Power Rangers: Esquadrão Z

61 O X da Questão (Parte 4)


Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Os Rangers Roxo, Marrom e Verde seguem combatendo arduamente Inktopus e Gastrovile, porém o Esquadrão X introduz um vírus na Central de Comando, de modo que o banco de dados de Lokknon baixe informações referentes aos zords. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!

Os músculos de Tim petrificaram ao ouvir a voz grave atrás dele. Escondendo o molho de chaves sob a regata, ele se virou e se deparou com o guarda keltoniano sedado, que estava grogue e com a fala arrastada.


— Você é o doutor, por acaso? — indagou o subalterno de Valtter.


— Ahn... Sim claro, eu mesmo. — falseou Tim, engrossando o timbre. — Eu só... estive checando meu prontuário do dia e... examinei a sua cirurgia para ver se está tudo OK.


— Quando sairei daqui?


— Em breve, muito em breve, eu... tenho que ir, mais pacientes chegaram pra exames de emergência. — disse Tim em passos nervosos para trás.


— Mas e quanto a mim?


— Você ficará bem... Ahn, pode tomar essas pílulas que estão nesse frasco aí na mesa a sua esquerda.


Saiu depressa do quarto e foi andando pelo corredor.


— Nossa, esse sedativo deixou ele super-viajado, tomara que ele saia dessa. Beleza, de volta à cela pra liberar geral. — disse ele que esfregou as mãos em expectativa.


Contudo, ao dobrar o corredor a esquerda, acabou esbarrando no médico da chancelaria, um keltoniano de máscara preta pouco convidativa que falava com a voz madura de um senhor já bem vivido, usando um traje preto similar a uma túnica.


— Oh, você é o jovem terráqueo que estava na lista de espera. Volte para o aposento dos pacientes, irei examiná-lo.


Nesse momento, o molho de chaves caiu da bermuda de Tim.


— Opa. — disse ele apanhando as chaves rapidamente.


— Mas isso é... — o médico disse, suspeitando.


— Sai da frente que eu não tô doente! — disse Tim, desviando e correndo em direção à cela.


— Oh não, é claro! Aconteceu novamente! — disse o médico, alarmado — Guardas, guardas, peguem aquele terráqueo, é uma estratégia de fuga! Outro roubo de chaves!


Alguns guardas vieram até ele correndo com suas armas.


— Pra que direção ele foi? — perguntou um.


— Ali! – apontou o médico para o trajeto que Tim percorreu. Os soldados se mobilizaram ágeis.


— Alerta máximo! Fuga iminente de prisioneiros! — disse um guarda por um comunicador no bracelete.


O retorno de Tim colocou um sorriso de volta aos rostos dos Z-Rangers que levantaram do chão terroso da cela e correram às grades.


— Tim! — disseram Austin, Jessie e Zoe em uníssono.


— E então, conseguiu nosso habeas-corpus? — perguntou Damian, ansioso.


— Tá na mão, parceiro. — disse o Ranger Azul, exibindo as chaves.


— Anda logo, Tim, encontra a chave certa. — pressionou Jessie, tensa.


— Ouço passos se aproximando... — disse um dos prisioneiros, um alienígena de cabeça absurdamente achatada e orelhas pontudas.


— Devem ser os guardas. — falou Zoe.


— Ah, caramba, são muitas chaves!


— Tim, vai mais rápido. — Austin pressionou.


— Você tá testando cada chave muito aleatoriamente. — apontou Damian — Segue na ordem, uma por vez, com calma.


— Calma?! Não me diz pra ter calma quando tem um monte de guardas vindo atrás de mim como se eu fosse um foragido perigoso. Tá bom, vou tentar... Haja paciência.


Os demais prisioneiros da cela se reuniam atrás atrás Rangers observando as tentativas de Tim.


— Escute... — disse o alienígena crustáceo — Vocês pretendem nos soltar também, certo?


— Vocês e o Revellion. — disse Austin — Fizemos essa promessa pra ele e não sairemos desse planeta sem cumpri-la.


— Aí vai a última. — disse Tim enfiando a derradeira chave na fechadura da grade.


Os passos dos guardas ficavam mais audíveis e o suor pingava pingava da testa do Ranger Azul.


— Foi! Galera, vamos vazar dessa caverna!


O portão foi aberto, logo os Rangers saindo seguidos dos outros detentos.


— E se encontrarmos guardas pra nos encurralar? — indagou Zoe.


— Não teremos opção a não ser lutar. — disse Austin — Vamos, por ali! — todo o grupo correra para o lado que evitaria um encontro com os guardas.


Dobraram para um corredor com celas ao lado direito repletas de prisioneiros barulhentos e alvoroçados batendo nas grades ao verem-os fugindo.


— Parem com essa gritaria, se tivermos muita sorte vamos libertar todos vocês! — disse o keltoniano robusto.


— É mais fácil ele cumprir a pena do que essa promessa. — falara Tim.


Os prisioneiros aumentaram os sons de algazarra e passaram a jogar porções de comida nos Rangers e os colegas de cela.


— Eu já mandei pararem! — bradou o keltoniano de braços fortes que dera um pesado chute na grade de uma cela. Ele olhara para trás vendo sombras dos guardas vindo dobrar ao corredor.


— O que é isso que estão jogando na gente? — perguntava Jessie, incomodada — Cereal matinal?


— Parece ração de cachorro! — comparou Tim que resolveu degustar — Hum... Crocante.


— Não come isso, Tim! — repreendeu Zoe — Você pode acabar tendo uma dor de barriga real!


— Crianças, vão na frente, não parem! — disse o keltoniano robusto.


— Por que estão parando? — perguntou Damian.


— Nós decidimos que... vamos atrasa-los. — disse o alien de cabeça achatada — Nós seis.


— Eles são muitos. — disse Austin.

— Mas daremos conta para que ganhem tempo de chegar à sala dos confiscos. — disse o alien crustáceo.


Austin tomou as chaves de Tim e jogou nas mãos do keltoniano grandalhão.


— Antes de irmos para essa sala, iríamos soltar o Revéllion, mas como a situação lá na Terra é urgente... Deixo essa missão com vocês.


— Obrigado pela confiança... Austin. Meu nome é Dorbohn. A sala dos confiscos... fica acima da escadaria que vocês vão achar logo à direita.


— A gente agradece por toda essa cobertura, Dorbohn. — falou o líder — Vamos nessa, pessoal!


O quinteto passara a correr freneticamente pelo corredor suportando o vozerio ensurdecedor dos prisioneiros mais caóticos. Dorbohn e seus companheiros avançavam contra os guardas que chegavam atirando, atacando-os com socos e golpes diversos.


Os Z-Rangers acessaram a escadaria pela qual subiram os degraus a passos apressados. Zoe tropeçou, mas foi ajudada por Damian, retomando a subida desesperada. Austin abriu o portão que deu para um corredor curvo onde se depararam com uma porta a direita.


