Power Rangers: Esquadrão Z
17 Motoqueiro Metido à Besta
Notas iniciais
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A condecoração dos Power Rangers pela academia de ciências da Califórnia rendeu aos heróis um bônus de exercício do heroísmo. A prefeitura da Alameda dos Anjos, juntamente ao órgão de segurança pública, concedeu o aval para que os Rangers pudessem contribuir em intercorrências comuns, tais como assaltos a bancos ou negociações em sequestros. Mas não era apenas a polícia que ganharia a solícita parceria com os Rangers, o corpo de bombeiros também havia sido incorporado ao programa.
Passada uma semana de reconstituição da imagem pública, os Rangers, naquela tarde, receberam o chamado de Dickerson para conter um incêndio, mas isso decorria da problemática original, no caso um homem ciumento ameaçando jogar sua esposa com um filho recém-nascido do último andar. Os Rangers saltavam por prédios em alta velocidade a fim de chegar antes que uma verdadeira tragédia acontecesse. Enquanto os bombeiros, que já haviam evacuado o local, estavam contendo as chamas com jatos volumosos de água, a polícia negociava com o mau elemento a liberdade da mulher e do bebê, o chefe de polícia bradando com seu alto-falante junto aos homens armados.
— Ouça atentamente: não torne isso mais difícil do que já está pra você, está fora de si! Ao menos, permita que resgatem o bebê! É seu filho, certo? Só o coloca em risco desnecessariamente!
— Então manda ela me dar meu filho! — disse o homem furioso agarrando sua esposa pelo braço — Não quero ninguém entrando, eu vou estourar a cabeça de quem vier interferir! — disse o sujeito que logo deu uma olhada para trás, surpreso — O... O quê? Mas quem é você, seu maluco? Pra trás ou eu juro que...
Os policiais viram sinais de conflito dentro do apartamento após o homem avançar contra quem tivesse entrado mantendo sua mulher consigo. A curiosidade só aumentava.
— Mas quem mais está lá? Serão os Power Rangers? — questionou o chefe de polícia.
— Senhor, aquela moto ali... — perguntou um policial à esquerda dele apontando para uma motocicleta azul estilizada — Nem percebemos chegar. De quem será?
A corrida dos Rangers se encurtava até o prédio, porém um grupo de Psycho-Bots interrompeu abruptamente.
— Ah, só nos faltava essa! — disse Austin parando no meio de um edifício com os outros.
— O tempo tá acabando! — disse Jessie — Se não chegarmos lá em uns dois minutos, vamos ser retirados do programa de parceria!
— São sete Psycho-Bots, ao todo. — contabilizou Damian — Damos conta, o Lokknon apenas tá de pirraça porque faz uma semana que temos agido em casos comuns sem dar corda pra ele.
— Ele ficou com ciuminho dos bandidos, olha só, estamos sendo disputados. — salientou Tim.
— Austin, você que decide. — disse Zoe à direita do líder — Ignoramos eles ou lutamos?
— Se pegarmos outra rota, vão nos perseguir e atrasar mais. Rangers, atacar!
Os heróis partiram para a luta contra os robôs, os chutando e socando habilidosamente. Lokknon em sua nave não continha a ânsia de vê-los reféns do descrédito novamente.
— Isso, percam minutos preciosos do tempo que vocês necessitam pra resolver um problema insignificante dos terráqueos! Será que não está claro que vocês são qualificados pra enfrentarem a mim e minhas tropas?
— Mestre, perdão pelo meu questionamento, mas... — disse Mudok — Não acha que sua abordagem com os Rangers tem se mostrado um tanto quanto... ambígua?
— Ambígua? Seja mais objetivo, Mudok. É um tom de crítica que ouço de você?
— Não, de forma alguma, milorde. Eu só notei o quanto o senhor tem se aborrecido com as recentes atividades dos Rangers, eles passaram a nos colocar em segundo plano. Faz parecer que os trata como oponentes dignos quando não passam de lixo comparado ao seu poder.
— Eles foram convocados para exclusivamente me desafiarem, não pra solucionar problemas corriqueiros e inferiores da Terra. Estão zombando do perigo que represento e isso é inaceitável! — declarou o imperador, cerrando os punhos que tremiam.
Na rua do prédio incendiado, o alarido dos curiosos crescia em torno dos bombeiros e policiais. Um homem apontou para a entrada do prédio.
— Vejam, ele tá saindo! — disse com entusiasmo.
Uma figura vestida de azul saía do prédio segurando a mulher delicadamente com o braço esquerdo e com o direito o bebê que chorava. Aqueles olhos amarelos brilhavam na escuridão em meio a fumaça pouco antes da saída total. A multidão ovacionou o herói que as autoridades ainda desconheciam. Os Rangers derrotaram os Psycho-Bots e partiram depressa.
— Nós te amamos, Kabuto Rider! — disse uma menina sobre as costas do seu pai, ela vestia uma camisa estampada com o herói.
— Quem é esse aí? — indagou o chefe de polícia franzindo a testa.
— Agora entendi, aquela moto é dele. Esse é o Kabuto Rider, chefe. Faz o maior sucesso no Japão, tanto como ator quanto herói real. — disse o policial negro de óculos escuros.
— Nunca vi mais gordo. Ainda prefiro os Power Rangers. A propósito, onde eles se meteram? Era pra estarem aqui faz tempo. Não acredito que negligenciaram um caso como esse.
Os Rangers chegaram tarde demais como temiam, vendo o amado herói devolver o bebê a sua mãe que foi amparada pela equipe de paramédicos. O chefe do corpo de bombeiros veio repreende-los.
— Mas por onde andaram? Não vão me dizer que o trânsito no espaço sideral engarrafou.
— Nos desculpe, por favor. — disse Austin — Tivemos um contratempo.
— Sim, é verdade, robôs do Lokknon nos bloquearam no meio do caminho. — explicou Zoe.
— Ah é, sempre esse tal de Lokknon, arqui-inimigo de vocês. OK, vou reportar isso ao prefeito junto ao chefe de polícia Houston.
— A gente sente muito ter se atrasado. — disse Jessie.
— Não precisam sentir culpa, já veio alguém pra auxiliar. E... sem querer desmerecer a competência de vocês, mas ele fez muito mais do que eu esperava. Tirou a mulher e o bebê de lá e ainda deu uma coça no maluco.
— Ué, ele quem? — indagou Austin. Os Rangers se aproximaram da multidão e avistaram o Kabuto Rider sendo entrevistado por uma equipe de repórteres.
— Kabuto Rider, a pergunta que não quer calar entre seus fãs é sobre como você concilia a vida de ator com a de herói urbano japonês. — disse uma repórter — Não o sobrecarrega?
— Nem um tiquinho! Acreditam nisso? A minha disposição é pra dar e vender, fora que organizo bem meus horários de trabalho nos estúdios. Às vezes as duas vidas entram em conflito, mas sempre dou um jeitinho de manter tudo nos eixos sem faltar com nenhum dever. Fica tudo nos trinques.
Uma garotinha alegre se meteu na entrevista.
— Oi, Kabuto Rider, aqui quem fala é a sua maior fã da Alameda dos Anjos!
