Power Rangers: Esquadrão Z
41 Espelho Negro
Notas iniciais

A segunda vinda do parque de diversões Califunny a Alameda dos Anjos movimentou o dobro de pagantes da temporada anterior, especialmente por uma atração há muito reclamada pelo público mais jovem, no caso a requisitada sala de espelhos mágicos. Na manhã de mais um sábado de curtição, os Rangers se programaram para estarem dentre os primeiros a experimentar a novidade na faixa etária dos 10 aos 13 anos.
— Ligo pro Owen minuto a minuto e só cai na caixa postal. — disse Zoe com o celular na mão caminhando junto aos amigos rumo ao espaço dedicado a atrações relativas ao terror onde se vinculava a sala dos espelhos — Bem, vou mandar uma mensagem, talvez ele veja daqui há pouco.
— Deixa ele, pode ser que esteja treinando no dojo de karatê a essa hora. — disse Austin — Ele se matriculou recentemente e eu dei aquele empurrãozinho pra incentiva-lo a ir até o fim.
— Como ele tem tanta energia pra treinar num sábado de manhã lindo que nem esse? Damian, você tem resposta pra quase tudo, além de você e o Owen serem bem chegados, então diz aí. — disse Tim a esquerda do jovem gênio.
— Não faço ideia de como é a rotina em geral dele, mas creio na hipótese dele estar recorrendo a uma dieta calórica que promova disposição necessária para cada treino. — respondeu o Ranger Preto — E ameniza esse ciúme, o Owen e eu não passamos tanto tempo juntos quanto nós dois.
— Ciúme, eu? Sem problema dividir você com outros, nunca me importei muito com isso, afinal somos uma equipe. — disse Tim que virou o rosto com os olhos fechados e cerrando os dentes tentando conter a sensação de estar sendo substituído como maior parceiro.
— Eu acredito na parte de sermos uma equipe. — disse Jessie em voz baixa a direita de Austin, ambos rindo do amigo brincalhão.
A turma adentrou no espaço reservado a tão aguardada sala dos espelhos mágicos com empolgação partilhada. Após cruzarem um corredor meio escuro, enfim chegavam ao labirinto de grandes espelhos naquele ambiente iluminado com néon azul que promovia uma atmosfera soturna na experiência. Tim foi o primeiro a se ver entre os reflexos distorcidos fazendo caretas e tirando selfies com Damian e Austin. Jessie e Zoe também o faziam, ambas dando boas gargalhadas com as formas bizarras dos reflexos.
— Acho que esse é o único lugar onde a Jessie não fica chateada com o reflexo do espelho a deixando feia. — brincou Tim.
A Ranger Amarela virou-se para ele com um sorrisinho de canto e olhos estreitados.
— Impressão minha ou tá dizendo que qualquer espelho normal me deixa feia?
— Não, não, claro que não, é que... Bom, você é sim bonita, mas é que aqui você pode se sentir feia sem reclamar porque os espelhos...
— Sem mais uma palavra, eu já entendi tudinho. — disse ela fechando a boca do amigo.
— Se a Jessie não pode reclamar de feiura, então você também não precisa se ofender com sua cabeça maior que o normal nos reflexos. — disse Zoe pertinho dele.
— Parando pra pensar... É, isso faz sentido. — disse o Ranger Azul dando de ombros e levando os amigos as risadas — Foi mal pela zoeira, Jessie, você é linda e eu sou um cabeçudo.
— Ah, para, eu só tava te sacaneando, pra variar. — disse a Ranger Amarela.
— Pois é, quem não tem telhado de vidro que atire a primeira pedra. — declarou Damian tocando Tim no ombro ao lado dele.
Lokknon não estava perdendo nenhum segundo do divertimento dos seus arqui-inimigos ao assisti-los pelo visualizador multifocal em sua nave orbitando a Terra sobre o território americano.
— E novamente os Power Pirralhos despreocupados em um dia de lazer. Não é possível que consigam viver suas vidinhas comuns sem sentirem um mínimo de ansiedade ou desespero sabendo que eu estou de vigia em boa parte tempo. E onde está Aracna?
— Ainda no quarto se atarefando com os deveres de professora. — informou Mudok próximo do imperador — Gosto de ver como ela vem se dedicando como se não estivesse conduzindo um plano maquiavélico, essa ideia que o senhor teve ajudou a mante-la quieta sem me aborrecer.
— Ótimo, quanto mais debruçada ela estiver nesse trabalho, maior chance teremos de obter um morfador pois a credibilidade do disfarce não será abalada se ela agir com disciplina. — disse Lokknon que fitou os Rangers com seu ódio colossal, cerrando os dentes — Sempre que vejo esses sorrisinhos de alegria, minha bílis queima no estômago como lava de vulcão! Eles querem se divertir, não é? Pois vamos aprimorar a experiência nessa sala de espelhos distorcidos, hahaha! — bateu sua mão direita fechada no braço do trono, apertando um botão.
Um grupo de pelo menos oito Psycho-Bots surgiu em teleporte cercando os heróis que estremeceram com as aparições repentinas.
— Alguém não esperava por essa? — perguntou Austin em posição de combate pertinho dos amigos.
— Eu tô sempre em alerta. — disse Zoe.
— E eu jurava que hoje não íamos bater nesses debiloides, mas é o Lokknon, ele tá sempre com vontade de estragar nosso dia não importa o que a gente faça! — falara Tim, apreensivo.
— Sorte do Owen que não terá um programa de fim de semana interrompido. — disse Damian.
— O que a gente faz? Olha onde estamos, não podemos chutar as bundas desses panacas aqui sem danificar os espelhos. — disse Jessie.
— Plano B, galera. Ao meu sinal... — disse Austin, atento aos robôs que esperavam movimentos bruscos para atacarem. Estalou os dedos para cima — Separem-se!
Os Rangers separaram-se em diferentes rumos do labirinto espelhado. Austin derrubara com chutes dois robôs que tentavam barra-lo e correu labirinto adentro. Jessie e Zoe empurraram juntas outros dois que barraram o caminho, cautelosas em não joga-lpos contra os espelhos. Tim e Damian desviavam de golpes físicos dos soldados que os impediam de seguir, logo ambos dando ataques simultâneos: o Ranger Azul com uma rasteira e Damian apreciando um chute com giro na cabeça.
— Esse pique-esconde apenas os fará se perderem! Que belo plano de um líder, Ranger Vermelho, hahahaha! — zombou Lokknon.
— Ótima estratégia, Austin. — elogiou Damian falando no comunicador ao correr por uma via do labirinto — Usar as ilusões dos espelhos contra eles tem probabilidade alta de sucesso!
— Valeu, Damian! Tomem cuidado, saibam usar os espelhos pra confundi-los. — avisou Austin que escondeu-se ao ver uma dupla de Psycho-Bots vindo do corredor esquerdo procurando ansiosamente pelos heróis.