— Será que é aqui? — questionou o líder — Tá tudo bem, eu arrombo. — minimizou, tomando distância para impulsionar os pés.


Num pulo baixo, chutara a porta de madeira que acabou caindo com um baque surdo.


— Caramba... — disse Zoe que retraiu-se de susto com o barulho — Austin, você exagerou só um pouquinho. Mas funcionou, que bom.


— Jurava que tava trancada, só que não. — falou o líder — Estava aberta...


— O chanceler vai ter que arrumar dobradiças novas. — falou Tim olhando a porta caída ao entrar.


Os heróis foram mexendo nas caixas de metal deixadas sobre uma mesa naquela sala relativamente ampla em espaço. A caixa com os dizeres "objetos terráqueos" foi notada por Jessie.


— Aqui, achei! Objetos terráqueos. — disse a Ranger Amarela que fora abri-la.


Porém, repentinamente a luz da sala reduziu e uma série de feixes esverdeados de laser dispararam de vários pontos das paredes. Assustada, Zoe andou para trás, derrubando uma caixa vazia que caiu sobre os feixes de laser mais baixos. Os Rangers constataram a armadilha perigosa ao verem o metal da caixa queimando em lento processo entre os lasers.


— Melhor ninguém se mover. — recomendou Damian, travado — Isso é um sistema de segurança avançado que foi acionado por sensor de movimento. Os keltonianos estão bem informados da nossa tecnologia.


Uma voz familiar soou.


— Eu diria que a Terra ainda esconde conhecimentos bem maiores do que ela permite mostrar. — disse o chanceler Valtter com um pequeno grupos de guardas ao desativar um modo de invisibilidade holográfica, reaparecendo como um fantasma.


— Chanceler! — disse Austin — Nós tínhamos que arriscar uma fuga, queremos que dê o direito de provar nossa inocência!


— Uma violação de cárcere, a meu ver, é um verdadeiro atestado de culpa. Prendam-os!


Os guardas passaram pelos lasers que logo foram desligados.


— Não nos mande de volta pra cela! — implorou Zoe sendo algemada — Por favor, nos dê só essa chance!


— E quem lhes falaram sobre mandá-los de volta à cela? A punição para fugitivos capturados é irrevogável: lançados diretamente no poço de fogo. — Valtter sentenciou, implacável.


Os heróis entreolharam-se aterrorizados.


— Levem-os e anunciem para a população que haverá uma execução pública de prisioneiros!


Sendo levados, os Rangers falavam ao mesmo tempo em desespero implorando para que Valtter mudasse de ideia, mas o semblante sisudo do chanceler negava.


***


Na Terra, desdobrava-se a ferrenha luta contra Inktopus e Gastrovile, monstros que faziam questão de lutarem lado a lado confiando na vantagem do lema "a união faz a força". Inktopus defendia-se dos chutes de Flint e Mason com os braços


A dupla girou e aplicou um chute que o empurrou forte com os pés do monstro arrastando no chão. Inktopus lançou dois tentáculos, atingindo-os no peito que estourou faíscas e os derrubando. Logo depois, aproveitando que estavam caídos, os pegou pelas pernas ao levanta-los deixando-os de ponta a cabeça. Esguichou sua tinta que foi grudando nos uniformes, ativando o efeito torturante da substância com os raios faiscando.


— Os níveis de energia de Flint e Mason estão reduzindo progressivamente. — informou Karen.


— Owen, deixe Gastrovile somente com os Rangers principais. Flint e Mason precisam do Sabre Kong nesse momento. — avisara Dickerson.


Owen segurou a falsa Jessie quando ela fora atingida com um tiro de gosma que explodiu no uniforme e a fez ser arremessada. A segurou firme com os pés arrastando no solo até parar.


— Boa pegada, não foi?


— Ahn... Será que dá pra me largar? Isso ficou estranho. Parece até que estamos num baile dançando. E você não é bem meu tipo de par.


— Err, sim... Sim, Sr. Dickerson, entendido, vou nessa.


Owen, desconcertado, a deixou de pé. Correu para ajudar Flint e Mason a sairem do aperto excruciante.


— Não vai estragar a diversão do meu maninho! — disse Gastrovile que mirou sua arma de raio desacelerador no Ranger Verde, logo disparando.


Makeena saltou e pousou frente a ele o empurrando.


— Owen, cuidado! — disse a Ranger X2 atingida, seu corpo se contorcendo envolvido pela camada de gosma energizada.


Kronan levantou junto de Thalo e Wyvoll.


— Mas o que... essa estúpida acabou de fazer? — questionou o falso Austin.


— Essa não... — disse Owen levantando — Zoe...


— Owen, não toque nela! Provavelmente essa gosma tem uma natureza transmissível. Agora cuide de salvar Flint e Mason. — alertou Dickerson.


— OK! — disse Owen que virou-se a correr na direção de Inktopus, logo dando um salto acrobático para efetuar o golpe.


O corte em diagonal de luz verde atingiu em cheio os tentáculos que agarravam a dupla, explodindo faíscas. Flint e Mason caíram meio frágeis com os tentáculos cortados enrolados nas pernas.


— Estão bem? — perguntou Owen vindo levanta-los.


— Já estive melhor. — disse Mason, recompondo-se.


— Essa tinta com cheiro de piche quase esgotou minha energia! Não deixo isso barato, não! disse Flint reeeguido e disposto ao contragolpe — Mangual Rompante! — invocou novamente sua arma e soltara a esfera espinhosa do cabo, logo a girando para cima e gerando força para simular voo.


— O que vai fazer daí de cima, seu moleque? Isso não me impressiona nada! — disse Inktopus.


Quando a esfera do mangual foi totalmente energizada, Flint a lançou num ataque potente e por baixo que arremessou Inktopus para longe.


— E ele tomou um gancho de direita! Será que foi a nocaute?


O monstro caiu rolando sobre carros que explodiram em faíscas. Aracna detectou uma possibilidade de virada no jogo por parte do trio.


— Chega, vou enviar Psycho-Bots.


— Espere, Aracna! — disse Barooma — Se nossas mentes continuam se alinhando, eu creio que possamos usar os Psycho-Bots como distração aos três Rangers extras para que o Esquadrão X enfrente o exército!


— Você também tá pensando em trazê-los pra cá? Então, os Psycho-Bots serão de grande ajuda pra sequestra-los de forma que os três patetas não percebam.


— Sim, mas devo selecionar um local específico para o qual eles possam ser levados pela luta e lá possam ser teleportados sem que Dickerson e sua assistente veja! Para tal, vou disparar o laser do meu satélite, apropriado para ocultar localizações de qualquer radar! — verificou no mapa digital no computador — Este daqui é excelente!


Barooma apertou uma tecla que acionava o laser de bloqueio geográfico. Do olho vermelho do satélite o feixe fino foi disparado, caindo sobre um galpão desativado que foi tomado por uma rede quadriculada de luz vermelha.


