Praeternatural Chronicles — Dreams X
Episode 02 – Light

O que mais me incomodava era o barulho irritante que me transtornava durante o dia e a noite. Meus sonhos sempre têm esse som irritante. Coincide com o rangido de uma porta, que o vento soprava com todo o seu esplendor, dando-lhe uma característica amedrontadora. Sempre vejo uma porta batendo contra a parede, por conta do vento forte, e alguém se aproximando, querendo abri-la, mas, a ação não é sucedida. Só vejo um branco após. Parecia ser uma torre...

Isso me enfureceu ao longos dos anos. Seria alguma mensagem sobrenatural ou era eu que estava ficando doido? Não sei porque penso nestas coisas. Elas não existem. Por Quê guardo isto para mim? E o pior é; por que sempre que acordo de um sonho desses, parece que sempre vejo alguém por trás de mim?

Enfim, cheguei ao Brasil...

Aquele seria meu primeiro dia na cidade do Rio de Janeiro. O lugar onde levantaria minhas mangas para mostrar a aqueles que desejam minha morte, que sou mais perigoso do que possam pensar. A fúria percorre meu sangue com toda a frieza favorecida pelos males que assombram minhas noites. Noites perdidas são meu dilema, enquanto dias claros são meu aplauso. Talvez ninguém poderia me entender, o que realmente sinto. Existem “seres” que querem se contatar a mim, mas não diretamente. Estão usando subliminares para que eu interprete e veja o caminho certo que devo prosseguir... ou o caminho errado... o do mau.

Minha reflexão sobre a vida e meu presente têm se tornado muito frequente. Alguns acham que sou maluco, que sofro de alucinações. E o que acontece com elas? São consumidas pela minha sede psicótica de...

Calma! Relaxe, não matei ninguém, mas...

O céu estava numa tonalidade crepuscular, o fim de uma tarde cansativa e trabalhosa arrumando a casa que moraríamos dali para frente, sem saber o que nos aconteceria ou se ficaríamos ali para todo o sempre. A iluminação das camadas superiores atmosféricas solares... um belo crepúsculo... uma luz.

Agora, vamos relatar o que aconteceu no fim daquele dia. Reflexões aparte.

Em meu quarto, com a janela aberta, observando a luminosidade do fim da tarde, curtindo a “luz”, minha percepção sobre o local ainda não era propícia. Uma região rodeada de montanhas, montes, árvores, parecidas como uma floresta. Só que não está na área que deveria estar.

Batidas abafantes soam pela escada que a transportava do “hall” para o corredor onde ficavam nossos quartos. Minha mãe, provavelmente, querendo me informar de algo, ou talvez outra coisa. Seus olhos miraram em mim e de seus lábios formou-se um sorriso “acolhedor”. Minha expressão continuara a mesma: sério, calculista e pessimista. Algo para ser otimista? Não.

— Apreciando a boa vista? – Disse ela caminhando em direção à minha cama e se sentando. – É lindo, não é?

— Maybe. – Falei numa tonalidade indecisiva.

— A senhora Hanna Knowels foi muito gentil em ter nos ajudado com as malas. – Ressaltou. É verdade sua afirmação, me lembro disto no início do dia quando chegamos. Talvez seja uma das poucas coisas que eu consiga lembrar... há muitas coisas que são importantes e que não me recordo de jeito algum.

— A do Caldo Knor? – Resolvi soltar uma piada para alegrar o ambiente... na verdade ele já estava. Fiz na intenção de me alegrar. Precisando ou não, foi uma boa para darmos boas risadas observando o cair da noite.

— Não, a do Caldo “Meu Arroz”. – Parece que ela entrou no ritmo da brincadeira. Usou a mesma temática e aplicou por cima. A minha talvez tenha sido a melhor.

– Que isso? Só porque ela é uma loira, branca e magrela? – Filosofei. – Ok, onde esteve?

– Enquanto você dormia pela tarde, resolvi sair pela cidade e procurar um colégio mais próximo para te matricular.

Ela me falou sobre os dados do colégio, que tinha um bom ensino e que era um dos melhores em toda a região. Um sorriso rápido a fez perceber que não me interessava tanto pelo assunto. Escola, à maioria das vezes, tem um mesmo nível. A gente senta, estuda, passa de série e termina a escolaridade de qualquer maneira. Basta ter notas azuis. Sei que minha maneira de pensar não é muito correta, mas para quem desconfia de sua própria família, já está muito bom.

– Irei dormir cedo hoje, amanhã começarei a trabalhar. Terça-Feira será minha primeira folga. Não se importará em ficar sozinho o dia todo? – Indagou enquanto acariciava meus cabelos lisos, ruivos e médios.

– Eu não tenho cinco anos. Fique tranquila. – Repliquei enquanto lhe beijava à bochecha. — Mas quando eu tinha cinco anos, a senhora lembrou de verificar por baixo da cama se havia algum bicho papão. Tranquilize-se, irei arrumar amigos.

A relação entre minha mãe e eu sempre fora muito distante por conta de seu trabalho esforçado. Não a culpo, pois sei que ela ama sua profissão e a ajuda bastante.

– Sua camisa de uniforme está dobrada e guardada no seu guarda-roupa. Já lhe mostrei onde fica. Irei trazer a janta para você aqui no quarto.

– Obrigado, mas não estou com fome.

– É uma pena. – Disse ela num tom desapontado. – Eu fiz seu prato predileto, especialmente para você.



E com uma mãe fazendo tudo com muito carinho e amor pelo filho, quem não iria aceitar?

– Está bem, mãe. Quero um pouco.

Continua...


Notas finais
Bom, gente, próximo episódio será bem legal!