Os robôs logo avistaram o reflexo de Austin que se moveu estrategicamente para engana-los. A dupla de soldados atirou com os detonadores nos espelhos que estilhaçaram com explosões de faíscas.
— Eu tô aqui, seus imbecis! — disse o Ranger Vermelho saltando e chutando um deles, logo voltando-se ao outro e o agarrando após soca-lo várias vezes no abdômen — Você vem comigo.
Outros dois Psycho-Bots vinham num corredor próximo e viram o reflexo de um deles. Ambos entortaram as cabeças emitindo seus ruídos eletrônicos ao estranharam o soldado parado e foram se aproximando. Austin veio em cambalhotas por um ponto cego nos espelhos, logo os chutando habilmente ao derruba-los. O Psycho-Bot usado como isca vinha cambaleando e ameaçou atirar, mas Austin correra por mais uma via do labirinto.
— Vem me pegar! — disse o líder se ocultando entre os espelhos.
Enquanto isso, os reflexos enormes de Tim cercavam dois Psycho-Bots confusos com o cerco de espelhos.
— Olaaa, olha eu aqui! Duvido vocês descobrirem onde que eu tô!
Os robôs assentiram um para o outro e dispararam lasers dos detonadores nos espelhos que os cercavam. Tim corria abaixado, escapando dos estilhaços voando pelos lados.
— Eles não sabem distinguir as presenças e os reflexos. — apontou Damian pelo comunicador.
— Isso simplifica nosso trabalho. — disse Zoe escondida atrás de um espelho. Um robô avistou-a por um reflexo e a Ranger Rosa fizera uma careta mostrando a língua e correra. O Psycho-Bot destruíra o espelho com tiros. Zoe logo veio num salto dando um chute que o derrubara.
— Mas assim irão destruir todos os espelhos. — alertou Jessie escondida atrás de uma fileira de espelhos. Antes que um Psycho-Bot atirasse numa das superfícies refletores, a Ranger Amarela agira rápido ao vir por trás dando uma joelhada nas costas do robô e o derrubar como num golpe de judô.
— A Jessie tá certa... — disse Austin sentindo-se cansado ao esconder-se novamente — Acho que esse meu plano não foi tão esperto quanto eu pensava, acabou que até eu to me sentindo confuso. Os reflexos deles também podem nos enganar, não tem como nos livrarmos tão fácil.
Na nave de Lokknon, Mudok analisou o cenário como um todo para os heróis.
— Mestre, e minha opinião valer de alguma coisa, eu sugeriria que o senhor recolhesse os Psycho-Bots.
— Ora, mas por que justo agora? A medida que os espelhos forem destruídos, eles terão um espaço ainda menor para se esconder e iludi-los, tudo está correndo perfeitamente bem.
— Os Rangers já estão perdidos nesse labirinto, não devem se lembrar do ponto de partida. E se usássemos um monstro que transitasse entre os espelhos para prende-los em outro mundo?
Lokknon ponderou a ideia, pensativo com a mão cofiando o queixo e dando seu típico gemido de reflexão.
— Posso lapidar essa ideia para algo estupendo. Você me deu uma inspiração certeira, Mudok! — disse o imperador que logo depois batera no botão do trono, levando os Psycho-Bots a desaparecerem na sala de espelhos.
Todos os cinco viram os robôs serem teleportados, mas a atenção voltou-se a um problema decorrente da estratégia impulsiva.
— Eles se foram. — disse Austin passando a olhar em volta com os espelhos em torno dele — Só que...
— É, eu bem que temia. — disse Damian transitando por um corredor a procura da saída.
— Sim, nos perdemos. — falou Jessie, apreensiva em meio aos espelhos — Todos nós.
— Zoe, tá tudo bem com você? — perguntou Austin — A sua claustrofobia tá atacando?
— Mais ou menos... Mas acho que dá pra segurar. — respondeu a Ranger Rosa num tom nervoso — Devíamos ter esperado até amanhã que é a estreia oficial quando o guia vai vir.
— Ou temos comprado um cachorro-quente pra deixar as migalhas pelo caminho desde que a gente começou a fugir dos palhaços de lata. — sugeriu Tim, a voz meio trêmula.
— Até parece que um cachorro-quente duraria tempo o bastante na sua mão pra fazer uma trilha de pedaços. — retrucou Damian.
— E agora? Será que tem câmeras por aqui? — indagou Jessie.
— Bem pensado, não podemos teletransportar se houverem. — concordou Austin — Vamos tentar achar nossos caminhos de volta, uma hora ou outra nos esbarramos, essa sala não deve ser muito grande.
— Falou. — disseram os demais em uníssono, encorajados a tentativa de se reencontrarem.
Barooma se encaminhava ao bio-modelador.
— Feito, milorde! Os dados relativos a espelhos e suas particularidades já foram baixados e transferidos junto a uma gama de informações que vão conferir plenos poderes de manipulação interdimensional! — pegou na alavanca, logo baixando-a com força — Que venha com muita saúde!
A máquina manifestava seus habituais efeitos durante a modelagem da criatura, exalando o vapor de fumaça branca e piscando as luzes feito relâmpagos numa tempestade. Aracna veio correndo a sala com empolgação.
— Eu não iria perder a criação de mais uma aberração do Barooma nem com a montanha de trabalho que eu tenho!
— Podia ter vindo antes para ouvir o mestre acatando uma ideia minha para transformar num plano contra os Rangers. — provocou Mudok.
— E daí? Se tivesse sido eu, ele teria concordado do mesmo jeito. — rebateu ela fazendo pouco caso — O que vai sair daí?
— Um monstro que manipule realidades falsas através de espelhos, levando em conta que espelhos sejam mundos invertidos alternativos.
— E o que os Power Pirralhos estão fazendo pra ter inspirado isso? — indagou Aracna tentando visualizar a ms imagens na tela com olhos estreitados — Essa fumaça não me deixa ver! — tentou dissipar o vapor com uma mão — Devia ter trazido meus óculos!
O monstro enfim saíra do bio-modelador, mostrando-se pitoresco na aparência. Sua face resumia-se em um espelho escuro com olhos e boca negros como desenhos de pincel.
— Ahn, ô Barooma, não acha que esse daí tem nasceu com uma deformação na cabeça? — suspeitou Aracna, estranhando-o.
— Hum, olhando com atenção... — disse Mudok o analisando — Me parece que a cabeça dele e o corpo são anatomicamente a mesma coisa.
— Não o julguem tão antecipadamente, ainda mais pela aparência! — retrucou o cientista — Ele possui todos os atributos necessários para servir não apenas contra os Rangers mas colocar a cidade inteira deles em perigo real!
— Sabem, eu não gostei nem um pouco desse tratamento preconceituoso a minha forma física, exijo uma reparação! — disse o monstro.
