Power Rangers: Esquadrão Z

58 O X da Questão (Parte 1)


Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Um sinal de rádio é captado pela Intercorp, trazendo uma mensagem acerca do Esquadrão X, cujo paradeiro se situa num distante planeta. Com o suporte do comandante, os Rangers embarcam na missão espacial, mas não gostam nada do que encontram ao chegarem. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!


Uma ocasional missão noturna entre os cinco principais Rangers representava um desafio que pressionava aguçar a intuição ao máximo para evitar a ocorrência de um erro que custaria o valor moral da operação. Os heróis corriam por uma rua nos arredores de um supermercado a procura de sinais da criatura monstruosa e glutona que havia saqueado parte do estoque do estabelecimento.

— Não parem, ele está logo ali! — Austin os liderou.

Dickerson, vidrado nos monitores ao lado de Karen, fizera contato sugerindo uma linha de ação mais funcional.

— Boa, Sr. Dickerson. — Austin concordou. — Divisão em grupo: eu e o Tim vamos por aquele lado, enquanto Damian, Jessie e Zoe barram a saída.

Os quatro assentiram e executaram o plano. O alvo empurrava um carrinho abarrotado de compras, reclamando das rodinhas barulhentas. De repente, Damian, Jessie e Zoe saltaram do teto do estacionamento quase vazio, bloqueando sua passagem. Logo depois, Austin e Tim surgiram discretamente por trás.

— Você já... — Tim começou a falar, mas Austin rapidamente tapou sua boca, indicando silêncio, ambos atrás de uma picape preta.

— Pode ir parando aí! — Jessie bradou, apontando sua pistola Z.

— A sua noite divertida de roubos termina aqui! — Zoe adicionou.

— Estamos dando a você uma última chance de rendição. — Damian condicionou. — Não se mexa e o levaremos preso. Não acha melhor assim? Você fica vivo, mas encarcerado numa cela confortável na Intercorp.

— Vocês só podem estar brincando... — o ladrão, com a aparência de um senhor idoso e gorducho, desafiou. — Teriam coragem de ferir um pobre idoso faminto que não tem nada na geladeira?

— O senhor que está usando como hospedeiro certamente não é do tipo que rouba supermercados! — rebateu Damian com o dedo trêmulo no gatilho.

— O seu jogo já era, se desfaz dessa fantasia de humano e encara a gente pra valer. — ordenou Jessie, impaciente — Você já perdeu, acabou!

— Estamos nisso há três dias, já cansamos desse pega-pega sem graça! — reforçou Zoe.

— Só que eu não, hehehehe! — disse o velho, cujos olhos brilharam em rosa violeta e seu sorriso se tornou macabro com dentes afiados.

O trio se aproximou com as pistolas em riste.

— E lamento que esse plano tenha falhado lindamente! — a criatura, que se chamava Jellyphamton, revelou-se, liberando tentáculos rosas com pontas vermelhas saindo do maxilar.

— Eu não estaria tão certo disso! — Damian retrucou.

— Cadê o vermelho e o azul? Ah sim, devem estar... bem aqui atrás! — disse a criatura que subitamente virou-se disparando espinhos venenosos dos tentáculos no carro atrás do qual Austin e Tim haviam se escondido. Os disparos estouraram faíscas em volta do veículo. A dupla saíra em saltos para a direita (Austin) e esquerda (Tim).

— Acabou de vez, Jellyphantom! — disse Austin, revelando um emissor de ondas em forma de antena via satélite — Olha que presentinho legal trouxemos! — mirou e disparou com a arma que liberou as ondas verdes ultrassônicas contra Jellyphantom.

O monstro se atordoou atingido pelas vibrações, logo se desprendendo do corpo humano ao subir como uma alma fantasmagórica, a vítima caindo de frente e inconsciente.


— Jessie, Zoe, tirem o senhor daí! — mandara Austin. As duas foram avançando em cambalhotas ágeis.


— Ele vai escapar feito um fantasma de novo! — alarmou Tim — Pega ele, Austin!

Austin tentou atacar com mais ondas, mas Jellyphantom flutuou, quase invisível, desviando dos ataques.

— Não conseguem me pegar quando estou tocável, muito menos intocável! Aqui vai um conselho de inimigo: desistam! — o monstro zombou, disparando espinhos em Austin e Tim, que desviaram das explosões de faíscas.

— Isso que é osso duro: quando fica igual fantasma, ele pode nos atacar, mas nós não! — reclamou Tim após pousar num carro.

— Colete Zoomorph! — Damian ativou a proteção corporal — A brincadeira de fantasma vai acabar agora mesmo! Marreta Avalanche! — a arma surgira em suas mãos.

A bateu fortemente no chão, produzindo uma onda de choque que estilhaçou vidraças e ativou alarmes. A cacofonia torturou Jellyphantom, que voltou à sua forma material, caindo.

— Damian, cara, os donos desses carros vão ficar doidinhos! — disse Tim, impressionado.

— Não faz meu estilo, mas tive que apelar. — Damian justificou.

— Afinal, não tinha ninguém melhor pra derrubar o fantasma melequento. — Jessie concluiu.

Austin tentou um chute duplo, mas o monstro o neutralizou com os tentáculos e o arremessou contra uma coluna, onde derrubou um extintor.

Ativando os coletes, Jessie e Zoe saltaram em ataque, desferindo chutes com giros que eram defendidos pelo monstro com toda habilidade. Tim viera saltando ao desferir um corte em X com as barbatanas no instante que Jellyphantom prendera as garotas com suas tentáculos, cortando-os facilmente.

— Valeu, Tim! — Zoe e Jessie agradeceram, se soltando.

— Minha vez! — Damian correu com a marreta.

— Sim, sua vez de perder, idiota! — Jellyphantom cuspiu uma gosma rosada que atingiu a marreta de Damian.

O monstro regenerou os tentáculos antea perdidos e os lançou contra o trio, os envolvendo de uma única vez e conduzindo uma corrente elétrica vermelha excruciante.

— Droga... essa gelatina torna minha marreta mais pesada! — Damian se esforçou em remover a substância.

Jellyphantom lançou pulsos ópticos em Damian, derrubando-o com explosões faiscantes.

— Aí, não esqueceu de mim, né? — Austin disse, surgindo em cima de uma van com o extintor.

Ele mirou a mangueira no monstro, esguichando uma espuma branca em jato que o desestabilizou. A descarga elétrica cessou, e os tentáculos que prendiam Jessie, Tim e Zoe afrouxaram.

— Gostou do banho? Detonador Max! — Austin disparou com a pistola, libertando os amigos.

Dickerson informava uma novidade:

— Austin, uma forma evolutiva do detonador foi desbloqueada. Agarre essa chance com unha e dentes de leão.

— Já consigo visualizar! Valeu, Sr. Dickerson! — respondeu Austin vendo o novo design no visor.

Ele lançou a pistola para o ar. A arma se transformou no Deflagrador Max, uma versão mais comprida e de longo alcance.

— Como é que faço pra tirar esse negócio branco pegajoso do meu corpo? Tá ardendo! — resmungou Jellyphamton.

— Sinal de que funcionou! — exclamou Jessie.

