Pra-eterum

3 Capítulo III - Penas


Notas iniciais
a música inspiração para a elaboração desse capítulo foi... Kurt Cobain - And I Love Her.

As penas desvanecem em divergência aos corvos...

A visão se turva durante alguns instantes. Posso perceber o vislumbre de um pretérito distante, conjugado em reatamentos mês a mês.

Há uma dualidade na perspectiva de um lobo que, no fim do inverno, pouco antes do início do equinócio, olha para o céu e vê um corvo o sobrevoar.

Você me trazia o sabor do vento, misturado ao desconhecido. Muito se dizia sobre Capricórnio e Gêmeos, e posso afirmar que, nesse sentido, dissentimos.

Brigas homéricas nos aguardavam em idas e vindas de um relacionamento não ortodoxo.

Sua personalidade era estranha a mim, como eu era estranho.

Atuamos numa pantomima desleal. Dizíamos palavras pelo simples prazer em machucar. Eu me recordo de escolhermos litigar, mesmo em sintonia pura e rara; devíamos gostar, ou, ao menos, assim me recordo.

A memória, contudo, pode ter começado a falhar.

Nós nos servimos de certa forma. Analisando melhor, nossa divergência causava certo desígnio de nossas vontades.

É estranho perceber que estivemos juntos por tanto tempo. Mesmo com a acrimônia, o exórdio de uma junção tão casual resultou num arquétipo particularmente singular.

Fomos metafísica enquanto brincávamos de adolescentes. Nossas conversas durariam horas e horas, ou simples minutos. Não importava. O gosto de confabular sobre o tempo ou o vento era gostoso enquanto tinha tua boca para apreciar.

Um amor como o nosso? O quanto podia durar? Uma estação, talvez, ou umas doze. Seria sempre inverno, e estaria sempre frio, todavia.

O voo e resplendor de suas asas negras, ó elegantíssima Mulher Corvo, mostravam marcas profundas de feridas silenciosas e horizontais.

Fiquei feliz quando soube que meu uivo, ainda tímido, te salvou aquela noite.

E gostei do fato de ter sido assim contada a nossa história.

Comigo te prometendo algo que jamais conseguiria cumprir, e você aceitando tal oferta, ainda sabendo da minha inoperância fática.

Considero-te o fator derradeiro de todas as minhas escolhas posteriores, e passei a entender cada dia mais o seu significado em minha frágil existência.

Por um lado, escuro e frio era só o céu; eu cheguei a pensar que nosso amor nunca fosse morrer. O que, de certa forma, não é uma mentira, visto que ainda não aconteceu.

Em algum momento, nosso dissentimento diluiu e evaporou. Estávamos, então, separados de verdade...

Mas eu ainda admiraria, meio bucólico;

as penas de um corvo, desvanecendo enquanto caem.

~Gabriel.

Notas finais
***POEMAS RELACIONADOS -> THE FEELER: Um dia; Estações (Outono); O Vento de Setembro; A mulher Corvo; O Inverno Canadense; Última Carta. THE SENSER: Gralha; Corvos & Lobo; Divergência; Primavera & Outono (Outono). THE ZEPHYR: Iris. THE HIKER: Ela. é isso, se apreciaram, deixem um comentário/crítica/ou qualquer avaliação da fic. muito obrigado aos que leram~ até a próxima~