Powerful Blood

13 The Bridge (Part 1)


Notas iniciais
Tava ouvindo Máscara de Pitty e acabou vindo a inspiração... O que um bom rock não faz?
Bem, enjoy!

Maya nem sequer olhava para João. Andava silenciosa pela campina que os levaria até a ponte. Jay se enroscava em suas pernas, o que deveria impedi-la de andar normalmente pela probabilidade de tropeçar no filhote, mas ela andava como se ele nem estivesse lá. Katherine e Liza estavam apreensivas pelo humor de Maya.

Maria olhava para o irmão de vez em quando, tentando ver se ele tinha alguma coisa com o estado dela, e podia se ver que ele também não estava em seu melhor humor. Maya parou subitamente e Jay latiu olhando para seu rosto. Ela fez uma careta como se sentisse um cheiro ruim e Katherine e Liza fizeram o mesmo tentando tapar a respiração.

–Esse cheiro... –Liza falou

Naquele momento, um homem velho saiu de uns arbustos que haviam naquele local. Ele era grande e gordo. Seus dentes amarelados, totalmente podres, apareciam em seu sorriso e sua barba tão comprida e tão suja que parecia que nunca havia visto água na vida.

–Você... –Maya falou olhando ameaçadoramente para o velho e tapando novamente o nariz

–Ora, ora, ora... Se não são as vadiazinhas que eu estava procurando. –o velho disse

–Gowem... Gordo e fedorento como sempre... –Katherine falou

–Graças a vadia de sua líder, devo lhes dizer. –o velho, Gowem, retrucou

–Não chame minha mãe de vadia... –Maya disse com raiva

Gowem sorriu. Seus dentes se tornaram presas amareladase seus olhos se tornaram órbitas vazias. Suas unhas cresceram e se tornaram afiadas.

–Vejo que tem novos amigos... –Gowem falou

Ben se encolheu ao ouvir a voz do velho. Ela havia tomado um tom metálico e macabro, e parecia rosnar a cada palavra.

–Quem é você? –João perguntou, preparando sua arma

–Sou Gowem... Suponho que se vocês não são vítimas dessas pragas... Por que estão com elas? –Gowen respondeu

–Estamos as ajudando... –Ben falou com a voz vacilante

–São malucos? Vejam o que a raça delas fizeram comigo! –Gowen gritou e sua voz ecoou pela campina

–Elas fizeram isso com você? –Maria perguntou encarando as órbitas vazias, onde deveriam ser os olhos dele

–Sim... Simplesmente por que matei uma delas quando foram matar minha mulher... –Gowem disse num tom de lamento

Maya o olhou e seus olhos se tornaram completamente vermelhos.

–Sempre contando mentiras... –ela murmurou

Gowem se virou para ela e fez uma expressão enojada. Estendeu as mãos e suas unhas pularam de seus dedos indo numa velocidade inimaginável na direção de Maya. Ela se moveu rapidamente no ar e desviou das garras voadoras.

–Minha mãe fez bem de ter lhe transformado nisto. –Maya falou

–Sua mãe está morta. –Gowem alegou

Um tremor de raiva percorreu Maya e ela avançou em cima do velho. Mas antes que pudesse fazer alguma coisa, Katherine e Liza a seguraram, formando buracos no chão aonde apoiavam os pés para segurar Maya. Gowem gargalhou.

–Venha, vadia, tente me matar! –ele a desafiava

–Maya, não! Você sabe muito bem o que ele quer! –Katherine falou com dificuldade para segurá-la

Aos poucos, Maya diminuiu a força e parou de tentar se soltar. João posicionou a arma.

–Armas não adiantam... Ele não pode ser morto. Esse é seu castigo. –Maya disse

Gowem desfez o sorriso e com um grito avançou sobre Maya.

–Não! –João gritou mas se deteve ao ver o que havia acontecido

Maya estava de pé a alguns metros de onde estava antes, com uma das mãos ensanguentadas. Um pouco mais atrás dela, o corpo de Gowem estava deitado no chão, imóvel. Mas faltava-lhe uma coisa. Sua cabeça estava caída ao lado do corpo, as orbitas vazias viradas para o céu e suas presas desaparecendo.

Maya se virou e olhou para Gowem.

–Lhe tirei o castigo de minha mãe. Não deveria mas o fiz. –ela murmurou para o corpo inerte

Todos olharam aquela cena aterrorizados. Maya se deu conta de que sua mão estava cheia de sangue e a olhou por um momento, seus olhos demonstrando um certo anseio de provar aquele sangue.

–Maya? –Liza perguntou tirando Maya de seus devaneios

Ela piscou algumas vezes e limpou sua mão na capa preta.

–Quem era ele? –Ben perguntou

–Gowen. –Maya disse, ainda distante em seus pensamentos

–O que ele era? –Maria perguntou, querendo explicações

Maya olhou mais uma vez para o corpo.

–Ele era humano... Mas depois do que fez, minha mãe o transformou nessa criatura.

–E o que ele fez, exatamente? –João perguntou

–Uma de minha raça e a mulher dele eram amigas, mas ele não confiava nelas duas juntas... Ele matou a de minha raça, sem razão para isso. Minha mãe ficou sabendo e transformou ele nessa criatura. Assustada, a mulher dele fugiu de casa e ele ficou sozinho. Até momentos antes ele quer acabar comigo e com as outras... –Maya explicou

Todos ficaram em silêncio, e na cabeça de João passava a pergunta de se ela poderia fazer essa transformação em alguém como sua mãe...

–Olhem! A ponte está logo ali! –Liza falou

Maya se distanciou do corpo indo em direção a ponte, mas com os pensamentos de por que ficara tão hipnotizada pelo sangue que estava em suas mãos.

Eles pararam no começo da ponte. Jay atravessou-a correndo e chegou no outro lado rapidamente. Ben olhou para baixo, no desfiladeiro em que a ponte se encontrava e engoliu em seco ao ver que não podia ver o fundo do precipício.

–Vamos, quanto antes atravessarmos melhor. –Maya falou e começou a andar na ponte

Todos fizeram o mesmo e a ponte parecia se alargar a cada passo. Então Maya percebeu que estavam todos inquietos atrás dela. A ponte começara a fazer seu trabalho. Não se podia ver o que eles viam, mas parecia ser horrível, pois todos caminhavam com dificuldade e virando os rostos para não ver seja lá o que viam.

Então Maya parou também. Ao seu lado, flutuando no ar, uma imagem igual a sua pairava. Mas não era ela. A Maya que ela via, tinha seus olhos num vermelho mais vivo que nunca e sua boca e mãos estavam manchadas de sangue. Essa era a parte de Maya que ela sempre tentou evitar quando podia: A parte sombria, e assassina.

Ela virou o rosto para não ver aquela imagem mas o seu outro lado persistia em ficar a sua frente.

Sabe de quem é esse sangue? –a imagem perguntou, sua voz parecia distante, não ser daquele lugar

Maya não resistiu e olhou. Aos pés da imagem, jazia o corpo mutilado de João. Maya arregalou os olhos ao ver aquilo. Um vento forte soprou fazendo a ponte balançar. Ela vacilou em uma das brechas da ponte, e então, caiu no precipício.

Notas finais
Rewiens?