Power Rangers: Esquadrão Z
40 Agora Nós Vamos Invadir sua Praia
Notas iniciais

Uma calorenta manhã de domingo na praia era tudo que os Rangers sonhavam em poder vivenciar para relaxar após exaustivos dias de estudo para as provas bimestrais da semana que passara. A principal área da faixa litorânea da Alameda dos Anjos encontrava-se na sua habitual lotação de fim de semana e a turma de heróis divertia-se de modo heterogêneo, mais precisamente em mini-grupos. Austin e Tim disputavam entre si um jogo de vôlei com uma rede armada em troncos aterrados na areia. Para garantir o cumprimento das regras, a arbitragem rigorosa de Zoe cuidava de manter o jogo na linha.
— Bola fora da zona, Austin! — disse a Ranger Rosa que usava um maiô da sua respectiva cor com detalhes brancos — Tim, o próximo saque é todo seu!
— Hahaha, se prepara, que esse daqui nem a pata de um leão iria segurar. — falou o entusiasmado Ranger Azul com a bola na mão e pronto para o lançamento.
— Pois manda aí que eu quero ver se eu não rebato com toda a força do rei das selvas! — disse o Ranger Vermelho competitivamente empolgado, esfregando as mãos e se posicionando para receber o saque.
Owen e Damian se desdobravam na formação de um castelo de areia que tomava boas proporções de chamar atenção das crianças, o que de certa forma preocupava ambos.
— Eu não tinha percebido com mais atenção até agora. E não é que nosso castelo tá quase uma réplica artística? — disse Owen, fascinado — Cara, nós daríamos bons engenheiros civis.
— Mas toda essa noção engenheira que estamos compartilhando tá atraindo olhares a nossa volta. — disse o Ranger Preto que usava apenas uma bermuda preta de banho.
— Ah, relaxa, acho que nenhuma criança marrenta vai vir destruir esse castelão morfenomenonal.
— Eu não ficaria nada surpreso se Brock e Stuart aparecessem de repente pra transformar nosso castelo em ruínas. — falara Damian voltando a cuidar do castelo.
— É mais fácil o Lokknon vir estragar nossa diversão. Estranho nada ter acontecido até agora. — disse Owen também retomando a feitura do castelo — Aqueles dois devem estar de detenção em casa. Mais sossego pra nós.
— Por falar em detenção... — disse Damian mudando de assunto com semblante sério para o amigo — A atitude daquela professora substituta vem me intrigando bastante.
— E pensava que só eu tinha notado. Aquela mulher é obcecada em aplicar detenções, as vezes por coisas que não valem castigo nenhum. Sabe, estive pensando em...
— Denunciar para o diretor Brewster todo o aparente abuso de poder dela?
— Leu meu pensamento, amigo. — respondeu Owen sorrindo — Mas acho que é meio arriscado, né?
— Infelizmente, a essa altura, é sim. O diretor pode julgar que a falta da Srta. Paddleton tá nos fazendo cismar com a nova professora e sairemos em descrédito, mesmo porque ela vem ganhando admiração de boa parte da classe.
— Pra mim, toda aquela puxação de saco é medo disfarçado. — opinou Owen formando mais uma torre de areia.
— Pode até ser, exceto pra uma certa figura do nosso time... — disse Damian voltando o olhar para Tim que ainda jogava acirradamente com Austin — Tô vendo a hora dele trazer flores e chocolates pra Srta. Webb como um legítimo namorado.
Owen dera uma breve risada da paixonite de Tim pela docente novata da Angel Grove Middle School.
— O Tim tá fazendo papel de bobo, vamos combinar. Como ele pode trocar a Cindy por aquela mulher que tem idade pra ser mãe dele?
— Se na frente da Srta. Webb é papel de bobo, na frente da Cindy eu não sei o que era. — disse o jovem gênio que desatou a rir com o parceiro.
Zoe resolveu chamar por Jessie após decretar o fim da partida entre Austin e Tim. A Ranger Amarela repousava tranquila numa cadeira de praia usando óculos escuros e um biquíni juvenil de sua cor respectiva sob um guarda sol.
— Aí, Jessie, forma dupla comigo pra jogarmos vôlei e mostrarmos que nesse esporte as garotas tiram de letra. Vem, eu cansei de ser só a árbitra.
— Pois é, Jessie, joga conosco! Ficar só aí sentada o tempo todo é o maior tédio. — disse Austin com a bola.
— Tem razão, devem ter sido as provas da última semana, me deixaram bem preguiçosa. — disse Jessie tirando os óculos e depois pegando o bloqueador solar da sua bolsa — Só um minuto, vou passar meu protetor. Já passou das dez, né? Zoe, tá afim de passar também?
— Ah, valeu, o que minha mãe me emprestou não tá servindo muito. — disse Zoe se aproximando, logo também passando o protetor em sua pele — Será que ela confundiu com o repelente? Ela tava tão apressada pra reunião.
Tim cochichou no ouvido de Austin:
— E se trocássemos as duplas? Você e a Zoe contra eu e a Jessie? Hein, o que acha?
— Tá achando que eu nasci ontem, Tim? — disse o líder com sorrisinho de canto e olhar desconfiado para o amigo — A Jessie é a maior jogadora de vôlei talvez da escola inteira. É lógico que ela fará dupla com o cara que acabou de te derrotar no individual, hahah.
— Ah, qual é, mano? Só hoje. A maré tá boa por aqui, mas na minha vida não tá nadinha.
— Tá, tá legal. Mas só porque não estamos na quadra pública, senão ia ser bem diferente.
— Não tem muita diferença entre vôlei comum e vôlei de praia. — afirmou Tim — A não ser o fato do vôlei de praia ser... na praia.
Austin riu dando um soquinho no braço do amigo que também se deixou gargalhar. Jessie foi andando ao lado de Zoe para o jogo em duplas. O castelo de areia dos garotos foi alvo de elogios das duas.
— Ei, rapazes, depois queremos dar uma olhadinha nesse castelo pra ver como é por dentro! — disse Jessie com os óculos de sol — Vocês arrasaram!
— Eu não esperava menos de vocês dois! Ficou sensacional! — falou Zoe em voz alta.
— Graças ao nossos apuros detalhistas em consonância! — disse Damian que bateu sua mão na de Owen, ambos satisfeitos mutuamente com o resultado.
Entretanto, Psycho-Bots surgiram em teleporte na praia em diversos pontos da área e iniciavam o ataque com seus detonadores que explodiam barracas, mesas e cadeiras. O pânico generalizado se instaurou num piscar de olhos, os Rangers se reunindo depressa no meio do corre-corre e gritaria.
— Lembra quando você falou que era mais fácil acontecer um ataque do Lokknon? — disse Damian para Owen.
— É, agora tô bem arrependido! — lamentou o Ranger Verde.
— Ele foi até gentil de mandar esses panacas em vez de um monstro feioso! — falou Jessie.
— Pessoal, vamos nos concentrar primeiro em afastar o maior número de pessoas que não conseguirem sair da praia sozinhas! — determinou Austin olhando em volta num misto de seriedade e aflição.
— Boa ideia, eles estão por toda parte, podem impedir banhistas de fugirem! — disse Zoe.
— Já! — bradou o líder. A turma se dispersou correndo na busca de salvar principalmente crianças indefesas.
