Power Rangers: Esquadrão Z
60 O X da Questão (Parte 3)
Notas iniciais
A recepção gentil de Dickerson inspirava confiança de que o disfarce perfeitamente criado sob medida não seria arruinado qualquer deslize bobo se algum dos X-Rangers se afastasse de qualquer traço de personalidade comum ao Z-Ranger que estava usurpando.
Durante a caminhada pelo corredor rumo a sala de controle, em dado momento, Kronan — o falso Austin — virou o rosto para Makeena — falsa Zoe -, à sua direita, que lhe retribuiu o olhar da segurança que ele passava. O líder tocara na mão esquerda dela para somar ao olhar sem palavras para afirmar que tudo estava seguindo conforme o plano.
— Estão tão quietos. — disse Dickerson olhando por cima do ombro com bom humor — Vocês realmente se frustraram com a missão, eu entendo, afinal estavam bem empolgados pra receberem a mentoria do Esquadrão X. Sinto muito pelo tempo desperdiçado.
— Tá tudo bem, Sr. Dickerson, isso logo passa rapidinho. — falou a falsa Jessie.
— A gente se conforma, nem tudo acontece como imaginamos mesmo. — dissera o falso Tim.
— Mas temos algo a contar sobre o que levou a missão ao fracasso. — disse o falso Damian, recebendo um olhar de reprovação de Kronan.
Enfim chegavam a sala de controle passando pela porta dupla automática.
— Podem relaxar à vontade, a Karen está preparando um lanchinho pra vocês...
— Oba! — comemorou a falsa Zoe, batendo palmas.
— Eu tô pronto pro rango. — disse o falso Damian, o que gerou estranheza em Dickerson — O que foi? Por que o senhor tá fazendo essa cara pra mim? Eu falei algo estranho?
— Ahn, de certa forma, sim, eu acho. — Dickerson falou, franzindo o cenho. — Você não é muito de falar gírias, Damian. Andou aprendendo com o Tim, não foi?
— É, isso aí, Sr. Dickerson. Ele vem aprendendo comigo que sou um dicionário humano de termos bacanas e expressões descoladas. — explicou Thalo, o falso Tim.
— Verdade, ele teve essa ideia enquanto viajávamos até Kelton. — disse Wyvoll, o falso Damian.
Dickerson se encostou no painel:
— Bom ver que vocês dois conseguem influenciar um ao outro positivamente. A amizade de vocês é um modelo a ser seguido.
Karen chegou com os cupcakes.
— E... o lanche está servido. Essa fornada saiu no capricho como nunca, vocês vão amar.
— Austin, o que aconteceu em Kelton? — Dickerson perguntou.
— Descobrimos que o miserável do Lokknon armou uma cilada pra nos prender naquele planeta. — disse Kronan que pegara um bolinho, mas olhou para a iguaria sem muito apetite.
— Mas conseguimos escapar sãos e salvos. — falou a falsa Jessie — Isso aqui tá com cara de estar uma delícia dos deuses. — pegara um bolinho.
Karen sentiu uma leve ponta de estranheza.
— Bem, são cupcakes. Vocês adoram comer depois de uma missão bem exaustiva como foi essa. Que estranho, vocês... estão agindo como se não soubessem o que estão comendo.
— Impressão sua, Karen. — disse o falso Tim enfiando um bolinho na boca — Que fome... e que saboroso... Vou pegar mais dois. — pegara-os e enfiou-os ao mesmo tempo.
— Aí está o Tim que eu conheço. — disse Wyvoll comendo seu bolinho. Kronan discretamente deu um chute por trás das canelas dele levando-o a engolir com tudo. O líder comunicou com os olhos a atitude incorreta — Ops, que falta de educação a minha, hehehe, falando de boca cheia.
— Vou conferir no radar pra ver se a reparação de danos do ataque de Jellyphantom já começou. — disse Dickerson virando-se para o painel e o monitor principal.
— Cadê os outros? — perguntou Makeena — Já não deviam ter vindo?
Flint, Mason e Owen surgiram em teleporte como pilares de luzes nas respectivas cores.
— Opa, e aí, pessoal? — saudou Owen que logo tirou seu capacete — Que bom ver vocês de volta.
— Como foi a viagem? — perguntou Mason.
— É, cadê a galera das antigas? — indagou Flint.
— O Esquadrão X não foi localizado em parte alguma de Kelton. — mentia o falso Austin.
— Era tudo uma farsa forjada pelo Lokknon. —disse Wyvoll — O sinal de rádio, a mensagem...
— Quase que perdemos nossa nave. — disse a falsa Jessie.
— Mas rompemos com a armadilha que ele criou pra nos aprisionar lá e vencemos um exército bem cheio dos soldados dele. — disse Makeena — Foi moleza.
— O chato é que tivemos nossas expectativas estragadas. — disse o falso Austin — Teríamos ótimos mentores com eles aqui nos treinando.
— Então quer dizer que o Esquadrão X... — disse Flint olhando para Dickerson e Karen — ... não tá mais na ativa de jeito nenhum?
— Muito provavelmente sim. — disse Dickerson com seriedade misturada a lamento — Lokknon usou um artifício bem sujo pra afetar a memória da Intercorp sobre o início da força-tarefa, nada que não seja esperado dele.
Owen, animado com a vitória, comentou:
— Mas agora ele tá na nave dele chorando que nem um bebê depois de ver que vocês voltaram e que nós derrotamos o Jellyphamton.
— Hã, quem? — indagou o falso Damian.
— O Jellyphantom. — Mason corrigiu comendo um cupcake.
— Ah sim, claro, haha. — o falso Austin forçou a risada, lembrando-se dos dados de Mudok. — Vocês o destruíram?
— A dupla dinâmica deu o golpe decisivo. — disse Owen — Mas eu derrotei primeiro. E o que é melhor: com a ajuda de um novo amigo animal.
O Ranger Verde tinha esperança de que eles adivinhassem a conquista da sua fera sagrada, mas os falsos Z-Rangers não esboçavam curiosidade.
— Ahn, gente... Vocês não vão nem adivinhar que novo amigo animal é esse?
— É a fera lendária dele, a raposinha de gelo. — disse Flint.
— Owen, sabíamos o tempo todo que era só questão de tempo você obter sua fera lendária. — disse Kronan, o que mais recordava-se dos dados fornecidos por Mudok.
