Pra-eterum
4 Capítulo IV - Brinquedo
Notas iniciais
O amor é como um brinquedo...
Há quanto tempo estamos brincando com isso? Durante um único momento, eu me desapeguei de você e tudo virou limbo. Não crio mais expectativas, tampouco altero meu brio. Finalizamos distantes e, eu, só desejaria deixar as coisas assim.
Acho que ouvi uma música que ressoava nostálgica num arquétipo sonoro largado perto da minha cama. Você nunca se deitou nela, talvez em sonhos.
Um crasso segundo se engasga em minha garganta, enquanto eu penso em juras que eu menti para você. Não se sinta especial por ler um texto meu, quando eu os escrevo com frequência; e não se sinta única pelo sentimento que deixou.
Meu coração é res nullius, contudo, o que parece restar é res derelictae.
Para que meus termos jurídicos agora? Você nunca descobriu que eu faria Direito, e nem mesmo dos meus sonhos e objetivos.
Considerei te contar algumas nuances da minha personalidade e, desisti. Todavia, parece que em meio a tudo o que eu não deveria sentir ausência, a sua foi a que mais me surpreendeu.
Eu era frio, e o bad do meu apelido era muito mais verossímil que meu savoir-faire.
Eu sentia frio, o que não resultou na minha procura pelo calor.
Usei um pouco da sua boa vontade e, mais do que certamente, me arrependi. Houve uma genuína satisfação, contudo, em te perceber mais feliz, quando afastado eu estava de sua companhia há tempos.
O tempo constrói profundas raízes que deixam todas as mágoas, rancores e desafetos presos em alguma camada sacramentada no íntimo da sua existência.
Criei um passarinho simpático para germinar algo positivo dentro desses sentimentos. Ao longo de sua trajetória e de seu voo sem destino, pode ser que tenha havido céu, espaço, esperança.
Ou pode ser que tenha sido só desolação. Ao ponto final de uma anedota, nós sabemos que é assim, eu creio...
Fiz-te meu brinquedo por meio período de tempo, talvez um semestre, talvez dois. Eu não me lembraria mesmo se quisesse, pois pode fazer poucos anos corpóreos, mas espiritualmente, é caso de séculos.
Minha alma secular encontrou fim no sepulcro aberto por outra anedota, ao fim, que se sabe é só histórias e histórias... e arrependimentos que não pude te confessar.
Ao fim, foi como um brinquedo,
mas, se o amor é como um brinquedo,
talvez você tenha sido amor...?
~Gabriel.
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