17 de Junho de 1624 – 20h47min

Isabele caminha silenciosamente.

As ruas estão vazias – as pessoas há muito estão em suas casas, o céu está escurecido e o único som é o mar ao distante batendo contra os rochedos. O ar está quente e a maresia gruda no rosto suado de Isabele.

O dia passara rápido, o trabalho na padaria tomara toda a atenção da jovem e as horas voaram. Quando percebera, o dia era noite, as ruas lotadas de comerciantes estavam vazias, era o horário dos assassinatos. Então a jovem apressou-se a fechar a padaria, a voltar a sua casa em segurança; havia prometido – lembrava-se claramente, apesar do sono — quando ainda arrumava-se para ir trabalhar, a seu irmão mais novo que voltaria sã e salva para ele.

A jovem começa a andar mais apressadamente quando ouve passos vindos de trás. Seu coração bate mais fortemente, a adrenalina corre pelo corpo, os pulmões demandam por mais ar e as palmas das mãos pingam suor. As ruas esburacadas atrasam seus passos e Isabele arrepende-se profundamente de ter colocado um vestido com tantas saias, tão quente.

Tec, tec, tec, tec.

Os passos a seguem mais de perto, então passa a correr. Subitamente, seu rosto está pressionado contra a parede de uma casa, mãos firmes prendem seus pulsos. Um rosto aproxima-se do seu, o hálito doce brinca contra seus cabelos, e Isabel sente uma língua dançando contra seu pescoço, atiçando seus sentidos e a paralisando.

-Não pode correr. Não pode fugir. Somente lhe é permitido... morrer.

Isabel grita e a pessoa que a prende ri. A jovem continua gritando, suas cordas vocais queimam, e seu atacante gargalha, deliciando-se com o desespero, o terror. Os gritos morrem quando dentes como navalha atravessam sua garganta, cortando cada tecido que estivesse em seu caminho. E sangue jorrou e os lábios que o sugavam gemeram em prazer.

Isabele pensou em seu irmão, as lágrimas escorrendo pelo rosto tão livremente quanto o sangue de sua garganta, e pensou em sua promessa. E então pensou em nada.