Power Rangers: Esquadrão Z
62 O X da Questão (Parte 5)
Notas iniciais
A batalha entre os zords dos Z-Rangers secundários e os artrópodes cibernéticos dos X-Rangers se iniciava na metrópole caótica da Alameda dos Anjos. O Gorila Esmeralda se atracou com o Zord Crustacea de Thalo, as garras do caranguejo robótico chocando-se fortemente com os punhos do primata metálico que eram quase agarrados por aquelas grossas pinças.
— Meu gorila não vai virar presa de caranguejo! — disse Owen, tentando livrar seus punhos.
As garras do crustáceo metálico empurraram-o com faíscas soltando. Em revide, o Gorila Esmeralda avançou investindo numa sequência de socos que eram defendidos pelas pinças do oponente.
Num dado momento, o zord Crustacea aproveitou para agarrar firmemente os punhos numa ação imprevista, suas patas movendo-se ao empurrar o Gorila Esmeralda, logo o fazendo bater num edifício que se despedaçou ao simples contato.
— A única forma de se livrar dessas garras é sob minha vontade! — disse o Ranger X3.
O zord Crustacea canalizou eletricidade azul pelos braços até as garras, atordando Owen e seu gorila cujo cockpit salpicava faíscas. Por fora, explosões faiscantes da cabeça aos pés. Thalo moveu os controles para soltar as garras e desferir um corte em X sobre o Gorila Esmeralda que quase caiu em meios a faíscas explodindo no peito e ao redor.
Mason disparava as ondas vibratórias do Morcego Púrpura contra o Insecta Zord de Makeena que esquivava voando diretamente, os ataques causando explosões em volta.
— O morceguinho vai voltar chorando pra caverna. — provocou Makeena.
Makeena carregou um ataque de energia concentrado a partir das asas até canalizar as antenas disparando raios.
— Asa-Escudeira! — bradou Mason.
As asas do morcego dobraram-se para proteger-se dos raios rosas que atingiram com impacto mas vendo resistência.
— Aqui a blindagem é de alto nível, gatinha!
Makeena rosnou furiosa e avançou, atacando com as garras em golpes brutos, duelando com as patas do morcego em choquez faiscantes.
— Mais uma rodada de vibrações positivas, você tá precisando pra acalmar esses nervos!
Mason liberou mais ondas vibratórias para afastá-la a curta distância, mas Makeena, sem se desestabilizar, as convertia em energia ao drena-las pelas antenas.
— Isso aí, está indo muito bem, continue vibrando mais e mais. — dizia ela.
— A temperatura desse zord inseto está se elevando a doze graus a cada segundo... — informou Karen.
— Mason, pare com as ondas agora, ela está se alimentando da frequência delas para converter em energia. — alertou Dickerson.
Mason cessou o ataque, mas Makeena sentia-se satisfeita. Ela virou o Insecta Zord de costas, fazendo girar a traseira e atacou com o ferrão energizado brilhante, atingindo em cheio o Morcego Púrpura.
— Essa foi a primeira vez que vi uma borboleta voar pra trás e ferroar que nem uma abelha! — disse o Ranger Roxo, o cockpit chacoalhando com fortes estouros de faíscas, logo seu zord caindo com raios rosas.
Enquanto isso, o Urso Pardo de Flint foi pego nas teias do Zord Arachnida de Kronan. Canalizou eletricidade vermelha, torturando o zord do Ranger Marrom que se atordoava com as faíscas cuspidas na cabine
— Nenhum controle responde, a coisa tá feia... E ainda mal começou!
— Vai terminar mais rápido do que gostaríamos. — disse Kronan, pérfido.
— Tudo que é bom dura menos do que deveria. — disse Wyvoll cujo zord Diplophoda emergiu abaixo da terra atrás do Urso Pardo.
— Flint, cuidado, o zord de Wyvoll está bem atrás de você, não abaixe a guarda! — orientou Dickerson.
O zord Diplophoda atacou com uma cabeçada por trás do Urso Pardo, seus chifres projetados para frente também o acertando.
— Doeu que nem tapinha no bumbum! — ironizou Flint — Força máxima! — o Urso Pardo resistiu às teias chegando a romper algumas com sua força.
Kronan lançou mais teias, porém o Urso Pardo disparou bolas espinhosas das costas que as cortaram no ar e acertaram o Arachnida Zord, afastando-o um pouco.
— Agora é com você, cobra asquerosa! — disse Flint virando-se para enfrentar Wyvoll e seu milípede robótico.
O Diplophoda Zord disparou lasers verdes dos chifres, os tiros explodindo em volta do Urso Pardo para travar a movimentação.
— Isso aqui que é poder de fogo de verdade! — falou Flint antes de disparar com o canhão laser cor de bronze da boca do urso.
Porém, Wyvoll moveu seu zord para se deslocar no ar em espiral ao longo do raio laser na direção do Urso Pardo, se enrolando nele para gerar um aperto esmagador que causava danos internos.
— A pele do seu urso é quentinha, meu zord vai se aquecer com ela no inverno. — zombava Wyvoll.
— Mason! Me dá uma ajudinha aqui, ligeiro!
— Não tô podendo, cara, foi mal! Meus controles travaram, meu Morcego Púrpura tá paralisado! — Mason respondeu, com uma luz vermelha piscando na cabine.
— É a luz de emergência, que droga. — disse Dickerson.
— Isso não é bom, né?
— Não, é péssimo. Essa luz é acionada quando o sistema sofre uma avaria que superaquece as turbinas internas. Se não for resolvido em torno de dez minutos... Uma contagem regressiva de autodestruição vai iniciar. — explicou Dickerson — Mas primeiro você será ejetado, o sistema de defesa ao piloto segue funcionando até a explosão.
— Dickerson, não dá a entender que não existe solução prática. — repreendeu Karen — Passou o verão inteiro construindo essas novas versões do Morcego Púrpura e do Urso Pardo, não pode deixar se perderam logo que começaram.
