Pra que Decidir?
2 Primeira escolha.
Notas iniciais
Sua cabeça estava pesada, ouvia uma série de ruídos desconexos, vozes desconhecidas, até seus olhos pareciam latejar. Inicialmente sentiu algo gelado sob si, mas em seguida pode constatar que estava deitado em sua cama. Os olhos verdes se abriram, mas Diogo ainda levou um bom tempo para conseguir enxergar algo ou discernir as vozes que o cercavam.
Viu olhos carmesins sobre os seus e sentiu dois tapas em seu rosto. A voz aveludada de Dante adentrou por seus ouvidos tranquilamente, a mistura de sons estranhos havia sumido, a luz de seu quarto estava novamente apagada.
“—Calma, Abel. Ele está vivo, só desmaiou…”
“—Eu sabia que você não deveria dizer daquela forma!! É coisa demais para a cabeça dele!” – Reclamou o loiro com a voz chorosa.
Diogo estava deitado no colo daquele loiro, havia uma toalha gelada em sua testa, e o rapaz de cabelos cacheados mexia em seu cabelo, brigando por algum motivo com Dante.
“—Você está se preocupando muito com este pirralho.” – Falou, a voz soou seca, sem emoção.
“—E você sabe muito bem o porque.”
“—Espera, espera um pouco, dá pra alguém me explicar o que está acontecendo aqui?!” – Ficou revoltado. Dois garotos que nem conhecia estavam em seu quarto, um brigando com o outro, e lhe chamando de pirralho?!
Sentou-se rapidamente, sentindo uma tontura por ter feito isso, imediatamente, sofreu um de seus ataques de tosse. Colocou as mãos sobre a boca e o nariz e enquanto tossia, sentia algo cortando seu corpo por dentro, uma dor latente.
“—Não deveria fazer tanto esforço…” – Abel murmurou com uma voz mansa, tocando nos cabelos do ruivo.
“—É, você faz esforço demais para quem tem câncer de pulmão.” – Sorriu abertamente o moreno, felizmente não era possível ver isso, pois ninguém havia pressionado o interruptor.
Apenas dez minutos haviam se passado, tudo estava escuro demais.
Aquelas palavras imobilizaram Diogo, que conseguiu apenas afastar as mãos do rosto, sabendo que havia sangue ali. Havia procurado sobre os sintomas, tinha encontrado muitas doenças relacionadas a sangramentos pelas vias respiratórias, tosses ininterruptas, dores no peito. Poderia ser só sua garganta demasiadamente inflamada, nunca pensara numa coisa tão drástica quanto um câncer.
“—C-Câncer?” – Gaguejou, sentindo seu chão sumir, até o fato de não conhecer estes garotos e de um deles ter falado aquilo passaria em branco.
Câncer, isso explicava a perda de peso que tivera na última semana, não tinha mais fome, e a cada dia que se passava, seus lençóis apareciam mais manchados de sangue pela manhã. As tosses não cessavam, mas porque ele?
Haviam tantos fumantes espalhados pelo mundo, tantas pessoas que faziam coisas terríveis, e ele, Diogo, era ‘presenteado’ com uma doença daquelas. Agora sabia que tinha que contatar seus pais, explicar-lhes a situação em que estava, contar tudo e pedir ajuda, fazer um tratamento daqueles que custam uma fortuna, tudo por sua vida.
E o ruivo nem fumava…
“—Sim, câncer, e você tem menos de três meses de vida.”
“—DANTE, CALA A BOCA! “ – Bradou o loiro irritado. “—Você sabe que não estamos aqui para isso, você vai acabar matando ele de ataque cardíaco.”
“—Pelo menos ele não sofreria tanto.”
Tantas pessoas ruins espalhadas pelo mundo, os corruptos, os ladrões, e esta bomba cairia sobre Diogo, o ruivo de notas brilhantes e um futuro perfeito.
O que faria dentro de três meses? Pensara em tanta coisa para seu futuro, queria consolidar uma família, ser famoso, queria ter um emprego bom.
Mas na verdade, nenhuma das coisas que queria fazer podiam ser feitas em menos de três meses.
