Pra-eterum

1 Capítulo I - Ampulheta


Notas iniciais
em cada capítulo, colocarei uma música que serviu de inspiração para a crônica respectiva. à essa primeira, a música de inspiração foi... Alex Turner - Piledriver Waltz.

Eu sacudi a areia de uma ampulheta...

Despejei alguns líquidos sobre minha blusa, e noticiei a água mineral vagando límpida por um caminho de linho vermelho. Quando você se sentou a primeira vez atrás de mim naquele colégio, era essa a cor da mecha em seu cabelo.

Você mudaria constantemente. Como a areia que cai de uma ampulheta não é mais a mesma, você também mudava sem relutâncias, o que me lembrava a garota de “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”.

Volátil e extrovertida eram características muito intrínsecas a você. Num mesmo dia, sentada na cadeira atrás da minha, você reclamaria do calor e do frio, para sorrir e gargalhar de nossas piadas internas.

Gostava de conta-las, tanto quanto recita-las em nosso mundo sensível.

Os planos loucos que criávamos corriam livremente pela nossa lúdica juventude, como rio ou como areia.

Cada briga nossa era épica, fomos fases diferentes do dia: eu era a lua e você o sol; eu era a timidez e você a facilidade de falar.

Talvez por isso tenhamos dado certo por certo período. Acho que combinávamos um pouco e eu, um pouco ressentido, senti aflição quando tudo que poderia ser era um amigo.

De uma garota que foi o meu primeiro amor.

Quando sua mecha mudou para o azul, algo me encantou. Os abraços se tornaram marcas frequentes em nossos reencontros, em tempos que você já não mais sentava na cadeira atrás da minha.

Em um décor primacial, vejo-nos comendo fast-food nos fundos de uma lanchonete e rindo sobre um possível apocalipse zumbi.

Se em meu sonho adolescente de amor eu dissesse que era exatamente isso que eu queria, eu seria louco? Acho que ficou um pouco subentendido...

Quando sua mecha mudou para o branco, já parecíamos meio distantes. Outras coisas tomariam nossas necessidades, e a miscelânea de nossas conversas se tornavam ilações peremptórias.

Eu lembro de escutar uma música que você me indicou, para tentar acalmar meus lamentos. Senti-me indiferente ao ouvi-la, não submergindo em felicidade ou afundando em tristeza.

Foi bonito enquanto dançamos naquela convenção de livros, e tudo ficou no passado...

Eu entalhei o emblema de uma ampulheta,

na parte de trás de uma árvore,

e olhava-a feliz nos dias de chuva,

sempre que uma gota escorria...

como a areia que, num dia certeiro,

mudaria a cor das mechas de seu cabelo.

~Gabriel.

Notas finais
***POEMAS RELACIONADOS -> THE FEELER: Estações (Verão); Saudade. THE SENSER: Paixão; E se...; Naquele dia...; Inverno & Verão (Verão). THE ZEPHYR: Giulia; Mar & Escuridão. THE HIKER: Ontem; Fogo Fátuo. é isso, se apreciaram, deixem um comentário/crítica/ou qualquer avaliação da fic. muito obrigado aos que leram~ até a próxima~