Power Rangers: Esquadrão Z

53 Operação Cavalo de Troia


Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Lokknon saboreia sua vitória sobre os Rangers de posse das células de morfagem. Mas se engana ele se pensa que os heróis erguerão a bandeira branca, pois Dickerson traça um audacioso plano. E a partir daqui inicia-se a segunda temporada da fic (ANO II). Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!

Em uma região montanhosa de cânions, a mesma em que havia se apoderado das células de morfagem, Dickerson observava uma escavação de Lokknon, executada por Psycho-Bots sob o sol da manhã. Usando um manto preto-azulado e um binóculo de alta tecnologia, ele focalizou o objeto quase desenterrado.

Parecia uma espaçonave preta desgastada. Mudok supervisionava os robôs que a puxavam.

— Mais força! O mestre quer a nave fora hoje! — ordenou o androide.

"Uma nave... OK, suspeita confirmada. Mas preciso de mais detalhes", pensou Dickerson. Os Psycho-Bots puxavam a nave com cabos de aço, quase a retirando do buraco.

A cabeça holográfica de Lokknon surgiu atrás de Mudok.

— Mudok! — berrou, assustando o androide, que se desequilibrou e caiu do rochedo.

— Sim, mestre. Perdoe-me! — disse Mudok, levantando.

— Sem desculpas! Chega dessa demora! — Lokknon externava sua impaciência — — Costumo ser paciente, até demais, como bem sabe, mas nesse caso já é um abuso de tempo e energia!

— Admiro sua longanimidade, mestre. Chegou na hora certa. — disse Mudok, observando a nave Nemetheiana ser puxada. — Já cumprimos a tarefa prioritária.

— E o que constataram? — indagou Lokknon.

— Dois corpos que a datação por carbono confirmou serem nemetheianos. É uma legítima nave do seu planeta que fez uma aterrissagem forçada nesta área. Provavelmente o sistema de ar foi avariado ao atravessar a atmosfera, intoxicando as gotículas de água.

— Minha suposição se confirmou. — disse Lokknon. — Guardas da corte real de Nemethea fugiram para planetas diversos para escapar da invasão dos Combanautas de Wallace L. Dickerson.

"Você admira meu pai, Lokknon, ao ponto de falar até o nome completo", pensou Dickerson, tirando o binóculo.

"Uma nave do império de Lokknon caiu aqui fugindo da Intercorp. Preciso voltar e contar a Karen e aos Rangers." Dickerson moveu-se. Contudo, ao se mover acabou escorregando seu pé direito no morro rochoso, fazendo ruído de pedrinhas caindo com poeira que foi rapidamente percebido por Mudok.

— O que houve, Mudok? Algum problema?

— Senti a presença de alguém observando. — disse o androide. — Veio daquele morro, mas sem assinatura de calor. — Dickerson havia se teleportado. — Deve ter sido as correntes de vento.

— Continuem puxando! Restaurem os interiores. A estrutura externa não precisa. Usaremos a nave só hoje. Aqueles que me deram a vida esperam a libertação, cumprirei isso como o herói de uma profecia.

Lokknon desligou a projeção.

— Andem logo, molengas! Voltem ao trabalho! O mestre ordenou! — gritou Mudok, brandindo sua espada. — Continuem ou os farei em pedaços!


***

O ano letivo terminou, eufórico para todos, levando os alunos da Angel Grove Middle School à loucura, exceto para cinco alunos. Na Cantina do Earl, a mesa dos Rangers contrastava com a festa ao redor.

— Todo mundo feliz enquanto a gente aqui que nem bobos achando que nossas férias serão as piores da história. — lamentou Tim. — Qual é, galera? Esse baixo astral todo não é a nossa cara.

— Desculpe, Tim... — disse Zoe, abalada. — Não paro de pensar em como perdemos nossos poderes tão fácil. Fui péssima na prova hoje por causa disso.

— O impacto ficou em mim como uma farpa no dedo. — disse Damian.

— Não importa o que acontecer de bom. Enquanto não recuperarmos nossos poderes, tudo parece frio e sombrio. — comentou Jessie, triste.

— É como perder uma parte de nós. — disse Austin, pensativo. — Somos legados, nossos pais contavam conosco. Sr. Dickerson deve estar sofrendo, devíamos apoiá-lo.

— Já que ele parece ter jogado a toalha. — disse Tim, desanimado.

— Impossível ele desistir! — Zoe rebateu. — As células são do pai dele. Recuperá-las é a missão obrigatória pra ele e pra nós.

— Ele não vai deixar por isso mesmo. — disse Jessie. — É inaceitável. Ele sabe que precisa agir antes que Lokknon use as células pra... Ahn, pro que era mesmo?

— Libertar os pais dele, presos numa lua de Nemethea. — Damian relembrou.

— Memória de elefante! — Owen se juntava a eles, com sua jaqueta verde sem mangas por camisa branca, além de usar um boné verde e uma bermuda marrom.

— Owen, que bom te ver! — disse Zoe.

— Mais um pra sofrer conosco. — disse Tim. — Junte-se a nós nessa tigela de batatas fritas que estão pedindo pra serem devoradas.

— Eu bem que queria, só que... eu já tô de saída. — Owen hesitou.

— Vai viajar com seu pai? — perguntou Jessie.

— De trailer, como planejaram? — perguntou Zoe.

— Isso! Rodar o país, tirar fotos. — Owen sorriu, animando-os.

— Que viagem incrível, como a de Galápagos. — disse Austin. — Você merece isso depois de tudo. Não sinta nossas dores, aproveita.

— É, não venha pro nosso fundo do poço. — disse Tim. — Você ainda tem sua célula.

— E ele não tem que se sentir culpado por isso. — Austin defendeu. — Lokknon só queria as cinco células que ele ajudou a criar com o pai do Sr. Dickerson. É louco pensar que nosso maior inimigo ajudou a criar nossos poderes.

