Praeternatural Chronicles - Dreams X
3 The Clock Tower
Notas iniciais
Praeternatural Chronicles — Dreams X
Episode 03 – The Clock Tower
Uma torre, nomeada de Clock-Tower, está presente na cidade desde os primeiros anos. No centro da cidade, já foi famosa pela população a visitar frequentemente. Porém, algo aconteceu para que tudo mudasse. Muitos ficaram assustados por acontecimentos banais. Pessoas foram vítimas de violência nos arredores ou na própria torre, principalmente à noite. Há relatos de quem já presenciou os ataques, sobre uma criatura idêntica a um ser humano. Mordidas graves no pescoço, ferimentos em todo o rosto, e marca de dentes afiados sobre uma parte dos ombros.
Eu estava de frente para a torre, às 23h15min. A torre que, talvez, poderia ser a mesma que assombra meus sonhos toda as noites – não deveria chamar de sonho, e sim um pesadelo.
A curiosidade de saber o que tinha lá dentro me mortificava como mil facadas sobre o peito. Exatamente cinco minutos depois, um ruído veio do alto da torre, semelhante a passos humanos. Passos de alguém que estaria desesperado procurando uma saída.
Adentrei ao local através da velha porta que, por primeira visão, não tinha energia elétrica. Por sorte, havia trazido uma lanterna junto comigo – lanterna de cor azul com faixas brancas e três tipos de iluminações diferentes: branco, amarelo e verde (Restart está até em lanternas!) –, assim poderia explorar o lugar temoroso. Meus olhos não conseguiam ver muito à frente, pois as teias de aranha faziam a festa, e as criaturas anelídeas, como: minhocas, larvas e outros desta categoria, que adoram mastigar um bom e suculento cadáver em decomposição avançada. Dava até para se ver os ossos. Não é bonito?
Através das minhas palavras, todos devem estar pensando que estou explorando o ambiente sem medo, e sim na brincadeira, mas não. Tenho muito medo do que possa vir adiante.
Corredores únicos foram avistados, inclusive mais girinos sedentos por carne humana. Fui caminhando cautelosamente pelos corredores de paredes azuis repletos de rachaduras, uma mais estrondosa que a outra. O assoalhar do dia poderia ter se infiltrado em algumas áreas daquela torre, por consequência de buracos em algumas áreas do teto, ocasionando manchas em toda parte. O som que mais me incomodava era o barulho daqueles bichos sobre os corpos. O cheiro também era insuportável!
– Quando eu morrer, prefiro ser cremado do que ser devorado por essas coisas!
Aquele lugar sinistro parecia um santuário onde ficavam “guardados” os corpos das vítimas. Os pedaços mortais estavam por toda a parte. Ossos, crânios, braços, pernas... tudo apodrecendo.
Será que lobos adentraram ao local de forma acidentária e as atacou? Tudo o que se possa imaginar, passava pela minha cabeça no momento. Continuei minha trajetória pelo local “assombrado”. Encontrei uma escotilha à parte elevada do teto. Poderia subir, me apoiando nos móveis. Estava bem a cima de mim. Como entrar nela? Analisei bem, aparentava ser um caminho secreto, já que existiam escadas. Se tinha por onde subir aos níveis, para quê uma escotilha? O que estaria fazendo ali?
O labirinto, esse é o termo correto. Preferi não arriscar na passagem por aquele duto, fui subindo as escadas normalmente desde seu início, não teria motivos para fazer diferente, justo naquele momento. Olhei à minha volta e encontrei um homem ferido no pescoço. Não estava morto, pois sua respiração estava explícita perceptivelmente visto de uma longa distância; então olhei para os lados para averiguar se tinha algo a me confrontar; vendo que não, corri até aquele pobre rapaz que sangrava intensamente sobre o piso de madeira azul desgastado. Aparentava agonizar de dor. Algo o atacou no ombro.
– O que houve com você? – Indaguei para o rapaz que, por sorte, estava consciente, mesmo com ferimentos graves.
– Quem é você? – Interrogou com dificuldade. Me agachei para que pudesse obter um contato facilitado com o sobrevivente.
– Eu... – Mesmo não sendo necessário o pronunciamento do meu nome, resolvi falar (apesar de que não pudesse existir alguma diferença) – Meu nome é Matthews-Nguyen Deipu. Eu não sei como vim parar neste labirinto. Só me lembro de ter “acordado” aqui.
O homem, ofegante, prestou a atenção nos meus olhos e constatou:
– Você deve chegar no topo da torre. Só assim poderá acordar.
– Acordar? – Perguntei a mim mesmo em voz alta.
– Sim. Está sonhando. Algo lhe trouxe aqui através dos sonhos... – Respondeu.
O rapaz não conseguiu terminar o que iria dizer. Sua vida terminou daquele jeito. Ferido dentro de um inferno como aquele, num lugar totalmente obscuro e sem vida. Logo o corpo entraria em estado de decomposição e “a família” dos girinos viria comer sua carne podre, assim saciando a vontade.
Então eu estava num sonho e precisaria chegar ao topo da torre, onde ficava o grande relógio, que seria mandado de volta? Mas por que eu?
Fiz o sinal de uma cruz em seu respeito, com a ponta dos dedos fechei seus olhos. Me levantei e continuei subindo. Droga! Não havia por onde subir! Creio que aquela passagem da escotilha era a única solução. Estava mais calmo sabendo que era apenas um sonho doido. Talvez tivesse um significado.
Fui correndo e descendo alguns níveis, esbarrando em tudo o que tinha pela frente. Como estava muito rápido, não poderia deixar o braço que segurava a lanterna sem os mexer, senão me atrapalharia. A luz da lanterna ficou desnorteada.
