Power Rangers: Esquadrão Z
39 Sete Vezes Confusão
Notas iniciais

Ainda que a Terra estivesse sob constante ameaça, entregar um dia de folga divertido aos Power Rangers não seria algo absurdo para Dickerson — nem dedicar isso a si mesmo, também compartilhando com Karen que não merecia menos que os heróis por estar boa parte do tenpo sentada frente a computadores. Para aquela tarde, o explorador trouxera seu barco relativamente caro para uma pescaria no lago do parque ecológico da Alameda dos Anjos.
Além da embarcação confortável e até chamativa, o mentor detinha uma boa variedade de varas e linhas de pesca. Zoe, Jessie e Karen aproveitavam o sol quase primaveril, ambas sentadas e inclinadas em cadeiras de praia com suas roupas habituais. Austin fizera um convite a elas:
— Aí, meninas, vocês não querem nem arriscar uma tentativa? — indagou o Ranger Vermelho ajustando a linha na sua vara com o auxílio de Dickerson.
— Por segurança, eu dispenso. — disse Zoe bem-humorada — Vocês, rapazes, aí nesse cabo de guerra com peixes enquanto nós aqui na sombra e água fresca. Que venha a próxima estação.
— Aqui está, Austin. Anzol e isca conferem. Boa sorte.
— Desde quando a pesca é um esporte? — perguntou o Ranger Vermelho antes de jogar a linha com anzol na água.
— Há muitos anos. Eu, por exemplo, sou adepto desde a época da faculdade, meu colega de quarto tinha um pai pescador e durante as férias íamos ao lago próprio da universidade fisgar uns belos troféus.
— E depois assavam numa grelha a noite, não era? — palpitou Tim, um pouco distante, em plena pescaria segurando firme sua vara.
— Não, Tim, era terminantemente proibido. — respondeu Dickerson virando-se para ele — A pesca esportiva tem como princípio básico o ato de devolver o animal ao seu habitat natural uma vez fisgado em respeito à fauna marinha.
— Ah, que pena, não como peixe desde... desde não sei quando, minha mãe tem reclamado toda vez que vai ao mercado.
— Se liga, Tim, o parque tem regras e uma delas até permite a pesca, mas contanto que a vida animal seja respeitada. — disse Zoe olhando para trás.
— É, pensa mais na emoção de atrair um peixe e menos na sua fome de tubarão. — disse Jessie lendo uma revista adolescente voltada a meninas.
Austin que sentira um puxão na sua linha
— Opa, acho que peguei um! — puxou a linha que girava no carretel — Haha, olhem só! — o peixe fisgado possuía um tamanho médio.
— Boa, Austin, já tá quase tão profissional quanto o Dickerson. — disse Karen.
— Podemos considerar isso uma sorte de principiante. — disse Dickerson com sorrisinho de canto para o líder — Mas é bom ver que aprendeu rápido, Austin. A pesca traz, além de ocupação mental, o ensinamento da paciência.
— Hum, pelo que vejo não funciona com todos os iniciantes nessa arte. — disse Zoe vendo Tim sofrendo para puxar sua linha ao ter sua primeira fisgada — Tim, se acalma, não precisa forçar tanto desse jeito.
— Lembra do que o Sr. Dickerson falou: faça com que a puxada não seja tão brusca. —recomendou Austin, meio tenso.
— Acho que ele tá precisando de uma mãozinha. — disse Jessie.
Dickerson se encaminhou até ele.
— Espera aí, Tim, vou te ajudar a...
— Não, ninguém vem, eu tô quase vencendo ele na puxada! — falou o Ranger Azul — Sorte que eu tô só com a bermuda que eu posso molhar a vontade... — impôs mais força para puxar, cerrando os dentes, mas seus pés deslizavam com o puxão do peixe — Caramba, será uma baleia?
— Eu tô torcendo pra você puxar e ser um Lebiste igual tenho no meu aquário. — falou a Ranger Rosa com riso no tom.
— Ah, não enche, Zoe... Tá na cara que é enorme tipo um... Oaaa! — disse Tim, logo sendo puxado fortemente, assim caindo na água.
— E ele fez "tchibum", hahahaha! — disse Zoe, jubilante com a queda do amigo.
— Foi quase um salto mortal, hahaha! — comparou Jessie, divertindo-se.
— Haha, gostou do mergulho? — perguntou Austin na beirada do barco olha do emergir da água.
— Ei, parem de zoeira. Se tivessem sentido a pressão que ele fazia, teriam ficado bem nervosos. Mas não vi ele, parece que sumiu.
— Isso aconteceu porque recusou minha ajuda. — salientou Dickerson — Acredito que seja um peixe-serra, há vários exemplares habitando no lago desde o repovoamento com a migração.
— Dessa eu não sabia. Caramba, o senhor sabe tudo sobre esportes que não parecem esportes e biologia marinha hein. — disse Tim.
— De tudo um pouco dessas áreas e outras relacionadas, sim. O único esporte envolvendo animais que desaprovo é a caça, legal ou ilegal. Inclusive, faço parte de uma irmandade de anti-caçadores. Acreditem ou não, começou como uma fraternidade universitária.
— Ainda tem contato com seus antigos colegas de faculdade? — perguntou Austin.
— Alguns sim, mas a maioria já saiu da minha lista de contatos há tempos. Mas ainda tenho o broche da irmandade e enquanto cada membro tiver o seu, o grupo vai continuar existindo.
— Se eu chegar a faculdade, vou fundar minha própria fraternidade. — imaginou Austin.
— Você já lidera uma melhor do que qualquer outra. — ressaltou Dickerson.
Tim sentira um intenso arrepio na barriga ao avistar a espinha dorsal de um tubarão emergindo e se aproximando diretamente à ele. Apontou com o dedo indicador direto trêmulo.
— Aaaaah, por que não não me avisaram que tinha tubarão nesse lago? — disse ele, nadando o mais depressa que podia de volta ao barco. A espinha do predador acelerou até ele — Tá chegando perto! — nadou mais rápido até alcançar a borda do barco e subir de forma que caísse no piso quase rolando. Levantou-se bruscamente, atemorizado — Agora quero saber: por que não avisaram?
— Por que aí não veríamos sua cara tremendo de medo. — disse Damian saindo da cabine com um um joystick. Apertou um botão. Um zumbido atrás de Tim o fizera se virar. O tubarão revelou-se como sendo nada mais que um drone subaquático que também possuía voo plano.
Os Rangers caíram na risada ao verem a reação do Ranger Azul.
— Ah, espertinhos, tinham que aprontar essa, vocês sabiam. — disse Tim sorrindo de canto.
— Mas foi uma pegadinha hilária, concorda? — disse Austin o tocando no ombro de lado.
— Hum, garanto que meu troco será ainda mais hilário, não perdem por esperar. Damian, fica avisado hein.
— Por mim, eu acho justo. — falou o Ranger Preto que usava uma regata zebrinha se aproximando.
Enquanto isso, Lokknon se compenetrava na leitura de um livro sobre crenças espiritualistas da Terra em vez de fixar os olhos na tela do visualizador multifocal observando os Rangers.