— Pessoal, se afastem, lá vai bombardeio! — disse Austin que logo disparou com gosto os lasers do Deflagrador Max.

— Ah, minha intangibilidade voltou! — Jellyphantom celebrou, tornando-se transparente. Ele se desfez em gosma em meio aos tiros explosivos, deslizando para um bueiro e escapando.

— Ah não, mas que droga! — frustrou-se Austin descendo da van num pulo — Escapou pelos nossos dedos... de novo. — os amigos se aproximaram.

— Já repararam que ele sempre foge pelas entradas do esgoto? — disse Zoe

— Muito bem observado. — concordou Damian.. — Tenho a sensação de que essa rota não é aleatória.

— A Karen e o Sr. Dickerson só conseguem rastreá-lo até certo ponto pelos esgotos, né? — Jessie perguntou.

— Na forma fantasma ele é imune ao radar. — explicou Austin — Mas a questão de ele fugir pelo esgoto ainda me deixa encucado.

— Será que ele estoca mais comida lá embaixo? — especulou Tim.

— Mesmo que pudéssemos segui-lo, já tá bem tarde pra descobrirmos. — afirmou Austin.

— Podem encerrar por hoje, Rangers. A caçada a esse monstro escorregadio continua amanhã. Tenham uma boa noite. — concedeu Dickerson

— Durmam bem, até amanhã. — disse Karen.

— Vocês dois também, obrigado por tudo. — respondeu Austin — Bem, vamos indo nessa.

— Ah, qual será a próxima arma pra caçar essa água-viva? Uma rede daquelas que o Bob Esponja usa? — Tim ironizou.

— Enquanto tivermos o atordoador-satélite, ele não fica preso a nenhum corpo por muito tempo. — Austin ressaltou, otimista.

O senhor que havia sido possuído se levantou, confuso.

— Será que podiam procurar minha lista de compras? Como foi que vim parar no estacionamento?

— É, turma, acho que temos um tempinho pra uma missão extra. — comentou Austin, bem-humorado.

Jellyphamton finalizava seu trajeto nas tubulações de esgoto. Ao chegar a uma área aberta com vários túneis, ele retomou sua forma normal. Ao parar frente aquilo pelo qual estava lutando para alimentar, retornara a sua forma normal.

— Voltei pra te nutrir de mais do meu néctar, minha lindeza! — disse o monstro que logo enfiou as pontas dos seus tentáculos na coisa gelatinosa — Cresça, cresça mais, você já está quase no tamanho perfeito pra engolir essa cidade inteirinha! — ele falou, enquanto a esfera aumentava de tamanho.

Submerso no centro da gosma, um aparelho retangular com um Led vermelho piscava, emitindo um bipe baixo.

***

Ainda naquela noite, Lokknon se abrira a h lazer incomum a sua rotina, mais precisamente assistir dramalhões televisivos, após vários pedidos de Aracna que naquele instante se prestou a um serviço de manicure ao imperador enquanto ele acompanhava os desfechos da trama folhetinesca. A cena de um casamento estonteante concluindo a história incitava uma postura emotiva em Aracna que sentia os olhos marejados.


— Impressão minha ou você está a beira de uma crise de choro por causa do final ridículo dessa novela entediante? — questionou Mudok.


— Não vou ter uma crise. — respondeu ela, áspera — E a história não é ridícula. Mas esse final... Ah, tinha tido pra terminar tão bem num envenenamento mútuo. Só que não, eles tinham que se reconciliar pra depois casarem, eu tô inconformada, isso merecia ser reescrito!


— Ai, Aracna! — rosnou Lokknon afastando sua mão esquerda nua — Você quase me arrancou um pedaço do dedo anelar! Vou precisar dele quando... quando... — olhara novamente para a tela do visualizador, os noivos felizes correndo em meio a uma chuva de arroz jogada pelos convidados.


— Quando se casar, mestre? — indagou Aracna.


— Ver essa cena feliz e festiva me deu náuseas, mas em compensação... me reacendeu a chama de um antigo desejo de dar orgulho aos meus pais conquistando uma futura rainha. É uma promessa que fiz eles e há tempo de cumpri-la.


— Mas, mestre, o rei e rainha de Nemethea se tornaram ecos espirituais pelo infinito! — relembrou Barooma — Essa promessa foi invalidada!


— Não precisa me recordar que eles partiram, Barooma! — rebateu Lokknon recolocando sua manopla esquerda — De algum lugar do éter cósmico, eles devem estar me observando esperançosos com o dia da coroação da rainha que estiver destinada a mim.


Theron chegava na sala com seu elegante andar.


— E acho que sei onde possa obter uma esposa legítima, mestre. — disse o mordomo-ciborgue entregando um folheto ao imperador — Acabei de voltar do planeta Savagah para comprar mantimentos e me deram este anúncio publicitário.


Lokknon pegara o papel e leu rapidamente cada palavra. Um sorriso confiante desenhou-se e sua face.


— Theron, eu não sei o que seria de mim sem você, isso é genioso. Uma organização contrabandista está promovendo um leilão de escravas, de rejeitadas pela família a delinquentes com ficha corrida. Está marcado para amanhã.


— As inscrições ainda continuam valendo, mestre. É uma excelente oportunidade. A sua rainha pode estar lá.


— Algo me diz que estou no caminho traçado para liquidar a dívida com os meus pais. Já se foram anos de desgosto sendo um rei solitário. Mudok, vá até Savagah e inscreva o meu nome. Amanhã farei uma viagem buscando preencher esse vazio que me consome.


***

Na manhã seguinte, a Angel Grove Middle School contemplava um novo ano de aulas intensivas naquele início de bimestre que celebrava a chegada de rostos novatos e a permanência de veteranos nas seis classes. Flint e Mason chegavam com suas mochilas de alças diagonais indo até Jessie e Zoe que conversavam perto dos armários.

— E aí, gatinhas? Dormiram bem sonhando com o que não fizeram nas férias? — perguntou. Mason — Porque eu tive foi pesadelos.

— Olá, rapazes. Nós dormimos super tranquilas. — Jessie respondeu, e Zoe concordou, rindo.

— Mas afinal, quem fica ansioso pro primeiro dia de aula? — questionou Flint, virando-se para seu armário. Ele viu Damian, Tim e Austin se aproximando. — Ah, é, você, Damian.

— Eu o quê? E bom dia pra você também, Flint. Você também, Mason. — Damian respondeu, recebendo um joinha de Mason.

Zoe se pronunciou a responder:

— Você é um dos poucos alunos aplicados que não se sente exausto ao voltar pras aulas, porque, assim como eu e a Jessie, você gosta de estudar novos conteúdos.

— É que o Flint pensa que todo mundo já deveria nascer sabendo matemática, ciências e história. — brincou Mason.

— Nascer sabendo tudo também não, né? — retrucou Flint. — Se eu fosse adulto e tivesse um filho, ele aprenderia as matérias básicas em casa com aulas particulares.

— Então você é dos que apoiam o ensino doméstico, né? Olha, nunca tive nada contra. — comentou Austin.

— Mas e o resto das matérias? — indagou Tim.