— Muito louco mesmo. Ele foi bem esperto. Ainda bem que a Intercorp suspeitou e impediu que ele roubasse. — disse Jessie, lembrando o confronto. — Seria uma tragédia.

— Nem estaríamos aqui lamentando termos deixado de ser Power Rangers. — disse Damian.

— Não deixamos de ser Rangers. — Austin tentou motivar. — O que nos faz Rangers não são as células, vem do coração, do espírito animal, de sermos legados. Lokknon só tirou o que transforma essa força em poder, não a força em si. Ele não pode tirar isso da gente.

— Nossa, cara, você devia ser um daqueles palestrantes que minha mãe e as amigas dela pagam pau. — disse Tim, comendo mais batatas. — Até minha fome acordou.

— Austin, você disse uma coisa que clareou nossas mentes. — disse Zoe.

— Motivou nossos espíritos. — Damian sorriu.

— Funcionou comigo. Você é mesmo o líder que a gente tem orgulho de ter. — disse Jessie. — Não desisto e não acredito que o Sr. Dickerson desistiu.

— Mas ele não ligou desde aquele dia. — disse Owen.

— Vai ligar. Ou podemos ir lá. Talvez esteja planejando algo. — disse Austin, otimista.

— Sei não, tô com medo de ver tudo desligado que nem quando vimos a Karen ser sequestrada por aqueles dois. — disse Tim.

— Alô-ô, aqueles dois foram vítimas do Lokknon e não precisam pagar por nada do que fizeram agora que já estão libertos. — Jessie corrigiu.

— A retaliação foi Austin e Owen destruírem as células e os morfadores do mal. — completou Damian.

— Owen, já que sabe onde eles moram... — Austin perguntou. — Alguma notícia deles?

— Eu não tive tempo de ir na casa de nenhum deles, fiquei organizando a viagem com meu pai enquanto ajudava no anuário do colégio e treinava no dojo. É a vida corrida de um futuro fotógrafo profissional. — Owen respondeu. — Mas acho que estão bem.

— Vou visitar o Flint e avisar sobre as provas de segunda chamada. — decidiu Zoe.

— Vou junto, Zoe. — ofereceu Damian. — Se ele não guardar segredo, teremos que usar o software de amnésia.

— Vou visitar o Mason com o programa já pronto. — determinou Austin.

— Vou com você, Austin. — disse Jessie. — Mas qual o problema de vocês? Ainda os tratam como se fossem inimigos. Gente, acabou, eles prometeram guardar segredo, quem sabe até nos ajudar algum dia.

— Precisamos garantir o sigilo. — disse Damian.

— Não os conhecemos bem. Mesmo que não sejam mais malignos, devemos ter cuidado. — Austin alertou.

— Nessa vou ter que concordar. — disse Owen — Confiança leva tempo pra conquistar, não sabemos até que ponto o sigilo deles vai. Eu não sou a favor de suborno, mas...


Os comunicadores tocaram, surpreendendo a todos.

— Meus ouvidos não me enganam... — disse Damian.

— É ele sim, o Sr. Dickerson tá querendo falar conosco. — disse Austin levantando — Vamos lá, pessoal, pro corredor.

Earl estranhou a saída repentina.

— Garotada, já vão saindo assim de repente? Abandonando as fritas? Vocês estão bem?

— Estamos ótimos, Earl, mas é que apareceu um compromisso urgente entre nós seis — Austin disfarçou.

— Já voltamos. — disse Tim.

— E se eu disser que já pagamos pelas fritas? — disse Damian.

Tim correu pegando a tigela, logo enfiando mais batatas na boca.

— Voltamos amanhã! Falou, amigão!

— Falou, crianças. — Earl deu um joinha com uma piscadela.

Os Rangers chegaram à Central de Comando Bia teleporte.

— Ufa, tudo ligado! — disse Tim, aliviado.

— O que foi, Tim? Pensou mesmo que eu teria entregado o ouro ao bandido me desfazendo de tudo que conquistei e construí valendo cada gota de suor? — falara Dickerson aproximando-se com uma face tranquila e bem-humorada.

— Passou pela cabeça de todos nós. O Tim é que ficou meio paranoico. — admitiu Austin.

— Parecia real, mas que bom que estão firmes. — disse Tim.

— A esperança foi mais forte que o medo. — disse Zoe.

— E realmente não desistimos. — Karen se virou. — Estamos bem longe dessa possibilidade.

— Tão longe quanto Nemethea. — Dickerson deu a pista do plano.

— O plano envolve ir pro espaço seguir o Lokknon?! — indagou Jessie.

— Ou invadir a nave dele perto da Terra? — sugeriu Tim.

— Não, Rangers, não haverá perseguição nenhuma. — Dickerson ficara sério. — Lokknon ainda não viajou. Iremos com ele na nave.

— Na nave de Lokknon?! — Austin ficou surpreso. — Como?

— Não na dele. Nesta. — Dickerson apontou para o monitor mostrando a nave Nemetheiana desenterrada.

— Que nave é essa? — perguntou Owen.

— De soldados da guarda imperial de Lokknon, que fugiram da invasão Combanauta. — explicou Dickerson. — Meu pai criou a armadilha que prendeu os pais de Lokknon. Ele os viu vaporizados, condenados a um estado entre vida e morte, como uma animação suspensa onde possam estar conscientes e interativos.

— Tecnologia impressionante para a época. — disse Damian.

— O que houve com seu pai? — perguntou Zoe.

— Na última missão dele, foi dado como desaparecido. Depois como morto. Lokknon possivelmente o eliminou. Mas não foco minha energia em impulsos de vingança, sou melhor do que isso... melhor do que ele. E vocês também, ainda melhores. Hoje é o dia de provar esse fato incontestável de uma vez por todas.

