Power Rangers: Esquadrão Z
18 Tim, O Multi-Tarefa
Notas iniciais

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O que se imaginava ser o início de uma quarta-feira comum para uma vida estudantil, acabou sendo uma desagradável surpresa para Tim logo ao acordar fungando o nariz congestionado. Espirrou forte, logo virando para seu lado esquerdo da cama para desligar o despertador digital. Bateu sua mão no botão, mas a indisposição para levantar o fez sentir ter sido atropelado por um caminhão.
— Que preguiça chata... — disse ele levantando e se mantendo sentado na lateral da cama sem dar o costumeiro bocejo de despertar. Fungava o nariz, as vias nasais obstruídas por coriza que escorria — Tô me sentindo meio... lerdo. — espirrou novamente com intensidade — Não, lerdo eu já sou normalmente, mas hoje... — mais um espirro forte — É, não tem dúvida, peguei um baita resfriado. Essa não, logo no dia da salsicha empanada no refeitório...
Saiu da cama devagar para ir escovar os dentes, seu pijama azul com blusa de mangas longas e calcas, ambas com estampas de objetos navais e animais marinhos com designs infantis.
Após tomar banho e se vestir para o dia de aula, Tim foi pegar sua mochila na cama com todos os livros espalhados.
— Limpinho e cheiroso pra um dia delicioso. Não vai ser um gripezinha dessa que vai me impedir de sair.
Mas foi neste instante que o enganou bateu literalmente como um calafrio de tremer os ossos com o soprar do vento entrando pela janela. Sentou bruscamente na cama batendo os queixos e os dentes, abraçando a si mesmo.
— Caramba, que horrível essa sensação! Fazia tempo que eu não me sentia tão péssimo. — disse ele com a voz trêmula — Talvez seja melhor mesmo eu passar o dia em ca...aaaa... aaaa — mais um "atchim" alto e bruto saíra.
A mãe de Tim, Valerie Dixon, adentrava no quarto do filho.
— Tim, já se aprontou? Ah, veja só, eu acredito que acordou cedo e se arrumou depressa se disser que não dormiu de uniforme. — disse a mulher negra de cabelos encaracolados que caiam nos ombros e porte esguio.
— Que uniforme, mãe? Esse é meu figurino de hábito, não tem problema usar todo dia.
— Impressão minha ou... está com a voz meio fanha? — perguntou ela franzindo a testa.
— Que nada, eu tô ótimo. Só preciso guardar minhas coisas e cair fora.
— Então por que ainda não guardou? Parece que tá morrendo de frio, tá até tremendo. — disse ela se aproximando com desconfiança elevada.
— Tá vendo coisa onde não tem, mãe. Eu vou indo nessa, o dia de hoje é imperdível. — disse Tim que se levantou, mas foi parado por Valerie que o virou de frente para ela e o examinou pondo o dorso da mão direita na testa do filho.
— Eu devia ter imaginado. — disse ela, convicta — Tá com princípio de febre. Lógico, só mesmo uma gripe pra te fazer acordar antes das sete.
— Não tô proibido de ir, né?
— Não, claro que não.
— Ah, valeu, te devo essa.
— Você tá interditado, não sai desse quarto até eu não ouvir mais nenhum espirro sequer. — disse Valerie categórica com as mãos na cintura.
— O quê? Mas mãe, é só um resfriadinho, passa daqui umas horas, um suquinho de laranja e já era! — contestou Tim, a expressão frustrada.
Sem poder segurar, espirrou fortemente três vezes seguidas.
— Dá pra ver o resfriadinho que você pegou jogando basquete naquela quadra embaixo do sol infernal de ontem. Essas mudanças de temperatura também... — disse Valerie que logo virou as costas — Vou te preparar uma sopinha de galinha.
— Sopa?! Hoje é o dia da salsicha mais deliciosa da cidade e tudo que eu ganho por ficar resfriado é sopa?! Sacanagem...
— Olha essa língua. — advertiu a mãe com olhar autoritário já meio fora do quarto — Já trago e nem pense em fugir pela janela, os irrigadores tem sensor de movimento.
— Valeu por avisar. — disse Tim que outra vez soltou um tremendo espirro — Que saco.
O visualizador multifocal de Lokknon fixava sua lente no quarto de Tim, transmitindo uma cena que deixara o imperador com a mente afiada para uma ideia malévola.
— Eu não sabia que os terráqueos fossem ainda mais fracos dominados por vírus. É o consolo de que eu precisava ao lembrar de quando tenho minha imunidade fisiológica rebaixada.