— Está bem... Eu só não sei se essa toxina de nanorrobôs vai reagir mal sob a ação do antivírus Z-Zord instalado no painel do cockpit. Cruze os dedos, Mason. — incentivou Dickerson mexendo no painel — Desbloqueei a ação, resta você permitir apertando esse botão verde que está subindo.
Mason bateu a mão direita no botão verde. A ação desligou a energia do zord por uns segundos, a luz vermelha piscante desaparecendo.
— Sistemas em plena normalização. — proferiu Karen, contente.
O Morcego Púrpura reergueu-se e voou para salvar Flint. Ao se aproximar, lançou vibrações contra o Diplophoda Zord. Wyvoll sentiu a potência vibratória e afrouxou o aperto, afastando-se.
— E aí, parceiro, me livrei do meu sufoco pra poder te livrar do seu!
— Mas podia ter maneirado nesses ataques, né? Parecia que eu tava dentro de um sino badalando.
— Reclama depois, mas não esquece de agradecer. Vem, o Owen tá com problemas lutando com três ao mesmo tempo!
O zord Insecta disparou raios das antenas contra o Gorila Esmeralda que defendeu-se com os antebraços cruzados. Suas pernas foram presas por teias lançada do zord Arachnida. O zord Chillophoda de Dresh foi esgueirando-se por trás como uma serpente pronta para o bote e subiu pelas costas do Gorila Esmeralda.
— Tropi-granadas! — bradou Owen jogando as granadas contra o zord Insecta que recuou atingido pelas bombas explodindo no corpo até cair.
O Gorila Esmeralda rapidamente arrancou as teias das pernas e usa-las para puxar com força bruta o zord Arachnida. Mas Kronan usara duas patas para cortar a teia e depois saltar para a lateral de um prédio onde disparou mais fios de seda branca, acertando o rosto do gorila e bloqueando a visão do cockpit.
Owen movia os braços do primata robótico para remover a teia da face dele.
— Não tá dando... pra tirar tão fácil...
— Reforcei a durabilidade dos fios. Dresh, desmonte esse ferro velho! — ordenou Kronan.
O zord Chillophoda subiu pelas costas do Gorila Esmeralda se enroscando.
— Não estavam prestando muita atenção em mim, né? Que tal um choquezinho de leve pra começar?
As antenas da centopeia robótica liberaram uma descarga elétrica amarela, torturando Owen e o zord que ainda se esforçava em tirar as teias chegando a esbarrar em prédios.
Flint e Mason vinham ao socorro, mas foram barrados pelo zord Crustacea de Thalo.
— Terão de me enfrentar se quiserem transpor esse limite!
— Devíamos partir pro arrisca tudo de uma vez, mostrar todo nosso poder sem economizar energia! — sugeriu Mason.
— Garotos, estas novas versões também podem formar um novo Gigante Cavernoso. Unam-se depressa, essa é a hora perfeita para abrir uma potencial vantagem. — estimulou Dickerson.
— Combinar nossos zords?! Fechou! — disse Flint.
— Eu tô me amarrando nisso, parece até que é a primeira vez! — falara Mason — Vambora nessa, amigão! Tá pronto?
— Pra qualquer parada!
— Ativar conexão Megazord! — bradaram ambos em uníssono.
O Morcego Púrpura e o Urso Pardo se desdobraram com o primeiro, desprendendo o asas, sobre o segundo, que se dividiu ao meio formando as pernas. Era formado o Gigante Cavernoso V2 que tinha um visor azul ao contrário do vermelho da versão anterior.
— Gigante Cavernoso, rugindo para a batalha!
Na nave, Aracna rosnou de raiva:
— Esses pirralhos começaram a apelar! Barooma, me diz que esses zords podem se combinar ou eu te mando pro vácuo espacial.
— Mas isso é óbvio, Aracna! Eu trabalhei em ritmo acelerado, mas não excluí a configuração da sequência de formação Megazord! — garantiu Barooma.
A princesa aracnídea se aproximou do painel para contatar os X-Rangers:
— Alô, Rangers X, podem me ouvir?
— Alto e claro. — disse Thalo.
— Não nos distraia, estamos com boa chance de vitória. — disse Kronan — O que você quer?.
— Podem aumentar a probabilidade de derrotar o trio de patetas se combinarem seus zords. — ela instruiu.
— Formarmos um Megazord?! Caramba, faz tempo que não fazíamos isso! — disse Wyvoll.
— Mas façam logo antes que esse Megazord deles leve vantagem.
— Eu acho difícil mesmo conosco separados. — disse Makeena.
— Mas ainda assim... Por que não testarmos? Reagrupar, já! — determinou Kronan.
— O Dresh gostou do novo amigo que ele fez. — disse Wyvoll.
— Vamos ter que espera-lo acabar logo com isso. — disse Makeena tendo reerguido seu Insecta Zord.
Owen prosseguia na tentativa desesperada de se livrar da centopéia robótica.
— Como que eu faço pra me livrar desse bicho? Argh... — se perguntava enquanto raios amarelos dançavam no cockpit e o eletrocutavam.
— Owen, invista a força total do gorila. — Dickerson orientou.
— Então lá vai! Aaaahhh! — disse Owen pesando a mão nos controles para mover os braços do zord em agarrar Chillophoda com a força bruta máxima.
O pegou na parte traseira, em seguida o desprendendo e o jogando fortemente no chão.
— Beleza, o Owen se livrou do verme! — disse Flint — Agora você aí, caranguejo, sai da nossa frente!
— Pra facilitar... Dupla Espada-Selvagem! — bradou Mason chamando a arma que surgiu em teleporte as mãos do robô.
O Gigante Cavernoso a manejou habilidosamente com a precisão de um usuário de bastão.
— Não chamaram essa arma patética para ficarem se exibindo, não é? Se quiserem me ultrapassar, não se contenham! — Thalo desafiava.
