Notas iniciais
Sobre a questão do Conflito entre Norte e Sul, eles ainda estão em Guerra Fria, um querendo revanche contra o outro, apesar de algumas pessoas quererem o fim dos reinos.

–Porque eu tenho que matar ela? –Austin falava atônito.

–Depois de alguns anos de investigação sobre a noite da Sangria, foi constatado que você estava com ela naquele dia, e não somente naquele, por exatamente dois dias. –O advogado de Austin checa seu celular que parecia mais um pedaço de vidro inteligente. –Também foi constatado que naquele dia a Lana Estelle teve uma queda de radiação, poderá ser seu ponto fraco? Não sabemos, e acreditamos que o senhor tenha essas informações. Além do que ela é uma poderosa inimiga e símbolo de força para os revoltosos do Sul.

–Vocês nós monitoraram todo esse tempo? –Ele braveja.

–Temos que ter o controle sobre o nosso reino e a entrada e saída de fugitivos são facilmente detectadas. Mas quando saem de nossas terras não temos mais controle. A forte presença de radiação no seu planeta torna difícil nossas comunicações espiãs. –O advogado responde cinicamente.

–Você não tem nenhum receio de nos contar seus planos?!

–Você não tem outra saída. Ou você cumpre a missão de assassinar a réu Lana Estelle, ou você pode ficar nessa cadeia para sempre.

–E os meus direitos como cidadão Sulista?

–No momento em que você entra nas terras do Norte você automaticamente está deixando de ser um cidadão Sulista e se torna um ninguém. Nossas leis não admitem estrangeiros, por isso cada um é preso de acordo com seus antecedentes criminais. –Austin se afasta um pouco da cela e depois avança na direção do advogado puxando seu colarinho para mais próximo da abertura da cela.

–Eu passei nove anos da minha vida trancado nessa cadeia. Nesses nove anos eu passei fome, tentei aprender a língua nativa e ainda fui espancado por outros presos. Responda-me uma pergunta? Eu passei esses meus noves anos em vão esperando você me tirar dessa merda? –Ele fuzila o advogado com os olhos enquanto este treme de medo.

–Por favor, senhor Austin, será pior se o senhor levar isto para a violência. –Austin afrouxa o colarinho dele e o solta. –O senhor sabe muito bem que eu não estou aqui para amenizar a sua pena. E essa foi á única forma que encontrei.

–Eu aceito. –O advogado endireita sua gravata e olha Austin com suspeitas.

–O senhor aceita a missão?

–Aceito. –Austin o olha confiante de suas palavras. Ele já estava pensando em um jeito de como escapar da missão e da cadeia.

...

–Pode vim. –Lana da um sorriso otimista. Daniel finca seus pés no chão e pega uma arma atirando na direção dela. Lana desvia de todas as balas, da um pulo e cai em cima de Daniel e tira a arma de suas mãos. –Dessa vez você durou mais dois segundos.

–Viu! Eu melhorei bastante. –Daniel fica orgulhoso do feito.

–Daniel, Lana! –Trevor apareceu no meio da área de treinamento que tinha na mais nova casa da família de Lana. Era uma casa pequena aparentemente, mas no subterrâneo tinha um centro de treinamento para Lana e Daniel, pois os dois eram filhos adotivos do mais novo Chanceler da facção militar A Força, criada por uma grande parte da população que estava insatisfeita com os rumos que o reino estava levando e com a injustiça que sofriam pelo reino do Norte, pois como não tinham terras férteis e nem tecnologia de ponta, eram obrigados a comprar esses produtos do Norte. –Temos hoje reunião da A Força. Espero que não se atrasem.

–Ok! –Os dois falam em uníssono e saem do local.

A família entra em um carro velho e empoeirado e partem para um prédio perto das redondezas com um circulo no alto e no meio dele a imagem de um leão. As casas ao lado eram todas subterrâneas e bem asseguradas por militares que moravam nas redondezas, já a maioria das outras eram velhas, mal acabadas.

O Chanceler Bruce fez uma saudação para o soldado que estava na porta e sua entrada e de seus filhos foi permitida. Lana, Daniel, Trevor e Bruce pegaram um elevador rústico e aberto, apenas rodeado por grades cinzas. Eles entraram em um corredor branco e logo entraram em uma sala cheia.

–Boa tarde Chanceler Bruce. –Um homem de cabelos louros se levantou para cumprimenta-lo.

–Boa tarde Rank. –Bruce se sentou no meio de uma grande mesa redonda que estava coberta por vários papeis e estratégias de batalha. –Muito bem. Vamos começar a nossa reunião sobre o nosso plano de batalha. A guerra está mais próxima do que podemos imaginar senhores. –Ele da um sorriso esperançoso. –Lana, filha. Explique para estes senhores o que andamos planejando em casa. –Bruce se vira para Lana e ela sai da cadeira e vai em direção a uma tela preta pregada em uma parede desgastada e verde escura.

–O Chanceler Bruce e eu, temos planejado bastante qual a melhor forma de negociar com os governantes do Norte acordos econômicos para que o nosso reino tenha partes das terras férteis que nos foram tomadas no período de guerra e para que as dívidas sejam perdoadas ou pelo menos que o preço inicialmente cobrado seja reduzido á quarta parte. O valor inicial cobrado para as terras e paras as dívidas foi muito alto. Essa tentativa falhou. –Lana liga a tela preta com um controle e passa gráficos sobre a situação do país. –Infelizmente vamos de mal a pior. Nossa produção agrícola caiu de 25% para 8% e os animais já não estão mais se adaptando tão bem a radiação, sem falar nos nossos poucos recursos para a tecnologia. O primeiro ministro perdeu a fé no seu próprio reino e o imperador não passa de uma marionete das forças do Norte para conter os rebeldes do sul, ou simplesmente nós.

