Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Na excursão para o museu, Tim acidentalmente desperta um faraó mumificado que o amaldiçoa, porém a maldição é transferida de um Ranger para outro. *** E mais uma vez ultrapassou o limite aceitável. Eu vou me divorciar dessa prolixidade e me policiar rigorosamente. Aqui, como de costume, fiz o que deu em betar e podar o máximo possível. Quando todas as cenas importam, não tem pra onde correr. Reescrever é uma opção razoável? Sim, mas no caso dessa fic já se passou um hiato de quase dois meses e não pretendo atrasar mais o andamento da história, essa já é a reta final da 1ª temporada e deve ser agilizada. Aos que não toleram esse número exorbitante, lamento profundamente e se não quiserem continuar acho totalmente compreensível. E aos que resolverem seguir...Tenham uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!

Não importava se apenas com a autorização dos pais ou obrigatória para intensificar aprendizagem de um conteúdo, uma excursão fora da cidade era sempre motivo de celebração para a turma do 6⁰ ano-A para fugirem da rotina escolar maçante na sala de aula. A viagem da vez tivera San Franscisco como destino, mais precisamente o museu de história natural que abarcava um acervo de notável curadoria e variedade. Tutelados por Arianne Webb, a questionável e rigorosa professora substituta, os alunos eram conduzidos pelo guia do museu enquanto recebiam informações históricas que valiam serem anotadas.




Na ala dedicada a Grécia antiga e ao império romano, havia maior dispersão de toda a turma em um momento onde alguns pequenos grupos foram liberados para apreciar as obras de artes e relíquias monumentais e lendárias, mas sem escaparem do afiado olhar regulador de Arianne, a "professora" atenta a quaisquer movimentos, ajeitando seus óculos de grau pequenos.




— Então essa é a adorada Vênus de Milo?! — disse Cindy junto de suas inseparáveis escudeiras, Kate e Lindsey, frente a mítica estátua. A patricinha exibiu seu habitual desdém arrogante — Ainda tô procurando o que acham de tão belo numa estátua sem braços.




Damian e Owen se aproximaram, o Ranger Verde inclusive tirando algumas fotos — com permissão do guia pois se dependesse de Arianne a câmera já estaria confiscada sem prazo de devolução.




— É uma fiel réplica da oficial que está no Louvre. — disse o Ranger Preto — Ficou um trabalho impecável, quem se encarregou merece um prêmio.




— Também acho, minha nota é... — disse Owen que deu um último clique — Dez de dez. Cara, se eu pudesse passava o dia inteirinho aqui. Não é desmerecendo o da nossa cidade, mas esse daqui é uma verdadeira viagem no tempo.




Cindy revirou os olhos para ambos.




— Lá vem os críticos de arte. Olha, já vi muita estátua de requinte que põe essa daí no chinelo.




— A Vênus de Milo é uma das esculturas mais célebres do mundo, um consenso entre os melhores observadores de arte mundial. — salientou Damian — As curvas, os detalhes, tudo nela desperta curiosidade sobre como foi esculpida com tanto apuro.




— Nos poupe, Eisteinzinho. Já basta toda essa aula pra um dia que deveria ser de lazer e diversão. — retrucou Cindy. Tim passou por entre Damian e Owen quase os atropelando. O Ranger Azul arriscava uma interação amigável com Cindy.




— Ei, Cindy, melhor do que uma estátua dessa Vênus não-sei-das-quantas seria uma representando você e sua beleza de deusa grega. Eu mesmo ia fazê-la só pra você como presente de aniversário.




— Isso não é uma promessa, né? Porque se for, pobre de você. — disse Cindy com escárnio, rindo com as amigas infames.




— Anda, cara, vou te livrar de passar mais vergonha. — disse Damian tentando afasta-lo das garotas implicantes — Vai me recompensar por isso hein.




— Não, peraí, só um instante. — voltou-se de novo a Cindy — É sério, eu tentaria fazer uma estátua que fosse bem a sua cara, ia ficar super irada. Seu aniversário é só em outubro, certo? Tenho bastante tempo até lá.




Damian bateu a mão no próprio rosto em constrangimento enquanto Owen balançava a cabeça em negação com reviradas de olhos.




— Isso sim que eu chamaria de presente de grego. — rebateu Cindy com canalhice.




— Presente de grego? Bem, a ideia é ser uma estátua parecida com a de uma deusa grega...




Jessie se intrometera após deixar Zoe prestigiando ao lado de Austin alguns trajes romanos imperiais.




— Tim, se liga, ela tá usando uma expressão que significa um presente horrível. — falou a Ranger Amarela em tom de ataque a rival — Larga de arrastar asa pra essa esnobe, vem pra cá ver mais esculturas.




— Esnobe não, queridinha, esnobre. — disse Cindy com soberba, logo dando risadas com as amigas que irritaram Jessie.




— É esnobe mesmo, porque não sabe ser gentil quando alguém quer te oferecer uma coisa por admiração, por mais que não mereça já que não vale nada mesmo.




— Olha aqui, sua oxigenada, não tô com clima pra suportar piadinhas da gentalha. Pega sua cambada e some daqui, deixe as melhores obras serem vistas por quem tem requinte.




— Chama meu grupo de cambada só mais uma vez. — disse Jessie se aproximando perigosamente.




— Quer que eu soletre pro seu cérebro de loira burra entender? — devolveu Cindy também em rota de colisão




Ambas iniciaram um embate físico com puxões de cabelos, mas que logo foi interrompido por Arianne vindo até elas e as afastando uma da outra com rudeza, a briga chamando atenção de toda a classe rapidamente.




— Mas que algazarra é essa? Estamos em aula, caso não tenham compreendido! Portanto, eu não admito que desviem do foco com briguinhas desse tipo.




— Ela que começou, Srta. Webb! — acusou Cindy — Quase arrancou meu cabelo!




— Mentira! Era você que tava querendo arrancar, nem peguei tão forte!




— Calma, Jessie, esquece ela e vamos dar atenção pro que realmente interessa. — orientou Zoe a contendo.




— Ela me difamou em público! — novamente acusava Cindy, encarando a rival.




— Verdade, Srta. Stone? — indagou Arianne olhando com severidade para Jessie.




— O quê? Tá querendo dar razão pra ela?!




— Eu apenas fiz uma pergunta e eu gostaria muito que me respondesse, a menos que queira tomar uma advertência por desacato.




— Desacato!? Eu não tenho que provar nada, não difamei ninguém, só defendi o Tim que tava levando patada dessa vaca!




— É com essa boca que você beija seus pais? Oh, que vergonha ser da mesma turma que uma escória como essa. Vamos, meninas. — disse Cindy fingindo estar enojada e afastando-se dali.




Arianne voltou os olhos semicerrados e rígidos para a Ranger Amarela.




— Eu estava observando atentamente e pressentia uma reação violenta das duas. Mas pelo que pude notar... você levantou a mão primeiro. — apontou a professora deixando Jessie altamente desconfortável — Te desarmei, não foi? Pois é, tenho olhos como de uma águia.




— Mas falei a verdade, a Cindy tava humilhando o Tim e eu tinha que defende-lo. — justificou Jessie — Tá tão difícil assim de entender?




— Ora, mas que atrevidinha. Aposto que perde essa valentia ganhando uma detenção lá no ônibus. — ameaçou Arianne de modo altivo e severo. Os Rangers naturalmente protestaram.




— Não é pra tanto, Srta. Webb. — disse Zoe dando um passo adiante — Fomos testemunhas. Acontece todo dia, a Cindy sempre age de forma grosseira conosco.




— Além do mais, é exagero aplicar detenção por causa de uma pergunta. — opinou Austin.




— Pois é, só essa semana a senhora já mandou uns oito alunos pra sua sala fazendo redação sobre assuntos que não fazem ideia. — disse Tim — Eu não vou ser a próxima vítima, né?




— Quem sabe. — respondeu Arianne lançando um olhar malicioso para o Ranger Azul que lhe sorriu encantado pela beleza da professora — E eu não aceitarei que reajam contra as minhas decisões em sala. — inclinou-se a eles — Fui totalmente clara? — os Rangers deram acenos positivos e hesitantes de cabeça — Pois bem, comigo é desse jeito: questionem meus métodos, não meus resultados. Lembrem-se que faço isso em prol da educação de vocês.




A professora afastou-se para verificar outros grupos de alunos e checar se tudo permanecia em ordem.




— Como se educa uma classe escolar ditando regras e punições com tirania? — questionou Damian.




— Pergunta pra ela. — disse Jessie — A não ser que queira sua primeira detenção no histórico.




— Ela tá abusando da autoridade do cargo. — analisou Zoe a observando com suspeita — O diretor Brewster nunca aceitaria esse absurdo.