— Feito! Agora sim os Psycho-Bots devem ser inclusos à luta!


Aracna teleportou-se para lá, surgindo sobre um dos carros de um estacionamento de supermercado.


— Olá, Power Patetas!


— Olha só, a garota aranha, Mason!


— Vamos brincar um pouco com ela já que o cara de polvo parece que apagou.


A dupla avançou, mas Aracna lançou teias dos pulsos que prenderam os pés deles os fazendo cair de frente.


— Psycho-Bots, ataquem! — ela ordenou, lançando as esferas metálicas que liberaram um exército numeroso dos robôs monoculares.


Os Owen foi passado pelos robôs que correram em direção aos falsos Z-Rangers, atingindo alguns com golpes do sabre Kong. Os impostores já confrontavam os Psycho-Bots que estrategicamente distanciavam o embate do trio secundário.


— Aqueles panacas foram direto pra cima da galera! — Flint destacou, após se soltar da teia.


— Pois é, pareceu que... fomos ignorados. — disse Mason, percebendo a estratégia.


— Acho que o Lokknon quer nos desafiar apenas com a dupla de moluscos. — aferiu Owen.


— Agora vocês são meus! — disse Gastrovile atirando com o canhão de múltiplos disparos, atingindo o trio que foi pego na explosão de fogo.


Mas logo que caíram, uma poça de tinta preta formou-se em torno deles fazendo-os afundarem lentamente.


Uma porção da tinta se separou da poça rastejando pelo chão como uma serpente, depois se moldando na forma de Inktopus que ressurgia.


— Hehehe, quando estiverem nas profundezas dessa poça, suas forças de vida vão se exaurir pra sempre!


Owen usava de sua força bruta lutando contra o afundamento da poça, gemendo e rosnando.


— Colete Zoomorph! — acionou a proteção corporal — Modo... Fúria Animal, ativar! — bradou prolongando a última palavra pelo esforço hercúleo.


As partes de armadura do Fúria Animal assumiram o lugar do uniforme base. Com a força descomunal dos punhos primatas, aplicou impulso num pulo que o tirou da poça. Pousou entre os dois monstros.


— Golpe de sorte, Ranger Verde, nada mais! — menozprezou Inktopus.


— Não foi sorte, foi toda minha força investida pra superar essa técnica e eu consegui! — Owen rebateu.


— Dessa vez vai ter que nos confrontar sozinho! — disse Gastrovile — Mas ter transformado sua roupa de herói não fará a menor diferença!


— Se concentra em acabar com a raça desses dois panacas! — incentivou Flint.


— Transforma eles em scargot e lula frita! A gente se vira aqui, não dá bobeira por nossa causa! — disse Mason esforçando-se ao máximo.


Karen virou-se para Dickerson.


— Não há como antecipar os modos Fúria Animal deles dois?


— Eu gostaria de dizer sim, mas a realidade é outra. Eles estão começando agora e não possuem méritos necessários pro desbloqueio ainda. Teremos que contar com Owen, ele precisará de tudo que tem.


— Os outros não podem ajudar já que esse exército não tá deixando nenhuma abertura. — disse Karen dando um zoom nas imagens falsos Z-Rangers enfrentando os Psycho-Bots.


— Esse estilo de combate... É muito comparável ao que o Esquadrão X aprendeu no treinamento tático. — analisou Dickerson — Isso é tudo muito... intrigante, alguma coisa está diferente neles.


A luta prosseguia com os farsantes derrubando os robôs com chutes, socos e rasteiras, lançando robôs danificados contra carros. Aracna se preparara para contatar um dos X-Rangers frente ao painel de Barooma, escolhendo Kronan para receber o chamado enquanto erguia um robô ao agarra-lo pelo pescoço e o chutara no peito, arrancando fora a cabeça.


— Olá, Power Pirralho do mal, aqui quem fala é Aracna, subtene... tenente-general do Imperador Lokknon. Continue lutando, não faça parecer que está recebendo um contato ou seu disfarce já era.


O Ranger X1 largara a cabeça do Psycho-Bot para trás e seguiu na luta, chutando mais dois em golpes eficazes e estilizados.


— Vocês interceptaram a via de comunicação da Central de Comando?


— Não tá óbvio pra você, garoto? Vamos direto ao ponto: existe uma cura para reverter o raio desacelerador do Gastrovile.


— E qual é? — Kronan dualava com um Psycho-Bot em golpes de mãos, logo pegando-o pelo braço e virando-o para joga-lo ao chão.


— Pegue um Psycho-Bot armado e atire em vários outros, mas também acertando a sua Ranger Rosa.


— É a Makeena, ela... É importante pra mim, não vou machuca-la! — Kronan hesitou.


— Não vai machuca-la, vai liberta-la. Não perde tempo ou a mente dela ficará presa. — Aracna pressionou.


O Ranger X1 avançou, logo agarrando pelas costas um robô com detonador tentando manipular o braço que segurava a arma que disparou a esmo para cima e para baixo até que o falso Z-Ranger Vermelho ajustou a mira contra outros robôs que enfrentavam os demais Rangers, os lasers causando explosões fortes de faíscas.


Seguiu atirando certeiro movendo para a direita até que Makeena fosse atingida com um disparo perdido. A Ranger X2 recuperava a mobilidade, levando-a a um avanço súbito contra um carro de tração no qual batera, caindo.


— O que aconteceu? Eu salvei o Owen...


— O que foi uma tremenda estupidez. — disse Kronan vindo ajuda-la — Está tranquilo, nós podemos nos comunicar sem que Dickerson e Karen nos ouça. Lokknon interceptou o sinal deles. Vem! — explicou, puxando-a para correr.


Karen mostrava-se embasbacada.


— O sinal de comunicação... parece ter sofrido um tipo de hack substitutivo.


— Apenas deles cinco? — indagou Dickerson.


— Sim. — respondeu Karen — Veja, ao que parece estão transferindo a luta para uma área onde há menos tráfego.


Os falsos Z-Rangers corriam sendo perseguidos pela horda de robôs até a localização indicada por Aracna a Kronan que guiava os companheiros.


— É ali! — apontou para o galpão desativado, acelerando.


— Entraram num local... que não aparece no nosso mapa. Um ponto cego do radar se criou... do nada?!


— Não foi do nada, algo de muito suspeito está acontecendo por baixo dos panos, mas vamos esperar. — disse Dickerson — A verdade virá a tona, cedo ou tarde.


— Alguma teoria?


— Não, por enquanto. Mas uma certeza: Lokknon está jogando seu jogo oculto de armações.


Os falsos Rangers foram cercados pelos Psycho-Bots no interior do galpão e, seguindo as ordens de Aracna, se deixaram agarrar para serem teleportados à nave de Lokknon.


Aracna apertou o botão de um controle, mandando os robôs embora via teleporte.


— Confortáveis agora?