— Por que estamos vendo o Ranger Azul se lamentar por um resfriado? — questionou Aracna tomando uma marguerita — Hum, essas bebidas terráqueas não são de cuspir fora.
— Por acaso, o senhor teve algum lampejo, mestre? — perguntou Mudok.
— Eu sinceramente não sei que tipo de ideia pra transtornar a vida dos Rangers pode ser tirada daí. — opinou Aracna — Com todo o respeito à sua visão, mestre.
— O Ranger Azul foi coibido pela sua mamãezinha a ir para a escola, significando que ele não terá nenhum contato com os amigos ao longo do dia. — analisou Lokknon — Um a menos na equipe faz uma grande diferença.
— Mesmo ele sendo o mais fraquinho dos cinco? — indagou Aracna — Isso na minha opinião, claro. — tomou um gole da sua bebida.
— Não importa se forte ou fraco, um Ranger ausente desestabiliza a performance em grupo e o espírito de equipe deles. Barooma!
— Sim, mestre! Ao seu inteiro dispor!
— Me dê um monstro que cause uma verdadeira epidemia de alergia nessa cidade dos Rangers! Será um festival de espirros que não acabará nem com o remédio mais eficaz que tenham!
— Acho que nossas mentes se alinharam perfeitamente, mestre! Já providenciei o boneco dentro do bio-modelador e inseri dados correspondentes ao que causa crises alérgicas nos terráqueos! — disse Barooma se aproximando da máquina, logo baixando a alavanca — Que venha com muita saúde!
A máquina manifestou seus efeitos habituais na forja do novo monstro a atormentar os Rangers, piscando luzes como relâmpagos e exalando fumaça de vapor. A porta deslizou para o lado e uma criatura peluda como um urso saiu.
— Seja bem-vindo, bola de pelo. — disse Lokknon, satisfeito — Eu sou seu nobre senhor e você o meu obediente vassalo.
— Não entendi nada do que quis dizer, eu só quero mesmo espalhar meus lindos pelos por toda parte. — declarou a criatura.
— Barooma, se certificou de que o boneco tinha um cérebro? — indagou Aracna.
— Ou olhos. — completou Mudok.
— Ele enxerga e raciocina tranquilamente! Apenas não está acostumado com interações, até porque ele acabou de nascer! — justificou Barooma.
— Tá, já entendemos, não precisa ser grosso. — resmungou Aracna.
— Não dê ouvidos aos que duvidam do seu poder, meu caro... — disse Lokknon.
— Furryetti. — nomeou Aracna — Porque ele é tão... peludo e primitivo como o lendário monstro das neves. — o olhou de cima a baixo.
— Pois está decidido, os Rangers irão enfrentar hoje um inimigo formidável que os afetará também com seus pelos. — disse Lokknon — Me diga que seus pelos não servem somente pra cobrir esse corpo repulsivo.
— Eles fazem cócegas no nariz. — disse Furryetti.
— E consequentemente levam a sintomas de alergia semelhantes ao resfriado do Ranger Azul, mas a um nível superior e incontrolável! — complementou Barooma.
— Aqui é muito pequeno pra espalhar meus pelinhos. — disse Furryetti esquadrinhando a sala central da nave — Assim não tem graça.
— Não se aflija, você terá um amplo lugar pra seus pelos tomarem conta livremente. — disse Lokknon — Logo mais o mandarei até lá.
— É mesmo? Eu fico tão empolgado que... que tenho vontade de... de... aaaa... aaaa — disse Furryetti prestes a espirrar — Atchim!
O monstro liberou uma boa quantidade de pelos que espalharam-se pela sala.
— Minha marguerita! Você estragou a melhor bebida da Terra! — disse Aracna quase chorando ao ver a taça cheia de pelos enquanto cuspia uns — E o meu cabelo tá cheio desses pelos nojentos! Mestre, não dá pra chuta-lo daqui agora?
— Tudo a seu tempo, Aracna. — disse Lokknon, controlando o aborrecimento ao retirar os pelos caídos sobre ele — Agora trate de pegar o aspirador e limpe esta bagunça!
Aracna bufou esmagando a taça e voltou-se a Furryetti ficando bem próxima ao ouvido dele.
— Nem ouse espirrar de novo aqui dentro ou juro que raspo seu pelo pra que não cresça mais nunca. — ameaçou ela, logo andando estressada para pegar o aspirador, deixando Furryetti a chorar contido.