— Aceita um registro de identidade como pedido de desculpas? — propôs Aracna sorrindo de modo falso a criatura numa postura pacífica.
— Quer dizer um nome? Está bem, chamem-me do que quiser, mas desejo saber imediatamente qual mundo irei despovoar para preencher minhas dimensões espelhadas!
— Então deve ouvir a palavra soberana do mestre, Reflector. Gostou?
— Eu disse que não me importava, mas sim, é um nome decente. — disse Reflector dando alguns passos a frente para dialogar com Lokknon — Mestre Lokknon, o que me subordina a fazer?
— Até que curti esse jeitinho meio vovô dele de falar. — disse Aracna.
— Se ele sobreviver aos Rangers, faça dele seu novo pai adotivo. — falou Mudok próximo dela.
— Novo pai adotivo? Nunca fui adotada, eu só tenho um pai, mas não temos nos falado ultimamente... Se bem que ultimamente é uma palavra pequena demais pra dizer o quanto me afastei da minha família.
— Silêncio! — bradou Lokknon, enfezado — Tenho somente uma pergunta a você, Reflector, pois não tenho dúvidas do que é capaz de fazer com esses terráqueos ordinários. Mas e com os Rangers, será que pode transtorna-los com ilusões de seus próprios reflexos neste lugar?
— Hehehe, eu captei a mensagem de sua proposta, mestre Lokknon. Vou tratar de brincar com as mentes desses jovens nessa sala deslumbrante. — disse Reflector com expectativa ao olhar os heróis pelo visualizador.
A corrida para se reunirem permanecia incansável entre os Rangers no labirinto espelhado. Jessie andava devagar, meio exausta.
— Não aguento mais... Eu vou pirar aqui dentro!
— Ah, mas tenha a absoluta certeza disso. — disse o reflexo de Jessie no espelho atrás dela. A Ranger Amarela virou-se e recuou vagarosa ao encarar atônita — Você não é tão bonita quanto acredita ser. Quer que eu te mostre?
— O que tá havendo? Sei que os espelhos são mágicos, mas isso é pra ser divertido.
— Veja o quanto você é horrenda. — disse o mau reflexo de Jessie que foi se metamorfoseando a uma aparência envelhecida e horrível.
— Não! Para, eu não tenho medo de ficar velha, mas também não quero virar uma bruxa! — disse ela aos berros tapando o rosto.
— Pois é exatamente assim que você ficará. Estou lhe mostrando o futuro.
O reflexo maligno se estendeu aos demais espelhos ao redor, aterrorizando-a cada vez mais. Jessie correu tapando os ouvidos, mas via em cada espelho sua forma horrenda rindo malevolente.
— Isso não é real... Eu não vou ficar com a minha cara destruída assim! Nuncaaaaa!
Para Tim, o reflexo forjado por Reflector atacava o tamanho de sua cabeça.
— Hahahahaha, olhem pra ele, é difícil entender como o corpo dele sustenta uma cabeça enorme dessas! Hahahahaha!
— Ei, que parada sinistra é essa? Os espelhos... estão falando comigo!
— Cabeção! — diziam repetidamente os reflexos crescidos com expressões maldosas em volta do Ranger Azul que se atemorizava.
— Ei, para... Para com isso, a minha cabeça não é tão grande assim! — disse Tim tocando na cabeca com as duas mãos — É a impressão que dá já que eu não tenho tanto cabelo!
Mas os reflexos malvados insistiam na repetição do tempo "cabeção" com deboche, provocando a sensação de baixa autoestima.
— Eu... — disse ele olhando em torno com uma expressão quase chorosa — Eu não sou um cabeção, me deixem em paz! — agachou-se de olhos fechados, mantendo a saia na cabeça.
O comunicador dele tocara.
— Fala, Austin. Eu tô passando por uma sessão de tortura aqui com os espelhos falantes!
— Eu também... Acho que todos nós estamos sofrendo com esses reflexos do mal! — disse o líder encarando seus reflexos odiosos lhe dizendo o quanto ele foi um líder ineficiente.
— Não sabe liderar! — insultou um.
— Não é inteligente! — falara outro.
— O Damian teria planejado algo melhor! — dissera outro.
— Você no fundo sabe que ele seria um líder mais intuitivo e esperto. Só decepciona seus amigos querendo impressiona-los!
— Mas você é um reles lutador de karatê, a fibra de um líder não depende só disso.
Austin apertou um botão na pulseira para comunicar a todos em alerta.
— Amigos, o que quer que seus reflexos digam a vocês, não se deixem levar! Não é real!
Zoe e Damian ouviram o aviso e tentaram aplicar suas defesas psicológicas.
— Seus pais nunca vão concordar com seus sonhos! — praguejou um dos reflexos maldizentes de Zoe.
— Estilista? Design de moda? Esquece, você não tem futuro nesse ramo.
— Vai viver à sombra dos seus pais até eles partirem. — dissera outro arqueando as sobrancelhas com expressão maldosa.
A Ranger Rosa engolia em seco mantendo-se firme. Damian também impôs resistência.
— Se você se julga tão inteligente, por que não deu sua palavra antes do Austin? — questionava um dos reflexos dele.
— Talvez seja porque você se sente intimidado com a liderança dele. É fraco demais pra questionar as ordens dele!
O Ranger Preto fechou os olhos, tranquilo.
— Falem o que quiser, não vou me abalar por essas inverdades. O Austin é um dos meus melhores amigos, nunca me sentiria inferior nem superior a ele que é um ótimo líder e tenho grande orgulho de lutar ao lado dele, pois cada Ranger é relevante por si mesmo.
Reflector via sua artimanha enfraquecer diante da segurança instigada que os Rangers expressavam. Jessie, por exemplo, destapou os ouvidos, passando a encarar seus reflexos de braços cruzados com um semblante confiante.
— Não sei quem tá por trás dessa brincadeira de péssimo gosto, mas já pode parar, já cansou.
— A minha cabeça pode até ser grandinha, mas ela é bem útil as vezes. — dissera Tim, firme.
— Eu não vou ficar a sombra dos meus pais pra sempre, pois mesmo que meus sonhos de cursar moda na faculdade deem errado e eu assuma os negócios da empresa eles vão respeitar minha independência! — declarou Zoe.
A face de Reflector surgia no lugar dos maus reflexos, surpreendendo-os.
— Então preparem-se pois serão os últimos a serem sugados a uma das minhas dimensões! Aguardem, hahahaha! — logo em seguida o rosto neutro sumirá dos espelhos, os reflexos originais dos Rangers retornando.
— Viram o que eu vi? Apareceu do nada uma cara esquisita com voz de velho. — disse Tim.
— Isso tem cara de ser obra do Lokknon, tirando proveito de onde estamos pra mandar um monstro que tire uma onda com a gente. — disse Austin.
— Ele sumiu, mas ainda continuamos perdidos. — disse Zoe.