O Megazord avançou desferindo um golpe com uma das lâminas, mas o Zord Crustacea bloqueou o golpe com a garra direita e disparou o canhão laser da garra esquerda, atingindo a barriga do Gigante Cavernoso com uma explosão faiscante.
— Energizar! — falou Flint.
A lâmina inferior, imbuída de energia marrom, foi movida num golpe certeiro que decepou a garra esquerda do Crustacea Zord.
A garra caíra com baque numa rua da cidade.
— Se prepara que vamos cortar o outro braço! — prometeu Mason.
O robô moveu a lâmina de cima com energizando em aura roxa e a baixou contra o oponente, porém Thalo defendeu-se com a garra direita, canalizando eletricidade azul que estourou faíscas no Gigante Cavernoso.
Em seguida, o Crustacea Zord liberou hidro-canhões nas laterais entre os braços, mandando jatos d'água que empurraram o Gigante Cavernoso até fazê-lo cair. Uma nova garra cresceu rapidamente no lugar da que fora cortada, graças à ação dos nanorrobôs.
— Ah, é brincadeira... — disse Mason.
— O miserável criou outra garra que nem uma lagartixa recuperando o rabo! — apontou Flint.
Karen fizera uma observação lógica:
— Não é muito surpreendente, afinal caranguejos tem o fator biológico de regenerarem membros danificados. A diferença é que esse aí não precisou amputar por si mesmo.
— Agora chega de prorrogar! — cravou Kronan, severo — Reagrupar time, agora!
— Peraí, o macaco durão me jogou no chão pra cair de barriga pra cima! — resmungou Dresh.
— Deixa que eu desviro você rapidinho! — disse Owen, usando o pé do Gorila Esmeralda para levantar o Chillophoda Zord ao lança-lo no ar e, em seguida, socá-lo pesadamente para mandá-lo longe.
Dickerson alertou os Rangers:
— Atenção, os três: eles provavelmente irão combinar seus zords nessa movimentação.
— Todos juntos! — disse Kronan.
— Sincronização Artro-X! — falaram os cinco em uníssono.
— Ai, tá ficando emocionante! — disse Aracna sacudindo os ombros de Barooma, ambos assistindo pelo visualizador.
Os cinco Zords se desdobraram para as conexões programadas, dando forma a um Megazord visualmente robusto.
— Artro-X Megazord! — apresentaram os X-Rangers, as vozes harmonizadas.
O quinteto do Esquadrão X se reunia no cockpit de paredes pretas com detalhes que remetiam ao mundo dos artrópodes, todos de pé frente a consoles de comando — Kronan estava no centro entre Makkena e Dresh a direita e Wyvoll e Thulo a esquerda.
— Vocês já tomaram noção básica das nossas forças separadamente. Mas não estão nada prontos para enfrentar a junção delas! — disse Kronan — Artro-Sabre!
Uma espada dentificada surgiu em teleporte na mão direita do Artro-X Megazord que se posicionou ao combate.
O Gigante Cavernoso avançou, travando um duelo de espadas feroz. O Gorila Esmeralda lançou tropi-granadas para desestabilizar o Artro-X, as bombas explodindo no corpo e nos entornos, dando abertura para o Gigante Cavernoso executar um corte diagonal que o fez recuar.
O Artro-X Megazord revidou com o sabre e formando um anel de energia lançando o ataque que se revelou um anel de teias, prendendo os pulsos do Gigante Cavernoso e forçando-o a largar a dupla-espada.
— Droga, tá barra de quebrar isso aqui! — disse Flint.
— Parece gesso seco, mas tem dureza de aço! — ressaltou Mason.
O Artro-X avançou com sucessivos cortes agressivos que cuspiam faíscas por todos os lados, mas Owen fez o Gorila Esmeralda lançar mais tropi-granadas explodindo em volta dele, forçando o Megazord inimigo a cessar os golpes.
— Não se aproveita de um adversário desarmado! — repreendeu o Ranger Verde.
— E desde quando existem regras ou ética numa luta mortal? — questionou Kronan.
— Aqui é a lei da selva, seus palhaços! — disse Dresh.
— O jogo virou! As presas são agora os predadores! — disse Wyvoll.
O Artro-X disparou cortes de energia azul e rosa, atingindo o Gorila Esmeralda com explosões no peito. Em seguida, lançou rajadas ópticas contra o Gigante Cavernoso.
— Somos a próxima grande potência de autoridade entre as galáxias, nada irá nos deter! — disse Kronan.
As rajadas oculares se estenderam contra a cidade, destruindo prédios num ataque contínuo. O Gigante Cavernoso golpeou de ombro o Artro-X por trás, quase o derrubando, mas o robô artrópode virou-se com as raios oculares à queima-roupa.
— Protezord Porco-Espinho, venha! — chamou Owen.
O protezord viera em teleporte e se enrolou no dedo do Gorila Esmeralda, formando um ioiô.
— Flint, Mason, levantem os braços!
O robô fizera como pedido. O Gorila Esmeralda girou o ioiô, logo o lançando de cima para baixo num movimento que quebrara o anel reforçado de teias, libertando os pulsos do Gigante Cavernoso.
Owen aproveitou para desferir ataques diretos em sequência com o ioiô no Artro-X que não se defendeu até que pegara o protezord com a mão esquerda e cortara a cauda de aço. O protezord caiu e foi chutado como uma bola.
Em ação protetora, o Gigante Cavernoso tomou a frente do gorila para protegê-lo, recebendo o impacto do protezord no peito e caindo por cima de Owen que também tombou.
— Caras, não precisavam ter feito isso por mim! — disse o Ranger Verde.
— Nem vem com essa. Lutamos juntos, caímos juntos. — disse Mason.
— E podem se reerguer juntos também. — falara Dickerson em contato — O Gorila Esmeralda pode se somar ao Gigante Cavernoso, essa função acabou de ser desbloqueada.
— Fala sério? Tá ótimo, vamos levantar e botar pra quebrar com uma combinação novíssima! — Owen se energizou de empolgação.