— Comandante Leozor na videochamada. — Karen anunciou.

Leozor surgira no monitor principal.

— Dickerson, está autorizado a executar a operação Cavalo de Troia.

— Que nome mais estranho pra uma missão. — disse Tim, franzindo a testa — Não temos nenhum cavalo e essa Troia deve ser o nome da nave descoberta.

— Se liga, cavalo de Troia é uma alegoria. — disse Damian beliscando o braço o amigo.

— Au, isso dói, cara! OK, ainda não tô entendendo nada. Facilita aí, amigão.

— Faz uma referência ao enorme cavalo de madeira que os gregos construíram para invadir Troia numa estratégia muito inventiva e funcional. — disse o Ranger Preto — Os gregos fingiram reconhecer a derrota na Guerra de Troia enviando um cavalo de madeira gigantesco como presente aos inimigos. No entanto, quando os troianos abriram seus portões, vários soldados espartanos saíram de dentro do cavalo para guerrear, cravando a vitória dos gregos.

— Uau, como isso não tá em nenhum livro de história? — questionou Tim.

— Porque se trata de um mito, pura lenda, hehehe. — respondeu Damian.

— O que faremos será lendário, de verdade. — disse Jessie.

— Enviaremos um presente pro Lokknon como distração? — perguntou Zoe.

— Não, não vamos seguir a lenda fielmente, mas a ligação com o significado dela não muda. — disse Dickerson — Sendo mais claro, nos infiltraremos na nave disfarçados de Psycho-Bots. Karen já preparou as fantasias holográficas. Eu irei junto, precisam da companhia de um responsável.

— Virar Psycho-Bots por um dia?! Não sei se gostei. — Tim hesitou.

— É o único meio de chegarmos a lua Idheos para recuperarmos as células antes que Lokknon as coloque na máquina. Quando chegar a hora, desfazemos o disfarce e atacamos. — explanou Dickerson.

— Owen, você fica em caso de uma emergência surgir. — ressaltou Karen — Lokknon vai estar longe da Terra, mas deve ter ordenado a Aracna ou Mudok que soltasse alguma criatura para atacar a cidade.

— Pode fazer isso, não pode, Owen? — perguntou Austin — Sabemos o quanto é difícil fugir dos olhos do seu pai. Nesse começo de férias aí que isso complica mais, não é?

— Sempre dou uma escapada, dessa ele prometeu não me botar uma coleira. — Owen respondeu.

— Coleira? Ele trata como cachorro?! — disse Tim.

— Figura de linguagem, bobão. — Owen riu. — Vou ficar disponível, aconteça o que acontecer.

— Beleza, estamos contando com você pra manter a cidade segura. — disse Austin batendo sua mão direita a do Ranger Verde — Faça uma boa viagem.

— Vocês também. Boa sorte. — Owen se despediu. — Sr. Dickerson, Karen, Comandante... Prometo agir assim que eu for chamado.

— Confiamos no seu compromisso. — disse Leozor. — Rangers, a infiltração não será fácil. Lokknon pode ter indicado um número limitado de Psycho-Bots a tripular a nave durante a viagem.

— Visualização monitorada. — Karen apontou. — Mudok está organizando fila de soldados entrando na nave. Estão sendo numerados.

— Nossa chance, devemos ir rápido. — Dickerson estava pronto. — Owen, vá logo. Seu pai espera pra cair na estrada.

— Certo. Até mais, galera. Fui. — Owen teleportou.

— Alinhem-se acima dos portais holográficos. — Dickerson orientou.

Os cinco heróis se prepararam para os trajes.

— Karen, agora. — pediu Dickerson.

Ela acionou os hologramas, que cobriram os Rangers. Chocados, eles se avaliaram.

— Que demais! — Jessie exclamou. — Meio humilhante sair vestido assim, mas parecemos com eles.

— E se nos perdermos? — Tim temeu. — Como falar com esses barulhos?

— Adicionarei um recurso vocal com micro-botão no pescoço. Se comunicarão exatamente como eles. — disse Karen.

— Mas como vamos nos entender? — perguntou Damian.

— Falamos como eles e os fones holográficos farão com que o som chegue aos ouvidos como nossas vozes normais. — explicara Dickerson.

— Genial! Apesar da roupa... vejo muita vantagem! Quero começar! — disse Zoe.

— Mas antes... — Dickerson se virou. — Meu traje.

Karen acionou o holograma para ele.

— Ahn... Sr. Dickerson é mais alto que a gente. O Mudok vai desconfiar logo de cara de Psycho-Bots com alturas diferentes. — apontou Jessie.

— Bem observado, Jessie. Mas nos antecipamos a isso. — falou Dickerson — Karen.

— Pode deixar. — disse ela mexendo no painel.

Os hologramas materializados tiveram suas alturas ajustadas as estaturas dos robôs — Prontinho, estão com alturas exatas aos originais.

— Muito bem, Rangers. — Dickerson ficara entre eles. — Teleportando agora.

Os seis sumiram em pilares de luzes pretas e vermelhas, surgindo atrás de um rochedo perto da fila de Psycho-Bots.

— Ativem os botões de disfarce vocal. Vamos para o final da fila. — ordenou Dickerson. Eles obedeceram.

— Ouço minha voz normal. — Tim estranhou. — A de vocês não. Dickerson apertou o botão no pescoço dele.

— E agora?

— Agora sim, haha.

— Apertem duas vezes. Uma para a vocalização, outra para a audição. — explicou Dickerson, os demais o fazendo — Sigam-me.

Caminharam para a fila, imitando os movimentos dos robôs. Mudok registrava números nos robôs com um aparelho.

— Como enxergam com um olho só? — Tim perguntou.

— Talvez porque sejam... robôs? — Zoe respondeu.