Uma garotinha de cinco anos chamando por sua mãe aos prantos e segurando um picolé de morango corria em meio ao caos. Um Psycho-Bot subiu numa rocha próxima e mirou o detonador para a criança. Porém, felizmente uma pedrada no rosto o fizera errar o disparo que explodiu na areia a uns bons metros da garotinha assustada.
— Mexe com alguém que possa lutar contra você, seu covarde! — disse Owen que jogara a pedra. O Ranger Verde foi dando cambalhotas e escapando dos tiros do robô até que subiu num salto até a rocha e o desarmou num chute em arco, depois aplicando uma boa sequência de socos de karatê no corpo do soldado que fora derrubado com um chute em giro.
Zoe pegou a garotinha no colo para tira-la de lá. Austin combatia três robôs que o cercavam. Alguns garotos menores observavam escondidos nas mesas viradas perto de uma barraca. Tim tomara um golpe nas costas lutando ao lado de Damian contra quatro soldados e quase caíra de frente.
— Assim não vale! — disse ele revidando com um chute em salto com giro que derrubou o robô. Depois, desviou do golpe de outro e o socou na barriga, por fim o derrubando numa rasteira e o agarrando pelo braço — Andei pegando uns macetes com o Austin!
Damian esquivava dos ataques físicos por baixo e por cima. Num pulo, chutou as costas de um robô que enterrou sua cabeça na areia ao cair. Jessie usava seu guarda-sol como arma improvisada, repelindo-os ao abrir e fechar o item.
Entretanto, um tremor claramente partido do mar ocorreu para desequilibrar os heróis. Zoe se segurou em Owen para não caírem juntos do rochedo.
— Opa, Zoe! Cuidado! — disse o Ranger Verde a segurando.
— Valeu... Mas que tremor é esse? Jessie!
— Eu tô bem! — disse ela segurando-se numa rocha média — Tá saindo alguma coisa gigantesca do mar!
A praia já se encontrava praticamente deserta. Os Psycho-Bots vencidos já haviam sido recolhidos pouco antes daquele repentino abalo sísmico. Austin, Tim e Damian se reuniram, tentando caminhar durante o tremor.
— Algo me diz que não é um terremoto qualquer! — destacou Austin — Cadê o Owen e as garotas?
O mar ficou revolto subitamente, as ondas aumentando sua envergadura nas marés levando a um pensamento aterrorizante. O trio recuava temeroso.
— É um tsunami?! Eu pensava que ondas desse tamanho só aconteciam em Malibu! — disse Tim, apavorado.
Owen, Zoe e Jessie juntavam-se a eles.
— Ai estão vocês! — falou Austin — Ficamos preocupados!
— Ah não, olha ali, Damian! — apontou Owen para o castelo que desmanchou-se com a absurdamente elevada maré — A gente teve tanto trabalho... E eu nem fotografei!
— Tá tudo bem, quem sabe na próxima fazemos outro ainda maior e melhor e registramos. — disse o Ranger Preto um pouco menos frustrado.
O objeto curioso que emergia com estardalhaço do mar aportava na beira da praia, esclarecendo-se conforme as ondas retornavam ao ritmo normal. Tratava-se de uma espécie de submarino verde escuro e de aparência rústica com vários rastros de musgo e algas preenchendo a lataria.
— Legal, de que vala saiu esse trambolho? — quis saber Jessie, aborrecida pelo transtorno.
— É um submarino aparentemente bem antigo a julgar pelo modelo e estado de conservação. — disse Damian analisando e ajeitando os óculos
— Atenção, galera. — orientou Austin, fitando a parte de cima da embarcação — Tem alguém saindo. Eu não tô com uma sensação boa.
— Nem eu. Pra chegar com toda essa confusão, não deve ser um turista amigável. — disse Zoe.
— Abram alas para o venerável Capitão Vessel! — disse um pirata com uma aparência robótica saindo da escotilha e erguendo seu vigoroso gancho metálico no lugar da mão direita — Eu reivindico esta praia em nome da minha tripulação! Que comece a verdadeira caça ao tesouro!
— Tesouro? Tem um tesouro enterrado aqui de verdade? — indagou Tim.
Um grupo de homens com aparências que remetiam a crustáceos e armados com espadas saiam das aberturas laterais do submarino e corriam pela praia, forçando os Rangers a formarem guarda.
— Que beleza, ele também tem soldadinhos. — disse Jessie.
— Ei, se quiser virar dono dessa praia terá que passar por nós! — bradou Austin.
— Por meras crianças?! Não me façam sentir vergonha alheia! Eu assumo a propriedade em toda e qualquer praia onde eu atracar! Serei o imperador dos sete mares com o tesouro que procuro e sinto que minha busca termina aqui!
— Então depois que achar esse tesouro, você se manda daqui com essa sua gangue de homens-peixe? — perguntou Tim.
— Mas é óbvio que não! Uma vez que eu aporto numa praia ela automaticamente torna-se minha! Vejam, a bandeira está sendo hasteada!
Dois dos soldados aterravam um mastro com uma bandeira preta estampando um rosto caveiroso com um gancho e uma espada cruzados atrás.
— E quem ultrapassar a linha estabelecida pela bandeira será imediatamente eliminado!
— Não conosco aqui! Com ou sem esse tesouro vamos manda-los embora! — dissera Zoe — A praia é pública e assim deve continuar!
— Isso aí, volta pro mar oferenda! — falou Tim.
— Eu costumo ser pacífico em todos os lugares que atraco, mas esse sem dúvidas é o mais hostil! — reclamou Vessel.
— Nessas outras praias que você pisou com certeza não tinha ninguém! — rebateu Jessie.
— E olha quem fala de ser hostil! Aí, seu maluco, pacífico só o oceano, sacou? — mandou Tim com marra na postura.
— Se desejam uma guerra, vamos guerrear! Crabditchs, expulsem esses fedelhos da minha praia!
Os homens-peixe voltaram-se aos Rangers e correram em enfrentamento. Os heróis corajosamente avançaram para combatê-los. Confrontavam com movimentos precisos de luta ao chuta-los e soca-los, derrubando-os com certa facilidade.
Discretamente, um assistente de Vessel, cuja cabeça simulava a de um polvo numa aparência tão robótica quanto a de seu chefe, saiu do submarino portando um detector de metais semelhante ao utilizado comumente na Terra.
— Esses caras de lagosta são mais molengas que os Psycho-Bots! — provocou Tim agarrando pelo braço um soldado atrás dele e o jogando ao chão, depois chutando outro a esquerda.
— Ou estão só nos distraindo! — dissera Jessie esquivando dos golpes de espada de um deles, logo chutando para desarma-lo e em seguida dando uma cotovelada forte no peito que o derrubou.
Austin correu para onde Zoe, Damian e Owen lutavam aproximados e serviu de reforço, enchendo os três Crabditchs de pancadas praticamente ao mesmo tempo com seus chutes e movimentos típicos de karatê. Jessie ficara costa a costa com Tim num ponto meio afastado de onde os demais estavam, ambos posicionados em combate.
— Estamos cercados... E agora? — indagou Jessie, alguns Crabditchs ameaçando espeta-los com as espadas — Se eu pudesse pegar meu morfador e a célula... Deixamos tudo nas nossas mochilas e bolsas!