— Tá aí a solução! — disse Tim estalando os dedos como quem acabou de ter um lampejo. Os demais chiaram pedindo silêncio com olhadelas nervosas para Arianne que conversava com o guia — Tá, OK, ser discreto.




— Me diz que não tá sugerindo o que todos nós estamos pensando, Tim. — disse Zoe.




— Mas é isso mesmo que pode dar um freio nela: denunciar pro diretor Brewster. Ela não vai desobedecer o próprio chefe, vai?




— Ué, mas você tava tão caidinho por ela e agora quer que ela seja demitida? — disse Owen tirando sarro.




— Ei, não falei que tava apaixonado por ela. Tá bom, ela é gatona, mas tá transformando as nossas vidas num pesadelo.




— Verdade, mal podemos dizer algo, nem contrariar, que ela já vai querendo meter uma detenção ou advertência. — disse Jessie — Qualquer um pode ser o próximo.




— Entendo que ela é rígida como um general do exército, mas não vamos nos precipitar, faz pouco tempo que ela substituiu a Srta. Paddleton. — argumentou Austin, cuidadoso — Se fizermos uma denúncia sobre o comportamento dela, o diretor pode pensar que estamos de implicância por saudades.




— Nossa, faz sentido. — concordou Zoe — Nesse caso, melhor ficarmos bem quietinhos.




— E aguentamos ela até passar dos limites? Alguma atitude tem que ser tomada e antes dela se acostumar de vez em nos intimidar. — apontou Jessie.




— Ai, toda essa conversa e o fora da Cindy me deram uma tremenda vontade de tirar a água do joelho! — manifestou Tim tocando na pélvis estando com a bexiga pronta para esvaziar.




— Pois vai e volta depressa, a gente tá próximo de migrar pra próxima ala. — disse Damian.




— Volto num segundo. — disse o Ranger Azul saindo desajeitado em direção até onde localizavam-se os banheiros.




— Vocês aí, chega de conversação, é bom se aproximarem pois estamos prestes a irmos para a ala das obras renascentistas. — anunciou a professora com sua dureza no tom.




— Já estamos indo. — disse Austin que voltou-se aos amigos — Pessoal, paciência, ela é só uma substituta. Duvido que fique até as provas finais, a Srta. Paddleton pode voltar a qualquer momento.




A turma seguiu rumo ao ponto onde situava-se a maior parte da classe.




Tim saía do banheiro expirando alívio, seu semblante de tranquilidade.




— Nem deu tempo pra ficar pensando na vida. — fechou a porta — Nunca me senti tão leve.




Prosseguiu assobiando despreocupado olhando os quadros de arte moderna nas paredes dos corredores. No entanto, seu avanço se descobriu errado conforme caminhava e a leveza tranquila dava lugar a tensão crescente.




— Pessoal? Turma, cadê vocês? — perguntava, estando entre dois corredores — Eu já devia ter voltado... Não era por aqui?! Ah não, fala sério! Esse lugar devia ter placas de orientação.




Resolveu seguir pelo corredor a sua direita sem refletir. Viu uma ala cuja placa indicativa foi ignorada e dirigiu-se até ela logo adentrando. Tratava-se do mundo da egiptologia, uma ala contendo réplicas de sarcófagos e tumbas, além das mais diversas estátuas em tamanho real representando deuses e governantes das várias dinastias do império egípcio. Tim as observava com fascínio e vontade de explorar a fundo.




— Uau, o Egito antigo parecia ser sensacional de tão elegante. — viu uma estátuas de Cleópatra e imaginara sua musa desejada, Cindy Harper, encarnando a rainha egipcia com todo o charme e o requinte que ela tanto prezava — Ah, eu daria qualquer coisa pra viver esse sonho e nunca mais acordar. — suspirou em admiração.




Porém, foi andando para trás e acabou esbarrando numa tumba deitada cuja tampa possuía detalhes em ouro e se distinguia um pouco das outras pelo seu tamanho avantajado.




— Opa, o que foi isso? — virou-se olhando a tumba que não havia reparado de cara — Nossa, que susto. Mas... impressão minha ou senti que tem alguma coisa aqui dentro? Será uma múmia? Caraca, sempre quis ver uma de perto. — empolgou-se se pondo na lateral da tumba — Como será que abre? Não custa uma espiada, afinal não tem ninguém pra ver mesmo.




Focou a visão num mecanismo dourado de giro similar à um disco e remetendo uma serpente encolhida. Levou a mão para gira-lo e o fizera em sentido horário. Ouviu um estalido alto após a volta completa.




— Epa, eu abri? — Tim foi recuando temeroso ao ouvir um som de sopro vibrando de dentro para fora da tumba. As travas se abriram em simultâneo antes da tampa levantar subitamente — Por favor, dona múmia, não me mate, eu sou só um garoto inocente e curioso!




O corpo que jazia no interior da tumba, inteiramente coberto com bandagens decrépitas e amareladas, ergueu-se da cintura para cima e virou para aquele que o despertara com estralos nos ossos, o assustando.




— Você... Como teve a ousadia de interromper meu descanso? — disse o faraó mumificado cujos olhos e boca estavam descobertos. Tim tremia nervosamente.




— E-eu... só abri por curiosidade, só isso. Não fazia ideia que tinha alguém morto. Por favor, não faça nada comigo, me perdoa! — ajoelhou-se implorando de olhos fechados com as mãos juntas. Abriu um dos olhos esperando uma reação da múmia — Por favorzinho?




O faraó saíra da tumba mostrando-se irado com a inconveniência e andou devagar até Tim.




— Você tem ciência de quem eu sou? Você tem? — perguntava a múmia com rispidez.




— Na-não... Olha, me desculpa, foi um acidente! E-eu... Eu podia fechar tão fácil como eu abri, daí você volta pro seu descanso eterno. Topa?




— Era pra ser eterno! — vociferou o faraó — Agora você arruinou. Isso não me deixa outra escolha!




— O quê? Ah não, por favor... — disse Tim que tentou se proteger com os braços, o rosto virado. O faraó movia as mãos em círculos proferindo palavras em egípcio arcaico. Quando a última palavra foi pronunciada, um vento forte empurrou Tim contra uma parede.




— Quem é você? Que negócio esquisito foi esse? — indagava ele levantando-se — Pensei que ia me jogar uma das dez pragas do Egito.




— De certa forma, eu lhe lancei uma praga. — disse o faraó de corpo atlético com sua voz rouca e cavernosa — Não há como escapar da minha maldição dos seis tormentos! A menos que...




— A menos que o quê?




— Você a transfira para outras cinco pessoas de seu convívio mais próximo até que seja passada de volta a mim e assim eu poderei retornar ao meu descanso! Caso contrário, sofrerá toda a sorte de desgraças e tormentos.




— Cinco pessoas... Essa não, só pode ser sacanagem. — disse Tim pensando nos amigos.




— Se deseja que eu volte a minha tumba ainda neste dia, repasse a maldição e incentive-os a fazerem o mesmo. Eu sou o temido faraó Akemsés e minhas ordens são inquestionáveis!




— Ok, já entendi, para de apontar pra mim! Eu vou fazer o que tá me mandando, Sr. Akemsés.




— Majestade para você, seu impertinente!




— Sim, sim, majestade! — corrigiu Tim atemorizado quase se ajoelhando em servidão.




— Irei aproveitar minha ressurreição temporária para desbravar o novo mundo que me cerca. Não adie minha volta ao sono eterno, criança! — dissera Akemsés com autoridade. Como se desfizesse em poeira, o faraó saiu pela sala feito um fantasma, atravessando uma parede.




Parado e chocado, Tim ponderou seu próximo passo. Fechou a tampa da tumba.




— Maldição dos seis tormentos, é? Tá bom, conta outra, sua múmia velhaca.




Minutos depois, o Ranger Azul acertara o caminho de retorno a turma do 6⁰ ano-A quando entrou na ala das obras da renascença europeia.




— Ei, galera, tô de volta na área. — disse Tim juntando-se aos amigos — Foi barra encontrar vocês, esse museu parece um labirinto.




— E nós aqui preocupados achando que você tinha sido engolido pelo vaso depois de entupir. — brincou Zoe rendendo risadas dos demais.




— Ha-ha-ha, super engraçado. Mas não, foi bem de boas no banheiro, o problema aconteceu depois que me perdi. Acreditam em mim?




— Depende do que você vai nos contar. — disse Austin, curioso para saber.




— Cara, não diz que você cometeu uma imprudência sem pensar. — falou Damian.




— Bem, eu... — Tim batia as pontas dos dedos de leve olhando baixo — Digamos que fiz besteira acordando a múmia de um faraó de não sei quantas centenas de anos que me lançou uma maldição terrível.




— O quê? Você encontrou uma múmia!? — disse Jessie, surpresa.




