Power Rangers: Esquadrão Z

59 O X da Questão (Parte 2)


Notas iniciais
Sinopse do capítulo: O Esquadrão X ataca os Rangers impiedosamente e uma verdade perturbadora vem à tona. A equipe original da força-tarefa XYZ rouba a nave dos Rangers que acabam capturados pelos nativos selvagens do planeta. Lokknon participa de um leilão de escravas buscando uma esposa, mas uma interrupção drástica no evento o faz entrar em ação. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!

O choque somado à estranheza fizeram os Rangers recuarem dois passos e sentirem um leve arrepio de assombro perpassar como uma corrente elétrica elétrica de alta voltagem.

— Peraí, o que é isso? Nós viemos resgatá-los como membros oficiais da Intercorp! — Austin tentou apaziguar com as mãos levemente erguidas.

— Acreditem em nós, por favor. — Zoe pediu.

— Eles são mais lerdos do que a gente esperava. — comentou Dresh, o Ranger X5 Amarelo, rindo com escárnio.

— Sabíamos que eram da Intercorp só de ver esses uniformes que parecem ser feitos sob medida para crianças do jardim de infância. — zombou Kronan.

— Qual é a de vocês? A gente veio aqui na melhor das intenções pra nos receberem como uma quadrilha de bandidos?! — indagou Tim, nervoso.

— Talvez porque... eles sejam de fato bandidos! — acusou Damian.

— Ou nem são o real Esquadrão X! Quem são vocês? — apostou Jessie.

— Pelo visto, vamos ter que desenhar pra esses debiloides entenderem de uma vez. — disse Makeena.

— Pena que não trouxemos uma lousa pra ensinar. — falara Wyvoll.

— Se formos ensinar algo, nossas armas já são suficientes. — disse Kronan. O líder proferiu algo no dialeto enigmático e compreensível apenas entre eles cinco, o time avançando agressivamente.

Austin esquivava dos chutes ágeis de Kronan que dava alguns giros nos golpes, mas logo passou a defender-se com os braços.

— Se ficar na defensiva, sua derrota é mais do que certa! — falara o Ranger X1 que apontou sua arma e atirou contra o Z-Ranger Vermelho.

Austin foi mandado para um pouco longe com os tiros que explodiam faíscas a sua volta. Os demais Z-Rangers seguiam forçados a luta, mas inibidos pela incompreensão terrível daquele tratamento hostil.

— Ainda quero acreditar que isso não passa de um teste! — disse Zoe dando cambalhotas para trás recebendo chuva de lasers explosivos de Makeena. Ficará de pé e sacou sua pistola Z girando, logo disparando várias vezes ao que a oponente reagiu rolando para o lado entre as explosões de faíscas.

Makeena atirou com mais potência enquanto saltava para lado em pleno ar, os disparos causando uma forte explosão de fogo atrás de Zoe e a tirando do chão rodopiando na vertical.

— Larguem as armas, elas não são necessárias pra lidar com esses amadores! — ordenou Kronan, largando a sua. Os demais acataram e o fizeram.

Thalo defendia-se dos socos de Tim com destreza.

— Seus movimentos não tem o mínimo resquício de um treinamento adequado. — avaliou o Ranger X3.

— Você quem vai virar resquício, ô cara de peixe! — disse Tim que arriscou um chute com giros num pulo, mas tivera sua perna agarrada por Thalo que depois o rodou horizontal e o jogou para o alto.

Ao cair sobre ele, Tim recebeu golpes rápidos de dedos em pontos nas articulações, depois sendo jogado para longe e caindo de barriga para cima.

— Ai, eu tô na pior... Meu corpo todo tá dolorido como se eu tivesse sido atropelado por um trator.

Jessie lutava com garra contra Dresh, que desviava com velocidade dos chutes.

— Vamos, gracinha, só porque você usa essa saia não quer dizer que precisa bater como uma garota!

— Então nunca lutou com uma antes! — retrucou ela — Garras Raptoras! — as armas surgiram imediatamente, Jessie logo girando e atacando de modo que Dresh era empurrado voando.

Jessie passou a atacar com as garras ferozmente, Dresh defendendo-se com os braços. O Ranger X4 virou de lado dando uma cotovelada no visor do capacete de Jessie, rapidamente aplicando um chute duplo que a atingiu no peito e a derrubou para meio longe dele, mas Jessie resistiu arranhando o solo com as garras como apoio.

A Ranger Amarela lançou um corte em X das garras, mas Dresh defendera-se com os braços cruzados em X e elevou uma aura dourada de energia, liberando-a como um ataque que não apenas desfez o de Jessie com o também a acertou em cheio. Jessie rolou pelo chão com raios amarelos faiscando pelo corpo.

Damian usou a Marreta Avalanche, batendo fortemente no solo rochoso, que cedeu. Mas Wyvoll se deixou cair, tranquilo dando um aceno de tchau. O Ranger Preto procurou na parte arenosa, cometendo um erro, pois ali sentiu pés sendo agarrados e afundando meio rápido na areia numa espiral ameaçando suga-lo.

Usando o outro lado da marreta, Damian gerou vibrações que fizeram Wyvoll sair do solo girando feito um pião enquanto Damian saltou da poça funda para ataca-lo. Porém, o RanterX5 parou no ar e atingiu Damian no peito com um duplo soco energizado com pulso vibrante, mandando-o ao chão.

Austin invocou seus punhos selvagens disparando bombas ferozes dos canhões destravados. Kronan, porém, criou uma barreira de teia de aranha em néon vermelho, os ataques de Austin grudando e logo sendo rebatidos a ele com a teia sendo movida como elástico. Austin sofreu com as explosões de seus próprios tiros próximas dele, o atordoando.

— Vem aqui! — o Ranger X1 lançou uma teia, puxando Austin pela cintura para perto, o líder Z-Ranger cara a cara a meio centímetro.

— Por que estão agindo assim? O que fizemos?

— Não o que fizeram, mas o que são. — respondeu Kronan.

O Ranger X1 afastou Austin de súbito, logo o lançando com a teia ao ar para cima numa direção inclinada. Depois o puxou de volta bruscamente, logo saltando para aplicar um soco pesado e energizado com aura vermelha ao passar por ele no ar.

Tim... — disse Jessie indo junto com Zoe apoiada nela até ele — Você tá legal?

— Eu vou ficar... Depois que eu me afundar numa banheira com um monte de gelo. — falou o Ranger Azul ao levantar com dificuldade.

Damian juntou-se a eles caminhando trôpego.

— Pessoal, a potência que eles investiram em cada golpe prova que... isso passou longe de ser um teste.

— É claro. — disse Kronan reunindo-se aos demais — Estávamos tentando elimina-los da forma mais prática e rápida possível. Mas ao que parece são mais resistentes do que nos foi falado.

— Falado... por quem? — indagou Austin juntando-se aos amigos e tocando na parte doída.

— Um conhecido de vocês chamado Mudok nos forneceu informações precisas e teve a generosidade de nos tirar da nossa prisão autoimposta. — Kronan revelou.