— Estamos sim orgulhosos de você, Owen, parabéns. — disse Makeena aproximando-se dele e o tocando no ombro.
— Valeu, Zoe. Ahn... Você já fez o resumo da aula de ontem que eu faltei?
— Resumo? — indagou a falsa Zoe tentando conter o espanto.
— É, o resumo das aulas de história e geografia que você ficou de escrever pra mim. Você terminou?
— Eu... — Makeena não escondia seu nervosismo.
De repente, a falsa Jessie derrubou o cupcake, tossindo intensamente.
— Jessie! — disse Karen indo ajuda-la. Dresh havia caído no chão deitado de lado.
— Nossa, parece que ela engasgou. — disse Flint.
Mason se moveu ágil, agachando-se perto de Karen.
— Jessie, fica calma, a gente vai te ajudar! — disse o Ranger Roxo.
Pústulas roxas brotaram nos braços e no rosto e Mason logo a ajudou a levantar.
— Eu tô legal, me deixa...
— Legal coisa nenhuma, tem... um monte de espinhas esquisitas crescendo no seu rosto. — Mason notou.
— Dickerson, dá uma olhada. — chamou Karen fitando intrigada as erupções na pele. O mentor aproximou-se olhando sério e curioso — Parece que ela sofreu algum tipo de choque anafilático.
— Mas ela só comeu cupcakes. A Jessie não é alérgica a doces. — estranhou Owen.
— Eu uso um açúcar que torna os níveis de lactose toleráveis para a enzima ser absorvida. — disse a tecnóloga — Isso realmente não devia acontecer.
— Vamos levá-la à enfermaria. Farei um hemograma pra um check-up geral. — definiu Dickerson.
— Não! — Kronan bradou antes de contornar: — É que... a Jessie vai ficar bem, não é necessário examinar o sangue dela.
— Qual é, Austin? Olha pra ela, tá péssima. Você devia ter me ajudado a levantá-la, mas ficou aí parado só olhando. — Mason o recriminou.
— Eu conheço a Jessie melhor do que qualquer um, ela não tem alergias. — disse Zoe — Acredito na hipótese de ser um vírus que ela pegou em Kelton.
— Esperem aí, não seria possível nenhum de vocês contrair um vírus ou bactéria por lá ou em qualquer planeta sendo que estavam morfados. O traje como um todo é revestido de uma camada protetora contra germes e microrganismos graças à própria rede de morfagem. — argumentou Dickerson — Vou examinar Jessie logo mais.
— Não, Sr. Dickerson, tá tudo bem. — disse Austin.
— Só deixa ela em observação, ela vai melhorar em pouco tempo. — disse a falsa Zoe com insistência.
— Ficamos tão esgotados que desmorfamos pouco antes de embarcar na nave pra fugir das tropas do Lokknon. — inventou o falso Damian — Tempo suficiente para sermos expostos a germes keltonianos no ar.
— Vou aplicar um anti-alérgico. Pelo que Damian falou, é possível que tenha havido uma contaminação. Deixa que eu levo ela, Mason, obrigada. — disse Karen.
— Mas por que apenas a Jessie? — questionou Mason — Se o ar desse planeta estava contaminado, todos vocês deviam ter sofrido a mesma reação depois de comer o cupcake.
— Mas que bactéria causa alergias depois de comer açúcar? — questionou Flint.
— Não fiquem discutindo como se fosse um grande mistério. — disse o falso Austin — Nossos organismos são diferentes. O da Jessie reagiu assim pela imunidade dela ser mais frágil, só isso.
— Falou o médico. — ironizou Mason de braços cruzados.
— Vamos continuar se deliciando com esses bolinhos, vai ficar tudo numa boa com a Jessie, relaxem. — disse o falso Tim mordendo dois cupcakes, um por vez.
Enquanto os demais se afastavam um pouco para prosseguir no lanche, Owen ficara pensativo, balançando em negação a cabeça levemente, sentindo-se insatisfeito.
— Não, tem alguma coisa muito errada nisso. — falou baixo para si mesmo.
***
Já em Kelton, os Z-Rangers adentraram forçados no salão da corte do palácio da chancelaria. O chanceler Waltter estava cercado por guardas munidos de armas com tiro laser de longo alcance que foram apontadas para eles ao se aproximarem.
— Abrandem, não há motivo para intimidar os prisioneiros quando estão desarmados. — ordenou Waltter aos seus soldados, levantando-se do trono.
— Isso é um traço de bom senso. — avaliou Damian.
— Será que isso significa uma chance de nos salvarmos? — indagou Jessie.
Waltter gesticulou com as duas mãos para virem mais rápido.
— Esse palácio por dentro parece maior e mais luxuoso. — comentou Zoe correndo os olhos pelo salão com fascínio pela tapeçaria no chão e nas paredes e as grandes cortinas amarelas amarradas.
— Ei, Zoe, elogiar a sala do manda-chuva dessa cidade não vai livrar a gente. — falou Tim.
— Foi só um elogio. — retrucou ela franzindo a testa.
— Ah, não brinca. Você nem pensou um pouquinho que isso podia dar certo, né? — falara Tim com expressão de suspeita brincalhona.
Ao tomarem proximidade com o chanceler, os sentinelas os soltaram com certa agressividade. Os Rangers caíram ficando ajoelhados ante a robustez imperativa de Waltter.
— Aí, isso não foi legal, podemos ouvir o chanceler de pé. — reclamou Tim.
— Calado! — o sentinela líder do bando usou o bastão para faze-lo virar o rosto para frente
— Muito embora as provas criminais sejam claramente irrefutáveis, minha inerente generosidade ainda me permite questionar: vocês têm algo a dizer em suas defesas? — perguntou Waltter.
— Seja qual for essa prova, não tivemos nada a ver com os ataques a sua cidade. — disse Austin com firmeza — Olhem pra nossas roupas. Os verdadeiros inimigos usavam uniformes diferentes dos que temos como Rangers.
— Além disso, roubaram nossa nave depois que viemos pra resgatá-los. — acrescentou Tim.
— Vieram com a missão de resgatar criminosos de alta periculosidade? — indagou Waltter, irritado.
