Pra-eterum
6 Capítulo VI - Estrela
Notas iniciais
Uma estrela isolada capturou a minha atenção...
Já estava escuro quando eu voltei minhas observações à noite. Bela e quieta, serena sob um véu de esmorecer; havia uma chamada quiescente que reluzia pálida de uma estrela pouco distante.
No horizonte, ela parecia machucada, e eu a atribuiria uma característica ad hominem, afinal, sabia sobre quem se tratava.
Senti um frio inexorável rosnando da minha varanda e me enchendo a cabeça de pensamentos pouco randômicos, mas um tanto atônitos.
Tinha uma dívida no passado que pensei ter solucionado...
Ela vinha em versos prosados, rimando com o som de seu nome, que significava estrela. Tampouco, minha memória falha concluiria se essa derivaria de uma rainha ou princesa bíblica.
Gostaria de confessar alguns pecados, em segredo. Dentre os primeiros, eu diria que nosso tempo fora suficiente e verdadeiro. Estivemos em um liame romântico pouco casual que, aos poucos, assumiu conceitos maiores que nós mesmos.
Ao fim da anedota, “nós” já era um fardo muito pesado para eu carregar; tão difícil quanto seguir a trajetória de um cometa em declínio, com um efeito extremamente “colateral” que meu corpo jazia esgotado em definitivo.
A noite ruge em azul nanquim, “tu & eu” não soa mais como deveria para mim.
Eu quero ir embora, após meia dúzia de afogamentos, não consigo mais manter meu fôlego e respiração cada vez que mergulho nesse lacustre profundo.
Busquei o mais daquela isolada estrela. Encontrei sua essência singela e sua luz, em corpo celeste, iluminou caminhos e me mostrou força.
Como também criou um rastro de trevas e escuridão.
Entendi a dualidade assim, tão fácil quanto contar pétalas de flores que nascem mortas mesmo na primavera. Seria difícil discernir o motivo pelo qual mesmo vívido eu me sentia morto, e mesmo morto eu ofegava.
Contarei a você, pequena estrela dispersa, que não te seguirei.
Esteja você onde estiver, brilhando particular nesse céu escuro e parcialmente deserto. Decerto, eu poderia cantar uma música que significaria esperança, mas isso é “Too much to ask”.
Poderia te recitar mais um soneto que escrevi, todavia, já existem vários...
Desejo-te tudo de bom e que se encontre entre essas infinitas estrelas que agora percebo ao seu redor.
Está perto das 00h:00m, então...
Acho que irei me recolher para dormir, antes dos fogos.
Lá fora,
brilha uma estrela, incandescente,
mesmo com a chegada da aurora.
~Gabriel.
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