— Documentários cobrem as matérias. E, depois, ele faria um curso de língua estrangeira e entraria numa faculdade pública decente. Não tem erro. — explicou Flint.

— É uma pena te informar que esse modelo só funciona na teoria. — discordou Damian.

— E o que o senhor CDF tem a dizer pra me provar que estou errado? — provocou Flint cruzando os braços com sorriso irônico de canto.

— Xiii, lá vem discussão que nem debate político. — disse Tim baixinho perto de Austin que segurou um riso.

— A maioria das universidades não aceita estudantes que aderiram ao ensino doméstico como único meio de aprendizagem, a não ser em casos bem estritos, como uma deficiência física. — argumentou Damian.

— Ah é? Então a escola é uma obrigação empurrada pelo estado. — resmungou o Ranger Marrom.

— Não gasta saliva com ele, Damian. O que ele não gosta mesmo é de acordar cedo. — interveio Mason.

— Até parece que você gosta. — retrucou Flint — Ou vão dizer que nunca aconteceu de eu ter que ir na sua casa te arrancar da cama?


— Isso rolou mesmo? — quis saber Jessie, curiosa.


— Rolou sim, lembro até da cueca que ele usava, de bolinhas vermelhas daquelas bem a cara de bebês. — revelou Flint que ria tirando sarro.


— Peraí, cara, não foi bem assim. — disse Mason meio envergonhado entre os risos — Cala essa boca, não espalha pra geral. — falou em voz baixa com expressão irritada.


Austin se manifestou:

— Sabem, eu também não curto muito estudar, mas sempre acordo de boas depois que as férias de verão acabam quando eu sei que passei de ano. Isso não é o bastante pra ficar satisfeito?

— É, tá bom, dou meu braço a torcer. — Flint concordou. — Passar de ano no colégio dá uma sensação de vitória bem gostosa.

— Me pergunto se o Brock e o Stuart passaram pro 7⁰ ano. — disse Zoe.

— Eu não me preocuparia com aqueles dois manés. — rebateu Mason.

— É até bom que eles tenham se ferrado. — adicionou Tim.

— Seria um castigo adequado, a lei do retorno agindo. — reforçou Damian.

— Repetir de ano é a pior coisa que pode acontecer. Eles não mereceriam isso. — falou Jessie, desconfortável.

— Pra eles tanto faz. — Não estão nem aí pra nada, só querem bagunçar e curtir com a cara dos outros. Repetindo ou passando de ano, eles não vão mudar. — concluiu Austin.

Owen chegava com uma notícia um tanto previsível:

— Acabei de confirmar: Brock e Stuart novamente como nossos colegas de classe.

— Owen, você já tinha chegado?! Caramba, você acampou em frente ao colégio, só pode. — Mason se surpreendeu.

— É verdade que você mora na biblioteca? — brincou Flint.

— Ele geralmente é o primeiro a chegar. A gente até tenta se inspirar nele, mas é bem mais difícil que gabaritar teste-surpresa. — comentou Austin.

— Owen, como você conferiu a lista de chamada antes de todo mundo? — perguntou Zoe.

— Aí vem a boa notícia: virei embaixador da leitura do colégio. — contara ele com certo entusiasmo.

— Isso é algum título de honra? — Tim se mostrou ansioso em saber.

— Basicamente, me traz alguns benefícios. — explicou Owen.

— Como olhar a lista de chamada primeiro? Grande benefício. — Flint ironizou.

— Pega leve, não se diminui a conquista de ninguém. — repreendeu Austin.

— O título dá acesso ilimitado a livros sem tempo de devolução e posso indicar livros para provas. O que acharam?

— Como um bom amante de livros, tô feliz por você, maninho. — felicitou Mason dando um soquinho amigável na mão de Owen — Ei, cara, diz alguma coisa. — pediu a Flint.

— Você mereceu, parabéns. — Flint apertou a mão dele.

— Eu digo o mesmo. — dissera Tim.

— Não estão sendo irônicos, né? — perguntou Owen, desconfiado.

— Relaxa, essa novidade significa muito pra você e pra toda a escola. Você é o mais qualificado para ocupar esse cargo. — disse Damian.

— Ouvir isso do vice-presidente do grêmio me enche de moral, hahaha. — disse Owen batendo sua mão na de Damian.

— Nossa biblioteca tem um embaixador de respeito. — elogiou Jessie.

— Meus parabéns, Owen. — Zoe o abraçara.

Brock e Stuart vinham dos fundos do colégio passando em meio aos vários alunos e avistaram a turma dos Rangers. Porém, Brock apontou para uma interação específica.

— Ih, olha lá, Stuart. O topetinho de gel tá de azaração com a Zoe.

— Esse loiro metido vai ver só. Me passa aí a geleca. — Stuart pegou a massinha gelatinosa verde e a engatilhou em um bodoque, mirando em Owen.

Jessie notou o perigo e avisou:

— Owen, se abaixa!

Nesse mesmo instante, Stuart disparou a geleca. Num ágil reflexo, Owen abaixou a cabeça. Acabou que a massinha colorida acertara no diretor Brewster que passava ali próximo aos Rangers, a geleca grudando em seu bigode grisalho.

— Mas o que...

— Ops, sujou. — murmurou Stuart, tenso.

Brewster tentava arrancar a geleca do bigode, mas tamanho seu esforço que acabou por arranca-lo, denotando que era postiço. O diretor, enfezado, fuzilou a dupla com o olhar enquanto os Rangers ficaram surpresos com aquilo. Tim, Damian, Mason e Flint tentaram segurar as risadas.

— O ano letivo mal começou e vocês já me causando aborrecimento! Pra diretoria comigo!

Ele puxou os dois pelas orelhas, ignorando as desculpas.

Os garotos Rangers riram, mas cessaram quando Brewster parou e virou a face zangada a eles.

— Não estão caçoando do meu... — ele se interrompeu, guardando o bigode.

— Não, de jeito nenhum. — Austin se defendeu. — A gente sempre cai na risada quando esses dois se dão mal, é automático.

— Hum, levarei isso em consideração. Quanto a vocês, farão uma redação sobre o colonialismo britânico a ser entregue ainda hoje. — Brewster continuou seu caminho com os garotos.

Após a porta ser fechada, os meninos soltaram as risadas a todo vapor. Porém, Brewster abrira a porta de súbito para conferir se ele era o alvo da risadaria, olhando para os garotos com expressão severa.

Eles mudaram as posturas e semblantes na hora, Tim, inclusive, assobiando enquanto mexia no seu armário. O diretor apontou com o indicador a eles como sinal de advertência e fechara a porta, apenas para os garotos voltarem aos gracejos, mas desta vez mais comedidos.

— Ai, ai, agora entendo porque nós, garotas, amadurecemos mais cedo. — Jessie revirou os olhos.

— Verdade. — concordou Zoe — Homens da idade do diretor Brewster usam bigodes postiços como mulheres usam perucas e não há nada de piada nisso.

Em paralelo, Lokknon aprontava-se para ir ao leilão em Savagah, e vinha voltando de seu quarto exalando sua autoestima soberba.

— O que acharam da minha capa nova? — ele perguntou a Aracna e Mudok.