— Olha só que lindeza! Adoro crianças, elas me inspiram a ter esperança no futuro. — disse o herói que pegara a menina e a colocou sentada no seu ombro — Me fala aí, princesinha: como se chama?
— Katherine. — disse a menininha.
— Hum, vou te chamar de Kat. E aí, você é mesmo minha fã número um?
— A maior que existe na cidade. Não perco um episódio da sua série, meu pai baixa todos os episódios pra eu assistir assim que são lançados.
— Que orgulho de ouvir isso, Kat! Tem algo que queira saber sobre minha vida heroica? Qualquer coisa, não pensa demais.
— O que você faz pra ficar tão forte?
— Três ovos crus em cada manhã, cem flexões e cinquenta abdominais por dia.
O público aplaudiu calorosamente a resposta enquanto tiravam fotos com os celulares. Kabuto Rider posou para uma foto da imprensa com a sorridente Katherine.
— Acho que vou pegar a dica desse cara. — disse Tim, interessado.
— Qual é, não fica dando moral pra esse usurpador, Tim. — retrucou Jessie, irritada — Ele acabou de se intrometer numa missão que deveria ser nossa.
— Kabuto Rider... Mas como nunca ouvimos falar dele antes? — perguntou Austin.
— Talvez porque ele seja um ator japonês de uma série com pouca visibilidade no ocidente. — disse Damian.
— Então ele veio justo pra cá promover o trabalho dele e ver se isso levanta a audiência da série? — questionou Zoe.
— É uma hipótese válida, mas chega a ser suspeito ele ter vindo justo pra Alameda dos Anjos. Ele podia estar em Hollywood agora, quem sabe tendo a chance de conseguir um filme, mas não, ele tá aqui por uma razão que envolve a nós. — disse Damian.
Uma outra repórter aproximou o microfone a boca de Kabuto Rider.
— Uma última pergunta: não acha que suas recentes ações após ter chegado para visitar os Estados Unidos, começando pela nossa cidade, podem de certa forma prejudicar a popularidade dos Power Rangers logo agora que eles foram engajados num programa assistencial a segurança pública em ocorrências menores?
— Eu poderia dar uma resposta bem longa e chata de ouvir, mas vou sintetizar aqui pra vocês. Licensinha. — disse Kabuto Rider que pegou o microfone — Focaliza aqui, amigo. — a câmera se aproximou — Eu não vim pra essa cidade passar uma simples temporada de férias. Tá, pode ser encarado como férias, mas meu objetivo maior é ser conhecido como o maior herói da Terra... e um herói de verdade deve remover os obstáculos que te impedem de crescer. Nada melhor do que cortar o mal pela raiz vindo pra cidade onde os Power Rangers são as estrelas do show. Mas esses dias de glamour deles vão acabar porque eu tô aqui pra provar que um herói é mais que o suficiente.
— O que esse cara tá dizendo? — indagou Tim.
— Parece que... ele quer competir conosco. — disse Austin — Tá diminuindo nosso valor.
— Quem ele pensa que é? O rei da cocada preta? Eu não dou a mínima pro que ele acha da gente, não podemos admitir essa humilhação. — opinou Jessie, indignada.
— Que absurdo, nós fazemos um trabalho valoroso que satisfaz toda a cidade. — disse Zoe.
— Agora tudo se esclareceu, ele veio pra nos desbancar. — disse Damian também não simpatizando com o egocêntrico herói — Quer engrandecer a fama dele rebaixando nossa importância.
— Ah, não tinha reparado, olha eles ali. O que foi, crianças? É tanta vergonha que ficaram invisíveis? — insultou Kabuto Rider — Não me levem a mal, é só brincadeirinha.
O público desatou a rir.
— Ele vai ver só a brincadeirinha. — disse Tim dando uns passos visando tirar satisfação, mas Austin o barrou com o braço esquerdo.
— Não, Tim, não vale a pena, só vai piorar pro nosso lado. Fica na sua, não liga pra ele.
— Mas temos que defender nossa honra. — disse Zoe.
— Pois é, deixar ele nos provocar vai diminuir cada vez mais a admiração das pessoas pelo nosso trabalho. — destacou Jessie.
— Eu também tô afim de bater de frente com ele, mas não pra brigar, vamos manter a postura. — orientou Austin que não escondia o incômodo.
Lokknon começava a detectar uma vantagem apesar de enxergar a situação de duas frentes de batalha contra ele.
— Ranger Vermelho e seu pacifismo ridículo. Por mim, eu teria aberto fogo em cima desse crápula narcisista.
— Então o senhor está torcendo pros Power Rangers mostrarem que são os donos do pedaço? — indagou Aracna passando maquiagem segurando um espelho.
— Mas é lógico que não! — vociferou ele fazendo Aracna tremer derrubando o espelho que se despedaçou.
— Oh, meu espelhinho! Eu tava quase acabando!
— Eu jamais apoaria os Rangers em nenhum cenário imaginável, só porque um idiota veio do outro lado do planeta pra ofuscar o brilho deles. Mas numa situação como essa, eu tomaria uma atitude drástica, não confundam as coisas.
— Mas e se chegarem a virar aliados? — previu Barooma — Eventualmente pode acontecer de unirem forças!
— Eu não descartaria isso, mestre. — disse Mudok.
— Então faremos com que se enfrentem até que se destruam. Barooma, crie um monstro baseado na aparência desse irritante Kabuto Rider. — ordenou Lokknon.
— Como a aparência dele remete a um besouro rinoceronte, minha criação carregará propriedades físicas deste inseto combinada a poderes de eletricidade! — disse Barooma terminando de transferir os dados do computador para o bio-modelador — Agora que as informações foram baixadas, vamos dar as boas-vindas ao meu novo filho! — moveu a alavanca — Que venha com muita saúde!
A máquina piscou suas luzes azuis como relâmpagos e também exalando o vapor branco durante a formação do monstro. A porta deslizou para o lado, a criatura saindo depressa.
— Estou pronto pra viver uma aventura chocante no maior sentido da palavra! — disse o monstro com aparência insectoide de besouro.
— E ela o aguarda na Terra que é onde você enfrentará um oponente à sua altura. — disse Lokknon apontando para o monstro — E vou manda-lo pra lá agora mesmo! — disparou um raio do seu dedo indicador, teleportando o besouro monstruoso ao centro da Alameda dos Anjos. As pessoas correram reagindo apavoradas com a aparição repentina.
— Mas que gente mais escandalosa! Nunca viram um besouro forte e bem nutrido como eu? Só por essa recepção desagradável, eu vou destruir tudo ao redor com meus raios!
O monstro disparava raios elétricos azulados de seu chifre, atingindo postes e carros com fortes explosões de faíscas. A moto de Kabuto Rider emitiu um alerta sonoro como um alarme.
— Opa, o dever me chama! Foi ótimo estar com vocês, crianças, mas o titio Kabuto tem que ir. — disse o herói que foi andando até sua moto sendo ovacionado pelos pequenos fãs.
— Pra onde será que ele vai? — perguntou Tim.
Kabuto Rider verificou no visor do seu GPS conectado na moto.
