Pra que mudar?

7 Capítulo 6: Encontro com Diego


Notas iniciais
Oii pessoal, Espero que gostem do capítulo.

Não tem escapatória, a garota ia se aproximando com a tesoura em punho e todas riam a minha volta. Quando a primeira mecha foi cortada, fechei os olhos e sentir as lágrimas escorrendo por meu rosto.

— O que está acontecendo aqui? –Uma voz familiar esbravejou ao mesmo tempo em que acendia a luz. Abri os olhos rapidamente e vi Diego parado ali, vestindo sua jaqueta de monitor igual na primeira vez em que o vi.

— Não se meta. –Ana disse brava com o irmão.

— Bom, vejo que a denuncia que recebemos sobre sua irmã era verídica Diego. –Parado junto à porta estava o diretor. Nunca pensei que fosse ficar feliz ao ver este homem.

As imbecis me soltaram imediatamente, Diego correu em minha direção e abraçou-me. Limitei-me a chorar. O diretor prosseguiu;

— Todas para a detenção, amanhã vamos decidir o destino de vocês. –ele disse e saiu. As meninas acompanharam-no em um silencio tenso.

Ficamos somente Diego e eu ali abraçados. Ele me deixou chorar e não disse nada. Depois de um tempinho, separei-me dele e recolhi a mecha de cabelo caída no chão.

— Nem dá para notar. –Diego consola-me. Levanto o olhar e sorrio levemente pra ele. –Você está bem? –ele pergunta.

— Sim, fiquei assustada. –respondi.

— Dessa vez elas não escapam, esse tipo de agressão é falta grave. –Diego disse ajudando-me a levantar.

— Vão ser expulsas? –pergunto esperançosa.

— As bolsistas sim, as riquinhas não. Mas o diretor vai garantir que elas não se aproximem de você. – ele diz de forma tranquilizadora.

Afasto-me de Diego e vou para o banheiro, o estrago foi pouco ao meu cabelo. Resolvo tomar mais um banho, pois estava pingando de suor. Fico ali por um longo tempo, deixando a água quente acalmar meu corpo. Visto novamente meu pijama e saio. Fico surpresa ao ver Diego ali ainda, deitado na cama da sua irmã.

— Aqui ainda? –pergunto. Arrumando minha cama para deitar-me novamente.

— Quer que eu vá? –ele pergunta.

— Você pode fazer o que quiser. É um país livre. –respondo insolente.

— Essa é a Alexia que eu conheço. –ele diz levantando-se em um salto. Rimos juntos. Diego aproxima-se de mim e coloca suas mãos em volta do meu rosto. Encaramo-nos. Ele parece estar pedindo permissão para me beijar, e inconscientemente eu encaro seus lábios. Seu rosto começa a se aproximar do meu.

—Interrompo? – Gustavo pergunta. Dou um salto para trás com o susto. Diego dá um suspiro profundo demonstrando sua insatisfação.

— O que está fazendo aqui? – Diego pergunta a ele.

— Vim ver como Alexia está, fiquei sabendo o que aconteceu. –Gustavo responde.

— Estou bem. – Digo já me deitando.

— Ótimo, então vamos embora. Boa noite. –Diego diz despedindo-se e puxando Gustavo junto com ele para fora.

Ótimo, eles que se resolvam! –penso exausta. Poucos minutos depois eu caio em um sono profundo, repleto de pesadelos que pareciam reais

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Domingo nesse colégio é uma maravilha, não tem sirene horrível para te acordar e nem Ana no quarto fazendo barulho. Acordo às dez horas e sinto-me descansada. O que aconteceu ontem ficou em um passado distante, quase que como um pesadelo.

Vou correndo para o banheiro tomar meu banho. Como vou à praia com Diego, coloco meu biquíni e um vestidinho branco por cima, bem leve. Na minha bolsa, só minha carteira, protetor solar e uma toalha. Quando saio do quarto me deparo com olhares mistos de pena e raiva, tento não me importar.

Diego me espera próximo à escada principal, com uma cesta em suas mãos. Ele está concentrado em seu celular e não nota minha presença.

— Bom dia! – cumprimento-o animada. Diego me olha surpreso e logo em seguida abri um sorriso admirado.