— Mas se não fosse por sua força de vontade compartilhada conosco, Austin, teríamos sucumbido ao estresse emocional, ficaríamos reféns das nossas próprias vozes nos acusando das nossas próprias limitações e defeitos. — assinalou Damian.
— Verdade, é assim que um líder age. Valeu, Austin. — agradeceu Jessie.
— Nossa, valeu digo eu. Naquela hora eu tava quase acreditando que não fosse um líder digno pra vocês respeitarem.
Os comunicadores tocaram simultaneamente. Austin prontamente atendeu ao chamado num ponto cego dos espelhos.
— Na escuta, Sr. Dickerson.
— Rangers, preciso que venham agora mesmo. Um desaconselhável vendedor de espelhos chegou na cidade. Ah, e podem se teleportar, Karen verificou: não há câmeras funcionando aí.
— Ótimo, estamos a caminho. — disse o líder.
Os heróis apertaram os botões de teleporte nas pulseiras, logo tornando-se pilares de luzes coloridos e chegando a Central de Comando.
— Como podem ver, ele é um vendedor de espelhos bem apegado aos seus clientes. — disse Dickerson mostrando na tela do monitor principal imagens de Reflector criando espelhos dimensionais que tragavam cidadãos na áridas do centro da cidade.
— Ele tem a mesma cara de fuinha que vimos na sala dos espelhos. — apontou Tim.
— É porque se trata do mesmo monstro, cabeção. — disse Damian — Ops, retiro o que eu disse, foi a força do hábito.
— Não esquenta, já superei, tô até querendo que vire apelido.
— Além de manipular reflexos de espelhos, ele também cria tipo... portais de espelhos? — perguntou Jessie.
— Ele nos disse que seríamos os últimos a sermos mandados pras dimensões espelhadas dele. — recordou Austin — Dimensões quer dizer... mundos alternativos como o multiverso?
— A impressão mais comum de espelhos é que sejam mundos irreais e invertidos. — falou Karen virando para eles sentada na cadeira giratória — Parindo desse princípio de inversão de posições refletidas, creio que esse monstro envie suas vítimas para realidades simuladas sob o total controle dele, mas hipoteticamente operando de modo inverso em cada detalhe.
— Como uma terra onde o dia do contra é eterno. — disse Dickerson — É um bom palpite. — voltou-se aos heróis — Rangers, baseado nessa teoria, evitem serem capturados por esses portais-espelhos. Talvez não consigam derrota-lo em qualquer uma dessas dimensões se tudo for o contrário do que existe no mundo real, inclusive a fala. Vão depressa.
— Vamos refletir todo o nosso poder pra cima dele. — disse Austin pegando sua célula e morfador tal qual os amigos — Prontos? É hora de morfar!
— Touro Ônix!
— Tubarão Cobalto!
— Arraia Rósea!
— Águia Flavescente!
— Leão Escarlate!
Reflector afugentava um bom número de cidadãos na movimentada zona central, alguns até tropeçando, caindo e rolando no chão devido ao medo provocado pelos portais-espelhos que tragavam qualquer que estivesse minimamente próximo. O monstro prosseguia na sua onda de sequestros abrindo seus portais-espelhos para qualquer alma inocente ao seu alcance. Avistou um garotinho de 5 anos correndo no meio da ampla rua comercial.
— Cybertron! — disse ele ao ver que deixou para trás seu boneco de ação. Votou para busca-lo, mas Reflector estava poucos metros de proximidade para captura-lo, pronto para abrir mais um portal com os espelhos das palmas de suas mãos. O garoto ergueu o olhar assustado para ele.
— Você vai direto pra um dos meus mundos, pequenino! Não vai doer nada, eu prometo, hahaha!
Uma chuva de lasers o interceptou, causando explosões de faíscas ao redor. Os Rangers saltaram para perto do garoto quase vitimado em formação para protege-lo.
— Olha, toma aqui. — disse Tim apanhando o boneco e entregando ao menino — Eu tenho um montão igual a esse, cuida bem dele hein. Os heróis de metal são meus programas de TV favoritos.
— Foge daqui, seus pais devem estar te procurando! — orientou Jessie.
O garoto correu falando aos quatro ventos que foi salvo pelos Power Rangers.
— Chega de sequestrar gente indefesa, queremos ver se você nos atinge com esses portais! — desafiou Aistin em posição combativa.
— Acabou a moleza pra você, cabeça de nós todos! — insultou Tim.
— Veja quem fala! — disse Reflector que ergueu de leve as mãos para abrir um portal. O espelho interdimensional abriu-se e moveu-se rapidamente aos heróis.
— Dispersar! — ordenou Austin. Os Rangers deram cambalhotas para os lados, desviando do perigoso portal móvel. — Detonador Max! — invocara a pistola vermelha e disparou cinco vezes, mas Reflector avançava depressa resistindo as explosões de faíscas. O monstro dera uma investida feito um touro indomável, empurrando o líder que pressionava o ombro direito enquanto seus pés se atritavam e arrastavam no solo — Não pode comigo!
— Não esteja tão certo disso! — rebateu Reflector cujo rosto de espelho começou a ondular tal qual água, levando Austin a ter seu braço direito sugado pelo "vidro líquido".
— O que é isso? Tá me puxando... Grr, larga! — forçava Austin tentando puxar o braço de volta.
Damian acionou sua marreta avalanche.
— Calma aí, Austin! — disse o Ranger Preto correndo e parando até que logo bateu fortemente a marreta no solo de concreto gerando um abalo vibratório que afastou Reflector de Austin, derrubando o monstro.
Os demais vieram ajuda-lo.
— Austin, cê ta legal? — indagou Zoe.
— É, eu tô, por pouco o espelho na cara dele não me suga feito areia movediça. — falou ele levantando — Valeu, Damian!
— Alguma coisa tinha que te arrancar dele com urgência. — disse o cérebro do time juntando-se aos amigos. Reflector voltava a ameaça-los.
— Eu ter caído pra um tremor de terra tão baixo não significa que desisti do meu propósito! — mostrou as mãos — Reservei algo especial a vocês, um novo mundo do qual jamais vão escapar sãos e salvos!
Criou um novo e grande portal-espelho qie se formava em pedaços em ritmo acelerado, o teleguiando diretamente aos heróis.
— Barreira Z, amigos, depressa! — recomendou Austin que logo otivera os ombros tocados, os quatro compartilhando suas energias. O escudo holográfico projetado do emblema Z de Austin se fizera protetor contra o portal-espelho. Pelo menos até certo ponto — Aguentem mais... — disse ele, tenso pelas fissuras na barreira.
Reflector empreendeu mais força ao empurrar o portal, os espelhos de suas mãos brilhando como se fosse a luz solar refletida. A barreira se quebrantava cada vez mais, segundo a segundo.