— Variação de energia no centro da cidade. Nada que seja desse mundo. Alguma coisa tá causando o maior fuzuê. — disse ele que deu a partida na moto – Aqui vou eu! — saiu numa arrancada potente deixando um rastro de fogo azul na pista em alta velocidade.
— A moto dele é potência pura! — admitiu Tim — Fora esse visual super-irado.
— Se decide, Tim: ou você é fã ou odiador desse cara. — disse Jessie.
Os comunicadores tocaram.
— Na escuta, Sr. Dickerson. — disse Austin atendendo.
— Rangers, já vi que vocês ganharam um concorrente de peso e não será nada fácil lidar com a presença dele. A moto desse Kabuto Rider chega a pouco mais de mil quilômetros por hora. Karen ajustou o teletransporte pra que cheguem ao centro o quanto antes, há um monstro de Lokknon atacando sem freio.
— Tá legal, vamos nessa. Rangers, agora! — mandou Austin. Os heróis se teleportaram em simultâneo virando pilares de luzes coloridas sem causar tanto espanto nas pessoas. Contudo, ao chegarem no exato ponto do ataque depararam-se com o Kabuto Rider já em confronto contra o monstro usando uma espada imbuída de eletricidade.
— Não posso acreditar. — disse Zoe, atônita — Chegamos tarde outra vez.
— A moto dele não pode ser ainda mais rápida que nosso teletransporte. — disse Damian.
— Eu até fui pacífico naquela hora, mas confesso que ele tá começando a me deixar zangado. — disse Austin.
Kabuto Rider desferia ataques brutos e velozes com a espada nomeada Raijin. O monstro tentou um duelo usando seu chifre gerando uma colisão com raios azuis em volta.
— Hiper-Choque! — disse o herói. A espada concentrou grande energia disparada efetivamente contra o monstro que foi arremessado um tanto longe e sua queda causou uma explosão que o tirou do chão.
— Essa espada dele é bem poderosa. — disse Austin — Um monstro desses não rende nenhum desafio pra ele.
A criatura insectoide levantou-se em meio ao fogo, porém se intimidou ao ver Kabuto Rider perigosamente se aproximando com o balançar de sua espada elétrica.
— Se quiser mais, basta pedir.
— Lutar mais com você? Eu mesmo não! — disse o monstro que fugiu amedrontado. Algumas pessoas eram vistas filmando com seus celulares, muitas delas admiradoras do herói.
— Olha isso, que injusto. — disse Jessie — Nós, os Power Rangers, aqui parados dando sopa e as pessoas reparam somente nele, ainda por cima gravando vídeo. Quando foi que tanta gente se reuniu pra nos filmar?
Um mutirão se formava em torno do herói para sauda-lo, vários pessoas pedindo por selfies. Alguém até mesmo chegou a esbarrar no ombro de Austin correndo para ver o astro da TV em pessoa exposto ao público tamanha sua atratividade.
— Absolutamente ninguém tá vendo a gente. — disse Zoe.
— Sendo assim... — disse Austin tocando no morfador acoplado ao cinto — Desativar. — desmorfou.
— Desativar. — disseram os demais, logo desmorfando.
A aglomeração ia numa crescente a cada minuto, deixando os Rangers no ostracismo.
— Ele é ator, certo? Deve ter usado efeitos especiais, aqueles raios eram um truque. — acusou Tim.
— Não, aquilo foi totalmente real, ele até fez o monstro correr assustado. — reconheceu Austin — É, galera, temos muitos problemas como heróis, mas pela primeira vez um monstro do Lokknon é o menor deles.
O monstro corria por uma rua meio estreita ainda fugindo do seu adversário.
— Tá brincando? Eu que não me meto mais com aquele patife e sua espada!
Dois raios púrpuras o atacaram de cima causando estouros de faíscas que o pararam.
— E comigo? Terá coragem de se meter? — perguntou Aracna que saltou do topo de uma árvore e aterrissou perto do fugitivo.
— Você é aquela mulher que tava pintando a cara parecendo um palhaço!
— O palhaço aqui é você! — disse Aracna o empurrando — Onde já se viu um monstro da sua fibra fugir de uma luta feito um covarde?
— Se pensa que foi fácil, vai lá enfrentar o oponente mais duro de todos! Eu não quero ser saco de pancadas de novo, não estou a altura!
— Mas vai estar, Beetleshock. — disse a princesa aracnídea o batizando — Gostou do nome? Não responda. Venha comigo, o mestre deseja vê-lo.
Ela teleportou-se de volta à nave trazendo Beetleshock. Mudok vinha por trás dele com um aparelho semelhante a um cetro.
— Mestre, aqui está ele, como pediu. Reverencie nosso milorde, Beetleshock.
— Si-sim... — disse o monstro se curvando diante de Lokknon.
— Não é todo dia que se vê uma criatura servil como você prestando o devido respeito formal à minha grandeza. — disse o imperador, sorrindo — Isso me faz perdoa-lo pelo que fez.
— Tá falando sério? — indagou Beetleshock.
— Mas é óbvio que não! — disse Mudok que bateu a ponta do cetro na carapaça de Beetleshock gerando um efeito elétrico. O monstro reduziu ao tamanho de um controle remoto sendo praticamente transformado em um objeto inanimado. O androide apanhou-o — Seu castigo é ser usado como instrumento de controle para transformar o Kabuto Rider num ser detestável.
— Mas antes de você grudar essa coisa nele num único tiro, vamos deixa-lo se divertir com o sucesso conforme os Rangers voltam ao declínio na preferência dos terráqueos! — disse Lokknon que soltou uma efusiva gargalhada.
— Excelente, mestre. Esperemos até amanhã pra executar a operação furtivamente. — determinou Mudok segurando Beetleshock miniaturizado como um brinquedo.
***
Na tarde do dia seguinte, os Rangers se reuniam como de praxe na Cantina do Earl, mas compartilhando de um apetite abaixo do normal por conta dos últimos acontecimentos.
— Essas batatas já esfriaram... — disse Tim sem vontade e meio cabisbaixo brincando com as batatinhas fritas — Que nem nossa fama.
— Ah não, gente, vamos parar com esse baixo astral, eu vim pra cá me divertir, não pra me sentir num funeral. — reclamou Jessie.
— Mas aqui estamos enterrando nossa reputação como heróis da cidade. — disse Zoe.
— Só fez uma semana desde que restauramos a imagem pública dos Power Rangers. — disse Damian com o cotovelo direito se apoiando sobre a mesa — Pra depois isso ser tirado de nós num piscar de olhos.
— Não, me recuso a desanimar na frente do sucesso desse cara. — determinou Austin elevando a postura — Deve haver um modo menos problemático de convence-lo de que a cidade tá sob nossa responsabilidade.
— Mas você não tinha se irritado com ele? — indagou Tim — Achei que quisesse acertar as contas ao estilo Ranger, se tá me entendendo. Eu ia adorar ver você dando uma prensa nele.
— Olha, não vou mentir, eu tô tão chateado e zangado quanto vocês, quero esse cara fora da nossa cidade o mais rápido possível, mas resolver isso na base da violência não vai nos fazer justiça. — declarou o líder tentando amenizar a frustração dos amigos.
