Powerful Blood

8 Where To Search For


Notas iniciais
Postei um extra pra vocês por que bateu uma inspiração... Espero que gostem.

O grito de Ben ecoou pela casa fazendo a Quimera dar outro rugido, seus dentes afiados capazes de partir qualquer um ao meio com facilidade ficaram a mostra. João fez menção em atirar no animal, mas sua calda de serpente deu um bote certeiro na mão dele fazendo com que a arma fosse para longe.

Maya pulou nas costas da Quimera segurando sua densa juba de leão negra e a puxou para trás como se fossem arreios de um cavalo. O animal soltou um urro abafado e Maria atirou uma flecha em sua pata. O animal deu um longo gemido de lamento e Maya parou de puxar sua juba.

–Esperem aí... –ela falou descendo das costas do animal e indo para sua frente encarar a Quimera –Jay...?

A Quimera balançou a calda, fazendo a cabeça de serpente derrubar algumas coisas, e colocou a grande língua para fora arfando para a garota.

–Espera... Jay? –João perguntou sem acreditar

–É... Pelo visto nosso amiguinho peludo era uma Quimera... –Maya falou olhando a forma grande e assustadora de Jay

–“Qui...” o que? –Ben perguntou

–Quimera. Um animal mitológico... –a garota explicou como se fosse óbvio

–Ah. –foi a única coisa que Ben conseguiu falar, ainda olhando nos olhos negros da Quimera

Maya retirou a flecha das patas de Jay que aos poucos, seu tamanho foi diminuindo e voltou a ser o pequenino cachorro abanando o rabo e arfando para que Maya o tomasse ao colo.

–Prefiro ele assim. –João comentou, pegando de volta a arma que estava do outro lado da casa

***

Estavam todos silenciosos a mesa, jantando. Menos Maya. Ela esperava ansiosamente ver os vultos de Katherine e Liza voltando ao seu encontro, mas tudo que ela conseguia ver era a escuridão a sua frente.

Após um tempo, desistiu da ideia de que elas voltariam e entrou em casa, silenciosa, mas em seus olhos se podia ver que ela estava desapontada. Ela sentou-se em uma cadeira longe da mesa e fincou os olhos na parede. Ela fitava a parede, quase inexpressivamente, porém, sua mente estava bolando vários planos para salvar seu irmão. E via que agora, sem as garotas, seus planos tinham muitas chances de dar errado e causar a morte dela e dos que iriam com ela. E não era isso que ela queria.

Ouvira-se batidas na porta. Maya retornou de seus devaneios, com o pensamento de que Katherine e Liza estivessem do outro lado da porta. Ou até mesmo, seu irmão. Ela se levantou e abriu a porta rapidamente, mas se decepcionou ao ver que não era quem ela esperava. Ao invés disso, era uma senhora com uma longa capa marrom lhe escondendo o rosto. Maya levou a possibilidade de ser uma da sua espécie em conta, mas não podia ser... Eles não envelheciam.

As mãos da velha senhora eram enrugadas e esqueléticas, só se diferenciava sua mão com a de um esqueleto pela pele acinzentada. Alguns poucos fios de cabelo branco escorregavam para fora do capuz.

–Olá, minha jovem. –a senhora falou

Sua voz era fraca, quase um sussurro. Se Maya não tivesse uma audição aguçada, talvez não compreendesse aquelas palavras. Ela não respondeu nada, esperou que a velha continuasse.

–Sei o que procura e sei onde pode acha-lo. –a senhora continuou levantando o rosto

Ben, que agora estava atrás de Maya, viu o rosto da velha e se assustou. O capuz havia caído de sua cabeça revelando seu couro cabeludo, quase sem cabelos. Seus olhos tinham cataratas que pareciam ser profundas, mas, de algum jeito, parecia que a velha podia ver melhor que qualquer um naquele lugar. Sua boca se abria num sorriso, revelando seus dentes desgastados e amarelados. A pele das bochechas era flácida e um leve movimento da velha as fazia balançar em seu rosto.

–Do que está falando? –Maya finalmente se pronunciou

A velha alargou mais seu sorriso.

–Sabe do que estou falado, minha cara...

