Power of War
3 Confronto.
Notas iniciais
Nayara e Austin estavam voando em um helicóptero pelos céus do Reino do Norte. Era tudo tão bonito; os campos verdes e produtivos, os prédios e construções e até mesmo os animais pareciam melhores que os do sul. Veículos modernos e pessoas mais saudáveis. Austin estava fascinado e ao mesmo tempo triste, ele tinha a missão de executar Lana, aquela que trazia esperança para seu povo e maior resistência ao exercito do Sul. Seu estômago estava embrulhado, aquela sensação de alerta o tomava, alguma coisa lhe deixava inquieto.
–Você se lembra das instruções? –Nayara pergunta para Austin.
–Sim. –Austin pegou um mapa do Reino do Sul que haviam dado para ele. –Parece que eles também tinham espiões lá. Mapearam quase todo o nosso reino.
–O nosso país tem satélites. Foi trabalhoso por causa da radiação.
–Você está do lado de quem afinal? –Austin a indaga chateado.
–Eu estou do lado de todos. Não quero que meu reino entre em guerra e muito menos que o Sul seja massacrado como estão fazendo. –Nayara o encara com frieza.
–Pois para mim você parece uma espiã do Norte.
–Então você também é um, já que está aqui para executar Lana Estelle. –Ele não fala mais nada e se preocupa com os papeis que tinha recebido. Eles tinham que entrar em um local especifico descoberto pela guarda do Norte como o ponto revolucionário de rebeldes do Sul que estavam no Norte. Depois de entrarem no local os soldados iam atacar essa área e provavelmente a facção A Força iam mandar helicópteros para resgatar os refugiados, e Nayara e Austin iam se infiltrar no Reino do Sul e matar seus alvos. O helicóptero finalmente pousa em um ponto um pouco distante do local onde estavam os rebeldes para que não houvesse suspeitas. Os dois saltam e vão caminhando até uma fábrica abandonada de refrigerantes. Austin reconhece lugar, era o mesmo lugar onde ele se escondeu com Daniel e Lana há nove anos, ainda com as marcas de sangue daquela noite horrível. Nayara o empurra para a porta o tirando da hipnose paranoica que aquele lugar lhe deixava.
–E agora? O que fazemos? –Ela pergunta aflita.
–Eles disseram que era para nos virarmos. –Austin coça a sua cabeça e depois fala. –Bem. Você não fazia parte de um grupo revolucionário do Norte? Uma pirralha como você deve saber um pouco sobre o que acontece nessas reuniões.
–As reuniões do Norte não são a mesma coisa que as do Sul. –Nayara cruza os braços. Ela deveria ter a mesma idade que a do irmão de Austin, Daniel, o que o fez rir um pouco imaginando como seriam suas discussões entre o irmão.
–Ok. Vamos entrar na cara dura. –Ele bateu na porta três vezes e ficou esperando alguém abrir. Um velhinho de barba comprida, face rugada e cabeça calva abriu a porta os olhando de canto.
–O que desejam?
–Desculpe, não era aqui que estaria acontecendo reuniões do Sul? –O velhinho franze o cenho.
–Não. O local mudou para a Ponta Desalmada. –Austin balançou a cabeça afirmando, mas depois ficou confuso e sem reação.
–Poderia nos dizer onde fica? –Nayara sorriu gentilmente.
–Claro. Se você me der algo em troca. –O velho sorriu malicioso. Nayara fez uma expressão revoltada e quando ia abrir sua boca para falar Austin a cortou.
–O senhor poderia ser mais respeitoso. Não é mesmo? –Austin o levantou pela camisa desgastada que aquele senhor vestia.
–Você acha mesmo que vou lhe entregar o local assim? De mão beijada? Acha que sou tolo e não sei que vocês são do Norte? –O velho solta uma bomba para o céu que emitia uma fumaça vermelha e logo depois colocou uma arma em sua cabeça sorrindo de canto macabramente e disparou o gatilho, se suicidando. Nayara deu um grito esganiçado e Austin estava com suas mãos e roupas manchadas de sangue do velho, morto em seus pés. Logo em seguida, ao horizonte eles avistaram centenas de rebeldes segurando armas e vindo em sua direção e gritando um grito de guerra famoso pelo reino do Sul “A confiança é uma corda, na guerra é um fio”. Austin e Nayara correram em disparada para dentro da fábrica de refrigerantes, arrombaram uma das portas, arrumando um lugar para se esconderem.