— O Austin tem toda razão, seria muito imprudente coloca-lo contra a parede nessa altura do campeonato, mas... — disse Damian que tinha uma ressalva — Tentar fazer uma barganha com ele quando o que ele mais deseja é ofuscar nossa moral heroica... Não sei, acho que ele poderia usar isso contra nós.
— A sensação é de que fomos substituídos. — disse Jessie, entristecida.
— Todo esse apelo do Kabuto Rider só prova que ninguém é insubstituível. — disse Zoe — Nem ele é, um dia as pessoas se cansam se surgir outro herói.
— Mas e nós? Quer dizer que vamos ter que nos tornar uma outra coisa pra se passar por heróis novos e voltarmos ao topo? — indagou Jessie.
— Eu não tô sugerindo nada, mas também não sou contra a tentar um acordo. — respondeu a Ranger Rosa.
— Sabe o que devíamos fazer? Bancar os detetives e investigar o passado desse mané. Vai ver tem caroço no angu. — disse Tim.
— Quem sabe encontramos algo que suje a imagem dele pra nunca mais ser visto como esse grande herói que se acha o máximo. — apoiou Jessie tomando um gole de suco.
— Parem com isso, até parecemos que somos os vilões da história. — disse Austin, incomodado com a ideia — Não vamos fazer nada pra prejudicar a imagem dele. Tudo que ele anda fazendo é apenas roubar a atenção do povo pra nos deixar nas sombras.
— Pois é, bem observado, ele só tem feito o trabalho dele, apesar de interferir no nosso. — disse Damian.
— Então vocês dois vão começar a defende-lo? — indagou Jessie, franzindo a testa.
— Não mudei de opinião, continuo achando ele um chato e exibido que quer derrubar nossa fama pra divulgar o programa de TV dele. Apesar dele ter feito muita coisa legal, temos que convence-lo de que a Alameda dos Anjos pertence aos Power Rangers. — explicou Austin.
— Convence-lo principalmente de que os fins não justificam os meios. — disse Damian.
— É disso que tô falando. — disse Austin dando uma piscadela com um estalar de dedos apontando para o amigo.
Earl veio aos seus mais assíduos clientes usando uma camisa azul com estampa do Kabuto Rider, o que ligeiramente desagradou-os.
— Fala, garotada! E aí, curtindo as fritas? Ué, mas faz uns dez minutos que trouxe e vocês não devoraram nem metade. O que tá rolando?
— A gente só tava conversando bastante um assunto sério e meio que esquecemos das batatas. — disse Austin.
— Earl, que camisa feia é essa? — indagou Tim, indiscreto, fazendo cara feia.
— Ah, não gosta do Kabuto Rider?! Pois eu me amarrei nesse cara, tá passando o maior rodo no crime, até a polícia já virou fã dele.
— Pra dizer a verdade, nenhum de nós cinco gosta dele. — disse Zoe.
— Achamos ele um metido à besta que quer tomar o lugar dos Power Rangers. — afirmou Jessie.
— Por falar neles, eu encomendei vários lotes de camisas semana passada, mas venderam muito pouco de anteontem pra hoje. — revelou Earl meio chateado — Mas em compensação as do Kabuto Rider andam vendendo que nem água. Já recebi só agora à tarde dez encomendas de cinco lotes com mais trinta camisas
— Caramba, isso que é um fenômeno. — disse Damian.
— Se vocês quiserem, tenho de vários tamanhos legais pra vocês...
Os Rangers foram negando quase que ao mesmo tempo, recusando a oferta.
— Não mesmo? Tudo bem, galerinha. Não fiquem com raiva de mim por dar prioridade ao Kabuto Rider. Ele veio lá do Japão, tá só de passagem por aqui, logo todo esse alarde passa e os Power Rangers voltam ao centro das atenções. Se quiserem mais fritas, só chamar.
O cozinheiro virou-se caminhando até a cozinha enquanto os Rangers pensavam acerca da fala.
— O Earl pode estar certo. — disse Jessie — Ainda podemos voltar a ser importantes.
— É só uma tempestade de areia e a tempestade precede a calmaria. — reforçou Zoe.
— Mas o cara de besouro não volta pra terra dele enquanto não ferrar total com a gente. — ressaltou Tim.
— Ou os números de audiência da série de TV subirem. — adicionou Damian.
— Acho que devíamos pedir a opinião do Sr. Dickerson, ele sempre sabe o que dizer. — idealizou Austin levantando — Topam dar um pulo na Central de Comando?
Os quatro se levantaram em simultâneo, dispostos.
— Tava demorando você falar. — disse Jessie.
Foram até o corredor que conduzia a entrada da cantina e conferiram nos dois lados se não havia ninguém se avizinhando.
— Barra limpa? OK, lá vamos nós. — disse Austin que logo apertou o botão de teleporte junto aos demais. Os cinco chegaram a Central de Comando surpreendendo Dickerson e Karen.
— Mas que invasão é essa? Geralmente quando chegam assim de supetão é porque o problema requer um cuidado bem especial. — disse Dickerson com bom humor — Já posso até adivinhar o que seja...
— Começa com Kabuto e termina com Rider. — disse Tim — Ele tá zoando com a nossa cara querendo nos tirar de cena só pra ficar mais famoso com a série sem graça dele.
— Dickerson e eu estávamos debatendo essa questão agora há pouco. — disse Karen virando-se para eles sentada na cadeira giratória — Levantamos até a suspeita de que fosse um soldado do Lokknon se passando por herói.
— Até que numa rápida pesquisa descobrimos que de fato existe um vigilante mascarado chamado Kabuto Rider atuando no Japão. — disse Dickerson passando na tela de um monitor imagens de recortes jornalísticos da atividade do herói — Se ele não tivesse enfrentado aquele monstro besouro, diria que é só um fã muito corajoso fantasiado.
— E se for um impostor usando efeitos especiais? — teorizou Tim.
— Ainda nessa de efeitos? — disse Damian — Se toca, aqueles raios eram reais o bastante pra causar uma explosão. Vai saber quais outros aparatos ele possui além da moto e da espada.
— Se nos metermos com ele pra valer, podemos entrar pelo cano. — alertou Zoe.
— Zoe tem razão, vocês não conhecem o inimigo e seus atributos completos pra baterem de frente se quiserem disputar a cidade com ele. — disse Dickerson os quadris encostados no console e os braços cruzados.
— Mas ele não é bem nosso inimigo... — disse Austin minimizando.
— É sim! E não vamos baixar a cabeça como se ele agora ditasse as regras. — contestou Jessie, aguerrida.
— Assino embaixo! — apoiou Tim — É a nossa cidade, ele quer dar uma de penetra na festa, mas temos todo o direito de chutarmos ele de volta pro Japão.
— Sr. Dickerson, eu tentei sugerir algo que fizesse tudo acabar mais tranquilo, mas dá pra ver que estamos meio divididos. — disse Austin.
— Vocês não entendem que desafiando ele pra uma luta ou tramando um boicote, realmente nossa reputação cai outra vez? — perguntou Damian olhando para Jessie e Tim.
— Boicote? Quem falou em usar bois aqui? — indagou Tim, levantando uma sobrancelha e fazendo Damian revirar os olhos impaciente.