— Você é a Aracna... É um prazer conhecê-la. Mudok mencionou você quando mostrou as gemas de Artropopha. — disse Kronan — Diga logo o que quer de nós.


— Podem se despir desses trajes, por favor? É só pressionarem o morfador no cinto.


O quinteto malévolo o fizera, o disfarce holográfico se desfazendo de baixo para cima.


— OK, obrigada. Eu iria odiar conversar com vocês naqueles uniformes tão bregas e cafonas. Vocês irão se tornar Power Lendas.


— Sério? Achei que já fôssemos. — disse Dresh — Tá aí que te achei uma bela princesa de corpo e alma olhando bem pra você.


— Ignore os galanteios do Dresh, fale de uma vez porque nos trouxe até a nave do seu imperador. — pressionou Thalo.


— E quem é a chaleira alien? — perguntou Wyvoll referindo-se a Barooma.


— Barooma, jogue na tela. — ordenou Aracna.


O cientista exibiu no visualizador imagens tridimensionais de zords baseados em artrópodes projetados e configurados para os X-Rangers.


— Querem ganhar mais presentes? Terão que fazer uma coisinha bem básica ou pelo menos um de vocês. — disse Aracna — Quem é mesmo o gênio dessa equipe?


— Thalo se encarregou de todas as ações envolvendo computadores. — disse Kronan.


— Isso são máquinas para formar um robô de batalha gigante? Mas nossos disfarces serão comprometidos se os usarmos. — disse Makeena.


— O disfarce não importa mais, vocês estão com as peças mais fortes do tabuleiro para dar um verdadeiro xeque-mate. — disse Aracna.


— Queremos a codificação da Central de Comando para materializar os dados da estrutura externa dos zords e conclui-los! — Barooma requeria.


— Mas que código é esse? Como funciona? — indagou Kronan.


— Sabemos que Dickerson usa nanotecnologia para revestir o esqueleto cibernético de cada zord! Só preciso da programação codificada para aplica-la aos nanorrobôs que eu projetei! — ele explicou.


— E por que não usa os seus nanorrobôs pra terminar esses zords? — perguntou Kronan — Ah, sim, está mais claro que a luz do sol. — deu passos adiante — Não querem ferir o orgulho de vocês admitindo que a Intercorp tem uma tecnologia mais avançada.


— Nanotecnologia avançada. — corrigiu Aracna, enfática — De resto estamos muito à frente sim.


— A codificação dos meus nanorrobôs possui limite para apenas dois zords enquanto os de Dickerson provavelmente abrangem um número indeterminado!


— Aí, seu cabeça de aço, você fala difícil que nem o Thulo, mas até que parece levar jeito pra coisa se isso for mesmo nos der muito mais poder. — falara Dresh.


— Acho que o Thalo já cuidou disso, não foi? — indagou Makeena.


— Afirmativo. Invadi a sala de controle da base subterrânea e transferi um vírus que travaria os sistemas a partir deste controle. — disse o Ranger X3 mostrando o pequeno objeto.


— Base subterrânea?!! Então os Power Pirralhos se reúnem feito um bando de toupeiras. — disse Aracna — Onde ela fica? Pra que eu possa contar ao mestre e ele se orgulhe de mim.


— Fica abaixo do observatório espacial da cidade onde eles vivem. — Kronan revelara — Mas a área ao redor é protegida por um campo de força invisível que os oculta dos seus radares.


— Kronan, acha mesmo que nos desfazermos da farsa agora nos trará vantagem? — indagou Makeena para o líder.


— Creio que vai agilizar o plano-mestre. Leozor até o momento vem sendo um refém bem comportado.


— Neutralizaram até o comandante da Intercorp? Hum, o mestre não errou em escolher vocês. — disse Aracna.


— Ele está desautorizado a contatar Dickerson, refém de um vírus explosivo que ativa caso ele cometa esse erro. — disse Thalo.


— A propósito, onde está Lokknon? — perguntou Kronan.


— Ele está de viagem, mas logo mais retorna pra contemplar o triunfo de vocês. — disse Aracna.


— Enquanto Lokknon não volta pra discutirmos o trato, vamos voltar a Terra. — disse Kronan.


— Mas procurem pegar um pouquinho leve. — disse Aracna fazendo sinal de pouco com os dedos — Tivemos muito trabalho pra inventa-los.


— Não se preocupem, até porque cansamos de esperar. Certo, equipe? — disse Kronan ao grupo.


Os quatro assentiram com gestos de cabeça.


Os X-Rangers voltaram a "vestir" os disfarces holográficos emuladores dos Z-Rangers, depois teleportando-se de volta à Terra.


***


Em Kelton, os Z-Rangers eram conduzidos em uma grande jaula de ferro carregada por guardas da chancelaria num espaço aberto que parecia uma arena de gladiadores com arquibancadas circundando o palco cujo centro abrigava o temível abismo de fogo. A plateia keltoniana clamava por justiça aos gritos.


— Essa viagem toda virou um pesadelo completo! — disse Jessie, apavorada.


— Até parece que a cidade inteira veio nos ver sendo punidos! — disse Zoe na mesma.


— Eu nunca me senti tão odiado nessa vida! — disse Tim — Essa galera tá mais irada que torcida de time rebaixado!


— E se gritarmos bem alto pra eles ouvirem nosso apelo? — sugeriu Austin — A esperança não se apagou enquanto ainda estamos aqui, vivos!


— É tarde demais, não adianta pedir clemência pro chanceler. — disse Damian.


— Eu quero a minha mãe! — Tim caía aos prantos.


— Tim, você não vai chorar que nem um bebê nos últimos minutos de vida, né? — repreendeu Jessie, mas a Ranger Amarela rapidamente alterou a expressão — Ah, esquece, também quero minha mãe e meu pai, quero voltar pra minha casa, pro meu mundo!


— Seremos lançados ao fogo sem nem poder nos despedir de quem mais amamos! — disse Zoe chorando e sendo abraçada por Jessie.


— Não, amigos! — disse Austin com fervor. Fechou os olhos agarrado às grades — Não acredito que é assim que tudo vai acabar!


— Austin, acorda! — disse Damian o virando para sua frente — Não existe nada que possa nos livrar. Sinto muito, mas... acabou. — o Ranger Preto tirou os óculos e derramou lágrimas.


Austin estava visivelmente abalado, boquiaberto de choque ao não pensar em quaisquer opções de salvação ou mesmo um milagre do destino. Abraçou forte o amigo, transbordando suas lágrimas.


— Abraço coletivo, gente... — disse Zoe que somou ao abraço.


— Se tiver que ser o fim... que a gente viva esse último momento como devemos estar: juntos. — falou Jessie que também juntou-se ao abraço.


— Eu amo vocês, são meus irmãos de outras mães! — disse Tim completando a união afetiva.


A jaula foi pendurada por uma corda num guindaste e baixada sobre o abismo de onde emergiam chamas azuis agressivas. Os Rangers permaneciam abraçados compartilhando o calor humano.