— Não, não é isso! — disse Zoe que logo virou-se o rosto para o Ranger Azul a direita — Tim, era pra você ter sido mais específico. — repreendeu em voz baixa.
— Nossa missão era de resgatá-los, mas estávamos ignorantes ao fato de terem intenções malignas contra nós e o seu povo. — explanou Damian.
— Verdade, não sabíamos quem eles realmente eram, fomos enganados. — disse Jessie com olhar de súplica — Por favor, tenta acreditar, somos inocentes.
Waltter voltou-se aos guardas da corte.
— Tragam a tela com a gravação inserida.
Dois subalternos foram buscar um monitor preto de tela plana. Ao voltarem, trouxeram para perto do chanceler, a tela voltada aos Rangers.
— Gravaram um vídeo da gente. — disse Tim que logo balançou a cabeça se corrigindo — Quer dizer, deles. Ah, melhor fechar meu bico.
Um outro guarda apertou o botão do controle remoto do monitor, ligando-o. O vídeo iniciava mostrando os X-Rangers atirando a esmo nas ruas principais da cidade com seus blasters causando explosões em prédios e casas civis.
Os Z-Rangers assistiam com nós na garganta.
— Que horror, não somos nós aí. — disse Jessie.
— Nunca faríamos uma atrocidade como essa. — afirmou Damian.
— Esperem pelo final. — disse Waltter atento ao vídeo.
Ao fim do vídeo, o X-Rangers subiram a uma edificação alta sendo hostilizados pela população junto a guardas da corte jogando pedras. O quinteto removia os capacetes. As faces humanas eram idênticas as dos heróis, a câmera dera um close-up em cada um dos rostos que sorriam zombando.
— Eu protesto! Isso aí é uma farsa, armaram pra gente! — gritou Tim, bravo, quase levantando. — Aqueles miseráveis usam máscaras que imitam nossos rostos! Imagina se tiverem ido pra Terra, vão tapear o Sr. Dickerson e a Karen!
— Olha, é o seguinte: nos deixe morfar. — pediu Austin, o desespero estampado no semblante — Por favor, merecemos uma chance de provar que não somos nós nesse vídeo mostrando que nossos uniformes de Rangers são diferentes dos deles.
— Nossos morfadores e células estão bem aqui nos nossos bolsos. — disse Zoe — Se nos desamarrarem...
— Sentinelas, apreendam os pertences! — ordenou Waltter. Os guardas puxaram os morfadores e as células de morfagem dos bolsos dos Rangers.
— E aí, Zoe, quem tem a boca grande agora, hein? — ironizou Tim, enquanto Zoe fechava os olhos, entristecida.
— São tão ingênuos a ponto de pensarem que iríamos desamarrá-los sem prevermos a mínima possibilidade de atacarem meus homens para fugir quando se transformassem? — disse Waltter com severidade.
— A situação ficou bem mais complexa. — disse Damian — Melhor aceitarmos qualquer decisão que ele tomar.
— Tipo nos cortar as cabeças em público? Sem essa, cara. — murmurou Tim.
— Vou decretar uma prisão preventiva com outros detentos a espera de um julgamento definitivo. — determinou Waltter — Me dou um prazo de três horas para decidir qual a melhor punição a vocês. Leve-os.
Os sentinelas os levaram até um passagem na parede que abriu-se revelando uma escada que descia em espiral ao subterrâneo.
— Vocês tem o direito de permanecerem em total silêncio. — pressionou o sentinela líder.
— É, amigos... — Austin disse, em voz baixa. — Acho que perdemos de vez. Lokknon nos venceu usando outra equipe de Rangers mais fortes e experientes que nós.
***
Na manhã seguinte, a Angel Grove Middle School recebia cinco novos alunos, embora disfarçados de veteranos. Wyvoll, o falso Damian, caminhava rumo a entrada tranquilamente, segurando as alças da mochila e ouvindo música por um headfone ligado a um tocador mp4. Foi trocando de estação de rádio.
— São essas porcarias que tocam por aqui hoje? Cadê o funk soul, o rock e a disco dance? Agora só são um monte de caras cantando sobre ostentação e umas garotas pop com vozes cheias de efeito. Tô começando a sentir falta da minha época, lá se escutava música de verdade.
Brock e Stuart vieram por trás, ambos arrancando o headfone de assalto.
— Quem vocês pensam que são? Me devolvam!
— Uh, o nerdzinho tá cheio de marra dessa vez, Brock, hahaha.
— O que é que cê tava ouvindo nesse treco? — disse o valentão gorducho pondo o fone para escutar — Hahahaha, musiquinha de menina que decora o quarto com cartaz daqueles grupinhos de marmanjo.
— Você nunca enganou a gente, Damiane. — zombou Stuart com sua risada escandalosa.
Wyvoll bufou pelas narinas e resolveu tomar de volta fone a força.
— Ei, só devolvemos se nos der dinheiro pro lanche! — disse Brock.
— É só o que querem? Dinheiro?
— Como toda as vezes que a gente te perturba. — disse Stuart, descarado.
— Ótimo, se for pra não me encherem o saco ao longo do dia... — disse Damian enfiando a mão no bolso — Aqui, é tudo que eu tenho.
— Abre essa mão, CDF, quero ver a grana. — disse Brock estendendo sua mão direita que foi apertada pela do falso Damian com certa força.
Uma corrente elétrica passou de Wyvoll para Brock. O valentão tremelicava batendo os dentes e revirando os olhos ao ser eletrocutado. Wyvoll sorriu calmo vendo Brock tremendo com espasmos.
— Bro-Brock! Fala comigo! Que choque foi esse?
— Isso é pra aprenderem que não dou liberdade pra tomarem minhas coisas. — disse o falso Ranger Preto, pegando o fone de volta e tornando a caminhar.
— Ei, tirou um daqueles brinquedinhos de dar choque, né, seu espertalhão? — confrontou Stuart.
— Tá vendo algum brinquedo nessa mão? — Wyvoll mostrou a palma direita vazia.
— Então como que você fez esse truque?
Assim. — disse Wyvoll tocando a ponta do dedo indicador em sua testa, infligindo-lhe outro choque. — Gostaram da terapia de choque? Quem sabe fiquem menos idiotas. Até mais, seus perdedores. — Wyvoll virou as costas assobiando, deixando os valentões humilhados e espasmando.