— Foi um acidente, é uma tumba meio diferente das outras, fui lá e destravei, daí o maluco se levantou me dando sermão e lançou uma praga pra mim... pelo menos é o que ele chama de maldição, mas não tô nem aí, isso é lorota pra me assustar, não existe esse lance de maldição.




— Uma múmia de verdade tá a solta pelo museu? Tim, você criou uma confusão que vai cair na nossa conta. — disse Austin.




— Se você confessar pra Arianne, seu sonho de ser o próximo a ir pra detenção vai se realizar. — alertou Zoe.




— Eu sei, eu mandei super mal. Mas agora tá feito, não tem como mandar ele de volta pra tumba só fechando.




O pigarro forte de Arianne os fizera dobrar a atenção a explicação de obras do pintor Michelangelo, especialmente Tim que fora selecionado a fazer uma pergunta.




— Sr. Dixon, vejo que tem muitos assuntos urgentes a tratar na sua rodinha de amigos, mas que tal expressar uma dúvida sobre algo realmente importante hein? Vamos, faça. Que questão gostaria de esclarecer sobre essa famosa pintura de Michelangelo?




— Ahn.. Todos esses caras estão dando uma festa?




A pergunta levou os Rangers a suspirarem com olhos revirados. Arianne mostrou incômodo enquanto o guia sentia-se constrangido.




— Isto que vê é chamada de Centauromaquia, a batalha dos centauros. Menos um ponto na sua média, Tim Dixon.




— Tudo bem, apesar disso o Michelangelo sempre foi a minha tartaruga ninja favorita, não sabia que ele botava a mão na massa com um pedreiro. — apontou para a escultura em relevo, a qual logo foi preenchida por labaredas ardentes e elevadas, aterrorizando os alunos e o guia que correu para buscar um extintor de incêndio — Ops, deu ruim!




— Ruim? Isso foi péssimo! — disse Jessie.




— Pior do que você tinha acabado de falar! — reforçou Zoe.




O guia vinha despejando a fumaça do extintor sobre o relevo, porém a ação era inócua ao fogo.




— Não tá apagando! — disse ele, aflito.




— Acalmem-se, crianças, não há motivo pra pânico, estamos todos plenamente seguros. — abrandou Arianne frente aos alunos. Virou-se pae ao guia entortando a boca para falar baixo — O que há?




— O fogo não apaga, já esvaziei o cilindro.




Contudo, o fogo alastrou-se para as obras vizinhas ao relevo, aterrorizando os estudantes




— Todos para fora, rápido! — alertou Arianne.




— Viram aquilo? Foi só eu apontar pra aquela pedra que pegou fogo do nada. — alardeou Tim andando com os amigos rumo a saída da sala em meio aos gritos assustados.




— Acho que não foi exatamente do nada, Tim. — disse Austin, sério.




— Então... A maldição dos seis tormentos é real?! — disse o Ranger Azul, tenso.




— Isso obviamente não aconteceu por um fenômeno natural. — ressaltou Damian.




— Mas por que seis tormentos? — indagou Zoe.




Tim os parou no corredor assim que saíram.




— Preciso contar uma coisa, urgente! Eu tenho que passar a maldição pra um de vocês.




Os Rangers mostraram-se assombrados com a sinistra revelação.




— Ele te mandou fazer isso? Mas pra quê? — perguntou Jessie.




— Na verdade, um tem que transferir a maldição pro outro até que o último passe de volta pra ele, assim ele volta a dormir na tumba.




— Esse é o meio de tranca-lo novamente na tumba. — disse Damian — Mas e aí, como faremos?




— É uma maldição. Sabe lá que tipo de coisa ruim pode acontecer conosco. — falou Zoe, temerosa — Em compensação, podemos ficar ao lado do Tim o tempo todo pra protege-lo.




— Isso até decidirmos quem vai receber a maldição. — disse Austin.




— Fariam isso por mim? Oh, vocês são demais, eu tenho guardas-costas. — se animou Tim, bastante agradecido pelo apoio corajoso.




— Mas não vai se acostumando hein. — disse Owen — Uma hora um de nós vai ter que decidir carregar esse fardo.




— É tipo batata quente. — citou Jessie — Só que nada divertido.




— E temos que decidir ainda hoje, ele não quer esperar o dia todo. — avisou Tim.




Arianne lhes chamou a atenção com impaciência.




— O grupinho da amizade perfeita vai ficar cochichando até quando? Venham depressa se não quiserem morrer queimados!




— Já vamos. — disse Austin seguindo na frente — Olha aí, nem conversar entre nós podemos fazer direito numa situação como essa.




— Não sei, não. — disse Zoe mantendo sua suspeita sobre a professora — O jeito de falar dela... me lembra muito alguém.




Lokknon, como habitualmente fazia, estava no conforto de seu trono metálico com partes acolchoadas assistindo pelo visualizador multifocal o desempenho de Aracna na pele de sua personagem educadora.




— Eu me permito a fazer uma análise crítica: Aracna não está peformando adequadamente! — reclamou o imperador, enraivecido — Era pra ser algo inteiramente acima de qualquer suspeita, mas os pequenos vermes coloridos já conspiram uma investigação pra desmascara-la.




— Nesse tom, o senhor me parece muito arrependido de coloca-la à frente desse plano. — disse Mudok de pé assistindo — Um clone holográfico atuaria de forma mais convincente.




— Já tô por aqui e ouvi essa afronta. — disse Aracna reaparecendo na nave vinda do seu quarto.




— Aracna, posso saber por que abandonou o seu posto? — questionou Lokknon.




— Tive que dar uma escapadinha no banheiro. — disse a princesa aracnídea dando de ombros — Fingindo ir até lá, claro. Disse que demoraria uns cinco minutos. Só queria voltar a respirar o ar frio e gostoso da nave.




— Pois trate de voltar imediatamente! Ou devo pegar a minha espada para obriga-la? — ameaçou Lokknon impondo autoridade.




Aracna recuou amedrontada diante da insatisfação nítida do conquistador galático.




— Mestre, não é pra tanto, e-eu... eu já volto, é só uma pausa pra descansar, não uma fuga.




— Não minta pro mestre e nem pra si mesma, Aracna. — aconselhou Mudok se aproximando — Não dá pra esconder o quanto está cansada dessa nova rotina estafante fingindo ser uma terráquea qualquer.




— Eu não aceito ser subestimada, quero levar isso até o fim, acreditem.




— Até o fim da paciência do mestre, hihihi. — debochou Barooma que acabou levando um raio fino, porém doloroso, de Aracna acertando sua barriga — Ai! Aracna, não me fira assim, também estou torcendo pelo seu sucesso no plano!




— Então torça direito e bastante porque eu sinto que um dos Rangers pelo menos ganhará uma detenção na qual vou confiscar um morfador. — declarou Aracna exalando autoconfiança.




— O mestre está insatisfeito pelos Rangers estarem desconfiando de sua postura. — disse Mudok — Aja com mais discrição, esse seu rigor começou a gerar suspeitas.




— Mudok, virou o meu supervisor agora? Tudo está indo perfeitamente bem e não preciso de dicas de atuação vindas de quem não tem expressão facial.




— Ele tem toda a razão e você deve voltar lá agora mesmo. — mandou Lokknon de olho na tela do visualizador que exibia imagens de Akemsés perambulando pelo museu — Vejam, um fantasma errante vagando nesse museu.




— Uma múmia autenticamente egípcia! — apontou Barooma — Mas o que estará fazendo ali perdida?




— Ouvi os Rangers conversando secretamente sobre o pirralho de azul ter libertado a múmia de um faraó por curiosidade e ter sido amaldiçoado por ele. — informou Aracna — Mestre, quer que eu tire proveito da situação grave dos pestinhas? Pois também ouvi dizer que essa maldição pode ser transferida entre eles até voltar a esse faraó nada majestoso.




— Hum, temos uma vantagem imensa à vista e bastou apenas o imprudente Ranger Azul se mover. — disse Lokknon, empolgando-se — Tenho um plano inovador, desta vez. Aracna, volte lá como você mesma, tente seduzi-lo e o traga até aqui.




— Com todo o prazer, mestre. — disse Aracna se dispondo com fervor.




— Mas retorne ao museu assim que o trouxer. — ordenou o imperador categoricamente.




— Está bem, mestre. — falou ela de maneira tensa. A princesa aracnídea se teleportou para onde situava-se Akemsés que desejava sair daquele museu para desfrutar da liberdade.




— Francamente, este palácio é um labirinto infindável! Preciso de um mapa que me indique a saída!




— Eu posso te levar pra fora daqui rapidinho. — disse Aracna surgindo atrás do faraó que virou-se alertado contra qualquer perigo — Argh, no Egito não usavam nenhum óleo aromático pra disfarçar o cheiro de carne podre? — falou, torcendo o nariz pelo odor putrefato vindo de Akemsés e tentando dissipar com a mão direita.




