Power of War
5 Anúncio de suspeitas.
A cela onde Austin e Nayara se encontravam parecia mais um quarto do que uma prisão. Tinha uma forma quadriculada, as paredes eram meio desgastadas e de tons pastel, destacando principalmente o marrom e o cinza. Havia também um beliche feito de ferro e pouco confortável. O banheiro possuía uma porta e um espaço do tamanho do vazo, apenas para esconder o corpo.
A lâmpada do local falhava rapidamente, e voltava a funcionar. Austin andava de um lado para o outro naquele pequeno cubículo. A sensação de estar preso novamente o deixa claustrofóbico. Nayara acorda, com toda aquela sua inquietação.
–Por favor, vá dormir! –Ela fala da cama de cima.
–Não consigo. Já parou para pensar que estamos á dois dias aqui e não resolvemos nada. Só temos mais 147. –Ele fala angustiado.
–Já pensei nisso... –Ela reflete deprimida. –Mas não podemos nos desesperar.
–Eu tenho um plano. –Ele se senta no chão e ela o observa de baixo. –Precisamos mata-los sem deixar vestígios ou provas que fomos nós.
–Essa ideia é quase impossível. Uma hora ou outra vão descobrir.
–A não ser que coloquemos a culpa em outra pessoa. –Austin falava otimista. –E eu já até sei quem. Aquele cara arrogante que ficou me batendo o tempo todo.
–Você está ouvindo o que está falando? Pretende acusar um dos seus? –Nayara fica chocada.
–É a minha vida! Eu quero vive-la! Eles sabiam disso muito bem quando.. –Austin aponta para sua cabeça, pois não poderiam falar muito sobre o assunto. –Eles queriam que lutássemos pela nossa vida.
–Mas e a guerra? Como fica o povo? Você já pensou que se matar “eles”, irá causar um enorme prejuízo?
–Você está pensando em desistir? –Austin se levanta.
–Se for por um bem maior, eu estou. –Ela retira seu coberto e se senta na cama. –No começo eu pensei em matar. Mas depois eu refleti, e cheguei á conclusão que estava sendo egoísta demais. Não posso pensar somente em mim, tenho que visar ás outras milhares de pessoas.
–Eu não sei você, mas eu quero viver. Eu já vi muito naquela cadeia, já vi muito pouco fora dela e já perdi a esperança. Agora é cada um por si. –Austin desliga a luz e deita em sua cama ainda com a cabeça quente.
...
Austin, ainda de olhos fechados, é acordado por vozes ecoando pelo quarto, e por uma forte luz que o fez desistir em permanecer de olhos tapados. Ele encontra duas figuras conhecidas: Nayara, que estava com roupas verdes amendoadas, com um brasão de um leão rugindo, no peito e botas pretas; a outras pessoa era Lana, que estava com roupas padrão de cargos militares da força, um marrom bege com traços acinzentados e com o brasão de um leão rugindo, no peito. As duas pareciam estar seriamente conversando, e Austin resolve se meter.
–Bom dia. –Ele mais com um tom de irritação, para demonstrar que teve seu sono interrompido.
–Oh! Você acordou? –Lana fingia estar preocupada, mas na verdade sabia que tinha o acordado.
–Não. Estou dormindo de olhos abertos.
–Se este é o caso, não vai querer ser liberado de sua prisão domiciliar agora, não é mesmo?! –Ela o provoca com um sorriso tentador em seus lábios. Ele se levanta da cama sobressaltado dela trancar a porta. –Parece que alguém acordou, ou temos um sonambulo como prisioneiro. –Lana caçoa dele.
–Ok. Você venceu. Chega de brincadeiras. Já posso ser liberado?
–Como você não irá mais voltar para o Norte e de certa forma é um fugitivo, precisamos te registrar como um cidadão do Sul. Preencha essas papeladas e depois passe na mesma sala na qual você foi interrogado. Natasha irá lhe conduzir. –Lana aponta para Nayara que forçava um sorriso amigável.