A arena situava-se atrás do palácio e Valtter tomava uma bebida em taça sentado em seu trono, ouvindo o vozerio caótico da população. Até que a vinda apressada de um guarda o interrompeu.


— Senhor, os captadores de movimento além da fronteira emitiram um alerta de categoria K-100!


— Não posso acreditar... Serão eles de novo? — Valtter se atemorizou. Sua tremedeira acabou por faze-lo quebrar a taça.


Na zona condenatória, o fim era dado como certo entre os cinco Z-Rangers. A jaula desceu mais, passando da borda do abismo.


— Já tô sentindo o cheiro da minha carne queimando... — disse Tim — O último cheiro pra nós bem que podia ser do hambúrguer do Earl, né?


Austin deu uma risadinha.


— Pois é, podia sim.


Quando a jaula alcançava as labaredas infernais do abismo, um som agudo como o de uma sirene ressoou. O chanceler Valtter viera acompanhado de guardas.


— Interrompam a execução! Não me façam repetir, isso foi uma ordem! Subam essa jaula!


O condutor do veículo que manejava o guincho prontamente fizera a corda subir com a jaula. O alvoroço da plateia transparecia a dúvida pela interrupção. Confusos, os Rangers desfizeram o abraço.


— Estamos subindo de volta... — disse Zoe, atônita.


— Anularam a sentença? — questionou Damian.


— Que som insuportável é esse? — reclamou Jessie tapando os ouvidos.


— Parece um tipo de alarme. — disse Austin, curioso.


— O que será que houve? — perguntou Tim.


— É o que haverá. — disse Valtter, caminhando até eles. — Antigos inimigos estão prestes a invadir a cidadela central, um exército de seres abomináveis.


Os Rangers entreolharam-se atarantados com a notícia. Os guardas os tiraram da jaula.


— Levem-nos de volta à cela. Usem força repressora se forem hostis!


— Quem são esses invasores hein? Pra gente agradecer a eles pela visita-surpresa. — Tim perguntou ao guarda.


— Andando e silêncio! — o soldado mandou, severo.


***


Owen duelava com Gastrovile desferindo golpes dos punhos primatas que eram defendidos. O monstro-lesma jogara sujo ao se recolher para dentro do casco de metal quando Owen investiu num soco potente e energizado, o impacto causando um pulso vibrante e intenso que empurrou o Ranger Verde para trás com seus pés arrastando no chão.


— Aí... i-sso na-não... va-valeu! — disse Owen sentindo-se o corpo tremer devido ao choque.


Gastrovile projetava seu corpo para fora do casco.


— Hahaha, sugiro não olhar para trás, pode se desequilibrar!


Inktopus havia ficado seus tentáculos no solo, injetando sua tinta criando linhas serpenteando até Owen que virou o rosto, mas num instante tardio. As linhas de tinta subiam pelos pés e se expandiram pelo corpo.


— Grr, não... — a armadura do Super Fúria Animal não o blindava da queimação ardente causada pela tinta.


— Não se baixa a guarda enfrentando dois oponentes, gorila débil! — insultou Inktopus.


— Do que você me chamou? Minha cabeça ainda tá vibrando depois daquele soco no casco do seu amigo! — Owen tentava resistir a turma que am ameaçava cobrir os punhos primatas.


— Veja a sua esquerda! — disse Inktopus o levando a olhar para o lado — Não há mais nada a fazer que possa salva-los!


— Não... Flint! Mason!


Karen e Dickerson se afligiam mais a cada minuto.


— Eles afundaram na poça... O que acontece depois disso? — perguntou Karen.


O mentor passara as duas mãos no rosto sinalizando preocupação extrema.


— Preciso acalmar os nervos, vou tomar uma água com açúcar.


— Traz uma pra mim, por favor. — disse Karen que seguia assistindo ao desenrolar da luta pelo seu monitor. Expirou o ar pela boca, cansada e nervosa.


Uma força disruptiva aflorou dentro de Owen, seu rugido de gorila elevando junto a uma aura verde de energia.


— Vou resgatá-los, grrr! — a força colossal o fez baixar os punhos ao chão. — Granadas Kong!


As bombas foram liberados saindo dos comportamentos internos dos punhos e lançadas contra Inktopus que foi tirado do chão com a explosão forte de fogo.


— Epa, a tinta tá saindo sozinha... — disse Owen, vendo o fluido negro abandonar seu corpo.


— Muito bem, Owen, usou o poder do Fúria Animal combinado a sua garra pra desestabilizar Inktopus, isso o fez perder o controle. — disse Karen.


Dickerson voltava com os copos d'água, entregando o dela.


— Ah, obrigada. — tomou um gole rápido — Veja, Owen conseguiu se livrar da tinta.


— Ótimo, agora ele precisa ativar o Super Fúria Animal que suponho ser imune ao raio desacelerador de Gastrovile. — falar ao mentor ficando ao lado dela, tomando sua água num longo gole.


Gastrovile mirou seu canhão de múltiplos tiro e disparou.


— Se um cai, o outro contra-ataca!


Owen virou-se rápido e energizou os punhos, logo desferindo pulsos de energia como socos um punho por vez. Os ataques faziam os tiros gosmentos explodindo no ar. Lançou outro soco energético, acertando Gastrovile em cheio e o fazendo cair rolando.


Karen notara algo.


— A poça de tinta ainda está ativa mesmo com Inktopus caído.


— Ele segurava a poça e o ataque a Owen, mas não conseguiu manter ambos por causa das granadas, precisou sacrificar um. — aferiu Dickerson terminando de beber a água.


— Vou tirá-los daí agora! — disse Owen correndo ate a poça.


Contudo, Gastrovile reergueu-se e mirou seu raio desacelerador no Ranger Verde.


— Meu raio é mais veloz! — Owen fora atingido a poucos metros da poça, seus movimentos ficando vagarosos como os de uma lesma — E você é super-lento, hahaha!


Uma chuva de lasers atordoou Gastrovile com explosões de faíscas em volta. Karen e Dickerson sentiram alívio invadir o peito.


Os falsos Z-Rangers voltavam correndo de encontro aos monstros.


— Aí estão eles, finalmente! — disse Karen — E bem-vindo de volta também, sinal comunicador.


— Voltaram... Logo quando Íamos acabar com esses três vermes! — disse Inktopus, reerguido.


— Seja lá em que armadilha foram pegos, parabéns por terem se libertado a tempo de salvar os outros. — falou Dickerson.


— Já estamos bem e prontos pro próximo round! — disse Kronan fingindo ser Austin — Detonador Max! — a pistola vermelha surgiu na mão direita e foi mirada em Owen.


O único disparo laser da pistola acertou Owen que fora liberto da desaceleração. Ao recuperar o ritmo normal da sua corrida, Owen freou bruscamente, os pés do traje Fúria Animal atritando no solo.