— Austin, não tá dando certo... — disse Jessie, cansada.
— Quanto mais força ele exerce, mais energia é demandada! — pontuou Damian.
O escudo multicolorido se despedaçou ante a força do portal-espelho que os fizera desaparecerem simultaneamente graças a curtíssima distância.
— Maravilha, tenho os Rangers em minhas mãos! Eles jamais conseguirão fugir do que os espera por lá! Mestre Lokknon, orgulhe-se, porque hoje seu servo mais proficiente garantirá que esta cidade seja esvaziada para que enfim seu domínio se consume em toda a glória!
Na Central de Comando, Karen detectava sinais anômalos vindo de um espaço artístico bastante requistitado na Alameda dos Anjos.
— Dickerson, distorções anômalas vindas do museu arcaico. Aprofundando a visualização. — disse a tenha teclando de modo ágil no painel. A imagem exibia uma sala de espelhos datados da era vitoriana nos quais viam-se os cidadãos capturados por Reflector atormentados por estarem presos e pedindo socorro.
— Essa não, são as vítimas de Reflector, todas elas presas nas várias dimensões que ele tem sob controle. — disse o explorador, preocupado — E agora com os Rangers também aprisionados só nos resta contar com Owen pra liberta-las quebrando todos esses espelhos enquanto Reflector está ocupado.
— E se Reflector tentar impedi-lo, Owen pode destruí-lo com o Macro-Detonador, assim salvando os outros. — completou Karen.
— Boa, contate o Owen. — disse Dickerson, otimista com a vitória.
— É pra já. — falou Karen ativando a comunicação com o Ranger Verde que estava treinando sozinho no dojo de karatê que encontrava-se em fraco movimento no dia.
O aspirante a fotógrafo desferia golpes com nítido esforço e uma dedicação indubitável. Deu um chute tobi-geri, mas que acabou mal-sucedido, levando-o a cair de lado.
— Ai, isso é pra me lembrar de nunca me forçar a treinar sozinho quando o instrutor falta. — disse ele com dores leves no braço esquerdo, levantando. O comunicador tocou, alertando-o. Tapou-o para abafar o toque, saindo da arena de treinamento para atender a chamada num ponto reservado perto dos armários — Tô na escuta.
— Owen, vá até o museu arcaico, vou te guiar até o local exato pra você agir. Os Rangers foram capturados por um manipulador de espelhos que também são portais dimensionais. — informava Karen em tom de emergência.
— OK, beleza, eu já tô a caminho. — disse ele que pegara o morfador e a célula na sua mochila e logo foi procurar um ambiente seguro para morfar, saindo despercebido da área de treinos. Fora até o banheiro masculino, adentrando e apressadamente conferindo se os boxes estavam vazios olhando por baixo das portas — Barra limpa... — estendeu os braços para encaixar a célula abaixo do morfador — Muito bem, hora de morfar! Gorila Esmeralda!
O Ranger Verde saía pilotando sua Beast Cycle em alta velocidade rumo ao museu, rasgando os asfaltos. Lokknon não deixara de ter sua típica crise de aborrecimento ao ver seu plano minado, ainda mais com um Ranger notável no jogo.
— Ah, esse Ranger Verde impertinente! Preciso parar de me esquecer da existência desse verme de cabelo loiro por mais insignificante que seja! — logo bateu seu punho cerrado no braço do braço do trono.
O exército econômico de Psycho-Bots surgiu em teleporte barrando a entrada do museu, todos armaodsncom seus detonadores com os quais miraram em Owen se avizinhando com a moto.
— Lokknon comprou esse museu? Pois contratou os piores seguranças do universo! — zombou o Ranger Verde que ergueu a roda dianteira da Beast Cycle. Os robôs abriram fogo, os lasers atingido em volta de Owen gerando tremendas explosões flamejantes. Uma explosão atrás do herói verde o fez sair do chão com a moto, mas aproveitou para disparar os lasers dos faróis em pleno ar. Os tiros causaram explosões que danificaram os Psycho-Bots severamente, os levando a queda desastrosa.
A Beast Cycle atravessou a nuvem de fumaça passando por cima dos destroços robóticos. Owen freiou de lado com barulho dos pneus, estacionando a moto.
— Alarme ativado, hora de botar a mão na massa de vez! — disse ele, logo subindo depressa a escadinha para adentrar no museu.
Enquanto isso, os Rangers viam-se em meio a paisagem urbana com a qual estavam familiarizadas, uma verdadeira réplica da Alameda dos Anjos nem parecendo que estavam suspensos da realidade original.
— Era esse algo especial que aquele esquisito preparou pra gente? — questionou Jessie.
— Eu tava esperando uma sala dos espelhos que nem a do parque. — disse Tim olhando em volta — Só que maior e mais assustadora.
— Até parece que estamos ainda no mundo real. — falou Zoe.
— Só tem uma diferença bem óbvia... — apontava Damian.
— Pois é, não há ninguém além de nós. — dissera Austin em tom preocupado — Galera, isso não passa de uma versão espelhada da cidade, mas desabitada.
Para a infeliz surpresa dos heróis, vários Psycho-Bots saíam de dentro de becos, prédios, residências e lojas, um grupo se avolumando e marchando diretamente ao quinteto em todas as direções.
— Pelo visto, de desabitada essa falsa Alameda dos Anjos não tem é nada! — disse Jessie se posicionando em combate.
— Olha quantos deles apareceram do nada! — disse Tim, atônito com a horda de robôs — A galinha dos ovos de lata do Lokknon não para!
— Mas e quanto a situação na realidade normal? — indagou Zoe em posição combativa, costa a costa com os amigos.
— Não se esqueçam que ainda temos o Owen, ele pode muito bem detonar com aquele manipulador de espelhos! — disse Austin, preparando-se — O cerco tá se fechando, pessoal, não tem outra saída senão lutarmos!
Os heróis sacaram suas pistolas Z, logo saltando e disparando lasers ferozmente contra os robôs, produzindo explosões fortes faíscas entre os numerosos inimigos. Austin voltou ao solo, logo chutando alguns soldados intercalando com tiros destrutivos da pistola assim como os demais. Paralelamente, Aracna, sentada na sua aconchegante e volumosa almofada púrpura num canto da sala, olhava-se num espelho criado por Reflector para que ela tivesse uma visão realçada de sua beleza física.
— Espelho, espelho meu... Existe alguém mais bela do que eu? — indagou a princesa aracnídea com um sorriso soberbo e uma postura ereta de altivez.
Porém, a face de Reflector surgiu no espelho sobreposta ao reflexo de Aracna.
— Sim, a Ranger Rosa! Hahahaha!
— O quê? Como se atreve a me dizer algo tão ultrajante? — reagiu ela, irritada, levantando-se — Não me coloque abaixo de uma terráquea ordinária que não produz nem metade do mesmo colágeno que eu! — brandiu o espelho na intenção de joga-lo na parede.