— Meus lindos pelos não, por favor, meus preciosos pelos...
— Espero que esse pobre coitado ao menos neutralize os Rangers. — disse Mudok, pouco otimista.
***
Deitado na cama mantendo suas roupas de quando vai ao colégio — a jaqueta azul por cima da camisa laranja e as calças jeans -, Tim amargava num tédio sofrível olhando fixamente para o teto do seu quarto que possuía um ventilador de quatro pás preso.
— Cara, não dá pra ficar nessa chatice! É um saco ficar doente sem nada pra fazer! — disse Tim — Se eu ligar a TV e fingir que tô assistindo no volume máximo, depois fugir... Não, não, esquece, eu me daria mal por causa dos irrigadores. Ah não... Agora que lembrei!
Levantou-se com urgência, mas antes de falar espirrou bem forte, logo pegando seu lenço para assoar o nariz.
— Se eu tô aqui preso e resfriado, não vou ter como ser Ranger. — disse ele prevendo um cenário ruim, andando de un lado para o outro — E se o Lokknon resolve atacar a cidade hoje? A qualquer momento um monstro pode pintar por aí e eu aqui enjaulado feito um animal sem poder ajudar o Austin e os outros. Se eu faltar a escola tudo bem, mas numa missão... Eles vão me achar o maior bundão e inútil.
Mas a tristeza pela inércia durou pouco com o brilhar de uma ideia.
— Epa... Acho que tenho a solução mais perto do que eu pensava. — disse ele indo até um armário que chamava de cofre. Abriu-o e viu dentre vários brinquedos e objetos um pote de vidro com uma substância verde-água e que emitia luminescência no escuro — Eureka. A minha salvação tá nesse gel duplicador que o Damian criou e me emprestou.
Pegou o pote, destampando-o rápido.
— Opa, peraí... Mas é pra comer que nem mel ou passar na pele que nem um creme? — indagou ele tentando lembrar-se do que Damian havia explicado sobre o uso do gel — Ah é, lembrei que ele disse pra pingar uma gota. Tá legal, vamos testar. — virou o pote, deixando cair uma gotinha no antebraço esquerdo — E é só esperar. — fechou os olhos, aguardando. Mas passaram-se mais de trinta segundos e nada — Ué, ele falou que o efeito é instantâneo. — olhou o pote — Podia ter colocado um rótulo com as instruções, né? Que droga... Quer saber? Eu vou dobrar a dose. Mas passando até no meu rosto. — disse ele que passou o gel brilhoso nos braços e na face como um bronzeador — Pronto, que venha meu outro eu ago... aaa... aaaa
O espirro que dera expulsou uma duplicata visualmente fiel a ele do seu corpo por trás.
— Nossa, parece até que saiu de dentro de mim! — disse Tim, o original.
— Mas eu saí. — disse a cópia olhando para seu reflexo e apontando. A ficha do Tim original estava caindo e ele também apontava ao seu duplo.
— Você sou eu! — disseram em uníssono — E eu sou você! — sorriram um para o outro — Haha, eu sou mesmo um gênio!
A cópia olhava em volta o ambiente.
— Seu quarto é maneiro, hein. — disse ele vendo as placas decorativas e personalizadas como uma tendo um alien num aviso de invasão do território da Área-51 e os posters de artistas do R&B moderno.
— Mas você sempre dormiu aqui. — disse o Tim original — Por que tá agindo como se não conhecesse nada da minha vida?
— Não faço ideia, mas sinto que vou gostar de morar com um irmão gêmeo.
— Estranho, você tá falando de um jeito que... Você não sente o nariz escorrendo ou entupido?
— Ahn... — disse o clone, estranhando — Não, tô respirando bem, me sinto ótimo. Você por outro lado... tá meio detonado, seu nariz tá vermelho.
— Fiquei resfriado e não posso ir ao colégio, mas... — disse o original se aproximando com olhar de interesse — ... você pode ir no meu lugar. Sabe quem são Austin, Damian, Jessie e Zoe, não sabe?
A cópia pensou um pouco a respeito.
— São... os meus melhores amigos desde o primário, especialmente o Damian, ele é como meu irmão mais velho de outra mãe.
— Boa! Parece que aos poucos a sua memória tá se igualando a minha. E eu achando que era defeito de fábrica. — disse o original tocando-o no ombro — Escuta aqui, amigão: ninguém pode saber que existe mais um de mim, tá legal?
— Quer que eu guarde segredo? O que eu ganho com isso?