— Autoimposta... Vocês estavam presos aqui por vontade própria? — surpreendeu-se Austin.

Kronan resolvera explanar os fatos:

— Deixe-me resumir o básico que devem saber: depois de sobrevivermos àquela maldita missão onde fomos largados para morrer naquele planeta miserável, viemos parar aqui numa fuga desesperada lutando por nossas vidas. Para que a Intercorp pensasse que estávamos fora do jogo, nos colocamos em animação suspensa numa caverna desligando nossos sinais. Era o nosso fim... para o alto comando. Até o dia em que fomos despertados após anos parados no tempo.

— Essa é a birra de vocês? Pensaram que foram abandonados? — Jessie indignou-se — Estão enganados, a Intercorp jamais faria algo assim!

— Não com o time de elite deles! — reforçou Tim— Vocês eram os maiorais, a linha de frente, como que iam ser deixados pra trás?

— Por que não perguntam pro comandante atual de vocês? — sugeriu Makeena — Aposto que ele terá um grande prazer em responder... mentindo, lógico.

— O Comandante Leozor nunca mentiria pra nós! — Zoe defendeu.

— Mas não contaria a vocês os podres da Intercorp. — retrucou Wyvoll.

— Coitadinhos, tão inocentes. — falara Dresh em tom zombeteiro.

— Você aí, cala a boca! — rebateu Jessie.

— Vem calar, gatinha. Vem aqui voar no meu pescoço pra você sentir de novo meu poder. — desafiou ele com gesto de dedo ao chama-la.

Jessie rosnou dando um passo a frente, mas Zoe a conteve.

— Espera, calma, não deixa ele te irritar.

— Mas como podem ser tão fortes com aqueles poderes? — questionou Austin — Tipo a sua teia! — apontou para Kronan.

— Mudok nos agraciou com gemas especiais que ele disse terem sido retiradas de imagens sagradas de antigos deuses do planeta Artropopha.

— Artropopha... — lembrou Damian — Esse é o planeta-natal da Aracna.

— E onde estão essas gemas? — perguntou Austin.

— Bem, nós tínhamos que fazer um lanchinho depois de tanto tempo com a barriga vazia. — Dresh respondeu.

— Eles comeram as tais gemas! — Jessie se surpreendeu.

— A minha tava uma delicia. — disse Makeena — E eu nem mostrei o que ela me deixa fazer. Mas tudo bem, nunca verão mesmo.

— Veremos sim, pois não vamos deixar vocês saírem sem um segundo round! — disse Austin, ficando em posição de luta.

— Acham que tiveram um aquecimento conosco? Vocês são completas decepções. — Kronan zombou.

— Já chega, não vamos deixar que saiam daqui com a nossa nave! Rangers, atacar! — Austin determinou.

Mas deram poucos passos de avanço já que os X-Rangers desferiram cortes de energia diagonais que os atingiram no peito com violentos estouros de faíscas.

— Vocês são mais moderninhos, mas nós somos mais arrojados. — falou Dresh com risada infame.

— O poder nem sempre prevalece sobre a experiência. — afirmou Thalo.

— A diferença é que vocês aceitaram um poder maior de mão beijada, então não foi uma luta justa! — disse Austin, de quatro e ferido.

— E vocês acham que ligamos pra justiça? — disse Makeena

— Agora vemos que não! — retrucou Zoe, levantando-se com dores. — E pensar que víamos vocês como mentores.

— Expectativas são uma droga, né? Que peninha pra vocês.— ironizou Makeena.

Os X-Rangers viraram as costas e caminharam indiferentes aos oponentes derrotados.

— Por que acham que fazer um pacto com Lokknon vai trazer alguma vantagem? — questionou Damian — Ele é rasteiro e traidor, saiam dessa enquanto há tempo e se unam a nós!

Kronan parou olhando por cima do ombro.

— O único pacto que fizemos foi entre nós mesmos. A ajuda de Lokknon terminou com as gemas dadas pela confiança de que vamos destruir a Intercorp.

— Podíamos destruí-los agora, mas preferimos deixá-los amargando no desgosto de serem dominados por Rangers "ultrapassados". — disse Thalo fazendo aspas com os dedos.

— Isso não acabou ainda... — disse Austin sentindo dores.

— Acabou pra vocês. Para nós está apenas recomeçando. O relógio está correndo. — Kronan finalizou

Os cinco X-Rangers transformaram-se em esferas de luz eletrizadas em suas cores e voaram, distanciando-se.

— Eles não podem escapar com a nossa nave... — disse Austin — Amigos, reúnam toda a força que ainda resta em si mesmos e vamos impedi-los.

O quinteto heroico se lançou a perseguir os renegados Rangers com saltos hipervelozes pelo deserto. Já embarcando na nave em ignição, os X-Rangers viram os adversários se aproximando.

— Decole. — Kronan mandou a Thalo que pilotava.

— Ah não, estão decolando! — disse Damian correndo junto aos demais.

— Depressa, atirem! — sugeriu Austin, sacando a pistola Z e correndo no limite.

Os Z-Rangers dispararam uma chuva de lasers, mas a nave subia rapidamente.

— Detonador Max! — Austin invocou a pistola.

Parou ao mirar na nave que se encontrava a uma certa altura.

— Vou ativar os propulsores supersônicos e a ignição final. — Thalo disse nos controles.

— Deflagrador Max! — bradou Austin, a pistola assumindo a forma evoluída e logo mirada a nave.

— Espera, Austin, não! — alarmou Jessie baixando o deflagrador. — Se atirar pra valer, pode explodir a nave inteira.

— Mas pelo menos a estação da Intercorp vai ficar fora de perigo. Temos que fazer esse sacrifício! — Austin argumentou.

Kronan destravou os canhões da nave que foi voltada para eles.

— Veremos quem tem mais poder de fogo. — ameaçou o Ranger X1.

— O sistema bélico da nave têm uma artilharia muito potente, o deflagrador não dá conta! — Damian ressaltou.

— Droga... Galera, corre! — ordenou Austin, recuando.

Os canhões da nave dispararam, impactando com fortes explosões de fogo ao redor dos Rangers, que corriam frenéticos. O último disparo causou múltiplas explosões que os derrubaram. Os Z-Rangers caíram, desmorfando simultaneamente. A nave partiu em velocidade máxima, desaparecendo nos céus de Kelton.

— Porcaria... Eles se deram bem. — reclamou Tim, tossindo devido à poeira.

— Estamos exaustos. Já era difícil caminharmos por essas terras morfados, imagina agora. — falou Zoe, levantando.

— Gente, e agora? Nossa nave se foi e ganhamos novos inimigos. O que de pior pode acontecer? — indagou Jessie, nervosa.

— Cuidado com a língua, Jessie. — alertou Tim — Esqueceram dos nativos que não gostam de estrangeiros?

— Se os encontrarmos, vamos provar que somos da Intercorp. — Austin tentou acalmar.

— Mas aqueles velhotes babacas são da Intercorp e levaram justo a nossa nave. — revoltou-se Tim.