— Silêncio. — disse Austin. — A fila anda rápido.

— A única fila rápida que teremos nessa vida. — Tim comentou.


Quando os robôs originais entraram, foi a vez dos impostores. Mudok usou o aparelho em Dickerson, mas falhou.

— Não está funcionando, que estranho. — disse o androide conferindo o aparelho.

— Ih, sujou. — disse Tim com uma mão cobrindo o rosto em lamento.

— Tentando novamente. — disse Mudok repetindo o processo. Daquela vez o número em branco, 156, surgiu no centro vermelho do peito — Ótimo, pode passar. Próximo.

Após registrar todos os Rangers, Mudok os observou subindo a rampa.

— Meu aparelho nunca falha. Aquele foi o único... Deixa pra lá. Próxima leva.

Outro grupo de Psycho-Bots se aproximou.

Na sala central de sua nave, Lokknon via em un pager uma projeção holográfica de suas memórias de infância com os pais.

— O tormento de vocês acaba hoje. Estou chegando, meus lordes.

Uma discussão atrás dele entre Aracna e Barooma sobre o comando o irritou. Lokknon liberou uma onda psíquica que os torturou.

— Chega dessa algazarra!

— Mestre, paramos! — imploraram, sofrendo.

— Sem mais brigas estúpidas, mesmo na minha ausência! — Lokknon cessou o ataque.

Aracna explicou a disputa por quem comandaria. Lokknon, deixando seu pager no trono, impôs:

— Eu vou estar no comando seja presente ou ausente. — disse Lokknon deixando o pager no assento do trono, logo voltando-se a eles — Portanto, eu ordeno que você, Barooma, crie qualquer monstro que possa manter o Ranger Verde ocupado, masnun que possua inteira capacidade de aniquila-lo junto com a sua célula de morfagem. Aracna, você é o departamento criativo, faça fluir as ideias

— Sim, mestre! Vamos criar a aberração mais odiosa! — disse Aracna.

— Não chame de aberrações! — Barooma protestou.

— Monstrinhos guerreiros, então. — Aracna revirou os olhos.

Lokknon pegou as cinco células de morfagem antes armazenadaa num cofre.

— Meus pais ficarão aqui enquanto construímos o novo palácio na Terra, após destruirmos o Ranger Verde.

Mudok apareceu no visualizador.

— Mestre, tudo pronto para a decolagem. A nave está perfeita.

— Como se sente sabendo que vai perder a diversão de ver o Ranger Verde passando apuros com o monstro que Barooma e eu vamos criar? — perguntou Aracna, provocadora.

— Eu me sinto pleno pois ao menos participo de uma missão com maior garantia de sucesso. — respondeu o androide a fazendo dar língua com uma cara feia e virar de lado com os braços cruzados.

— Estamos conversados, então. — disse Lokknon — A nave precisa estar em ordem para receber meus pais. Estou falando desta nave, pra ser exato. Caso eu note um ínfimo detalhe fora do lugar... — dera um sorriso de canto misterioso que os deixou tensos — Vou deixar que meus pais decidam por mim. Até breve. — teleportou-se com raios púrpuras.

— Vamos criar um monstro que nos obedeça e não destrua a nave. — disse Aracna.

— Vou programar para obedecer só a mim... quero dizer, a nós! — corrigiu-se Barooma.

— É bom mesmo. — intimidou Aracna. — O Mestre esqueceu o espelho visualizador. — ela pegou o pager, ativando com suas ondas cerebrais. — Ai, eu era uma princesa adorada. Pena que um maldito casamento arranjado me forçou a largar tudo isso, inclusive o noivo. — seu rosto contorceu-se — Ah, não quero mais ver. — desligou. — Nostalgia é uma droga.

A nave nemetheiana decolou, virando um ponto no céu. Enquanto isso, Owen e seu pai, Marley, cruzavam a estrada em seu trailer cinza. A primeira parada foi um museu de cera em San Diego, onde fotografaram estátuas de figuras famosas.

— Gostou da primeira parada? — perguntou Marley.

— Não podia ter escolhido melhor. — respondeu Owen.

Aracna e Barooma observavam, inspirados.

— Estamos pensando o mesmo? — disseram em uníssono, logo discutindo qual ideia era melhor.

— Se não houver consenso, não farei monstro! — Barooma irritou-se.

— E desobedecer o mestre? — Aracna provocou.

— Grrr, sua chata! — Barooma cedeu. — Baixando dados de fabricação de cera. Criarei um monstro que transformará a Alameda dos Anjos num museu a céu aberto! — fora até a alavanca — Que venha com muita saúde!


A máquina piscou, soltando fumaça e piscando luzes feito relâmpagos. O monstro será da cabine:

— Algum voluntário para meu raio transformador? Quero milhares de estátuas derretendo! — disse a criatura.

— Vão derreter no sol? Adorei, Waxoptic! — disse Aracna, empolgada, batizando-o.

— Você tem um corpo escultural demais para se mover. — Waxoptic liberou feixes vermelhos de calor de seu único olho, transformando Aracna instantaneamente em uma estátua de cera.

— Bravo! Hahaha, e agora, Aracna? Quem vai perder toda a diversão? Waxoptic, prepare-se para mostrar aos terráqueos como se faz arte moderna! — Barooma teleportou a criatura.

Waxoptic surgiu no centro da cidade, eufórico com os alvos. O caos e a histeria se espalharam.

— Esperem, meus modelos! Não pensem que podem fugir! — Ele perseguiu pessoas, transformando um grupo de jovens em estátuas de cera com seu raio. — Sou o cara das obras-primas! Próximos!

O alerta na Central de Comando soou. Karen verificou.

— Era de se esperar. — moveu os dedos velozmente no teclado — Owen, espero que seu pai não esteja de marcação cerrada.