As tropas do Norte estranharam o tiro e foram verificar o local. Um deles avistaram os rebeldes do Sul, que haviam preparado uma emboscada, pois já tinham desconfiado que os Nortistas tivessem descoberto seu esconderijo. A luta foi inevitável e os dois polos opostos entraram em conflito. O primeiro disparo foi dado e o combate foi travado naquele lugar.
...
–Lana! Lana! –Daniel gritava descendo as escadas do centro de treinamento. –Tenho notícias dos rebeldes do Sul! Eles conseguiram pegar um dos transmissores do Norte e estão pedindo reforços na área da Sangria!
–Sangria... –Ela rapidamente se lembra daquela noite e de Austin. –Vamos! Pegue suas armas e chame papai! Hoje partiremos para o Norte! –Trevor e Daniel comemoraram. –Mas não para um confronto! –Os dois se desanimaram.
–Então porque tenho que levar as minhas armas? –Daniel indaga sem esperança de lutar.
–Para defesa. A nossa missão é resgatar os refugiados do Sul! Não temos soldados suficientes e vamos perder o foco. –Eles saem em disparada para o prédio da A Força para partirem em um Foguete avião em direção ao Norte.
...
–Há quanto tempo eles estão lutando? –Nayara pergunta com os olhos grudados nas frestas das janelas para ver a movimentação.
–Não sei. Mas já tem um bom tempo. Talvez horas. –Austin tira sua jaqueta cheia de sangue e joga em cima de uma caixa empoeirada com garrafas velhas de refrigerantes. La afora, somente podia se ouvir tiros e gritos de clemência de ambos os lados. –Por enquanto vamos ficar escondidos aqui. Provavelmente o Sul mandará reforços para tirarem os refugiados.
–Como você sabe disso? –Ela falava sem tirar os olhos da confusão.
–No dia em que eu perdi meu irmão e uma garota... –Ele se recorda daquele triste acontecimento em um tom de melancolia. –...Tinham helicópteros do Sul resgatando todas aquelas pessoas. Provavelmente são da facção A Força. Eles são os verdadeiros defensores do nosso reino. Meu pai já foi parte deles.
–E o que aconteceu? –Nayara finalmente desgruda os olhos da janela e presta atenção em Austin.
–Não sei. –Ele fala triste. A porta do local da um enorme estouro com uma explosão repentina do outro lado, e a parte em diversos fragmentos. Pedaços dela agarraram nas pernas de Austin e nos rosto de Nayara, que ficam em choque.
–O que vocês estão fazendo aqui? –Um soldado do Norte os repreendia. –Vocês ainda estão em missão! Tem que se infiltrarem entre os revolucionários para ganharem confiança! Agora saiam daqui! –Os dois correram afora. Austin parou no meio do caminho e pegou a arma do velho que estava caída entre os destroços. Ele voltou até o local da explosão, onde o soldado do Norte estava atirando pela janela nos rebeldes do Sul. O soldado se virou ao perceber a presença de Austin.
–O que você ainda está fazendo aqui? Saia! –Ele gritava impaciente. Austin ajeita o gatilho e dá um tiro no peito do soldado, que caiu no chão imediatamente.
–Só estou tentando ganhar confiança. –Ele guarda sua arma e sai correndo em direção a o pandemônio que estava ocorrendo. Nayara começa a correr em ziguezague sem saber o que fazer naquele tiroteio e se esconde atrás de uma casa abandonada que tinha na redondeza. Austin é perseguido por dois guardas do Norte até dar de cara com uma grade, ele desvia de uma bala e chuta na cabeça do soldado e com a outra mão ele atira no outro. Outros guardas veem a cena e vai atrás dele, mas são surpreendidos por um enorme foguete avião que pousa na floresta ao lado. Os reforços do Sul tinham chegado em poucas horas. Com a atenção desviada dos soldados, Austin aproveita o momento para fugir em direção ao avião que havia pousado.
–Aqui é Daniel para torre de comando. –Daniel falava através de um aparelho instalado em seu capacete. Apesar de jovem ele já era autorizado a comandar as forças armadas de sua facção, já que graças á guerra o número de soldados tinha que aumentar e a maior idade foi reduzida para treze anos. –Lana, como está sua posição ai no Sul?
–A nossa radiação não deixa visualizarmos melhor o local. Estamos fazendo o possível. –Lana respondia da torre de controle do Reino do Sul. Ela não foi autorizada a ir, pois tinham o risco de guardas do Norte tentarem captura-la.
–Certo. Acabamos de pousar o avião. Estamos ao seu comando.
–Desarmem os soldados do Norte e tragam o máximo de pessoas que conseguirem para o avião, antes que eles peçam reforços.