— A nave tinha uma rota de retorno programada para a Terra ou para a estação. — disse Damian — E eles não são velhotes. A animação suspensa priva o corpo do envelhecimento.

— Eles pensaram em cada detalhe desse plano diabólico. — disse Austin sentindo o vento se fortalecer. — A ventania tá piorando...

— E nossos olhos ficaram vulneráveis! — Damian tentou cobrir os olhos.

— Menos os seus! — cutucou Tim.

— Essas lentes não protegem como os visores dos capacetes! — esclareceu o Ranger Preto.

— O que é aquilo ali? — apontou Jessie, temerosa, para o alto de um morrinho de areia — É tipo um furacão pequeno?

— Um tufão de areia! — Damian alertou, vendo um redemoinho se formar. — Não sabemos com exatidão da fenomenologia climática desse planeta, isso pode virar um tornado!

— O que a gente tá esperando pra dar no pé? — Tim estava amedrontado.

— Temos que encontrar uma cidade povoada, os keltonianos são a nossa única salvação, vambora! — Austin apressou, e o grupo disparou a correr com o redemoinho parecendo segui-los ao descer o morrinho.

***

Após finalmente aportar em Savagah, estacionando sua nave entre alguns outros veículos intergalácticos, Lokknon adentrava na grande casa de apostadores onde havia sido estabelecido o leilão de escravas apanhadas por uma organização criminosa que chefiava os negócios em larga escala no planeta.


No corredor se fazia uma fila para entrar no salão de arremates. O imperador corria os olhos pelo ambiente ignorando a regra.


— Que lugarzinho mais decadente.


O controlador da fila barrara-o com uma mão no peito.


— Não tá vendo que existe uma fila! Quem você pensa que é?


Lokknon bruscamente agarrou a mão direita do segurança e a apertou com força esmagadora de ossos.


— Eu me oponho a participar dela! Sabe com quem está falando?


— Nmm... Vo-você deve ser o... Lokknon.


— Imperador Lokknon!


— Au! — resmungou o segurança co o aperto fortalecido — Sim, você... Digo, o senhor está na lista premium pela sua reputação! — conferiu no papel — Pode passar, mas aviso que o leilão já iniciou faz quinze minutos.


— Eu pretendia chegar com uma hora de antecedência. Esses dirigentes miseráveis tinham que alterar o horário. — reclamara Lokknon, logo soltando a mão sofrida do segurança e passará da entrada com uma porta dupla de ferro.


— Vendida! — bradou o leiloeiro entrevado uma escrava recém-arrematada aí comprador em cima do palco.


Lokknon foi caminhando no meio da aglomeração no amplo recinto ocupado por mesas — embora a maioria estivesse de pé dado o momento de grande expectativa.


— Que venha a seguinte mercadoria! Vamos, não seja acanhada, você pode encantar muitos dos nossos clientes! — disse o leiloeiro.


Lokknon a fitou atentamente, um interesse genuíno brotando como uma semente plantada e germinada. A jovem possuía o aspecto meio robótico com pele dura em cor de rosa. O rosto angelical prateado de olhos verdes abrilhantou a visão de Lokknon frente a formosura da donzela presa por grilhões.


— Que encantadora... Parede ser virginal e bem posturada. Grr, concentre-se, Lokknon, você não veio a um concurso de beleza.


— Vamos lá, que comecem os lances! Alguém? Ou será que essa jovem será a primeira sem um novo lar?


— Eu dou cem lexies por ela — disse um comprador erguendo sua placa circular.


Lokknon ouvia cochichos de rejeição a sua volta durante o intervalo tenso da espera de um lance maior.


— Inocente e intocada, seu que atende aos pré-requisitos daqui! Vamos, alguém se manifeste ou vou despacha-la à masmorra! Dou-lhe uma!


O imperador rangeu os dentes e cerrou os punhos.


— Dou-lhe duas!


Dera dois passos adiante corajosamente.


— Ofereço cem milhões de lexies por ela.


A afirmação gerou espanto dramático em todo o salão.


— O que foi, seus imbecis? Não tenho que justificar minhas preferências! Ela será minha legítima esposa e nada me convencerá a...


Repentinamente, um sujeito encapuzado por um manto pardo se levantou revelando uma arma embutida em seu braço direito, disparando uma rede de cada que caíra sobre a escrava. Ela se deixou cair de joelhos, fragilizada. Mais sete deles removeram seus mantos e iniciaram uma verdadeira celeuma ao atirarem lasers laranjas para espantar todos os proponentes que corriam alvoroçados.


Lokknon saltara num giro vertical, indo até a escrava. Tentou retira-la da rede, mas recuou as mãos sentindo um choque elétrico pulsante.


— Implantaram uma defesa que ultrapassa minhas manoplas.


Os caçadores moviam-se para intercepta-lo.


— Espero não me arrepender disso! — Lokknon invocara sua espada de nitox, a lâmina furiosa, que surgiu envolvida de raios. A baixou contra a rede, cortando-a com sucesso.


— Está livre, vamos, me acompanhe, depressa! — disse ao remover a rede.


Mas logo ambos foram atingidos por lasers das armas dos caçadores. Lokknon a abraçou protegendo das explosões de faíscas em torno. O imperador virou-se e lançou raios da Manopla direita, refreando o grupo que caiu com explosões faiscantes antes que subissem no palco.


Pegara a escrava pelo braço, a conduzindo para os fundos do palco. Os caçadores reergueram-se, atirando sem acertos.


— Espalhem-se! — bradou o líder que era identificável por obreiras douradas como as de marinheiro.


A escrava travou num corredor.


— Por que nos fez parar? Temos que seguir em frente o mais rápido que pudermos!


A escrava gesticulava desesperada, apontando para uma espécie de coleira prateada com runas entalhadas em seu pescoço. Aquilo o fez compreender facilmente a mensagem.


— Hum, então essa coleira a impede de falar. Fique parada e não tema, vou concentrar esse golpe para atingir somente o alvo. — Lokknon afastou-se em dois metros e brandiu a espada que foi energizada.


Efetuou o golpe preciso, o corte de luz púrpura partindo a coleira ao meio.


— Oh... — dizia ela, comovida — Eu fico muito honrada... Você é um cavaleiro nobre que daria orgulho ao meu pai. — aproximou-se — Obrigada, sou eternamente grata a você. Prazer, me chamo Enckantess, filha de Magighor, o maior feiticeiro de todo o universo.


— Magighor... Já ouvi esse nome antes... nas histórias que meus pais contavam quando eu era jovem. O herege de Galvanoi existe mesmo?! Achava ser pura lenda. Está mesmo dizendo a verdade?


— Desconfia da escrava que acabou de salvar e que não vai pensar duas vezes antes de retribuir?


Lokknon a fitou por um instante, convencendo-se da inocência e sinceridade que ela transmitia. A puxou para prosseguirem. Porém, quatro caçadores vieram dos corredores adjacentes atrás e lançaram-se na perseguição. Lokknon derrubara a porta dos fundos ao disparar raios, alcançando o lado de fora.