— Os Rangers tirando uma folguinha relaxante num passeio de barco e o mestre simplesmente não tá nem aí. — cochichou Aracna ao lado de Mudok — O que há de tão interessante nesse livro?
— Um tema que me apetece muito, se querem saber. — respondeu Lokknon que olhou para a dupla vendo Aracna disfarçar com um sorriso nervoso e um aceno tímido de mão — Surpresos? Pois fiquem cientes de que não há nada dito aqui nesta sala que eu não possa ouvir.
— Mas, mestre, é que nos soa atípico de sua parte ignorar os Rangers quando eles desfrutam de um lazer para recarregar as energias. — disse Mudok — Se pudéssemos interromper esse momento os deixando bem ocupados...
— Ora, não pensem que resolvi passar o dia inteiro sem cogitar uma premissa de plano contra os fedelhos coloridos do Dickerson.
— É importante que o senhor saiba que Dickerson também está participando do passeio! — disse Barooma.
Lokknon largara o livro, empertigando-se ao voltar os olhos para a tela.
— O quê? Ele finalmente resolveu sair da sua caverna tecnológica?! E esta ali com as garotas Rangers deve ser a amiguinha dele que se encarrega do suporte técnico.
— Ela é bem menos bonita do que eu imaginei. — disse Aracna julgando a aparência de Karen com seu habitual desdém — Será que eles estão num relacionamento fora do profissional? Olha, se for, que mal gosto dele.
— Não sabemos e nem eu quero saber! O que passa a valer agora é arruinar esse estado de espírito como se nada pudesse colocar tudo a perder! — assinalou o imperador — Barooma, prepare o bio-modelador!
— Já se encontra ativado em operação máxima, senhor! Mas que base temos para forjar uma criatura?
— Uma que reduza a moralidade inerente dos Rangers, substituindo por algo também inerente, mas de incontrolável manifestação pelos terráqueos.
— Ahn... Mestre, se isso for algo relacionado ao livro que estava lendo, deveria ser mais preciso. — disse Mudok.
— Este livro reúne tópicos acerca de crenças da Terra. No meu planeta-natal também tínhamos uma sociedade com culturas distintas e crenças variadas, mas nunca criamos guerras por diferenças doutrinárias, isso é uma estupidez. — disse Lokknon que abrira novamente o livro — Um longo e interessante capítulo especial narra a história do que teria sido a criação do mundo terráqueo. Nele são citados sete desvios de conduta espiritual chamados de pecados capitais.
— Hum, a cultura terráquea abrange muitas dessas visões espiritualistas. — disse Mudok — Já ouvi falar que os primeiros terráqueos supostamente teriam sido aliciados por uma serpente a comer o que chamam de fruto proibido do conhecimento.
— Exato, essa parte também consta aqui. A serpente representa uma alusão a esses desvios morais.
— E sendo sete... — disse Aracna — A conta fecha certinho com nossos alvos tão fáceis, hahahah.
— Mestre, cuidei de baixar todos os dados referentes a serpentes combinados a manuscritos sobre os sete pecados! — avisou Barooma.
— Pois trate agora de criar esse fabuloso monstro! Com os sete submetidos aos comportamentos inadequados, não haverá ninguém que possa detê-lo!
Barooma se dirigiu até a alavanca do bio-modelador e a baixou com força.
— Que venha com muita saúde!
A máquina manifestou seus costumeiros efeitos como as luzes piscando tais quais relâmpagos tempestuosos e a fumaça de vapor branco exalando numa baixa altura por quase toda a sala. A porta deslizou para o lado, o monstro com aspecto de serpente saindo altivo.
— Não posso ficar um minuto a mais esperando intoxicar quem quer que seja minha presa. — disse a criatura com garras que remetiam a presas de cobra — Mestre Lokknon, me dê sua licença para que eu finalmente inicie meu reinado de terror e veneno.
— Tem minha total benção, meu caro servil. Ali está seu destino para cumprir seu propósito.
— Hum, deseja que eu envenene a todos eles para sofrerem lentamente até o último suspiro?
— De preferência, que injete seu veneno naquelas frutas que eles guardaram para comer. — disse Mudok apontando para as maçãs guardadas numa caixa de plástico.
— Ótima ideia, Mudok, mas deve-se deixar somente sete para que cada um saboreie e personifique um pecado capital. — disse Lokknon, altamente ansioso.
— É exatamente esse o efeito do meu veneno. — disse o monstro de olho no visualizador assistindo as suas vítimas — Posso introduzi-las nessas maçãs e eles irão naturalmente assimila-las para agirem de acordo
— Aposto todas as fichas em você, de ser venenoso para ser venenoso. — falou Aracna aproximando-se dele — Que nome cai melhor pra você? Hum... Nagaviper? Isso, perfeito!
— Os Psycho-Bots irão distrair os Rangers, dando a abertura para Nagaviper intoxicar as maçãs. — adicionou Mudok.
— Comece por agora, Mudok. Eu não suporto ver mais dessa pescaria estúpida sem nenhum revés que seja! — disse Lokknon erguendo levemente o punho direito cerrado, expressando todo o seu fervor de malignidade.
***
O exército relativamente pequeno de Psycho-Bots surgiu em teleporte no parque bem nos pontos de maior trânsito de cidadãos que rapidamente reagiram aterrorizados com a presença dos robôs atirando a esmo com os detonadores. Os gritos apavorados foram ouvidos pelos Rangers. Jessie e Zoe avistaram a correria devido ao ataque indiscriminado.
— Vejam! O parque tá sendo atacado! — disse Zoe apontando com aflição na face.
— Eu meio que já esperava o Lokknon ferrar com a nossa diversão! — disse Jessie, enraivecida.
— E estava até demorando. — disse Dickerson se aproximando das meninas as que estavam na borda do barco no outro lado, observando o ataque — Rangers, vamos pra beira do lago, logo ali tem um atracadouro. — caminhou depressa à cabine para dirigir a embarcação ao modesto cais do parque.
No entanto, um dos robôs viera à beira do lago, disparando certeiro no casco do barco, o desestabilizando. A velocidade da embarcação reduziu-se drasticamente.
— Estamos parando!? — disse Austin com tensão na fala.
— Fomos atingidos bem abaixo onde se localiza o motor! — informou Damian se segurando na borda.
— Tá balançando! Será que essa canoa vira ou não vira? — falou Tim, sentindo o barco desequilibrar.
— Essa não, o motor foi avariado! — avisou Dickerson. O barco parou a alguns metros do atracadouro liberando fumaça do rombo no casco — Droga... — resmungou, socando se leve o volante. Saíra da cabine com chateação — Estamos ilhados, por enquanto, pelo menos Karen e eu.
— Certo, a gente vai nadando, sem problema. — definiu Austin — Rangers, vamos nessa! — todos assentiram e foram até perto da proa do barco, logo dando mergulhos e nadando rumo ao parque. Ao chegarem a terra firme, correram freneticamente para enfrentar os robôs que afugentaram as pessoas.