— Opa, mas... cadê a poça?


— Owen, acima de você. — disse Karen. — Enquanto você estava sob efeito do raio desacelerador, a poça se modelou nessa esfera de titia que está flutuando.


A esfera cuspiu Flint e Mason, Mas já não podiam serem chamados por suas cores pois os trajes estavam completamente tingidos de branco com detalhes em preto.


— Olha ali, que coisa mais doida! — apontou Dresh.


Owen aproximou-se da dupla.


— Nossa, caras, vocês... perderam as cores.


— E o que é pior: quase sem forças. — disse Mason.


— Aquele polvo desgraçado nos sugou o poder de Ranger! — exclamou Flint.


Inktopus moveu a bola de tinta telecineticamente para si.


— Venha a mim, reforço de poder! — Inktopus foi banhado pela tinta, sentindo-se mais poderoso com raios violeta faiscando.


Dickerson viu a chance para um ataque efetivo:


— Rangers, aproveitem que Inktopus está vulnerável nesse processo de fortalecimento e formem o Abatedor Feroz, depressa.


— Como quiser, Sr. Dickerson! — disse Kronan — Combinação de armas, agora!


Os cinco invocaram suas armas e as conectaram para fundi-las, logo formando o canhão duplo.


— Inktopus, vou protegê-lo! — disse Gastrovile.


Porém, a voz de Aracna soou na mente do monstro.


— Gastrovile, pare!


— O quê? Mãe Aracna, como está falando dentro da minha cabeça?


— Antes de vocês nascerem, Barooma implantou microships cerebrais para se comunicarem. Na verdade, todas as criaturas dele têm um. Agora fique onde está e não impeça os Rangers.


— Mas senhora...


— Não me chame de senhora! Preste bastante atenção no que vou te falar.


O Abatedor Feroz foi mirado em Inktopus.


— Um... Dois... Três... — contava Kronan.


Karen estranhou a lentidão de Kronan na contagem:


— Austin não faz essas pausas longas no meio da contagem...


Barooma avisou Gastrovile via microchip:


— Dê o sinal para que atirem!


Gastrovile assobiou agudamente. O quinteto captou o significado. O Abatedor Feroz teve sua rot de disparo voltada para o trio de Rangers extras.


— Fogo! — disseram em uníssono.


O laser duplo foi disparado, atingindo os três com a intensa explosão os tirou do chão. Dickerson e Karen ficaram estupefatos.


— Mas... o que significa isso? Atacaram os companheiros em vez do inimigo! — disse Karen.


Inktopus finalizou a absorção, sentindo-se revigorado. O trio Ranger se reerguia com dores. O Fúria Animal de Owen havia se desativado com o ataque.


— Me digam que foi um erro de pontaria... — disse Owen, decepcionado.


— Antes fosse! Estávamos certos o tempo todo! — disse Mason.


Os falsos Z-Rangers se alinharam lado a lado.


— Vocês dois, se mandem daqui. — ordenou Kronan.


Inktopus resolveu desafiar:


— Quem você pensa que...


— Maninho, vamos logo, estamos liberados pra arrasar nessa cidade. — disse Gastrovile, puxando Inktopus.


A dupla se teleportou num salto conjunto.


— Agora são apenas vocês três contra nós cinco. — disse Kronan.


— E quem são vocês, afinal? — questionou Owen.


O quinteto falsário moveu as mãos aos cintos tocando nos morfadores. A farsa foi desnudada quando os trajes holográficos se apagaram. O choque foi intenso e instantâneo entre Dickerson, Karen e os três Rangers.


— Vocês são... — Owen estava perplexo.


— Ah não, eu bem que preferia a teoria do alien parasita. — lamentou Mason.


— Seria menos pior do que essa mega-decepção que tá bem na nossa frente! — revoltou-se Flint.


— O que aconteceu com o Austin e os outros? — Owen interrogou.


— A essa altura, devem estar viajando pelas dunas de Kelton a bordo de um tufão de areia. — disse Thalo.


— Ou a pior das hipóteses: capturados pela guarda real keltoniana sendo acusados em nossos lugares pelo ataque que fizemos a cidade. Não duvidaria que já tenham sofrido a pior sentença para esse crime. — disse Kronan friamente.


— Seus miseráveis, faremos vocês pagarem muito caro por isso! — prometeu Mason.


— Plano A, amigos. — disse Owen — Vocês lidam com eles enquanto vou atrás daqueles moluscos. Conseguem lutar mesmo nessa condição?


— Não vamos recuar só porque nossas roupas perderam a cor, isso não significa nada. — disse Mason.


— OK, tomem cuidado! — disse Owen que em seguida partiu saltando superveloz.


Flint e Mason se posicionaram combativos.


— Esse é o plano brilhante do líder do time secundário? Largar os dois amigos neutralizados pra enfrentar os outros inimigos? — Kronan desdenhava.


— Não devia ser o inverso? — disse Makeena.


— Vão dar aula de planejamento ou cair na porrada de uma vez? — instigou Flint.


— Nada de armas, só golpes físicos! Topam? — propôs Mason.


— Pra um aquecimento antes de aniquila-los com nossos poderes, por mim tudo bem. — disse Kronan.


As duas frentes avançaram em colisão dando gritos de guerra. Owen foi procurando por Inktopus e Gastrovile com a Beast Cycle em velocidade mínima passando por áreas amplas do centro como a praça do fundador. A zona estava sendo evacuada pela polícia e agentes de guarda municipal.


— Eles deixam rastros de energia anômala, mesmo que tenham se ocultado do nosso radar. — informou Karen.


— É, pra mim também está sendo difícil engolir essa revelação. — disse Dickerson.


— Ainda tô tentando processar. Acha que Lokknon teve participação direta nisso? — indagou Karen.


— Uma quase certeza sim, mas... receio que o Esquadrão X valorizaria mais a agenda própria deles do que uma aliança com Lokknon.


— Mas por que se rebelariam dessa forma?


— Lembra que perderam o embarque da nave dos Combanautas na última a missão? Creio que pensem terem sido... abandonados para morrer lá. A motivação deles pode ter um fundamento. E os arquivos secretos podem nos dar a mais absoluta resposta.


Owen olhava pelos arredores de onde estava com o radar do visor ligado.


— Droga, onde que esses covardes se meteram?


De repente, a parede cinza atrás de Owen se distorceu, formando um portal de tinta negra, de onde os braços de Inktopus saíram para agarrá-lo.


— Quem você chamou de covarde hein? Você virá comigo!


— Me larga! — Owen deu partida na Beast Cycle, mas Inktopus, no agarro, competia ferozmente.


— Seu brinquedo não é mais forte que minhas mãos!


— Tá apostando alto? Pois saca só! Aceleração Nitro!


As turbinas da moto cuspiram fogo verde em jato que afetaram Inktopus, mas o monstro manteve as mãos agarrando-o. A arrancada da motocicleta o arrastou para fora do seu portal de tinta negra.


