Pra que mudar?
8 Capítulo 7: Vida Nova
Notas iniciais
Voltando juntos para o dormitório, em um silêncio agradável. Diego insistiu em me acompanhar até a porta do meu quarto. Ele me fez esquecer por um dia de como minha vida era uma cilada.
— Obrigada. – digo baixinho, quando paramos em frente a minha porta.
— Pelo que? – Ele pergunta.
— Por me dar um dia normal nesse lugar. Há muito tempo não me divertia assim. — respondo com sinceridade. Desde que assumi minha postura rebelde, a única diversão que eu conhecia envolvia muita bebida e virar as noites na rua.
— Não tem de que. Eu que deveria te agradecer. –ele comenta. Fico curiosa.
— Por quê? –pergunto.
— Por ter ido a um encontro comigo. –Ele responde se aproximando de mim e roubando um selinho. Fico sem reação por um momento, não sei como reagir, mas também não preciso. A porta do meu quarto abre abruptamente.
— Finalmente! Achei que tivesse perdido você para sempre! –Roberta me dá um forte abraço, fazendo seu drama básico.
— Exagerada! –Eu e Diego falamos um uníssimo. Todos rimos juntos.
— Bom, vou deixa-la muito bem acompanhada. – Diego diz e retira-se, deixando-nos ali. Roberta me puxa imediatamente para dentro do quarto e bate forte à porta atrás de nós.
— Você pode me explicar o que aconteceu aqui? – ela diz apontando o quarto. Observo nosso quarto e percebo que a cama, e todas as outras coisas da Ana não estão mais ali. Abro um sorriso radiante com isso. – Estou esperando! – Roberta diz impaciente.
— É uma longa história. – respondo, jogando-me em minha cama.
— Eu tenho todo tempo do mundo. – Roberta retruca sentando-se ao meu lado.
Começo a contar tudo o que minha amiga perdeu de novidades esse fim de semana.
— Uau. – Este foi o único comentário que Roberta disse depois de escutar tudo que eu tinha a dizer. Nem eu estava acreditando nos últimos acontecimentos para ser bem sincera. – Você conseguiu um milagre ao se livrar daquela vaca opressora. – ela continua séria. Nos encaramos e começamos a gargalhar como loucas.
— Vida nova começa agora! – digo animada pela primeira vez desde que cheguei a este colégio.
— Verdade. – Roberta diz repentinamente séria. – Melhor nos preparamos, as nojentas vão querer se vingar!
— Eu sei, mas no momento não estou nem um pouco preocupada com isso. – digo sincera.
— Imagino, você está preocupada mesmo é em beijar o Diego pelo visto! –ela retruca maliciosa. Faço uma carinha de inocente e corro para o banheiro afim de evitar o interrogatório que Roberta estava prestes a iniciar.
Segunda –feira de manhã, quando o despertador tocou, eu já estava de banho tomado e pronta para ir tomar meu café da manhã. Deixei Roberta rolando preguiçosamente em sua cama e fui para o refeitório.
Não havia quase ninguém no corredor e o refeitório estava igualmente vazio. Em uma das mesas mais distantes pude ver Gustavo sentando, lendo, enquanto comia uma fatia de bolo de laranja. Peguei um sanduiche natural, um suco e me juntei a ele.
Quando me sentei, ele encarou-me embasbacado.
— Que foi? – perguntei sem entender seu olhar.
— Pensei que fossemos amigos em segredo. – ele sussurrou para mim. Olhei em volta e senti que as poucas pessoas presentes ali, nos encaravam.
— Não ligo para à opinião alheia e você? Tem vergonha de mim? – pergunto irônica, dando uma mordida enorme em meu sanduiche.
— Óbvio que não! – Gustavo diz ofendido com o questionamento.
— Que bom. Quero te fazer uma pergunta. – digo sondando sua reação.
— Fala. – ele retruca, voltando a ler seu livro.
— Sabe pra onde Ana foi? Ela foi tirada do meu quarto. – pergunto curiosa.
— Ela foi levada para um dormitório vazio, e está proibida, assim como suas seguidoras de se aproximar de você! –ele responde satisfeito. Eu fico meio irritada, esperava no mínimo uma expulsão.
— Que foi? Está com saudades? – ele pergunta irônico.
— Claro que não. –respondo dando um tapinha leve em seu ombro. Rimos juntos.
— Bom dia! – Roberta cumprimenta-nos, jogando-se na cadeira ao meu lado, com sua bandeja repleta de comida.
— Nossa, passou fome no fim de semana é? – pergunto roubando um cookie de sua bandeja.
— Quase isso, minha avó estava doente e minha mãe que resolveu cozinhar. – ela responde com pesar.
— E? – Gustavo pergunta sem entender.
— Ela nunca aprendeu a fritar nem um ovo em sua vida. – ela continua, devorando sua comida.
— A minha cozinhava bem. –digo surpreendo a mim mesma com esta declaração. Para meu alivio, Roberta muda de assunto abruptamente.
— Que aconteceu com o Diego hoje? – ela nos pergunta. Gustavo se concentra mais ainda no livro a sua frente, como se o assunto não o interessasse em nada.
— Não sei, não vi ele hoje. Porque? – pergunto repentinamente preocupada.
— Ele saiu do refeitório como um foguete trombando em mim na porta. –ela responde. Não preciso nem ouvir mais nada. Olho para Gustavo e percebo que ele sabia que Diego estava ali nos observando aquele tempo todo, somente eu não havia notado sua presença.
Levanto-me e saio correndo em direção a porta.
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