Pra-eterum

5 Capítulo V - Morango


Notas iniciais
a inspiração para esse capítulo proveio da música... David Bowie - As the World Falls Down.

Os seus lábios têm sabor de morango...

Era início de outono. O frescor das folhas caindo soprava inconstante, enquanto eu me encaminhava até a sua direção.

Nunca compreendi minha reação, mas, o cacheado dos seus cabelos foi algo que me chamou atenção. De maneira sui generis, eu suscitaria você como um amor de verão, ou um romance singular.

Caminhamos pouco, jogamos ainda menos. Eu poderia te contar o meu nervosismo, e explicar meus olhares evasivos, mesmo na necessidade quase latente que tinha em te admirar.

Fruta que nasce pura na copa de uma árvore, os seus lábios traziam um sabor que eu desejava provar.

Aos poucos, em nosso confabular, vi-me imaginando se era assim que os poetas evocavam beijos e platonismo.

Dê-me sua mão e me acompanhe, devagar.

Sob esse céu quase escuro, talvez, possamos dançar? O sereno esfria, pouco, enquanto nossos corpos, morno, parecem se abraçar.

Posso te historiar algumas de minhas peripécias, como adoraria te ouvir contar.

Após, nos despedimos, com um beijo que eu só pude guardar.

Era morango o teu paladar, e como uma fruta em minha boca, tudo que pude fazer era degustar, até o momento de seus lábios me deixar.

Isso acompanhar-me-ia, como marca daquele amor de estação.

Percebi em ti, a procura de um amor ingênuo, ao te beijar.

Percebi em mim, a loucura cominar, e me engodei com teu olhar.

Mais tarde, eu iria tergiversar sobre os rubores em minhas bochechas, e sorriria ao seu quarar.

Deixávamos de ser estranhos por um instante, e tudo pareceu se acertar.

Quando me dei conta, todavia, já era inverno. Seu aroma se dispersava na névoa que assumia o ar. Triste, eu consentiria em aceitar as cicatrizes desse relacionamento.

Foram só uns dias...

O que eu concluiria? Dessa vez, sozinho, eu iria caminhar pelas ruelas que um dia contigo caminhei.

Dancei com o vento enquanto as pétalas caíam, e lembrei de seu...

Rosto fino e frágil, que contava uma história sucinta de um plissado pesar.

Cabelo encaracolado, como o zéfiro a me acalantar.

Olhar perdido, explicitando uma emoção perdida em instantes.

Por fim, teu sabor único, marcante.

Eu ainda não saberia a melhor forma em te expressar: um amor de estação? Um romance efêmero? Você passou quase tão rápido quanto uma tarde.

O sabor dos morangos, todavia,

ficaria eternamente em minha boca,

mesmo após algumas outras.

~Gabriel.

Notas finais
***POEMAS RELACIONADOS -> THE FEELER: Estações (Primavera). THE SENSER: Amor de Estação; Pôr de Sol; Primavera & Outono (Primavera). THE ZEPHYR: Canção. THE HIKER: Ponta de Lança. é isso, se apreciaram, deixem um comentário/crítica/ou qualquer avaliação da fic. muito obrigado aos que leram~ até a próxima~