— Quer fazer o favor de me largar agora? — Owen pilotava em zigue-zague para força-lo a soltar.


— Meus tentáculos recusam seu pedido!


Antes que Inktopus usasse os tentáculos para injetar sua tinta tanto em Owen quanto na moto, o Ranger Verde fizera um drift barulhento da moto para atordoar, arremessando o monstro para longe.


Inktopus caiu rolando pelo chão enquanto Owen acelerou diretamente a ele.


— Modo Míssil Turbo!


Porém, Gastrovile viera rolando dentro do seu casco metálico e logo se projetou para fora dele.


— Você merece uma multa por excesso de velocidade! — disparou seu raio desacelerador.


— Owen, depressa, pule! — alarmou Karen.


Owen saltou a tempo, o raio verde-limão atingindo a Beast Cycle, desacelerando-a a poucos metros de Inktopus.


— Agradeço a ajuda, mas eu o defini como meu oponente fixo! — disse Inktopus.


— Se for uma disputa que você quer, eu vou primeiro, afinal tenho habilidades mais notáveis! — confrontou Gastrovile.


— Me fortaleci com a energia daqueles Rangers, assim expandi meus poderes! Você não viu?


— Pronto, agora estão brigando por mim! — disse Owen, frustrado.


— Se distraindo na discussão, essa é a deixa. — apontou Dickerson.


Owen ergueu a mão direita:


— Poder Domador! Martelo Cryog! — uma esfera de gelo se formou com aura verde-água, logo tomando a forma de um martelo.


Inktopus e Gastrovile seguiam no desentendimento com empurrões e tapas. Owen girava o martelo, concentrando a energia Cryog em uma bola de gelo coberta de neve.


— Tô me sentindo como aquele cara do martelo do trovão! Lá vai a bola de neve!


A dupla monstruosa cessou a discussão e se atentou ao ataque.


— Essa não, veja isso! — disse Inktopus.


— Só o fizemos ganhar tempo, que droga! — lamentou Gastrovile.


— Vocês tem que esfriar a cabeça! — disse Owen lançando a bola de gelo que saiu rolando veloz contra eles.


A dupla tentou resistir conjuntamente ao impacto barrando a grande esfera de gelo, porém o esforço fora inútil, ambos sendo atravessados.


— Hora de vocês dizerem adeus! — disse Owen — Macro-Detonador! — o canhão surgira sobre seu ombro direito.


Dickerson contatava para revelar uma novidade:


— Owen, boa notícia no meio desse mar de problemas: você desbloqueou uma evolução para o Macro-Detonador, o Macro Duplo-Canhão.


— Super Fúria Animal, fera lendária, e agora meu Macro-Detonador evoluindo? Tô mais presenteado que no meu último aniversário!


O duo monstruoso mantinha-se de pé, mas presos um frente ao outro num esquife de gelo.


— Desgruda, Inktopus! Quebra esse gelo, eu tô tremendo! — lamentou Gastrovile.


— Vamos no empurra e puxa ao mesmo tempo.


— Boa ideia, isso pode funcionar! Vai!


Eles bem que tentavam, mas estava cristalino que o esforço não duraria menos que o golpe de Owen.


— Macro Duplo-Canhão, ativar! — Owen jogara a arma para o alto.


O Macro-Detonador se energizou assumindo a forma dos dois canhões que eram sustentados por um gerador que possuía alças de metal se assemelhando a uma mochila. A nova arma desceu as costas do Ranger Verde.


— Preparar, apontar... — as faíscas elétricas dos tiros brotavam — Fogo!


As esferas elétricas verdes foram disparadas com potência vibrante, atravessando-os. Enquanto caíam envoltos de raios verdes, Owen virou de costas celebrando sua vitória, logo a explosão de fumaça e vapor gelado ocorrendo intensa.


Na nave, Aracna impediu Barooma de usar o laser regenerador.


— Confiar naquela dupla de paspalhos foi perda de tempo! — disse Aracna.


— Então nossa meditação sincrônica também foi?


— É, pode-se dizer que sim.


— Grr, você tem um entusiasmo muito volúvel! O Ranger Verde conquistar uma nova arma não é motivo para desistir deles!


— O que nos importam agora? Temos o Esquadrão X... como galinhas comendo na palma da nossa mão. — ela disse, sorrindo confiante.


A dupla sofriam reveses sucessivos na luta de dois contra cinco, sendo mais golpeados do que bem-sucedidos. Flint enfrentava Dresh e Wyvoll tentando se esquivar dos golpes, mas tomava chutes simultâneos na barriga por ambos, sendo empurrado. Quando iria revidar, a dupla X-Ranger o fez tropeçar ao mesmo tempo, levando-o a cair de frente. Wyvoll pisaria nele, mas Flint rolou desviando e se apoiou numa mão para chutar Dresh quase de ponta a cabeça. Porém, o Ranger X4 segurou sua perna e a girou levantando-o para em seguida desferir um soco energizado que o jogou para cair sobre um carro.


Mason tentava acompanhar os socos de Kronan e os chutes de Makeena, mas seus reflexos foram consideravelmente reduzidos em nível.


— Não tô soltando nem faísca... — disse o Ranger Roxo caído.


— Que baita dor nas costas... — disse o Ranger Marrom levantando.


— A tinta de Inktopus subtraiu a resistência e toda a energia que a rede fornecia. — analisou Dickerson — Os uniformes foram totalmente esterilizados.


— Owen acabou de derrotar Inktopus e Gastrovile, mas... — disse Karen — As cores não voltaram. Será que exige uma recarga bruta de energia?


— Espere, veja. — falou Dickerson olhando com minúcia.


Flint e Mason se reaproximaram.


— Já cansaram? Esse branco na roupa de vocês significa que estão pálidos de tanto medo. — zombou Kronan.


— Assim facilita pra vocês, não é, babacas? — disse Flint.


De repente, faíscas elétricas nas respectivas cores da dupla começaram a dançar em torno de seus uniformes, restaurando seus poderes.


— Yeah, nossas cores de Ranger voltaram! — celebrou Flint.


— Se preparem porque agora o bicho vai pegar pra vocês! — disse Mason.


Makeena ordenou:


— Thalo, o nanovírus!


O Ranger X3 sacou o controle com o qual, no apertar de um botão, fizera as telas dos monitores da Central de Comando serem tomadas por um quadro vermelho com o X da equipe em preto no meio. O susto de Dickerson e Karen os fez recuarem.


— Não pode ser... Instalaram um programa corrompido. — disse Dickerson.


— E só melhora, veja. — apontou Karen, tensa — Essas linhas de códigos sugerem que... está acontecendo uma transferência de dados encriptados.


— Transferindo dados pra rede de Lokknon, mas que droga! — Dickerson se irritou, batendo a mão no painel.


Karen pensou em retrospecto.