— Pior que estão longe e não tô achando um jeito de sair desse cerco com esses homens-lagostas! — reclamou o Ranger Azul, tenso. Recorreu ao comunicador — Sr. Dickerson! Karen!
Jessie também o fizera, os soldados encurtando o cerco cada vez mais.
— Karen! Sr. Dickerson! Alguém na escuta? Droga, ninguém responde! São muitos cercando a gente, não dá pra se livrar deles desmorfado!
— Beleza... Quando eles ficarem bem mais pertinho, a gente ataca com tudo.
— Eu acho que vamos virar carne no espeto antes disso! — rebateu Jessie.
Um grupo pequeno de Crabditchs se esgueirava perto de um rochedo, todos segurando uma rede de pesca alvejando os outros Rangers que se desdobravam na luta. Os soldados assentiram com a cabeça uns aos outros, logo lançando a rede que capturou os quatros Rangers. Os Crabditchs combatidos se afastaram depressa para não serem pegos.
— Ah não! — disse Tim, avistando os apuros dos amigos — Austin e os outros foram pegos numa daquelas redes de pescador! — avisou Tim que logo chutou um Crabditch bem próximo — Chega, cansei de ficar encurralado!
— Eu também! — disse Jessie que girou e chutara dois soldados de Vessel. O capitão se alegrava com a descoberta do tesouro e a captura dos seus prisioneiros.
— Capitão, acabamos de detectar um objeto enterrado! Provavelmente é um baú, segundo a leitura! — alardeou o assistente.
— Vocês aí, deixem esses dois pentelhos pra lá e escavem meu tesouro agora! E quanto aos meus prisioneiros, finalmente tenho as moedas de troca para meu sonhado ômega 3 da eternidade! Um, dois, três, quatro, perfeito! A quantidade ideal para fechar negócio!
— Do que ele tá falando? — perguntou Austin tentando se desvencilhar da rede.
— Parece... que seremos vendidos pra alguém de quem ele vai comprar ômega 3! — disse Zoe na mesma tentativa aflita, mas insucedida.
— O que é ômega 3? — questionou Owen.
— É uma gordura poli-insaturada que não é produzida pelo organismo humano, deve ser obtida por fontes externas como óleos de peixes e crustáceos! — explicou Damian, atordoado com a rede sobre seu corpo.
— Me admira você conseguir dar aula de biologia numa situação dessas! — retrucou Owen — Parece que gruda na nossa pele!
— Que nojo! — resmungou Zoe. Os Crabditchs vieram puxando a rede fortemente e os levando a cair e serem arrastados.
Jessie e Tim eram agarrados por dois Crabditchs enquanto viam os amigos sendo arrastados e o baú do suposto tesouro ser desenterrado e carregado rapidamente até as mãos de Vessel que descera do submarino. As botas do capitão pisaram com impacto na areia na queda.
— Um autêntico baú que reserva uma valiosa joia de ouro! — disse o capitão pegando o baú de madeira com entalhes — Mas onde está a chave?
— Por favor, não percamos mais tempo! — disse o assistente em postura receosa.
— Eu deveria força-lo a catar cada grão de areia à procura desta maldita chave! Não posso ofertar quatro humanos sem garantir que o baú possa ser aberto! — vociferou Vessel agarrando os tentáculos do rosto do subalterno.
— Mas podemos violar a fechadura com ferramentas rudimentares. Pode levar mais tempo do que esperávamos até a negociação, mas certamente a tranca será rompida.
— Hum... Se é o caso, eu me obrigo a aguardar o tempo que for preciso. Os fossonoides que esperem pelo meu sinal! Cadê o meu navio?
O assistente retirou de sua veste uma garrafa que continha um navio pirata ciberneticamente sofisticado.
— Fiz questão de guarda-lo em segurança.
— Com você?! Seguro?! Vou me certificar de que fique comigo da próxima vez que precisar minimiza-lo! — disse Vessel que empurrou o subalterno para caminhar até o mar, as ondas batendo em suas canelas. Removeu a rolha da garrafa que liberou uma fumaça transparente — O senhor dos mares retorna furioso!
O navio saíra maximizando dentro do mar e emergindo com sua pomposa proa em gigantesca intensidade e levantando água profusamente. Os quatro heróis foram arrastados subindo pela rampa metálica do blindado marítimo.
— Bem-vindos a bordo, marujos! — cumprimentou Vessel já no convés.
— O que vai fazer conosco? — perguntou Austin, aborrecido — Nos vender, é verdade?
— Prisioneiros não tem direito a perguntas! Coloquem-os no porão e tranquem a jaula!
— Jessie! Tim! — gritava Zoe.
— Zoe! — disse Jessie, apreensiva, logo sendo solta de modo agressivo pelo Crabditch assim como Tim. Os dois soldados correram a tempo do navio recolher a rampa e zarpar mar adentro. Ela levantou e correu até o mar com semblante choroso — Não!
— Jessie, já era, eles se foram! — disse Tim a parando — Se eu pudesse, também nadava pra tentar invadir esse navio, só que... não dá. — entristeceu-se, baixando a cabeça.
— Não, a gente vai resgata-los, nada de ficarmos de braços cruzados agora!
— Ótimo, melhor irmos pra Central de Comando. Será que tem alguém lá?
— Talvez seja esse submarino que pode ter feito a comunicação falhar. — teorizou Jessie olhando desconfiada para o veículo — Podíamos usa-lo pra seguir o navio, o imbecil do capitão pirata largou.
— O meu Tubarão Cobalto deve dar de dez a zero. Vamos nessa.
Jessie se colocou ao lado esquerdo do amigo, ambos logo apertando os botões de teleporte nos comunicadores e virando pilares de luzes coloridas. Ao chegarem na Central de Comando, sentiram alívio ao verem Karen e Dickerson.
— Pensamos que não estavam de serviço hoje. — falou o Ranger Azul aproximando-se.
— Ei, fale por si mesmo. Eu tinha pensado que estivessem, mas o contato parecia desligado. — contrariou a Ranger Amarela.
— Não estava desligado, foi por conta do mastro da bandeira na praia, emite uma frequência que anula sinais de rádio e via satélite. — disse Karen virando-se para eles sentada na cadeira giratória — Além do fato do litoral ser uma região que promove instabilidade nos sinais.
— Eu sabia que tinha alguma coisa esquisita naquela bandeira horrorosa. — disse Jessie.
— Fiquem tranquilos, o radar está seguindo cada légua percorrida pelo navio desse Capitão Vessel. — falou Dickerson vindo até eles — Ouvimos ele conversando com o assistente sobre a chave que abre o baú. Enquanto ele não for aberto pra que negocie seja lá com quem, Austin e os outros estarão ilesos.
— Escutei também aquele caveira de aço falar que eles serão vendidos por sei lá o quê...— disse Tim, afobado.
— Ômega 3. Mas não o natural, deve ser uma versão modificada que confere vigor supostamente ilimitado. — declarou Karen.
— Mas ele é um robô, né? Pra quê precisaria de mais vigor? — interrogou Jessie, confusa.
— Provavelmente ele esconde um segredo. Por sorte, os outros mantém seus sinais estáveis já que se afastaram da praia. Se descobrirem algo, tão logo vão nos informar. — disse Dickerson.