O fotógrafo-mirim havia feito uma pausa na maratona de fotos no museu de cera tomando água garrafinha na praça vizinha com o pé esquerdo sobre um banco. Até seu comunicador tocar. Jogou a garrafinha numa lixeira e foi até um ponto discreto olhando em volta cauteloso.


— Nenhum sinal dele. Vambora. — disse ao voltar para os arredores do museu. Encontrou um depósito nos fundos do local onde adentrou — Nossa, quanta tralha deixaram aqui... — logo atendeu o chamado — Owen na escuta.

— Sua primeira parada inspirou um monstro. Ele está atacando o centro, transformando todos em estátuas de cera.

— Não foram muito criativos. Tô indo nessa. — Owen desligou, logo sacando a célula e o morfador. — Hora de morfar! Gorila Esmeralda!

Paralelamente, na nave nemetheiana, Mudok conduzia Psycho-Bots para recarga.

— Venham, números 100 a 180! Hora da recarga.

Os Rangers se afastaram.

— Recarga? Eles têm baterias? — cochichou Tim.

— Vamos nos esgueirar por aqui. — Dickerson apontou para um corredor adjacente. — Ajam naturalmente.

Mudok notou os cinco Psycho-Bots se dirigindo para outro corredor e os chamou.

— Ei, parem! Preciso ver seus números!

O quinteto obedecera.

— 156 a 160. Devem repor suas energias.

Austin, à frente, fez que não com a cabeça, e os outros imitaram.

— Questionando minha ordem?! Vocês evoluíram. Se não precisam de recarga, estão liberados. — Mudok virou as costas.

Dickerson e os Rangers continuaram.

— Ufa, achei que era o fim do disfarce. — disse Zoe — Pior do que quando o Sr. Dickerson não pôde entrar na hora que aquele troço usado pra marcar os números deu defeito.

— Não foi defeito, foi uma falha no sistema holográfico que logo se ajustou. — explicou Dickerson.

— E fomos salvos pelo bom senso do Mudok. — disse Damian.

— Quem diria que ele tinha um. — comentou Jessie — Graças ao Austin.

— Mandou bem, amigo. — disse Tim abraçando-o de lado.

— Haha, deduzi que ele acreditaria nos robôs. Mas desgruda de mim, Tim, eles vão desconfiar. Precisamos agir iguais. — disse Austin.

— É chato fingir ser robô. — resmungou Tim. — Oh...

— O que foi, Tim? Controla esse estômago, robôs não soltam gases. — Zoe alertou.

— Não é meu estômago... é minha bexiga. Onde fica o banheiro nesta lata gigante?

— Logo agora?! Terá que segurar ou fazer escondido. — repreendeu Damian.

— O único banheiro deve ser restrito a Lokknon. — especulou Dickerson.

— Talvez haja outro lugar sem levantar suspeitas. — disse Jessie.

— Tá muito apertado, Tim? — perguntou Zoe.

— Chegando na fase do aperto. Não vou aguentar...

— Nesta sala. — Dickerson abriu a porta de um depósito de suprimentos. — Depressa, Tim, use uma caixa.

Tim entrou, pegando uma caixa de metal. A porta se fechou. Um grupo de Psycho-Bots veio, convidando-os a uma atividade.

— Pra onde estão nos levando? — Jessie sussurrou.

— Algum tipo de lazer deles. — disse Damian.

— Mas e o Tim? Não podemos deixá-lo lá preso. — disse Zoe.

— Não podemos comprometer o disfarce. — Dickerson explicou — Sorte que falando nesse baixo som estamos safos. Eles entendem a linguagem robótica a uma certa altura. Alguém vai tira-lo de lá, tenham esperança.

— Droga, tá cada vez mais difícil seguir o plano. — Austin reclamou.

— Eu não disse que seria fácil, disse? — Dickerson respondeu.

Tim batia na porta, gritando por socorro. Um Psycho-Bot da guarda da nave passou, ouviu e abriu a porta. Tim saiu subitamente.

— Nossa, amo a liberdade! Você me salvou, amigo. Quer dizer... vamos ao mestre, eu só fiquei preso. — Tim tentou se corrigir.

O robô conferiu a caixa, detectou uma substância terráquea em sua visão e apontou o detonador para Tim.

— Ei, somos parceiros! — percebeu Tim — Ops, ferrei o disfarce.

O Ranger Azul desarmou o robô com um chute ágil, empurrando-o para dentro do depósito e fechando a porta.

— Fica aí pra relaxar um pouquinho! — ele logo depois correu procurando a saída.


Na Terra, Waxoptic mirou um garoto de bicicleta. Owen surgiu em sua Beast Cycle, disparando lasers que causaram explosões de faíscas.

— Garoto, foge!

— Eu ia ajudar o pirralho! Agora você me paga! — Waxoptic disparou raios laranjas das mãos.

— Antes um mertiolate bem ardido! — Owen acelerou com a moto, desviando dos tiros. — Modo Míssil Turbo!

A moto acelerou, deixando um rastro de fogo verde. Waxoptic a segurou com força, sendo empurrado até parar.

— Você não atropela nem uma formiga! — provocou o monstro.

— Mas posso te esmagar como uma! — Owen usou a roda dianteira contra o peito do monstro, criando atrito faiscante. Waxoptic emitiu seu feixe ocular, derretendo a moto. Owen saltou.

— Minha Beast Cycle... virou queijo derretido!

— Chegou sua hora! Prefiro você como estátua! — O monstro ameaçou.

— É o que veremos, Olho de Sauron! — Owen sacou sua adaga Kong. Um corte de energia atingiu o monstro, mas não o derrubou.

— Só isso? Fraquinho! — Waxoptic atacou com seu feixe de calor. A cera cobria Owen. Com o braço livre, ele disparou a pistola Z três vezes no olho do monstro.