–Claro. –Austin pega as papeladas das mãos de Lana. Ele sente seus dedos macios tocarem sua concavidade da mão e por um momento o faz se arrepiar. Os dois se olham e depois desviam os olhares. Estava sendo tudo tão estranho para ambos, que disfarçaram o episodio.
–Então, com licença. –Lana fala meio embaraçada e se retira do local. Nayara espera ela dar meia volta no corredor para poder entrar no cômodo. Ela abre a porta drasticamente.
–Agora você pode me explicar como conseguiu esse fardamento? –Austin olha indefinidamente para ela.
–Digamos que eu tenho uma prima chamada Natasha que também é uma revolucionaria do Norte. Então eu dei o meu nome completo e consegui alguns contatos para o Chanceler de organizações secretas do Norte que querem acabar com essa divisão desigual. Isso me fez ganhar a confiança deles. Simples, prático e cauteloso.
–Sua situação é mais vantajosa que a minha. Preciso me adiantar. –Austin põe a mão em sua cabeça, sentindo todo o seu cocuruto até a nuca e finalmente sentir sua circuncisão. A sensação de ânsia e medo lhe tomava ao simples toque daquele pequeno furo.
–Sabe, eu conheci melhor a Lana. Ela parece ser uma pessoa realmente boa e extraordinária. É realmente doloroso você ter que... –Nayara faz uma pausa, ressentida.
–Não me faça pensar nisso. Quero ter o mínimo de afeição por ela. –Ele vira seu rosto e se volta para a papelada.
–Ok. Irei ficar na porta enquanto você resolve suas coisas. –Nayara fecha a porta com cautela e ao se virar para o corredor da de cara com Daniel. Ele a encara com seus olhos insondáveis e depois os devia. Nayara sentia-se estranhamente tinha um encantamento por ele, não sabia se era pelo seu andar meio curvo e ao mesmo tempo firme, ou se era apenas fascínio por ele ter a salvo naquela pequena guerra. Ela se curva o cumprimentando e ele finge não perceber. –Ei! –Ela reclama.
–Algum problema? –Daniel se finge de desentendido. Ele não queria demonstrar o quanto estava decepcionado pelo fato dela ser do reino do Norte. Nayara teve impulso para protestar contra seu cumprimento mal recebido, mas não teve atitude para falar nada. Ele se aproxima dela com um certo tom intimidador, na intensão de afirmar que ele era autoridade no local. Ela fica corada instantaneamente e tenta armar uma desculpa esfarrapada.
–Na verdade, só queria dizer, que, qualquer problema, estou á disposição, já que me tornei parte das tropas de “A Força”.
–Caso eu precise de você lhe chamarei. –Ele não queria falar de maneira tão rude, mas as palavras saíram. –Com licença. –Daniel prossegue seu percurso pelo corredor. Nayara solta um longo suspiro e se encosta na porta com um olhar desolado. A maçaneta é girada por Austin e ela se desequilibra e cai.
–O que você está fazendo? –Ele olha para ela de um jeito retorcido, procurando uma explicação para aquela queda.
–Não foi nada. –Ela fala chateada, mas não com Austin, e sim com o que tinha acontecido.
Nayara leva Austin até a sala onde Lana se encontrava. Os dois passaram por uma janela e viram que o “Aerocket “ tinha pousado em uma pista construída no meio de um pátio. Eles olharam mais profundo e viram a vista das terras do Sul, completamente secas e poeirentas, e com um clima absurdamente quente nas manhãs e drasticamente frio a noite, como se estivessem no deserto do Saara. A única vegetação era encontrada nas casas das pessoas, nos subsolos, ou em terrenos especiais, construído pelos biólogos, com a ajuda do governo desgastado, de poucos recursos.
–Estamos mandando mais Aerockets em segredo para as terras do Norte. –Lana aparece por trás dos dois.
–Eu ainda não tinha notado que estávamos no Sul. –Austin fala, ainda olhando para a paisagem.
–Apesar de uma imagem pouco bonita, é esperançosa. Temos evoluído bastante. –Lana fala orgulhosa.
