Powerful Blood
7 Alone One More Time
Notas iniciais
Passaram-se alguns minutos até que Katherine e Liza voltassem. Suas bocas ainda meladas de sangue.
–Foi bom, mas ainda preferia que aquele cara não tivesse entrado no quarto... –Ketherine disse limpando os lábios na longa manga de seu vestido
–É foi uma pena... –Liza disse dando uma risada debochada após falar
–“Uma pena” o que, Liza? –Maya perguntou
–Bem, ele ia nos matar por tomar o sangue do vovozinho dele...
–Aí nos atacamos ele. –Liza disse completando a fala de Katherine, como se aquilo fosse uma coisa normal
Maya arregalou os olhos para as duas e se percebeu que ela controlava a raiva.
–Vocês, o que? –ela perguntou, sua voz quase num sussurro
Ouviu-se berros ao longe. Maria e João se entreolharam, curiosos e Maya foi a janela ver o que estava ocorrendo. Viu ao longe tochas acesas e um aglomerado de pessoas vindo da escuridão da floresta. Maya saiu, sendo acompanhada de Katherine, Liza e Jay que se enroscava nas pernas de Maya não se preocupando em ser acidentalmente pisoteado.
As pessoas pararam a frente da casa de Maya e olharam para elas, suas faces repletas de raiva.
–Vocês, suas servas do demônio, atacaram os moradores de nossa cidade! –um homem alto se pronunciou em meio a multidão
–É! Merecem a morte! –uma mulher gritou
Katherine e Liza deram passos para trás instintivamente.
–Escutem-me... –Maya falou
–Não vamos escutar! Vamos mata-las! –alguém falou e a multidão gritou em concordância
–Por favor... –Maya tentou mais uma vez, mas foi inútil
As pessoas continuaram a gritar insultos contra elas até um disparo ser feito contra o céu que agora se tornara escuro. A multidão se calou rapidamente e olhou para João que estava com a arma apontada ao céu.
–Sinto muito por elas... –Maya falou, aproveitando o silêncio –Elas não tinham a intenção...
–De matar nossos familiares? –um homem em frente a multidão se pronunciou –Vocês são criaturas sanguinárias e repulsivas, conheço suas histórias...
Maya se aproximou perigosamente do rapaz que vacilou por um instante em sua pose de raiva e coragem.
–Sei o que fizeram, e não gosto disso tanto quando vocês... –ela disse quase como um sussurro, mas, com a noite silenciosa, era provável que todos ali estivessem ouvindo –Mas precisam se alimentar. Não posso fazer nada a respeito. Não posso mata-las de fome.
–E por isso deixa matarem pessoas inocentes? –o rapaz falou, deixando sua voz demonstrar assombro por um momento
O único barulho naquele momento era o crepitar do fogo nas tochas acesas. Esse fogo se refletia nos olhos de Maya, e fazia sombras deixando o rosto dela mais atraente e assustador.
–Não posso fazer nada. –ela respondeu
Katherine e Liza estavam apreensivas, não sabiam o que iria acontecer depois. Jay, o pequeno cachorro, estava deitado com as patas no focinho olhando e gemendo como se soubesse que estava acontecendo alguma coisa perigosa naquele lugar.
–Da próxima vez que suas amiguinhas atacarem... Não acho que vamos ser tão compreensíveis... –o rapaz disse se afastando de Maya
Já ela, deu um sorriso de lado empinando um nariz com ar de superioridade, assentindo logo em seguida, com a afirmação do rapaz.
–Sim, senhor. –ela disse e fez uma reverência elegante ao rapaz que inclinou a cabeça como uma criança curiosa
Ele fez um sinal para que voltassem e em pouco tempo, a luz das tochas sumiram na densa floresta.
–Ufa, essa foi por pouco... –Liza falou
Maya deu as costas a floresta e encarou as duas, séria. Elas engoliram em seco. A garota fez um pequeno gesto com a cabeça indicando para Katherine e Liza entrarem e elas obedeceram. Jay saiu de sua posição amedrontada e pulou abanando o rabo e arfando com a língua de fora para Maya, que o ignorou seguindo Katherine e Liza.