O Artro-X Megazord vinha ameaçador preparando um novo golpe com o sabre no instante em que o Gigante Cavernoso e o Gorila Esmeralda ficavam de pé lado a lado.
— Vamos formar a trinca que vai virar o jogo! — disse Owen, a confiança elevada.
— É pra já, maninho! — disse Flint — Ativar conexão Megazord!
O Gorila Esmeralda se desmontou com raios verdes nas partes que se fixaram ao Gigante Cavernoso. A cabeça do gorila formou um novo elmo.
— Gigante Cavernoso Evo! — os três disseram.
O novo Megazord estendeu o braço e pegou a dupla-espada como atração magnética.
— Uma arma como essa merece uma repaginada no visual! Dupla-Espada Evo! — disse Owen.
A arma brilhou em verde, ganhando lâminas novas e em tons de verde.
— O gorila ter se agregado ao Megazord de apenas dois não é nada impressionante. — disse Thalo.
— Ainda somos cinco, não fará a mínima diferença. — disse Makeena.
— São muito otários de pensar que vão contar vantagem assim. — insultou Wyvoll.
— Contar vantagem é o que se espera de bandidos como vocês, né? — contrapôs Owen.
— Querem pagar pra ver? Podem vir! — disse Flint.
O Artro-X e o Gigante Cavernoso Evo avançaram para uma nova colisão de forças naquela arena como se os prédios ao redor fossem meras pedras.
***
Já em Kelton, os Z-Rangers foram levados perante o Chanceler Valtter, que ordenou que lhes removessem as algemas para que pudessem se defender.
— Aproximem-se mais, por favor. — pediu Valtter.
Os heróis deram alguns passos adiante alinhados lado a lado.
— Farei algumas perguntas sobre o papel que vocês desempenham para a Intercorp. Dependendo da precisão das respostas, posso reduzir a pena ou inseri-los em regime semiaberto.
— E nesse regime nós poderíamos sair daqui e ir pra uma prisão na Intercorp? — indagou Jessie meio temerosa com a resposta.
— Não, continuariam sob minha custódia, mas trabalhando nas minas como vassalos.
— Sabe, quando eu disse pro meu pai que eu queria ser como ele quando crescesse não foi bem isso que eu pedi. — disse Tim para Zoe em voz baixa.
— Os planetas se alinharam errado. — falou ela.
— Chanceler, por favor, me dê a palavra de defesa pelos meus amigos. — disse Damian, dando um passo à frente.
— Concedido. Se houver um álibi incontestável que anule a sentença, apresente a mim.
— Na realidade, precisamos do monitor onde vimos o vídeo do ataque à cidade. O senhor ainda possui a gravação, certo?
— Eu tenho uma política de armazenamento para cada registro, nada se perde ou é descartado. — afirmou Valtter.
— Pois bem, eu gostaria de apontar uma falha dos verdadeiros bandidos que atacaram seu povo.
Valtter arqueou uma sobrancelha, curioso. Mas foi flexível quanto ao pedido.
— Tragam a tela com o registro, já!
Dois guardas saíram da sala prontamente.
— Tem certeza de que há uma prova concreta?
— Será necessário rever o vídeo inteiro do início ao fim, só um trecho específico pra captar a inconsistência. — explanou Damian.
— Caso não haja nada claramente, os mandarei de volta a cela com a sentença a ser determinada após eliminarmos os Kravanaggs.
— Krava o quê? — indagou Jessie.
— Devem ser os invasores. — disse Austin.
— Os nossos salvadores. — disse Tim que recebeu olhares estranhos — Tá bom, os invasores malvados.
— Se o Damian não convencer o chanceler com o vídeo, podíamos fazer um último apelo. — sugeriu Zoe — Que nos deixem se redimir ajudando a combater a invasão.
— Se redimir de uma coisa que não fizemos? Amiga, acorda, não é assim que a banda toca por aqui. — contrariou Jessie.
— O Damian consegue, vocês vão ver. — disse Austin — Não podemos pedir pra ajudar contra a invasão sem antes sermos declarados inocentes.
O monitor com o registro do ataque foi trazido pelos guardas. Um deles a ligou, a tela acendendo.
— Para qual trecho exatamente você quer que avance? — perguntou Valtter a Damian.
Um dos guardas cuidava de apertar botões atrás do monitor, avançando a filmagem. Damian assistia atentamente, ajeitando os óculos.
— Esse aí, aí mesmo! — apontara o Ranger Preto na parte em que os X-Rangers estão sobre uma edificação olhando a população alvoroçada — Pause nesse frame.
— Eu proclamo as ordens aqui. — ressaltou Valtter, rigorosamente — Congele a imagem.
Um dos guardas acatou. Damian tomou liberdade de caminhar até o monitor.
— Esse enquadramento é perfeito. Notem que o de amarelo mostra o rosto de Jessie, mas o corpo não corresponde. Poderia ampliar, por favor?
O guarda apertou um botão atrás do monitor que aumentou o foco da imagem de Dresh usando um rosto falso idêntico ao de Jessie.
— Aqui está a discrepância entre a fisionomia do corpo e o rosto de Jessie. Na equipe do Esquadrão X só existe uma única integrante feminina que representa a cor rosa. Meus amigos e eu compomos o Esquadrão Z, a atual linha de frente da Intercorp. — explanou Damian.
Valtter levantou do trono, descendo os poucos degraus da plataforma e aproximou-se um pouco, se inclinando para olhar a diferença de cima a baixo. O frio na barriga era o mesmo entre os Z-Rangers na expectativa.
— Eles usaram nossas identidades como máscaras. — disse Damian — Máscaras provavelmente criadas com uma tecnologia de mimetismo facial.
— Sim, posso ver... Há realmente uma desconexão, um rosto feminino em um corpo mais forte.
— Ei, mulheres também possuem corpos fortes. — contrapôs Jessie discretamente.
Valtter retornou ao trono, aumentando a ansiedade da turma.
— Diante desta prova contundente, eu apenas... peço minhas sinceras desculpas a vocês cinco.