— Tá aí uma coisa que eu diria. Bem... Te deixo sair por aí depois de fingir que sou eu pra eles.
— Mas eu não vou fingir. Eu sou você, sacou? Não um sósia.
— Sim, eu sei, bobão. — disse Tim que franziu a testa — Que esquisito... tô xingando eu mesmo.
— Se der sua palavra, eu vou direto à escola.
— Claro, palavra de Power Ranger. Faz isso por mim, por favor, se eles enfrentarem um monstro do Lokknon e eu não estiver lá pra ajuda-los vai pegar muito mal pra mim.
O clone imaginou uma situação temida pelo original na qual os demais Rangers o julgavam em cerco. Austin dizia: "Tim, por onde você andou? Você é um tremendo irresponsável, cara! A gente tava precisando de você!. Depois veio Zoe ecoando sua voz na mente dele: "Você é uma vergonha pra nossa equipe, Tim, um inútil!". Em seguida, Jessie reforçava: "É, um inútil! Apanhamos feio daquele monstro e você não apareceu, nem deu sinal de vida!". Damian concluía a visão imaginária com sua dura reprimenda: "Eu me pergunto que tipo de amigo é esse que abandona os parceiros quando eles mais precisam. Eu tô muito desapontado, você é meu melhor amigo, não tinha o direito de nos largar. A partir de hoje, considere-se banido da equipe pra sempre!".
O Tim número dois balançou a cabeça em negação bem rápido, afastando tal pensamento.
— Seria horrível, eles iam ficar super magoados. Não esquenta, eu te cubro. — disse o clone indo até a janela e subindo — Eu te ligo pra dizer que tá tudo OK.
— Mas toma cuidado com a grama, não pisa perto dos irrigadores.
— Tim! — chamava Valerie no corredor.
— Depressa, é a minha mãe! Digo, nossa mãe.
— Beleza, vou nessa. — disse o clone pulando para fora e correndo conforme orientado. A mãe de Tim abrira a porta, olhando-o curiosa.
— Tive a impressão de ouvir você falando com alguém. Quem era?
— Ninguém, mãe. — disse ele com um sorriso disfarçante e nervoso — Dessa vez foi só impressão.
— Volta pra cama, já vou trazer sua sopa. — disse Valerie que logo foi retornando a cozinha.
***
Na área aberta da Angel Grove High School, Austin e Damian procuravam por Tim, dirigindo-se ao pátio que se encontrava adjacente a quadra esportiva.
— Nem sinal dele. — disse Austin — Mas falou que tava jogando basquete quando ligou. Será que foi no banheiro?
— Que só é acessível pelo corredor principal por onde percorremos inteiro pra chegar até aqui sem encontra-lo, impossível. Não o vimos entrar desde que chegamos e ele sempre entra pela porta da frente. — disse Damian já com uma afiada suspeita — Algo me diz que ele faltou e tá pregando alguma peça.
— Você conhece bem o Tim. Em que mundo ele faltaria logo no dia da salsicha? Isso que é impossível. — contrapôs Austin — Vamos continuar procurando, ele pode estar por aí, se escondendo, sei lá. As meninas podem tê-lo achado, talvez.
A cópia de Tim julgou que a melhor via de entrada seria pela janela do banheiro masculino. Tomou cautela para não ser notado, logo pegando um banquinho de sentar ali perto e subiu para jogar sua mochila dentro do recinto. Depois, forçou o corpo para cima e foi adentrando com esforço pela janela retangular e estreita até cair com o queixo no chão.
— Essa doeu... — disse o clone, levantando, logo apanhando a mochila e esfregando o queixo dolorido — Ainda bem que o celular é igualzinho ao do meu eu origina-- aaaa... Atchim!
O espirro acabou por gerar um terceiro Tim saído das costas do segundo.
— Ah não, de novo não! — disse o segundo, atemorizado — Criei mais um outro eu! Mas isso não devia acontecer, era pra ser somente eu.
— E não é que o gel funcionou bem até demais... — disse Tim 3 olhando-se no espelho ao lado do seu gêmeo — Não saí nadinha diferente. — apertou as bochechas sorrindo — O mesmo rostinho de galã.
— E a cara de bobalhão também! — disse o Tim 2, aborrecido virando-se ao terceiro — Não, espera... Ah, isso tá me confundindo legal!
— Relaxa aí, irmãozinho. Eu acabei de chegar, não vamos se estranhar agora que estamos nos conhecendo.