No corredor, Owen arrumava seu armário. Flint se aproximou dele para conferir o seu.
— Fala aí, maninho. — o Ranger Marrom cumprimentou com um bater na mão de Owen — Como tá indo a parada de embaixador?
— Ah, tá a pleno vapor. Hoje fui encarregado de fichar alguns títulos clássicos, a missão do intervalo.
— Não vai acreditar em quem eu vi lá na biblioteca.
— E o que você tava fazendo na biblioteca? Sabe, você não faz o tipo que gosta de um lugar silencioso pra ler... ou mesmo ler.
— É, você acertou, mas eu passei lá procurando pelo Mason e acabei encontrando... — Flint fizera um suspense de uns segundos — O Tim.
— Quê? O Tim?! A única vez que eu soube dele pisar numa biblioteca foi quando a turma ajudou a Zoe na feira do livro. O que ele tava lendo? Uma revista em quadrinhos?
— Parecia uma daquelas enciclopédias integrais. Achei tão esquisito que nem cheguei perto dele, até pensei em chamar a inspetora Glass pra perguntar que raio de livro era aquele.
— Acho que em vez da inspetora você devia ter chamado um médico, porque o Tim com certeza não tá nada bem, deve ser uma febre de 140 graus.
A falsa Zoe e o falso Austin se aproximaram tranquilamente.
— Bom dia, rapazes. — disse Makeena que trazia um pote de vidro contendo uma tarântula.
— Saudações, terráqueos. — disse Kronan com uma piscadela ao que Flint retribui com joinha sorrindo.
— Opa, bom dia, Zoe, Austin... — disse Owen que reparara na tarântula no pote — Err, Zoe... Isso aí por acaso é uma aranha?
— É minha tarântula que batizei de Mak. — disse a Ranger X2 — Apareceu no meu quarto e peguei pra cuidar.
— A aula de ciências hoje não vai ter experiências com animais, que eu saiba. — disse Flint julgando estranho.
— Não é pra aula de ciências, adotei a Mak como meu animal de estimação.
Owen e Flint entreolharam-se arqueando as sobrancelhas, perplexos.
— Tá falando sério mesmo, Zoe? Você odeia aranhas. — salientou o Ranger Verde.
— E morre de medo das mais peludas como essa até onde eu sei. — reforçou Flint.
— Eu só... perdi o medo, foi isso. — disse ela, guardando o pote no armário. — Antes de sair de casa, até deixei ela andar pelo meu braço e...
Kronan a interrompera:
— A Zoe tá mantendo esse bicho preso porque tá afim de aprender a encarar animais que ela rejeitava como criaturas que merecem um pouco de carinho, cuidados e atenção.
— Acho que as aranhas sabem se cuidar sozinhas. — disse Owen olhando sério para o usurpador de Austin — A Zoe que eu conheço saberia disso.
— Pois deixa eu me apresentar de novo: olá, me chamo Zoe Gardner e gosto de animais considerados feios como aranhas e centopeias.
— Centopeias? Se você visse uma ia sair gritando e correr milhas de distância. — disse Owen sentindo-se incomodado — O que tá havendo com vocês?
— Kro... Digo, Austin, vamos logo pra sala antes que o sinal toque?
— Sem problema. A Jessie já deve estar lá agora. Vamos. Até mais, amigos. — disse o Ranger X1 que seguiu acompanhando Zoe em direção a sala. Mas ele parou para perguntar — Algum de vocês viram o Tim ou o Damian?
— O Damian não sei, mas o Tim tá na biblioteca... estudando. — disse Flint — Eu sei, são palavras muito nada a ver na mesma frase.
— Uau, por essa eu não esperava dele. — disse Kronan.
— O Damian tá conseguindo converter ele pro lado CDF, que bom. — disse Makeena.
A dupla foi caminhando em meio ao vai e vem de estudantes. Owen virou-se para Flint para uma conversa reservada.
Owen virou-se para Flint para uma conversa reservada:
— Flint, fala pro Mason o seguinte: hoje no intervalo reunião na mesa mais isolada do refeitório. Só nós três. Tem alguma coisa suspeita rolando com eles, meu faro não engana.
***
Na prisão em Kelton, localizada em catacumbas do palácio da chancelaria, os Rangers estavam sentados no chão reunidos e um tanto isolados do resto dos prisioneiros.
— Alguém conseguiu dormir? — indagou Zoe.
— Eu mal preguei o olho. — respondeu Tim.
— É, tá sendo a maior barra pra todos nós tentar dormir tranquilo pensando na condenação que vamos receber. — disse Austin encostado na parede segurando os joelhos.
— Não, eu só não dormi porque aquele grandalhão ali não parava de roncar feito um cortador de grama. — esclareceu o Ranger Azul apontando para o sujeito, um keltoniano de estatura e braços vigorosos.
— Bom, eu consegui dormir um pouco. — disse Jessie — O que foi, Austin? Tem alguma coisa no meu rosto?
Austin sorriu descontraído.
— É que sempre foi muito raro te ver de cabelo solto. Parece até outra pessoa.
— Eu... fico mais bonita assim na sua opinião? Tava pensando em parar de prender.
Damian e Zoe entreolharam-se com sorrisos fechados e brincalhões em insinuação ao clima entre Austin e Jessie.
— Ahn... Sim, você fica. — disse o Ranger Vermelho que enrubesceu olhando para o chão a frente para disfarçar. Mas logo virou o rosto a ela — Mas se quiser manter o cabelo preso, não tem problema. Não que você fique menos bonita assim, mas...
— Austin, tá legal, eu faço o que bem entender com meu cabelo. — interrompeu Jessie controlando seu humor — Solto ou preso, tanto faz, né?
Tim havia se levantado para ficar colado nas grades olhando o corredor iluminado por tochas nas paredes.
— Carcereiro! Alguém, por favor, vem aqui nos dizer quando é que vamos comer alguma coisa!
— Os guardas estão inacessíveis. Querendo ou não, vamos ter que esperar. — Damian ressaltou.
Jessie levantou indo até o Ranger Azul.
— Aí, Tim, me desculpa ter sido grossa com você quando falei que foi sua culpa termos sido capturados.
— Não, você tava certa. Eu que caí naquela cilada, eu que ferrei com todos nós.