— Viva! — berrou Tim levantando os braços, mas logo se conteve — Err, foi mal... Pode continuar, chanceler.
— Vocês tem um companheiro bastante sagaz. A diferença apontada por ele não somente indica sua visão precisa, como também... os absolve de todas as acusações. — declarou Valtter.
Damian correu para perto dos demais que sonoramente vibraram emocionados, o Ranger Preto sendo abraçado e recebendo afago no cabelo por Tim. Contudo, um forte tremor de derrubar poeira do teto quebrou a atmosfera de celebração.
— Mas que tremor foi esse? — Austin quis saber.
— Parece até que acabou de cair um meteoro no meio da cidade! — comentou Jessie.
Valtter voltou-se aos guardas, ordenando a mobilização de todos os pelotões e a condução dos vulneráveis para o abrigo.
— Chanceler, o que está havendo? — indagou Zoe.
— Os Kravanaggs acabaram de cruzar a fronteira. — disse Valtter olhando-os com seriedade.
Do lado de fora, rochas com protuberâncias pontudas caíam feito meteoros. Criaturas bípedes, semelhantes a vermes das dunas, saíam grunhindo das cápsulas rochosas, logo correndo até a muralha em um numeroso exército e a escalando.
— Os muros foram erguidos para bloquear, na medida do possível, as invasões de Kravanaggs que usam cápsulas de pedra como proteção. — explicava Valtter.
— Que tipo de instrumento usam pra se lançarem nessas cápsulas? — questionou Damian.
— Aqueles canhões de acender o pavio, não? — especulou Tim.
— A zona onde os Kravanaggs habitam é tão hedionda que é praticamente inacessível. Não passam de uma tribo marginal que representa o elo perdido do povo das dunas que é nosso aliado. Eles se derivaram dos worvatoides, as criaturas que vivem abaixo das dunas. Vocês tiveram muita sorte de não serem apanhados por um deles.
— Por favor, nos deixe ajudar. — pediu Austin — Seria uma oportunidade de provar a todos que somos os heróis.
Valtter assumiu um olhar de condescendência.
— Pois me acompanhem até o abrigo. Meus guardas já devem ter movido uma quantidade alta de cidadãos. — Valtter logo se moveu.
— Vocês ouviram, galera, vamos. — disse Austin aos amigos.
O quinteto caminhou em seguimento a Valtter.
***
No duelo de gigantes furiosos na Terra, o Gigante Cavernoso Evo travava choques brutais de lâminas contra o Artro-X Megazord que desferiu um corte vertical senso defendido pelo cabo da dupla-espada num impacto faiscante.
— Roda da fortuna! — disse Mason
O Gigante Cavernoso Evo girou o cabo da arma em ritmo acelerado, o atrito da energia afastando o Artro-X. As lâminas se energizavam com o giro veloz.
O robô desferiu um golpe direto com a lâmina de baixo fazendo o cockpit do Artro-X balançar. Depois, apoiou a mesma lâmina no chão para se segurar dando uma sequência de chutes que batiam forte no Artro-X, derrubando-o.
— Aí Kronan, a gente caiu muito fácil! — reclamou Dresh.
— Por acaso está me culpando? — indagou Kronan.
— Mas é você quem comanda o corpo, podia ter desviado! Que falta de reflexo foi essa? Somos mais rápidos que isso!
— Se eu ouvir mais queixas suas, Dresh, eu vou...
— Parem os dois! — mandara Makeena, aborrecida — O Megazord funciona sob comando em conjunto! Se um falha, todos falham.
— Makeena, fique quieta! — ordenou Kronan.
— Quieta nada! — afrontou ela — Eu cansei de me submeter as suas decisões como se as nossas escolhas não valessem de nada, especialmente as minhas!
— Você não tem poder de decidir os rumos de uma missão, seu papel como segunda em comando é...
— O quê? Acatar de cabeça baixa todas as suas ordens? Não mais, Kronan! Pode me expulsar desse Megazord se quiser, mas saiba que aqui não estamos numa missão como nos velhos tempos! Se você quer a vingança contra a Intercorp dando certo, vamos ter que abandonar nossos modos antigos e não só depender do poder supremo que nos foi dado.
— Aí, cara... Ela tá certa. — disse Wyvoll o tocando no ombro.
— Não me toque! — reagiu Kronan agarrando a mão de Wyvoll com esmagadora força — Somos quem fomos treinados a ser.
— Tente raciocinar, Kronan. — disse Thalo.
— Nada é mais como antes. — disse Dresh — Acho que também não devíamos ser.
— Estão insinuando que querem abortar a operação de guerra? — indagou Kronan soltando a mão de Wyvoll.
— Vai se danar, você é muito cabeça dura. — falou o Ranger X5 massageando a mão dolorida.
— Não, Kronan. — disse Makeena — O que queremos é que você reconheça nossos papéis. Além do mais, se já não somos mais os patrulheiros heroicos de antes... não devemos manter os velhos modos.
Kronan ficara pensativo, refletindo as diretrizes antigas que já não serviam mais considerando o propósito de se vingarem da organização que as impôs.
— O Kronan do passado jamais admitiria ser contrariado. Vou deixa-lo lá mesmo. Nós somos novas criaturas, renascemos para um novo futuro. Um futuro onde faremos justiça por nossas honras.
O Gigante Cavernoso Evo aproximava-se pronto para baixar um golpe da dupla-espada no Artro-X caído.
— Sabem, eu acho feio bater em quem tá no chão. — disse Owen.
— Tá com peninha deles, é? Olha essa brecha, não dá pra dispensar. — disse Flint.
— Estão se fingindo de morto, mas a gente não cai nessa. — disse Mason — Quer saber? Vamos fundo!
A arma executaria o golpe, mas o Artro-X logo reagiu defendendo-se com o sabre e disparou raios ópticos afastando o Gigante Cavernoso.
— Insecta Asas! — disse Makeena, liberando asas. O Artro-X alçou voo.