— Quem é você, bela dama? Se veste como uma imperatriz intocada, estou fascinado.




— Oh, eu... Fico encantada, ninguém nunca me tratou assim antes com toda essa... elegância típica de um rei imponente que eu tenho certeza que você foi no seu tempo de glória. — disse Aracna aproximando-se. O acariciou no rosto — Me chame de Aracna. E você, meu nobre cavalheiro?




— Akemsés, oitavo governante da dinastia ptolemaica. — respondeu o faraó beijando delicadamente a mão dela.




— A mesma da Cleópatra, hahaha, que maravilha encontrar você, é uma sorte pra nós dois. Deseja me tornar sua nova consorte?




— Eu ofereço meus mais inestimáveis tesouros para ter a honra de receber sua mão em casamento. Estou livre para sempre, não creio que voltarei ao meu leito pós-morte.




— Eu só preciso da sua resposta sobre pedir a mão do meu pai para permitir que nos casemos. Ele tem a fórmula da juventude eterna.




— Descobriram a fórmula da vida eterna nesta época?! Eu não esperaria menos! Me leve até lá, por favor, minha doce Aracna de... de...




— Vilemosys. — respondeu ela sorridente — Vamos lá? Basta segurar na minha mão.




— Você usa alguma magia de deslocamento? Temos muito a nos conhecer.




Aracna enfim teleportou-se junto ao faraó, ambos surgindo num segundo na nave de Lokknon. O ex-rei egípcio reagiuà a presença do imperador.




— Um palácio como esse deve valer mais que todo o ouro que ostentei no meu reinado.




— Vale mais do que qualquer riqueza encontrada na Terra. Bem-vindo ao meu santuário, Akemsés. — cumprimentou Lokknon.




— Pelo modo como fala... Então os seres do além-céu existem realmente! As pirâmides de Gizé foram construídas pedra por pedra por vocês?




— Acho que esse crédito pertence a outra raça extraterrestre. — dissera Mudok.




— Akemsés, conheça meu pai, o magnífico imperador Lokknon de Nemetheia.




— Peço sua expressa permissão para selar matrimônio com sua filha a quem prometo ser fiel por toda a eternidade. — disse o faraó ficando de um só joelho.




— Somente lhe concederei permissão se entrar na minha máquina que confere imortalidade. — disse Lokknon apontando para o bio-modelador.




Akemsés ficará de pé e virou-se olhando a máquina, logo decidido a receber o "poder imortal" com seu deslumbramento.




— Eu o farei neste exato momento. Por obséquio, alguém me abriria a porta? Mereço sentir a façanha milagrosa dessa era.




— Está aberta! — disse Barooma após a porta deslizar para o lado, dando passagem a Akemsés que caminhou a passos largos para dentro. Ao fechar, se dirigiu a alavanca para baixa-la.— É imortalidade que você quer? Pois a terá! Que venha com muita saúde!




A máquina manifestava seus efeitos habituais com as luzes piscantes como relâmpagos e a fumaça de vapor branco exalando. Ao fim do processo, a porta abrira-se, revelando a nova identidade e aparência de Akemsés. O faraó exibiu-se mosntruosamente transformado.




— Lealdade é meu lema quando se trata de servir a alguém de tamanha pompa como o senhor, mestre Lokknon!




— Espera um minuto... — disse Aracna, estranhando — Cadê o Akemsés? Barooma, não me diga que você o mandou pra outro planeta e deixou um boneco dentro dessa geringonça!




— Ele não é um boneco previamente colocado! Afinal, a argila com que faço meus bonecos esgotou, preciso obter mais em breve! — explicou o cientista — Esse que estão vendo é o próprio Akemsés, mas biologicamente modificado a nível celular!




— Mestre Lokknon, desejo ardentemente mergulhar a Terra em pragas e tormento a uma proporção babilônica. Por onde me instrui a começar?




— Neste museu onde essas crianças estúpidas se encontram. Os faça sentirem um genuíno terror e espalhe doenças e chagas por toda a parte hahahahaha! — ordenou Lokknon, jubilante.




— Ele parece não ter memórias de sua antiga encarnação. — analisou Mudok — Quem me dera se Nekovolt tivesse esse aspecto.




Lokknon lançara uma onda mental de seu capacete que atingiu o androide o fazendo gemer e se ajoelhar.




— Eu já avisei que não quero mais ouvir esse nome ser pronunciado aqui dentro!




— Me perdoe, mestre... — dizia Mudok sentindo os circuitos neurais ferverem.




— Falando em nome... — disse Aracna chegando perto do monstro-múmia — Você agora se chama Akenecron. O que acha?




— Sagaz. Os terráqueos irão tremer sempre que o ouvirem, eu garanto! — prometeu a criatura.




No museu, a turma do 6⁰ ano-A havia migrado para a ala medieval com uma aula completa sobre o período histórico conhecido como Idade das Trevas.




— Pela minha pesquisa, Akemsés foi um dos antecessores de Cleópatra na dinastia ptolemaica. — disse Damian com o celular.




— Cara, eu não quero saber quem ele foi no passado, mas como vamos derrota-lo aqui no presente. — disse Tim, atemorizado.




De surpresa, Arianne retornava, logo tomando o celular do Ranger Preto por trás dele.




— Lamento, Parker, mas decidi que aparelhos celulares não são permitidos nem pra fotografar. Devolvo no fim da aula... — disse ela que completou ao virar de costas aos Rangers — ... depois que eu xeretar umas coisinhas.




— Sumiu e voltou do nada. — disse Jessie.




— Aí tem coisa. — falou Owen semicerrando os olhos com a mão no queixo.




— E simplesmente muda as regras. — apontou Zoe — Essa mulher tem problemas.




— Depois que a aula terminar, vamos nos separar de fininho da classe pra caçar o faraó. — disse Austin em voz baixa.




Porém, Akenecron surgira em teleporte, provocando um súbito pânico generalizado.




— Ou deixa ele vir até nós! — disse Tim, estupefato. A correria e gritaria tomaram conta do espaço. Akenecron lançou nuvens de escaravelhos das mãos. Os besouros invadiam as armaduras de cavaleiros medievais expostas para apreciação tendo quase dois metros de altura, as quais pareceram ter adquirido vida, logo se movendo com espadas para atacar os estudantes apavorados. Arianne e o guia orientavam-os.




— Depressa, vamos ao saguão principal! — bradou a "professora". Deu uma olhada maliciosa nos Rangers no meio da entrada, deixando-os enfrentar as armaduras.




— Vocês são as crianças repudiadas pelo mestre Lokknon! Eu, Akenecron, me proclamarei rei de seu mundo! — disse ele fazendo surgir Psycho-Bots enfaixados como múmias. O exército de robôs se desfazia das bandagens e juntava-se aos cavaleiros "mortos-vivos".




— Não disse que o nome dele era Akemsés? — perguntou Austin esquivando dos golpes de um cavaleiro, logo chutando um Psycho-Bot que veio por trás, o jogando contra a armadura viva.




— Mas é! — afirmou Tim, ora nas esquivas, ora na ofensiva contra os robôs e armaduras — Ele não era assim, parecia uma múmia normal!




Uma das armaduras brandia a espada para baixa-la um golpe mortal atrás do Ranger Azul que ao perceber desviou numa cambalhota para o lado, escapando do ataque. Porém, no lado errado.




— Tim, aí não! — avisou Zoe quase cercada por Psycho-Bots. Os cinco viram Tim cair da escada após o movimento, ele rolando pelos degraus de mármore até parar no piso do primeiro andar no saguão sentindo dores. Porém, tal parada brusca levou um vaso antigo a cair de um púlpito e despedaçar. Viu com a vista meio turva a figura de Arianne sobre ele o repreendendo com um olhar.




— Eu não acredito no que acabei de ver! Não basta importunar uma colega, agora causa prejuízo material ao museu! Detenção... no ônibus... já!




— Me enrolei. — disse Tim, meio zonzo.




Os Rangers se reuniam frente a horda de Psycho-Bots e armaduras caminhantes.




— O Tim caiu da escada! — disse Jessie — Como será que ele tá?




— Tomara que ainda vivo! — falou Owen.




— A maldição atacou outra vez, temos que ir até ele e sermos escudo! — disse Damian.




— Não com esse monte de desgarrados enchendo o saco! — disse Austin — Galera, não tem outra opção. Todos estão lá embaixo.— sacou sua célula e morfador, ao que os demais também fizeram — Prontos? É hora de morfar!




— Touro Ônix!




— Gorila Esmeralda!




— Arraia Rósea!




— Águia Flavescente!




— Leão Escarlate!




