Powerful Blood
14 The Bridge (Part 2)
Notas iniciais
Maya esperou sentir seu corpo indo numa queda livre que a levaria a morte certa, mas não sentiu. Ao invés disso, sentiu uma mão segurando forte seu braço e ao olhar para cima, lá estava João, tentando, com todas as suas forças segurá-la.
-Te peguei... –ele disse puxando-a devagar de volta para a ponte
A imagem dela mesma grunhiu de raiva e seus dentes ficaram a mostra. Maya evitou olha-la e continuou andando, sem perceber que segurava a mão de João com firmeza.
-Estamos quase lá... –Maria disse com uma expressão de quem estava prestes a cair em prantos
Seja lá o que ela estava vendo, a estava afetando bastante.
Faltavam alguns passos para que eles conseguissem atravessar a ponte então um barulho se ouviu. As cortas estavam torando. Maya arregalou os olhos.
-Corram! –ela gritou
Antes que pudessem fazer alguma coisa, a corda se partiu. Eles iam direto para o precipício, até que um segurou no outro com rapidez e Maya conseguiu se segurar na borda do precipício. Ela não iria aguentar muito tempo, estava segurando cinco pessoas suspensas no ar. Isso era mais que sua força podia aguentar.
O latido de Jay ecoou pelo precipício e foi ficando cada vez mais auto e selvagem, até que ele tomasse sua verdadeira forma e se tornasse uma quimera. Jay segurou a capa de Maya com os dentes e num solavanco fez todos voarem para a terra firme.
Maya caiu deitada e parou na mesma posição, respirando pesadamente. Só então percebeu que ainda segurava a mão de João. A soltou no mesmo instante e parou pra respirar enquanto todos os outros se levantavam.
-Conseguimos. –disse Katherine atordoada
Maya assentiu e olhou para a mão que estava sustentando a todos quando iam cair do precipício. Ela tinha um corte fundo de onde seu sangue saia. Apertou a mão com força, sentindo dor, e após abrir, o que era pra ser um corte recentemente aberto, agora se parecia mais com uma cicatriz antiga. Ela finalmente se levantou e olhou continuou a andar.
-Maya... Acho melhor pararmos um pouco. –Liza sugeriu
-Não podemos parar! Estamos quase lá! Só mais um lugar e...
-Você sabe qual é o próximo local... Acho que temos que estar preparados para ir para a caverna... –Katherine a interrompeu
Ela havia dito a frase de um jeito que parecia ser destinada somente para Maya. E ela sabia que era. Teria que enfrentar suas lembranças, as piores, talvez, e para isso deveria saber enfrenta-las. Com certeza, não seria como a floresta, nem como na ponte. E ela tinha um pressentimento de que alguém não iria voltar com vida daquela viagem.
Todos sentaram-se no chão, menos Maya, que subiu em uma árvore, colocando seu capuz e observou o céu da tarde. Além desses lugares todos, ainda teria que ter disposição para enfrentar todas as bruxas que estivessem lá.
Ela ouviu um barulho vindo da própria árvore e se preparou para atacar, mas ao ver que era João quem estava subindo, voltou seu rosto para o céu novamente e ficou em silêncio.
-Você está bem? –João perguntou
Maya não respondeu.
-Vai mesmo ficar me ignorando? –ela ficou em silêncio, como se ele não estivesse ali
João bufou.
-Por que as bruxas escolheriam passar por todos esses lugares para prender seu irmão? –ele perguntou
-Por que aquelas nojentas podem passar facilmente por eles. Quando se é uma bruxa, a única coisa que tem que temer é o fogo, ou seja, talvez só a floresta fizesse efeito para elas. O máximo que a ponte poderia mostrar a elas seria elas bonitas, o que não adianta de nada. –Maya respondeu
-Ah, então você fala?
Maya o olhou, repreendendo-o.
-O que foi que a ponte mostrou a você? –Maya perguntou
João respirou fundo.
-O meu pior lado... Um que eu nem sabia que existia... –ele respondeu –E a você?
Maya ia falar mas se deteve. Não queria revelar o que havia visto.
-A mesma coisa. –ela disse simplesmente
João queria perguntar o que exatamente ela havia visto, mas decidiu não fazer isso pois percebeu que não adiantaria. Mas percebeu também que, seja lá o que ela vira, a perturbou.
-Obrigado... –Maya falou
-Por?
-Por ter me salvado. –e olhou para ele com a gratidão clara em seus olhos e nas palavras que pronunciava
-Não poderia deixar você morrer... –João explicou
Maya sorriu de leve e voltou o rosto para o céu que agora tomava um tom alaranjado graças ao por do sol. João ainda a olhava, o rosto meio coberto pelo capuz, mas ainda se podia ver vagamente seus lábios vermelhos que tanto o encantavam. Os lábios cujo o sabor era o melhor que havia provado, e o que gostaria de provar mais uma vez. E assim o fez.
Ele puxou o rosto de Maya, fazendo com que ela o olhasse e rapidamente a beijou, sentindo a textura dos lábios macios de Maya. Ela empurrou-o para trás e o olhou nos olhos ferozmente, como se fosse mata-lo por fazer tal coisa.
-Eu já disse que...
-Dane-se o que você disse. –João falou e avançou novamente em seus lábios
Maya não conseguiu resistir e se deixou levar pelos beijos. Ela passou a mão pelos cabelos dele e ele a colocou em seu colo, a puxando para si, sem se importar se alguém os visse, só queria Maya para si, e nada mais.
Ela beijou o pescoço dele e pode sentir o sangue pulsando em suas veias. E pela primeira vez em toda vida, ficou tentada a provar daquele sangue. Seus olhos se tornaram vermelhos e suas presas apareceram, prestes a perfurar o pescoço de João. Só quando percebeu o que estava prestes a fazer saiu do abraço dele e pulou para trás, quase caindo da árvore.
João primeiramente pensou que ela havia desistido nas preliminares outra vez, mas então viu suas presas a mostra e ficou com medo de ter sido por isso que ela havia parado. Os olhos dela voltaram ao normal e ela se encolheu abraçada aos joelhos.
-O que ouve? –ele perguntou
-Eu nunca tive sede, nunca... –ela falou respirando pesadamente
-Sede? Você quer dizer... –João não completou a frase mas Maya entendeu
Ela assentiu e João pareceu ficar tenso. Talvez ela tivesse razão, não deveriam fazer isso. Ele sentou-se ao lado dela e a abraçou.
Maya estava aterrorizada consigo mesma. Nunca, em toda sua existência, havia tido tanta sede como agora. Ela ainda podia sentir, com João ao seu lado, o sangue correndo nas veias e artérias, ele estava perto demais... Maya fechou os olhos tentando controlar-se, mas só o cheiro do sangue de João a ajudou um pouco. Sangue de diabético... Doce demais.
***
A noite finalmente havia chegado. João, Maria e Ben dormiam tranquilos enquanto Maya estava sentada na beira do precipício, olhando as escuridão que encobria seu fundo. A luz do luar refletia-se em sua pele branca enquanto tentava desvencilhar-se da lembrança de quase ter matado João naquela tarde.
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