No barco, Karen e Dickerson eram surpreendidos por robôs emergindo da água e subindo ao barco, forçando-os ao confronto. Os Rangers se viravam com suas habilidades de luta, chutando e socando Psycho-Bots. Tim chutou parte da grama onde havia fezes de cachorro, os excrementos bem no rosto do robô que tivera seu único olho vermelho bloqueado.
— Toma cocô de cachorro, seu prego! — depois, socou-o três vezes no torso, girara com um salto e chutou-o na barriga o derrubando.
Damian era o que mais sofria dificuldades por um detalhe faltante. O Ranger Preto errara um chute contra um Psycho-Bot que aproveitou a deixa para agarra-lo pela perna direita por trás e vira-lo com giro, derrubando-o. Jessie foi salva-lo num chute por meio de um salto que acertou o robô na cabeça.
— Damian, qual é o problema? — indagou ela correndo até ele que levantava-se.
— Deixei meus óculos lá no barco, pensei que não podia vir nadando com eles. — revelou o gênio.
— Poxa... Mas você lembra onde os guardou?
Damian pensara um pouco, logo olhando para a amiga e fazendo que não com a cabeça numa expressão bastante preocupada.
Austin terminava com um robô desferindo socos típicos de karatê, logo o chutando contra latas de lixo que caíram com impacto. O líder avistou a luta no barco
— Pessoal, Sr. Dickerson e Karen estão bem mal-acompanhados lá no barco! — alardeou ele. Um Psycho-Bot veio por trás golpea-lo, mas o líder rapidamente virou-se e o socou três vezes no abdômen, logo agarrando o braço esquerdo do robô e o jogando ao chão.
— Acabamos com todos, não? — indagou Zoe vindo com Tim.
— Por aqui, sim. Até arranquei a cabeça de um. — falou Jessie — Damian deixou os óculos no barco.
— Não vai dizer que perdeu, né? — disse Zoe, apreensiva pelo amigo.
— Provalvemente sim. Desde o primeiro segundo que vimos o ataque ao parque, me antecipei de que o barco fosse ser atingido ao ponto de parar e ficarmos ilhados, nos obrigando a nadar.
— Daí você guardou num lugar que não lembra. — disse Austin — Tá legal, vamos voltar pra lá com o teletransporte, mas escondidos.
Enquanto Dickerson e Karen expulsavam os Psycho-Bots do barco, Nagaviper tirava proveito da distração ao surgir em teleporte perto da caixa de plástico com as maçãs. Abrira-a e lançou seu olhar enfeitiçador sobre as frutas como feixes de luzes verdes.
— Maçãs adulteradas, feito. Agora posso disseminar meu veneno até tomar conta desta cidade inteira e, no mais tardar, do mundo, hehe!
O monstro partira teleportando-se. A dupla dinâmica finalizava com os robôs. Os Rangers esconderam-se numa árvore, logo apertando os botões de teleporte e retornando ao barco. Damian foi depressa atrás dos óculos.
— Devo ter colocado na minha mochila... — se agachou abrindo a bolsa preta.
— Se eu achar vou dar três pulinhos pra São Longuinho. — disse Tim indo ajuda-lo.
— E então, correu tudo bem lá, certo? — perguntou Dickerson vindo até os heróis ao lado de Karen.
— Ninguém inocente saiu ferido além de nós. — disse Austin.
— Pois é, lutar sem morfar é um porre e eles vem batendo mais forte desde que nos livramos do Nekovolt. — opinou Jessie — Mas o coitado do Damian foi quem mais sofreu com isso.
— O que houve? Estão tentando achar alguma coisa? — questionou Karen.
— Perdi meus óculos. Não estão aqui. — disse o Ranger Preto levantando com Tim.
— Vai ver você deixou na cabine. — especulou Zoe.
— Agora tô lembrado, passei pela cabine antes de sermos atingidos.
— Como um cara tão cerebral feito você esquece justo disso? — perguntou Tim.
— Acredito que estávamos nos sentindo tão relaxados e folgados que essa situação afetou nossas maneiras de agir e pensar. Tivemos que acelerar nosso ritmo a força. — explanou Dickerson — Mas ao que parece já passou, Lokknon deve estar sem uma ideia mirabolante pra espalhar caos pela cidade.
— Pra voltarmos ao ritmo de antes, que tal um lanchinho? Eu trouxe umas maçãs tão fresquinhas, estão nessa caixa aqui. — disse Karen indo o outro lado. Voltou com a caixa aberta, podem pegar, tem de montão.
— Ah, valeu, Karen. — disse Austin pegando a sua.
— Uma maçãzinha cai bem pra saciar a fome. — disse Zoe também pegando uma.
— Ou pra tapear a fome no meu caso. — falou Tim retirando a sua. Dera logo uma mordida — Hum... Só acho que tá meio azeda. — disse ao mastigar.
Jessie, Damian e Dickerson pegaram as suas em simultâneo.
— Azeda é mais saborosa, na minha opinião. — falou Damian.
Todos mordiscaram suas maçãs, logo sendo vítimas do efeito de encanto nocivo as suas mentes. Os olhos dos sete piscaram brilhos esverdeados intensos e suas expressões se neutralizaram. Deixaram cair suas macãs no piso do barco ao sucumbirem ao transe.
— Até que gosto de maçã, mas nem ela acaba com minha fome de leão. — disse Austin tomado pela gula. Seu estômago roncara — Ouviram isso? Preciso de um banquete, não de um simples lanche saudável.
— Vocês garotos são patéticos, nunca estão satisfeitos com nada que tem. — disse Zoe numa postura altiva e confiante em demasia — Eu que sou uma garota moderna, não fico reclamando de barriga cheia. Acho que isso me torna uma pessoa evoluída e que não se queixa à toa, diferente de muitos por aí. — revirou os olhos.
— Ah, pois eu não me conformo com o que tenho! — disse Tim, sua ganância expressa— Nasci no subúrbio, fiquei na maior pobreza depois que meu pai foi pra cadeia por um crime que ele não cometeu, minha mãe teve que ralar pesado pra me sustentar! Eu mereço dar a ela muito mais do que ela não consegue sozinha!
— Nossa, Tim, isso foi bem emotivo. — disse Jessie que tinha uma certa inveja do amigo — Eu queria muito que minha mãe fosse tão batalhadora e esforçada quanto a sua, mas ela é tão dependente do meu pai. Mas eu tô encantada mesmo é por esse barco. Se meus pais me dessem um igual a esse... Ah, eu iria passear pra caramba com ele.
— Por que eu não acho a droga dos meus óculos? — indagou Damian vindo da cabine com um cariz de ira — Sr. Dickerson vai ou vai consertar a porcaria desse barco hein?
O mentor se espreguiçou bocejando longamente.
— Talvez mais tarde. Vamos relaxar um pouco. Tá um dia lindo, especialmente pra dar aquela soneca. Consertar um barco desse porte leva tempo e exige muito esforço.