— Nossa, agora que você falou... — disse Jessie temerosa — Verdade, a imagem dele tá muito forte no público. Se fizermos qualquer coisa pra ele cair, vai pegar super mal. Tim, desculpa, mas você tá sozinho agora.
— Façam assim: proponham um acordo com base no fato de que vocês vieram antes pra exercer o trabalho de heróis enquanto ele não passa de um turista. — idealizou Dickerson.
— Mas que tipo de acordo exatamente? — indagou Austin, andando devagar pensativo.
— Se for pra jogar, que seja como a gente faz: jogando limpo. — decidiu Tim socando a palma da mão esquerda — Que tal uma corrida de motos? Pra testar a potência máxima daquela motoca dele, sou a favor de usar isso pra recuperarmos o apoio da galera.
— E quais seriam as regras dessa corrida? — perguntou Karen.
— Simples: ganha quem atravessar a linha de chegada. — respondeu o Ranger Azul dando de ombros — Só não vale empurrar se encostar no adversário.
— Mas já temos uma boa noção da escala daquela moto. — disse Damian
— É, a velocidade dela ultrapassa o nosso teletransporte, todos nós vimos isso claramente. — concordou Zoe.
— Nesse caso, eu e a minha Beast Cycle comeríamos poeira na pista. — pontuou Austin.
Karen voltou-se ao monitor geral.
— Crianças, registrei o exato momento em que ele dá a partida na moto. Na arrancada, ele ativou algum mecanismo que fez a velocidade média saltar pra uma quilometragem próxima do necessário pra romper a barreira do som.
— Mas o teletransporte é na velocidade da luz, certo? Não tem como ser mais rápido que isso. — disse Jessie.
— A Beast Cycle só quebra a barreira do som com o Modo Míssil Turbo ativado em carga máxima. — declarou Dickerson — Quanto ao teletransporte, vocês devem ter se atrasado em alguns segundos pois ele saiu antes de eu me comunicar com vocês avisando do ataque do monstro besouro que sumiu misteriosamente.
— Ele vai reaparecer, só tá esperando a oportunidade perfeita. — disse Zoe.
— Então somos os mais rápidos ainda? — indagou Tim.
— Óbvio que sim, atrasamos segundos, mas com ou sem motos teríamos chegado quase ao mesmo tempo que ele, alguns milésimos adiantados, até porque não estávamos tão longe do local de ataque. — disse Damian.
— Acha que a Beast Cycle teria uma velocidade equivalente ao teletransporte numa potência acima do limite? — perguntou Karen, curiosa.
— Não diria equivalente, mas aproximada. — explicou Damian — No Modo Míssil Turbo ela pode quebrar esse limite, mas como é de curta duração, ela pode ficar gravemente avariada se o controle for perdido com a velocidade mantida.
— E nisso eu perderia feio. — disse Austin — Nossa, ia ser humilhante destruir toda a moto tentando ultrapassar esse cara.
— Peraí, peraí, peraí! — disse Tim se colocando no meio dos amigos — Por que o Austin tem que participar disso sozinho?
— Porque ele é o Ranger Vermelho e o líder? — disse Jessie estranhando a queixa de Tim.
— E justamente por ser o líder ele é o único que tem uma moto. — disparou Tim — Não me leva a mal, cara. Eu te adoro, mas tem que admitir que é desigual, não é justo.
— Acho que pela primeira vez nesse dia você falou uma coisa totalmente lúcida. — disse Zoe zoando com o amigo.
— Talvez nessa vida. — disse Damian.
— Você tá certo, Tim. — disse Austin sentindo-se meio mal — Me sinto até egoísta de não ter dito nada pra que vocês também tivessem. Achei que fosse uma exclusividade que o Sr. Dickerson me deu por eu liderar o time.
— Por mais que fosse coerente Austin representar a equipe nessa disputa, é bem mais justo que envolva todos. — proferiu Karen que olhou para Dickerson — Chegou a hora de mostrar pra eles a sua oficina mecânica.
Dickerson deu um sorriso fechado com a cabeça baixa, se contendo.
— Rangers, sigam-me. — pediu ele virando-se na direção de uma porta uns metros atrás das telas. Os Rangers se entreolharam com expectativa de uma surpresa preparada e o seguiram. O explorador abrira a porta metálica e adentrou junto aos heróis no amplo espaço semi-escuro, logo acendendo lâmpadas de LED azul nas paredes — Aí estão. — disse mostrando quatro veículos de duas rodas numa plataforma circular que girava lentamente para uma visão em 360 graus — Apresento a vocês as Beasts Cycles que faltavam. Desculpem a demora.
— Uau. — disse Jessie, maravilhada — São lindas.
— Que pintura maneira. Eu tô louco pra montar nesse tubarão de duas rodas. — disse Tim esfregando as mãos, empolgado.
— A gente te deve essa, Sr. Dickerson. — falou Damian.
— Ficamos muito gratos, vamos cuidar bem delas. — disse Zoe, emocionada.
— Então o senhor durante todo esse tempo estava trabalhando nelas? No fundo eu sabia que não deixaria passar em branco. — disse Austin — Agora sim podemos enfrentar aquele besouro arrogante.
— Mas não excedam o limite. — orientou Dickerson — Isso também vale pro Kabuto Rider.
Karen entrou depressa para dar uma aviso:
— Rangers, o Kabuto Rider está circulando pela cidade agorinha mesmo. Melhor vocês irem.
— É a chance de convida-lo pro nosso jogo, galera. — disse Austin sacando a célula e o morfador — Hora de morfar!
— Touro Ônix!
— Tubarão Cobalto!
— Arraia Rósea!
— Águia Flavescente!
— Leão Escarlate!
Passeando pelas ruas movimentadas do centro urbano da Alameda dos Anjos, Kabuto Rider observava bem os arredores pilotando sua moto em ritmo vagaroso durante aquela tarde de sol.
— Essa cidade costuma ser tão calma assim nesse horário? Queria saber que fim levou aquele monstrengo. Deve ter voltado pro buraco de onde nunca devia ter saído. Que pena, ia adorar dar outra surra daquelas nele.
O grito choroso de uma garotinha não o fez ouvir mais nada quando focou sua audição apurada. Virou o rosto olhando diretamente para onde ela estava: frente a uma árvore pedindo socorro com urgência com pessoas em volta olhando curiosas. Dobrou apressado com a motocicleta até a menina desesperada.
— É o Kabuto Rider! — disse uma jovem mulher ali perto passando — Por favor, ajude aquela menina, ela não para de chorar. Acho que é o gatinho dela, tá preso na árvore.
— Sem problema, meus caros cidadãos. Ninguém chame os bombeiros, pois eu sou mais que necessário. — disse o herói saindo de cima da moto e andando com postura altiva — O que houve, jovenzinha? — perguntou ele — Jovenzinha? Ah qual é, pareço um velhote dizendo isso. — falou baixinho consigo mesmo.
— Meu gato, o Fergus, ele tá lá cima! Não consegue descer! Tira ele de lá, depressa!
— Não é motivo pra pânico, deixa que eu resolvo essa parada rapidinho. — disse ele se aproximando da árvore e olhando para cima — Tô vendo ele. Como ele subiu alto hein. Mas sorte minha que pratico escalada. Subi até o topo do Everest, acredita?
