Notas iniciais
>> Agradecimentos a minha amiga Amanda (l o l _ mandy _ o _ o) por ter feito a capa.>> Boa leitura!

Praeternatural Chronicles — Dreams X
Episode 04 — Pamphlet

Eu escapei da Clock-Tower. Eu havia conseguido encontrar a saída daquele lugar, que estava desolada. Em Mil Novecentos E Cinquenta, a torre mais frequentada de uma região desconhecida, foi devastada por várias mortes inexplicáveis. Minha “volta no tempo” mostrou pequena parte do ocorrido... porém, o que eu tinha a ver com aquele lugar? Que motivos meus sonhos me levaram até lá? E a figura humana presente no final? Como sabia meu nome?

Perguntas e mais perguntas...

Nenhuma resposta.

Talvez houvesse alguma ligação entre mim e aquele lugar. Eu sinto isso. Elementos vêm até mim como se fosse natural... como se soubessem que estou nessa cidade. A nova etapa da minha vida.

– Preciso de respostas.

Durante todos esses pensamentos, na minha cama, notei a umidade no travesseiro e em uma parte da minha cama. Meu cabelo, minhas costas estavam molhadas. Provavelmente, o suor ocorreu por conta da ação do sonho. Tive uma péssima noite. Cada vez mais me sentia ameaçado. Pelo que, eu não sabia...

Eram 05h20min, precisava me arrumar para o primeiro dia de aula. Pus o lençol e o travesseiro para lavar e coloquei novos, em menos de um minuto.

Minha roupa de uniforme, inclusive meu material e mochila escolar, estavam no guarda-roupa, como minha mãe falastes no dia posterior. Camisa vermelha com mangas brancas, ao centro um emblema e o nome do colégio; uma calça azul escura e tênis branco: meu uniforme por todo o ano, na terceira série do Ensino Médio (último).

Depois de um banho frio, me aprontei ligeiramente para sair o quanto antes. Chegar cedo seria uma boa opção para não haver aquele tumulto na hora da entrada, além do fato de me organizar melhor antes que se iniciassem as aulas.

[…]

Estava na entrada do colégio. A tintura azul junto do emblema do letreiro, deixou um aspecto bem educativo. Me fez lembrar do pesadelo.

Adentrei ao grande portão e logo mais à portaria do colégio. O porteiro me cumprimentou:

– Bom Dia, meu jovem. – Saudou o senhor muito simpático.

O idoso era formal, aparentemente. Cabelos grisalhos de acordo com a idade, barba e bigode feitos – notei pela marca – e tinha uma tonalidade morena na pele – claro que um pouco enrugada. Seus olhos eram negros. Terno e gravata eram seus vestimentos.

– Você aparenta ser um dos novos alunos. – Continuou a falar.

Estampei um sorriso e falei:

– Bom Dia. É, sou sim. – Afirmei enquanto lhe apertava a mão.

– Como se chama? – Interrogou.

– Meu nome é Matthews-Nguyen Duncan Deipu, mas pode se dirigir a mim apenas como “Matt”. – Respondi.

– Seja bem-vindo.

– Obrigado.

Ele me entregou a chave do armário e segui em frente. Pretendi conhecer o colégio, a cima de tudo, pelo motivo de não ter estudantes em demasia pelo colégio, o que facilita e muito à exploração. No interior do colégio, em apenas dez minutos, rondei por todas as suas instalações.

Adentrei ao corredor dos armários à finalidade de encontrar o meu. Ao todo, eram cinco corredores do gênero. A numeração “Cento e Oitenta” no plástico em posse da chave correspondia ao número correto de onde estava o meu.

Ao abrir, havia uma apostila com informações breves. Acho que todos os novatos receberam isso em seus armários:

“Caro aluno. Por medidas se segurança, a direção do colégio possui uma cópia original da chave deste armário para futuras perdas, ou qualquer outro caso que nos obrigue a realizar uma averiguação. Respeitamos sua segurança e privacidade, o colégio garante a proteção com os objetos contidos aqui.”

“Sua sala é a número '5'.”

Analisei a mensagem deixada pela direção. Me intriguei ao distinguir o texto, não era tão formal como o da outra escola que estudei. A mídia só vai mudando...

Costumo ser atencioso à pequenos detalhes. São os pequenos detalhes que me deixam misterioso. Será esse um aspecto positivo?

Outro papel me chamou atenção, mas este aparentava estar velho. Estava completamente empoeirado e com um cheiro de mofo. As letras estavam um pouco borradas, mas não tive dificuldade para ler. O papel estava amarelado. Iniciei a leitura:

“20 de Janeiro de 1951”

“O governo cumpriu a promessa de implantar câmeras de segurança por toda a Clock-Tower. Quem sabe agora não poderemos identificar o (a) autor (a) desses desastres? Eles pedem ao povo para quem obter alguma informação de todas essas ocorrências, que nos informe o mais breve possível.”

Fiquei estático após encerrar a leitura do texto. Eu não estava na Clock-Tower no ano de Mil Novecentos E Cinquenta, e sim em como ela é atualmente. Agora faz sentido. Mas, se implantaram câmeras por toda sua região, onde estavam? Eu não as vi.

– É claro que você não as viu. Eu as destruí. Todas elas. – Uma voz já conhecida murmurou em meus ouvidos no meio do corredor da escola. Fui surpreendido por ele. – E não, você estava lá no ano de mil novecentos e sessenta.