— Se você quiser, posso te ajudar nos reparos. — disse Karen mordendo os lábios ao olhar de modo malicioso e sedutor para Dickerson dos pés a cabeça.
— Seria ótimo... Mas depois, tá bom? — disse ele puxando uma cadeira para sentar e reclinar — O momento agora é de recarregar as baterias. — colocou os óculos escuros e juntos as mãos entrelaçando os dedos sobre a barriga.
— Querem saber? Eu não vou esperar o dono preguiçoso dessa canoa quebrada consertar o estrago no motor, vou voltar pra casa e pegar meus óculos de reserva! — disse Damian com irritação que logo deu um mergulho e foi nadando até a beira do lago.
— Eu também preciso ir, não quero ficar mais um minuto nessa ilha de baixo nível. — disse Zoe se aproximando da borda.
— Zoe, me leva junto. Prometeu que iríamos experimentar aqueles vestidos lindíssimos pro baile de primavera que você e sua mãe costuraram. — falou Jessie com carência no olhar — Se você pudesse ao menos me dar um de presente, eu quero muito usar um daqueles ou até fazer eu mesma.
— Você usando os vestidos que eu fiz? Jessie, você é minha melhor amiga, mas ultimamente não anda se olhando muito no espelho. Recomendo fazer isso com mais frequência.
A Ranger Rosa saltou na água e seguiu nadando.
— Eita, ela te humilhou bonito. — disse Tim — Mas eu também vou vazar, preciso juntar o máximo de grana e voltar pra casa enchendo minha mãe de orgulho. — virou-se e mergulhou, nadando noutra direção.
— E eu preciso ir no Earl, mas antes passar em casa e juntar toda minha mesada. Meu estômago tá gritando. — disse Austin que fora o próximo a pular na água.
— OK, vou indo também. Tenho que arranjar um vestido ideal pra usar no baile de primavera. — disse Jessie indo para a borda do barco. Virou-se para falar com Karen e Dickerson — Tchau, Sr. Dickerson, tchau, Karen, adorei a pescaria. Ahn... Karen, reparei agora que nossos cabelos são tão parecidos, mas sempre achei que o seu fosse um pouco mais liso e sedoso... Qual shampoo você usa?
— Ahn, err... — disse a tecnóloga que tinha a atenção totalmente voltada a Dickerson — Progressiva clorofila. Vende em qualquer mercearia.
— Ah, tá bom, vou dar uma olhadinha no mercado depois. Fui. — disse a Ranger Amarela que pulara fora e saíra nadando rápido até a outra beira do lago.
Karen agachou-se próxima de Dickerson o olhando com desejo oculto.
— Ei, Dickerson, não quer tirar essa camisa? Tá fazendo bastante calor hoje, acho que uns 33⁰.
— Eu conferi a previsão do tempo. Minima de 28 e máxima de 31. Eu me sinto ótimo aqui relaxando e tentando dormir...
— Mas não tem um barco pra consertar? Você descamisado mostrando seu peito desnudo e eu só de biquíni te ajudando...
— O barco pode esperar, o meu descanso não. Mas se quiser tentar por mim, eu agradeço.
— O quê?! Acha que sou sua empregada faz-tudo? — disse Karen ficando de pé, enervada.
— Tecnicamente, é esse o seu trabalho diário. O que mais você quer?
— Você! — confessou ela — Era você quem eu queria só pra mim. Mas posso encontrar outros melhores. — disse, logo pulando na água e nadando. Dickerson levantou da cintura para cima, surpreso com a revelação da assistente.
— Ela queria... eu?! Ah, deixa pra lá, não tenho disposição pra entender as mulheres. — disse ele, voltando a reclinar-se na cadeira, as mãos atrás da cabeça.
***
Austin entrava na Cantina do Earl sentindo a boca quase salivar ao olhar para as mesas como quem procura avidamente por saciar a fome.
— Earl, e aí? — cumprimentou o cozinheiro, indo até o balcão.
— Opa, se não é o capitão do time. Fala aí, meu garoto.
— Hoje é o dia da sua super omelete, certo?
Earl quase engasgou com a saliva após reagir pelo que ouviu.
— Rapaz, você não tá querendo brincar daquele desafio, né? Vê ali: a dupla de debiloides tá só atiçando uns garotos pra participar, mas eu fui bem claro que hoje só vendo em pedaços como pizzas.
Austin bateu as mãos no balcão assustando-o.
— Eu quero uma inteira. Pra enfrentar o Brock. — olhou para trás vendo o valentão gorducho conversando com Stuart.
Já Zoe desfilava entrando na área gramada e aberta da casa de Cindy Harper que dava uma festinha intimista entre amigas pertencentes ao clube Rosa Chique. A Ranger Rosa recebeu olhares estranhos e nada receptivos de Cindy, Kate, Lindsey e outras quatro meninas que reuniam-se numa mesa redonda na casinha de confraternizações.
— Saudações, garotas. Soube que estão dando uma festa onde aceitam quem veste rosa. Acho que me encaixo no perfil.
Cindy levantou-se enfezada.
— Mas que ousadia é essa? Quem te deixou entrar, sua plebeia do subúrbio?
— Seu segurança foi muito gentil, podia aprender bons modos com ele, Cindy. — disse Zoe subindo a escadinha e se aproximando — Falei que sou uma das suas melhores amigas e ele agiu como um bom serviçal diante de uma dama fina como eu.
Lindsey cochichou com Kate e as demais.
— Qual é o problema dessa aí?
— Pirou de vez, ainda mais por invadir a festa do clube. — falou Kate.
— Ela tá se achando até mais elegante que a Cindy usando essas roupas ridículas de brechó. — comentou uma outra.
— Não aceito penetras na minha festa! — disse Cindy aproximando-se de Zoe — É um evento privado, você não foi convidada nem nunca será. Não tem o direito nem de pisar no meu gramado. Agora cai fora antes que eu...
— Antes que o quê, Cindy? — confrontou Zoe elevando o queixo soberbamente — Vai me expulsar? A verdade é que você é uma cachorrinha que late sem saber como se morde, pois no fundo não quer abalar a reputação de menina comportada perdendo o controle emocional só pra tirar uma visitante que foi permitida entrar na sua casa.
Cindy sentiu-se intimidada com a resposta, lutando consigo mesma para manter a pose.
— E daí? Você é uma enxerida que não sabe o seu lugar, não se encaixa no nosso grupo.
— Então vou correndo até seus pais fazendo o maior escândalo denunciando o abuso da querida filhinha deles tentando me expulsar. — disse Zoe rondando-a e amedrontando-a.
— Não, você não faria isso comigo. Você é fraca e sensível, não tem toda essa coragem.
— Quer apostar? Seus pais não compartilham desse seu preconceito estúpido com quem não é socialite. Você é a ovelha negra da sua família.
— Tá bom, eu faço o que quiser, mas não conta pros meus pais que ameacei te expulsar! — estourou Cindy virando-se para ela num misto de raiva e temor.
Zoe dera um sorrisinho arrogante.