— Ahn, sem querer ser indelicada... Mas tá a mesma coisa das capas que o senhor usa todos os dias. — respondeu Aracna.

— Grrr, Aracna, eu esperava uma análise mais apurada de você que tem tanto apreço por moda. — reclamou o imperador, bravo.


— Minha especialidade tá mais voltada pra moda feminina, é isso, mestre. — justificou ela, dando de ombros com expressão nervosa.


— Pare de desculpas baratas, Aracna. — repreendeu Mudok — A capa que o mestre está usando hoje é impecável. Cada fibra de polímero sintex é perceptível graças a essa lavagem.


— E é assim que se julga uma vestimenta imperial de grife. — dissera Lokknon mais calmo.


— Claro, é fácil pra ele que pode ver tudo com esses olhos de robô. — disse Aracna que fizera careta mostrando a língua para Mudok.


— Mestre, sua nave já se encontra em prontidão para voar até Savagah com rota já programada para o local do leilão! — avisara Barooma.


— Faça uma ótima viagem, mestre Lokknon. — disse Theron aproximando-se — Gostaria de saber qual é exatamente o perfil de esposa que se enquadra nos seus requisitos.


— Ah, Theron, vou deixar que meu coração faça essa escolha. Mas ela deve possuir uma elegância única e um instinto de autoridade semelhante ao meu.

— Mudok, o comando temporário da nave é seu. Verifique os detalhes do plano alternativo. — instruiu Lokknon

— Ah sim, mestre. Já tenho tudo sob controle em relação a armadilha ultrassecreta e infalível contra os Rangers. Será o início do fim de todos eles.

— E quanto a você, Aracna... Se encarregue de detonar a bomba no subsolo da Alameda dos Anjos. Quero tudo em ordem quando eu voltar.

O imperador saíra da sala rumo aonde estava sua nave em modo de espera.

— A tarefa que me cabe perfeitamente, né? Estourar uma bomba enquanto o comando fica pro Mudok. Justo, muito justo. — resmungou Aracna.

— Esse é o máximo pra alguém que não sabe nem mesmo tirar as cutículas das unhas do mestre. — redarguiu Mudok.

Aracna soltara uma teia do seu pulso contra a boca do androide, silenciando-o.

— Sabe, Mudok, eu te acho um general mais eficiente assim. — disse ela passando por ele e falando ao pé do seu ouvido — Caladinho.

O androide rosnava para ela tentando remover as teias com raiva. A nave compacta saíra espaço afora diretamente ao planeta conhecido por sua fama comercial de grandes empreendimentos alienígenas.

***

À tarde, os oito Rangers se reuniram na Cantina do Earl para lanchar depois de um jogo de basquete onde os garotos enfrentaram uma turma da zona leste. Earl, trouxe uma torta gigante para a mesa.

— Chegando o segundo troféu da equipe vencedora. — ele disse, colocando a torta de glacê tamanho família.

— Que beleza, Earl, nessa você caprichou. — elogiou Austin.

— Dá aquela vontade de enfiar a cara e comer feito bicho. — comentou Flint.

— Se quiser, posso pegar uma porção bem cheia e jogar na sua cara. — brincara Mason.

— Se você estiver afim de começar uma guerra de torta, vai fundo. — desafiou o Ranger Marrom.

— Meninos, a hora é de comemorar, não de fazer bagunça, tá bom? — interveio Zoe, controlando a empolgação.

— É mesmo, nada de guerra de torta, passei pano no chão hoje de manhã. — brincou Earl.

— Hum, é mesmo, tô até vendo meu reflexo no piso. — reparou Tim olhando para o chão.

— Capricha na cozinha, na limpeza... — disse Jessie lambendo os dedos ao pegar um pedaço — No que mais você é craque, Earl?

— Pingue-pongue. Sabiam que fui campeão de um torneio juvenil quando eu tinha a idade de vocês?

— Sério? Me amarro em tênis de mesa, mas nunca pratiquei. — disse Owen — Na maioria das vezes eu ficava só olhando ou sendo o juiz.

— E você ainda mantém a prática, Earl? — indagou Damian.

— Que nada, enferrujei total. Basta olhar pra essa pança cheia aqui, hahahah. — respondeu Earl rindo de si — Caiam de boca na torta, vocês merecem.

— Valeu mesmo, Earl, você é o melhor. — Austin agradeceu.

— O pedaço maior podia ir pra quem fez mais enterradas, não concordam? — sugeriu Tim.


— Não, vamos saborear essa obra de arte em partes iguais. — contrariou Damian.


— E quem enterrou mais? — indagou Jessie.


— Adivinha. — disse Owen gesticulando com a cabeça e os olhos para apontar a Tim que estava sua esquerda.


— Ah, tinha que ser! Ninguém tá surpreso, hehehehe. — disse Zoe levando os amigos a rirem da ideia folgada do Ranger Azul.

O clima de celebração foi interrompido pelo toque dos comunicadores.

— Ah não. — Jessie ficou tensa.

— O Sr. Dickerson vigia a gente, né? — brincou Mason.

— Ele e a Karen só monitoram quando estamos em ação. — salientou Damian.

— O dever tá chamando, galera. — apressou-se Austin. — Pode ser outro ataque do Jellyphantom.

— Eu já tô de saco cheio daquela água-viva asquerosa. — confessou Jessie, se levantando.

— Abandonar uma torta dessas... Ah, cara, tô me sentindo um criminoso. — reclamou Tim também levantando.

— O Earl vai pensar o quê se ver que a gente sumiu? — perguntou Flint.

— Nessas horas, isso nem mesmo importa. — disse Owen.

O grupo seguiu Austin para fora da cantina. No corredor, ele atendeu a chamada de Dickerson.

— Na escuta, Sr. Dickerson.

— O Comandante Leozor tem uma informação urgente. Precisam vir agora.

— É sobre o Jellyphantom? — indagou Zoe.

— Não, mas seguimos tentando rastrear as atividades dele a todo instante. Vocês gostam de surpresas, né? Vão encarar uma. Até eu e a Karen ficamos espantados.

— Tá OK, estamos indo. — dissera Austin — Vamos logo antes que apareça alguém e nos pegue no maior flagra.

Os heróis teleportaram-se a Central de Comando como pilares de luzes nas suas respectivas cores, ávidos em saber da tal notícia surpreendente.

— O senhor sabe atiçar um mistério tão bem que meu apetite pela torta do Earl desapareceu. — comentou Tim, ansioso.

— Estamos todos com frio na barriga. — Zoe concordou.


Karen se virou para eles na cadeira giratória.

— A Intercorp recebeu um sinal de rádio instável com um áudio. — a tecnóloga levou as mãos ao painel, teclando rápido — Ouçam. — apertou Enter.

A gravação soou com estática, seguida de uma voz intermitente e rouca: "Nós sobrevivemos... Estamos prontos para voltar para casa... Só precisamos de uma carona...".

— Mas quem enviou essa mensagem, afinal? — perguntou Jessie.

— A origem do sinal partiu de uma fonte de transmissão que se pensava estar desativada. — explicou Dickerson de braços cruzados perto dos Rangers — Uma fonte que pertencia ao antigo Esquadrão X.