— Desafio proposto: será que conseguem nos acompanhar até o espaço? — propôs Kronan.
— Uma corrida voadora, né? A gente topa! — disse Mason — Morcego Púrpura, liberar asas!
O Gigante Cavernoso Evo voou em perseguição.
— Não se deixem levar pelo jogo deles, tomem cuidado. — alertou Dickerson.
Ambos os robôs cruzavam a estratosfera nos voos supersônicos rasgando as nuvens em meio ao céu azul.
Na nave, Aracna gerou estranheza em Barooma trazendo uma caixa metálica de que quarto.
— O que é isso, Aracna? Só despachamos o lixo uma vez por dia!
— Não é lixo. — disse ela sentando na grande almofada. Puxou a mesinha de vidro e colocou sobre ela objetos que se associavam aos X-Zords — Seria falta de respeito chamar essas relíquias assim na frente dos ancestrais da minha família.
— Então essas são as imagens sagradas dos antigos patronos de Artropopha, certo? O que pretende fazer com elas?
Aracna o olhou com uma seriedade maquiavélica.
— Partir pro nível extremo.
De olhos fechados e de mãos juntas, ela recitou um cântico em dialeto arcaico, as imagens emitindo brilhos nas respectivas cores. Os X-Rangers sentiram o pode atravessar seus corpos e mentes.
— Estão... sentindo essa onda de poder? — falou Kronan contorcendo-se.
— Em cada... átomo do meu corpo! — respondeu Thalo na mesma.
— Não é uma onda, é uma tsunami! — dissera Wyvoll.
— É o poder total das gemas! — disse Makeena.
— Caramba, eu tô queimando por dentro, mas tô amando! — disse Dresh, alucinado.
Karen alertava o trio:
— Vocês acabam de atravessar a troposfera. Se isso for longe demais, o Megazord vai cair coberto de gelo com níveis de energia quase zerados.
— Usem o ataque final da dupla-espada, a Insígnia Feroz Evo, depressa. — sugeriu Dickerson, tenso.
— O Artro-X está emanando uma aura absurda. — notara Karen — Isso indica... um péssimo sinal.
O Artro-X voltou-se ao Gigante Cavernoso Evo que energizou as lâminas para o golpe final. Esferas de energia de cada cor dos X-Rangers surgia nas partes do robô artrópode. As esferas se posicionaram formando um X, logo se fundindo numa bola concentrada pelas mãos do robô.
— Onda Devastadora X! — bradaram eles.
Um potente raio laser multicolorido foi disparado contra o Gigante Cavernoso que mal tivera tempo de formar a Insígnia Feroz. O trio girou o cabo da arma como antes, defendendo-se.
— Quanto mais queremos ir pra cima... — disse Flint.
— ... mais nos empurram pra baixo! — falou Mason com força exaustiva noa controles.
— Precisamos de mais impulso! — incitou Owen.
Mas a profusa rajada ganhou a disputa, jogando o Evo de volta à cidade, onde caíram em um impacto catastrófico e desmontaram na imensa cratera formada.
— Ah, essa não... — disse Karen, aflita.
Dickerson virou de costas passando as mãos na cabeça em nervosismo. O trio saltou dos zords para fugir. Foram por uma rua esvaziada do centro, mas os X-Rangers retornavam caindo como raios para barrar o caminho.
— Deixa a gente em paz, vocês ganharam a batalha! — disse Owen.
— Ainda não. — disse Kronan — A segunda etapa é eliminar os Rangers da Intercorp.
— Não eliminaram o time principal! — disse Mason.
— Temos certeza que eles vão voltar! — Owen acreditava piamente.
— Nas condições que foram deixados, impossível. — afirmou o Ranger X1 — Pessoal, agora!
Em grupos de dois atrás de Kronan em casa lado, os X-Rangers soltaram raios, fornecendo energia para ele que carregava uma esfera de energia vermelha sombria nas mãos. A lançou contra o trio que foi tirado do chão com uma intensa explosão de fogo, acabando por desmorfarem.
— Recuem, não insistam! — pediu Karen.
O trio fugira correndo e ferido, encarando os terríveis Rangers. Dresh fez menção de segui-los, mas Kronan o parou.
— Vamos focar na próxima e última etapa. O clímax da nossa vingança. E eu já tenho algo em mente.
***
Em Kelton, no abrigo, o Chanceler Valtter, numa plataforma alta dentro do abrigo subterrâneo, fez um anúncio, chamando os cinco Z-Rangers em meio a vaias e gritos de protesto da multidão.
— Exijo ordem no recinto! — mandou Waltter, rigorosamente — Estes jovens foram vítimas de um ardil covarde orquestrado pelos verdadeiros autores do ataque a cidadela! Eu os julguei inocentes com base em provas incontestáveis.
Saindo da neblina artificial, os Rangers se mostraram.
— Bem, galera, é daqui de volta pra Terra. — disse Austin — Estão prontos? — sacou sua célula e morfador tal qual os demais.
— Prontos! — disseram os outros.
— É hora de morfar! — bradou Austin com vigor.
Explosões de fumaça colorida com faíscas brotaram súbitas, revelando ao povo os heróis injustamente acusados. Mas tudo que se ouviu foram cochichos.
— Ouçam, não somos os bandidos que atacaram vocês! — falava Austin.
— Tudo não passou de um engano, somos diferentes! — declarou Zoe.
— Basta olharem pras nossas roupas, vejam bem! — falara Jessie.
Um keltoniano se voltou aos conterrâneos.
— É verdade, não foram eles! Os agressores tinham uma marca parecida com a casa de G'dhor!
— O que é casa de G'Dhor? — indagou Tim.
— Uma das casas da realeza de Kelton, tem um ícone semelhante a um X. – disse Damian.
A multidão vibrou em gritos, mas dessa vez de apoio, confiança e reconhecimento.
— Hahaha, obrigado! Contem conosco, vamos acabar com esses monstros invasores agora! — determinou Austin.