— Argh... nojento! — Owen tirou as camadas de cera. — Seu olho já era!

— Acho que não! — Waxoptic regenerou o olho — Só sendo muito idiota pra achar que esse é meu ponto mais vulnerável!

— Será que se reconstrói fatiado? — Owen destacou a adaga. — Sabre Kong, materializar! — a lâmina se energizou e aumentou.

Waxoptic disparou raios das mãos que Owen rebateu ágil com a espada causando explosões de faíscas em volta. Owen saltou, aplicando um corte diagonal com o Sabre Kong, causando explosões faiscantes no corpo do monstro.

— Ainda não mostrei todos os meus truques! Não preciso procurar modelos!

A cintura de Waxoptic se alongou uns bons metros pra cima o elevando a uma altura que o possibilitava observar uma larga extensão da cidade.

— A vista daqui é perfeita! Posso espalhar minha visão de calor noa quatro cantos, de norte a sul e leste a oeste!

O monstro disparou sua rajada opticas meio transparente girando vagarosamente do peito para cima, atingindo cidadãos situados a vários quarteirões.

— Karen, ele virou uma espécie de torre de vigia! O que eu faço?

— O modo mais viável de faze-lo parar seria com o Glady Motor Z. Dickerson recomendaria o mesmo, sem dúvida.

— Beleza, pode mandar!

— Enviando o Glady Motor Z a todo vapor. — apertou as teclas no painel — Derruba essa torre.

O carro tur indo voerabem teleportr correndo na pista a uma certa velocidade. Owen dera um salto para trás, logo adentrando no veículo e fechando o teto de vidro reforçado.

— Acelerando a mil! — disse o Ranger Verde, as mãos firmes no volante. As turbinas traseiras soltaram intenso fogo azulado em jato.

— Espere, Owen, não tente atropela-lo, ele está muito f8xo se mantendo nesta forma, o impacto pode ser absorvido pelo carro encausarbdanos inteiros. — alertou Karen — Use o modo Sentinela Verde.

— Valeu pelo toque! OK, alterando para modo Sentinela verde! — disse Owen acionando o comando, o carro assumindo a forma de um robô meio humanoide — Vamos rodar! — o robô correra ágil — Disparar laser!

Atirou lasers vermelhos de pequenos canhões perto dos ombros, os tiros explodindo fortemente em Waxoptic que, todavia, manteve-se esticado.

— Ora, seu atrevidinho! Não me fez nem tremer! — disse Waxoptic que disparou raios das suas mãos.

O robô esquivava facilmente dos tiros explosivos.

— Vamos ver se balança mas não cai! — disse Owen aproximando-se do monstro e o agarrando com as mãos do Glady.

Waxoptic juntou as mãos fazendo os globos laranjas se chocarem, canalizando uma corrente elétrica que desceu ao robô, causando salpicos de faíscas no cockpit. Owen prosseguia resistindo a eletricidade.

— Owen, solte-o! — avisou Karen.

— Tenho que continuar! — disse o Ranger Verde.

— Assim é impossível, ssfa causando prejuízo ao Glady, se isso continuar os níveis de força vão reduzir drasticamente. Use o disco de assimilação. Consegue ver?

— Essa coisinha aqui? — indagou ele, pegando-o.

— Exato, agora instale, ele serve pra que o robô assuma as características do zord do Ranger que o pilota.

Owen o fizera, o robô tingindo-se de verde e adquirindo traços do Gorila Esmeralda, incluindo os punhos vigorosos.

— Você é meu saco de pancadas agora, mega-olho!

Os punhos do robô bateram repetidamente na cintura esticada do monstro.

— Meu nome é Waxoptic! E esses socos pra mim são massagem!

— Que tal terapia de choque? — disse Owen tornando a agarra-lo, logo canalizando energia do robô, os raios verdes subindo velzoes e eletrocutando intensamente — Agora sentiu!

— Isso! Ele se fragilizou! — disse Karen sorrindo leve — A descarga paralisou seu giro em 360⁰.

Waxoptic retornava seu corpo a forma normal, a cintura baixando.

— Tudo que sobre tem que descer! — falou Owen que fez o robô socar. Waxoptic foi lançado contra um carro azul, sentindo-se humilhado.

— Não acredito que esse moleque enxerido me fez regredir!

— Alterar para modo veiculo!

O robô tornou a ser um carro e seguiu para direção oposta parecendo fugir. Mas tomar apenas distância para dar meia-volta em um drift.

— Turbo nitro! — as turbinas cuspida fogo a jato, o veículo disparando a match 30.

— Voi transformar essa sua lata velha numa escultural de cera derretida!

Waxoptic lançou um feixe ocular que atingia o Glady Motor Z, mas não impediu que o ator passe nrismente. O monstro rolou no ar com o impacto e caiu.

— Pra mim chega, vou cair fora! — disse ao levantar.

— Epa, sua farra acaba aqui. — decretou Owen apontando o Macro-Detonador — Flah paralisante! — o flash piscou o imobilizando — Preparar, apontar...

— Peraí, peraí, me deixa viver, prometo fazer só estátuas normais!

— Tem que ser muito idiota de cair nessa. Fogo! — o tiro do canhão disparou contra Waxoptic que caiu para trás.

Owen virou de costas numa pode de vitória, a explosão tremenda do monstro atrás dele.

Na nave de Lokknon, Arscna voltava a sala principal com uma taça enchida de licor.

— Barooma, faça nosso menino de ouro crescer de verdade.

— É pra já! — disse Barooma que a olhou de relance, notando a taça cheia — Aracna, está tomando do licor do mestre!

— E daí? Fui autorizada por ser a única boca além dele que pode beber.

— Hum, acredito! — ironizou ele, logo batendo a mão no botão que disparou o laser regenerador.