— Não vai usar sua espada contra eles? — indagou Enckantess.


— Só aponto minha espada diante de adversários dignos! Vamos, minha nave está logo ali!


— Mas temos que nos livrar deles! — Enckantess parou de repente e virou-se aos caçadores — Se você não faz, eu faço! Vortuxia!


Como se soprando neve, lançou um vento rosado com as mãos, vento esse que moldou-se num tufão com raios direto aos caçadores que foram puxados pelo redemoinho de vento e rodopiavam em torno dele. O tufão afastava-se sem rumo.


Todo o resto dos caçadores saíra do hotel apontando suas armas a dupla. Lokknon tomara a frente de Enckantess.


— Eu, Lokknon, príncipe de Nemethea e futuro imperador de todo o universo, não vou permitir tomarem a vida desta jovem dama pelos caprichos de quem quer que seja!


— Esse nanico pensa que nos intimida! — dissera o líder do grupo — Você quem sabe, não nos importamos!


— O maior erro que um inimigo pode cometer é me julgar pelo tamanho! Isso nunca refletiu a extensão do meu poder! Aqui está a prova! — enfurecido, Lokknon disparou raios púrpuras, derrubando os caçadores que foram pelos ares com a explosão de fogo causada.


— Você é incrivelmente forte, é de um genro como você meu pai sempre sonhou!


— Me contará mais


dele durante a viagem, vamos. — disse Lokknon a puxando pelo braço até a nave ode rapidamente embarcaram.




***


Na estação da Intercorp, Leozor entrou na sala da central de vigilância intergaláctica após o sinal de retorno do Esquadrão X ser detectado pelão computadores. A sala era circular e rodeada de telas grandes com painéis sofisticados abaixo, na frente dos quais estavam um grupo heterogêneo de funcionários dedicados em tempo integral a, sobretudo, monitorar o tráfego espacial.


— Me digam que esse sinal é o que estou pensando ser.


— Sim, comandante, o sinal provém diretamente da nave que foi despachada. — um vigilante terráqueo confirmou.


— Estão se aproximando. — avisou outra, esta sendo uma funcionária alienígena.


— Ótimo, eles se saíram bem no resgate. Destravem o portão I7. — ordenou Leozor.


Em Kelton, os Z-Rangers encontraram uma zona segura em uma cadeia de rochedos.


— Ah, fala sério! — resmungou Tim caminhando com esforço.


— Tim, sossega! — disse Jessie — Você tá repetindo isso desde que saímos de onde pousamos a nave.


— É que, além de estarmos presos nesse fim de mundo, nós fugimos de um tufão pra vir parar num labirinto de pedras que nem sabemos se tem saída. — Tim reclamou, nervoso.


— O único jeito de descobrirmos é... seguindo em frente. — respondeu Zoe.


— Não temos escolha a não ser ir por qualquer direção que pareça segura. — Austin concordou.


— Esse labirinto aqui nem de longe parece seguro. — retrucou Tim.


— Mas foi a via mais estável pra transitar livremente que encontramos até agora. Saímos da zona desértica. — salientou Damian.


Ruídos vindos de cima das rochas os fizeram paralisar num segundo. Os heróis olharam ao redor vendo pedrinhas caírem de um rochedo próximo.


— Alguém mais tá com aquela suspeita assustadora de que... estamos sendo seguidos? — Jessie questionou.


— Pessoal, temos que ficar juntos em círculo, bem encostados. — recomendou Austin.


— Isso facilita uma visão em 360⁰ do espaço para evitar sermos pegos numa emboscada. — disse Damian.


— É, isso aí. — falou Austin sorriso confiante — Atenção redobrada.


— Gente, tô morrendo de sede. — disse Tim botando para fora a língua sentindo secura.


— Nossa, agora que você falou, também tô. — disse Jessie.


— O kit de suprimentos onde tinha latas de refrigerante guardadas... — disse Damian.


— Beleza! Cadê? — se empolgou Tim.

— O kit de suprimentos onde tinha latas de refrigerante... — Damian lembrou. — Na nave que... adivinha, não nos pertence mais.


— Aaah... Que furada aqueles bandidos nos meteram.


— Nós vamos voltar, não percam a esperança. — disse Austin — Mas admito que sem comida e nem água nossa busca pela cidade não vai muito longe.


Uma pequena garrafa de barro rolou por trás de uma rocha.


— Olhem... Aquilo parece ter água dentro. — apontou Tim.


— Se liga, Tim. Como sabe logo de cara que essa garrafa estranha tem água? — indagou Jessie.


— Garrafa essa que convenientemente surgiu feito mágica pra nós que estamos sedentos. — avaliou Damian.


— Fácil demais. Tim, fica aqui, não pega essa coisa, pode ser uma armadilha. — alertou Austin.


— Eu não... Eu não consigo, Austin, foi mal. Minha garganta precisa de um banho e tem que ser agora. — Tim foi impulsivamente até a garrafa.


— Tim, volta pra cá, depressa. — pediu Jessie em voz meio baixa o chamando com gesto de mão.


— Eles podem ter jogado isso pra te pegar na guarda baixa, vem logo. — reforçou Zoe, aflita.


— Não antes de uma degustação. — disse Tim abrindo a garrafa.


Antes que ele bebesse, um grupo de indivíduos keltonianos surgiu de diversos pontos entre os rochedos e acima deles, pulando próximos aos Rangers e os agarrando com violência, todos trajando mantos negros que deixavam expostos apenas os olhos.


Tim foi imobilizado com uma chave de braço, e os demais foram amarrados individualmente.


— Não! Me larga! — Tim gritou, e a garrafa caiu, derramando a água.


— Nos soltem! — Austin dizia, tentando se desvencilhar das fortes amarras.


Jessie fizera algum esforço e quase se soltara completamente ao pisar no pé de um deles e chutar a barriga de outro, mas deu poucos passos e fora agarrada novamente. A Ranger Amarela se debatia.

— Para, me larguem, seus trogloditas! Pessoal!


— Não somos inimigos! — Zoe tentou argumentar.


— Intercorp! Somos da Intercorp, acreditem! — Austin gritava.


— Nos deixem provar! — pediu Damian.


— Toda prova de inocência deve ser feita somente na presença do rei. — disse um dos encapuzados.


— Se resistirem à prisão, vamos reportar à corte real e vocês serão condenados ao pior calabouço. — o keltoniano que agarrava Tim ameaçou.


— Andando! — ordenou o líder, cutucando os Rangers com um bastão.


— Ai, não faz isso, tá machucando! — Zoe reclamou.


Cara, nos ferramos. E tudo por minha culpa. — fechou os olhos sentindo-se mal, mas abriu um olho com uma expectiva — Aí, ninguém vai dizer: tudo bem, Tim, não precisa se culpar.


— Não está tudo bem e, sim, a culpa é toda sua. — respondeu Jessie, atordoada.


— Do que estamos sendo acusados? — Damian perguntou, sentindo desconforto pelas amarras.