O monitor direito exibiu a detecção de um sinal oriundo do interior do submarino.
— Dickerson, alerta de presença biológica no submarino. Não apenas isso, há um outro sinal sobreposto, este é eletrônico. — disse Karen teclando rapidamente no painel — Desencriptei o sistema. — virou o rosto para ele, séria — É uma bomba-relógio.
— Tem como desarmar remotamente? — indagou Dickerson próximo dela.
— Há um outro criptograma que funciona como firewall anti-hackeamento. Obviamente, não temos tempo pra decifrar antes da bomba explodir.
— Vessel deixou um prisioneiro lá dentro e programou a detonação depois do navio zarpar. — disse o explorador que virou-se a dupla Ranger — Seja quem for, salvem.
— Tá, mas e depois? — indagou Tim.
— Mandamos seus zords pra que persigam o navio com base nas coordenadas do radar. Na água e no ar buscando sinais de localização.
— Beleza, agora tô com a esperança renovada! — disse Tim.
— Teleportei seus morfadores e células. Aqui estão. — disse Karen entregando-os.
— Ah, valeu Karen. Naquele sufoco com os piratas-lagosta sentimos que tínhamos até os perdido. — agradeceu Jessie pegando seus itens junto de Tim.
— E aí, tá pronta? — perguntou Tim a esquerda dela.
— Sempre pronta. — falou Jessie esticando os braços com a célula abaixo do morfador para encaixar.
— Pois então... É hora de morfar! — bradou o Ranger Azul — Tubarão Cobalto!
— Águia Flavescente!
A dupla se teleportara até o interior do submarino cuja luz vermelha de alerta encontrava-se acesa e preenchendo o ambiente.
— Vamos fazer assim: eu pego o prisioneiro e você cuida da bomba. — propôs Tim.
— Peraí, mas não é você o especialista anti-bomba?
— Eu não levaria tanto tempo pra desarmar, mas você é bem indecisa se for uma bomba que tiver dois fios, um azul e outro vermelho.
— Tim, o Sr. Dickerson não nos mandou desarmar a bomba e sim se concentrar em salvar quem estiver preso aqui. — disse Jessie caminhando pelo espaço de paredes metálicas e rústicas — Mas onde será que tá? Essa luz vermelha atrapalha.
Karen fazia contato com a Ranger Amarela.
— Jessie, à sua esquerda, há um compartimento de carga, o radar indica a presença biológica nesse ponto.
Jessie seguiu na direção referida e, auxiliada por Tim, abrira com força a pesada porta com tranca em forma de válvula. Enfim achavam o cativo amarrado nas maos e nos pés e inteiramente coberto por uma capa preta.
— Ótimo, encontramos! — disse Jessie pegando o cativo pelas pernas com ajuda de Tim que levantava pela cabeça.
— Vamos dar o fora daqui! — disse Tim, logo ambos carregando a vítima de sequestro para fora. O Ranger Azul sacou sua pistola Z, disparando numa porta lateral que explodiu em faíscas e foi derrubada. Ambos saíram as pressas, tomando distância segura no instante da detonação da bomba que gerou uma explosão retumbante e tremenda.
A onda de choque chegou a derrubar os dois Rangers no solo de areia junto ao ex-prisioneiro que se debatia.
— Nossa, essa foi de detonar geral! — falou Tim olhando o estrago atrás.
— Foi mesmo. Me ajuda aqui a desamarrar. — pediu Jessie tentando desfivelar os cintos nos pulsos — Calma, o pior já passou, você tá livre.
Quando Tim terminara de libertar as pernas e logo retirou parte da capa negra que cobria a cabeça, a dupla Ranger não conteve o assombro acerca da identidade do sequestrado.
— Não acredito... Mas essa é a... — disse Jessie recordando-se do rosto da garota de cabelos lisos e ruivos que arfava bastante.
— Loah! — exclamou Tim com emoção vibrante. A abraçou impulsivamente — Mas que baita surpresa, eu finalmente te reencontrei!
— Tim, então... é você mesmo? Achei que eu estava delirando pela privação de água. — disse a princesa de Aquathlan de olhos fechados, sorrindo — Você me salvou outra vez... — abriu um pouco os olhos — Ah, me desculpe... Você deve ser a Jessie, né? Obrigada a você também, tenho outra dívida de gratidão.
— Não nos deve nada, relaxa. — disse Jessie ajudando-a a levantar — Tim, ela tá muito fraca. Ela só vai conseguir explicar tudo se estiver bem hidratada.
— Loah, eu vou chamar meu zord tubarão pra você pegar uma carona comigo, daí você pode tomar um pouco de água do mar pra recuperar suas forças. Tudo bem?
— Não tem problema em esperar, eu aguento mais um tempo. Obrigada, Tim, eu pressenti que muito em breve nos veríamos de novo, tinha certeza durante toda a viagem até aqui.
— Como sabia que o Capitão Vessel estava de rota até essa praia? — indagou Jessie.
Loah os olhou com certa seriedade.
— Porque eu o trouxe até aqui.
***
No porão do navio pirata, Austin e os demais viam-se enjaulados feito animais num zoológico. O Ranger Vermelho chutou a tranca.
— Droga, não basta estarmos presos aqui, ainda estamos sem nossos morfadores.
— Mas se tivéssemos os morfadores, não estaríamos presos, certo? — perguntou Owen.
— Tem razão, assim que pisássemos no convés era hora de morfar e salve-se quem puder... pra eles, lógico. — disse o líder.
— Nos resta contar que Jessie e Tim virão nos resgatar trazendo os morfadores e as células. — falara Zoe, um tanto tensa — Mas não sei... E se Lokknon tiver mandado algum monstro terrível atacar a cidade pra deixa-los ocupados?
— A pior das hipóteses, sem dúvidas. — concordou Damian.
— O Sr. Dickerson tem os clones holográficos, eles quebram um galho. — disse Austin.
— Com perdão pelo trocadilho, mas... é difícil acreditar em resgate a curto prazo quando ficamos a ver navios. — comentou Damian se encostando nas grades.
— Tem que haver um jeito de romper esses grilhões, estão apertando meus pulsos. — disse Owen batendo os grilhões nas grades da jaula.
Um Crabditch entrara na sala com um molho de chaves e se aproximou da jaula procurando a chave correta para abri-la. Os heróis entreolharam-se com suspeitas. O subalterno abrira a jaula, gesticulando para saírem.
Austin fora na frente seguido de Zoe, Owen e Damian que foi espetado no quadril pela espada do soldado crustáceo.
— Ei, sem violência, estamos andando. — repreendeu o Ranger Preto.
Outro Crabditch surgiu para conduzi-los até a sala de Vessel que os aguardava com alguns outros soldados. O capitão pirata bebia um óleo numa taça sentado numa cadeira que antes fora um barril.
— Ai estão os meus valorosos troféus. Aproximem-se, não sejam tímidos!
— O que vai fazer com a gente? — indagou Zoe tendo seus grilhões removidos assim como os demais.
Vessel que jogou a taça ao chão, raivoso. Levantou-se
— Em linha reta! — mandou os Rangers se alinharem enquanto o comandante naval aproximava-se — Preciso fazer uma exame cuidadoso para avaliar suas condições físicas. Mostre a língua pra mim você com cara de CDF.