— Bom dia! Você está linda! – ela cumprimenta-me, com um beijo no rosto. Ruborizo levemente.

— Vamos? – digo começando a caminhar.

Diego é muito divertido, ele vai o caminho todo me contando sobre sua família e suas histórias no colégio. Tento lembrar-me do conselho de Roberta para não confiar nele e limito a escuta-lo sem contar nada de mim.

Andamos cerca de vinte minutos, e vários alunos do colégio também caminham a nossa volta indo para lá. Percebo alguns olhares sendo lançados para-nos a todo o momento e tento não me importar.

Quando finalmente chegamos, sou agraciada pela vista magnifica do mar. Tenho vontade de correr em sua direção. Diego acha um lugar bom para sentarmos, e estende uma esteira enorme. Em sua cesta, está o pique nique que ele preparou para nós.

O dia estava sendo perfeito, o tempo estava nublado, mas também estava quente. Divertimo-nos muito, comemos juntos e conversamos bastante. Ele me contou tudo sobre ele, seus planos para o futuro, e eu fiquei admirada em como ele era determinado.

— E quanto a você? O que quer fazer no futuro? – ele pergunta.

— Não sou de fazer planos. – Minto. Não gosto de falar sobre meus sonhos infantis com ninguém.

— Alexia, eu te contei praticamente toda minha vida e você mente para mim ainda? – ele pergunta irônico.

— Não gosto de falar, são besteiras. –respondo ficando constrangida.

— Quero saber tudo, até suas besteiras. – Diego diz me deixando sem folego.

— Bom, eu quero ter um emprego, pagar minhas contas e ser livre dos meus pais. Vou tentar conseguir uma bolsa de estudos na faculdade mais longe o possível deles. –Confesso.

— Muito parecida comigo, se continuar bem no futebol, devo conseguir uma bolsa de estudos em uma universidade americana. –ele comenta.

— Seria um sonho, sempre quis morar fora. –digo.

— Você pode se candidatar, estamos no segundo ano ainda, até nos formamos dá tempo de melhorarmos nossas notas e nos prepararmos para os exames. –Diego me anima.

— Vou olhar isso amanhã com a orientadora. –digo.

— E quanto ao seu passado? Deixou algum namorado para trás? –ele pergunta repentinamente curioso. Óbvio que a essa altura ele e todo mundo do colégio já devem estar cientes do acidente.

— O que você escutou por ai sobre o assunto? –pergunto querendo saber o que estão falando de mim.

— Sei que ele faleceu. – Diego diz e permanece em silencio. Ele provavelmente deve ter ficado sabendo que eu o matei ou outras historias bizarras por ai. Opto pela sinceridade.

— Sofremos um acidente de carro, um mês antes de eu vir pra cá. –digo.

— Sente falta dele? – ele pergunta, provavelmente já sabendo a resposta.

— Sim, ele foi meu melhor amigo. –respondo.

— Amava? – Diego pergunta. Encaro-o por um momento e ele encara-me de volta. Diego não parece ser fofoqueiro, ele parece somente querer saber tudo sobre mim. Opto pela sinceridade novamente.

— Eu o amava, mas não estava apaixonada. Amava como um irmão. –confesso surpresa por admitir isso a um garoto que mal conheço.

— Sei bem como é. – Diego comenta a tristeza em sua voz me surpreendendo. – Vamos nadar? –ele pergunta mudando de assunto.

— Nem pensar. – O dia estava quente, mas também nublado. Ventava muito e tenho certeza que assim que saísse da água iria congelar.

— Bom você não pode dizer que eu não perguntei. – Diego diz malicioso. Ele levanta-se com uma agilidade incrível e em pouco segundos estou sendo erguida por seus braços. Fico sem reação por uns segundos, enquanto ele corre comigo em seu colo em direção à água. Logo em seguida começo a me debater furiosamente.

Diego parece não se intimidar nem um pouco. Ele joga-me na água primeiro e logo em seguida mergulha.

Ficamos ali brincando o resto do dia.

Ele é irmão daquela vaca, Roberta e Gustavo me pediram para tomar cuidado com ele e aqui estava eu contando minha vida inteira e brincando com ele. Será que vou me machucar?

Notas finais
Se quiserem, comentem. Bjos