— Não, não faça isso, estará cometendo um grave erro se quebrar um dos meus espelhos! — alardeou Reflector parecendo desesperado, o que chamara a atenção de Lokknon e Mudok.
— Isso por acaso me traria um prejuízo considerável? — questionou o imperador.
— O prejuízo seria inteiramente meu, mestre Lokknon. Se um único espelho que crio for quebrado ou sofrer uma única ranhura que seja, meu controle sobre as dimensões é desestabilizado.
— Mestre, veja! — disse Mudok apontando para a tela do visualizador — O Ranger Verde entrou no museu e está quase acessando o corredor dos espelhos antigos. Reflector, aja rápido!
— Mas não há problema se ele os quebrar, não são parte de mim. — ressaltou Reflector.
— Ainda assim tem obrigação de impedi-lo a libertar todos os que aprisionou nos seus mundos espelhados! Lembre-se que necessito de escravos para consolidar minha hegemonia nesse planeta! — disse Lokknon, austero.
— Estou ciente, mestre! Imediatamente darei um jeito de aplacar os esforços desse Ranger restante!
Owen adentrava na ala dos espelhos vitorianos, deparando-se com os rostos de cidadãos aleatórios e aflitos como prisioneiros de cela em agonia pedindo socorro sem gritos audíveis.
— Tá legal, um de cada vez... Não, melhor ir destruindo quantos eu puder. Fiquem todos calmos, cheguei com meu alvará de soltura! — disse ele sacando a adaga Kong com a qual logo iniciou a quebra dos espelhos, desferindo habilidosos e rápidos cortes verticais e horizontais que despedaçavam.
Contudo, Reflector surgia em teleporte no fim do corredor a fim de intercepta-lo.
— Afaste-se dos meus prisioneiros, seu moleque imaturo! — disse o monstro que logo usou os espelhos das palmas das mãos para reluzir um brilho branco que dificultava a visão em Owen.
— Ei, apaga essa luz e vem lutar como se deve! Isso queima a retina! — disse o Ranger Verde com as mãos na frente do visor do capacete.
A claridade intensa não o permitiu sentir o avanço rápido de Reflector de início, mas nos últimos três segundos seu se tido disparou o levando a saltar sobre o monstro e o chutando por trás. Reflector caiu de frente, mas apoiou-se com as mãos, a luz intensa apagando.
— Tá pensando que sou trouxa de não perceber um ataque direto? — falou Owen que logo girou e desferiu um poderoso corte luminoso em diagonal da adaga Kong, mas Reflector criará um portal-espelho que rebatera o golpe ao Ranger Verde. Owen acabou atingido no peito pelo próprio ataque, as faíscas explodindo no traje e o jogando contra uma pilastra.
— Queremos a mesma coisa, então! Uma luta ferrenha até que um caia e o outro fique de pé! — disse Reflector que avançou novamente. Owen levantou depressa e foi ataca-lo com chutes e socos que eram bem defendidos — Não me subestime pela minha aparência! — dera um chute na barriga, depois girando para aplicar um chute do qual Owen desviou. O Ranger Verde tentou o chute tobi-geri, mas seu pé direito prendera no espelho facial de Reflector que repetia sua técnica.
— Grr, solta minha perna, boca de bigode!
— Não quer se juntar aos seus amigos? Hahaha... — disse Reflector elevando o poder de absorção, puxando mais de Owen para dentro do espelho negro que ondulava como água.
— Me solta! Nããããooo! — tentava exercer o máximo de sua força para desvencilhar-se, mas o esforço intenso não foi nada efetivo,'ainda mais após o monstro pega-lo para enfia-lo mais fundo. O corpo de Owen foi tragado pelo espelho — ou rosto — de Reflector cujos olhos e boca voltaram a face de vidro.
— Pronto, todos os Rangers foram neutralizados como o mestre Lokknon pretendia! Agora posso terminar de esvaziar essa cidade até que não haja mais ninguém transitando livremente!
Na dimensão espelhada, os Rangers sentiam o cansaço influenciar fortemente nos desempenhos contra os Psycho-Bots que pareciam infinitos a medida que eram derrotados.
— Eu não tô mais aguentando... — disse Zoe derrubando no chute um robô de cima de um carro de tração. Outro veio atrás agarra-la numa chave de braço, mas a Ranger Rosa resistiu e o jogou ao chão num golpe hábil.
— Será que essa dimensão tá limitando nossos poderes? — se perguntou Jessie próxima de Tim enfrentando três dos robôs sozinha, atacando com socos e cotoveladas, mas também tomando golpes físicos.
Austin saltou para a direita meio deitado disparando com o Detonador Max contra alguns robôs, os lasers causando explosões de fogo que os tiravam do chão e danificavam-os.
— Não tem a ver com esse mundo falso, estamos lutando há um bom tempo! — disse o líder voltando ao chão quase rolando de lado — Reagrupar, pessoal, agora!
Os Rangers seguiriam o líder até o topo de um monumento de granito que oferecia espaço e altura seguros para uma pausa na luta.
— Não importa quantos eliminamos, muito mais deles aparecem! — disse Zoe — Será que são reais ou ilusões como esse mundo?
— Podem ser hologramas. — disse Jessie — Eu lembro de ter notado um desaparecendo!
— Estamos todos cansados... É assim que o Reflector quer ganhar de nós. — disse Austin — Nos fazer chegar ao limite das nossas forças.
— E agora? Olha pra essa multidão, deve ter mais que o exército de orcs do Senhor dos Anéis! — apontava Tim para o extenso número de Psycho-Bots ao redor.
— Os espelhos daqui podem nos levar de volta a realidade original! — deduziu Damian — Supondo que eles também sejam portais dimensionais que permitem viajar entre os mundos espelhados do Reflector!
— Não custa nada tentarmos, boa ideia! — disse Austin — Tomara que funcione. Rangers, naquele prédio, já!
Os heróis saltaram para o terraço do edifício, os Psycho-Bots escalando em polvorosa.
— Bem ali, vamos atravessar os espelhos daquela loja usando as Beasts Cycles! — determinou Austin — Prontos? — os demais assentiram e logo tomaram certa distância do parapeito.
— Beast Cycle, ativar! — falaram em uníssono.
As motos surgiram simultaneamente para em seguida serem pilotadas pelos Rangers que saltaram com as máquinas velozes do prédio para aterrissarem saindo atropelando o vasto exército inimigo sem medo.
— Modo Míssil Turbo! — bradaram os Rangers, a energia de aceleração envolvendo-os junto às motos, arrasando com robôs pela frente. Dispararam emata velocidade até as vidraças da loja de roupas e calçados.
Porém, as motos atravessaram outras vidraças da mesma loja, permanecendo na dimensão ilegítima. Os Rangers frearam bruscamente.
— Ué, não voltamos? — disse Jessie.
