Powerful Blood
10 Forest of Fear (Part 1)
Notas iniciais
Maya estudava cuidadosamente o mapa, enquanto esperava por Katherine e Liza. Ouviu-se um barulho alto vindo da porta e Liza entrou cambaleando e caiu no chão rindo.
Maya parou de olhar o mapa e pôs seus olhos em Liza, logo depois os desviando para Katherine que olhava a outra caída no chão.
-O que aconteceu? –Maya perguntou ignorando as risadas sonoras de Liza
-Ela bebeu. –Katherine deu a simples explicação
João, Maria e Ben olhavam aquela cena de olhos arregalados.
-É por isso que não podemos beber... –Maya disse e, com a ajuda de Katherine, levantou Liza
-Foi só um pouquinho... –Liza reclamou
-Um pouquinho... Certo. Um barriu inteiro de cerveja é ‘um pouquinho’ agora? –Katherine falou
-Pior seria se pior fosse... –Liza falou, rindo sonoramente
Maya revirou os olhos, pegou o mapa e foi para um cômodo no qual não pudesse ouvir as risadas de Liza.
Ela olhava o mapa, tentando traçar o caminho cuidadosamente, com a esperança de que não houvesse mortes naquela viajem. A porta se abriu atrás dela e João se aproximou, vendo o que ela estava fazendo.
-Por que ela ficou daquele jeito? –ele pergutou
-Nosso organismo funciona um pouco mais rápido e absorve qualquer substância que ingerirmos, o que faz o álcool ter um efeito maior e mais grave em nós do que em vocês... –Maya explicou tentando não olhar para ele
-Isso explica o por que ela está cantando uma música sobre árvores que dançam... –João disse
Maya deixou que uma leve risada escapasse de seus lábios, mas continuou sem olhar para João. Ele se aproximou dela. Maya pode sentir a respiração aparentemente calma de João em sua nuca. Controlou seu instinto de se virar pra ele e encarar seus olhos verdes, e fitou o mapa mais avidamente. Mas seus planos de não se deixar levar falou assim que ele passou as mãos pela sua cintura e a puxou para ele.
Ela respirou fundo. Sentia, agora, a respiração dele perto de seu ouvido. Não era mais tão calma. Agora, era mais pesada, e Maya sabia o por que. Com um certo esforço, retirou as mãos dele de sua cintura e, velozmente, foi para o outro lado do cômodo, agora o encarando.
-Por que você faz isso? –João perguntou
Maya não respondeu, simplesmente o encarou. Ele bufou de insatisfação e virou as costas indo para a saída do cômodo. Ela continuou parada no mesmo lugar, como se não conseguisse se mover, mas antes que João pudesse sair, ela falou:
-Espere...
João se virou rapidamente e o vulto de Maya se aproximou dele. Ela passou os braços pela nuca dele e o beijou. João não pensou duas vezes antes de corresponder e a puxou para mais perto, deixando seus corpos colados um no outro. Ele a empurrou contra a parede com força, fazendo um barulho que, provavelmente, todos lá em baixo deveriam ter ouvido. Ela controlava a força para que não acabasse machucando ele, era o que menos queria nesse momento.
João a levou para perto da mesa onde Maya estava estudando o mapa, e derrubou tudo que havia nela, logo depois colocando Maya em cima da mesma. Ele estava a ponto de rasgar as roupas dela, quando ouviram-se passos vindos das escadas. Maya foi rápida e jogou João no chão se levantando em seguida.
Katherine apareceu na porta, acompanhada de Maria.
-O que estava acontecendo? Ouvimos um barulho... –ela falou olhando para João que se levantava devagar
-Ele tropeçou e bateu a cabeça na parede. –mentiu Maya
Maria a olhou, procurando ver uma expressão que mostrasse que Maya estava mentindo, mas não a achou e ajudou o irmão a se levantar.
-Certo... –Katherine disse, ainda desconfiada e desceu com Maria
João a encarou.
-Podia ter me jogado com menos força... –ele disse
-Sinto muito. –Maya falou, sem nenhum resquício em sua voz de que realmente queria se desculpar e desceu com o mapa, deixando João sozinho
***
Liza já tinha se recuperado e estava com uma sacola em suas costas com algumas coisas que poderia precisar naquela viajem, assim como todos os outros. Eles caminhavam em silêncio até chegarem a uma floresta.
Ela era grande e escura, só podia se ver alguma coisa ali graças as tochas que eles carregavam.
-Não acredito que vou entrar nessa floresta... Passei a vida tentando evita-la. –Katherine reclamou
Maya levantou a cabeça em seu capuz preto e encarou a densa floresta. Ela voltara a usar um vestido branco e sua capa preta. Seus pés estavam descalços, por isso, sentia a frieza do solo em que pisava.
-Vamos. –falou e seguiu em frente
Ao adentrarem na floresta, pôde se ouvir barulhos macabros. Alguns semelhantes a gritos, outros de passos pesados que vagavam na escuridão.
-Haja o que houver, controle-se... A floresta sente seu medo... E não é agradável o que faz com ele. –Maya falou, calmamente
Ben engoliu em seco após essa fala, e logo depois ouviu passos a sua direita. Todos andavam alertas a qualquer coisa que se mexesse e não diminuíam o passo.