— A primeira equipe de Rangers da Intercorp? — questionou Owen — Eles ainda estão vivos?

— Eles foram dados como desaparecidos após uma missão intergalática fracassada em 1975. — informou Karen.

— Mas por que só agora resolveram mandar um sinal? — perguntou Austin.

— Talvez tenham vagado universo afora com recursos precários. — especulou Dickerson — Até que conseguiram se instalar em um planeta com tecnologia para aprimorar o canal de transmissão.

— Eles devem ter sofrido bastante. — Zoe comoveu-se.

— Se sobreviveram, só prova que são Rangers de muita garra e coragem. — disse Flint.

— Será que vão finalmente resgatá-los? — perguntou Mason.

— O Comandante Leozor tem a resposta na ponta da língua. — disse Dickerson, abrindo a videochamada, a imagem de Leozor preenchendo a tela principal.

— Saudações, Rangers. — os heróis cumprimentaram o chefe operacional intergalático — Como já devem estar cientes, o Esquadrão X se revelou localizado em um planeta distante. Ele se chama Kelton e abriga poucas nações populosas. Há décadas a Intercorp acreditou que eles teriam sido liquidados pelas tropas de Wengstar, um dos membros da Aliança Imperial após a missão falha no planeta Phirius que foi engolido por uma estrela em colapso no dia da operação.

— Peraí, ou achavam que eles estavam vivos ou que tinham virado poeira. — questionou Tim.

— Eles tinham uma energia e trabalho em equipe incríveis, então acreditamos que conseguiram escapar a tempo. Mas como não houve retorno, desativamos a linha de comunicação. — esclareceu Leozor.

— Eles devem ter conseguido uma tecnologia bem avançada pra mandar o sinal. — concluiu Austin.

— Kelton evoluiu bastante, não é um planeta desconhecido por nós. — afirmou Leozor — Eu encarrego aos cinco Rangers principais do Esquadrão Z a uma missão de resgate.

— Somos a única esperança deles pra voltarem ao que eram antes. — ressaltou Zoe com firmeza de objetivo.

— Mas temos que ter cuidado, né? Porque, gente... Anos 70. — disse Jessie — Eles foram Rangers no tempo dos nossos avós. Devem estar bem velhos e frágeis, tadinhos.

Dickerson esclareceu um fato:

— Eles se alistaram ao programa da força-tarefa XYZ quando tinham exatamente as idades de vocês. Em torno de 11 e 12 anos, a partir do alistamento em 1973, portanto devem estar por volta dos 50 anos.

– Ou seja, velhos. — falara Tim.

— 50 anos é meia-idade, mas não é a velhice ainda. – rebateu Owen.

Leozor prospectava algo benéfico aos Z-Rangers:


— Com toda a experiência que eles detém, traze-los de volta será de suma importância para que expandam seus conhecimentos.

— Concordo, podem ser mestres de treinamento. — avaliou Karen.

— Mas nós já botamos pra quebrar nas lutas. — comentou Mason.

— E já treinamos bem no simulador sozinhos. — reforçou Flint.

— Mas imaginem só, vocês sendo treinados por uma geração veterana de Rangers com alto nível de performance. — Dickerson os incentivou.

— Tá aí que isso deu vontade de conhecê-los. — empolgou-se Owen.

— Eu toparia na hora ser treinado por um Ranger mais forte e mais experiente que eu. — afirmou Austin.

— Pra se situarem melhor, aqui vão as fichas básicas de cada um deles. — Dickerson mostrou fotos dos membros organizadas em grade. Ele ampliou a primeira imagem. — Este é Kronan, Ranger X1 vermelho, o líder da equipe que coordenava as operações de um jeito bem fiel ao programa treinador. Às vezes até demais.

— Hum, até que ele é gatinho com essa cabeleira selvagem. — declarou Jessie denotando interesse — O que você achou, Austin?

— De cara... ele me parece ser um líder bem dedicado e comprometido, talvez eu possa aprender umas dicas com ele.

— Eu não vi nada demais nele, não. — opinou Mason de braços cruzados — Essa juba e essas tatuagens na cara fazem ele parecer um bicho do mato.

— Só que ninguém te perguntou. — brincou Flint.

— E não se pode julgar um livro pela capa. — reforçou Zoe, entrando na brincadeira.

A seguir, Dickerson mostrou a foto de Makeena, a Ranger X2 rosa.

— Vamos lá, próximo membro: Makeena. — falou Dickerson abrindo a próxima imagem mostrando uma garota de cabelos ondulados marrons colocados de lado, expressão séria e também com marcas faciais singulares — A Ranger X2 rosa, ela foi aceita no programa por cortesia e se provou merecedora com seu desempenho notável nos testes.

— Por cortesia?! Só tinha ela como mulher na equipe? — Jessie ficou indignada.

— Anos 70, amiga. As mulheres não eram tão valorizadas nessa época. — explicou Zoe.

— Este é Thalo, Ranger X3 azul. — falou Dickerson mostra a foto do membro mais destoante pela sua aparência alienígena distinta com pele azul — Perito em ciência e tecnologia, vindo do planeta Aquos, vizinho de Aquitar. Ele basicamente fazia o papel que é seu hoje, Damian.

— Acho que tô olhando pra um futuro mentor estrategista e científico. — comentou Damian.

— Este é Dresh, Ranger X4 amarelo. Ele era o membro mais entusiasmado do time, assim como você, Tim.

— Então ele seria meu mentor? Não fui muito com a cara dele, ainda mais com essa máscara de carnaval.

— Essa máscara é parte da cultura nativa do seu planeta, Baltargh, de ocultar rostos. — explicou o mentor.

Por fim, ele mostrou Wyvoll, o Ranger X5 verde, a imagem mostrando um garoto afro-americano com cabelo black power rebaixado.

— Agora o último, Wyvoll, ele tinha uma inclinação notória pra engenharia mecânica, não era a toa que o chamavam de "o encantador de máquinas".

— Ah, desse aí eu gostei. — reagiu Tim, sorrindo — Curti esse visual bem anos 70.

— Nossa, agora que conhecemos eles, tô louquinha pra conhecê-los de pertinho. — disse Jessie, animada.

— Principalmente o X1, né? — provocou Mason. — Relaxa, Mason, ele tá guardado pro Austin. — Jessie respondeu.

— Bem que eu sabia que o Austin tinha um tipo ideal, hahaha. — brincou Mason.

— O que você tá querendo dizer? — Austin perguntou com um sorriso de canto.

— Hahaha, nada não, deixa pra lá. — respondeu Mason, dando um tapinha nas costas de Austin.

O soar brusco do alarme estremeceu a todos, deixando-os em profundo alerta. Karen rastreava o sinal anômalo.

— Jellyphantom atacando novamente. Ele possuiu mais um corpo, agora na área comercial do centro que está lotada.

— OK, Rangers, vocês devem ir imediatamente. — ordenou Dickerson. — Flint e Mason ficam aqui de reserva.

— Mas não temos que ir a Kelton ainda hoje resgatar o Esquadrão X? — Damian perguntou.

