuso a ser o errado da história de novo.

Máscara da Morte respirou e saiu. No pátio, antes que Shaka e Camus perguntassem, respondeu – Demos um tempo, ainda que eu não saiba se ele vai se lembrar amanhã.

— Ele vai. – começou Shaka – Faço questão de esfregar na cara dele. – sorriu e continuou – Vou ficar com ele agora pela manhã, mas à tarde apareço na sua casa nova. Até mais.

Sorrindo, Máscara e Camus se despediram, com Camus pegando o canceriano no colo e se preparando para descer as escadas.

Em silêncio, Camus sentiu lágrimas molharem seus ombros.

Em silêncio, Shaka entrou na sala de Leão, encontrando Aiolia chorando, agarrado a uma almofada.

Aiolia não esqueceria.

Notas finais
¹ Eu nunca menti Pois é! É a vida. Ainda que parte de mim ache exagero o motivo da briga, outra parte de mim acredita piamente que o Aiolia merecia sofrer mais :v Até o próximo!