Caí para trás ao ver aquele misterioso fantasma – (?) – na minha frente. Ele estava idêntico quando o vi pela primeira vez no pesadelo. O que queria?

— Você precisa ser mais atento aos pequenos detalhes. Confesso que é observador, mas errou desta vez. Que peninha...

Após me recuperar do susto, falei, ainda no chão:

– Então é você? – Retoricamente perguntei, diante daquela figura sinistra que atormentou meu último sonho.

– Olá, Duncan. É bom vê-lo de novo. O que difere da vez passada, é que estamos frente-a-frente, literalmente. – Falou.

– O que quer?

– Eu estava te esperando, Duncan. Por todo esse tempo, até que, finalmente, viesse ao Rio De Janeiro. – O que mais me apavorava era seu modo e tom de fala.

– Me esperar? Quem é você? – O interroguei com todo o ódio.

– Me chamo Emmanuel De Luca. – Ele respondeu abafando a voz.

– Até agora não respondeu quais são seus objetivos...

– Eu sei o que procura. Quer a todo custo descobrir o significado de todos os seus sonhos.

– Como sabe?

– Ora, ora, Duncan. Eres como teu falecido pai. Muito desinformado.

– Não fale do meu pai! – Gritei com toda a fúria.

– Quando estiver mais calmo, me procure. Saberá quando e onde me encontrar. Só quero ajudá-lo.

E aquele fantasma desapareceu novamente sem que meus olhos pudessem acompanhar a dissipação de seu corpo sobre a fumaça. Ainda não fazia ideia de quais seriam suas intenções, e não eram boas. O medo era imenso só de o olhar, sua voz é fria e sombria.

Não tinha como encontrá-lo, nem ao menos sabia se poderia depositar minha confiança.

Caído e desnorteado no chão, todavia, uma mulher, aparentemente estudante, estendeu sua mão a mim à finalidade de me ajudar a levantar.

– Você está bem? – Perguntou a moça sorridente.

– Acho que sim. – Respondi cedendo à sua ajuda.

Era uma linda e jovem mulher. A fitei por completo, assim percebendo toda aquela beleza: seus cabelos eram macios, curtos e cacheados de cor castanho avermelhado; nele havia um laço que ia da testa até a parte de trás da cabeça em uma linha reta. Sua pele era branca, olhos verdes e escuros.

– Nossa, você ralou o pulso! – Ela falou espantada.

– Não prestei atenção, estava tão distraído que...

Quando voltei os olhos à estudante, estava agachada perto de meus joelhos e sua mochila estava aberta. O que estaria procurando? A moça buscava delicadamente os objetos que necessitava para o momento, cujo eles eu não sabia.

– Aqui estão! – Exclamou com a voz doce e delicada. Seu jeito de falar era muito bonito. Parecia uma melodia.

No chão, havia um estojo completo de primeiros socorros, necessários para se fazer um curativo em um ferimento leve. Me surpreendi ao vê-la limpando o pequeno corte com o algodão e um pouco de pomada cicatrizante. Ademais, enfaixou toda a área esfolada com gaze e as firmou com esparadrapo. Por fim, antes de joelhos e depois em pé, concluiu o pequeno curativo.

– Prontinho! Agora não vai inflamar. – Ela sorriu.

– Ficou demais! Muito obrigado! – Observei o belo trabalho que a mesma exerceu, olhei e toquei meus lábios em seu rosto por dez segundos em um beijo, fechando os olhos, sentindo toda a fragrância de seu perfume. A abracei, colocando minha mão em sua cintura.

– Ah, que isso, não foi nada! – Falou ela, muito envergonhada.

Pegamos nosso material e fomos em direção a nossa sala de aula. O sinal acabara de tocar e os estudantes a entrar. O colégio ficou “infestado”.

– Você é boa nisso. É médica? – Perguntei.

– Não. Minha mãe é médica e aprendi algumas coisas. – Respondeu.

– Creio que não nos apresentamos direito. – Ressaltei enquanto deixava minha mochila na carteira.

As fileiras eram divididas em dupla, então resolvemos ficar no mesmo lugar.

– Meu nome é Matthews-Nguyen Duncan Deipu. Sou novato no colégio e na cidade. Vim dos Estados Unidos. Dezenove anos.

– Que maneiro! Um estadunidense por aqui. – Sorriu. – Rebecca Jenkis, vinte e um anos.


[…]

Meu primeiro dia escolar foi, talvez, um dos mais animados que eu tive até aquele dia. Tudo fora muito divertido, os professores eram muito simpáticos e gostavam de fazer brincadeiras com os alunos. Eu estava precisando um pouco de entretenimento por conta de tudo o que tenha ocorrido, e não esperava isso num colégio. Talvez seja raro. Rebecca era uma boa menina. Tinha tudo para ter um grande futuro pela frente. Educada, sociável e sempre observadora, já tinha conquistado minha amizade; talvez antes do início das aulas ao fazer aquele curativo.

Mas, apesar de toda a diversão escolar, a imagem obscura daquele ser não havia saído da minha mente, nem sequer por um minuto. Ele me deixava muitas dúvidas, me deixava intricado com tudo.

Eram 19h28min e as dúvidas persistiam a arfar sobre mim. Em meu quarto, deitado sobre a cama, observava o recolher dos raios solares que adentraram ao cômodo pela janela. Raios dourados que se infiltravam pelos últimos instantes, proporcionado o último brilho antes do anoitecer.

Continua...


Notas finais
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