Me deparei com aquela passagem brilhante – antes não brilhava. A tonalidade amarelada me deixava sob suspense. Provavelmente, alguma luz habitava mais pelo interior e me ajudaria a chegar no topo da grande torre. Havia um móvel do tamanho adequado para que eu pudesse subir nele e pular para a passagem. Assim iniciei meu plano. Arrastei o grande móvel pesado até debaixo do duto. Retirei minhas mãos dele e soltei um suspiro de calor. Voltando os olhos para cima e prestando atenção na luz amarelada, subi naquele apoio e destranquei a pequena porta – a chave estava na tranca. Havia um pedaço de jornal onde relatava um assassinato:
“05 de Novembro de 1950”
“Mais pessoas foram mortas na Clock-Tower. O governo ainda não soube identificar o que aconteceu em seu interior. Até hoje, nenhuma vítima que saiu de lá viva, sobreviveu. Outras começaram a cometer homicídios, apenas quando noite. Um assassino em série pode estar por trás de tudo isso. Daqui alguns meses, implantaremos um sistema de câmeras por todo o complexo e assim conseguirmos identificar o autor de toda essa tragédia.”
Mil Novecentos E Cinquenta? Mas isso já faz muito tempo! Cinquenta anos atrás tudo isso ocorreu. Então eu estaria de volta ao tempo antes de interditarem o prédio para poder ver de perto através de um sonho? Mas... por que em mil novecentos e cinquenta? Como será a Clock-Tower atualmente? Se está, onde foi construída?
Antes de iniciar meu percurso, engatinhando pelo duto, fitei bem a passagem por onde prosseguiria. O medo estava me consumindo. Minhas pernas tremiam cada vez mais.
Engoli a saliva violentamente e comecei a me rastejar por aquela área. Minha roupa já estava cheia de poeira e alguns cacos de vidros que ali estavam. Isso era novidade para mim. Cacos de vidro em um duto? Isso fez cortar um pouco minhas mãos.
À medida em que eu iria atravessando a grande torre por aquela passagem escorregadia, ela fora ficando mais apertada. Se continuasse assim, não poderia chegar ao final por falta de espaço.
Por sorte, eu localizei uma luz branca ao fim do túnel e já estava me preparando para saltar do teto para o chão. Aquela passagem me levou até o topo da Clock-Tower. Ótimo! Agora precisaria ficar perto do grande relógio.
As paredes haviam mudado de cor, estavam esverdeadas. Notei o sangue que escorria pelo duto, precisava sair dali urgente, antes que o corte em minhas mãos se tornasse mais grave.
Ao descer da passagem de nível elevado, tomei o maior susto da noite ao ser atacado por lobos ferozes. Aqueles “cães” vieram na minha direção a toda a velocidade. Estavam com aparência de cadáver! Seu cérebro exposto, sua língua partida ao meio, seu coração à mostra pingando sangue. Senti um enjoo do caramba, mas não tinha tempo para ficar e vomitar. Não consegui recobrar a minha visão após o susto, tendo como consequência mais um ataque. O lobo, com sua carne putrificada, saltou para cima de mim, derrubando-me no chão violentamente. Soltei um grito abafado por conta do novo susto. Segurei o focinho daquela criatura imunda – mesmo não conseguindo enxergar direito, pois a lanterna estava jogada no chão por conta do impacto – para que não pudesse me abocanhar com aqueles dentes cheio de germes e aquela saliva cinza.
Mostrei meus punhos e soquei aquele animal sobre mim. Parece que um simples impacto já era o suficiente para matá-lo. O outro, nas mesmas condições, não teve chance comigo. Fui correndo até ele com muita fúria e me joguei em cima daquele monstro. Por fim, morreu esmagado.
– Espatifado como o pão que o diabo amaçou! — Limpei minhas mãos, com batidas.
E limpei minha roupa. Dei leves batidinhas na minha jaqueta preta e na minha calça de mesma cor. Meus tênis branco, por sorte, continuava limpo.
– Idiotas...
Fiquei um tempo estático para recuperar o fôlego. E logo...
– Olá, Duncan!
Uma voz grave e ao mesmo tempo inanimada, falou no meu ouvido. Havia um homem estranho atrás de mim e ele estava com um sorriso diabólico estampado na face. Os dentes mais brancos que o próprio leite, parecido com prata. Brilhava.
– Quem... quem é você? – Indaguei me afastando dele rapidamente. – Como sabe meu nome?
– Sou aquele que pode te ajudar. – Replicou o misterioso rapaz, que, por sinal, era jovial.
– Eu não o conheço. Você que matou aquelas pessoas inocentes? — Olhei para trás, tentando regressar. Queria me manter o mais longe possível.
– Você é bom em adivinhações, Duncan. Eu vi sua luta para chegar até aqui em cima. Nada mal para quem saiu da adolescência, até que você tem agilidade. Herdou isso de seu pai . – Falou, ainda com aquele sorriso suspeito. Eu tive de prestar muita atenção, poderia estar tramando algo para me atacar. — Mas isso não é sequer parcela das grandes habilidades que você tem.
– O que sabe sobre meu pai? E como pode falar dele? Está morto!
– Ah, muita coisa! – E seu sorriso brilhou.
– Eu não estou te entendendo. – Eu realmente estava confuso.
– Não precisa entender agora! Quando chegar o momento certo, você compreenderá. Hora de dormir, “bela-adormecida”!
De repente, minha visão começou a embaçar e meu corpo enfraquecer. Minha audição se perdeu e depois foi a vez de meus olhos. Tudo havia escurecido com a intensidade de luz.
NextDay:
Eu escapei da Clock-Tower.
Continua...
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