Naquele momento, agradeceu internamente por ninguém ter acionado o interruptor, as mãos recaíram sobre seus olhos verdes, que se fecharam, e destes, brotaram lágrimas, muitas delas. Lavavam seu rosto, tentavam tirar o medo e a tristeza que começava a assolar todo o seu corpo. Enquanto Abel e Dante discutiam, Diogo entrava em desespero, o corpo balançava devido aos soluços que ele tentava conter, inutilmente porém.
“—Ei, não precisa chorar.” – Dante falou com uma voz aparentemente irritada.
“—Nós estamos aqui, apesar de tudo, para te dar uma boa notícia.” – Suspirou Abel, sentando ao lado do ruivo.
Boa notícia?! Até agora só soubera que tinha uma doença grave, um câncer, e que morreria dentro de três meses, que notícia poderia aplacar esta dor?
“—Sabe que o desespero não vai adiantar de muita coisa, ruivo.” – Falou o moreno com a voz firme. “—Entenda uma coisa, na vida você sempre vai ter que escolher somente entre duas coisas. Só duas. Não existe múltipla escolha, ou você é, ou não é.”
“—No seu caso…” – Continuou o garoto de longos cachos. “—As escolhas são bem mais simples, só que ao mesmo tempo mais importantes. Uma delas você vai ter que fazer agora. Quer viver ou morrer?”
Diogo continuava chorando, porém atento a tudo o que aqueles dois estavam dizendo-lhe. Aquele quarto escuro dava um ar mais mórbido a sua possível resposta, na verdade, em seu interior, o ruivo sabia que não havia escolha, para ele, morrer não seria uma opção.
“—Na verdade é uma opção sim. Caso você não saiba, e sei que não sabe, eu estou morto, sou o que chamam de vampiro.” – Dante murmurou com a voz baixa, mas tão clara que mesmo que não estivesse prestando atenção entenderia. ”—Você Diogo, terá que escolher sua forma de permanecer vivo. “
“—Vivo coisa nenhuma! Você deve estar louco, afinal, vocês devem ser só fruto da minha mente!” – Bradou com a voz chorosa, olhando fixamente para o que se dizia vampiro.
Gelou ao fitá-lo, as orbes carmesins brilhavam em maldade, ao passo de que o ruivo podia ver, sob estes, na altura das maçãs do rosto, duas marquinhas em forma de letra ‘V’.
Pareciam simples enfeites em seu rosto, se Diogo não soubesse que o rosto de Dante estava limpo antes, diria que era apenas maquiagem.
“—Não é maquiagem. “ – Sorriu, mostrando duas grandes presas que pareciam brilhar ali no escuro, a esta altura, o ruivo poderia ver tudo perfeitamente, suas pupilas estavam dilatadas, estava se acostumando com o escuro.
Diogo ia falar algo, talvez comentar o quão bizarro era tudo aquilo, no entanto sentiu um toque carinhoso em seu rosto. Virou-se para Abel, que praticamente implorava por sua atenção.
“—Isso é importante, findar sua existência não é uma opção. No entanto, você terá que escolher entre duas coisas… Virar vampiro e se imortalizar morrendo…” – Falou, dando um certo tom de suspense na voz.
“—Ou virar alquimista e assim ter direito ao Elixir da longa vida e a Pedra Filosofal. Mas não se engane meu caro, os alquimistas tem muito mais defeitos que vampiros.” – A voz do moreno soou como um alerta.
“—Você só diz isso porque é um vampiro, Dante! E quer levar ele para o seu lado.” – Abel levantou-se, fitando-o demasiadamente irritado.
“—Então quer dizer que você é um alquimista, Abel?” – Perguntou curioso, analizando-o. Não havia nada de mais em seu corpo, era como um garoto normal.
“—Sim, eu sou um alquimista. Diogo, preste muita atenção, você tem menos de três meses para fazer sua escolha, até lá, irá conviver diariamente comigo e com o Dante. Pense bem na sua escolha.” – Sorriu-lhe e apontou para a cama.
Abel não precisou falar nada, Diogo caiu deitado nos lençóis manchados de sangue, embarcando num sono profundo. O dia seguinte seria dia de aula, muita coisa para fazer.
O próximo dia prometia muita coisa.
Notas finais
AH, quero saber desde já quais são seus personagens favoritos(se tem algum) e que escolha acham que o Diogo deve tomar!
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