— Sem piadinhas, o papo é sério. — disse o segundo Tim o tocando nos dois ombros — Estamos fazendo um favor pro nosso eu original e ele quer nós dois colaborando pra fazer parecer que ele não faltou hoje e assim ninguém pensar que ele é um Ranger inútil... ou nós somos.
— Mas ele nem sabe que o efeito do gel criou mais uma cópia que sou eu...
— Claro que não sabe, mas ter você aqui comigo me ajudando não ferra com o plano, só melhora. O Austin ligou pra mim e pro meu eu original, mas eu que atendi e falei que já havia chegado e estava no pátio jogando basquete.
— E o que quer que eu faça? Ele mandou você ir, eu nem existia ainda. — disse Tim.
— Olha, faz o seguinte: você sai daqui pela porta e eu pela janela pra me esconder. Você vai pelo corredor pra ir direto ao pátio e chegar na quadra. A não ser que você encontre a Jessie ou a Zoe no caminho, elas já devem saber que falei sobre estar no pátio. Aí você se vira.
— "Aí você se vira" uma ova. Eu também odiaria me sentir inútil, mas acho que esse resfriado foi o que causou esse efeito e só vai piorar tudo. Melhor você ligar e contar toda a verdade fingindo que é nosso eu original.
— Ele vai ficar zangado e nós que seremos os inúteis. E se um monstro do Lokknon ataca? Qual de nós vai pra luta? Ah, sim, claro que é você, isso se você não espirrar e fazer outra cópia. O eu original me prometeu que eu ficaria livre depois que eu resolvesse tudo.
— Ótimo, você finge que é nosso eu original pra eles e eu apareço quando um monstro atacar, eu vou salvar o dia. — sugeriu o terceiro com postura soberba.
— Nada feito, vamos fazer do meu jeito. Vou pro pátio e faço o que der na telha. Você vai pelo corredor. Vamos antes que alguém entre e desmaie vendo dois Timothy Ray Dixon.
Cedendo ao combinado, o Tim 3 saíra do banheiro masculino pela porta assobiando tranquilamente enquanto o número dois atravessava a janela subindo por uma pia. Nesse instante, Zoe saía do banheiro feminino e reagiu surpresa ao ver o amigo passando ali.
— Nossa, Tim, enfim apareceu. O Austin, o Damian e a Jessie foram procurar você pela escola inteira. Ligou dizendo que estava no pátio, mas... — disse a Ranger Rosa franzindo a testa — É estranho, sabe... Não tem como vir do pátio até os banheiros sem ser pelo corredor principal. Eu e a Jessie não te vimos em nenhum outro corredor.
— Ahn... Hoje eu vim por uma rota diferente... Vim por teletransporte! Foi isso, usei meu teletransporte de Power Ranger.
— Só pra constar, nossos poderes não podem ser usados em benefício próprio. — disse Zoe que se preocupou — Cometeu um grave erro, Tim, se fizer isso mais vezes nunca mais poderá morfar de novo.
— Não, tá tranquilo. Foi só essa vez e pronto. Vamos logo pra sala antes que o sinal toque?
— A Jessie tá no corredor principal, encontra ela por mim e diz que já tô indo, só vou beber água.
— Tá legal, pode deixar. A gente se vê na aula. — disse o Tim 3 dobrando para o corredor e caminhando entre os vários estudantes — Ufa — soltou o ar pela boca de alívio.
Jessie foi vista por ele conversando com uma garota do 6⁰ ano-B.
— Tá, me liga quando precisar. Tchau. — disse a Ranger Amarela se despedindo, virando-se para Tim que vinha ao encontro dela — Finalmente deu as caras, hein atrasadinho. Onde se meteu?
— Eu vim por... — disse ele que gesticulou com o dedo indicador para Jessie inclinar seu ouvido para perto da boca. Logo repassou a desculpa esfarrapada para a amiga.
— Tim, você é doido. — disse Jessie em voz baixa, repreendendo-o — Não se pode usar os poderes de forma egoísta.
— Eu sei, tô ligado, mas foi mais forte do que eu. Prometo que não faço de novo. — disse o clone com as palmas da mão juntas. Duas meninas passaram por eles, uma delas borrifando um frasco de perfume no pescoço e conversando com a amiga sobre a fragrância. Porém, o odor invadiu as narinas de Tim 3 causando a sensação que precede um espirro.
— Tim, tá tudo bem? Você é alérgico a perfume? — indagou Jessie, estranhando as caras e bocas do amigo tentando prender o espirro. De súbito, o Ranger Azul correu na direção dos banheiros dos professores — Ei, Tim, não vai por aí! — intencionou correr atrás dele, mas parou — O que é que deu nele?
