Power of War
6 Liberdade?
Notas iniciais
–Então? Vai nos dizer por que nos chamou? –Trevor cruza os braços, com uma cara emburrada. Ele e Daniel estavam sentados em cadeiras de frente para Lana, que por sua vez estava sentada na mesma poltrona cor de vinho. Ela desligou seu computador e olhou para os dois.
–Vocês trouxeram os dois nortistas para cá. Sabem como eles estavam naquele confronto? –Lana estrala os dedos, porém não para amedronta-los, mas sim porque estava impaciente.
–Eles estavam lutando contra o pessoal do Norte. Pensamos que fossem do Sul. –Daniel afirma. –É para isso que pedimos a identificação depois.
–Você está tendo algum problema com eles? –Trevor cerra o punho na sua outra mão. –Sabe que posso dar um jeito.
–Prefiro resolver do meu jeito.
–Claro. Eu ainda sou idiota de perguntar para a nossa futura Chanceler se ela quer ajuda. –Trevor fala irônico e com um tom de inveja.
–Descobri fatos interessantes sobre os nossos Nortistas. A garota nos deu muitos contatos com rebeldes do Norte, porém na cela ela conversava com o Albert na língua deles.
–Provavelmente suspeitaram que estivéssemos filmando. –Daniel afirma, passando a mão no queixo.
–Mas se eles são tão bonzinhos assim, porque esconderiam uma de suas conversas? Se eu coloquei-a em nosso exercito, devo saber com quem estou lidando.
–E qual é o ponto? –Trevor fala sem paciência.
–O ponto é: eu já avisei para o Logan, nosso tradutor, traduzir o vídeo da conversa entre eles. Caso ele encontre algo de suspeito, está ordenado a falar para mim e para o Chanceler imediatamente. –Trevor suspende uma sobrancelha e abaixa a outra, como se estivesse intrigado para o próximo aviso. –Chamei-os aqui para ficarem de olho nos dois. Mas acho melhor eu e o Daniel cuidarmos disso.
–O que?!–Trevor reclama.
–Depois da sua atitude aqui e de espancar o prisioneiro, acho melhor eu mesma vigiar um deles. –Lana lhe solta um olhar frio.
–Muito bem. –Daniel se levanta. –Eu ficarei de olho na garota.
–Sendo assim, eu ficarei com o rapaz.
–E eu ficarei com o vento?! –Trevor se levanta também. –Vocês estão brincando não é?!
–Não. –Os dois falam em uníssono.
–Já se esqueceram de que eu também faço parte da família? –Ele da meia volta na própria cadeira e aponta com o dedo indicador para o alto. –Alias! Eu sou o filho legítimo aqui. Deveria ter mais privilégios, mas só ganho farelos.
–Vá reclamar com o nosso pai. Que nem confia no seu próprio filho legitimo. –Lana da ênfase na ultima palavra. Trevor sai furioso da sala, batendo a porta com força.
–Ele vai aceitar depois. –Daniel conforta Lana ao perceber seu olhar de preocupação direcionado para a porta.
–Trevor é sempre instável. Acho que os Nortistas não são os únicos que temos que ficar de olho.
O prédio de “A Força” tinha vinte andares, a maioria deles dedicados a guerra e a discussão de assuntos políticos. Apenas um andar era dedicado á área da medicina e química, um andar subterrâneo, onde um elevador especial era usado. Trevor tinha permissão para entrar nesse andar, e uma sala própria para pesquisas, já que ele fazia parte da construção de armas biológicas sem a utilização de seres humanos. Ele destrava uma das portas com o seu cartão de acesso, que mais parecia um vidro fosco.
–Bom dia senhor Trevor. –Bianca o reverencia-o e ele a ignora. Ela também trabalhava nessa área, e estava cobrindo dois turnos só para se aproximar mais de Trevor, sua paixão platônica extremamente arrogante e prepotente.
–Como está o experimento que começamos? –Ele fala abotoando seu jaleco acinzentado.
–Os resultados foram variados. Dois dos nossos ratos testes morreram e um sobreviveu.
–Vamos tentar uma coisa nova. –Ele retira um frasco do congelamento.
–Senhor... mas isso é... –Bianca fala apreensiva.
–Isso é a solução para os nossos problemas. –Ele da um sorriso malicioso.
...
Austin vagueava pela Rua de Rodham Strawe, uma das ruas mais movimentadas do Sul. Ele estava procurando algum trabalho ou abrigo para morar, mas não conseguiu nada, as maiorias das vagas estavam ocupadas, e os abrigos lotados, os que não conseguiam se tornavam mendigos ou iam para a guarda ou a facção da “A Força”, tornando-se soldados. A noite já estava se aproximando, e o céu do Sul ficava incrivelmente lindo ao pôr do sol, com um laranja vivo e ao fundo tons pastel de rosa claro misturados com o azul escuro que estava para se aproximar. Austin cansa de andar e se senta ao pé de um poste em uma calçada empoeirada, assim como era todas as calçadas do reino do Sul. Ele retira do seu bolço encardido um pedaço de papel com as instruções que Lana havia lhe dado para conseguir emprego, porém nenhuma delas tinha funcionado. Ele amassa o papel e o joga na rua, observando o vento leva-lo junto com a poeira para longe. Sua distração foi tanta ao observar a bola de papel sendo levada pelo ar que o fez dormir por alguns minutos, e quando despertou a luz do porte já estava acesa e a noite tinha chegado. Austin se levanta e bate na sua calça encardida, fazendo o pó dela sair um pouco. Rondham Strawe estava pouco iluminada, e a sensação de estar sendo observado fazia Austin sentir pequenos calafrios. Seus músculos começaram a se enrijecer e seus olhos ficaram atentos, mesmo com aquele breu. Seu punho já fechado estava sendo preparado para um possível ataque, quando ele vê ao longe uma figura feminina familiar: Lana. A garota estava andando pelas calçadas olhando de um lado para o outro, como se estivesse procurando alguma coisa. Austin para por um momento e prossegue lentamente em direção a ela. Seria sua oportunidade de mata-la? Ele pensava. Mas se arriscar em uma rua era perigoso demais, e Lana parecia tão indefesa que ele fraquejou um minuto, até um enorme estrondo tomar eco naquele caminho. Indefesa? Já não parecia mais. Ela estava prendendo um homem na parede apenas com a força de sua mente. Seus olhos verdes estavam tomados por faíscas que pegavam fogo em fúria. Austin parou por um momento e tentou recuar, mas fora arrastado ao ar por Lana e preso a parede junto ao homem.
–Agora alguém pode me explicar o que os dois rapazes fazem aqui? –Ela olhava claramente irritada para os dois. O homem ao lado de Austin estava com um capuz preto cobrindo sua face, mas Lana o tirou apenas com o piscar de seus olhos. Era Trevor, ele havia seguido Austin naquela noite sem o consentimento de Lana para poder mostrar que era capaz de cumprir uma simples tarefa.
–Iai maninha. –Ele da um sorriso amarelo.
–Você é mesmo irredutível. –Ela bufa. –Mas e você? O que estava fazendo? –Ela se volta para Austin.
–Um passeio á noite estrelada do reino do Sul? –Austin mente cinicamente e olha o céu sem nenhuma estrela para ajuda-lo.
–Um passeio hein?! –Lana solta os dois, que estavam fortemente presos á parede. –Aproveitando que estamos os três reunidos, vamos dar um passeio também.
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