E Maya realmente sabia. Ela falava do seu irmão. Como sabia era uma dúvida, mas o que mais poderia ser? Peter era o que Maya estava procurando, e a velha parada em sua porta parecia realmente saber.

–Eu posso entrar? –perguntou

Maya abriu caminho e Ben foi para trás dela, se proteger da assustadora senhora. Ela sentou-se em frente a uma mesa e todas as luzes da casa se extinguiram entre as mãos da velha uma luz começou a brilhar intensamente, iluminando seu rosto de forma macabra.

–Sente-se... –a velha apontou para uma cadeira em frente de onde ela estava

Maya, relutante, foi até a cadeira. Sentou-se com cuidado enquanto todos olhavam curiosos para a esfera luminosa.

–Onde eu acho meu irmão? –Maya perguntou diretamente, tomando uma pose autoritária na cadeira

A velha riu e disse:

–Não tão rápido, minha jovem... –a velha falou –Preciso de um pagamento...

–E o que vai querer em troca?

A velha sorriu mais ainda, deixando seu rosto assustador.

–Bem, como deve ser de sua sabedoria, tens um sangue poderoso em tuas veias... –a velha falou, num sotaque antigo

Maia semicerrou os olhos, curiosa com as intenções dela.

–És uma bruxa? –Maya perguntou no mesmo tom antigo

–Posso lhe dar certeza que não sou o que dizes...

–Então, que queres de mim?

–Um pouco de seu poderoso sangue... –a velha disse, sua voz aumentando a sonoridade a cada palavra

–Para que?

–Podes perceber que estou em estado crítico, quanto a minha aparência física... Penso eu que, talvez, seu sangue possa dar-me condições melhores. E por obsequio o peço em troca da localidade de seu irmão.

João e Maria assistiam a conversa, curiosos em como iria acabar. A velha estendeu um pequeno frasco de vidro e um punhal.

–Aceita minhas condições? –ela perguntou

Maya pegou o punhal e o frasco. Sabia que era arriscado, mas se tratava de seu irmão. Ela precisava arriscar. Cortou a mão com o punhal e deixou o sangue escorrer no frasco que lentamente se enchia do liquido viscoso e rubro. Devolveu o frasco com uma parte de seu sangue para a velha que o olhou como se fosse um tesouro. Virou-o em sua boca e tomou o sangue puro.

Maya olhou assustada aquela cena. Não gostava de ver isso. Segundos depois as feições da velha começaram a mudar. Sua pele, antes acinzentada, começou a tomar uma coloração mais saudável, e as rugas e pelancas foram desaparecendo lentamente. Suas bochechas caídas ficaram como as de uma jovem e as cataratas em seus olhos desapareceram, revelando os olhos incrivelmente dourados dela. Os cabelos brancos que lhe restavam se tornaram castanhos escuros e novos fios cresceram de sua cabeça. Em pouco tempo, a velha agora se tornara uma bela jovem.

–Senti falta dessa forma. –ela disse se admirando, sua voz agora era doce e atrativa –Meu nome é Elenir, feiticeira do norte. –ela se apresentou, finalmente

–Feiticeira? Não é a mesma coisa que bruxa? –Ben perguntou do escuro

–Não, meu caro rapaz. Há grande diferença entre feiticeiras e bruxas. Embora algumas pessoas ignorantes nos comparem a elas. –Elenir falou

–Então... Meu irmão... –Maya disse

–Ah, sim... Seu irmão. Bem... –Elenir tocou na esfera luminosa que mudou de cor

Os olhos de Elenir se tornaram brancos e ela falou com uma voz aguda e amedrontadora:

–Para encontrar o que procura, precisas enfrentar teus medos, e não ser morta por eles. Precisa conviver com seu lado sombrio, e não cair. E, por fim, reviver o passado, sendo tentado pelas lembranças mais tenebrosas...

Maya escutava assustada e sem entender o que ela queria dizer com aquilo. Os olhos de Elenir voltaram ao normal e a esfera desapareceu, fazendo com que as luzes voltassem a iluminar o local.

–O que quis dizer com isso? –Maya perguntou

–Sinto muito, minha cara... Mas só sei o que meus poderes me permitem saber... –e com essas palavras, ela desapareceu

Notas finais
Rewiens? =)