— As perguntas deve ser feitas na presença do chanceler. — disse o keltoniano que o segurava. — E se ousarem resistir, vamos lançá-los nas águas profanas de Saoko. — ameaçou outro.


— Tá aí um lugar que não tô nem um pouco afim de conhecer. — disse Tim.


— Silêncio! — ordenou o líder, e o grupo prosseguiu rumo à cidade real.


***


Já na estação da Intercorp, o clima era moderadamente festivo. Combanautas, em amigos os lados, aplaudiam o regresso da lendária equipe de Rangers no corredor metálico que levava a sala de vigilância.


— Até que tô gostando dessa recepção calorosa. — disse Dresh.


— O futuro tem seu charme. — Wyvoll opinou.


— Kronan, eles ainda mantêm respeito por nós.— disse Makeena a direita do líder — Eu acho melhor nós...


— Você não acha nada, entendeu? — rebateu Kronan, irritado. — O que eles querem manter são as aparências. Voltamos e isso os deixa felizes. Mas e depois? Somos cartas fora do baralho. A única coisa que vamos ganhar são umas medalhas de honra antes de sermos jogados no lixo... de novo.


A porta automática abriu-se, os X-Rangers sendo recebidos com mais salvas de palmas ao se depararem com Leozor e os monitores. Pararam após o fechar a porta e removeram os capacetes.


— Sejam todos muito bem-vindos de volta. Foi uma glória saber que sobreviveram... Ahn, vocês não envelheceram nada. O que explica isso? — Leozor questionou, aproximando-se.


— Depois que aterrissamos em Kelton, nos colocamos em animação suspensa. Queríamos preservar nossas condições físicas até o dia em que fôssemos descobertos. — respondeu Kronan.


— Uns keltonianos mais espertos nos tiraram do nosso sono de beleza. — mentiu Dresh.


— Ah sim, compreendo. — Leozor disse. — Imagino que possam ter firmado um vínculo de muita parceria com o povo de Kelton.


— É, eles vão sentir saudades da gente. — disse Wyvoll com sorriso malicioso de canto, dando uma piscadela para Dresh e Thulo.


— Como seremos reintegrados à força-tarefa? — perguntou Makeena.


— Devido à gerência ser da Central de Comando terraquea, imaginamos que pudessem exercer a função de mentores táticos do atual esquadrão de elite. A propósito, onde estão eles?


— Os nossos substitutos? Não vieram conosco. — Kronan respondeu com um sorriso cínico.


— Senhor, a nave está vazia. Nenhum vestígio físico dos Rangers do Esquadrão Z. — uma monitora avisou.


— Esperávamos que viessem com vocês. Os deixaram na Terra, certo? — Leozor estava confuso.


— Eles encontraram um novo lar... em Kelton. — Kronan largou o capacete e apontou sua arma para Leozor. — Formação de advertência, agora. — Makeena hesitou, recebendo um olhar severo do líder — Eu disse: agora!


Os X-Rangers renderam os funcionários que ergueram as mãos surpresos e temerosos.


— Não se mova, comandante. Essa estação agora está sob nossa chefia. — Kronan declarou.


— Mas o que significa isso? O que estão pretendendo fazer? — Leozor perguntou, irritado.


— Thalo, faça o que torna você útil nessa equipe. — ordenou Kronan.


— É pra já, líder. — Thalo foi até um painel, forçando um monitor a sair, e começou a teclar.


— Ele está acessando o mainframe do sistema de comunicação com a Terra. — disse um vigilante.


— Até decidirmos o que fazer com o senhor, nenhum de vocês fará contato com Thomas Dickerson e sua assistente. — revelou Kronan.


— E o que me impediria de fazer um chamado de emergência?


— Ainda bem que perguntou. Thalo, instale o programa.


A tela foi preenchida por um alerta de vírus com o símbolo de Lokknon.


— Não pode ser... Isso é ultrajante! Como tiveram a audácia de se aliar a um membro da Aliança Imperial? — Leozor se surpreendeu.


— Da mesma forma que tiveram coragem de nos largar naquele planetinha que virou poeira. — Dresh rebateu.


— Se foram negligenciados, eu não posso me responsabilizar! Era uma outra gestão, outra mentalidade de comando!— Leozor argumentou.


— Que duvidamos muito que tenha mudado. — Makeena disse.


— Valores e normas mudam com o decorrer da história. — argumentou Leozor — Os maiores pilares que defendemos permanecem intactos, que são a honra, o respeito, a integridade e a justiça. Baixem as armas e vamos resolver isso de um modo pacífico. — Leozor insistiu.


Kronan disparou um laser no teto para intimidar.


— Estávamos prontos para deixar aquele planeta moribundo, mas fomos deixados para trás como meros objetos.


— A pessoa que deve confrontar não está em mais nenhum cargo. Eu não mereço ser culpabilizado por erros de terceiros, isso é tolice! — argumentou Leozor.


— Se qualquer um de vocês, especialmente você, ex-comandante, estabelecer contato com a Terra para nos denunciar, o vírus implantado ativará uma detonação de bomba. Todo esse maldito lugar viraria uma nuvem de pedaços de lixo espacial. — Kronan explanou.


— Por meio de nanorrobôs configurados para explodirem com as palavras-chave que disser. — Thalo revelou.


— Pensando bem, faça contato com esse Dickerson. — disse Kronan — Como Thulo explicou, a detonação só é ativada se a mensagem tiver um tom de denúncia e urgência com palavras específicas.


— Você terá que mentir dizendo que o Esquadrão Z está a caminho da Terra após deixar nós em segurança aqui na estação. — disse Makeena.


— E depois? O que farão? — perguntou Leozor.


— Uma visitinha a Terra para conhecermos a Central de Comando. — respondeu Kronan com sorriso de canto que despertava uma repulsa em Leozor.


***

Na Terra, Jellyphamton, no terraço de um edifício, produzia uma nova bomba: uma gigantesca esfera de gelatina verde flutuante. O monstro emanava uma aura verde formando uma pequena bola gelatinosa e atirando na esfera maior telecineticamente.


— Essa minha nova bomba de néctar será infalível!


Flint e Mason vinham pilotando suas Beasts Cycles lado a lado na pista do centro semi-esvaziado de pessoas.


— Essa é a maior bola de meleca que eu já vi alguém fazer! — disse Flint.


— Alguém bateu seu recorde. — falou Mason em zoação.


Dickerson contatava-os:


— Muito bem, rapazes, divisão de tarefas: Mason deve atrair a atenção de Jellyphantom enquanto Flint deve subir naquele prédio para disparar a bomba vaporizadora e destruir esse globo de gelatina.


— Fechou! — disseram ambos em uníssono.


Contudo, um exército de Psycho-Bots surgira em teleporte barrando-os no meio do caminho.

— Aí está a muralha que não conseguirão atravessar! — Mudok apareceu sobre uma cabine telefônica — Ataquem!


Os robôs dispararam com os detonadores, as explosões dos tiros ocorrendo em volta da dupla Ranger que acelerou as motos.