***

A nave nemetheiana chegou à lua Idheos, que parecia um planeta-anão. Lokknon estava emocionado.

— Aí está. Nunca pensei que pudesse voltar à região do meu mundo natal.

Mudok iniciou o procedimento de aterrissagem. A nave pousou no solo rochoso e cinzento. Os Psycho-Bots marcharam para fora atrás de Lokknon e Mudok, em meio a nuvens de fumaça verde-azulada.

Psycho-Bots levantaram a trava de segurança da porta do hangar que abrigava o tubo com a máquina. Lokknon sorriu. A luz azulada trouxe esperança.

— Meus amados pais, que honra revê-los! — ele se aproximou. — O filho pródigo retornou para salvar suas vidas!

— Zoghar, filho, sua mãe e eu estamos emocionados! — disse o rei Zarlov.

— Fabuloso ver o quanto nosso herdeiro cresceu! — disse a rainha Meletti.

— Ela não tá falando da altura, certo? — disse Jessie.

— Então é isso. — disse Dickerson, enquanto a turma estava um pouco afastada dos soldados.

— Isso o quê? — Austin perguntou.

— A tecnologia que meu pai usou para aprisioná-los no tubo é de Eltar, o planeta de Zordon.

— Lembrei do Zordon. Contou que ele vivia preso em um tubo na base dos Rangers. — disse Zoe.

— Não, ele não estava exatamente no tubo. Isso é lenda. O assistente dele, Alpha-5, criou o tubo para comunicação holográfica.

— Zordon nunca esteve no tubo, mas em outro planeta? — questionou Damian.

— Uma dimensão fora do tempo e espaço. O mesmo que acontece a eles.

Tim saiu da nave, esgueirando-se entre as rochas.

— Mestre, posso colocar as células na máquina? — ofereceu Mudok.

— Não, Mudok, essa tarefa é minha. Meus nobres reis, com estes cinco artefatos posso libertá-los. Eu os vinguei. O homem que os subjugou pagou caro.

— Acho que devemos parar com essa falsa receptividade. Não é, Zarlov? — disse a rainha.

— Não perdemos nossos sentimentos como pais, isso inclui o rigor com que criamos você, Zoghar. Por que demorou tanto se estávamos aqui tão perto de nosso lar?

— Não pode ter sido tão egoísta! Esperou anos enquanto luxava com os privilégios imperiais! — acusou Meletti.

— Eu posso explicar... — Lokknon ficou desconcertado. — Precisava desses objetos. Imploro perdão pela demora.

— Por que o chamam de Zoghar? — perguntou Zoe.

— É o nome de batismo dele. — Dickerson respondeu.

— E puxou a eles. Nem precisa de teste de DNA. — disse Austin.

— As vestes imperiais se associam a Protayos, antigo guerreiro cujo elmo Lokknon usa.


Tim, escondido numa rocha, observava Lokknon. "Não posso atirar, isso detonaria as células. Preciso de algo pra tirá-las das mãos dele." Ele ativou uma garra de quatro pontas do pulso.

— Lá vai... — ele disparou.

As pontas pegaram nas células, arrancando-as de Lokknon.

— Mestre, as células! — avisou Mudok.

— Quem ousa? — Lokknon questionou. Tim subiu na rocha.

— Um traidor?

— Errou, são seis! Pessoal, peguem! — Tim arremessou as células aos amigos.

— Tim! — eles pegaram as células.

— Rangers, só há uma coisa a ser feita agora! — disse Dickerson. Os heróis desligaram os hologramas simultaneamente. Dickerson fora o último.

— Dickerson! — Lokknon ferveu de raiva. — E os seus pequenos soldados coloridos!

— Não achou que perderíamos essa viagem para conhecer o rei e a rainha de Nemethea, né? — Dickerson provocou.

Lokknon ordenou o ataque. Tim se juntou aos amigos.

— Como saiu de lá? — Jessie perguntou.

— Um colega me tirou e eu o prendi. — Tim respondeu.

— É bem a sua cara. — Zoe disse, feliz.

— Não precisamos morfar! Somos Rangers de coração! — declarou Austin. Os heróis avançaram contra os robôs.

Dickerson também combatia, mas Mudok o chutou e o encurralou com sua espada.

— Um passo contra o mestre e será seu último.

— Duvido. — Dickerson chutou a espada de Mudok, iniciando um combate feroz.

Lokknon apontou para os Rangers.

— Vejam, são aquelas cinco crianças da Terra que foram meus piores obstáculos pra conseguir resgata-los! — disse Lokknon apontando aos Rangers, mas sua postura fragilizou — E agora novamente eu falhei com vocês.

— Estamos envergonhados por meros terráqueos serem seus algozes. — repreendeu Zarlov.

— Mas isso não nos impede de pedir um ato de misericórdia. — disse Melletti.

— O que querem que eu faça? Eu fracassei! — Lokknon perguntou.

— Não precisa das células. Seja forte e... destrua o tubo. — propôs Zrlov.

— Nossos espíritos vagarão livres em paz pelo cosmos. Faça isso, filho.

— A explosão destruiria Idheos e talvez Nemethea... Não posso! Não vim de tão longe pra isso!

— Há sacrifícios inevitáveis. — disse Zarlov.

— Aja como manda a nobreza de um verdadeiro imperador: sem piedade. — pediu Melletti.

Lokknon, com o coração partido, invocou sua espada negra.

— Minha devoção a vocês é maior que as estrelas. Encontrem a paz! — ele brandiu a espada, estilhaçando o tubo. Uma onda de energia intensa explodiu, destruindo vários Psycho-Bots.

Os Rangers caíram com o impacto.

— O que foi isso? Lokknon, o que você fez? — Austin perguntou.

— Ele... — Dickerson se levantou. — Destruiu o tubo, como ocorreu a Zordon.