— Assim que gosto. É como diz o ditado: manda quem pode... — aproximou o rosto ao da patricinha — ... obedece quem tem juízo.
Tim se esbaldava arrecadando um bom montante numa máquina caça-níquel em um fliperama, a sua sorte atraindo curiosos — e invejosos também, em sua maioria. Puxou entusiasmado a alavanca em mais uma rodada.
— Três tigres, três tigres... Venham, venham pro papai tigrinhos lindos, venham! — torcia esfregando as mãos sentado diante da máquina que logo mostrou os três tigres — Yeeeaaah! Eu sou demais, eu sou o máximo! — vibrou ele em meio a ovação barulhenta dos curiosos.
Karen também estava com sorte ao caminhar pelas ruas e chamar a atenção de vários homens pelos quais passava com seu jeito de andar feito uma modelo. Quando se deu conta, olhou para trás descobrindo estar sendo seguida por um bom número de homens que suspiravam sorridentes ante a beleza nórdica dela. Em vez de desconforto, ela sentira uma satisfação que a fez sorrir confiante.
***
Na Central de Comando, haviam lentos passos de uma presença vagando pelo ambiente semi-escuro da sala de controle. A figura ligara o interruptor, acendendo algumas luzes.
— Ué, cadê todo mundo? — indagou a figura que não era ninguém menos que Owen regresso de sua viagem às ilhas Galápagos. O Ranger Verde usava sua habitual camisa verde de sudoku e a bermuda marrom, esquadrinhando o lugar — Sr. Dickerson? Karen? Alguém! — chamou em voz alta — Depois que eu sumo por três semanas, todos resolvem sumir também? Aí é sacanagem.
Um bipe persistente no computador o atraiu rapidamente até o painel. Se arriscou a ligar a tela apertando a tecla enter hesitante.
— Espero que não seja nenhum modo avião que faça tudo pifar se for interrompido. — disse ao teclar. Virou o rosto de olhos fechados.
A tela acendeu mostrando uma chamada de vídeo feita por Leozor, algo que pegara o fotógrafo-mirim totalmente desprevenido.
— Mas o que está havendo que meu contato não foi imediatamente atendido? Dickerson, acenda todas as luzes.
— Ei, peraí, o Sr. Dickerson e eu até que somos parecidos, mas o senhor confundiu. Sou o Owen, o Ranger Verde.
— Oh, não tinha me atentado de início. Você é o membro extra que se integrou recentemente.
— E o senhor deve ser o comandante Leozão...
— Leozor. É um prazer.
— Ah é, Leozor! Foi mal. O prazer é meu. Olha, cheguei aqui e não encontrei ninguém. Acabei de voltar de viagem e quis fazer uma surpresa.
— E eu acabo de receber as localizações deles e dos Rangers. Eles teriam ido a uma pescaria no lago do parque ecológico, mas estranhamente se separaram após um ataque de Psycho-Bots. Vou transferir ao monitor geral as imagens.
O monitor principal ligara exibindo vídeos dos Rangers vivendo suas respectivas experiências ao estarem sob domínio dos sete pecados.
— Caramba, eles estão agindo bem estranho. O Austin não comeria essa super omelete do Earl, deve dar uma baita dor de barriga. — analisou Owen, se tensionando — E a Zoe... Desde quando ela participa do grupo da Cindy Harper e ainda faz dela de empregada? O Tim tá fissurado nessa máquina como se estivesse em Las Vegas, a Jessie tá obcecada por um vestido e o Damian se metendo em briga de rua...
— Encontramos o responsável. Veja. — disse Leozor enviando imagens de Nagaviper infligindo seus feixes oculares em cidadãos que eram submetidos aos sete pecados — O computador detectou uma atividade que indica um padrão de incidência do poder dessa criatura.
— Que tipo de padrão exatamente? — indagou Owen franzindo a testa.
— Perceba também por Karen e Dickerson. Ele permaneceu no barco apenas deitado sem fazer nada enquanto ela atrai diversos homens com sua beleza. Austin está comendo incessantemente, Tim ambicioso em faturar dinheiro, Zoe agindo com arrogância, Jessie cobiçando o vestido que era de sua mãe, Damian provocando outros garotos para criar conflitos...
— Tá me parecendo que são... Os sete pecados, é isso. Preguiça, luxúria, gula, ganância, vaidade, inveja e ira. Não conhecia até ler uma história em quadrinhos japonesa onde um cara loiro assim que nem eu é o personagem principal.
— Pois foque na realidade, nela também existe um herói de cabelo loiro que salvará o dia. Estou o vendo agora.
— Quer dizer que eu posso enfrentar esse monstro-cobra sozinho?
— Tem minha expressa autorização. Derrotando esse monstro, que se autodenomina Nagaviper, salvará os demais.
— Beleza, bom que não esqueci meu morfador nem minha célula. — disse Owen retirando-os e estendendo os braços para encaixa-los. Virou-se para um lado — Tô pronto pra ação. Hora de morfar! Gorila Esmeralda!
Nagaviper deliciava com a celeuma que criou com seus olhares hipnóticos. O monstro também deleitava-se com danos materiais, correndo e rasgando carros aos lados com suas robustas garras, levando os veículos a explodirem aos seus lados.
— Essa cidade de paraíso não terá mais nada! Alameda dos Anjos uma ova, será Alameda da Perdição daqui em diante! — disse o monstro que lançou um corte em X com suas garras num andaime suspenso por cabos que ameaçou cair sobre uma menina.
Owen saltou, agilmente ficando sob o andaime e impedindo a queda sobre a garotinha ao segurar com sua notável força.
— Power Ranger! — disse a menininha com seu ursinho, sorrindo.
Os pais dela a chamavam aflitos, a menina logo correndo para os braços da mãe. Nagaviper intencionou lançar seu feixe encantador neles, mas Owen arremessou o andaime contra o monstro com toda a força, o atingindo ao ponto de empurra-lo contra a parede de um prédio que fora destruída com o impacto.
— Cheguei pra dar um basta na sua festinha de pecados!
— Ainda nem estou na metade! — retrucou Nagaviper reerguendo-se tirando pedaços de escombros. Avançou contra o Ranger Verde que disparou tiros de laser da pistola Z como advertência, causando estouros de faíscas.
— Esse é o limite, fica o aviso!
— E quem você pensa ser pra me parar? — questionou Nagaviper que saltou planando no ar diretamente a Owen movendo suas garras. O Ranger Verde sacou sua adaga Kong e saltou para o alto esquivando de um ataque das garras do monstro-serpente que explodiu faíscas no chão.
Nagaviper voltou ao solo deslizando como numa freada, virando-se e avançando. Owen avançara também, ambos trabando um duelo de garras contra a adaga em choques faiscantes.
— Não tenho medo dessa faca de trinchar! Perante as minhas garras isso é um pedaço de lixo! — disse Nagaviper atacando rápido e insistente enquanto Owen limitava-se a defensiva. Quando o monstro fizera um movimento direto, ele saltara dando um giro no ar enquanto o golpe inimigo acertou o chão. Com a adaga, desferiu um corte vertical de luz verde intenso que fizera Nagaviper recuar vários passos com explosões de faíscas no peito.