— Eles iriam nos capturar a qualquer momento. — disse Austin — Só lançaram aquela armadilha porque ficamos parados suspeitando de estarmos sendo seguidos. Nenhum de nós teve culpa de nada.
— Acho que devo desculpas também. — disse Tim andando — A você, Zoe. Pensou que eles iam desamarrar a gente numa boa pra morfarmos.
— Ali eu errei feio, sou eu quem me desculpo. Se eu não tivesse falado, ainda teríamos nossos morfadores. Nossa, fui tão ingênua.
— Calma, Zoe, não se tortura com essa culpa. — disse Austin — Talvez tirassem os morfadores de nós antes de nos largarem nessa cela.
— Pois é, as diretrizes de encarceramento deles são semelhantes às da Terra. — pontuou Damian — Os presos não devem ficar com nenhum objeto que possa ser conveniente a fugas.
O grandalhão keltoniano viera ate os heróis gerando preocupação neles.
— Vocês são da Terra, certo?
— Ahn... Sim, somos. — disse Austin, levantando e o encarando — Por que tá perguntando?
— O que você quer da gente? — indagou Tim — Olha, colega, já vou avisando que não estamos afim de treta, falou?
— Um amigo aqui atrás quer uma palavrinha com vocês. Ele tem o dom de captar energias das nossas mentes.
Um alienígena com um traje verde repleto de escamas, usando luvas e botas roxas viera se apresentar. Mas seu atributo mais chamativo, de longe, era a cabeça, esta sendo um globo de contendo água.
— O cabeça de aquário? — apontou Tim.
— Me chamo Revellion. É um prazer conhecer nativos da Terra. — disse o alienígena.
— Pode ler nossas energias mentais e até pensamentos? — Damian interrogou, cético.
— Em vez de explicar eu prefiro demonstrar.
A água brilhara em azul cintilante e se movia em redemoinho até que a luminosidade aumentou preenchendo o globo. De repente, uma visão clara se expôs, surpreendendo os Rangers.
— Caraca, ele tá mostrando imagens do nosso colégio. — disse Tim.
— É incrível, parece uma bola de cristal onde vemos nosso passado, presente e futuro.
— Meu dom me permite mostrar exclusivamente o tempo presente, nada mais. — frisou Revellion.
— Então... — disse Zoe que deu-se conta, abalada — Ah não, isso só quer dizer que...
— São eles. — disse Austin, os nervos fervendo — Tim, você tava certo, além das nossas identidades, roubaram nossas vidas.
A visão mostrou o falso Damian eletrocutando os valentões.
— Admito que meu impostor fez uma coisa boa por mim. — disse Damian.
— Transformar você num cara que revida de um jeito que não tem nada a ver com sua personalidade? Não, não tem nada de bom nisso, pra nenhum de nós. — rebateu Jessie.
A duplicata maligna de Tim, Thalo, virou o destaque da visão em tempo real.
— Espera aí, o que eu... Digo, o que esse imitador de meia tigela tá fazendo na Central de Comando?
— Outra pergunta: por que tá tudo desligado e escuro? Cadê a Karen e o Sr. Dickerson? — perguntou Zoe.
Damian estalou os dedos.
— Ah sim, acabei de lembrar. O Sr. Dickerson tinha uma palestra de exploração arqueológica pra jovens acadêmicos marcada pra hoje pela manhã e a Karen prometeu acompanha-lo.
— Ele ligou os computadores. — disse Austin, atento — Revellion, isso não te faz gastar energia, né?
— Se tranquilizem, jovens, eu posso manter as visões pelo tempo que desejarem, não importam quantas hajam. Eu não me desgasto tão facilmente.
— Acho que ele é alguma espécie de ser criado artificialmente. — cochichou Damian com Jessie e Zoe que concordaram com a hipótese.
O falso Tim acessava as áreas mais internas e profundas da rede virtual.
— Ele inseriu uma mídia USB. — apontou Damian. — A questão de um milhão: extrair ou transferir?
— Isso já prova que o objetivo é sim destruir a Intercorp, não só voltar pra ação como Rangers. — Austin concluiu.
— Mas sem a Intercorp, como eles vão se virar? — Jessie indagou.
— Eles fizeram acordo com o Lokknon, já têm a quem recorrer. — Zoe disse.
— É, mas lembrem-se que o Kronan disse que essa parceria não foi nada além de libertá-los. — disse Austin — Eles não querem depender do Lokknon pois o verdadeiro pacto foi entre eles mesmos.
Dois guardas surgiram com suas lanças douradas abrindo a cela rapidamente. Um abrira e o outro entrou falando com aspereza:
— Quem não quiser se alimentar, que permaneça com o estômago vazio até amanhã!
— Claro que não vou ser louco de esperar até amanhã pra tirar a barriga da miséria! — falara Tim.
— Ei, você aí, o que está fazendo? — perguntou o guarda agarrando o pescoço de Revellion por trás com uma mão e o colocando em postura ereta.
O globo-cabeça dele desfez a visão e a luz apagou-se.
— Não! — disse Jessie.
— Ah, mostrando um dos seus truques baratos pra ajudá-los a fugir, não é? Vamos pedir ao chanceler que transfira você pra uma cela particular!
— Ele não tava fazendo nada demais, muito menos pra nos ajudar a fugir. — Austin defendeu.
— Quem quiser se alimentar, vota a favor da transferência dele. Levante a mão quem prefere comer.
Tim, e em seguida, os demais Rangers e detentos, penosamente, levantaram as mãos.
— Mas é uma cela particular, né? Não deve ser tão ruim. — Zoe tentou consolar.
— Ruim? Eu diria horrível, hahaha. — disse o outro guarda — As celas pra um único prisioneiro são as mais precárias que existem no subsolo.
Os Rangers e os outros detentos foram saindo.
— Vamos te soltar. — prometeu Austin em voz baixa para Revellion enquanto era levado.
***
Na sala central da nave de Lokknon, Mudok andava de um lado para o outro criando uma atmosfera de ansiedade.
— Eu não suporto mais essa demora do mestre! Até agora ele não nos enviou nenhuma mensagem...
— Ah, Mudok, vê se para de se preocupar à toa porque eu e o Barooma estamos entrelaçando nossas mentes para criar um novo monstro e precisamos de silêncio absoluto. — retrucou Aracna sentada de costas a Barroma e encostada nele, ambos em posição meditativa.