— Uma nave estará sendo enviada a vocês dentro de uma hora. — informou Leozor. — Se desafiem a liquidar esse monstro antes do embarque.

— Não poupem esforços, usem o Fúria Animal e o Super Fúria Animal. — instruiu Dickerson. — Tem que ser hoje.

— Essa água-viva nojenta já causou um montão de problemas. — disse Zoe.

— Então tá na hora dele sofrer o karma: todo mal que é causado volta pra quem fez em dobro. — disse Austin sacando sua célula e morfador — É por isso mesmo que... tá na hora de morfar!

— Touro Ônix!


— Tubarão Cobalto!


— Gorila Esmeralda!


— Arraia Rósea!


— Águia Flavescente!


— Leão Escarlate!

Os Rangers saltaram para o terraço de um prédio de dez andares, alinhados observando o mar de pessoas transitando na zona central.

— Nossa, parece até que o natal chegou mais cedo com esse povo todo junto indo as compras. — comentou Tim.

— É gente demais, vamos levar mais do tempo que temos antes de irmos pra viagem. — apontou Jessie.

— A Jessie tá certa, mesmo com nós seis nos separando pra procurar Jellyphantom, essa lotação dificulta e só nos tomará tempo. — falara Damian.

Mudok surgiu atrás deles via teleporte.

— Querem uma ocupação mais interessante? — ele provocou, jogando no ar as esferas que continham Psycho-Bots.

Os robôs caíram no meio da multidão, que se dispersou em pânico com os tiros explosivos.

— Mudok! Você só tava esperando a hora perfeita pra nos desconcentrar! — exclamou Austin.

— Sem problema, galera! — amenizou Owen. — Vou eu sozinho procurar o gelatina rosa enquanto vocês cuidam dos soldadinhos.

— Boa, Owen! Mas vê se toma cuidado, ele é muito esperto. — consentiu Austin.

O Ranger Verde saltou para longe, e os outros o seguiram para enfrentar os robôs que não cessavam os disparos.

— A gente tá na área pra acabar com essa farra de vocês, seus bundões! — Tim chutou um robô, desarmando-o e depois outro com um giro seguido de um pulo.

Jessie e Zoe davam saltos de lado esquivando dos tiros que explodiam faíscas ao mesmo tempo disparando com as pistolas Z, atingindo certeiro alguns deles. Damian agia como um touro, arremessando dois robôs contra uma van causando fortes estouros de faíscas.

Já Austin testava um movimento novo ao atirar com a pistola Z rodando de ponta a cabeça apoiando-se apenas no dedo indicador esquerdo, os tiros acertando todos os robôs próximos.

— Quem tá afim de uma segunda rodada? — disse o líder ao ficar de pé.

Três robôs dispararam, o Ranger Vermelho dando um giro em si mesmo em meio às explosões de faíscas.

— Detonador Max! — invocou a pistola vermelha voltando-se aos robôs e mirando-a. Disparou três vezes, destruindo os detonadores, o que fizera o trio se afligir ao ponto de fugir.

Em paralelo, Owen corria pela multidão chamando atenção.

— Mãe, é o Ranger Verde! — apontou um garoto de mão dada com sua mãe — Posso ir até ele pedir um autógrafo, por favor?

Um carrinho de sorvete passava por uma esquina tocando uma musiquinha.

— Ah, mas podíamos tomar um sorvete, né? — o garoto correu até o carro, animado.

— Aaron, volta aqui! — disse ela, logo correndo atrás do filho, mas deixando cair sua bolsa — Ah não... — voltou para apanha-la. Nesse meio tempo, Owen percebera.

A sorveteria móvel acabou virando de encontro ao garoto. O Ranger Verde saltara, pousando perto de Aaron e o agarrando em proteção, a dianteira do carro colidindo com suas costas e amassando dramaticamente.

— Te livrei do perigo, agora volta pra sua mãe. E nunca mais solte da mão dela! — disse Owen antes de se virar para o motorista que tentava fugir — Que tipo de sorveteiro tenta atropelar um cliente?

Usando a visão térmica, Owen detectou o motorista como o monstro que procurava.

— É, do tipo que usa carros de sorvete roubados. Te peguei, seu geleca.

Disparos da pistola Z derrubaram o falso sorveteiro.

— O cerco fechou, Jellyphantom! Vou te tirar dessa casinha onde você entrou sem pedir licença! — Owen declarou.

O sorveteiro levantou-se, com os olhos amarelos brilhantes.

— Tinha esquecido do verdinho cor de vômito! — o monstro zombou.

— Dessa vez não escapa! Atordoador-satélite! — Owen invocara a arma que surgiu na sua mão direita, logo disparando as ondas vibratórias sobre o corpo do sorveteiro que chacoalhava enquanto Jellyphantom em sua forma transparente era ejetado — Beleza, acho que seguro o Macro-Detonador enquanto eu mantenho ele assim!

— Owen, eu não recomendaria isso. — alertou Dickerson.

— Jellyphantom tem uma astúcia comprovada. — disse Karen — Além do mais, o Atordoador-satélite não pode liberar ondas continuamente por mais que um minuto.

— Acreditem, vai funcionar! — Owen insistiu, mantendo Jellyphantom no ar enquanto o sorveteiro corria em pânico — Macro-Detonador! — o canhão surgiu sobre o ombro direito, mirado no monstro.

— Essa não, já se passou um minuto! — Karen se afligiu.

O atordoador falhou, cuspindo faíscas.

— O quê? Já estava pronto pra detonar! — Owen reclamou, soltando a arma.

— Hahaha, você é meu próximo terno pra usar na festinha que eu preparei! — disse Jellyphantom que se direcionou para a boca do canhão, adentrando na arma.

Dickerson colocou as mãos na cabeça, preocupado.

— Outra vez ele foi um grande teimoso. Era isso que não devia acontecer.

Owen sentiu que havia perdido o controle de sua arma.

— Ei, o que é isso? É como se... tivesse ganhando vida e quisesse se soltar de mim!

— Jellyphantom entrou dentro do Macro-Detonador e está o controlando! — avisou Karen.

— Admito que ele foi mais rápido no gatilho!

O monstro, de dentro da arma, a soltou das mãos de Owen, flutuando no ar e mirando nele.

— Vou te arrancar fora do meu canhão nem que seja rasgando ele ao meio! — declarou Owen, sacando a Adaga Kong.

— Não se ficar paradinho no seu lugar! — Jellyphamton piscou o flash paralisante, imobilizando Owen. — Preparar, apontar, fogo!

O tiro foi uma esfera de gosma rosa que envolveu Owen. Raios verdes começaram a faiscar em torno dele, a gelatina tingindo-se de verde e se modelando ao seu corpo.

— Não, sai de mim, seu geleca nojento!

— Você tá paralisado, não pode me expulsar!

Uma luz verde preencheu o corpo, transformando a gosma em uma versão verde de Jellyphantom. O monstro logo exibia seu corpo modificado e tingido de verde.

— Eu queria um espelho agora só pra me ver nesse novo e poderoso visual! Jellyphantom acaba de atingir o supremo poder!

Dickerson e Karen se assustaram.