Os Rangers combatiam os Psycho-Bots com todo o vigor de seus movimentos enquanto Akemsés recolhia os escaravelhos de volta a si.




— Fiquem aqui lutando inutilmente! Me retiro para dar início a um tempo de sofrimento eterno e agoniante! — o monstro-múmia teleportou-se.




Em paralelo, Tim se entristecia sozinho no ônibus, sentado num assento no fundo do veículo.




— Essa droga de maldição fez eu me afastar do pessoal que deve tá super-preocupado. E agora tô nesse tédio, proibido até de usar o ar-condicionado! — achou engraçado como sua voz reverberava pelo ônibus e sorriu consigo mesmo, logo falando alto — É um tédio ficar preso aqui! — riu com o efeito — Quem disse que não dá pra se divertir numa detenção?




Contudo, a alegria evaporou de sua face num segundo quando o motor do ônibus roncou forte. A partida do veículo foi dada sem ninguém ao volante.




— Peraí, o motorista ainda não voltou! Será que eu ativei algum comando de voz? — desesperou-se indo para a cabine do motorista enquanto o ônibus seguia — Ai caramba... — sentou-se no banco arriscando dirigir — Onde fica o freio?




O ônibus acelerava a medida que afastava-se do museu. Tim pisava no freio desesperadamente.




— Para, para, para! Por que não tá funcionando? Socorro, ônibus desgovernado! — buzinou várias vezes.




Pessoas corriam gritando para não serem atropeladas. O ônibus descia por uma rua larga diretamente em rota de colisão a um caminhão de líquido inflamável.




— Tá brincando! Droga, esse é o pior dia da minha vida! — buzinou mais — Tira esse caminhão daí, vai bater!




Os Rangers ouviram a buzina insistente do ônibus e se atentaram durante a luta.




— Estão ouvindo? É a buzina do ônibus! — disse Jessie.




— Tim deve ter ficado de detenção lá e tá pedindo ajuda pra alguma coisa! — disse Zoe.




— Tô com um pressentimento bem ruim! — disse Owen que saltou meio inclinado dando um duplo chute habilidoso num robô que foi jogado contra uma parede.




— Não faz sentido lutar com esses palhaços aqui quando o Akenecron já escapou! — disse Austin dando um soco no tórax seguido de um giro com um chute num dos robôs — Vamos!




Os heróis teleportaram para fora e acima de um condomínio viram o ônibus prestes a bater tragicamente no caminhão.




— Ali está! Se o ônibus colidir com aquele caminhão de líquido inflamável, ele já era! — alertou Damian.




— Deixa comigo! — disse Owen saltando num giro vertical que o permitiu pousar dois metros do ônibus, sendo empurrado ao tentar segurá-lo com apenas o pé direito de braços cruzados.




— Owen! Haha, vai que é tua, rapaz! — comemorou Tim — Você consegue!




— Aguenta firme aí, tá quase!




O Ranger Verde rosnava empreendendo mais força na perna, o seu outro pé se aterrando no asfalto enquanto era empurrado e deixando um profundo rastro. O ônibus fora enfim parado a quase três metros do caminhão. Dentro do veículo fumaçava bastante devido a parada. Tim saía, radiante por ser salvo.




— Cara, você salvou minha vida! — correu até Owen — Valeu, maninho, te devo essa!




— É, me deve mesmo, porque foi um sufoco até pra uma força maior que a de um gorila. Minha perna tá vibrando...




Os Rangers vieram em saltos hipervelozes.




— Ainda bem, deu tudo certo! — disse Zoe.




— Como se sente, Tim? — perguntou Austin.




— Eu tava me borrando de medo agora há pouco, mas graças ao meu trevo de quatro folhas aqui sobrevivi! — celebrou Tim dando um tapa nas costas de Owen, o toque gerando uma vibração estranha e de luz arroxeada.




— Agora eu que tô me sentindo... Sei lá, estranho. — comentou o Ranger Verde.




Akenecron ressurgiu lançado raios púrpuras que causaram estouros de faíscas em torno dos Rangers.




— A múmia feiosa voltou! — disse Jessie.




— Tim, fica no lugar seguro enquanto damos um jeito no Sr. Ataduras ali! — disse Austin.




— Eu tô amaldiçoado, não tem lugar seguro!




— Protejam ele, eu cuido do múmia viva! — se prestou Owen que avançou valente.




— Vou ensina-lo a me chamar com o devido respeito, criança patética! — disse Akenecron.




— E eu vou picotar essas faixas! — disse Owen correndo e sacando a adaga Kong que fez um ruído de lâmina. Porém, acabou escorregando feio numa casca de banana e caindo de bruços. Tim inflou as bochechas ao controlar a risada.




— Quanta desatenção e incompetência! — disse Akenecron lançando suas faixas como serpentes que agarraram as pernas e braços de Owen e o ergueram. Os Rangers rapidamente dispararam com as pistolas Z, os lasers desestabilizando Akenecron e partindo as faixas. Owen caiu liberto e se reergueu.




— Vou acabar com você de uma vez! Macro-Detonador! — chamara pelo canhão que surgiu sobre seu ombro — Flash Paralisante! — entretanto, nada piscou — Ué, ele ainda tá se movendo!?


— A maldição agora está com você, jovem! Decida a quem irá transferi-la! Eu tenho um mundo a corromper de praga, adeus!




O monstro-múmia partiu teleportando. Owen ficara a pensar no que foi dito, o Macro-Detonador desativando-se.




— Owen, o que houve? — indagou Zoe — Sua arma não disparou. Por que?




— Escutaram o que ele disse? A maldição tá comigo. Tim, você me passou!




— O escorregão e o mau funcionamento do Macro-Detonador comprovam. — disse Damian.




— Mas como? Ele não tinha que escolher? — questionou Jessie.




— Ahn... Acho que foi quando eu dei um tapinha nas suas costas, Owen, foi mal.




— Tapão você quer dizer. E agora, o que vai ser de mim?




— A maldição é transferida por contato físico independente de uma escolha. — afirmou Damian — O faraó foi levianamente vago.




Zoe deu passos adiante com determinação.




— Passa pra mim. — pediu ela estendendo o braço a Owen que negou balançando a cabeça.




— Não, Zoe, você não...




— A maldição precisa passar por todos nós cinco até retornar ao Akenecron. Eu quero ser a próxima, você não merece esse fardo.




— E você não merece ainda mais! Será que posso passar de volta ao Tim?




— Sai pra lá, eu quase fui pro beleléu infectado com essa porcaria! — recusou Tim, estremecido.




— Podíamos passar um ao outro bem rápido e o último que ficar devolve pro Akenecron. — sugeriu Jessie.




— Mas ele fugiu e como é uma múmia transformada num monstro pelo Lokknon ele deve ser diferente, talvez não dê pra rastrea-lo. — contrariou Austin — Teremos que esperar, infelizmente.




O líder percebeu uma viga de aço de um prédio em obras ali próximo balançando. A viga despencou dos cabos prestes a cair sobre Owen. O Ranger Vermelho agiu rápido.




— Owen, cuidado! — pulou sobre o fotógrafo-mirim, ambos caindo. Os demais afastaram-se depressa antes da viga cair impactante no chão que até rachou.




— Eu tô bem, Austin, não precisava. — disse Owen levantando — Eu podia ter segurado tranquilo.




— Será mesmo? — indagou Austin.




— Isso é sinistro, parece que somos vítimas como naquele filme das premonições da morte. — disse Jessie.




— Owen, passa pra mim a maldição! — insistiu Zoe.




— Será que não passou pro Austin? Vocês se tocaram. — disse Tim.




— Não me sinto diferente. — respondeu o líder.




— Nem eu. Eu não sei o que fazer. — disse Owen entristecido. Uma luz verde o envolveu sinalizando a desmorfagem. O sexteto correu com urgência para um beco longe dos olhos dos cidadãos curiosos. Lá, Owen retornou a forma civil — Legal, tô frágil que nem vidro.




— Se não decidir pra quem vai passar, talvez você nem morfe. — alertou Austin — Pode ser eu.




— Não, Austin, eu dou conta. — afirmou Zoe, insistente — Vai, Owen, eu vou aguentar a barra. Com vocês do meu lado, vou estar segura.




— E quando não estivermos? — indagou Jessie.




— Eu me viro. Confia em mim, Owen. Me pega. — a Ranger Rosa estendeu o braço direito. Owen respirou fundo com expressão séria, cedendo ao pedido a contragosto. Tocara no braço de Zoe, a vibração roxa passando por ela.




— Tá com você. — disse Owen já quase arrependido.




— Temos que voltar ao museu. — falou Austin — Se o Akanecron aparecer mais tarde ou amanhã, seguimos o plano.




