Powerful Blood

11 Forest of Fear (Part 2)


Notas iniciais
Mais um pra vocês!

A alvorada havia chegado, porém, a floresta continuava escura. Poucos raios de sol passavam pelas árvores, como se ainda fosse noite. João foi o primeiro a levantar e viu Maya ao lado da fogueira que haviam feito a noite.

–Onde estão as outras? –ele perguntou

–Foram procurar alguma coisa para comermos... –Maya respondeu sem olhar para ele

Ele se abaixou ao lado de Maya.

–Sinto muito por ontem, mas não consigo resistir. –João falou

–Esse é o problema. Ninguém consegue... Por isso somos tão perigosas. –Maya falou olhando para o fogo

Um barulho alto de alguma criatura soou longe na floresta.

–Temos que sair daqui rápido. Por onde vamos? –João perguntou

–Há um rio um pouco mais a frente. Se seguirmos ele... –Maya se interrompeu ao ver a expressão de João

Ele estava pálido e não parecia nada bem. Maya entendeu. Correu até as coisas dele e tirou a injeção que ele tomava para controlar a diabetes e aplicou rapidamente em sua perna. Em poucos segundos ele já estava bem outra vez.

–Obrigado. –ele disse

–Por nada. Você tem que achar uma cura para isso... Uma duradoura, que o efeito não passe. –Maya falou

–Não existe cura. –João falou friamente

Dois vultos encapuzados chegaram perto deles. Katherine e Liza carregavam alguns peixes frescos nas mãos.

–Acho que dá pra vocês. –Katherine falou

***

Todos já haviam comido e agora caminhavam pela floresta outra vez. Sempre com ruídos assombrosos e sombras que pareciam vaguear por lá.

–Parem. –Maya ordenou

Ela olhou desconfiada para os lados. Então viu uma coisa que não pretendia ver naquele local. Atrás de algumas árvores, uma colorida, porém assustadora casa jazia. E se o olfato de Maya não lhe traia era feita de doces. João e Maria se entreolharam, não pareciam confortáveis com essa casa naquele local.

–Vamos... Não quero saber o que está aí dentro... –João falou puxando a irmã

–Sinto muito... Para chegarmos ao rio, temos que passar por ela. –Maya avisou

–Não tem outro jeito? –Maria perguntou

Maya negou com a cabeça. Os dois irmãos ficaram tensos, mas perceberam que não havia mais jeito.

Ao se aproximarem da casa, a porta se abriu revelando a escuridão lá dentro. Todos se aproximaram da casa, até João e Maria pararem.

–Temos que entrar... –Maya disse

Eles respiraram fundo e passaram pela porta.

A parte de dentro da casa era como eles se lembravam quando eram pequenos. O forno estava aceso e alguma coisa estava perto dele. Lentamente, a bruxa que eles mataram quando crianças se virou. Maria segurou mais forte a mão do irmão, mas se estava com tanto medo, seu rosto não demonstrava. A bruxa deu um sorriso. Ninguém se moveu.

–Vocês enfrentaram-na uma vez, conseguem fazer de novo. –Maya falou

Assim que ela pronunciou essas palavras, a bruxa atacou. Foi para cima de Maria e João a jogou para longe com um pedaço de madeira que havia ali. Maria posicionou seu arco e flecha e atirou, mas a flecha não fez efeito. A mesma coisa aconteceu com as armas de João.

–Tem que acabar com ela com as próprias mãos! –Maya gritou

Os irmãos se entreolharam e, assim que a bruxa atacou, a pegaram pelos braços e jogaram-na perto do fogo. Maria acertou novamente a bruxa com um pedaço de madeira, fazendo-a ficar desnorteada e, com a ajuda de João, jogou-a dentro do forno. Puxaram as correntes que seguravam a tampa do forno e prenderam-na lá dentro, como fizeram quando crianças.

Maya os olhou. Pareciam mais unidos que nunca, revivendo o passado. Ela sorriu satisfeita. A floresta fez um novo som de lamento.

–A cada medo vencido, mais fraca a floresta fica. –Maya disse

Eles se apressaram em sair dali e após isso, a casa desapareceu em trevas, como se nunca houvesse existido.

–Nunca pensei que iria fazer isso de novo. –Maria falou

João a abraçou. Estava na cara que aquela casa não era a melhor lembrança que ela tinha.

–Olhem, é o rio. –Liza falou

Eles caminharam até as margens do rio. Ele era fundo e a correnteza era forte, mas o único jeito de sair da floresta era atravessar o rio. Maya pareceu hesitar.

–Maldita floresta... –ela falou encarando a correnteza

–Você vai ter que fazer isso. –Liza falou

–Ela tem medo de água? –Ben perguntou

–Eu ia me afogando quando tinha 6 anos... Água corrente não é uma coisa que eu goste muito. Sei que parece besteira, mas...–ela falou encarando a água

Katherine e Liza entraram na água e passaram para o outro lado sem dificuldades.

–Está tudo bem, não é tão difícil. –Liza falou

–Você sabe que comigo não vai ser bem assim, não é? –Maya perguntou

Liza pareceu ficar pensativa.

–É, não tinha pensado nessa possibilidade. –respondeu

Todos passaram pelo rio, só faltava Maya. Então, ela finalmente entrou na água. No mesmo instante, a correnteza pareceu ficar mais pesada e Maya afundou. O rio parecia que ia ficando cada vez mais fundo e Maya não conseguia subir para a superfície. Ela precisava de ar. Tentou achar um ponto de apoio, mas a floresta não facilitou. Ela parecia saber que se ela conseguisse por os pés em algo sólido, ela iria usar a força para sair da água. Seus pulmões já não aguentavam mais, quando um vulto pulou na água. Pouco a pouco, sentiu que estava indo a superfície, mas alguma coisa impediu. A correnteza parecia mais forte e a água mais pesada em torno de Maya. Esse era um medo que era quase impossível de se enfrentar... Quase. Maya ainda estava consciente. Seus olhos se tornaram avermelhados, se apoiou com os pés em João, que agora também estava ficando sem ar, e com toda sua força restante se empurrou para cima. Antes de ficar muito longe, conseguiu segurar a mão de João que foi arremessado para fora do rio também. Os dois caíram na margem, tossindo e engasgando.

–Ai meu Deus! Vocês conseguiram! –Liza falou indo socorrer Maya

João se levantou ainda tossindo um pouco.

–Você está bem? –ele perguntou

Maya tossiu e logo depois respondeu:

–Sim... Descobri que esse era um medo que não podia enfrentar sozinha... –ela disse olhando nos olhos de João

–Ei, vejam! O fim da floresta! –Katherine apontou para uma parte em que o sol batia na campina

–Acho melhor colocarmos os capuzes... –Maya alertou e eles voltaram a caminhar ouvindo um ultimo e sonoro lamento da floresta

Notas finais
Rewiens?