— Destruiu os próprios pais? — indagou Jessie.

— Não, os libertou. As células os trariam de volta, mas eles escolheram se tornar parte do cosmos, como Zordon.

Uma tempestade de poeira escura e azul-esverdeada se aproximava.

— É uma tempestade comum aqui. A onda a desencadeou. De volta à nave, rápido! — Dickerson avisou. Os seis correram para a nave em meio a Psycho-Bots perdidos. Lokknon lamentava de joelhos.

— Não sou digno de carregar este emblema. — Ele olhou para a fivela do cinto.

A nave partia de volta à Terra.

— Malditos Rangers, levaram minha nave! — Lokknon se levantou. — A tempestade de Idheos... preciso ir. — Ele ativou a manopla, e uma nave compacta surgiu. — Lamento, soldados, só um tripulante. — Lokknon decolou, deixando os robôs para trás.

A onda energética alcançou o sistema solar, causando um forte tremor de terra global. A Central de Comando sofreu uma pane breve. Karen congelou-se de medo.

— Explosão solar? Não. — ela viu os dados no monitor.

Waxoptic sentiu o efeito da onda.

— Ui, que arrepio! Meu olho está tremendo! — o monstro retornou ao seu tamanho normal. Owen, pilotando o Gorila Esmeralda, sentiu-se confuso.

— Voltou ao normal?! Foi essa vibração do espaço?

A nave nemetheiana retornava ao sistema solar via dobra interestelar.

— Chegamos! — Austin comemorou. — Poupamos metade do tempo!

— 46 anos-luz, sendo exato. Preparar entrada na atmosfera! Segurem-se! — Dickerson comandou.


Um súbito tiro de laser atingiu o painel próximo aos heróis. Eles olharam para trás.

— Pensaram que me deixariam para trás com o mestre?

— Mudok! — disse Austin. — Seria fácil demais sairmos de lá sem um intruso.

— Que ironia. Você é o clandestino. — Dickerson retrucou, olhando por cima do ombro.

— Eu devia imaginar infiltrados desde a marcação numérica! — Mudok exclamou, revoltado.

— O que você fez com o painel? — Damian indagou.

— Avariei todos os circuitos! Não há nada que possam fazer senão um pouso arriscado, isso se a nave não se despedaçar na atmosfera, hahahaha! — o androide logo teleportou-se.

Dickerson se esforçava para manter a nave.

— Segurem-se, estamos cruzando a atmosfera! — a nave chacoalhava violentamente.

Lokknon retornou à sua sala principal.

— Bem-vindo de volta, mestre! Mas temos sérios problemas!

— Se for Nível 2, resolva. — Lokknon pediu.

— Não, crítico! O simulador recebeu uma carga de energia do pulso cósmico que abalou a Terra! Não sei a origem!

— Ah, eu sei... — Lokknon andou desconsolado. Ele parou ao ver Aracna. — Desde quando temos uma estátua da Aracna?

— Mestre, é urgente! Eles querem sair! — Barooma alertou.

— Eles quem? — Lokknon perguntou, enquanto Mudok teleportava para a sala.

— A energia cósmica materializou as projeções virtuais de monstros anteriores no simulador!

Lokknon viu a nave aterrissar em uma pedreira. Um sorriso esperto surgiu em seu rosto.

— Hum, até que destruir o tubo não foi uma má ideia. Obrigado, meus pais.

Dickerson e os Rangers saíram da nave, trôpegos, mas inteiros.

— Uma dica pra perder o medo de avião: viajar pelo espaço. — disse Jessie.

— Agora meu estômago está incomodando. — Tim reclamou, enjoado.

— Não foi confortável, mas a missão foi um sucesso. — Dickerson disse, aliviado.

— Tudo graças a Timothy Ray Dixon. — Damian deu um tapa nas costas de Tim, que vomitou. A turma riu.

Owen teleportou-se e correu até eles.

— E aí, pessoal? A viagem foi uma aventura, né?

— Valeu a pena. — disse Jessie.

— Pegamos o que é nosso. — Tim mostrou sua célula de morfagem.

— Mas algo triste aconteceu: Lokknon foi obrigado pelos pais a destruir o tubo para libertá-los. — Zoe disse, compadecida. — Só com as células eles teriam os corpos reformados.

— Ah, Zoe, tá com peninha do Lokknon? — Tim contrariou.

— Eram os pais dele. Por pior que ele seja, ele tem um respeito exemplar pela família. No fundo, acho que ele os amava.

— Lokknon sentir amor por alguém além dele mesmo? Sem chance. — Jessie falou.

— Não diria amor familiar. — Dickerson ponderou. — Mas um sentimento de honra e gratidão sim. Fiquei surpreso com o apego dele. Eu agiria igual pelo meu pai.

De repente, raios púrpuras começaram a cair a distância à frente dos heróis, uma tempestade incessante.

— O que está acontecendo? — Austin perguntou, tenso.

— Tá caindo raio a beça... mas o céu tá limpinho! — Tim alertou.

— Porque não é o clima. — Dickerson sabia.


Vários monstros antes derrotados retornavam formando um exército para uma revanche decisiva.

— Só pode ser brincadeira... — Jessie murmurou, incrédula, reconhecendo Cinemad, Lotusa e Pierroth.

— Trashmaster. — Zoe identificou.

— Fossogrim. — Tim apontou para o monstro-peixe.

— Minotaurus. — Damian viu o minotauro.

— Nagaviper, Hypnoculus... Voltaram do além! — Owen focou nos que ele havia derrotado.

— É, galera, não vai chover, mas... o tempo fechou pra nós. — Austin encarou a horda de criaturas materializadas do simulador avariado de Lokknon, todos prontos para uma batalha estrondosa em busca de vingança.


CONTINUA NO PROXIMO EPISÓDIO!


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