***




Na manhã seguinte, Austin vinha do bebedouro no colégio para ir até seu armário. Mas antes que o abrisse totalmente, sua visão periférica à direita notou uma figura distinta se aproximando. Ao virar o rosto, constatou ser Jessie vindo suja de lama da cabeça aos pés.




— Ahn, Jessie... O que aconteceu com você? Parece que caiu numa poça de areia movediça. Tá tudo bem?




— Olha pra mim, Austin! Tá tudo péssimo! — reclamou a Ranger Amarela em tom choroso — Eu nem te conto o que rolou do caminho de casa até aqui, foi um desastre total!




— Não deu tempo de passar em casa rapidinho só pra um outro banho? — perguntou Austin tapando o nariz.




— Ah, desculpa, eu tô morta de vergonha de aparecer assim e ainda fedendo que nem um porco. Eu cheguei no ponto de ônibus atrasada, justo quando ele tava saindo e corri atrás, só que acabei tropeçando num monte de lama e até alcancei o ônibus, mas... — encostou-se nos armários — ... o motorista não me deixou entrar. Mas andando até aqui não foi nada tranquilo.




— Jessie, você passando por todo esse perrengue tá me parecendo que...




Cindy e suas fiéis escudeiras passavam por perto e naturalmente não perderiam a chance polpuda de lançar seus comentários ácidos contra Jessie.




— Vejam aí, meninas, o apelido da mulambenta oxigenada não é mais esse. — disse a patricinha a olhando de cima a baixo com escárnio — O que acha de porca enlameada, Jessie? Dizem que faz bem pra pele, mas não em caso de acidentes.




As três foram rindo em chacota, elevando um sentimento de ira em Jessie que a fez cogitar uma ideia questionável.




— Grrr, eu tô cheia dessa metida! Eu devia...




— Ei, calma aí, não liga pra essas três chatas de galocha. — disse Austin a contendo com mãos nos ombros — Jessie, me fala, o que explica você ter começado seu dia com tanto estresse?




— Eu... — ela hesitou com olhar tenso e triste ao amigo — Tá bom, não dá pra esconder. Eu fui à casa da Zoe ontem à noite pra dormir com ela e dar apoio já que ela tinha a maldição...




— Como assim tinha? — indagou Austin com semblante de suspeita. Jessie deu um sorriso nervoso que denunciou a verdade — Ah não...




— Eu insisti pra que ela me passasse hoje de manhã. Ela ainda ia tomar banho quando eu quis sair mais cedo, então vim sozinha.




— O que foi um erro terrível, pelo visto. — disse Zoe vindo por trás — Oi, Austin. A maldição agora está com a Jessie e agora me arrependo de ter cedido.




— Era arriscado acontecer algo mais grave com você até o Akenecron voltar. — disse Jessie aproximando-se da amiga.




— Tomar um banho de lama?




— Ser atacada por maribondos e quase ser atropelada por um caminhão. Um dia perfeito pra se viver segura no mundo.




Damian e Tim chegaram logo em seguida.




— Jessie, isso aí é o quê? Um daqueles disfarces do exército pra ficar de tocaia? Hahahahaha — disse Tim não segurando a piada.




— Será que vai continuar rindo se eu passar a maldição de volta pra você, Tim? — atiçou Jessie tentando assusta-lo.




— O quê? Mas não tava com a Zoe? — perguntou o Ranger Azul, temeroso.




— Estava até eu ser forçada com muito esperneio. — disse Zoe estando arrependida.




— Achamos que você faltaria hoje pra permanecer segura em casa. — disse Damian.




— Se fosse permitido faltar e eu tivesse que esperar o próximo ataque do Akenecron, eu teria enfiado minha cabeça na areia.




— Bem lembrado, não podemos faltar já que a Srta. Webb pode passar teste-surpresa. — disse Austin — Mas e quanto a maldição? Sobraram apenas eu e Damian pra...




— Eu me ofereço. — disse o Ranger Preto, destemido — Jessie, transfira pra mim. — estendeu a mão direita a loirinha.




— Tem certeza? — indagou Austin, temendo pelo amigo gênio




— Se quiser, transfiro a você depois da aula.




— Ou pode passar pra mim assim que você receber. Eu posso levar esse peso até o Akenecron reaparecer.




— Não, Austin, eu carrego a maldição, quero ver como ela se manifesta sobre mim. — disse Damian, decidido, voltando-se a Jessie.




— Se você acha que segura essa bomba... — disse Jessie que apertou a mão do amigo lhe repassando a praga sobrenatural.




— Tá feito, me sinto como se tudo fosse ameaçador ao meu redor. — disse Damian.




— Menos nós. — falou Austin — Porque vamos grudar em você que nem chiclete pra te proteger do que vier te atingir, não importa o que seja. — tocou-o no ombro.




— Valeu, pessoal, mas sem muita superproteção porque assim eu também me sinto um bebê numa bolsa canguru.




A fala gerou risos entre dos cinco, o que fizera Lokknon se exasperar assistindo ao momento descontraído a despeito da situação crítica.




— Apesar de estarem com um amigo correndo perigos imprevisíveis, eles agem como se tudo estivesse na mais plena normalidade! Onde está Akenecron? — mudou os "canais" do visualizador à procura do monstro-múmia — Ah, aqui está ele! Pronto para definitivamente espalhar o terror de uma praga egípcia, hahaha!




Akenecron via-se sobre um edifício relativamente alto com as mãos estendidas.




— Que os ventos da pestilência soprem e recaiam sobre este mundo perdido! — disse ele deixando sair enxames numerosos de escaravelhos das mãos por entre aqueles trapos branco-amarelados. As nuvens de insetos desceram contra os cidadãos que corriam gritando apavorados.




Os besouros prendiam-se as pessoas se amontoando e criando uma dura casca feito um casulo insectoide preto-arroxeado como se condenasse cada vítima a mofar em tumbas. Quando os Rangers estavam de saída após o término das aulas, a turma notou enquanto iam pelo corredor uma certa frustração em Damian.




— Aí Damian, não foi tão ruim, né?. — disse Tim.




— Acho que o poder da amizade acabou sendo mais forte que o dessa maldição. — disse Zoe.




— Só não evitou esse revés. — disse o Ranger Preto tirando um papel do bolso e mostrara aos amigos — O resultado do teste.




— Eu tô vendo direito? Isso aí é um F? — surpreendeu-se Jessie.




— O primeiro de toda minha vida estudantil. — lamentou Damian — Isso vai refletir pesado no meu boletim.




— Ah, não esquenta, Damian. Uma única nota baixa não te desmerece. — disse Austin minimizando para anima-lo.




— Mas agora sabemos que a maldição do Akenecron não influi apenas sobre o mundo externo. — analisou o Ranger Preto — Pode também causar efeitos na fisiologia da vítima. Minha mente deu branco na hora da prova como se eu tivesse amnésia.




De súbito, o carro voador de Damian invadira o corredor principal com estardalhaço, gerando alarido entre os alunos. O veículo parecia desgovernado, batendo sem controle nas paredes e armários com rodopios e manobras.




— Ai, meu Deus, o carro do Damian foi possuído pelo demônio da maldição! — disse Tim recuando.




— Não tem como desligar? — perguntou Zoe.




— Eu tô tentando... — disse Damian apertando o botão no controle remoto em vão — Não funciona, o comando se desregulou!




O veículo voador veio na direção dos Rangers ameaçando atropela-los, deixando-os aterrorizados.




— Vai nos atropelar! — alardeou Tim se cobrindo com as mãos encolhido perto do bebedouro.




— Pessoal, pulem! — pediu Damian quando o carro aproximou-se. Os cinco pularem para sentarem no veículo cujo volante foi assumido por Damian que o fez dar meia-volta para sair.




Já voando a certa altitude, o carro cruzava a cidade. Era visível aos heróis o caos provocado por Akenecron.




— Que coisas são aquelas lá embaixo? Parecem um monte de nozes queimadas. — apontou Jessie.




— Olhando bem... — disse Austin conferindo — Acho que são cascas como de... casulos de insetos. É trabalho do Akenecron, sem dúvida.




Os comunicadores tocaram e Austin prontamente atendeu.




— Fala, Sr. Dickerson.




— Rangers, a cidade vem sendo tomada por uma verdadeira praga egípcia moderna. — disse o mentor ao lado de Karen na Central de Comando.




— É, já percebemos. Mas como o Akenecron tá prendendo toda essa gente nesses casulos?




— Com nuvens de escaravelhos que se aglutinam e formam essa casca que pela nossa análise deve possuir a resistência equivalente a do Nitox, um metal negro superduro natural do planeta-natal de Lokknon, tomem máximo cuidado.




— Akenecron está a duas quadras de onde estão, crianças. — avisou Karen — O impeçam antes que todos que foram aprisionados nesses casulos tenham um destino pior.