Damian recusou-se mostrando tensão.
— Os meus negociantes apreciam muito as línguas de criaturas da superfície, é a parte favorita que eles gostam de saborear! — disse Vessel sacando sua espada — Mostre-a ou eu vou arrancar as de todos vocês!
— Vamos ser comidos por monstros marinhos... — disse Owen.
— E eu achando que ser vendido fosse a pior parte. — cochichou Austin.
— Damian, faz logo o que ele manda. — pressionou Zoe.
O Ranger Preto o fizera hesitante.
— Mais, mais... Mais! — disse Vessel analisando — As papilas estão em perfeito estado. Nenhum amarelado sequer.
Logo mais, Vessel examinara Zoe, Austin e Owen. Após a vez do Ranger Verde, o mesmo notou algo no bolso de trás da calça de Vessel quando o capitão virou de costas, uma corrente fina dourada meio por fora. A pegou ágil sem que nenhum soldado notasse. O objeto que puxou era um apito folheado a ouro. O colocou rápido no bolso de sua bermuda verde de praia.
— Agora passaremos para a próxima fase. Vou preparar a máquina de bio-transmutação.
— Sei que proibiu perguntas, mas o que exatamente é essa máquina? — indagou Austin.
— Abro uma exceção a essa. — disse Vessel virando-se para eles — Posso resumi-la como a tumba onde morrerão e renascerão como seres híbridos aeróbicos e anaeróbicos, hahahah!
— Pra simplificar, seremos transformados em criaturas aprimoradas com DNA humano e animal para sermos vendidos e devorados por um bando de canibais subaquáticos! — sintetizou Damian.
— Ah, mas isso não vai acontecer de jeito nenhum! — disse Austin — Rangers, atacar!
Os quatro subitamente moveram-se, atacando os Crabditchs ali presentes com chutes e golpes certeiros que os derrubavam contra caixotes e barris de peças mecânicas. Austin dera uma rasteira em um antes de ser alvejado por Vessel e sua espada vindo golpea-lo por cima. O líder Ranger rolou no chão para um lado, esquivando da espada que bateu no piso metálico.
— Vacilou feio mandando tirar os grilhões! — alertou Austin recuando depressa — Vamos, pessoal! — os demais juntaram-se a ele em fuga, saindo da sala.
— Peguem-nos! — ordenou Vessel aos Crabditchs que correram. Austin seria o último a sair e aproveitou para derrubar uma pilha de barris a sua esquerda, conseguindo fazer alguns dos soldados caírem, logo correndo — Seus palermas, levantem, mexam-se! Eles não podem escapar! — reclamou o capitão reerguendo dois deles a força e os empurrando. Tateou os bolsos do sobretudo — Onde está? Cadê meu apito? Meu precioso apito foi surrupiado por um daqueles moleques! — brandiu sua espada em cólera.
Já fora da área interna, porém escondidos próximos da cabine de comando dentre vários materiais como âncoras e barris, os Rangers tentavam travar uma via de fuga definitiva.
— Vamos nos teletransportar direto pra Central de Comando ou ver se tem alguém além de nós preso aqui? — perguntou Zoe.
— Acredito que não sejamos os únicos. — disse Austin — Nos teleportamos pra lá e pegamos nossos morfadores e voltamos pra cá resgatar quem estiver marcado pra ser vendido.
— Karen pode ter teleportado as células e morfadores. — disse Damian — Mesmo que não haja ninguém mais cativo, ainda temos que tomar o tesouro que ele desenterrou.
— Eu concordo em não subestimar ele, mas isso aqui me deixou super-curioso. — disse Owen mostrando o apito — Parece um apito de marinheiro. Roubei do Vessel sem ele notar. — entregou para Austin que analisou o objeto.
— Pra mim parece ser só um apito comum. E... tem umas letras gravadas. PK.
Karen entrara em contato sendo prontamente atendida por Austin.
— Na escuta.
— Ah, que bom ouvir sua voz, Austin. Vocês estão transitando por uma região conhecida como Triângulo da Caveira. Como estão?
— Tivemos a chance de escapar, mas estamos tentando ficar fora de vista no navio.
— Que ótimo, permaneçam escondidos até Jessie e Tim chegarem com seus zords. Adivinhem quem está acompanhando eles.
— Quem é? — indagou Zoe.
— Loah, a princesa do reino de Aquathlan. Havia sido capturada pelo capitão Vessel e deixada no submarino que explodiu por uma bomba-relógio.
— Loah? Reino de Aquathlan? — indagou Owen.
— A gente te situa depois sobre isso. — garantiu Damian o tocando no ombro.
— Karen, achamos um apito dourado, na verdade o Owen pegou escondido do Vessel. Tem iniciais nele... PK. Será o nome verdadeiro do Vessel ou de algum marinheiro?
Dickerson assumiu a comunicação.
— Estão transitando pelo Triângulo da Caveira, certo? — teclava no painel numa pesquisa — Aqui está, o naufrágio do SS Hydra ocorrido em 1965. PK são as iniciais do capitão do navio, Phillip Keleher, ele foi declarado morto após o fim das buscas das quais só extraíram restos do navio nas rochas costeiras dessa área. No dia fazia um forte nevoeiro, o navio colidiu numa rocha e sofreu um grave acidente.
— Então esse capitão dado como morto... — disse Owen.
— É o Vessel. — disse Austin — Sr. Dickerson, não acharam mais nada desse navio?
— No fundo do oceano, não. Foi como se tivesse deixado rastros do acidente e desaparecido no nevoeiro. Provável que vocês estejam no mesmo navio, mas reconstruído.
— Parece uma daquelas histórias sobre o triângulo das bermudas. — disse Zoe.
— Vamos usar esse apito pra negociar com o Vessel — disse Austin — Devolvemos se ele nos libertar.
— Eu posso assegurar de que esse acordo não será consumado! — disse Vessel acima do cabine de comando, os surpreendendo.
— Pra que esse apito serve, afinal? — questionou Austin.
— Você não ousaria descobrir! Mas não tenho porque dar explicações! Crabditchs, ataquem!
O quarteto separou-se sendo perseguidos de todas as direções pelos soldados de Vessel, encurralados e forçados a combate-los. Paralelamente, Tim e Loah, no fundo do mar, seguiam no zord Tubarão Cobalto.
— E aí, Jessie, como que tá indo?
— De vento em popa. — falou a Ranger Amarela no cockpit da Águia Flavescente sobrevoando o oceano a certa altitude — Se eu detectar qualquer sinal primeiro, te aviso.
— Fechou. Já estamos há poucas léguas do território chamado Triângulo da Caveira. Manteremos contato. Copiou? Câmbio e desligo. — encerrou a chamada de forma brusca.
— Ô Tim... — reprovou Jessie — Ah bom, já sei qual é a dele. OK, privacidade pros pombinhos.
— Eu esqueci de contar a você sobre como fui capturada. — disse Loah de pé a direita dele — Bem, eu revelei a Jessie primeiro...
— O quê? Contou pra Jessie e não pra mim?!
— Me desculpe, mas é que você saiu tão apressado em ir pegar água do mar pra mim e eu estava pra falar aos dois, então...