Naquele instante, Mudok se via acima do teto da catedral e se posicionou entre as gárgulas mirando uma arma de tiro de longo alcance.
— Fique de costas, meu novo parceiro de vilania. — olhou bem o foco da mira às costas do herói — Alvo travado. Disparar.
Apertou o gatilho, lançando Beetleshock miniaturizado que grudou no meio das costas de Kabuto Rider que sentiu uma corrente elétrica perpassar todo o corpo. Pequenos raios faiscaram em volta do seu corpo quando travou.
— Algum problema, Kabuto Rider? – perguntou a menina.
O herói virou-se de repente para ela com rudeza.
— Sim, é claro! Você é meu problema, sua pirralha chata! — disse ele apontando o dedo a garotinha que fez beicinho para chorar — Eu vou dar o fora daqui, essa cidade é um saco! – saiu andando, desistindo do salvamento, o que gerou grande mal-estar público.
— Mas e o Fergus? Quem vai tirar ele daí?
— Ah, eu sei lá! Se vira, chorona! — retrucou ele fazendo um gesto com a mão direita erguida de deixar para lá. As pessoas cochichavam reprovando a atitude — Estão olhando o quê?
— Não precisava ser tão grosseiro com ela, é só um gatinho assustado. — disse um homem.
— E eu com isso? Aqui pra vocês, ó. — disse Kabuto Rider dando uma banana para o povo.
— Perfeito! Ele cedeu ao controle de Beetleshock sem nenhum indício de resistência. Resta confrontar os Rangers numa luta mortal! — celebrava Mudok o sucesso do plano.
Kabuto Rider passou com sua moto por uma rua de menor movimento, esperando ser deixado em paz, mas acabou deparando-se com um grupo de fãs que o parou afoito para tirar uma foto.
— Kabuto Rider! Não acredito, é você mesmo aqui?! — disse um jovem de cabelo loiro e boné para o lado — Aceita tirar uma selfie conosco?
— Que mané selfie o quê! Vê se me erra! — disse o herói que disparou do seu chifre um raio azul que se dividiu atingindo os celulares dos jovens que explodiram com faíscas. O grupo correu afugentado pelo inesperado tratamento ríspido do herói mais badalado do momento.
Ao passar frente a um beco, viu os Rangers surgirem no fim da linha e parou a moto.
— Ora se não são os esquecidos e rejeitados Power Rangers. Querem tomar porrada nas fuças?
— Não viemos pra uma luta. — disse Austin — Te propomos um desafio que você vai gostar.
— Ah é? O que têm em mente?
— Queremos apostar uma corrida. Nossas motos contra a sua. Mas sem trapaças, nada de excesso de velocidade. — informou Austin.
— Por que? Medinho de comerem poeira?
— É pra garantir que não aconteça nenhum acidente. Você tá dentro ou não?
— Se for pra mostrar que a minha deixa vocês no chinelo, tá valendo. Onde nos encontramos?
— Na rodovia 93, noventa quilômetros antes da linha ferroviária que é a chegada. Tem que ser agora pra resolvermos quem fica com a cidade!
— Me esperem lá. Aliás, eu que vou espera-los. — disse Kabuto Rider dando a partida na moto e saindo em alta velocidade envolvido em luz azul.
— Agora, Rangers! — mandou Austin apertando o botão de teletransporte junto aos demais.
Os heróis coloridos chegaram a pista bem antes onde estavam as motos estacionadas.
— Tiramos a prova, pessoal. — disse Zoe.
— É, a moto dele não se emparelha com nosso teletransporte. — disse Damian cerrando o punho esquerdo levemente erguido.
— Ele vai ficar com a maior cara de tacho. — antecipou Tim.
— Olha quem tá chegando atrasado. — disse Jessie com a mão na testa avistando um ponto azul luminoso se aproximando velozmente.
Kabuto Rider chegava com sua moto potente, freando bruscamente de lado.
— Mas como foi que chegaram tão rápido?
— Podemos nos teletransportar e essa é uma vantagem nossa sobre você. — disse Austin — Mas não vamos usar isso pra trapacear, aqui estão nossas motos, vamos começar!
— Acho bom mesmo. Vamos logo acabar com isso, mas se eu ver qualquer sinal de marmelada eu juro que frito vocês, seus infelizes.
— Impressão minha ou ele tá de mau-humor? — perguntou Jessie subindo na sua moto.
— Mau? Ele tá de péssimo humor. — disse Zoe.
— Tem algo diferente nele, aquela personalidade carismática se foi. — analisou Damian.
Após todos se posicionarem, a largada estava prestes a ser dada. Kabuto Rider estava no meio dos Rangers por exigência. Todos moveram os guidões de suas motos, fazendo os motores roncarem e os escapamentos soltarem fumaça.
— Quando eu disser já... — disse Austin no controle — Um... Dois... Três... Já!
As motos dispararam numa brusca arrancada pelo asfalto gerando rastros de fogo. Na nave de Lokknon, o imperador ficava em séria dúvida.
— A pior parte disso tudo é a indecisão sobre pra quem torcer. Maldita ideia dos Power Rangers pra me deixar em cima do muro e eu detesto não me posicionar!
— Torça pelos Rangers, mestre. — sugeriu Mudok.
— Bebeu óleo estragado? O mestre foi bem enfático ao dizer que nunca apoiaria os Rangers em absolutamente nada. — rebateu Aracna.
— Se os Rangers vencerem, isso justificaria uma luta violenta pois Kabuto Rider se sentirá furioso e enganado os acusando de trapaça. — explanou o androide.
— Hum, vendo por esse lado... — disse Lokknon pensando bem — Acho que esperar pela vitória dos Rangers nessa disputa pode ser benéfico ao nosso objetivo. Vamos, acabem com ele, seus Power Trouxas!
— Eu torço pra que o mestre não se arrependa amargamente disso! — disse Barooma.
Na pista, a corrida seguia frenética, mas Kabuto Rider ameaçava ultrapassar os Rangers desrespeitando a principal regra.
— Cuidado aí na velocidade! Se usar algum poder que turbine a moto, você perde!
— Eu perco? É o que veremos. — disse o herói acelerando um pouco e passando Austin e Damian que estavam mais próximos dele.
— Austin, ele vai infringir a regra! — alertou Damian.
— Não tenho culpa se não foram específicos quanto ao limite! Fiquem pra trás, otários!
— Atenção, Rangers: ativando o Modo Míssil Turbo todos juntos! — bradou Austin.
Zoe contestara:
— Mas o Sr. Dickerson avisou pra...
— Confiem em vocês pra controlar a potência sem exceder o limite! Se eu consigo vocês também conseguem! — disse o líder — Vamos!
— Tomara que a polícia rodoviária não esteja por essas bandas pra medir nossa velocidade! — disse Tim.
— Modo Míssil Turbo! — disseram em uníssono.
As motos e os Rangers se envolveram em energia similar à fogo, cada qual em sua respectiva cor, fazendo a pista ferver. As cinco Beast Cycles ultrapassaram Kabuto Rider como balas. O herói insectoide acelerou com seu modo relâmpago, mas não fizeram frente aos oponentes que cruzaram a linha férrea. Um trem vinha se aproximando barulhento e as cancelas fecharam.
