Notas iniciais
Olá, gente! Perdão a demora IMENSA para atualização. Não foram meses muito bons. Meus planos era de fazer um capítulo maior que esse, mas estava empacada tinha muito tempo em uma cena no final e decidi terminar a cena e continuar contando por outra abordagem no próximo capítulo - coisa que não funcionaria nesse. Espero que gostem!

Diga-me o que você quer ouvir

Algo que agradará aos seus ouvidos

Uma semana havia se passado e a situação de Máscara da Morte não estava muito diferente. Ele ainda não havia ido treinar os aprendizes com Camus e os treinos com Shaka se resumiam ao virginiano ir até a Casa de Câncer, se sentar no sofá e olhar para o tempo. O italiano estava apático e dormia a maior parte do tempo, de forma até preocupante, quase não trocando a sonda ou fazendo o procedimento para evitar escaras. Aiolia fazia o que podia para tentar animar o namorado e até havia ajuda nesse quesito – Mu e Aiolos também vieram durante a semana tentar animar o canceriano um pouco, mas todas as tentativas foram falhas.

Neste momento, Máscara da Morte dormia. Shaka estava sentado em frente, de olhos abertos, perdido. Parte de si não entendia essa tristeza desmedida que o canceriano sentia e achava tudo um exagero idiota. A outra parte, talvez a mais humana, olhava e não conseguia ignorar e sabia que havia alguma coisa de muito errado com o outro e não apenas a paralisia. De fato o virginiano não sabia por que vinha a Câncer treinar. Normalmente nem se daria ao trabalho de sair de casa para ajudar Máscara da Morte e já era a sexta vez que vinha para não fazer nada.

– Ainda aí? – Aiolia perguntou enquanto entrava. Do que conhecia de Shaka, este já teria perdido a paciência e desistido de Máscara da Morte – Parece que ele desistiu, não é?

– Seu namorado me desperta os mais curiosos sentimentos, devo frisar, Aiolia – Shaka disse se levantando, passando a mão pelos cabelos e fechando os olhos – O mais importante deles é confusão. Não entendo todos esses sentimentos que ele demonstra e a reação dele à animosidade. Muito menos por que para você, justo você, resolveu ser uma boa idéia namorar ele.

– Ele não é má pessoa, Shaka.

– Não foi isso que eu disse. — O virginiano deu um suspiro longo, pesaroso — Eu vou indo agora. Até.

Desta forma, Aiolia ficou sozinho com o namorado. Ou, mais precisamente, totalmente sozinho. Sua vontade agora era de chutar Máscara da Morte daquele sofá e dar uma susessão de tapas na cara para que ele acordasse para a vida. Não é como se fosse funcionar, mas ao menos serviria para exteriorizar a raiva.

O leonino se sentou ao lado do canceriano, acariciando os cabelos do outro e observando as feições adormecidas. Mesmo dormindo ele não parecia em paz. Estava mais magro, o rosto estava fundo e com olheiras e dava para sentir a dor, principalmente emocional, observando seu rosto.

– O que eu posso fazer para te ajudar, Ettore?

Quando Aiolia beijava ternamente a testa de Máscara da Morte, o mesmo acordou. Abriu os olhos devagar, dando de cara com Aiolia, que sorriu.

– Bom dia, Bela Adormecida.

– Buongiorno... — Máscara da Morte sorriu de volta, contagiado por Aiolia. Sabia que sua tristeza sem fim atingia Aiolia e não queria isso, mas não sabia evitar. — Como foi seu dia?

– O de sempre — Ver o sorriso do outro depois de tantos dias foi tão reconfortante para Aiolia que sentiu vontade de insistir novamente. Quem sabe dessa vez Máscara se mostre mais receptivo? — Mu me chamou para ir em um pub hoje à noite, topa?

Máscara o olhou desconfiado, se sentando no sofá e rindo — O Mu? Leone, podia ter arranjado uma desculpa melhor.

– Ok, ninguém me chamou. Mas você tem que sair um pouco e aposto que se eu chamar o Mu ele vai.

– E o Shaka?

– O que tem ele?

– Ah, nada — Máscara puxou a cadeira de rodas para se sentar nela, já fazendo a transferência sem dificuldade, para depois rodar a posição até ficar de frente para Aiolia no sofá — Achei que ele fosse seu amigo.

– E é. Mas não creio que ele iria para um bar com a gente...

Aiolia se calou. Não queria terminar a frase: também não queria que Shaka fosse. O virginiano andava muito estranho e, por mais idiota que pudesse parecer, estava morrendo de ciúmes. Não queria "marcar território" agora que Máscara parecia melhor e receptivo, isso só ia atrapalhar.

– Eu queria chamar ele. Sabe, agradecer.

Ettore não sabia o motivo de querer a presença de Shaka. Sabia que Shaka gostava de Aiolia e sentia muito ciúmes disso, ainda somado à pequena... desavença... que tivera vom Shaka dias atrás não lhe davam muitos motivos para querer a presença do virginiano. Com certeza o fato de Shaka ter vindo pedir desculpas e se mostrado solícito mesmo diante de um Máscara da Morte apático contavam como pontos positivos, mas Shaka gostava de Aiolia.