— Nem com a força dos astros vocês terão sucesso em criar um monstro digno de superar o fracasso que foi Jellyphantom. — repreendeu Mudok.
— O mestre deve ter conquistado uma esposa tão fascinante que já estão vivendo o que chamam de núpcias! — Barooma sugeriu.
— Eu quero resgatá-lo seja lá onde ele estiver!
Theron vinha com seu fino trato de andar.
— E então, como está se desdobrando a meditação de sintonia psíquica e criativa?
— Ainda sem resultados! — disse Barooma — Aracna não está se esforçando o bastante!
— É você que não tá! Sabe o barulho que a sua mente faz? Parece uma televisão só transmitindo estática.
— Theron, prepare pra mim uma nave compacta.
— Aonde deseja ir, Sr. Mudok?
— Savagah. O mestre pode ter se deparado com algo maior do que ele jamais pressupôs.
— Como quiser. Essa incerteza quanto ao mestre Lokknon também está me atormentando. — disse o mordomo-ciborgue saindo da sala para programar a nave de transporte.
***
Já em Kelton, a hora da única refeição diária se tornou um "festival de horrores" para os Rangers em relação às iguarias servidas pelo garçom que era um keltoniano robusto de dois metros e meio com vestes similares as de um cozinheiro terráqueo.
Tim recebeu a última tigela de sopa contendo tentáculos e globos oculares flutuantes.
— Pensando bem, acho que morrer de fome é menos pior do que mofar na prisão. Nem keltonianos devem comer isso aqui. — mexeu com a colher, levantando um tentáculo.
— Parece ser a mesma comida pra todos. — disse Zoe olhando em volta.
— Pelo que percebi, é diferente dependendo de quanto tempo está preso aqui. — disse Austin.
— Tim, tem o seu boné guardado aí? — pediu Jessie olhando enojada para seu prato.
— Tá aqui dentro preso na minha bermuda. — retirou o boné por baixo da camisa — Por que?
— Porque vou vomitar nele. — Jessie disse, pegando o boné.
— Eles bem que podiam nos dar cardápio. — reclamou Tim.
— Estamos num presídio subterrâneo não num restaurante gourmet. — corrigiu Damian — Meu estômago que lute, eu não vou ingerir nada de qualidade e procedência duvidosas.
— Tô com você, amigão. Não ponho isso pra dentro nem que o chanceler me obrigue. — disse Tim afastando a tigela — Tá de brincadeira, essa gororoba pode me fazer passar mal e eles não deixam você ir no banheiro.
Austin teve um lampejo:
— É isso. Tim, sem querer você acabou dando uma excelente ideia pra uma fuga.
— Eu dei, foi? Qual?
— Você pode fingir que está tendo uma dor de barriga fortíssima, daí em diante você foge da enfermaria se a barra estiver limpa e vai atrás do lugar onde os morfadores e as células foram deixados.
— E se os guardas não acreditarem? — indagou Zoe.
— O Tim é um bom ator, né? Acho que vai saber passar verdade. — disse Austin, otimista.
— Só lembrar das vezes que ele fingia estar doente ficar em casa vendo TV. — disse Jessie.
— Sério que essa é a melhor ideia? Eu tava pensando em causar uma revolta geral jogando essa tigela em algum brutamontes barra pesada. No meio da confusão, saímos de fininho atrás das nossas coisas.
— Arriscado demais. — rejeitou Damian — Há guardas em todos os corredores, não tem praticamente nenhum ponto cego.
— Eu tô com o Damian. Tim, você pode ser a chave que vai libertar a todos. — Austin insistiu.
— Ah, não vem com essa, Austin. Se for assim, só eu tenho que comer essa porcaria? — Tim reclamou.
Zoe assobiou e chamou o garçom-cozinheiro, que se aproximou.
— Zoe o que tá fazendo? — questionou Tim, tenso.
Confiante mim. — disse ela voltando-se ao garçom — Olá, nós gostaríamos de saber se a comida vem com algum risco de intoxicação. É que a aparência delas... não é muito agradável pro nosso apetite.
— São tentáculos e olhos de lesmas dos pântanos da região de Sindakar. É servida tanto a turistas como pra prisioneiros pelo seu valor nutritivo de fibras. — explicou o funcionário.
— E por que o chanceler deixaria servir comidas nutritivas e saudáveis pros prisioneiros? — questionou Zoe.
— Pra que estejam bem alimentados na hora da punição mortal, hahahaha. — a risada cavernosa do garçom assustou-os.
— Fala que essa parte de punição mortal é piada. — disse Tim, sorrindo de nervoso.
— Não é! — respondeu o garçom mudando o tom subitamente e batendo o punho fechado na mesa — E se me chamarem de novo, venho com guardas pra leva-los de volta à cela!
O garçom e cozinheiro fora andando até outras mesas.
— Não acredito, a última refeição da minha vida serão tentáculos de lesma alienígena?! — lamentou Tim.
— Sem drama, Tim. Se ele falou que é nutritivo, então podemos comer sem medo. — Jessie falou.
— Se nenhum de nós comer, a dor de barriga do Tim não vai ser convincente. — disse Austin — E se o guarda achar estranho que apenas o Tim passou mal, vamos dizer que ele é alérgico.
— Boa, eles podem se convencer de que o organismo terráqueo não é tolerante a certas fibras. — Damian concordou.
— Então, vamos lá. No três. — disse Austin, pronto para comer. — Um... dois... três, já!
Os heróis enfiaram os tentáculos na boca com expressões de nojo, especialmente Jessie.
A nave compacta tripulada por Mudok saía da nave de Lokknon com o rastro dos propulsores brilhando. Na sala central, a meditação sincrônica de Aracna e Barooma finalmente havia encontrado um ponto de convergência com ambos abrindo os olhos em simultâneo.
— Funcionou, Barooma. Nossas mentes se interligaram! Ai, que maravilha! — exclamou Aracna.
— Eu senti nossas ideias se combinarem! — falou o cientista levantando — Usar moluscos terráqueos como base pra um plano de destruição foi o ápice da nossa sincronia!
— Eu tô tão empolgada! — disse a princesa aracnídea ao levantar — Até deixo você nomear um dos dois.