— A palestra... Quando estávamos na palestra, foi naquele horário implantaram esse vírus! O alarme de contenção se auto-desliga quando estamos fora, já que existe o campo de força e nossos firewalls.


Dickerson pusera as mãos na cabeça, suando em crescente nervosismo ao fitar as telas avermelhadas como um sinal de restrição, perigo e corrupção. Owen voltara para Flint e Mason em teleporte.


— Haha, vocês se recuperaram!


— Pois é, valeu por ter nos livrado daqueles dois idiotas. — disse Mason.


— A barra pesada real são eles. Só estávamos te esperando. — falou Flint.


O Ranger Verde se colocou no meio da dupla.


— OK, vou perguntar pro Sr. Dickerson se tem como unir meu Macro-Detonador com as armas de vocês. — tentou contato, mas nenhum retorno — Sr. Dickerson... Ué, a linha tá muda. O que houve?


— Foram vocês, né? O que fizeram? — perguntou Mason.


— Um vírus na Central de Comando está baixando dados valiosos. — disse Kronan.


— Um vírus?! Ah é, se aproveitaram dos disfarces e da saída do Sr. Dickerson pra palestra! — disse Owen — Como vocês acessavam as armas e até as células e os morfadores?


— O disco de mimetismo holográfico falsifica itens ligados aos detentores originais. Com as informações prévias do Esquadrão Z configuradas nos discos, pudemos acessar um certo limite de réplicas exatas. — explicou Thalo.


— Seja lá o que vai vir desse vírus, não estamos afim de esperar! — decretou Owen.


Mas logo que avançaram, os três receberam raios do Esquadrão X disparados das mãos, sendo atingidos no peito com explosões de faíscas ao caírem.


— A gente manda, vocês obedecem sem reclamar! — disse Dresh — Aí ninguém se machuca. Que tal?


— Prefiro arrebentar a cara de vocês. — disse Flint levantando.


— Esperar pra quê? Estão com medo de encarar três Rangers super-fortes? — desafiou Mason.


— Super-fortes? Se enxerguem, caíram tão fácil que deu até pena. — disse Wyvoll.


— Desde a experiência que nos traumatizou, o medo perdeu completamente o sentido pra nós. — disse Kronan.


Barooma via a finalização da cobertura externa dos z

X-Zords.


— Concluído! Os nanorrobôs preencheram a camada superficial dos zords!


— Tá esperando o quê pra liberar todos eles de uma vez só? Anda logo! — apressou Aracna o tocando nos ombros e o sacudindo.


— Já vou fazer isso, como você é impaciente!


A liberação dos zords na área metropolitana causou pânico geral gerando correrias e vozerios exaltados. O Esquadrão X saltou para adentrar nos cockpits. Kronan se acomodou na cabine do seu zord Arachnida, uma aranha cibernética vermelha. Makeena pilotava o zord Insecta, um híbrido robótico de mariposa e vespa com asas deslumbrantes de borboleta.


Já Thalo adentrou no zord Crustacea, um robusto caranguejo azul caminhando entre os prédios que sucumbiam com o destruidor toque de suas garras. Dresh e Wyvoll pilotavam zords similares em forma e movimento, o Chillophoda e o Diplophoda, baseados numa centopeia e piolho de cobra, serpenteando na metrópole e causando mais terror.


Os computadores da base retornavam as funções, o vermelho das telas sumindo repentinamente.


— Os sistemas voltaram a operar. — disse Karen, aliviada.


— E os problemas acabam de crescer. — disse Dickerson.


— Era disso que se tratava. Baixar a programação nanotecnológica pra liberar zords— disse Karen — Dá pra ver que a Aracna tem dom pra design.


— Rapazes, ouçam: vou liberar seus zords agora mesmo.


O trio de Rangers estava no terraço de um prédio observando os artrópodes gigantes disseminarem o caos.


— Beleza, Sr. Dickerson, pode mandar! — disse Owen.


— Tinham que ser logo insetos?! Tô todo arrepiado, mas é de nojo! — falou Flint.


— Vamos esmagá-los como se faz com baratas! — comentou Mason.


***


Em Kelton, os Z-Rangers haviam retornado à cela, quietos e pensativos. Mas Tim resolveu quebrar o silêncio:


— Cara, isso não tá certo! — murmurou o Ranger Azul jogando uma pedrinha na parede em revolta — Era pra eles nos darem um voto de confiança, podemos ser a única salvação deles pra encarar essa invasão.


— Nada do que dissermos vai convencer o chanceler. — disse Zoe, entristecida junto de Jessie, ambas sentadas no chão.


— Ao menos, dá um alívio saber que o Dorbohn e os outros conseguiram fugir e ainda junto com o Revellion. — disse Austin de pé encostado na parede.


— A parte ruim é que vão ser caçados até o fim do mundo. — disse Jessie.


— A não ser que eles peguem uma nave pra fugir do planeta. — falara Tim.


— Mesmo com dificuldades, tomara que eles fiquem bem e seguros, acredito que são inocentes. — desejou Jessie.


— Damian, tá tudo bem? Ah bom, você tá viajando no seu mundo de reflexões e análises, né? — perguntou Austin aproximando-se do amigo que estava meio distante.


— É, eu tava sim. — disse Damian virando-se a ele com sorriso leve — E acabo de cravar um detalhe que pode nos salvar definitivamente.


— Vai, amigão, desembucha. — disse Tim, ávido, tocando-o nos ombros.


— A nossa saída está exatamente no vídeo gravado durante o ataque do Esquadrão X. — revelou Damian.


Um guarda viera batendo na grade:


— O chanceler deseja ouvi-los no salão real outra vez.


— Ele vai nos dar uma segunda chance? — indagou Austin, esperançoso.


— Não sei o propósito desse pedido, apenas que ele quer interroga-los mais uma vez para julga-los e quem sabe anular a condenação ao abismo.


— Galera, sinto cheiro de liberdade. Damian, você será nosso advogado. — disse Austin.


— Deixem comigo. Vou apontar essa prova pra que não haja a menor sombra de dúvida ao chanceler.


***


Na Terra, os zords de Owen, Flint e Mason vinham em peso rumo ao campo de batalha. O trio saltou para os cockpits.


— Alguém chamou o controle de pragas? — disse Flint na sua cabine de controle no Urso Pardo.


— Hora de aplicar o inseticida! — falou Mason no Morcego Púrpura.


— Peso-pesado pra esmagar esses vermes! — declarou Owen no Gorila Esmeralda.


— Os terráqueos da era atual parecem tão ignorantes. — comentara Thalo.


— Tratar meu zord como um inseto é pedir pra ser esmagado como um. — destacou Makeena.


— Esqueçam a cidade e concentrem-se em atacar diretamente! Esquadrão X, avante! — ordenou Kronan.


A colisão iminente das duas frentes opostas resultaria numa batalha feroz que prometia estremecer a Alameda dos Anjos como em poucas ocasiões.


CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO!


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