João, Maria e Ben ficaram num canto afastados delas, pois sabiam que não iria ser agradável o que estava por vir.
Maya encarou as duas seriamente e elas abaixaram os olhares.
–Estão proibidas de caçar. –Maya disse
As duas começaram a falar juntas, discordando da decisão dela. Maya levantou uma mão e as duas se calaram.
–Se eu não tivesse convencido eles, vocês e eu estaríamos mortas nesse momento. Tudo graças ao descuido de vocês. –ela dizia num tom calmo, porém ameaçador
–Mas precisamos de sangue! Não vamos conseguir sobreviver assim. –Katherine falou
–Se tivessem sido mais cuidadosas... –Maya disse
–Não! Você não pode fazer isso! –Liza discordou
–Sim, eu posso... Sou a líder, não é o que dizem?
–Agora queres ser a líder? –Katherine cerrou os dentes já transformados em presas
–Se for preciso. –Maya ainda falava calmamente
As três se encararam mortalmente por alguns segundos até Katherine se levantar e pôr o capuz por sobre a cabeça.
–Aonde vai? –Maya perguntou
–Vou partir. Acho que pode cuidar de tudo sozinha, líder. –Katherine respondeu dizendo a ultima palavra com o maior desgosto possível
E com essas palavras, ela se foi. Rápida como o vento desapareceu de lá. Maya parecia atordoada, Liza olhou para o chão sem saber o que fazer.
–Sinto muito... –ela disse e pôs a mão no ombro de Maya
Logo depois, saiu em busca de Katherine.
Maya estava em pé na sala, olhando para o chão. Ela respirou fundo e subiu as escadas silenciosa.
João e Maria se entreolharam.
–Isso não é bom... –Maria falou
O pequeno cachorro gemia olhando para as escadas, lamentando por Maya não ter lhe dado atenção. João ia subir mas Ben o barrou.
–Acho melhor eu ir... –ele disse
João o olhou curioso, mas assentiu.
Ben avançou relutante, subindo cada degrau como se seus pés desejassem estar presos ao chão. Ele estava com medo de Maya, mesmo sabendo que não tomaria seu sangue, ainda tinha força suficiente para tirar-lhe a cabeça do pescoço. Chegou a porta sendo seguido por Jay, e a abriu. A porta fez um leve rangido e revelou o quarto vazio. Ele entrou desesperado, achando que a garota havia fugido, mas relaxou ao vê-la num canto afastado no quarto.
Ele se aproximou com cautela e tocou seu ombro. Maya virou seu rosto para Ben que se assustou ao ver seus olhos vermelhos. Ela percebeu a expressão amedrontada do garoto e, piscando algumas vezes, fez seus olhos voltarem ao normal.
–Desculpe, vejo melhor com meus olhos assim. –ela disse se levantando
Ben só pôde imaginar o que ela queria dizer com isso.
–Eu... Eu sinto muito pelas duas. –Ben falou
Maya deu-lhe um sorriso carinhoso, atípico dela.
–Tudo bem... Nunca fui boa nessa coisa de liderar... –ela disse com um certo humor na voz
–Nós... Nós vamos achar seu irmão... Prometo. –Ben falou ainda nervoso
Ela o encarou. Maya abriu a boca para falar alguma coisa mas foi interrompida por um estrondo vindo do andar de baixo. Ela e Ben correram e ao olharem para baixo viram uma figura assustadora. Um grande animal com cabeça e corpo de leão, uma calda longa que na ponta tinha uma cabeça de serpente e patas com garras enormes. Seus olhos eram negros, assim como seu pelo, uma Quimera. Ela rugiu e olhou para cima, aonde Maya estava com Ben. Seus olhos a fitaram e abriu a bocarra dando um segundo rugido, fazendo seus cabelos se esvoaçarem.
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