Barooma se dirigiu ao seu painel de computador no qual mexeu avidamente.
— Baixando agora dados de polvos e lesmas para dois bonecos que estão na cabine do bio-modelador! — bateu o botão de inserção — Transferidos!
O cientista fora até o bio-modelador.
— Mas espera aí, Barooma, já não tivemos um monstro com forma de lesma? Aquele que trocou de corpo com um pirralho ajudado pelos Rangers. — relembrou Aracna.
— Me recordei exatamente dele! Digamos que este novo monstro molusco remetente a lesmas seja uma versão aprimorada daquele com maiores chances de sucesso!
— Ótimo, nesse caso... — disse Aracna, as mãos na cintura frente a máquina — Manda ver!
— Que venham com muita saúde! — Barooma baixou a alavanca.
Na saída após término das aulas, Owen se encontrara com Flint e Mason no lado se fora.
— Notaram algo estranho na Zoe e na Jessie antes ou depois do primeiro tempo?
— Aí, nós dois não reparamos só nelas o tempo todo. — redarguiu Flint.
— Todos eles estão agindo estranho. — afirmou Mason — No intervalo, nem se importaram de ficarmos numa mesa bem afastada da deles.
— Tem uma coisa que eu esqueci de falar na reunião, é sobre a Jessie.
— Ou a coisa alienígena que tá possuindo o corpo dela. — disse Flint.
— Vi ela saindo do banheiro masculino. Se explicou dizendo que o feminino tava cheio e que a Cindy tava lá com as amigas, mas olhei pela fechadura e nem um fio de cabelo da Cindy vi.
— Hum, o certinho criou coragem de espiar o banheiro das meninas. — disse Flint com sorriso de canto — Eu teria aberto logo a porta só pra confirmar.
— De uma coisa devemos ter certeza: nossos amigos voltaram muito diferentes lá de Kelton. Mas essa sua teoria de possessão alienígena tem fundamento, Flint. — disse Owen.
— Podíamos pedir pro Sr. Dickerson ver se tem algum tipo de bicho alien keltoniano que entra no corpo como um verme parasita. — sugeriu Mason.
— O Sr. Dickerson e a Karen foram pra palestra de arqueologia no museu. — disse Owen. Os comunicadores logo tocaram — E já voltaram.
Os cinco farsantes se aproximaram com seus comunicadores tocando.
— Parece que o dever nos chama. — disse Kronan — Vamos pra Central de Comando.
— Tem o bosque bem aqui, podemos atender o chamado e morfar ali mesmo. — Owen discordou.
— Sob o risco de alguém nos flagrar? Não, acho melhor irmos pra base se teleportando do bosque, é mais seguro. — Kronan insistiu.
Owen olhara para Flint e Mason, ambos dando de ombros. O octeto se embrenhou no bosque e juntos teleportaram-se a Central de Comando. Karen virou-se na cadeira giratória, surpresa.
— Vieram sem nem o Dickerson pedir quando... o normal seria vocês morfarem no bosque perto da escola por ser mais prático.
— O líder decidiu que não. — falou Mason em tom irônico.
— Me preocupo com a segurança das nossas identidades. — Kronan justificou.
— Vocês não vão dizer nada? — indagou Owen aos outros quatro.
— Eu tô de acordo, é perigoso se transformar numa área tão exposta. — disse o falso Damian.
— Mas a mata do bosque é bem fechada, seria muito difícil alguém nos espiar.
— Como você espiou o banheiro das meninas? — disparou Dresh, infame. Karen olhou para Owen com uma sobrancelha levantada — Eu vi escondida. Eu te conheço bem, Owen.
— O perigo agora veio em dose dupla. — falou Dickerson que mostrou no monitor central imagens dos monstros recém-criados que atacavam o centro da cidade — Só mais um dia normal para os Power Rangers.
Os heróis sacaram seus morfadores e células. Kronan se colocou no meio.
— Chegando lá montaremos uma estratégia de campo. Estão prontos? Transmu... Digo, É Hora de Morfar!
— Urso Pardo!
— Touro Ônix!
— Tubarão Cobalto!
— Morcego Púrpura!
— Gorila Esmeralda!
— Arraia Rósea!
— Águia Flavescente!
— Leão Escarlate!
Os oito teleportaram-se ao local do ataque. Mas Dickerson não deixou um erro por parte de Kronan passar despercebido.
— Que estranho... Austin quase errou a frase de comando para morfar. Você ouviu?
— Sim... Algo como transmor, transmu... Transmutação?
— Exato. — disse o mentor olhando para ela, sério — Transmutação X. A frase de morfagem do Esquadrão X.
No centro urbano, a dupla de monstros consistia em um polvo de grande cabeça arroxeada e tentáculos verdes listrados de preto e o outro sendo uma lesma com braços e pernas grossos que possuía no braço direito uma arma de tiros que girava feito uma metralhadora.
— Nada como uma boa dose de caos pra começarmos nossa jornada! — disse o monstro chamado Gastrovile — Inktopus, vamos nos dividir: você fica com o lado leste e eu com o oeste.
— Os nossos inimigos agem de forma conjunta, então podemos usar nossos poderes em sincronia, como a mãe Aracna nos orientou. — disse Inktopus.
Um caminhão desgovernado viera na direção da dupla ameaçando atropela-los.
— Vou mostrar pra esse imbecil que existe um limite de velocidade pra transitar nessa rua, hahaha! — disse Gastrovile mirando sua outra arma, a do braço esquerdo, que compunha um recipiente com líquido gosmento.
Disparou um raio ao veículo que logo foi toma pela camada de pasta gosmenta que se dissolveu no ar, mas causou um efeito considerável. O caminhão seguia num ritmo lento.
Os oito Rangers surgiram no terraço de um edifício vendo a balbúrdia causada pela dupla.
— Lá estão eles. Vamos acertar os detalhes da estratégia de ataque efetivo. — disse Kronan.
— Que papo é esse? — Flint contrariou
— A cidade precisa de nós com urgência! — disse Mason.
— Austin, você não é assim! — apontou Owen — As estratégias você deixa pra quando entramos de vez em ação, não antes.
— Será que vocês três não entendem que se insubordinar ao líder torna vocês menos merecedores de crédito numa missão? — Kronan questionou.