— Cuidado com o trem! — disse Jessie dando o freio na sua moto com a roda traseira levantada e virou-se baixando — Conseguimos, galera!
— Droga! — disse Kabuto Rider freando a tempo de não ser atropelado pelo trem que bloqueou sua visão dos Rangers — Vocês vão ver só, não vou deixar isso barato!
— Yeah, vencemos! — disse Austin batendo nas mãos dos amigos em comemoração — Gostaram do test-drive?
— Adorei! Aquela energia de velocidade é coisa de outro mundo! — disse Zoe.
— Testada e aprovada. — disse Damian — Minha roupa tá tão quente que fritaria um ovo no meu capacete!
— Saí disparando que nem um raio! Foi demais! — disse Tim.
— E pensar que dá pra ir mais além, nossa... — disse Jessie eufórica.
— E sabem o que também dispara que nem um raio? — a voz de Kabuto Rider foi ouvida após a passagem do trem — A minha Raijin Blade! — lançou um poderoso raio de sua espada que atingiu os Rangers com uma forte explosão atrás deles que os tirou do chão.
Lokknon se levantou do trono empolgado.
— É agora! Os Rangers pagarão o alto preço da vitória! Hahahaha!
Os Rangers reerguiam-se feridos, mas dispostos a batalha. Kabuto Rider veio direto contra Austin que se esquivava dos golpes que ele tentava desferir tanto de cima quanto de baixo ou no meio. Os demais Rangers vieram ajudar o líder. Primeiro Jessie que o chutava com giros, mas o herói defendia-se e com a espada a golpeou no tórax num corte horizontal que soltou faíscas. Zoe e Tim saltaram para um chute quádruplo, mas Kabuto Rider tocou o chão com a ponta da espada lançando um raio vertical diretamente aos dois que tomaram explosões de faíscas no corpo até caírem.
Damian e Jessie partiram contra ele juntos dando chutes e socos, mas sendo subjugados pela habilidade defensiva dele que logo desferiu cortes com a espada em ambos, derrubando-os. Tiros de lasers o acertaram causando estouros de faíscas em volta.
— O que deu em você? Não pode ser tão mau perdedor pra agir dessa forma! Ganhamos de modo justo! — disse Austin com a pistola Z.
— Chama aquilo de jogo limpo? Trapacearam na cara dura!
— Você ia ativar a velocidade máxima da sua moto! — acusou Zoe já reerguida.
— E sujar com as regras! — completou Tim.
— Não importa! De qualquer forma, eu tava afim de dar uma coça em vocês, perdendo ou ganhando! — disse Kabuto Rider que virou a espada de ponta a cabeça e a energizou tocando no chão, fazendo raios correrem o asfalto e acertarem Austin que foi eletrocutado sofrendo com explosões em volta.
— Austin! — gritaram os Rangers aflitos.
— Um já foi, faltam quatro! Quem é o próximo?
— Espera... — Jessie notara algo — Tem um troço esquisito nas costas dele.
— É mesmo, mas... O que deve ser? — indagou Zoe.
— Talvez seja isso que tá influenciando o comportamento dele! Destoa muito do traje! — apontou Damian.
— É tramoia do Lokknon, sem dúvida! — disse Tim.
Austin se levantava tocando seu corpo ferido.
— Pessoal, segurem ele! Deixa que eu cuido disso!
Os Rangers agiram rápido o agarrando nas pernas e nos braços.
— Ma larguem, suas pestes! — disse o herói tentando se desvencilhar chutando forçosamente, mas os Rangers suportavam.
Saltando para o outro lado, Austin mirou a pistola Z no ponto em que se via o objeto grudado nas costas de Kabuto Rider. Disparou três vezes, o removendo. Beetleshock caiu quicando e fumaçando. Já o herói insectoide estava cambaleante e grogue.
— Mas... O que aconteceu? Onde eu tô?
— Não lembra de nada do que aconteceu há uns vinte minutos? — perguntou Jessie.
— Eu ia salvar o gato de uma menininha quando de repente apaguei.
— Era aquilo ali. — disse Austin indo apanhar o objeto. Porém, Beetleshock voltava à sua forma original — Mas é aquele monstro de ontem!
— Surpresa! Voltei! — disse Beetleshock que disparou um raio contra Austin, mas Kabuto Rider assumiu a frente com um salto anulando o ataque com sua Raijin — Você de novo!?
— Tirou as palavras da minha boca. — disse o herói que virou-se a Austin — Cê ta legal, vermelhinho?
— Melhor agora que se juntou a nós. O que acha de uma trégua? — propôs o líder Ranger estendendo a mão para o novo aliado.
— Fechado, irmãozinho. — disse Kabuto Rider apertando a mão de Austin. Os demais Rangers se juntaram a eles, preparados.
— Invocar armas! — disse Austin. Os Rangers chamaram por suas armas particulares com as quais atacaram seguidamente Beetleshock em fortes golpes. O monstro rodopiava a cada ataque.
— Minha vez! Onda Tempestuosa! — disse Kabuto Rider fazendo a lâmina se esticar imbuída de eletricidade e baixando-a contra Beetleshock. Contudo, o monstro reduziu novamente ao tamanho da forma anterior percorrendo o ataque elétrico para grudar na barriga de Kabuto Rider.
— Ele o derrotou? — indagou Zoe.
— Não tô vendo o monstro em parte alguma. — disse Austin. Mas tiveram a resposta quando Kabuto Rider virou-se para eles, efetuando um corte horizontal que acertou o chão com estouros de faíscas os repelindo.
— OK, esse cara tá doidão! — disse Tim levantando.
— Não, olhem! O monstro voltou a diminuir pra controla-lo de novo! — apontou Austin.
Ansioso para ver uma luta ainda mais feroz, Lokknon mandara Barooma disparar o laser regenerador sobre Kabuto Rider que se agigantou.
— Precisamos do poder Megazord agora!
Os zords vieram prontos para a batalha de gigantes. Os Rangers saltaram adentrando nos cockpits.
— Chave de comando, ativar! Iniciar sequência Megazord! — disse Austin. Os zords ligaram-se uns aos outros, logo formando o vigoroso Megazord Z que se colocou em combate.
— Sabre Selvagem! — disseram os Rangers chamando pela espada que caiu na mão direita do robô.
— Vamos tornar essa luta justa assim como a corrida. — afirmou Austin.
— Só pra situar vocês, aqui quem fala não é o Kabuto Rider, mas eu, Beetleshock! Preparem-se para virarem carvão com meus raios!
Beetleshock avançou com a Raijin Blade desferindo várias cortes de energia com imensa rapidez. O Megazord, entretanto, não conseguia defender todos aqueles golpes consecutivos, não evitando explosões de faíscas ao redor. Recuou um pouco, mas a dificuldade era possível de contornar.
— Ele não dá aberturas nesse ritmo de ataque! — disse Damian.
— Então é hora do Escudo Z! — dissera Austin fazendo a arma surgir na mão esquerda do robô. O escudo em formato de cabeça de leão junto ao sabre proveriam a configuração ideal de combate — Lembrem-se, nosso alvo é o Beetleshock. Quando ele vier, defenderemos com o escudo, isso nos dará a brecha pra destruí-lo.