— Eu sabia que um monte desses lixos ia nos atrapalhar! — falara Flint — Caiam fora! — disparou lasers dos faróis, atingindo alguns robôs com explosões.


Mason improvisou um carro de tração como rampa subindo com a moto e disparando seus lasers roxos enquanto no ar, acertando uns robôs. Ao voltar para o chão, andou apenas com a roda dianteira e a traseira levantada, disparando mais lasers que atingiam em cheio vários dos soldados.


Flint inclinou sua moto disparando contra Mudok que pulou da cabine telefônica em meio às explosões de faíscas. O androide pousou, sacando um controle ao virar-se rápido para os Rangers.


— Ativar Modo Trovão! — apertara o botão.


Os Psycho-Bots transformaram-se e atacaram com mais agilidade e energia. A dupla saltou das Beasts Cycles para combate-los fisicamente. Mason desviava dos golpes de dois robôs, os derrubando com socos ágeis na barriga e mais outro num chute com pulo.


Flint dava chutes em cima de uma van, derrubando um a um. Três robôs dispararam raios dos detonadores, levando o Ranger Marrom a saltar escapando das explosões de faíscas. Ao pousar, dera uma rasteira num robô que vinha atacar e depois uma sequência de socos noutro terminando com um chute que o jogou contra dois de seus pares.


— Emissor ultrassônico! — Mason invocara sua arma, logo disparando vibrações em Psycho-Bots tentando lhe cercar, os mandando contra carros e postes de placas.


Dera um salto praticamente voando ao disparar mais ondas vibratórias atingindo três robôs caindo com explosões de fogo.


— Mangual Rompante! — Flint chamou pela sua arma — Vamos testar uma manobra novinha! — girou a bola espinhosa do mangual com a mão esquerda segurando o cabo, a força giratória o tirando do chão e permitindo voo com a arma simulando uma hélice de helicóptero.


Com a mão direita, sacou a pistola Z e disparou atingindo certeiro alguns robôs.

— Manda brasa, Mary Poppins! — dissera Mason, antes de criar um túnel de ondas vibratórias, derrubando e desmontando quatro robôs.


Seis robôs dispararam em cerco contra Flint ainda no ar girando a bola do mangual, os disparos elétricos sendo absorvidos pela arma.


— Opa, não fazia ideia que podia fazer isso! Animal! — disse ele, impressionado.


— O poder secreto do mangual rompante simula a força de um para-raio com dez vezes mais eficácia. — explicou Dickerson, satisfeito — Impulsione seu corpo pra baixo e bata o mangual no solo com o maior impacto possível.


Flint seguiu a orientação de Dickerson, impulsionando-se para baixo e batendo o mangual no chão com força. O impacto gerou um pulso elétrico que dispersou violentamente os robôs, reduzindo-os a peças avariadas.


Jellyphamton voou em forma de gosma transparente, derrubando a dupla com estouros de faíscas, logo reassumindo sua forma original e visível.


— Que rufem os tambores para a contagem final até o impacto da minha super bola de néctar!


Mason se pôs à frente de Flint.


— O Sr. Dickerson tá confiando na invenção dele junto ao meu emissor pra tirar o Owen de dentro desse gosma podre. — falou Mason, desafiante.


— São esses dois patetas as últimas esperanças dos heróis coloridinhos? É a piada do dia, hahahaha!


— Então cai dentro pra ver se somos tão fracos quanto você pensa! — disse Mason, desafiante.


— Você que pediu! — Jellyphantom disparou seus espinhos dos tentáculos. Mason contra-atacou com ondas do emissor paralisando os espinhos no ar.

— A potencialização das ondas será ativada com o chip nesse instante. — disse Dickerson mexendo no painel — Já! — apertou Enter.


As ondas adquiriram um tom arroxeado e, com a intensificação delas , o corpo de Jellyphantom ficou trêmulo alternando entre sólido e intangível em ritmo acelerado. Owen enfim era ejetado para fora das costas do monstro, o Ranger Verde encapsulado em gosma verde brilhante com raios que saiu rolando ao chão.


Jellyphantom caíra de joelhos com raios dançando pelo seu corpo, retomando suas cores naturais. Flint e Mason saltaram para socorrer Owen que tentava desesperadamente sair da cápsula de gelatina.


— Calma aí, maninho! Vou te tirar daí com minhas patas de urso. — falara Flint que levou as mãos a gelatina, rasgando a cápsula com força bruta — Mason, fica de olho no nojento aí.


— Esse chip bem que podia ficar sempre no meu emissor, dá uma carga absurda de forte nele. — Mason disse.


— Meus parabéns pelo sucesso na missão, mas lamento dizer que o chip foi criado com durabilidade única pra essa ocasião. — disse Dickerson.


— Então já esgotei a energia dele? Poxa...


— Mas sua arma já é forte e efetiva com a potência original. Usando suas armas com inteligência e foco, uma pequena barreira será rompida a cada desafio. — declarou Dickerson com tranquilidade.


Owen saía do casulo gelatinoso, sendo levantando por Flint.


— Argh, tô coberto dessa gosma que tem cheiro de maionese estragada. — reclamou o Ranger Verde — Mas valeu vocês dois por terem me salvado.


— Agradeça ao Mason, ele que arregaçou com o maluco da gelatina.


— Quem diria hein. Você não querendo roubar o crédito. — brincou Mason ao lado do amigo.


— Haha, valeu mesmo, Mason. Foi essa sua arma que substituiu o atordoador, né?


— Não apenas ela, o Sr. Dickerson deu uma carga extra, então ele também merece um obrigado.


— Que beleza, valeu, Sr. Dickerson. Mas só acho que não vou conseguir lutar muito bem encharcado dessa coisa.

— Permita que eu lhe apresente o sistema de autolimpeza dessas versões atualizadas dos uniformes. — revelou Dickerson, ativando um comando remoto que fez o traje de Owen emitir brilhos de energia como água passando pelo corpo.


— Olha só, lavagem e secagem rápida. — disse Flint.


— Adeus, lavanderia. — falara Mason, aprovando o recurso — Gostei.


— Agora tô limpinho e cheiroso pro round final. — Owen disse, determinado.


— E agora? O que tá pegando com ele? — questionou Flint.


— Parceiros, alguém me diz que isso não é nada bom pra nós. — disse Mason.


— Não mesmo! Olhem só! — apontou Owen para Jellyphantom que assumira definitivamente a forma verde — Ah não, ele ficou como estava quando me possuiu!

— Nunca cantem vitória sem vencerem a guerra! — Jellyphantom disse, disparando um tiro de gelatina energizada que explodiu fortemente atrás dos Rangers, tirando-os do chão.


— Jellyphantom absorveu os poderes do Ranger Verde enquanto parasitava Owen. — Dickerson disse, tenso.


— Não duvido que planejou isso prevendo que tivesse o Owen removido dele facilmente. — falara Karen.


O monstro ergueu as mãos.


— Desça, minha gloriosa bola de néctar!


A atração psicocinética de Jellyphamton trouxe a bola gelatinosa verde em velocidade estável.


