Notas iniciais
Monumento dedicado a Xion em sua memória.

A memória tem uma função primordial dentro da nossa mente, nós nos lembramos das coisas que amamos e das ocasiões maravilhosas em que vivemos, até das coisas que comemos ou fazemos muitas vezes. Porém já pensou o quão triste a memória também pode ser? Pois sempre nos lembramos com clareza dos nossos traumas e tristezas, é muito doloroso, normalmente as coisas tristes são mais marcantes, como se fossem cicatrizes.

Eu sempre dou o meu melhor para criar lembranças felizes e divertidas com meus amigos, mas… não sei nada sobre mim. Isso me deixa muito para baixo, então, não consigo deixar sempre as perspectivas em alta, mas acho que todos os seres humanos são assim.

Mas eu sou um ser humano? Será que posso me considerar humana? Eu não sei, sinto como se eu não fosse nada e nem ninguém, e talvez esteja certa, mesmo quando me dizem ser alguém, eu não sinto nada, e eu quero tanto sentir. Trabalho dia e noite, todos os dias para poder me sentir alguém, para ter sentimentos felizes, e nutrir amor pelas pessoas que eu gosto.

Mas eu sou apenas uma boneca criada para ser a cópia de alguém, eu nem sou real, todas essas memórias, medos e até mesmo minhas manias, são apenas cópias, nada disso é verdade, eu sou uma mentira, e me sinto tão mal. Choro desesperadamente, é tão angustiante me sentir vazia, mesmo eu, uma boneca sem sentimentos, pode sentir alguma coisa no final… mesmo que seja apenas um vazio existencial.

Vou desaparecer e todas essas memórias irão se dissipar, irão para o verdadeiro dono delas, mas infelizmente o destino de uma boneca vazia é desaparecer, nunca mais serei lembrada e serei apagada da história, como se eu nunca tivesse um dia existido, e isso dói tanto… que dor insuportável. Eu amo meus amigos, eu queria estar com eles para sempre, mas... o meu tempo está chegando ao fim.

“Você vai esquecer de mim, mas as lembranças nunca irão embora. Memórias de você e eu estarão sempre juntas... para sempre, dentro dele."

Notas finais
"Eu decidi que eu tenho que voltar para onde eu pertenço."