— Se prepara que isso não foi tudo!
Nagaviper disparou raios oculares dos quais Owen desviou com uma cambalhota para a esquerda, escapando da explosão moderada de fogo.
— Não tenho culpa se meu poder é tão grande que nem sei até onde vai!
Mudok surgira acima de um carro com um punhado de esferas metálicas pretas.
— Nagaviper, siga em frente alastrando seu feitiço! Meus soldados cuidarão dele! — lançou as esferas no ar — Psycho-Bots, ataquem!
Os robôs monoculares caíram no solo de pé entre Nagaviper e Owen.
— Me tirou um piolho das costas! Obrigado, Mudok! E até breve ou não, Ranger Verde, hahaha! — disse Nagaviper que metamorfoseou-se numa serpente, rastejando para longe e tornando-se invisível por entre carros.
— Caramba, ele virou uma anaconda e ainda por cima ficou invisível! Mas OK, é moleza passar desses inúteis pra ir atrás dele! — disse Owen frente ao avanço lento dos robôs. Ergueu a mão direita — Beast Cycle Verde, ativar!
A moto surgiu em teleporte correndo até seu dono que logo saltou para atrás e pilota-la. Disparou lasers dos faróis que abatian alguns dos soldados com fortes explosões de faíscas. Outra parcela do exército revidou com tiros dos detonadores, levando Owen a saltar com a motocicleta, as explosões de fogo ocorrendo enquanto ele contra-atacava.
Paralelamente, Austin e Brock travavam o duelo apetitoso. Ambos comiam feito leões, os rostos sujos e os dedos também apesar de usarem talheres. Isso até Austin apelar para as mãos. Stuart obrigou-se a protestar.
— Ei, Earl, ele tá comendo com as mãos! Não é contra as regras?
— A única regra é: quem terminar de comer toda a omelete primeiro, ganha. Sem deixar uma migalhinha sequer! — ressaltou o cozinheiro já se aborrecendo com a comilança desenfreada — Caramba, Austin, cê tá indo rápido demais, garoto! Parece que jejuou 40 dias num deserto!
Austin parecia não ouvir nada, enfiando porções volumosas da omelete na boca a um ritmo absurdo. Brock também passou a usar as mãos já que não era considerado trapaça.
Porém, Austin dera um grito ao cair da cadeira e pressionar a barriga, queixando-se se dor.
— Aaah, meu estômago! Tá doendo muito!
Brock terminara sua omelete poucos segundos depois e com a boca cheia bradou sua vitória, levantando e subindo na mesa com o prato erguido.
— Uhuuu! Eu sou um esfomeado vitorioso! E você aí, otário, vai direto pro hospital, hahaha!
— Que hospital nada, eu tenho um salzinho de fruta que resolve essa parada rapidinho. — contrariou Earl agachando-se para ajudar Austin a levantar — Vem, Austin, você foi um guerreiro até onde chegou. — o levou até a cozinha enquanto Brock, Stuart e alguns colegas comemoravam escandalosos.
Já Jessie olhava-se no espelho trajando o vestido dourado e cintilante que lhe coube bem. Sua mãe retornou a quarto.
— Jessie, filha, será que você podia... — interrompeu a fala ao vê-la com o vestido — Mas o que é isso?
Jessie virou-se ao sorrir e posar para a mãe ostentando o vestido.
— Finalmente eu tenho meu vestido perfeito pro baile. O que achou, mãe?
— Ma-mas... Jessie, eu disse que aluguei esse vestido pro casamento da Jill que é hoje daqui há quatro horas! — disse a mãe endurecendo o tom.
— Calma, mãe, relaxa, eu só coloquei na máquina de lavar pra encolher e ver como ficava em mim.
— Relaxar? Sabe quanto isso me custou? — reclamava a mãe, tocando na alça do vestido como se quisesse puxar.
— Não fica brava, você pode mandar costurar pra voltar ao tamanho original. — sugeriu Jessie, nervosa — Eu fiquei tão encantada com esse vestido que pensei ficar melhor em mim do que em você, essa é a verdade! A Jill nem é sua amiga tão próxima, eu tenho um baile importante...
— E ainda tenta justificar?! Essa não é a Jessie que eu conheço e criei, a que assume seus erros e pede desculpas! É como se não tivesse se importado com o fato de eu precisar desse vestido.
— Eu... posso ficar com ele o resto do dia?
— Jessie, vai pro banheiro e tira esse vestido. Eu não tô pedindo. Um... Dois...
— Odeio quando não entende minhas necessidades! — retrucou Jessie com voz meio chorosa e raivosa, saindo do quarto a passos largos e bufando.
Tim saía do fliperama com um envelope cheio do dinheiro que acumulou nos ganhos sucessivos no caça-níquel.
— Dinheiro fácil e rápido. Amanhã tem mais rodadas da sorte pra fechar meu milhão. — falou ele quando passou perto de dois ladrões que estavam encostados numa parede conversando. A dupla ouvira e ambos concordaram em segui-lo sorrateiros.
Ao entrar num beco, um dos meliantes resolveu adentrar em outro enquanto o comparsa permaneceu seguindo-o diretamente.
— Dizem que por aqui é um ótimo atalho pra zona leste. É só pular essa cerca e...
Porém, o ladrão que havia pego o atalho para encurrala-lo surgira, pulando sobre a cerca de arame losangular e indo na direção.
— Ei, quem é você? O que tá querendo? — indagou Tim, nervoso e recuando. Esbarrou as costas no outro bandido que o virou a força.
— Deixa a gente abrir essa correspondência. — disse ele sacando um canivete.
— Se não quiser ser aberto primeiro. — ameaçara o outro atrás, pressionando a lâmina do canivete na maçã do rosto do Ranger Azul.
A porta da frente na casa de Damian foi batida inúmeras vezes até a mãe do Ranger Preto abrir e se deparar com algo lamentável.
— Ai, minha nossa! Damian, o que aconteceu? — reagira vendo o filho com o rosto machucadoe sendo puxado pela orelha por um policial.
— Seu filho esteve envolvido numa briga com arruaceiros perigosos, deu muito trabalho contê-lo, estava muito possesso de raiva.
— Muito obrigada, tenente Levy, eu assumo daqui, são esses garotos desordeiros que importunam com ele, uma hora a raiva acaba explodindo
— Eu entendo, Sra. Parker. Cuide pra que ele não enfrente mais aqueles moleques ou vai ter que busca-lo na delegacia. — disse o policial liberando Damian — Juízo, rapaz.
— Me erra. — resmungou ele deixando o tenente sentir-se ofendido. A mãe tentou contornar dando um sorriso nervoso ao fechar a porta e o agradecendo novamente.
A atração luxuriosa de Karen arrebanhava mais homens por onde quer que passasse, gerando uma multidão numerosa de pretendentes.