— Sem problema, eu não tô chateado. Me diz aí, o que aquele capitão maluco quis com você? Você deu a ele de bandeja um tesouro.
— O baú enterrado naquela praia não é o tesouro que ele procura. Eu falsifiquei o mapa antes de ir com eles quando invadiram meu reino. Vessel ameaçou meu pai caso a única pessoa que sabe a localização do tesouro não o ajudasse, no caso eu. — informava a princesa — Só o fiz chegar até a Alameda dos Anjos porque seria o fim da linha pra ele graças aos Power Rangers.
— Legal, você foi muito esperta, tapeou ele direitinho. O problema é que ele planeja vender meus amigos pra uma gangue...
— Fossonoides. — revelou Loah num misto de apreensão e seriedade — São seres horrendos, se alimentam de pessoas da superfície, mas Vessel deseja transformar em híbridos de peixes e humanos para envenena-los, ele é muito traiçoeiro, não a toa que fui descartada.
— Então esses fossonoides morrem se comerem carne de peixe? Mas se o Austin e os outros podem virar metade humano e metade peixe, como os bandidos não vão perceber?
— Acho que a parte peixe ficaria interna e a pele humana seria como uma embalagem bonita.
— Entendi. Ladrão que engana ladrão tem cem anos de perdão. Acho que é mais ou menos isso.
Loah dera uma risada cobrindo a boca.
— Ah, falei uma coisa estúpida, né? Liga não, sou assim quase o tempo todo, meus amigos estão bem acostumados.
— Gosto de como você fala, já melhorou meu humor. Pra ser honesta, conversar com você, Tim, torna mais fácil lidar com esse problema. Você me dá esperança de que tudo acabe bem.
— Eu... não sabia que tinha esse poder.
— Pode ser um dom. Creio que seus amigos também sintam isso de você. Ahn... Não quero ser indelicada, mas... Poderia tirar seu capacete?
Tim rapidamente largou as mãos dos controles e virou o rosto para ela. Jessie escutava a conversa após ligar a linha privada.
— Não, não acho que vai acontecer... Para de pensar nisso, Jessie, se concentra na missão.
Tim retirava o capacete, exibindo seu rosto que fizera Loah sorrir e enche-lo de expectativa.
— E agora? — indagou ele aproximando sua face à dela.
A princesa fechou os olhos e vagarosamente levou os lábios... que logo colaram na testa do Ranger Azul.
— Você... só queria ver meu rosto, né? — disse Tim soando desapontado.
— Sim. — respondeu ela serenamente.
— Então... — disse Tim expressando mais com o cariz do que com a fala.
— Não, seria errado. Ainda mais porque... eu me comprometi com alguém do reino. Sou uma princesa de Aquathlan, não posso fugir das tradições do meu povo por mais que eu queira.
— OK, eu tô de boa... — disse Tim desviando o olhar meio triste, voltando a pilotar — Você merece ser feliz com alguém parecido.
Loah o fitou um tanto triste, comprimindo os lábios. Jessie lamentara consigo mesma:
— Ah, que pena... Só amigos. Pareceu uma ceninha triste de novela. A vida é muito injusta.
***
Na tentativa de pegarem um bote avistado após o teleporte se mostrar mal-sucedido, os Rangers inevitavelmente combatiam os Crabditchs. Zoe havia encontrado remos e distribuiu para Owen e Damian, logo depois batendo em vários dos soldados piratas, o trio chegando a mandar alguns para fora do navio.
Austin, porém, estava encurralado pelos homens-crustáceos ao recuar até o trampolim que só veio a perceber quando já se via na metade do caminho, temendo se desequilibrar e cair ao olhar para as águas meio revoltas abaixo. Vessel subira na gávea para adverti-lo.
— Devolva meu apito se não quiser ser lançado ao mar para o deleite dos tubarões!
— Ainda quero saber porque você tem tanto medo do que acontece se o apito for soprado!
Os soldados se aproximavam armados com as espadas, um deles pisando no trampolim e o deixando instável para Austin.
— Acredite, não é aconselhável sopra-lo por essa região, estará condenando a todos nós, incluindo seus amigos!
Austin olhou para o apito dourado que segurava, depois para Vessel com um sorriso de canto.
— Jogue o apito, meu jovem! Prometo abrir mão da negociação com os fossonoides, mas por favor não cometa o erro de sopra-lo!
A Águia Flavescente e o Tubarão Cobalto aproximavam-se da opulenta embarcação de metal.
— Maravilha, encontramos o navio! — disse Jessie.
— Essa zona do Atlântico é muito instável, há algo místico que interfere em tudo que queira sair daqui. — informou Loah — O tesouro... A caveira de ouro, talvez esteja aqui por perto.
Austin novamente olhou para o apito e o levou a boca, assim soprando-o fortemente. O som estridente atormentou os ouvidos de Vessel que caiu da gávea aos gritos. Repentinamente, o mar em torno do navio se moveu agressivo num redemoinho que se elevou unindo-se a força do vento, arrastando os zords tubarão e águia no tornado aquático parecendo crescer até tocar o céu.
— Mas o que é isso? Parece um furacão! — disse Jessie, alarmada.
— Não dá pra manobrar os controles! — disse Tim.
— É um vórtice! — revelou Loah — Está nos sugando!
— Segurem-se! — berrou Austin agarrado firme no trampolim. Os demais sofriam para manterem-se seguros nos pontos onde tentavam se firmar tomando banhos torrenciais.
O vórtice de água emergiu próximo a uma ilha onde via-se um clima deprimente com um céu cinzento de nuvens escuras e águas turvas quase negras. O navio caíra na areia, virando. Os zords aportaram com impacto no solo arenoso. Tim e Loah saíram ao mesmo tempo em que Jessie deixava seu zord.
Austin e os outros corriam até eles.
— Jessie! — gritava o líder acenando — Tim!
— Austin! Pessoal, vem logo! — chamou Jessie.
Ao se reunirem, a surpresa da presença de Loah contagiou Austin, Zoe e Damian..
— Espera, você é aquela princesa do reino aquático que foi salva ano passado. — apontou o Ranger Vermelho.
— É a Loah! — disse Zoe indo abraça-la — Nossa, nem acredito! Pensei que nunca mais nos veríamos de novo!
— Zoe, também senti sua falta. E temia nunca mais pisar na superfície depois de... me casar.
— O quê? Você já é casada?! E eu achando que o Tim fosse um bom pescador. — disse Owen.
— Esse aí é o Owen, o novato, ele é melhor como Ranger do que dando opinião. — provocou Tim.
— Bom rever você, Loah, mas será que poderia nos dizer onde viemos parar? — perguntou Damian.
— Com certeza não foi pra uma ilha paradisíaca. — comentou Jessie.
— A lenda da caveira de ouro é muito vaga sobre o lugar para onde o poder do apito traz.
— Que apito? — indagou Tim.
— Esse aqui, estava com o Vessel. — mostrara Austin.
— E voltará às minhas mãos! — disse Vessel acompanhado de seu exército — Maldição! Que penúria ter que voltar a esse maldito lugar de onde sofri para sair! Você me paga, seu moleque atrevido!
— Foi assim que veio parar nessa ilha! — disse Austin — Soprou o apito pra sair do Triângulo da Caveira e salvar sua tripulação.