— A nave está quase chegando e agora acontece isso. — comentou a tecnóloga.

Flint e Mason voltavam dos fundos da base comendo salgadinhos.

— Que caras são essas? — perguntou Mason.

— Rolou alguma coisa barra pesada? — Flint quis saber.

— Odeio ser pessimista, mas o pior ainda nem começou. Vocês entrarão em ação logo mais. — dissera Dickerson.

Pelos esgotos, Arranca caminhava enojada co na água insalubre correndo por entre seu pés.

— Mudok, você ainda me paga caro por me mandar detonar essa maldita bomba!

— Ande logo com isso, Aracna! E não reclame da minha pressão, estou no comando por ordem do mestre. — Mudok retrucou na sala central da nave.

— Tá bem, tá bem, mas pelo menos podia ter me dado uma máscara de proteção, né? Ai! — se desequilibrou quase caindo.

— Se derrubar esse controle, vou até aí e afogo você nessa água! Vamos, depressa!

— Falar como o mestre não faz de você comparável a ele, sabia, Sr. General de Elite?

A princesa aracnídea aproximou-se da enorme esfera de gelatina rosa.

— Aqui estou eu a cinco metros. — ela ativou o controle. — Prontinho, apertei o botão.

O explosivo fora detonado espalhando a gelatina em peso pelas tubulações. Aracna gritara e se teleportou rápido de volta a nave para evitar se sujar, porém...

— Oh, veja só! Rosa fica melhor em você. — Barooma zombou.

Aracna estava inteiramente lambuzada de gelatina.

— Não foi muito ágil, né? — provocou Mudok.

— Aaaaaaahhh, eu odeio rosa! — ela se enfureceu intensamente.

A onda gelatinosa transbordou para fora dos esgotos como um tsunami e aterrorizando a todos que estavam no raio de incidência. Dickerson e Karen contataram os Rangers que haviam terminado de lutar contra os Psycho-Bots.

Os efeitos da gelatina foram rapidamente constatados por Dickerson e Karen. Contataram os heróis que haviam terminado com os Psycho-Bots.

— Rangers, agora sabemos o que Jellyphantom tanto fazia nos esgotos. — dissera Dickerson.

— Ele acumulou uma grande quantidade do seu fluido gelatinoso para transformar numa bomba que acabou de ser detonada. — informara Karen — E continua saindo pelos bueiros na zona leste como aquelas fontes termais!

— Essa gelatina tem o poder de paralisar tudo o que toca submetendo a um estado parecido com o de animação suspensa. — alertara Dickerson.

— Caramba, se tivéssemos adivinhado... — lamentou Austin.

— Tá, mas cadê o Owen? — Tim perguntou.

Dois raios verdes foram disparados e recairam sobre os heróis que saíram do chão com a explosão forte de fogo.

A resposta veio com dois raios verdes disparados em direção aos heróis que saíram do chão com a explosão forte de fogo. Jellyphamton se aproximou, exibindo sua nova aparência.

— Estão todos bem? — Austin perguntou ao se levantar — Jellyphamton...

— Não apenas ele. — avisou Karen, tensa — Owen também.

— Não nos diga que... — disse Damian reerguendo-se meio ferido.

— Ele mudou de pele, mas e daí? Vamos arregaçar com ele! — Tim disse, destemido.

— Acho que não vão querer ferir o amiguinho de vocês aqui dentro! — Jellyphantom provocou, batendo no peito.

— Então ele... possuiu o corpo do Owen?! — exclamou Zoe .

— O poder Ranger assimilado fez com que Jellyphantom o prendesse dentro do próprio corpo. — Dickerson explicou.

— Ele inverteu os papéis de hospedeiro e parasita. — Damian confirmou.

— Nesse momento só nos resta lidar com a onda de gelatina. — disse Austin — Não podemos enfrenta-lo correndo o risco de machucar o Owen.

— Mas ainda temos o atordoador-satélite! — disse Jessie.

— Correção: tinham! — falara o monstro — Aquela arma fritou depois que o verdinho abusou dela!

— Mesmo que ainda o tivessem, as vibrações não afetariam Jellyphantom nesse estado. — ressaltou Dickerson — Afinal, a dinâmica se inverteu, não funcionaria de jeito nenhum.

— Eu já sei o que fazer. — disse Austin — Chamar o Pássaro Ignnus pra incinerar essa coisa!

— Vai lá, tenta! Eu duvido que faça um estraguinho sequer no meu néctar!

— Está bem, Austin. — concedeu Dickerson — Mas saibam que faltam apenas seis minutos para a nave vir busca-los.

— Atrasem ele enquanto eu e o Ignnus detemos a onda! — Austin ordenou.

— Certo! — disseram os quatro em uníssono.

Austin saltara para o topo de um prédio, logo erguendo sua mão direita.


— Pássaro Ignnus, seu domador o convoca!

A ave mística flamejante saíra do portal dimensional soltando seu piado agudo. Austin rapidamente saltara para montar sobre ela.

Enquanto isso, Jellyphantom não emorenedia muitos esforços, seja cuspindo sua gosma esverdeada explosiva contra Tim e Damian, os derrubando no meio do caminho que avançavam para ataca-lo, ou disparando seus espinhos de tentáculos contra as meninas, causando explosões de faíscas.

Zoe corria na direção do monstro usando o ferrão de arraia rebatendo agilmente os espinhos em meio aos estouros faiscantes. Jessie veio do lado oposto ao dele voando baixo com as garras raptoras. Mas Jellyphantom se tornou intangível, fazendo com que as Rangers atingissem uma à outra.

— Sabem que não podem me ferir facilmente e ainda assim tentam! — Jellyphantom zombou, voltando a ser tangível.

— Ai... Foi mal, Zoe, me desculpa. — Jessie se desculpou, levantando-se.

— Não foi culpa sua... — Zoe respondeu, trêmula. — Ele sabia que você vinha atrás.

Uma bola de fogo viera até Jellyphantom atacando-o de inesperado, causando uma explosão intensa de tira-lo do chão. O autor do ataque não era ninguém menos que o Pássaro Ignnus voando por ali. Austin saltou da ave e pousou ao lado de Tim e Damian, que estavam sujos de gosma.

— Tim, Damian.. Tudo bem com vocês?

— Até a hora de largamos a torta do Earl estava sim. — disse o Ranger Azul levantando.

— Essa gosma dele só é pegajosa, não tem nenhum efeito adverso. — avaliou Damian.

As meninas correram até eles.


— A gente tá com os minutos contados pra embarcar. — disse Zoe.


— Mas nada de aparecer essa nave. — disse Jessie.

— Me pegou desprevenido, não foi, Ranger Vermelho? Pois saiba que descumpriu sua estratégia ridícula de não machucar seu amigo, ele é parte do meu ser agora! — Jellyphantom provocou.

— Aquilo foi mais para te desorientar, não pra ferir sério! — retrucou Austin.

Karen contatava:

— A nave da Intercorp cruzou a atmosfera e está se dirigindo até vocês, Rangers.

— Flint e Mason assumirão a partir daí. Não arrisquem mais nenhum ataque de alta carga. — instruiu Dickerson.