Na Terra, indicações no monitor de Karen deram uma lufada de ar fresco como a boa notícia que tanto desejavam.
— Dickerson... — a tecnóloga inclinou-se para a tela — Olha só pra isso.
O explorador voltou sua atenção aos pontos brilhantes.
— Os sinais dos morfadores... — um sorriso desenhou-se — ... se restabeleceram.
— Eles estão bem! — celebrou Karen sorrindo abertamente. Virou para Dickerson — Kelton restaurou a ponte de comunicação com a Intercorp.
— Vou avisar ao Comandante Leozor. — Dickerson mal continha sua expressão de felicidade.
— Mas não sabemos se a estação está sob poder do Esquadrão X, eles podem ter passado por lá e causado um golpe de comando. Veja. — Karen acessou a caixa de entrada — Hoje de manhã recebemos uma mensagem cifrada. Ainda não parei pra decifrar.
— O comandante pode ter enviado como um pedido de socorro. Decifre enquanto eu reajusto o canal de frequência com os Rangers.
Os Z-Rangers saltaram para a luta que limparia definitivamente seus nomes perante o povo keltoniano. Os Kravanaggs usavam lâminas falciformes e foram surpreendidos com as aparições dos heróis que desferiam chutes e socos nos que estavam próximos, bem como desviando das lâminas.
Jessie acionou o Glady Motor Z que pilotou disparando lasers contra grupos menores de Kravanaggs, causando explosões entre eles com os tiros de pulso de energia.
— Assimilação Ranger! Modo Sentinela! — falou a Ranger Amarela, o veículo tingindo-se de amarelo e assumindo a forma guerreira com aparência associada a águia flavescente. Voou pela cidade disparando lasers de blasters nos braços que espantaram Kravanaggs com múltiplas explosões de fogo — Iuhuuuuu! — gritou ela ao passar pela trilha de explosões onde Kravanaggs encontraram o fim.
Tim lançava cortes luminosos em X com as barbatanas, derrubando Kravanaggs contra as casas. Damian bateu sua marreta pesadamente contra dois deles os mandando contra um grupinho que foi derrubado com os outros caindo sobre eles. Zoe quebrava as estacas falciformes com o ferrão, impedindo ataques efetivos não importando de que lado viessem, ao mesmo tempo que chutava uns.
Austin socava alguns deles com os punhos selvagens, logo correndo e disparando as bombas dos canhões destravados em ambos os lados, explodindo poeira e faíscas entre os invasores. Jessie lançou penas das asas do Glady que fincaram no solo. Um grupo de Kravanaggs veio com seus grunhidos e estranhou aquelas coisas prateadas.
— E... detonar! — falou Jessie apertando um botão.
As penas biparam com pontinhos de luz vermelha e explodiram tremendamente em fogo levantando poeira e liquidando com o grupo. Mais Kravanaggs vinham numerosos saindo de becos e vielas, correndo furiosos na direção dos Rangers.
— Estão tentando nos cercar! — alertou Zoe.
— Situação drástica requer medida drástica! — disse Damian — Alabarda Basteh! — a arma de domador lendário surgira, o Ranger Preto manejando-a com pose.
Baixou a lâmina ao solo de rocha e areia, produzindo uma vibração contra os Kravanaggs que os paralisou com um tremor de baixa magnitude. Repentinamente, uma redoma de terra rochosa emergiu aprisionando aquele grupo Kravanagg.
— Austin, o gran finale é todo seu! — disse Damian.
— Essa foi genial! Beleza, aqui vou eu! — o líder ergueu o braço direito — Espada Ignnus! — a espada surgira na sua mão em fogo puro.
A lâmina se inflamou e foi movida formando a figura de um pássaro flamejante que foi lançado contra a redoma — Onda Explosiva!
O ataque atingiu destrutivo na prisão de terra. Austin e Damian viraram de costas com suas armas lendárias, a redoma explodindo em poeira e fogo. Boa parte dos Kravanaggs restantes corria em recuo e outros eram apanhados por guardas e sentinelas.
— Haha, bateram em retirada feito ratos de esgoto! — disse Tim — Somos de arrasar, yeah, hahaha! — fizera uma pose divertida com dedo para o alto.
Minutos depois, os heróis reuniram-se frente ao chanceler numa rua espaçosa em meio a civis orgulhosos de seus salvadores.
— É com imenso prazer e gratidão que os declaro cavaleiros de honra. — disse Valtter entregando insígnias douradas a cada um deles.
— Cavaleiros?! Gente, tô me sentindo como num daqueles filmes de fantasia antiga. — falou Jessie.
— Tipo os do Rei Arthur? É, acho que ganhamos uma importância digna da Távola Redonda. — destacou Damian.
— Ficamos gratos por ter concedido a liberdade e reconhecido a nossa inocência. — disse Zoe.
— Só não pela comida da prisão. — falara Tim, o que arrancou uma risada honesta de Valtter — Mas era nutritiva, né? Então não foi tão ruim assim.
Guardas trouxeram uma nave cinzenta como presente de agradecimento.
— Façam justiça pelo nosso povo lá na Terra. — disse Valtter — A rota já está programada, mas pode ser ajustada com mais exatidão.
— Pode deixar, chanceler. — disse Austin — É nossa promessa.
Austin e Valtter deram um forte aperto de mãos. O líder correu para a nave, os cinco acenando em despedida aos keltonianos que gritavam palavras de admiração. A nave decolara, o povo em júbilo sonoro.
— Sr. Dickerson, responda. — disse Damian no assento do piloto.
O rádio-transmissor embutido no painel sofisticado emitiu chiados, mas se autoregulou. Os Rangers haviam removido os capacetes.
— Crianças, não sabem como é revigorante ouvir as vozes de vocês quando pensávamos que tudo estava perdido.
— Sentimos o mesmo. — disse Zoe, sorrindo emotiva.
A nave cruzou o espaço como um cometa. Um sistema de dobra quântica foi acionado criando um buraco de minhoca, possibilitando uma chegada rápida ao sistema solar. Barroma detectou a aproximação.