— Este apito é uma herança valiosa de família, eu prometi a eles que como capitão do SS Hydra encontraria o tesouro. Mas fui ingênuo, pensei ter remanejado o navio para um zona segura e me dei conta de que esse fim de mundo já tinha um dono!
— Alguém já estava aqui? — indagou Zoe.
— Ainda está, eu presumo! Um cientista insano que me transformou nesse monstro de aço e minha antiga tripulação nesses crustáceos humanoides descerebrados!
— E pra qual propósito específico queria o ômega 3? — questionou Damian.
— Eu tinha um novo corpo humano guardado em sono criogênico, bastava eu transferir minha consciência com a tecnologia que roubei do tal cientista e adquirir a vida eterna! E posso ainda realizar essa façanha se eu arrancar esse apito das suas mãos e aprisionar todos vocês aqui! Crabditchs, avancem! — brandiu seu gancho apontando aos heróis.
Jessie pegara sua bolsa na qual guardou os morfadores e células dos amigos.
— Gente, rápido, peguem! — entregou os itens.
— Valeu, Jessie! Finalmente. — dissera Austin pegando os seus. Alinhou-se com os outros que estenderam os braços para encaixar as células nos morfadores — Prontos? Hora de morfar!
— Touro Ônix!
— Gorila Esmeralda!
— Arraia Rósea!
— Leão Escarlate!
Após a morfagem, a praia da ilha tornou-se palco de uma batalha resumida em golpes e acrobacias eficazes por parte dos Rangers.
— O tesouro pode estar aqui em algum ponto! — disse Loah que puxara Tim pelo braço.
Ambos corriam pela areia fina afastando-se da luta. Mas Vessel não facilitaria nenhuma fuga de sua vista.
— Aqueles dois, peguem-os!
Um punhado de Crabditchs correra para alcança-los. Porém, a dupla dobrou para a mata onde os despistaram.
— Essa ilha deve ser enorme. E se o tesouro estiver enterrado? Como vamos saber? — perguntava Tim, aflito.
— O apito. — disse Loah revelando-o — Austin foi discreto em me confia-lo sem que Vessel notasse. Veja, está brilhando. — pusera no pescoço como um colar. O objeto se moveu apontando o trajeto — A lenda é real!
— Ele brilhando assim quer dizer o quê?
— Quer dizer que o tesouro está perto. O apito conectado à caveira salvará a ilha da maldição e a colocará de volta no mapa. Vamos!
Ao ver seu exército facilmente massacrado, Vessel procurava por seu assistente, o qual flagrou tentando uma fuga para a floresta. Esticou seu braço direito e o agarrou com o gancho.
— Capitão, não me puna! Estava tentando buscar refúgio, não abandona-lo!
— Punir você?! Pelo contrário, irei promove-lo! — disse Vessel o agarrando pelos tentáculos do rosto e os ligou ao seu peito metálico desnudo.
— Não, senhor, prometemos nunca nos vincular, pode ser perigoso!
Austin deitava um dos últimos soldados com um golpe de karatê.
— Nem precisamos das nossas armas pra acabar com esses caras de siri!
Subitamente, um tiro de laser os atingiu tremendamente, causando uma explosão flamejante que os tirou do chão.
— De onde veio isso? — perguntou Jessie, caída.
— Não de onde... Mas de quem! — apontou Zoe tentando levantar — Olhem!
Vessel mostrava-se inteiramente modifcado e aprimorado após sua fusão com Octress, seu empenhado assistente. O capitão pirata ressurgia marchando com uma aparência cibernética intimidadora e mais vigorosa.
— Parece impressão, mas não é. Ele ficou mais forte! — indicou Austin.
— O que ele virou? Davy Jones? — disse Owen reerguendo-se.
— Rangers, hora de revidarmos à altura! — disse Austin entre os amigos que assentiram.
— Coletes Zoomorph! — bradaram em uníssono — Cartões da fera! — insieriram os cartões nas entradas dos coletes — Ativar Modo Fúria Animal!
Os quatro Rangers foram imbuídos com a energia maximizada da morfagem, ganhando seus trajes individuais relativos ao aumento de poder com suas respectivas armas.
O avanço corajoso dos heróis em rota de colisão com Vessel estimulou o capitão a disparar com canhões que substituíram as mãos.
Cada disparo gerava uma explosão de fogo, faíscas e areia próxima dos Rangers. Já Loah e Tim adentraram numa caverna, guiados pelo apito reluzente.
— Tá esquentando... — disse o Ranger Azul caminhando depressa ao lado dela.
Porém, Crabditchs vieram do lado esquerdo ameaçando-os.
— Porcaria, essa caverna não devia ter porta dos fundos! Loah, pega o tesouro, eu dou um jeito neles!
A princesa acenou positivamente com a cabeça e seguiu adiante, o apito querendo puxa-la. Percorreu um túnel escuro que descia em curva, o brilho do apito como a única luz. Achara o baú sobre uma pedra, a chave logo inserindo-se na fechadura do baú que fora aberto, revelando o crânio humano dourado e cintilante.
— É fascinante. O povo dessa ilha merecia ter vivido pra ver esse milagre acontecer.
Loah pegara a caveira e correu de volta a Tim que disparava com a pistola Z nos Crabditchs, alternando com golpes marciais que os derrubaram.
— Consegui, Tim!
— Boa, vamos nessa!
A caverna iniciou um desmoronamento que os levou a correr freneticamente até a saída. O desabamento selou o destino dos Crabditchs. A dupla retornou a praia no instante em que Vessel era atacado pelas garras das patas leoninas de Austin e foi arremessado para ser atingido pela bola demolidora de Damian que o mandou contra o navio onde o convés sofreu um rombo.
— Vejam, o Tim e a Loah voltaram! — apontara Jessie.
Owen prendia alguns Crabditchs em cordas.
— Esse é o castigo por serem uns fracotes.
Vessel reergueu-se entre os destroços, avistando a caveira.
— Meu tesouro! — dizia ele com uma voz grave e sinistra — Estava aqui o tempo todo!
Loah colocara o apito entre os dentes do crânio e o ergueu. A caveira brilhou em dourado ressoando o som do apito que vibrava em ondas se estendendo em toda a ilha e no mar. O cenário alterou-se drasticamente: as areias ganhando tons amarelos e o céu junto ao oceano ganhando tons de azul vivos com o dissipar das nuvens sombrias deixando a luz solar sorrir novamente para o arquipélago.
— Cara, isso foi a coisa mais fantástica que já vi! — disse Tim — A ilha voltou a ser bela!
— Não comemorem tão cedo! Um bom marinheiro pode até naufragar, mas nunca se deixa morrer na praia! — disse Vessel que puxara uma corda na barriga. Um processo de gigantização se sucedeu, surpreendendo os Rangers.
— Ah, que ótimo, ele também fica grandão! — disse Tim juntando-se aos amigos que haviam desativado o modo Fúria Animal.
— Mas se estamos numa realidade fora do tempo-espaço, como iremos convocar os zords? — perguntou Damian.
— A maldição se foi fazendo a ilha voltar a realidade normal. — dissera Loah.
— Nesse caso... Precisamos do poder Megazord agora! — bradou Austin.
As máquinas animais vieram em teleporte devido a longa distância, correndo rumo ao campo da batalha entre gigantes. Os cinco Rangers logo saltaram para os cockpits.