— Essa bolona gigantesca vai afetar a cidade inteira! — Owen disse, levantando-se. — Deixem ele comigo e vocês cuidam de mandar essa gelatina tamanho família pro espaço.


— Eu acho estratégico. — concordou Mason — Você que lidera a equipe B.


— Peraí, mas podia ser eu, né? Ursos são mais fortes que gorilas. — Flint reclamou, mas foi puxado por Mason para lidar com a esfera.


— É só você e eu daqui pro final, Jellyfrouxo! — Owen disse, sacando a Adaga Kong — Sabre Kong, materializar — a lâmina foi alongada transformando-se no sabre — Saindo um água-viva fatiada no capricho! — avançou bravamente.


Na Central de Comando, Karen avisou Dickerson sobre a videochamada de Leozor.


— É o comandante Leozor de novo. Já se passaram duas horas desde que eles partiram.


— Coloque ele no vídeo, talvez queira dar uma informação complementar.


Karen apertou Enter para ativar a videoconferência. Leozor apareceu na tela forçando naturalidade na postura.


— Vim lhes informar de que a missão infelizmente não transcorreu efetiva. Mas o Esquadrão Z está bem, a nave já iniciou a rota de retorno à Terra. Fomos avisados de que não havia vestígios do Esquadrão X na cidadela central de Kelton.


— Então o que pode explicar a existência do sinal de rádio? — Dickerson perguntou, intrigado.


— As respostas virão quando eles voltarem. Trate de repassar os detalhes a mim ainda hoje, Dickerson. — Leozor encerrou a transmissão abruptamente.


— Foi... um fim de transmissão bem súbito, não acha? Ele nem disse tchau. — Karen observou.


— Eu não vi nada demais. O Comandante deve estar estressado, principalmente depois de saber da missão ter sido inútil. Agora ficou difícil focar no que eu estava trabalhando.


— E o que é isso? — Karen perguntou.


— É o que vai garantir a mais absoluta vantagem de Owen, ao menos em teoria.


Owen saltava com sua Beast Cycle entre os carros, desviando dos tiros de gosma explosivos de Jellyphantom. O Ranger Verde dera um salto mais alto com a moto, as explosões de fogo do outro lado. Voltou ao chão, fazendo um drift, logo acelerando em direção ao monstro e disparando lasers contra aos quais ele resistia andando totalmente alheio aos estouros de faíscas.


A motocicleta se envolveu de energia verde como fogo ultrapassado o limite quando Owen ativou o Modo Missil Turbo, mas o monstro segurou fortemente a moto, sendo empurrado com um rastro profundo no solo feito pelos seus pés. Anulou a aceleração da moto, jogando-a para o alto, logo em seguida disparando espinhos dos tentáculos que atingiram Owen no ar mandando-o para longe até bater num poste.


— Não tem pra ninguém! Meu máximo me torna o máximo! — gabava-se o monstro.


Owen reergueu-se, tenaz.


— Sobreviveu ao meu Sabre Kong e à Beast Cycle, mas duvido sobreviver a isso aqui: Colete Zoomorph! — a armadura surgiu em seu torso — Modo Fúria Animal, ativar! — o traje forma base foi substituído pelas partes do power-up. Destacou seus punhos vigorosos — A brincadeira acabou de terminar!


Owen correu, usando os punhos primatas para defender-se dos ataques gelatinosos que explodiam faíscas. Ao encurta a distância, energizou o pingo direito.


— Essa é a fúria do gorila, aaahhh! — desferiu um soco potente que mandara Jellyphantom contra um prédio feito um boneco.


Do rombo causado no edifício, o monstro saiu meio zonzo.


— Minha bússola mental tá meio desregulada...


— Se orienta e volta aqui pra me enfrentar! — desafiou Owen batendo os punhos entre si.


Jellyphantom se recompôs e avançou rápido esticando os tentáculos com espinhos ao chão e se locomovendo através deles.


— Só porque tá improvisando com os tentáculos, não quer dizer que ficou maior!

O monstro disparou mais tiros de fluido que Owen rebatia desfazendo-os com pulsos de energia em socos. Jellyphantom foi acertado por dois pulsos, o desequilibrando nos tentáculos.


— Opa, vai cair!


— Não vou, não! — Jellyphantom cuspiu uma porção gelatinosa que formou um anel, aprisionando os punhos de Owen. — Esse meu fluido será indestrutível quando endurecer em dez segundos! — Jellyphantom usou mais tentáculos em ataques explodindo faíscas e volta de Owen.

— Se Owen não quebrá-lo a tempo, essa chuva de tiros vai desativar o Fúria Animal. — observou Karen.


— Acabei. — disse Dickerson — A salvação de Owen foi engatilhada. Como estão indo Flint e Mason?


Os zords Morcego Púrpura e Urso Pardo pilotados por Flint e Mason avançavam pela cidade.


— É agora, parceiro! Tá pronto? — disse Mason.


— Tá falando com o cara que nasceu pronto! Vamos somar um mais um! — respondeu Flint.


— Ativar conexão Megazord! — bradaram eles em uníssono.


Ambos os zords unificaram-se, logo formando uma nova versão do Gigante Cavernoso.


— Gigante Cavernoso V2!


— Hora de voar! — disse Mason que destravou as asas do seu Morcego Púrpura, o robô logo alçando voo diretamente a bola gigantesca verde.


— Para gerar o nível correto de atrito e vaporizar a gelatina, usem a Dupla Lança Selvagem com a função giratória. — recomendou Dickerson


— Beleza! Dupla-Lança Selvagem, ativar! — disse Mason. A arma surgira em teleporte nas mãos do robô que seguiu voando.


— Ataque furadeira! — disseram em uníssono, a ponta girando velozmente e penetrando fundo na gelatina, o que refreou sua descida bruscamente.

Dickerson voltou sua atenção a Owen:


— Escute, Owen, o seu modo Super Fúria Animal já está disponível! Ative-o antes que essa gelatina endureça. Mas lembre-se que dura somente um minuto.


— Super Fúria Animal?! Nossa, até que enfim! — disse Owen recuando em passos trêmulos com as explosões faiscantes e agressivas.


— Eu não consigo enjoar disso, é tão divertido! — falava Jellyphantom sem cessar os disparos.


— Vou te mostrar se é divertido tomar um belo troco! — disseram Owen, pronto — Modo Super Fúria Animal, ativar!


O Ranger Verde foi tomado por uma poderosa luz que o modelou a figura de um gorila similar ao seu zord. O anel de gelatina rompeu-se instantaneamente. Ele rugiu alto batendo no peitoral parrudo.


— Você vai encarar a fúria do gorila aumentada em cinquenta vezes! — avançou como um gorila feroz.


Agarrou os tentáculos do monstro, rodou-o girando em si mesmo e o lançou para o alto. Owen saltou, agarrou-o no ar por trás.


— Que tal um abraço confortável?


O corpo animalesco do Ranger Verde se iluminou de energia, girando ao segurar Jellyphantom durante a queda. O impacto fora tremendamente destruidor, levantando poeira. Owen logo regrediu a forma base Ranger ao saltar da cratera.