–Falo isso porque certo alguém me deixou preso durante uns dias. –Ele brinca. Lana o olha feio e Nayara abafa seu sorriso. Os três prosseguem para a sala a esquerda da janela. Lana se senta em uma cadeira acolchoada de cor vermelho vinho e coloca suas duas mãos sobre a mesa, as entrelaçando-as e em seguida faz um sinal com a cabeça para que os dois se sentassem nas cadeiras a frente dela e atrás da mesa. Austin lhe estende os papeis e ela os toma rápido, sem dar oportunidade de experimentar aquela sensação novamente de tocar em suas mãos. Analisa-os com cautela e depois ergue seus olhos para os dois.
–Está tudo certo. Você agora é um cidadão temporário do Sul. Terá que preencher alguns procedimentos no cartório, mas acho que com isso você garante alguns direitos aqui. –Ela da para ele um pequeno cartão, do tamanho do seu polegar.
–Para que serve? –Ele olha o cartão com estranhamento. Lana e Nayara olham para ele com caras chocadas. –O que? –Ele fica intrigado.
–Você não sabe o que é isso? –Lana se apressa.
–Isso é um modelo muito velho de um cartão pessoal de TCI. –Nayara o olha incrédula.
–O que é TCI?
–Trabalho, Compra e Identidade. São meio que necessidades básicas. Foram criados para agilizarem a vida. Mas parece que você está meio atrasado. –Lana toma o cartão dele. –Você é mesmo do Norte?
–Eu vivi muito tempo como fugitivo. Não estou acostumado com modernidades. –Austin da uma desculpa enrolada.
–Sei. –Lana entrega o cartão novamente para ele, mas com um enorme receio. –Então você está liberado.
–Queria saber como consigo fazer parte dos militares do Sul. Queria ajudar na causa. Posso ser útil. –Austin ressaltava o quanto queria se aproximar. Mas suas intenções não eram exatamente as melhores. Ele queria se aproximar de Lana, para descobrir algum jeito de mata-la, sem se tornar suspeito.
–Você queria entrar para “A Força”? –Lana franze seu cenho.
–Isso mesmo.
–Não acho que vai ser possível. –Lana ajeita a papelada e a coloca perpendicular a mesa.
–Por quê? –Austin e Nayara exclamam em uníssono.
–Não acho que você seja de confiança. –Lana se levanta da poltrona e vai em direção a porta, a abrindo e fazendo uma pequena reverencia. –Agora se vocês me dão licença, tenho que resolver assuntos particulares. Poderiam sair da sala? –Austin e Nayara saem cabisbaixos e Lana tranca a porta. Ela se vira para um computador de vidro e abre uma aba onde um vídeo aparece. No vídeo aparecia Nayara e Austin, os dois estavam conversando sobre algo...
Ela não conseguia entender.
–Droga! –Ela bateu na mesa, fazendo uma enorme rachadura ao meio. A língua que eles estavam falando era diferente. Nayara sabia falar as duas línguas, graças ás aulas que tomara para se comunicar com revolucionários do Sul. Já Austin, apesar dos anos, nunca se esquecera da sua língua nativa. Eles planejaram que talvez estivessem sendo filmados e resolveram falar apenas a língua Nortica, contando com a sorte de que Lana não soubesse. –Logan! –Lana pega seu Oktok, que mais parecia um telefone velho e manda o soldado vim até a sua sala. Alguns minutos depois, Logan bate em sua porta e entra meio tímido. –Você faz contatos com os revolucionários do Norte, não é mesmo?
–Sim senhorita.
–Sabe a língua deles?
–Um pouco senhorita. Apenas o básico da comunicação. –Logan se faz de humilde.
–Ótimo. Venha até aqui. –Logan se aproxima temerosamente até a tela do computador. –Quero que traduza o que eles estão falando.
–Isso levará um tempo. Já que tem muitas horas no vídeo senhorita Lana.
–Tudo bem. Eu irei esperar. Mas quando estiver pronto, ou melhor, se você achar algo suspeito, fale diretamente para mim.
–Sim senhorita.
–Muito bem. Conto com você Logan.
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