— Chaves de comando, ativar! — retiraram duas respectivas chaves e as inseriram — Ligado!
— Sequência Megazord! — falou Austin.
Os zords enfim conectaram, logo formando o Megazord Z que pousou frente a Vessel que disparava tiros na floresta visando destruir a ilha.
— Sabre Selvagem! — bradara Austin invocando a espada prateada que logo caíra na mão direita do robô. O Megazord avançou desferindo um corte da espada em Vessel que estava de costas. O capitão, porém, não deixou-se tombar.
— Não vai se sentir um vencedor se descontar sua raiva na ilha! — disse Zoe.
— É, vira pra cá e encara a gente feito homem! — reforçou Tim.
— Meu maior arrependimento foi traze-los comigo! — reclamou Vessel que alongou os tentáculos do rosto contra o robô, prendendo-o no torso, nas pernas e nos braços — Sintam minha força esmagadora!
— Pior que ele não tá brincando! — falou Jessie em meio a faíscas salpicando.
— A estrutura do Megazord está sofrendo avarias superficiais! — avisou Damian.
— Nada que a Chama Cromática não resolva! — dissera Austin. O sabre fora banhado pelo fogo multicolorido e foi movido contra os tentáculos, cortando-os impiedosamente.
— Não! — disse Vessel que recuou com o golpe.
Dickerson fizera contato.
— Rangers, agora sim a comunicação se restabeleceu! A ilha voltou ao mapa, justo na zona do Triângulo da Caveira. Na pesquisa, descobri antigos mapas que a indicavam.
— A Loah nos contou, Sr. Dickerson! A ilha sofria de uma maldição, só que a história toda envolvendo o tesouro ainda é um mistério. — falara Austin.
— Tenho novidade pra você, Tim.
— Pra mim?! Caraca, eu nem me aguento esperar! Fala logo, Sr. Dickerson!
— O seu desempenho até aqui levou ao desbloqueio de um protezord.
— Protezord? Um novo tipo de zord? — indagou o Ranger Azul.
— Mais precisamente um zord de suporte armado. Com eles vocês redobram a performance de combate sem dependerem do escudo e do sabre selvagem. Tim, o seu já está a caminho, é o sapo. Espere pra ver do que ele é capaz.
— Um sapo?! Tá pra mim, pode vir com tudo!
O protezord vinha saltando na praia como um sapo real, além de coachar tal qual. O sapo azul com detalhes amarelos saltou direto ao Megazord, se fixando ao braço direito que tratava-se do Tubarão Cobalto, logo assumindo a forma de um disco. Vessel atacou com seu gancho, mas o Megazord defendera-se com a espada, logo revidando um golpe eficaz direto no peito do capitão que explodiu em faíscas.
— Protezord sapo atacar!
O disco disparou uma chuva de dardos que atingia Vessel gerando explosões múltiplas e faiscantes e o levando a recuar mais.
— Jamais me renderei! — rebateu Vessel que lançou seu gancho preso a uma corda metálica. O pequeno sapo azul disparou sua língua esticável que envolveu a corda e o gancho que logo foram puxados fortemente e quebrados.
— Você já era, Vessel! Insígnia Feroz! — disse Austin. O Megazord fizera o círculo em sentido horário com o sabre.
— Partir! — disseram em uníssono.
O ataque fora efetuado contra Vessel que caiu de forma explosiva. O capitão e seu subalterno voltaram a praia separados e em suas estaturas normais.
— Você é quem eu não devia ter levado, sua garotinha astuta! — disse Vessel levantando e mirando em Loah que estava ao lado de Owen. O capitão sacou sua espada indo ataca-la, mas o Ranger Verde barrou o acesso.
— A sua sorte é que não sentiu o poder da minha arma secreta... até agora!
— Aí, Owen, deixa que damos um chega pra lá nesse xarope! — disse Tim do Megazord. O robô baixou sua mão direita até Vessel, logo dando um peteleco que o mandou a uns bons metros até a floresta.
— Eu ia detonar ele! — resmungou Owen.
— O único com direito de salvar a Loah no final sou eu, hahaha! — comemorou Tim — Subam a bordo! — o Megazord abrira a mão os convidando. Ambos ficaram na palma do robô — Loah, já pode soprar o apito pra nos tirar daqui!
— Espera, o que garante que vamos voltar ao litoral da cidade? — perguntou Damian.
— A Loah me contou que após a maldição ser quebrada você pode soprar o apito e voltar pro lugar de onde veio só imaginando ele!
A princesa o fizera com fôlego máximo. O vórtice de água emergiu poderoso envolvendo o Megazord, bloqueando a visão de Vessel e seus capangas desesperados com o navio avariado. O redemoinho subira no mar californiano a alguns metros da praia no instante em que o sol se punha. Sob o céu alaranjado o Megazord aproximou Loah e Owen do peito onde situava-se a janela redonda do cockpit.
— Aí, tá tudo bem? — indagou Owen amparando Loah que mostrou-se tonta e cansada.
— Eu soprei com tanta força que... agora não dá mais pra disfarçar minha necessidade de voltar ao meu povo.
— Loah, você já tem que ir, né? Seu corpo tá desidratado por ficar tempo demais longe de Aquathlan. — disse Tim num tom desalentado.
— Tudo bem, Tim, aguento mais um tempo... pra me despedir.
— Definitivamente?
A princesa o olhou com um sorriso condescendente se aproximando da janela.
— Quero que saiba, Tim, que mesmo estando presa a um casamento aquathlaniano... Vou ama-lo nas minhas lembranças.
A princesa virou as costas até os dedos da mão do robô, mas Tim ansiava dar sua resposta como a última palavra. Se levantou para falar o mais alto que podia:
— Loah! — ela voltou-se a ele — Eu te amo!
Loah lhe sorriu aberto e enchida de gratidão, logo virando-se para mergulhar também ouvindo as vozes dos Rangers se despedindo. Ela lhes acenou sorridente e tocou no ombro de Owen. Saltou ao mar como uma exímia nadadora, seguindo ao fundo do oceano rumo ao seu reino.
— Oh, foi bonitinho, você todo apaixonado se declarando. — disse Owen com postura piadista — O que você daria de presente pra ela?
— Deixa eu pensar... Ah, droga, esqueci de perguntar quando ela faz aniversário!
— Mas como você daria esse presente? — indagou Jessie.
— Nem sabemos exatamente por onde se acessa Aquathlan. — disse Zoe — Daquela primeira vez foi pura sorte.
— Que pena, Tim! Mas se for pra sugerir, eu diria que uma vara de pesca seria ideal. — zoou Owen.
— Vara de pescar?! Sai fora, eu daria uma ostra com a pérola mais linda dos sete mares, isso sim! Olha que eu te jogo na água hein...
— Ei, ei, Tim, não tem graça, para com isso! — disse Owen se segurando nos dedos do Megazord cuja mão direita balançava leve.
— Quem mandou não chamar o seu King Kong? Opa, cuidado pra não escorregar!
— Para, não me deixa cair! Eu não sei nadar!
Os demais Rangers desataram a rir com a brincadeira, o Megazord caminhando rumo a praia em meio ao pôr do sol mais deslumbrante que se podia contemplar na Alameda dos Anjos.
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