— Mas o que eles dois vão poder fazer? — indagou Tim.

— Vamos contar com um chip que instalei no emissor ultrassônico de Mason, capaz de prolongar o tempo de execução contínua. — definira Dickerson olhando por cima do ombro para Flint e Mason atrás dele.

— Tô maluco pra chegar nesse desgraçado e testar a força do emissor além do limite. — empolgava-se Mason esfregando as mãos.

— Contra nós ele vai soltar pum de tanto medo que é capaz do Owen sair dele na hora. — disse Flint que socou de leve a palma esquerda.

A nave viera detectando a presença dos tripulantes escolhidos e chegara ao centro, freando no ar e baixando alguns metros.

— A gente tá de saída, melequento! Sayonara! — Tim se despediu.

— Mas e quanto a mim? Destruíram minha onda de néctar e agora me deixam de lado?! Desistiram de salvar o amiguinho de vocês? — Jellyphantom perguntou, ultrajado.

— Fica aí esperando que nossos outros amigos vão cuidar de você, se prepara! — Jessie alertou.

Os Rangers apressadamente subiram a rampa curta da nave que não tardou a decolar de modo automático bastando a entrada deles. A nave decolou, mas Jellyphantom preparou seus tentáculos para atirar. De repente, um corte brutal de espada cortara-os.

— Ah, meus tentáculos! Quem fez essa barbaridade? — o monstro reclamou.

Mudok se aproximou guardando a espada d metal negro.

— Foi você, seu homenzinho de ferro velho! Eu tava com os Power Pirralhos na mira perfeita pra derruba-los naquela coisa! Seus circuitos estão pifando ou o quê? Isso foi loucura!

— Meus circuitos estão em perfeito funcionamento. Os Rangers devem partir sem obstáculos até o destino.

— Mas por que deixar eles irem embora assim? Eu odeio isso! — Jellyphantom se enfureceu.

Mudok o agarrou pelos tentáculos mais grossos.

— Escute aqui, nada que o mestre planejou coloca você no centro de tudo! Você não é o plano A, nem o B, nem o C, nem nada!

— Eu já entendi, me solta! Meus tentáculos são como cabelos!

— Que pelo visto podem crescer de novo. Aproveite que tem o Ranger Verde sob controle em você e não se contenha diante dos últimos dois Rangers que restam.

— Por que fala comigo como se fosse a chefia?

— Porque o mestre me pôs no comando temporário, o que obriga você a me obedecer! — Mudok respondeu em tom autoritário.

— OK, OK, você quem manda! Mas qual é mesmo o plano principal do mestre Lokknon?

— Essa informação é confidencial para soldados de baixa patente como você. — respondeu Mudok antes de se teletransportar.

— Baixa patente!? Eu tenho o Ranger Verde e me tornei incomparavelmente mais forte! — Jellyphamton reclamou, saindo para as ruas em sua forma gosmenta, aterrorizando as pessoas.

Cruzando o espaço, a nave com os Rangers a bordo acelerava.

— A imensidão do espaço sempre vai superar o desejo humano de explorá-lo. — observou Damian, sentado ao lado de Tim.

— Gente, não acham que foi no mínimo estranho o Lokknon não ter nos impedido? — perguntou Jessie, intrigada.

— Ele não moveu uma palha. — Zoe concordou.

— Menos Rangers em campo, menos chance de derrota pra ele. — Austin especulou.

— Coitado dele, tá subestimando legal o Flint e o Mason que talvez nem precisem do Fúria Animal contra aquele geleca nojento. — acreditou Tim.

— Mas os poderes de Owen se mesclaram aos do Jellyphantom. Isso pode exigir um reforço à altura. — Damian ponderou.

— O Sr. Dickerson tem o trunfo na arma do Mason. Vai dar tudo certo. — Zoe tentou tranquilizar.

O radar indicou a proximidade do planeta Kelton.

— Estamos chegando, pessoal. Apertem bem os cintos. — instruiu Austin.

A nave atravessou a atmosfera sem nenhum transtorno ou falha mecânica, a aterrissagem também se fazendo bem-sucedida levantando poeira naquela paisagem árida e desértica.

— Sabem de uma coisa? É bem mais bonito lá de cima. — comentou Tim ao caminhar os primeiros passos com os amigos na superfície keltoniana — Aqui é tudo tão... laranja. O céu, a areia, o clima... Estamos no Saara alienígena.

— A nave foi programada para aterrissar em uma região desabitada porque os nativos não são hospitaleiros. — Damian explicou.

— Como você sabe disso? — indagou Jessie.

— Eu baixei um guia da Intercorp. — Damian respondeu.

— Sorte que estamos de capacete no meio dessa ventania que tá trazendo muita areia. — Austin destacou, protegendo-se do vento forte.

— Será que vem uma tempestade de areia? — temia Zoe.

Ao subirem um morro, avistaram um veículo de seis rodas.

— Olhem! — apontou Austin. — Pode ser que estejam naquele caminhão.

— Os keltonianos ou o Esquadrão X? — perguntou Jessie.

— Vamos ter que ir lá descobrir. — decidiu Zoe.

— Tomara que sejam nossos futuros treinadores. — Tim disse, correndo.

O quinteto foi descendo a parte íngreme quase aos tropeços. O veículo dobrou a direita para ir de encontro a eles. Quando a distância foi encurtada, a máquina pesada parou e as duas portas foram abertas.

— Olá, somos da Terra. — disse Austin — A serviço da Intercorp.

— E podemos provar, OK? — adicionou Tim.

As botas pretas dos ocupante saíram pisando no solo. Eram os integrantes do lendário Esquadrão X se apresentando aos novos heróis da força-tarefa, um encontro emocionante de gerações.

— São eles... — Jessie sussurrou.

— O Esquadrão X... Finalmente vão voltar. — Zoe completou, emocionada.

O grupo de veteranos se alinhou lado a lado, e o líder, Kronan, deu um passo à frente. De repente, os cinco X-Rangers iniciaram uma conversa num dialeto incompreensível.

— O que eles estão falando? — perguntou Tim.

— Parece bem... alienígena. — Zoe disse.

— Segundo o banco de dados... não é um idioma conhecido fora da Terra, muito menos a língua nativa de Kelton. —concluiu Damian.

Os X-Rangers voltaram suas atenções aos atuais heróis.

— Está bem claro que vieram em nome da Intercorp. — disse Kronan.

— Estávamos os esperando. — dissera Thalo, o X-Ranger azul.

— Finalmente voltaremos pra casa. — disse Makeena, a X-Ranger Rosa

— Lar doce lar, aqui vou eu. — Wyvoll, o X-Ranger verde, completou.

— A Terra será a nova casa de vocês. Vamos sair logo daqui, tem espaço pra mais cinco na nossa nave. — assegurou Austin.

— Não, ela só tem capacidade para cinco tripulantes. — Kronan o corrigiu.

Surpreendente, os cinco X-Rangers apontaram suas armas deflagradoras a laser para os Z-Rangers.

— Nós! — Kronan disse, ameaçando disparar ao primeiro sinal de resistência do estupefato Esquadrão Z.

CONTINUA...

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