— Sinal de objeto se aproximando da Terra!
Os X-Rangers chegavam em teleporte.
— Que tipo de objeto é esse? — perguntou Kronan.
— Pela leitura aprofundada do radar... É uma nave que fez uma dobra quântica para se deslocar ao sistema solar!
— As naves de posse do chanceler de Kelton tem essa funcionalidade. — salientou Thalo.
— Não... — disse Kronan, a aura vermelha emanando pela sua raiva — Maldição, não podem ser eles!
Owen, Flint e Mason, já recuperados na base, teleportaram-se junto com Dickerson e Karen para fora do observatório, olhando para o céu azul.
— Lá vem eles! — disse Karen com um tablet que emulava seu computador — A nave transportadora é keltoniana.
O trio de Rangers extras acenou enquanto a nave se aproximava e os Z-Rangers aterrissaram. O quinteto desembarcou alegre, trazendo seus capacetes.
— Que bom ver todos vocês sãos e salvos, vou dormir mais tranquila hoje. — disse Karen.
— Bem-vindos de volta, Rangers. — Dickerson os recepcionou. Bateu sua mão nas de Austin, Tim e Damian — Sei que não vou mais me arrepender de falar isso.
— Ei, vocês são os verdadeiros, né? — indagou Mason.
— Por que não seríamos? — disse Zoe.
— Ah é, aqueles panacas se passaram pela gente roubando as nossas vidas. — disse Jessie.
— É que o Mason tá cismado com o lance de aliens parasitas. — falou Flint.
— Não, não tem essa de parasitas em Kelton. — disse Austin achando engraçado — Somos nós mesmos, tá legal? Não acredita?
— Qual é data de aniversário do Flint? — perguntou Mason cruzando os braços, não satisfeito.
— Por que saberíamos disso? — questionou Tim — Nem faz tanto tempo que conhecemos vocês.
— Ahn... Eu sei. — disse Zoe com sorriso brincalhão — 30 de março.
Flint fizera suspense, mas sorriu.
— Hum... É, acertou na mosca. — sorriu para a Ranger Rosa.
— Tô felizão de ver vocês voltarem, eu tava certo disso. — disse Owen abraçando Damian e Tim de lado.
— Aí, vocês três estão um bagaço. — apontou Tim.
— A panhamos feio, temos que admitir. — disse Mason.
— Vamos pra sala de controle porque vocês devem estar famintos e ansiosos pra contar da viagem. — declarou Dickerson.
— Ah, eu tava morrendo de saudade da comida terráquea. — disse Jessie.
— Somos dois. — disse Tim — Meu estômago tá pedindo cheesecake com fritas.
— Nem imaginam o que passamos por lá, foi barra. — afirmou Zoe.
— Pois vamos trocar informações lá dentro. Amanhã será o dia decisivo. — falara Dickerson andando.
A turma caminhou de volta ao observatório.
— Não tem lugar melhor que o lar! Eu amo a Terra! — confessou Tim em voz alta com braços erguidos — Os Power Rangers voltaram pra arrebentar, yeah!
Na nave de Lokknon, o descontentamento era partilhado entre todos.
— OK, e daí se os Power Pirralhos Z sobreviveram? Vocês não vão cancelar ou adiar os super-planos meticulosos de vingança só porque uma etapa falhou, né? — questionou Aracna.
— Mas é lógico que não! — frisou Kronan, irritado.
— Não sobe o tom comigo! Devia me agradecer por dar uma ajudinha extra no final da luta. O que seriam de vocês sem mim hein?
— Foi de grande ajuda, mas isso não faz de você nossa mentora. — disse Makeena.
— A gente não tem rabo preso com mais ninguém, princesinha. — cravou Dresh.
— Mas e o pacto que vocês prometeram com o mestre?
— O pacto significa trabalhar com Lokknon e não para ele. — ressaltou Kronan — Ficou claro pra vocês?
— E o anfitrião nem deu as caras ainda. — perguntou Wyvoll.
— Barooma, o Mudok enviou algum sinal de vida? — Aracna estava cansada da falta de atualizações.
— Ele tem mandado uma série de mensagens nas últimas horas! Segundo ele, o mestre fugiu de Savagah com uma escrava chamada... Enckantess.
— Enckantess, Enckantess... Não tinha como ele ter escolhido alguém com um nome menos cafona?
Theron veio à sala com uma bandeja de guloseimas.
— Os visitantes não querem recarregar as energias se alimentando bem?
— O lanchinho veio na hora certa — disse Wyvoll tirando o capacete tal como os demais.
Os demais deliciavam-se com os doces, exceto Kronan.
— Você não vem? — perguntou Makeena — Precisa comer pra recompor a estamina.
— A energia da gema dentro de mim já me alimenta o suficiente, fiquem a vontade. — o Ranger X1 dirigiu-se ao trono de Lokknon e sentou-se — Preciso descansar pra redefinir a etapa final.
— O Kronan mudou mesmo. — disse Wyvoll comendo.
— Se não tivesse tomado jeito, ele nem nos deixaria comer esses... — disse Dresh — Como é o nome disso aqui?
— Croques de cacau com leite de amêndoas processado. — disse Theron — Espero que estejam apetitosos.
— Tá uma maravilha, meu chapa. — disse o Ranger X4.
— Vai saindo daí, pode descansar em qualquer lugar dessa nave menos no trono do mestre! — repreendeu Aracna indo até Kronan.
O Ranger X1 elevou sua aura escarlate e ergueu a mão esquerda com raios ameaçando atacar.
— Ah, e você se atreve a me forçar a sair?
Aracna retraiu-se e recuou nervosa:
— Pensando melhor... Fica aí mesmo, é quentinho e confortável.
Kronan se ajeitou numa posição mais cômoda.
— Amanhã será o último dia de existência da Intercorp. E o Esquadrão Z verá ela ser transformada em poeira estelar.
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