— Me virei bem nos 60, não foi?


Karen respondeu:


— Você arrasou, mas Jellyphantom ainda continua intacto, muito embora você tenha conseguido enfraquece-lo. —


A chance de ouro é essa, Owen, não perca. — Dickerson orientou.


Mas antes que o Macro-Detonador fosse chamado, a marca relativa a fera lendária da Raposa Cryog brilhou no seu antebraço direito.


— É a sua fera sagrada que você finalmente vai libertar. O totem deve estar num ponto próximo à você. — encorajou Dickerson.


— E... achado! Se encontra a duas quadras de você. Vá depressa. — Karen o orientou.


— O GPS do meu visor tá captando! Valeu! — disse Owen que correra sem perder tempo.


— Espere aí, não fui derrotado! — falou Jellyphantom ao levantar reorientado — Meu corpo inteiro tá dolorido e vou te fazer sentir uma dor muito pior!


Owen correu até o local, perto da entrada do parque ecológico, sendo perseguido pelo monstro.


— Aí está! Venha até mim, Raposa Cryog, seu guardião a convoca!


O totem resplandeceu em luz verde-água e a fera sagrada enfim saíra como de um portal.


— Caraca, você é grandinha hein! Mas é belíssima! — Owen exclamou, subindo nela. — Você e eu seremos a dupla mais fera da trindade!


Cryog deu um uivo agudo, seus olhos brilhando. No outro lado do centro, o Gigante Cavernoso V2 continuava a luta contra a esfera de gelatina.


— Os níveis de energia estão caindo mais rápido que essa bolha gosmenta tá evaporando! — alertou Flint.


— Aumentem a potência de giro ao máximo. — Dickerson instruiu.


— Dupla-Lança Selvagem, potência máxima! — bradaram.


A ponta ferveu até incandescer como ferro em brasa no giro que acelerou ao ápice do limite e a evaporação da bola gelatinosa respondeu eficiente, o vapor verde se dispersando como se explodisse nos céus. A dupla comemorou eufórica batendo as mãos.


Jellyphamton alcançou Owen, mas notou o sumiço da sua "bola de néctar".


— Uh, o quê? Onde foi parar minha bola de néctar superior? Cadê ela?

— Virou fumaça, eu vi daqui! — Owen respondeu.


— Ah, não! Foram aqueles outros dois fedelhos Rangers, vão me pagar! Mas vou terminar com você antes! Esse seu cão brabo não me assusta rosnando pra mim!


O monstro disparou seus espinhos dos tentáculos,as a Raposa Cryog reagira a altura ao soprar um forte vento gélido que congelara os projéteis em pleno ar.


— Vamos nessa, Cryog! Investida com tudo! — Owen comandou.


A fera avançou e derrubou Jellyphantom com um pulo, forçando-o a fugir. O monstro tentou reerguer-se, mas seu corpo estava coberto por crostas de gelo. Parou num freio e virou-se para o lado oposto.


— Que sensação horrível, meu corpo parece estar... parando quanto mais me movo!


— Macro-Detonador! — Owen invocou a arma. — Pra quê flash paralisante, né? Olha pra você, mal se aguenta em pé! Preparar, apontar... Fogo!


A esfera verde eletrizada atingiu Jellyphantom em cheio, que caíra explodindo em fumaça branca, seis pedaços voando pelos ares.


— Parabéns aí pra vocês dois, mandaram super bem! — deu um joinha para o Gigante Cavernoso que sobrevoou por ali e parou retribuindo o gesto.


— E pra você também pelo novo zord de estimação! — falou Mason.


— O zoológico tá crescendo, hahaha! — disse Flint, animado.


Minutos depois, a nave da Intercorp antes tripulada pelos Z-Rangers aterrissava na área do observatório espacial. O sinal de permissão de pouso soou no monitor central.


— Eles chegaram. — disse Dickerson, ansioso e contente pelo retorno de seus pupilos — Vou recebe-los.


— Vou mandar a nave de volta à estação pelo console digital. — definiu a tecnóloga.


O explorador assentiu e saíra da sala de controle. Dentro da nave, os X-Rangers reuniam-se em círculo no comportamento da carga.

— Fixem os discos nos cintos conforme o Mudok explicou. — Kronan (Vermelho) disse.


Os Rangers renegados exibiram discos metálicos e adaptáveis ao centro dos cintos nos quais acoplaram, assumindo disfarces holográficos que mimetizavam fielmente os Z-Rangers.


— Virei um nerd caretão com esses olhos quadrados. — disse Wyvoll emulando Damian resmungou.


— Tá reclamando de barriga cheia, parceiro. Olha pra mim: virei uma garota com esse cabelo ridículo preso. — Dresh reclamou, emulando Jessie.


— Temos que preservar o disfarce como um todo. Mantermos cada detalhe inalterado. — disse Kronan na aparência de Austin.


— Mantermos cada detalhe inalterado. — disse Thulo na pele de Tim.


— Não basta imita-los na aparência. — salientou Makeena com rosto e voz de Zoe — O jeito de ser deles também é importante pra não levantar suspeitas. Aliás, bem mais importante.


— O Thulo vai ter trabalho dobrado então. — disse Dresh — Ele não consegue ser engraçado e descolado como aquele Ranger Azul. Troca com o Wyvoll, o nerd é mais sua cara.


— Não, eu vou me esforçar dentro do possível.


— O Mudok esqueceu de nos passar um curso de artes cênicas. — disse Wyvoll.

— Seremos atores com ou sem orientação prévia. Vamos. — finalizou Kronan.


Dickerson recebeu-os fora do observatório, andando até a nave cuja rampa baixava com os farsantes descendo.


— Bem-vindos de volta.


— É bom estar em casa... de novo. — falou Wyvoll, falso Damian, olhando em volta — O sol continua brilhando forte e o ar continua puro. Essa é a minha boa e velha Terra.


— Aí, fecha o bico e não estraga tudo. — disse Dresh, falsa Jessie, em tom baixo com a boca torta.


— Se é um conselho, então dá o exemplo, mané. — retrucou o Ranger X5.


— Sigam-me porque eu, a Karen e o comandante queremos sanar nossas dúvidas sobre o fiasco que foi essa missão. Eu lamento.


— Estamos todos bem, isso é o que importa, Sr. Dickerson. — falara Kronan.


— Vocês desmorfaram antes ou depois de cruzar a atmosfera? — Dickerson perguntou.


— Ahn... Foi depois, bem depois. — mentiu Makeena, falsa Zoe. — Nossas forças esgotaram pela pressão da aterrissagem e... do que passamos lá em Kelton.


— Vamos contar tudo que aconteceu. — disse Kronan.


— OK, vamos entrar. — falou Dickerson virando-se e andando em retorno ao observatório sendo seguido pelos renegados.


Kronan caminhava sorrindo com a boca de Austin em puro cinismo, fixando suas ideações vingativas para varrer a Intercorp do espaço.


CONTINUA NO PROXIMO EPISÓDIO


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