— Certo, estamos a caminho. — disse Austin logo desligando.




O carro elétrico voador apresentava mau funcionamento, desacelerando de repente.




— Essa não, está parando! — disse Damian, aflito com a fumaça cinza saindo do capô — Abasteci o motor hoje cedo!




— Melhor apertar o cinto! — falou Tim, desesperado.




— Estamos alto demais! Se cairmos... — preocupou-se Zoe.




— Damian, passa a maldição pra mim, depressa! — pedira Austin no banco do carona esticando o braço — É o único jeito do carro voltar ao normal!




— OK, mas tenta devolve-la antes que o efeito se incida. — disse Damian, logo tocando no braço do líder e efetuando a transferência. O carro se livrava das falhas, retomando velocidade — Piloto automático! — acionou.




Os cinco retiravam suas células e morfadores.




— Prontos? Hora de morfar! — bradou Austin.




Akenecron divertia-se a valer com o estado calamitoso a que deixou o centro da cidade. Um homem de meia-idade caíra de frente ao correr sendo rapidamente tomado pelos besouros e enclausurado no casulo.




— Ninguém está imune de se sentir como eu naquela tumba! — zombou o monstro-múmia que chutou o casulo. Logo foi atingido por disparos de lasers causando estouros de faíscas.




— Que é pra onde você voltará pra nunca mais sair! — disse Austin com os amigos prontos à luta armados com as pistolas Z.




— Os diabinhos coloridos voltaram! Ainda querem devolver minha maldição? Eu retiro minha palavra, é muito mais prazeroso estar vivo e livre para espalhar minha praga!




Os escaravelhos foram controlados formando uma nuvem que se direcionou aos Rangers que sentiram ataques como de pinças e garras.




— Estão nos ferindo! — disse Austin, rodeado dos insetos tal qual os amigos, as faíscas salpicando do traje.




— Dói mais que picada de abelha! — falou Jessie.




— Durmam em suas tumbas! — disse Akencron executando seu poder com uma aura roxa maligna nas mãos estendidas, os besouros se amontoando nos corpos dos heróis dando forma aos casulos que os aprisionaram completamente — Simples demais me livrar dessas crianças intrépidas! Agora darei continuidade ao meu propósito de pós-morte!




Mas logo que virou as costas, Akenecron fora surpreendido com os Rangers libertando-se dos casulos na base da força bruta com suas armas




— Não pode ser, meus casulos são inquebráveis! Mas... — reparou que sobrava um casulo intacto, justo o de Austin — Ah, um de vocês não teve a mesma sorte! Será que está amaldiçoado? Hahahaha!




— Austin! — disseram os heróis em uníssono.




— A maldição tá impedindo que ele use sua força pra sair do casulo como nós! — falara Zoe.




Dentro da casca, Austin forçava-se a sair entrando em aflição máxima.




— Eu não vou ficar aqui preso feito uma sardinha enlatada! — no entanto, viu uma camada viscosa cobri-lo a partir dos pés para imobiliza-lo — Ou talvez eu fique.




Os Rangers partiram com tudo para cima de Akenecron o obrigando a libertar Austin.




— A minha praga só é desfeita caso o último infeliz me devolva a maldição! — revelou enquanto defendia-se dos chutes de Jessie e Zoe que davam giros. A dupla, em pleno ar, logo aplicou chutes mais rápidos em simultâneo o empurrando contra um carro.




Damian batera sua marreta avalanche no solo gerando uma onda sísmica potente contra a múmia que pegara o veículo como escudo. A vibração destruidora partiu o carro ao meio ao empurrar Akenecron que jogou as duas metades do veículo com suas faixas. Felizmente, Owen veio num salto, logo pousando frente a Damian e depois num pulo chutando no ar as duas partes do carro para os lados.

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— Alguém chamou a cavalaria?




— Owen! — disseram os demais em uníssono correndo o Ranger Verde.




— E aí, me atrasei?




— Nem tanto. Mas se safou do teste-surpresa terrível que a Arianne passou. — contou Jessie.




— Confessa, você já suspeitava que isso aconteceria, por isso resolveu faltar pra fazer teste extra no dojo. — disse Tim.




— Eu nem imaginava. Mas peraí, cadê o Austin?




— Ele tá ali preso e precisamos tira-lo de lá pra que a maldição volte ao Akenecron. — informou Zoe.




— Será que minha adaga corta esse casco? — teorizou Owen tocando na bainha da lâmina. Akenecron se enraiveceu e avançou contra os heróis.




— Se vocês tem algo que pode liberta-los, então não deixarei que cheguem perto desse casulo!




— Se tem alguém que não vai encostar no casulo é você! — disse Owen sacando a adaga Kong. Akenecron lançou suas ataduras como serpentes, as quais Owen cortava com alta destreza em movimentos super-ágeis.




O monstro-múmia aumentara a carga de faixas, que levou Owen ao limite. O Ranger Verde tivera as pernas e braços agarrados, mas Tim veio com suas barbatanas cortando as faixas, logo mandando um corte em X que atingiu o monstro-múmia, causando explosões de faíscas que o desequilibraram.




— Isso não é o bastante pra me parar! Devo avisa-los de que minhas bandagens ficam mais resistentes quando cortadas!




Tim havia também chegado ao limite de sua agilidade acabando por ser enfaixado inteiramente junto de Owen.




— Viramos múmias!? Eu não consigo rasgar... — disse Owen tentando romper as faixas.




— Seremos enterrados vivos! — alarmou Tim.




— Pra serem múmias devem repousar em tumbas! Mas será pior pois são nelas que darão os últimos suspiros! — disse Akenecron que trouxe a nuvem de escaravelhos em peso atrás dele.




— Owen! Tim! Essa não... — desesperou-se Zoe.




— Cansei de ficar so assistindo! — determinou Jessie se pondo a frente — Colete Zoomorph! — a proteção corporal surgiu de instantâneo — Cartão da Fera — a chave de ativação apareceu na sua mão direita, logo sendo inserida na entrada do colete — Modo Fúria Animal, ativar! — a armadura baseada em seu zord tomou conta do uniforme na transformação. A Ranger Amarela avançara, saltando por sobre Tim e Owen, pousando e desferindo cortes ferozes das super garras raptoras no enxame de besouro, dizimando centenas deles.




Akenecron vinha ao ataque, mas recebeu um corre duplo em X das garras sofrendo explosões faiscantes que o mandaram para longe. Jessie voltou-se aos garotos, logo cortando as faixas que os prendiam.




— Valeu, Jessie! Você é fera! — agradeceu Owen.




— Cuidado aí, Jessie! Quase fatia a gente também! — resmungou Tim tirando o resto das bandagens no corpo assim como Owen.




— Poxa, Tim, custa no mínimo dizer obrigado? — cobrou Jessie.




— Tá bom, tô de onda contigo. Valeu mesmo. Mas e o Austin?




— O Damian tá tentando quebrar o casulo, mas não fez nenhum arranhão. — avisou Jessie vendo o Ranger Preto persistentemente batendo a marreta no casco. Dentro dele, Austin tivera uma ideia que considerou funcional enquanto a camada viscosa gradualmente não terminava de cobri-lo.




— Já sei! Consigo... tirar minha pistola Z... Agora é só recalibrar... — girou o botão calibrador — Pronto... — mirou no casco acima e disparou.




O laser fino causava uma laceração no casco que se aprofundava num corte vertical. Damian foi afastando-se do casulo notando uma assinatura de calor. Não tardou para o calor se intensificar e o casulo ser despedaçado quando Austin se reergueu.




— Austin! — disseram Owen, Tim e Zoe presos pelas faixas de Akenecron. A múmia se irritara canalizando raios pelas ataduras que atingiram os três com estouros de faíscas. Jessie os salvara após finalizar com mais besouros e virou-se.




— Austin, ainda bem!




— Akenecron, tenho uma coisinha que pertence a você! — disse Austin correndo até o monstro.




— Preocupe-se em salvar sua amiga da prisão! — enviou nuvem de besouros contra Jessie.




— Colete Zoomorph! Cartão da Fera! — disse Austin inserindo — Modo Fúria Animal, ativar! — a armadura surgiu no traje modificado. O Ranger Vermelho refreou o enxame de insetos girando as patas de leão.




— Ciclone Flamejante! — redemoinhos de fogo se lançaram incinerando boa parte dos besouros. Austin os aglutinou numa bola de chamas — Segura essa! — saltou, logo chutando a esfera potencialmente contra Akenecron que voou com a explosão tremenda.




— Modo Fúria Animal, desativar! — disse Austin correndo a múmia combalida. Se agachou, tocando na mão esquerda de Akenecron — Pode descansar em paz, dessa vez pra sempre.