— Cidade desabitada. Continuamos no falso mundo alternativo. — aferiu Damian.
— Mas cadê os palhaços de lata? — indagou Tim.
— É como se só tivéssemos atravessado a loja! — falara Zoe, surpresa — Jurava que daria certo!
— Devemos estar numa das dimensões do Reflector. — destacou Austin — Enqjanto atravessamos, vi um monte de portais-espelhos em volta.
Owen vinha ao encontro deles correndo e acenando, o que gerou reconforto em todos.
— Amigos, eu tô aqui!
— Owen, haha, estamos todos juntos finalmente! — disse Austin descendo de sua moto — Quer dizer, uma pena você ter vindo pra cá também. A cidade acabou ficando desprotegida.
— Nem me fala! Aquele monstro não parece, mas é durão de enfrentar. — disse Owen aproximando-se — O rosto dele me puxou pra dentro desse outro mundo.
— Ah, então ele usou em você aquele lance de transformar a própria cara num portal. — disse Austin — Maldito. Eu quase fui o primeiro.
— Ele tá prendendo as vítimas em espelhos no museu arcaico. Fui até lá solta-las, mas não deu pra fazer muito já que ele apareceu, daí lutamos e aqui estou eu me sentindo um fracote por não ter tido força suficiente pra evitar dele me pegar.
— Não esquenta, Owen, você fez o seu melhor. — disse Zoe.
— Ele tem outro truque pra mandar pessoas a essas dimensões, esse sim não dá pra escapar. — informou Jessie — Foi assim que viemos parar aqui.
— Mas não estamos na mesma dimensão anterior. — corrigiu Jessie — É provável que nem haja uma saída concreta pro mundo real.
— E de fato não existe! — falou Reflector vindo até os Rangers que viraram-se alarmados — Estão presos aqui comigo, a menos que me derrotem!
— Então é dessa forma que conseguiremos escapar. Fico até aliviado. — disse Owen.
— Até achei que íamos ficar dando voltas em vão com as motos que nem um cachorro correndo atrás do próprio rabo. — falou Tim.
— Pois sinto muito, Reflector, mas você acabou de nos dar esperança! — disse Austin — Rangers, vamos elevar o nível!
— Coletes Zoomorph!
Os coletes surgiram em teleporte, os heroisnlogl sacando as cartas da fera e inserindo-as mas entradas retangulares.
— Ativar Modo Fúria Animal!
Os trajes similares a armaduras com armas avantajadas assumiram os uniformes.
— Não contem vantagem pra cima de mim, fedelhos! — disse Reflector que avançou. Tim e Zoe saltaram num chute em dupla, empurrando-o, logo depois vindo Austin ataca-lo com as garras das patas leoninas velozmente e empurra-lo contra um carro que explodiu intensamente. O líder saltou para trás. Mas Reflector ressurgiu emergindo do solo.
— Tá com calor? Então se refresca! — disse Tim mandando um potente jato d'água do hidro-canhão que atordoou Reflector. Zoe reforçou com o disparou de bolhas expelidas qie causavam estouros de faíscas. Contudo, Reflector criou portais-espelhos rebatendo os golpes que acertaram a dupla.
— Tenta refletir isso aqui! — disse Jessie voando baixo com as asas e atacando ferozmente com as super garras raptoras, mas Reflector criava barreiras com os braços, logo chutando a Ranger Amarela que batera num poste. Não se dando por vencida, voou alto e disparou as penas cortantes, as quais foram refletidas por um portal, atingindo-a e derrubando-a.
Damian veio rodando a bola demolidora com a corrente e a lançou contra o rosto de Reflector que foi brutalmente acertado e mandado para longe. O monstro deu-se conta de haver uma fissura na face ao levantar.
— Meu espelho central... Meu rosto! Está trincado! Minha estabdoade de controle dos meus mundos está enfraquecendo!
— Que ótima notícia! — disse Owen sobre um carro portando o Macro-Detonador em seu ombro direito e o mirando em Reflector — Fica paradinho pra foto! — disparou o flash paralisante o imoblizando — Disparar!
A esfera de energia verde eletrificada vinha até Reflector que novamente usou um portal-espelho, mas a esfera atravessou e saiu de uma vidraça de loja atrás dele, atingindo-o com uma fragorosa explosão. A dimensão quebrou-se literalmente como um vidro no céu, as vítimas aprisionadas em seguida libertas e alegres, reaparecendo nos locais onde foram apanhadas. Brock e Stuart riam e se abraçavam após o sufoco com os reflexos malévolos.
— Boa, Owen! — elogiou Austin cotrendo até ele junto aos demais — Voltamos a realidade!
— Mandou ver, detonou ele sem dó! — disse Tim.
— Mas o estranho é que o tiro do Macro-Detonador não foi refletido de volta pra você. — destacou Zoe.
— Eu não esperava que ele refletisse, imaginei que só quebraria o portal feito vidro. — disse Owen que não tinha nada específico em mente.
— Então não foi um plano? — indagou Jessie.
— O disparo refletiu das vidraças da loja por conta dele ter perdido o controle das dimensões. — analisou Damian — Você sabia que ele seria atingido daquele exato ponto, né?
— Não, eu só atirei e... Bom, digamos que foi sim minha intenção ataca-lo por trás sabendo que tinha espelhos que poderiam mandar os ataques de volta depois que ele teve o rosto quebrado e perdeu o controle dos seus mundos. — disse o Ranger Verde de braços cruzados com a mão no queixo sentindo-se maioral — Podem me agradecer pelo meu cérebro de estrategista nato.
— Ah, para com isso, você não engana ninguém... — disse Tim em coro com os outros zoando o amigo que gargalhava.
Lokknon manifestou sua cólera retaliatória.
— Laser regenerador, Barooma, agora!
— Com prazer, mestre! — disse o subalterno que bateu no botão vermelho. O raio esverdeado retilíneo caiu sobre os restos de Reflector que foi revivido e agigantado.
— Esquece, não me agradeçam ainda! — disse Owen olhando para o colossal monstro.
— Precisamos do poder Megazord! — bradou Austin.
Os zords saíam dos hangares rumo ao campo de batalha, logo sendo pilotados pelos Rangers que saltaram aos cokcpits.
— Chaves de comando! — destacaram suas respectivas chaves, as inserindo depois — Ligado!
— Sequência Megazord, ativar! — acionou Austin.
As máquinas animais ligaram-se, formando o Megazord Z que pousou para luta.
— Sabre Selvagem! — bradaram os Rangers. A espada caiu sobre a mão direita do robô que avançou a manejando.
— Venham, venham, eu posso não parecer tão alto, mas meus espelhos estão intactos e compensam meus limites físicos!
O Megazord desferiu três cortes de luz branca com a espada, mas Reflector lançou portais das mãos, assim mandando os ataques de volta ao robô que foi atingido por estouros de faíscas no corpo. O cockpit chacoalhava.