— Quer saber? Dane-se o seu plano! — disse Flint — Mason, Owen, vamos cair pra cima daqueles monstrengos!
— Tem razão, somos o time secundário, temos nossa própria autonomia! — disse Owen, determinado Agora!
O trio saltou do parapeito, logo pousando frente aos monstros e barrando a passagem quando algumas jovens mulheres seriam vítimas.
— Um é pouco, dois é mais ou menos, mas três é sensacional! — disse Flint.
— Rápido, saiam daqui, os Power Rangers chegaram pra salvar o dia! — disse Owen às mulheres que correram depressa — Ei, moça, esqueceu sua sacola... Ah, esquece. — largou a sacola de compras.
— Emissor ultrassônico! — Mason invocou sua arma e disparou suas ondas, jogando os monstros contra carros. — Gostaram do aquecimento?
— Me senti como numa banheira de hidromassagem! — disse Gastrovile reerguendo-se.
— Até que não foi tão ruim mesmo! Mas será que eles gostam de um banho de tinta fresca?
Inktopus disparou esguichos de tinta pegajosa e escura dos tentáculos, atingindo o trio.
— Que coisa é essa? — falou Mason incomodado com a textura do fluido no uniforme — Pegajoso...
— Parece piche... tá queimando! — dissera Flint.
— Isso é tipo aquela tinta que os polvos soltam... — disse Owen.
Os olhos de Inktopus piscaram um brilho amarelo, e a tinta grudada nos trajes começou a causar dores com raios azuis faiscando e torturando o trio.
— Pra completar, hora de detonar! — disse Gastrovile disparando seus tiros de gosma explosiva.
Porém, o quinteto principal desceu num salto em formação de círculo de mãos dadas. Após o pouso, Kronan tivera seus ombros tocados pelos outros que lhe forneciam energia.
—Barreira Z! — bradaram, projetando um escudo holográfico que anulou os tiros de Gastrovile.
— Demoraram hein! — falou Mason.
— Rangers, disparar! — ordenou Kronan sacando a pistola Z ao que os demais acataram.
As pistolas e dispararam numa potência que chamou a atenção de Dickerson e Karen.
— A intensidade de disparo das Pistolas Z parece ter aumentado. — Karen notou.
— Está tudo muito diferente com eles... Até a Barreira Z que é uma técnica meio ultrapassada frente ao poder desses dois monstros que teoricamente são mais fortes que Jellyphantom. — disse Dickerson.
Inktopus e Gastrovile se atordoavam com os tiros explodindo faíscas em volta.
— Detonador Max!
Kronan disparou com as duas pistolas, os braços em forma de X, provocando uma explosão de fogo atrás da dupla.
— Yeah, mandaram bem! — disse Flint. Os três haviam removido a tinta com as mãos.
— Ei, não enche a bola deles. — criticou Owen — Nem sabemos se são realmente nossos amigos.
— Vocês estão bem? — perguntou Kronan ao trio secundário — Essa tinta parece ter dado trabalho.
— Gruda feito goma de mascar e queima feito ferro de passar ligado. Vai querer experimentar? — Mason respondeu ironicamente.
— A estratégia agora é vencer usando tudo que tivermos. — falara o líder.
— Agora ele falou como o Austin. — disse Mason.
— Mas eu sou o Austin. Qual é o problema de vocês?
— Qual é o problema com vocês? — disse Owen ficando a centímetros perto dele com dedo no peito em julgamento — Desde que voltaram de Kelton, estão agindo fora de quem são.
— Owen, você tá neurótico. — disse o falso Tim.
— Somos quem vocês conhecem muito bem. — disse a falsa Zoe.
— Chega, se começarmos uma briga eles vão aproveitar e fugir! — Kronan disse. — Vamos ao combate direto com nossas armas especiais!
Os cinco invocaram suas respectivas armas enquanto o trio secundário parecia hesitante.
— Falei combate direto com as armas especiais! Será que não entenderam? — Kronan repreendeu o trio secundário.
— Tá bom, você manda. — disse Owen que sacou sua adaga Kong e a energizou — Sabre Kong, materializar!
— Emissor ultrassônico!
— Mangual Rompante!
As duas frentes opostas correram em colisão dando início ao confronto definitivo. Gastrovile disparou seus tiros gosmentos que explodiram em fogo atrás dos Rangers correndo bravamente à batalha.
***
Em Kelton, dois guardas foram atraídos pelas batidas insistentes nas grades.
— Pra quê todo esse barulho irritante? — questionou um deles.
— Ele não tá passando bem, acho que é uma dor de barriga! — disse Jessie.
— Talvez o estômago dele não respondeu bem à comida dessa prisão, vocês tem que leva-lo pra enfermaria! — Zoe implorou.
Tim estava deitado com expressão de olhos fechados e dentes cerrados transparecendo sua dor intensa.
— A ala de cuidados está vaga, mas...
— Mas nada, ele deve receber tratamento urgente! — disse Austin.
— E se for uma intoxicação por alergia a lesma de Sindakar? Requer um atendimento imediato. — Damian reforçou.
Os guardas abriram a cela, logo carregando Tim para um quarto na enfermaria. O Ranger Azul foi posto numa cama em um quarto. Abriu um olho e notara um guarda deitado na cama ao lado da sua.
— Quem é esse aí?
— Vigia da sala de confiscos. — um dos guardas informou. — Onde ficam pertences tomados dos prisioneiros. Está se recuperando de uma cirurgia de emergência.
— É possível que você passe por uma também, mas não antes de um exame para detectar se há parasitas. Aguente firme e aguarde o doutor. — dissera o outro.
Os guardas saíram e Tim rapidamente se levantou da cintura para cima.
— Nem que a vaca tussa vão abrir minha barriga. Eu vou é vazar... — notou o molho de chaves preso ao cinto do guarda sedado. — ... com o passaporte pra liberdade.
Saiu da cama e levou a mão direita devagar as chaves presas no cinto do soldado. Teve de usar a outra mão para remover o chaveiro.
— Tá no papo. Tenho que me mandar antes que o médico maluco venha.
Foi andando na ponta dos pés, mas uma voz atrás dele o fez congelar de susto.
— Aonde pensa que está indo?
— Oh-oh. — disse Tim, a face travada na mais nítida apreensão.
CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO!
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