— Que ultraje... ser vencido por meras crianças! — reclamou Akenecron levantando com esforço — Mas... O que há de errado? Meu corpo continua o mesmo, não voltarei pra aquela tumba jamais!




— Aparentemente, a mutação que Lokknon o forçou a passar eliminou a condição especial que tornava a devolução da maldição uma regra para leva-lo de volta a tumba. — aferiu Damipan.




— Mas não mudou nada sobre transferir a maldição. — acrescentou Owen.




— Nesse caso, daremos um outro tipo de descanso eterno pra ele. — disse Austin juntando-se aos amigos — Combinar armas! — os Rangers invocaram suas armas individuais, conectando-as para formar o Abatedor Selvagem — Owen, tá afim de somar?




— Sem demora! Macro-Detonador, agregar! — bradou Owen, o canhão voando e se introduzindo na fusão de armas.




— Um, dois, três... Disparar! — disseram os heróis, as três esferas eletrizadas lançadas e se unificando antes de acertar Akenecron.




A múmia rosnava furiosa, caindo e explodindo fatalmente. Os casulos se desfaziam quebradiços, as vítimas libertas aliviadas.




Lokknon se efervesceu por dentro.




— Barooma, laser regenerador, agora!




— É pra já, milorde! — disse o subterno logo apertando o botão vermelho que disparou o raio esverdeado sobre os restos de Akenecron. O monstro-múmia ressurgia gigantizado.




— Agora o mundo está sob meu julgamento!




— Por essa já esperávamos! — disse Austin que ergueu sua mão direita — Precisamos do poder Megazord agora!




Os zords saíram de seus hangares e corriam rumo ao campo da batalha entre gigantes. Saltando para os cockpits, os Rangers logo sacaram suas chaves.




— Chaves de Comando! — inseriram e giraram — Ligado!




— Iniciar sequência Megazord! — dissera Austin.




As máquinas animais logo formavam suas conexões para dar vida ao Megazord Z que pousou à luta.




— Eu cresci e naturalmente meu exército também! — disse Akenexron emanando sua aula malévola de múmia milenar nas mãos pelas quais saíram quatro escaravelhos gigantes e monstruosos — Destruam-os como fariam com uma plantação próspera!




Os insetos voaram diretamente ao robô expelindo um líquido ácido da boca.




— Escudo Selvagem! — o escudo surgiu o brado esquerdo protegendo da gosma corrosiva.




— Por sorte, o escudo não sofreu danos. — disse Damian — Mas teríamos sérios problemas se respingasse no Megazord.




— Mudança de plano: espalhem pragas por toda essa cidade, adoeçam tudo!! — ordenou Akenecron aos besouros que desviaram-se dos Rangers para atacar a cidade.




— Não se evitarmos! Asas de Águia! — disse Jessie liberando as asas de seu zord que levantou voo ao robô. O Megazord foi perseguindo os besouros batendo as asas.




— Pensa que tá fácil demais? Você tá sendo um grande otário! — disse Owen sacando a adaga Kong, logo soprando o apito na ponta do cabo.




O Gorila Esmeralda saia de seu hangar na caverna, batendo seus punhos no peito com um rugido bravo. O símio robótico se dirigiu rapidamente ao local da batalha, Owen saltando logo para adentrar no cockpit.




— Que tal umas bananas? É nutritivo! — disse o Ranger Verde fazendo o gorila lançar as tropi-granadas que explodiam no corpo de Akenecron, fragilizando-o. Mas o faraó manteve-se de pé e lançou suas faixas que agarraram os braços do zord e o puxavam ao mesmo tempo canalizando raios que causavam danos externos e internos, as faíscas salpicando.


— Sabre Selvagem! — chamara Austin pela espada que caiu na mão direita do robô.




— Vou desmontar esse primata de ferro pedaço por pedaço! — disse a múmia exercendo mais força ao puxar e apertar. Porém, a salvação de Owen veio num golpe direto da Chama Cromática contra Akenecron que perdeu força nas faixas. O sabre selvagem as cortou fácil.




— Valeu, galera! As ataduras dele dão mais trabalho nesse tamanho!




— Deu pra ver! — disse Austin — Ótimo, Akenecron, seus filhotes já eram, agora é sua vez!




Dickerson fazia contato.




— Jessie, chegou a sua hora!




— Hora pra quê?




— De inaugurar seu protezord que acaba de ser desbloqueado. É uma girafa, ela terá bastante utilidade pra vencer Akenecron.




— Oh, até que acho girafas fofinhas. Tô ansiosa pra ver o que ela faz! Acionar protezord Girafa!




O zord auxiliar vinha galopando em saltos graciosos por entre as árvores, logo pulando para o Megazord. Sua formação consistia num longo bastão que foi pego pelo robô como se o atraísse. Akenecron lançava novamente suas faixas.




— Suas ataduras são como papel higiênico! — disse Jessie ativando uma função do bastão que girou enrolando as faixas, assim o puxando.




— Larguem-me! — pediu a múmia, furiosa.




— Você que sabe. — disse a Ranger Amarela ativando a função elétrica do bastão, os raios percorrendo as faixas até atingir Akenecron com explosões de faíscas e fogo. Labaredas brotaram nos braços e na cabeça do faraó.




— Estou queimando, meu corpo está sendo reduzido a cinzas!




— Deixa a gente piorar esse incêndio! Chama Cromática! — bramiu Austin, o fogo voltando a espada que foi movida a um corte brutal. Akenecron caía com raios em volta até explodir tremendamente.




Da janela sua sala no colégio, Arianne observava a vitória dos Rangers, bufando em raiva e ajeitando seus óculos. Revoltada, voltou-se a mesa para prosseguir nos afazeres.




Mais tarde, Brock e Stuart estavam no parque ecológico frente uma pedra grande e baixa onde colocaram baratas para treinar dentro de um pote de vidro almejando um prêmio Nobel de ciências.




— Brock, tô achando que esse lance de adestrar baratas é a maior perda de tempo. A gente tá pagando de idiota mais do que nunca.




— Eu tenho uma barata de estimação lá em casa que prova que é possível sim, seu mané. Ela já até teve filhotes.




Escondido numa árvore próxima a dupla, Tim preparava uma pegadinha esperta para faze-los desistirem da ideia estúpida.




— Hora do show. — disse ele se enrolando com papel higiênico para se disfarçar de múmia. Mas antes de aparecer para assusta-los, cuspiu um dardo através de um canudo, acertando uma colmeia de maribondos.




— Que som é esse? Parece de... — disse Stuart ouvindo os zumbidos dos insetos que saíam da colmeia destruída — Bro--Brock... — cutucou o amigo apontando para a figura de branco que surgia detrás da árvore.




— Eu sou o fantasma guardião dos insetos! Deixem essas pobres baratas em paz ou sofrerão minha ira!




— Não somos trouxas de cair nessa. — disse Brock, cético — Fantasma, é? Mostra aí o que cê sabe fazer pra nos provar.




O enxame de maribondos veio na direção dos valentões que se aterrorizaram na hora. Tim fingiu controlar os insetos com as mãos.




— Essa é minha praga mortal! Rendam-se e implorem por perdão ou sintam meu poder!




— Stuart, por que não me avisou que tinha maribondo nessas bandas?




— Vamos largar dessas baratas antes que a gente seja torturado por esse espírito mal!




A dupla correu apavorada aos gritos escandalosos sendo perseguidos pelo enxame.




— Hahahaha, e não é que caíram direitinho! — disse Tim se desfazendo do papel higiênico. Foi andando e rindo a beça até que escorregou caindo e rolando por uma parte íngreme.




Os Rangers o viram e correram para ajuda-lo.




— Tim, cê tá legal? — perguntou Austin o levantando.




— Eu não sei... Sempre ando por aqui, nunca escorreguei desse jeito.




— Não tem nada demais, você só se distraiu. — amenizou Zoe.




— Ou talvez... A maldição tenha voltado!




— Será mesmo verdade? Não pode ter sido um castigo por ter botado aqueles panacas pra correr. — disse Jessie.




— Só há um modo de descobrir. — disse Owen se aproximando.




— Um abraço coletivo pra dividirmos o transtorno. — disse Damian.




— Não, pessoal, fiquem longe de mim... — disse Tim recuando tenso.




— Ah, mas é só um abraço pra termos certeza de que a maldição sumiu, vai lá. — disse Austin.




— Não, fiquem longe de mim, não quero passar essa praga pra nenhum de vocês! — disse Tim que disparou a correr — Nunca vão me pegar!




Os cinco correram o perseguindo com risadas pela extensão do parque enquanto Tim alardeava seu temor pelo abraço amistoso.




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Notas finais
Abecedário Ranger: Letra P - Protezords Uma categoria de zords baseados na funcionalidade para equipar Megazords com itens de arsenal nos quais podem se transformar.