— Detesto admitir, mas ele tem razão! — disse Damian.
— Desse jeito mal podemos chegar perto dele! — disse Jessie.
— Qualquer ataque será refletido! — falou Zoe — Talvez até a Insígnia Feroz!
— Temos que encontrar uma abertura pra danificar qualquer espelho das mãos dele! — definiu Austin.
— Precisam de uma mãozinha? — disse Owen que logo soprou o apito da adaga Kong. O Gorila Esmeralda veio rugindo e batendo seus punhos no peitoral de aço. Owen saltou para o cockpit, movendo-o a batalha — Cuidado pra não escorregar na casca! — o zord jogava as tropi-granadas que acertaram Reflector com explosões em volta e o atordoaram.
O gorila jogava mais, porém o monstro se atentou e criou um portal-espelho que as refletiu de volta a Owen causando explosões no zord que fora derrubado.
— Owen, tá tudo bem? — indagou Austin.
— Tudo joia, pessoal! Depois da queda tem que se levantar! — respondeu, reerguendo o zord.
— Pois então vem pra cá! Ativar sincronia zord! — disse Austin acionando a fusão com o Gorila Esmeralda cujas partes separaram-se com raios verdes e ligaram-se ao Megazord Z.
— Megazord Z x2! — disseram os seis.
— Ei, que sinal é esse no meu painel? — indagou Owen juntando-se aos amigos no cockpit.
— Owen, é um sinal de sorte. — disse Dickerson com entusiasmo — Você acabou de desbloquear seu protezord, o Porco-espinho. Chame-o imediatamente.
— Não tenho um Colete Zoomorph ainda, mas um zord novinho dá pra se contentar por enquanto! — disse Owen, empolgado — Protezord Porco-Espinho, despertar!
O porco-espinho robótico pintado de verde e preto viera correndo e pulando entre os prédios. Pulou e girou vertical até o Megazord liberando sua cauda que enrolou-se no dedo indicador direto do robô.
— Ah, que maneiro, um ioiô! — disse Tim — Já brincou com um, Owen?
— Um não, vários! Tenho uma coleção enorme! Nunca pensei que usaria pra lutar! Vamos lá, Porco-Espinho, disparar estacas!
O Megazord girou o ioiô lançando os espinhos do zord contra Reflector cujos portais não refletiam bem e eram atingidos. Alguns espinhos acertaram o rosto do monstro.
— Oh não, meu rosto não! — disse assustado erguendo de leve as mãos para proteger a face, o que ironicamente forneceu a abertura perfeita. O porco-espinho girando foi lançado contra os espelhos das mãos, quebrando-os. Luzes saíam das fissuras que se espalharam por Reflector.
O monstro caíra para trás, explodindo fatalmente. A comemoração dos Rangers foi agitada e jubilosa, o Megazord fazendo o porco-espinho descer e subir como um autêntico ioiô em postura vitoriosa.
***
Na tarde daquele sábado, Damain havia convidado a todos do grupo para a inauguração de um novo invento revolucionário. A turma estava na casa de ferragens improvisada como um laboratório pelo Ranger Preto. Sentados, esperavam ansiosos ele trazer a engenhoca da vez.
— Anda, amigão, mostra logo esse espelho mágico, tô quase pirando de esperar. — falou Tim entre Jessie e Owen.
— E você será o primeiro a testar. — disse Damian vindo com o espelho ainda coberto por um pano marrom claro que logo foi retirado — Tcharam, contemplem o espelho que reflete pensamentos.
— Peraí, ele mostra tudo o que podemos pensar? — perguntou Austin, interessado — Sério mesmo? Nesse caso o Tim talvez não seja a melhor escolha pra um teste.
— Ei, eu não penso bobagem o tempo todo. — retrucou Tim com um sorrisinho — Que tipo de coisa vocês acham que eu penso demais?
— Não sei, ahn... Em beijar a Cindy? — palpitou Zoe.
— Colar adesivos românticos no armário dela sem ninguém ver? — especulou Jessie.
— Quase acertaram. — disse o Ranger Azul fazendo sinal de pouco com os dedos.
— Pessoal, esse espelho não reflete pensamentos como memórias, sonhos ou fantasias. — informou Damian se aproximando.
— Poxa, então não vai ser como assistir vídeos pela Internet. — disse Owen meio desapontado.
— Nesse ponto vocês me superestimaram. O limite de reflexão é quanto a pensamentos de autoimagem. Tim, olhe fixamente para o espelho e pense em como você se imagina daqui há alguns anos.
O Ranger Azul fitou o espelho concentrado e sério. A imagem surgida no reflexo mostrava-o um pouco mais velho com uniforme de policial.
— Olha só, funciona mesmo! — disse Jessie.
— Legal, é como se você estivesse vendo a si mesmo no futuro seguindo a carreira do seu pai, Tim. — disse Austin, impressionado.
— Incrível, Damian. Como o espelho cria esse reflexo exatamente como é o pensamento? — questionou Zoe, fascinada.
— Tá vendo esse ponto vermelho aqui em cima? É um leitor de ondas cerebrais. Se o foco visual estiver 100% voltado ao espelho com a imagem mental clara, vai refletir com uma boa taxa de exatidão. — explicou o Ranger Preto.
— Ui, como fiquei bonitão nesse uniforme. — disse Tim admirando-se com o reflexo — E esse bigodinho charmoso. Cara, o coração da Cindy ia derreter na hora.
Owen ficara mais perto e encostou na cabeça ao lado da dele de repente.
— E com essa roupa aqui ela vai se apaixonar.
O reflexo de Tim alterou-se nas vestes, de um traje policial imponente para um vestido rosa de bailarina.
— Ei, que negócio é esse? Sai pra lá! — disse Tim, reagindo estupefato e empurrando de leve com o ombro o Ranger Verde que gargalhava — Ah não, volta meu eu do futuro policial gostosão, volta! Damian, o espelho tá com problema! — agarrou o espelho.
— O espelho está bem, o problema é o seu foco. E eu devia ter dito antes que a autoimagem refletida pode ser alterada se outra pessoa cruzar as ondas cerebrais com as suas.
— E você não percebeu, Tim, mas tirei uma foto bem bacana pra postar na web. — disse Owen levantando com a tela do celular a mostra.
— Ah, mas você vai apagar nem que seja na marra. — disse Tim levantando — Me dá isso aí.
— Opa, não, tô quase postando. — disse Owen afastando-se dele. Tim o seguiu pelo recinto tentando arrancar o celular das mãos dele.
— Peraí, Owen, não faz isso! Eu vou virar a maior piada! Me dá, deixa eu apagar essa foto horrível!
Os demais não se contiveram nas risadas vendo a tentativa desesperada do amigo atrapalhado em impedir Owen de expor a jocosa imagem.
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