–Ok. –Daniel solta para fora do avião, junto com outros soldados e apontam suas armas para os soldados do Norte, que ao perceberem que estavam cercados, param de atirar e jogam suas armas no chão. –Fiquem todos parados! Pessoal do Sul entrem agora no avião! –Os rebeldes correram em direção ao avião. Um tentava passar encima do outro em desespero de se salvar primeiro.
–Com calma! –Trevor exclamava, enquanto tentava se segurar para não apertar o gatilho. Austin correu rapidamente para o avião, e dentro dele percebeu que Nayara não estava ali.
–Só tem essa quantidade de pessoas? –Daniel sussurra para um soldado.
–Sim senhor. A maioria foi morta pelos soldados do Norte. –O soldado responde e Trevor ouve. Ele se enfurece e dispara contra um soldado do Norte. Os outros soldados não ficam parados e pegam suas armas de volta do chão e também atiram contra eles.
–Droga Trevor! –Daniel se enfurece com seu irmão de criação.
–Você ouviu o que ele disse! A maioria está morta!
–A Lana pediu para não atirarmos se não fosse por defesa! –Daniel reclama. -Vocês fiquem aqui. –Daniel apontava para os soldados próximos a ele do lado direito. –Não permitam que eles cheguem ao avião! Já o resto ataque os Nortistas!
–E eu? –Trevor o empurra.
–Você fica tomando conta do avião. Já me deu muito trabalho por hoje! Nosso pai me deixou no comando. –Daniel tira a mão dele de seu ombro e prossegue com o plano.
Nayara corria no meio da multidão até chegar ao avião que estava muito longe de seu alcance. Um soldado do Norte atira em sua perna para impedi-la. Ela cai no chão e se contorce de dor. Daniel vê que os reforços do Norte estavam se aproximando, e estavam em grande quantidade.
–Todos entrem no avião! Essa batalha acaba aqui! –Ele espera todos entrarem e dá suporte aos outros soldados, para que ninguém fosse deixado para trás, até avistar Nayara, se arrastando para chegar ao avião. Ele para por um momento, se lembrando do que aconteceu com seu irmão e calcula o tempo que lhe restava, fincando seu pé no chão. –Merda! –Ele guarda sua arma e parte em disparada na direção dela.
–O que você está fazendo? –Trevor grita dentro do avião que já estava prestes a partir.
–Salvando mais uma vida!
Daniel corre entre os soldados do Norte que não paravam de atirar, ele desvia de algumas balas, atira em alguns soldados e pega um escudo de metal que estava caído no chão para se defender. Um dos soldados do Norte se coloca em sua frente, Daniel ajeita o gatilho e tenta disparar, mas infelizmente sua munição havia acabado. O soldado mira em sua cabeça enquanto ele suava frio, porém, uma bala acerta o soldado do Norte no peito. Ele olha para trás e vê Trevor, que estava lhe dando cobertura e retribui sua gratidão com um sorriso.
Nayara estava quase desacordada quando Daniel passou a mão em seu rosto tentando reanima-la. A respiração dela parou por um momento enquanto encarava aqueles olhos castanhos que a olhava intensamente, Nayara por um momento se deslumbrou com a imagem de Daniel até ele começar a dar leves tapas em seu rosto para que acordasse. Perdendo as esperanças que ela retomasse a consciência, segurou-a firme e a colocou em seus ombros. Ela não parava de agradecê-lo por ter voltado para resgata-la, pensando que ele seria um anjo ou algo do tipo.
Daniel começou a correr com todas as suas forças em direção do avião que já estava partindo e do exercito de soldados do Norte que estavam atrás deles. Parou por um momento ao ver que já estavam longe, mas aquela corda no chão lhe deu uma maravilhosa ideia. Ele prendeu a corda em uma haste e a lançou contra o avião, que começou a empurra-los para fora do chão. Daniel tentava se segurar na corda escorregadia enquanto carregava Nayara em seus ombros. Ela escorregava pelo seu corpo, mas ele a deteve que caísse. Trevor começou a puxar a corda e os outros também ajudara-nos a subir. Finalmente chegaram ao avião, resgatados por Trevor e pelas pessoas que ajudaram. Eles foram recebidos com palmas pelos soldados e pelos rebeldes do Sul.
–Você é mesmo um louco. –Trevor tirava o suor da sua testa enquanto se recostava em uma das paredes do avião foguete.
–São loucos como eu e meu irmão que salvam vidas. –Daniel deu um sorriso aliviado ao perceber que Nayara estava bem.
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