E o ciúme que o canceriano sabia que sentia era motivo suficiente para evitar que Shaka fosse também, mas certa parte de seu coração, a parte que tem sol em câncer e não toda aquela infinidade de capricórnio e escorpião em seu mapa astral, o dizia que o certo a fazer era chamar, sim, Shaka.

E, cazzo, ser uma pessoa decente ao menos uma vez na vida não o mataria.

Aiolia ficou reticente ante ao pedido do namorado, mas anuiu com um aceno de cabeça. Morria de ciúmes do amigo com o namorado, mas Máscara tinha finalmente se prontificado a algo depois de muitos dias, então tinha um bom motivo para se controlar.

Diferente do esperado, Shaka aceitou o convite de imediato, mesmo que tenha se arrependido segundos depois e maldito baixinho por ser tão impulsivo ao aceitar um convite de Aiolia.

Assim, aquela foi a primeira vez que Máscara da Morte saiu para um bar desde que a saída de um bar mudou completamente sua vida. Não propositalmente, acabaram indo para o mesmo bar em que havia enchido a cara naquela noite: Helios era um bar bem frequentado, bem localizado e acessível a cadeiras de rodas.

E esse fato fez Máscara da Morte rir. Sempre tinha achado frescura as rampas e costumava estacionar irregularmente em vagas para deficientes e isso havia acontecido inúmeras vezes. E cá estava ele, em um carro sendo estacionado regularmente em uma vaga para deficientes. Também tinha a ironia de este ser o bar no fim de sua vida e do que esperava ser o início de uma nova. E, olhando para a esquerda, ele via ao longe o cruzamento e o semáforo, onde havia acontecido o acidente. Tão perto do bar que era difícil acreditar que estava em uma velocidade tão alta.

Era realmente difícil acreditar.

E também tinha aquela sensação nova de ver as pessoas te encarando, mas não dizendo coisas como "Bem feito" ou "Devia ter morrido". A sensação de ter pessoas normais te encarando com uma curiosidade natural, ofensiva ou não, diante de alguma coisa diferente. Não era assim no Santuário. Lá as pessoas o julgavam e mesmo que houvesse culpa, a mesma não é um fator que impede os sentimentos ruins de aparecer. Pelo contrário: só piora.

No geral, a parte fácil foi se sentar em uma mesa na companhia dos amigos e do namorado: além de Aiolia, vieram também Mu, Aiolos e Shaka. O início da parte complicada foi começar a explicar repetidamente "É, foi aquela batida de moto" e "Infelizmente ela morreu" cada vez que alguém que o reconhecia o via na cadeira de rodas.

Máscara tinha noção que as perguntas eram inocentes e que viriam com frequência até por parte de quem não o conhecia. Usar uma cadeira de rodas é uma característica comum, mas diferente do considerado "normal" e totalmente inesperado para quem conhecia o Máscara da Morte de antes.

– Eu juro que mato o próximo que me perguntar “O que aconteceu” – disse Máscara da Morte num muxoxo irritado, em meio às goladas de suco. O canceriano ainda não podia dar-se ao luxo de ingerir álcool e isso apenas piorava a irritação. Talvez se pudesse beber não ficaria tão apático... Mas nem imaginava o quanto beberia para afogar toda a tristeza que se acumulava. – Eu já devo ter respondido isso umas venti vezes nessa última meia hora.

– Onde foi o acidente, Máscara? – perguntou Mu, curioso. Assim como Aiolia e os demais, ficava feliz que uma emoção além da apatia tomava conta agora. Era normal ver Máscara da Morte irritadiço, se ignorassem o copo de suco de laranja ao invés da cerveja e a cadeira de rodas, era como se voltassem a antes do acidente. Um Máscara da Morte irritado era terreno comum e era bom reconhecer alguma coisa de antes no Cavaleiro de Câncer – Foi aqui perto, não é? Fiquei sabendo que as pessoas que estavam no bar viram tudo.

– Foi naquele semáforo – aponta o canceriano, desinteressado.

Foi aí que algo que Máscara já tinha percebido, mas que ignorava, por não lembrar direito daquela noite e por falta de autoconfiança, que era perto demais para estar em uma velocidade tão alta como diziam.

Perto demais.

– Esse espaço é suficiente para estar a 160km/h na sua moto? – Aiolos disse enquanto sorvia uma dose de ouzo – Não entendo muito de motos, mas a sua foi destruída, não foi? Ela chegava nessa velocidade tão rápido?

Aiolia apertou firme a mão do namorado, como que passasse (ou procurasse) apoio – A moto do Ettore era último modelo, acho que chegava sim, não?

– Não, Aiolia... – volveu Máscara da Morte, confuso – Ela não chegava.

Notas finais
Pois é, é isso. Perceberam hint de tretas? o: No geral, não vou abandonar a fic. Na verdade, me sinto muito culpada por demorar tanto ._. Vou tentar melhorar minha pontualidade >_< Até a próxima o