-Por que não viemos nos cavalos da noite? –Ben perguntou
-Eles não podem passar por aqui... É fora do limite deles. –Liza respondeu
Maya parou subitamente e todos os outros fizeram o mesmo. Em sua frente, nas árvores, criaturas dormiam penduradas nos galhos.
-Temos que apagar as tochas... –Maya sussurrou
-E como vamos ver por onde ir? –Maria perguntou, também sussurrando
-Eu, Katherine e Liza podemos nos guiar no escuro. Segurem nossas mãos... –Maya respondeu colocando a tocha na areia e apagando-a
Todos fizeram o mesmo, e Maya sentiu a mão de João segurando na dela.
-Me guie então... –ele falou, num tom que só ele e Maya poderiam ouvir
Maya, Katherine e Liza os guiaram pelas árvores. Ia tudo bem, até uma cobra passar pelo pé de Ben o fazendo gritar.
A criatura adormecida na árvore abriu os olhos. Seus olhos eram brancos, e seus dentes também. A criatura abriu as grandes asas de morcego e fez um som agudo que fez todos taparem os ouvidos. Logo depois, todos os outros estavam acordados e olhavam para eles.
-Segurem firme... –Maya falou
A criatura fez o mesmo som pela segunda vez e se soltou da árvore, assim como os outros, e voou na direção do grupo.
-Corram! –Maya gritou
Em um único puxão, Maya estava levando João pela mão enquanto corria. Ele, Maria e Ben pareciam estar voando com a tamanha rapidez que as garotas corriam. As criaturas ainda os perseguiam e pareciam estar chegando mais perto.
-Katherine, Liza, vão para a esquerda! Eu tive uma ideia! –Maya falou e as duas obedeceram suas ordens
Duas das criaturas tentaram perseguir Katherine e Liza, mas acabaram batendo numa árvore e explodiram em trevas. Maya sorriu satisfeita e começou a ziguezaguear entre as árvores, acabando com metade do grupo de criaturas, enquanto João gritava por quase bater em uma árvore.
Mais duas criaturas apareceram, perseguindo Maya, e Katherine e Liza deram conta delas com as garras. O resto deles percebeu o nível dos adversários e voltaram para onde vieram. Maya parou e João caiu no chão reclamando.
-Certo, o que eram aquelas coisas? –Liza perguntou
-Não faço ideia, mas não estou afim de ficar aqui para descobrir... –Maya respondeu
Maria e Ben tiveram que ficar parados por um tempo tentando se recuperar. Ouviu-se mais um barulho e Maya foi jogada longe contra uma árvore. Em seu rosto, havia a marca de garras, e sangue saia delas.
Logo deu para ver o que havia feito aquilo.
-Lobisomem... –Liza falou apavorada
O grande animal peludo, rosnava para eles. Suas presas eram afiadas, assim como suas garras. Seus olhos encaravam Liza, deixando bem claro que era ela quem temia ele. A floresta havia conseguido o medo de Liza.
Maya se levantou e jogou Liza para o lado quando as garras do lobisomem iam acerta-la em cheio.
-Liza, você tem que enfrentar isso. –Maya falou
João pegou sua arma e atirou, mas não fez efeito. Era como se o lobisomem fosse feito de fumaça. O tiro passou sem fazer um machucado no lobisomem, só o deixou com mais fúria.
-Só você pode mata-lo! –Maya gritou para Liza
-Não! –ela gritou
Seus olhos encaravam a criatura, com o pânico estampado neles.
-Liza! –Katherine gritou antes de ser atingida pelo lobisomem
João, Maria, Ben e Katherine lutavam para matar o monstro, mas era impossível.
-Liza, se não fizer isso vamos todos morrer! –Maya falou
Ela olhou para os olhos de Maya, ainda apavorada e se levantou. Logo depois, se pôde ver Liza pulando em cima do lobisomem. Maya pulou para o lado de João que agora tinha um corte feio no braço. Ela tirou um pedaço de pano de seu vestido branco e fez um curativo improvisado em seu braço.
A briga entre Liza e o lobisomem ficava cada vez mais feia. As garras do lobisomem passaram no rosto de Liza e a jogaram para longe, mas ela se levantou, mostrou as presas, e voltou a briga. Em um movimento rápido e preciso, Liza colocou suas garras na garganta do lobisomem fazendo seu sangue jorrar e em segundos ele virou apenas uma nuvem negra que desapareceu na floresta. Liza havia conseguido.
Com aquilo, a própria floresta fez um som de lamento, como se a tivessem machucado. As folhas das árvores, que cobriam o céu, se abriram um pouco mais, deixando luz passar e revelando o estado de Liza. Havia um grande corte em sua cabeça, seus braços repletos de arranhões e ela parecia cansada.
-Por que não consegui matar o lobisomem? –João perguntou, sua voz vacilante pela dor do corte em seu braço
-Era o medo da Liza... Só ela podia enfrentar aquilo... “Enfrentar seus medos, e não ser mortas por eles”... –Maya falou
-Acho melhor acamparmos aqui. –Maria sugeriu
Maya assentiu olhando em volta, como se procurasse alguma coisa.
-Eu vou vigiar por cima daquelas árvores. Katherine e Liza ficam por aqui nos arredores do acampamento. Tomem cuidado com pesadelos... Aqui não é o melhor lugar para ter um. –Maya falou e subiu nas árvores como um borrão na noite
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