— É demais pra eu sozinha dar conta. Nem eu sabia que tinha todo esse apelo. — disse a tecnóloga que decidiu soltar as madeixas loiras e tirar os óculos, andando como uma modelo com um olhar sedutor, apaixonando ainda mais a horda de admiradores que lhe pediam em namoro ou o número do telefone.
No clube de Cindy, Zoe virara o jogo a seu favor ao tornar Kate e Lindsey em suas manicures enquanto as outras duas cuidavam dos pés. A Ranger Rosa, usando uma máscara de beleza, balançou um sino.
— Serviçal! Traga minha bebida!
A patricinha viera trajando vestes de empregada doméstica e trazendo uma bandeja com um copo de suco de laranja.
— Gostei do novo visual. É a sua cara. Agora me serve.
— Por que não vem aqui pegar? — perguntou Cindy, desconfortável.
— Não vê que suas... digo, minhas escravas estão ocupadas cuidando das minhas unhas? Me sirva, é uma ordem inquestionável.
Cindy cerrou os dentes, hesitante.
— Não vou me prestar a isso. Já foi humilhante o bastante ter que usar esse trapo e era uma fantasia de Halloween!
— Sr. e Sra. Harper! — berrou Zoe.
— Tá bom, tá legal, eu tô indo! — apavorou-se Cindy, enfim servindo o suco.
— Bote o canudo na minha boca e segure até eu ficar satisfeita e dispensa-la.
Cindy fechou os olhos por um segundo, suportando aquela experiência traumática. O fizera como mandado.
— Só pode ser um pesadelo. — disse ela entre os dentes.
***
Owen seguia na Beast Cycle em busca de um sinal de Nagaviper em meio meio ao caos urbano de vítimas dos sete pecados.
— Onde que esse maldito tá? Ah, já sei, minha visão infravermelho pode detecta-lo.
Ativou a visão infravermelho no visor por um botão na lateral esquerda do capacete, vasculhando cada ponto. Não tardou em flagrar o monstro em forma de serpente prestes a vitimar uma mulher assustada que atendia o celular.
— Te peguei. — falou, logo saindo da moto e sacando a pistola Z ao correr. Os tiros acertaram Nagaviper em cheio, o afastando da moça que gritou apavorada — Foge daqui, você tá salva!
— Eu pensei ter me livrado de você, seu pivete metido à besta! — disse Nagaviper tornando-se visivel e mantendo a forma de uma cobra naja.
— Pensou errado, idiota! Pronto pro segundo round?
O Ranger Verde disparou mais lasers, porém Nagaviper esquivava facilmente das explosões faiscantes com seu corpo de serpente, logo tornando-se invisível novamente.
— Aparece! Esse joguinho é coisa de quem tem medo de perder!
De repente, o corpo serpentário do monstro agarrou o dele, apertando fortemente.
— Hahaha, quem está com medo agora? — disse Nagaviper tornando-se visível e aumentando a pressão de seu agarro. Owen gemia tentando rrisstir a força do aperto — Não vou solta-lo até ouvir cada osso do seu esqueleto quebrar!
Reunindo o máximo de energia que podia concentrar, Owen viu na sua força avantajada a chance de escapar. Seu gemido de dor virou um rosnado enfurecido. O corpo do Ranger Verde esquentava e brilhava esmeralda com raios finos e curtos. O rosnado tornou-se um grito. E a força explodira com a energia acumulada. Nagaviper foi jogado eletrocutado após Owen desvencilhar-se. O monstro caíra com raios o torturando e o levando a forma original.
— Desgraçado, você me queimou todo! Preciso de tempo pra trocar pela minha pele nova!
— Opa, acho que não vai rolar, não! Macro-Detonador! — o canhão surgiu sobre o ombro direito dele — Flash Paralisante! — piscou a luz que travou os movimentos de Nagaviper logo após ele levantar.
— Não! Meu corpo não se move... Mas minha pele está sendo trocada!
— Não por muito tempo! Preparar... Apontar... — a esfera energizada verde despontava da boca do canhão — Fogo! — disparou. A esfera elétrica poderosa atingira Nagaviper tremendamente. Owen virou-se de costas, celebrando sua vitória com uma pose, a tremenda explosão do monstro ocorrendo atrás — Não tem pra ninguém!
Automaticamente, os encantos relativos aos pecados capitais desapareciam ao mesmo tempo em todas as vítimas. Dickerson recobrou sua disposição em consertar o barco.
— Espera aí... O que tô fazendo aqui de bobeira? Ah sim, o barco! — levantou alarmado.
Tim retornava ao normal, piscando os olhos.
— O que vai ser, pirralho? Dá o pacote ou...
— Quer saber? Fiquem com tudo, eu não tava precisando dessa grana toda mesmo! — disse ele que correu depressa.
Já Zoe olhava-se num espelho de mão após o tratamento de luxo a sua beleza, voltando a si.
— Peraí, eu não devia estar aqui.
— Não devia mesmo! — disse Cindy largando a bandeja no chão — Devolve meu espelho! O que foi? Cadê toda aquela marra?
— Olha, Cindy, me desculpa pelo que eu falei a você e as meninas...
— Sai já da minha casa, princesinha ralé! Fez mais do que falar, nos transformou em... suas servas! Jamais te perdoaria por isso!
— Eu sei que não. Melhor eu ir. — disse Zoe saindo da casinha — E o suco estava com bagaço.
Cindy virou a cara reassumindo sua essência esnobe.
Lokknon bradou sua ordem colérico.
— Dispare o laser regenerador, Barooma!
— Prontamente, milorde! — disse o subgênero que apertou o botão, disparando o raio verde sobre os restos de Nagaviper. O monstro fora revivido e gigantificado.
— Grandes pecados trazem grandes consequências!
Os Rangers saltaram já morfados, reunindo-se a Owen.
— Owen, que bom você ter voltado! — disse Austin.
— Pensávamos que viria em dois dias! — disse Zoe.
— Meu pai sentiu que eu tava com bastante saudade daqui, então não quis estender muito a viagem depois do concurso. Faria uma surpresa, mas a Central de Comando tava vazia.
— Estávamos pescando com o Sr. Dickerson no lago do parque. — informou Jessie.
— Até sermos enfeitiçados a agir feito babacas. — falou Tim.
— Tô sabendo. Mas é bom cuidarmos da cobrona ali! — apontou Owen para Nagaviper que destruía prédios com as garras e rajadas ópticas.
— Foi esse monstro que envenenou nossas maçãs! — disse Austin — Prontos?
— Precisamos do poder Megazord agora! — bradaram os cinco em uníssono.
Os zords saíram de seus hangares, logo correndo rumo a batalha de gigantes. Os heróis saltaram para os cockpits.
— Chaves de Comando! — tiraram suas respectivas chaves e inseriram-nas — Ligado!
— Sequência Megazord, ativar! — falara Austin.
O Megazord Z fora montado após a conexão das máquinas animais.
— Bora cortar a cabeça dessa serpente! — disse Tim.
— Falou bonito, Tim! Sabre Selvagem! — bradara Austin. A espada prateada caíra na mão direita do robô que seguiu adiante.