Beetleshock atacara correndo a espada brandida repleta de raios. O Megazord protegeu-se com o escudo que absorveu o impacto dos raios. Com a abertura visível e aproveitável, o robô perfurou Beetleshock na barriga de Kabuto Rider que recuara. O monstro fixado ao abdômen do herói foi se rachando com luz azul até explodir em pedaços.
— Essa bicuda foi das boas! — disse Tim.
— E nem precisamos recorrer ao Modo Velox. — reforçou Damian.
Kabuto Rider retornava a si.
— Outra vez apaguei... Caramba, eu que cresci ou a cidade que encolheu?
— Kabuto Rider, olha pra cá, somos nós! — chamou Jessie.
— Rangers, mas... Esse robozão é de vocês? Estão aí dentro? Confesso que tô surpreso.
— Destruímos aquele monstro que controlava a sua mente e o seu corpo. Pode nos agradecer duas vezes. — disse Austin usando o sistema de autofalante.
— É claro que sim, mas antes... — disse o herói destacando sua espada — Eu quero uma luta 100% limpa. Era disso que precisavam pra me enfrentar, uma espada bem grande e afiada.
— Ele quer uma luta conosco?! — disse Zoe — Mas salvamos a pele dele.
— A intenção dele é nos testar, tá na cara. — disse Austin — Se é assim que você quer, Kabuto Rider... Vamos atender seu pedido!
O Megazord se impulsionou ao confronto e um ferrenho duelo de espadas se iniciou. O sol estava se pondo proporcionando um pano de fundo contemplativo com os dois gigantes se enfrentando como silhuetas sob o céu alaranjado e o astro-rei no horizonte, as espadas se digladiando com choques metálicos e cuspindo faíscas. Quando uma nova colisão de lâminas estava prestes a ocorrer, ambos correndo na direção um do outro, o tamanho de Kabuto Rider repentinamente diminuía. Sua estatura havia retornado ao normal.
— Quer saber? Fica pra próxima! Considerem-se vitoriosos! — disse o herói que correu até sua moto.
— Mas olha só que covarde, fugindo da raia! — disse Jessie.
— Haha, deixa ele, Jessie! — disse Austin — Um dia ele volta pra revanche, disso tenho certeza!
Kabuto Rider subiu na moto e olhou para trás, usando uma saudação de despedida com dois dedos.
— Foi um prazer estar com vocês! Obrigado e... obrigado! Sem mágoas, beleza? Retiro tudo o que eu disse pra caçoar de vocês!
— Não esquenta, a gente tá numa boa! — disse Austin fazendo o Megazord dar um joinha.
— Ah, sabiam que eu tenho um irmão que faz exatamente o mesmo trabalho? O codinome dele é Kuwaga Rider! Pesquisem sobre ele e vão saber de alguns feitos dele em Tóquio. Ele não é uma celebridade como eu, mas tá indo no caminho certo, apesar da gente não se bicar muito! — revelou ele dando partida na moto — Protejam essa cidade, Rangers! Aqui é o lugar de vocês, não o meu!
— Nosso dever é proteger o mundo todo. Como heróis, somos cidadãos do planeta. Vale pra você também, não se esqueça. — disse Austin.
— Até a próxima... Se houver! — disse Kabuto Rider saindo com a moto pela pista.
— Ah, eu espero que haja sim. — desejou Austin pela futura e decisiva batalha.
***
Na manhã seguinte, os Rangers se encontraram no lado de fora do colégio com Zoe, acompanhada de Jessie, dando um susto em Austin por trás.
— Nossa, essa me pegou! — disse ele com ar risonho — E aí, meninas? Viram o Damian e o Tim?
— Não sei se já chegaram... — disse Zoe que olhou de soslaio para Jessie concentrada no celular — Ahn, Jessie, não vai dizer oi pro Austin?
A Ranger Amarela ergueu a cabeça, sorrindo educada para o amigo.
— Oi, Austin. — disse ela que logo voltou o foco para o celular. Impaciente e curiosa, Zoe tomara o aparelho das mãos da amiga.
— O que você tanto vê aí hein?
— Ei, Zoe, não fala nada... — disse Jessie, aborrecida — Ah, legal, pode zoar com a minha cara a vontade.
— Olha isso aqui... Quem diria, Jessie White Stone... — disse Zoe que mostrou a tela do celular para Austin — ... assistindo ao primeiro episódio da série do Kabuto Rider.
— Nossa, gostou tanto assim dele? — perguntou Austin franzindo a testa com um sorriso.
— Mais ou menos, ahn... Olha, eu ainda acho ele um esnobe e metido, mas eu quis ver como ele se sai de ator só pra... vocês sabem, quero ser atriz profissional, preciso de inspiração.
— Aham, sei. — disse Zoe — Se inspirar vendo o rostinho dele?
— Ou bem mais que o rosto. — brincou Austin, levando um tapinha no ombro por Jessie, desatando a rir com Zoe.
— Galera, venham logo, não vão querer perder o mais novo mico desses idiotas! — disse Tim correndo até eles. O trio se juntou ao amigo para se encaminhar até a multidão de alunos.
— Cadê o Damian? — perguntou Jessie.
— Foi pra biblioteca elaborar o roteiro de estudos pras provas. — respondeu Tim passando entre uns estudantes que aguardavam ver Brock e Stuart numa demonstração radical.
— Chega mais aí gente, pode vir! — disse Brock montado numa moto esportiva usando roupa de proteção e capacete.
— Parece que quase toda a escola tá aqui pra ver a gente, Brock. — disse Stuart, na garupa, também trajando roupa adequada, visualizando os arredores com um binóculo
— Onde foi que eles arranjaram essa moto? — indagou Zoe, desconfiada.
— De acordo com o Brock, é emprestada do irmão mais velho dele. — respondeu Tim — Essa eu quero ver, eles se acham os reis do motocross.
— Se preparem pra ver uma amostra de pura adrenalina com minha manobra radical de motocross! — disse Brock.
— Nossa manobra, cara! — protestou Stuart.
— A moto é do meu irmão, então é minha sim. Fica quieto e se segura!
O valentão ligara a moto e tentara executar a manobra, porém a roda dianteira topou numa pedra fazendo a dupla cair para frente e de cara numa poça de lama. Austin e os outros fizeram caretas pela queda aparentemente ter doído.
Coberto de lama, Brock ficou de quatro na poça e passou a mão para limpar os olhos, encarando Stuart que ria dele com deboche. Jogou lama na cara do parceiro, gerando risadaria entre todos ali presentes. Do alto de um prédio pequeno, Kabuto Rider observava a trapalhada estando montado na sua moto.
— Se tivessem pedido umas aulinhas pra mim antes... Não, são novos demais pra isso. Eu que sou experiente agora vou dando tchauzinho pra essa cidade incrível. Adíos!
O farol da moto abrira um portal dimensional que o levaria de volta a Tóquio. Acelerando, o herói adentrou no túnel de energia azul e tomou velocidade máxima.
— Lar doce lar aqui vou eu!
XXXX
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