–Então devemos declarar guerra desde já! Demoramos muito tempo a espera de acordos inúteis de paz! –Trevor se adianta e Bruce olha para ele com uma cara feia.

–Não é bem assim. –Lana fala pacientemente. –Sei que muitos de vocês contam com o meu poder para poder derrotar as tropas do Norte, mas isso só não vai adiantar. –Ela da um longo suspiro. –Por isso estamos contando com algumas pessoas do Norte que também apoiam nossas decisões e acham injusto o governo deles. –A agitação na sala tomou conta e muitos estavam revoltados com a proposta ousada oferecida pela filha do Chanceler.

–Silêncio! –Bruce alteia a voz. –Vamos terminar de ouvi-la.

–A nossa proposta nunca foi uma revanche contra o Norte e sim tentar conseguir nossas terras tomadas por eles e até mesmo uma convivência boa entre os dois reinos. Não queremos mais guerras e famílias devastadas.

–Mas eles mataram milhares de nós e nos exilaram nessas terras sem vida! Agora que temos você como chance, merecemos uma revanche! –Trevor exclamava, tentando convencer o resto da assembleia.

–Não Trevor! Você causaria mais transtornos e mais inocentes feridos. Os aliados do Norte estão dispostos a nos ajudar. Assim teríamos um exercito maior e conseguiríamos pressionar o reino do Norte.

–Eu estou em favor desse plano. Quem concorda levante sua mão como forma de voto. –Bruce se manifesta. Doze pessoas levantaram suas mãos e oito estavam abaixadas. –Muito bem. Parece que a proposta sugerida pela Lana foi a melhor, e é exatamente essa que vamos seguir. Conto com vocês para prosseguirem o plano. –O Chanceler levanta de sua cadeira e faz uma saudação que todos repetem. Bruce espera todos saírem da sala e chama Lana. –Fez um bom trabalho hoje filha. Estou orgulhoso.

–Só que quero ajudar o nosso reino da melhor maneira que eu conseguir. –Ela o abraça, enquanto Trevor os observava, remoendo-se de raiva.

–Não fica assim irmão. Vamos conseguir pelo jeito da Lana. Apesar de concordar um pouco com o que você falou. –Daniel o consola. Trevor queria uma revanche do Sul e castigar a nação do Norte por tudo o que fizeram, para ele, todos tinham que morrer e o Sul era o único reino apto para sobreviver. Daniel tinha raiva do povo do Norte por causa da noite em que perdeu o seu irmão, ele não os suportavam e estava de acordo com os planos de Trevor, porém tinha seus receios e medos ao usarem de violência.

...

–ME SOLTEM! –Austin exclamava enquanto era arrastado por guardas da prisão em que ele se encontrava. Eles o levaram até um quarto branco e lhe aplicaram inúmeros tranquilizantes até sua visão se apagar por completo. Quando seus olhos se abriram novamente ele estava completamente anestesiado e zonzo, sua visão meio turva ainda conseguia identificar que se encontrava no quarto branco. Uma garota de cabelos escuros, pele morena, estava do seu lado e parecia se encontrar na mesma situação.

–Ai, minha cabeça. –Ela tocava em sua nuca, por onde havia uma pequena circuncisão.

–Você sabe por que estamos aqui? –Austin pergunta para ela.

–Você também é do Norte?

–Não. Estou preso aqui porque sou do Sul. –Austin também sente sua cabeça latejar e toca em sua nuca onde também havia uma circuncisão. –O que é isso?

–Também não sei. Eu estava conversando com alguns militares do Norte tentando convencer de que minha manifestação foi pacífica e fui levada para esse quarto. –Ela analisa o quarto e depois se volta para ele. –O meu nome é Nayara, qual é o seu?

–Austin, Austin Blake. –Austin tem uma lembrança de quando se apresentou para Lana e o quanto insegura ela se encontrava. –Você por acaso é do Sul também?

–Não. Sou do Norte. Mas, sou uma das rebeldes do Norte. Apoio a causa do Sul. Acho que foi por isso que fui presa. –Nayara fala descontente. Uma porta se abre, o advogado de Austin surge junto com um homem barrigudo, de cabelos brancos e jaleco.

–Como os senhores estão se sentindo? –O homem de jaleco pergunta.

–Estou em dúvida em péssimo e horrível. –Nayara ironiza.

–Certamente. Mas a cirurgia foi um sucesso. –O homem de jaleco solta um olhar maldoso para o advogado, que corresponde.

–Cirurgia? –Austin fica confuso.

–Sim, senhor Austin. –O advogado toma a frente. –Foi implantado no senhor e na senhorita Nayara dois dispositivos. Os dois servem para que tenhamos controle sobre vocês.

–Que tipo de controle? –Nayara se assusta com as expressões faciais perversas que o advogado e o velho de jaleco estavam fazendo.

–Vocês dois tem aproximadamente 150 dias para poder concluir as execuções do Chanceler Bruce e da Lana. Se por acaso um de você falharam até esse prazo é ativado uma bomba que explodirão suas cabeças.

–O que? –Os dois falam ao mesmo tempo e apavorados.

–Mais uma coisa. O aparelho sabe que você matou aquela pessoa quando sinais neurotransmissores é transmitido para o dispositivo que desativará automaticamente. Isso é pura nanotecnologia. –Austin estava suando frio e sua respiração começou a ficar acelerada. Ele não queria fazer aquilo, mas era sua única forma de sobreviver, ele estava decidido, tinha que matar Lana de qualquer jeito.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Tentarei postar com mais frequência :)