— O que acontece se esse monte de lata virar uma pedreira ambulante? — interrogou Nagaviper que lançou feixes de luz dos olhos contra o Megazord, o petrificando dos pés a cabeça.
— Os níveis de energia foram de 100 a 0 num segundo! — alertou Damian.
— Pane geral no sistema! — disse Zoe.
— Vamos usar o campo repulsor, ele funciona a partir da energia reserva! — disse Austin acionando o recurso, mas nada ligava — Droga, a energia reserva caiu também!
— Ele nos transformou em pedra que nem aquela mulher com cabeça cheia de cobras das lendas gregas?! Se for isso, já éramos! — disse Tim.
Nagaviper aproximava-se roçando as pontas das suas garras uma na outra.
— Hora de demolir essa estátua horrível!
— Não se eu evitar! — disse Owen, logo soprando o apito da adaga Kong que chamava o Gorila Esmeralda. O zord saiu da caverna batendo seus punhos no peito. Nagaviper mirou suas garras para um ataque duplo no Megazord, mas fora interceptado pelas bananas-granadas do gorila que explodiram em seu corpo, o afastando.
O zord se colocou ao lado do Megazord.
— Pediu um cacho de bananas fresquinho da feira? — disse Owen no cockpit.
— Você é aquele garoto convencido! Que tal provar do seu próprio veneno? — Nagaviper logo lançou os feixes de petrificação contra o Gorila Esmeralda, porém uma camada energética o protegera.
— Ué, a energia do meu parceiro continua intacta. — estranhou Owen.
— Graças a mim. — disse Karen na Central de Comando — Esse escudo o blindou. Mas quero testar uma teoria.
— Pois manda ver! — dissera Owen.
O zord gorila repentinamente assumiu a aparência de Nagaviper quando o monstro tentara novamente investir com o olhar petrificador. O clone também lançara o feixe ocular, rebatendo o ataque ao original que logo fora transformado em estátua, o que garantiu a recuperação imediata do Megazord Z.
— Voltamos a operar! — anunciou Damian.
— Em carga total! — disse Jessie.
— Owen tá aqui do nosso lado! Acho que a Karen ou o Sr. Dickerson o ajudaram a se proteger do olhar maligno! — disse Austin.
— E aí, turma! Vamos derrubar a estátua!
Contudo, Nagaviper trocara de pele, substituindo a petrificada, tão logo regenerando-se.
— Eu sobrevivo ao meu próprio veneno!
— Rangers, ouçam com atenção: Dickerson acabou de me contar uma novidade sensacional. O Megazord Z possui um software de combinação, fazendo com que o Gorila Esmeralda se una a ele!
— Verdade? Nossa, já tô vendo aqui no painel! — falou Austin, empolgado — Ouviu isso, Owen?
— Em alto e bom som! Não demora, cara, eu tô louco pra ver como é aí dentro!
— Ativar unificação extra!
O Gorila Esmeralda desmontava-se com raios verdes em partes que se ajustaram ao Megazord Z nos braços e pernas, bem como no peito e na cabeça onde mais precisamente encaixou-se um capacete com visor vermelho único. Um novo e mais vigoroso robô nascia.
— Megazord Z x2! — bradaram os seis.
Owen subia ao cockpit em seu assento somando ao time.
— Bem-vindo a bordo, copiloto! — disse Damian.
— Galera, eu nem acredito! Eu bem que tava pressentindo que esse dia chegaria!
— Isso aí, Owen, é um prazer ter você aqui conosco, já tava mais do que na hora! — declarou Austin — Nagaviper, você já era!
— Eu não sei o que foi aquilo de imitar minha aparência pra refletir meu ataque, mas não pensem que voltei menos forte — disse Nagaviper que lançou o feixe óptico de petrificação, mas o Megazord dava passos adiante expressando total resistência.
— Seu olhar maligno não tem mais nenhum efeito contra nós! — disse Austin.
— Insígnia Feroz Hexagon! — bradaram em uníssono. O sabre criava o círculo cinza em sentido horário com os seis emblemas dos Rangers — Partir! — disseram, o Megazord logo executando o corte decisivo que atingiu Nagaviper. O monstro-serpente enfim caíra para trás, sua explosão fatal sendo celebrada com euforia pelos heróis.
***
No dia seguinte, um domingo, a pescaria foi retomada após o conserto do barco. A turma resolveu comemorar não apenas a última vitória com o também o retorno definitivo de Owen e a combinação do Megazord Z ao Gorila Esmeralda. Tim sinalizava ter fisgado um peixe de porte quase impossível de sustentar na vara.
— Epa, acho que fisguei um peixão dessa vez! — alardeou ele sorrindo de orelha.
Os demais brindaram com copos de sucos de frutas diversas feitos por Karen.
— E um brinde a mais uma conquista. — disse Dickerson — Um degrau acima pode parecer pouco, mas é um avanço a ser levado em conta.
— Saúde. — disse Austin que tomou um gole do suco de laranja — Pela volta do Owen.
— Gente, alguém viu ele? — perguntou Zoe.
— Pois é, faz uns minutos que ele sumiu. — disse Jessie olhando em volta — Tá nadando no lago?
— Não vejo ninguém no lago. — apontou Damian.
— Tim, vem comemorar, deixa a pescaria pra depois. — chamou Zoe.
— Crianças, acho que ele tá ápice da pesca e não com muita firmeza. — disse Karen.
— Venham aqui, me ajudem! Não consigo puxar sozinho! — disse Tim exercendo força humana a máxima. Dickerson, Karen e os Rangers deixaram os copos na mesinha e correram para ajuda-lo a vencer o cabo de guerra com o peixe.
— Mais força... — dizia Austin segurando firme nos ombros do amigo.
Porém, o pior cenário se concretizou. O peixe peso-pesado os arrancou do barco numa puxada brusca, levando os caírem na água com estardalhaço. Tim emergiu não controlando as risadas.
— Qual é a graça, Tim? Você perdeu o peixão que você tanto quis fisgar. — disse Zoe.
— Olha pra vocês, hahahahaha! — ria Tim, apontando — Não falei que o troco viria?
Owen emergira da água usando uma máscara de mergulho, logo a retirando e se unindo a Tim.
— Ah, já entendi... — disse Austin com sorrisinho de canto.
— Vocês dois tramaram isso, né? — perguntou Damian.
— Eu não, o Tim. — disse Owen — Mas digamos que fui convencido a ajudar por um incentivo financeiro.
— A grana que eu ganhei no cassino não cabia todinha no envelope. — disse Tim dando de ombros.
— Bem que achei suspeita demais a sua ausência, Owen. — disse Dickerson — Acho que merecemos, foi justo, hehehe.
— Mas pra uma réplica sempre há uma tréplica. — disse Damian pegando uma mangueira com a ajuda de Zoe e Jessie — Manda água!
Tim e Owen receberam o jato d'água sob os risos dos amigos, tentando protegerem-se com as mãos ao mesmo tempo que se divertiam com boas risadas pelo sucesso da pegadinha.
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