Tim-3 invadiu sem querer o banheiro feminino, fechando a porta num baque seco. Destapou as narinas, soltando um fortíssimo espirro. Por conseguinte, uma quarta versão de Tim surgia. Os dois se entreolharam e gritaram de medo apontando um ao outro.
Enquanto isso, o Tim-2 se escondeu num poste ao ver Austin e Damian virem voltando após procurarem pelos arredores da área.
— É tudo ou nada. — disse ele que se expôs. Os Rangers Vermelho e Preto interromperam a conversa ao verem ele se aproximar rápido.
— Mas olha aí, é o nosso desaparecido reaparecendo. — disse Austin, contentando-se.
— Quem é vivo sempre aparece. — disse Damian — Por onde você esteve, cara? Virou fumaça?
— Rodamos quase toda a escola atrás de você. — completou Austin.
— Foi mal, eu não tava na quadra, mas sim no banheiro, entrei pela janela. — disse o clone.
— Entrou pela janela? Mas por que? — questionou Austin.
— E-eu... Eu tava fugindo dos valentões da rua de baixo, vocês sabem que eles são muito piores que o Brock e o Stuart.
— Sim, a gente sabe, mas... Por que mentiu que estava na quadra? — perguntou Austin.
— Podíamos ter te escoltado até a entrada, era só nos chamar. — disse Damian, sua desconfiança detetivesca aumentando.
— Mas... Não, não ia dar certo, esses caras são muito maiores, iam esfregar o chão com nós três. Não quis que vocês me vissem tremendo assustado no banheiro.
— Tudo bem, Tim, entendemos você. — disse Austin, compreensivo — Chegou a ver as meninas?
— Ahn... Não, não vi elas no corredor, acho que estavam no banheiro. — mentiu o clone, nervoso — Me dão licença? Tenho que resolver um assunto em particular.
Tim-3 e Tim-4 se esconderam atrás do carro de limpeza encostado na parede do corredor dos banheiros dos professores.
— De que vai adiantar ficarmos aqui? — perguntou o Tim-4.
— Shh. — chiou o número 3 pedindo silêncio — O zelador pode tá na área. Entra no carrinho, depressa. Mas se cobre com o pano de chão e não faz barulho nem se mexe. — idealizou o Tim-3.
— Ah, cara, eu tô odiando esse dia. — disse Tim-4 subindo no carrinho expressando nojo.
— Nós cinco estamos. — retrucou o 3.
O clone número 4 se cobriu com os panos de chão e garrafas de desinfetante em meio aos esfregões, rodos e vassouras. O zelador, um homem jovem, forte e caucasiano de cabelo crespo e barba por fazer usando macacão jeans por cima de camisa xadrez verde e um boné azul, dobrava o corredor dirigindo-se ao carrinho. Tim-3 resolveu sair detrás dele.
— Oi. Desculpa aparecer assim, é que...
— Tá fazendo o quê aí atrás, moleque? Melhor se mandar, o sinal vai já tocar.
— Sim, já tô indo, eu só tava me escondendo de um valentão. — disse o clone passando por ele para sair dali. O zelador balançou a cabeça em negação para Tim, logo pegando o carrinho e empurrando-o. Fora deixa-lo no depósito de serventes após ter concluído parte do trabalho pesado do dia. A situação de Tim-4 ameaçava se agravar quando uma coceira acometeu seu nariz.
— Agora não... De novo na... aaaa... aaaa...
O zelador virou as costas apenas com vassoura e rodo, mas ao ouvir o espirro voltou-se imediatamente para o carrinho. Coçou a cabeça, a face de estranheza, imaginando ter escutado alguém espirrar, mas duvidou sobre a origem.
— Deve ser o trampo mexendo com a minha cabeça. Tô ouvindo coisa do além. — disse ele que saiu a passos largos, mas dando olhadela pelo espaço e subindo a escadinha de concreto.
O Tim-4 se levantou saindo de cima dos panos ao mesmo tempo que o recém-surgido número 5. Os dois se entreolharam por um segundo e reagiram com sustos leves.
— Que massa, tenho um irmão gêmeo. — disse Tim-5 sorrindo.
— Um não, quatro. — corrigiu o Tim-4.
Ao verem a sombra do zelador e ouvirem os passos na escada, a dupla saiu agilizada do carrinho e se enfiaram no armário de suprimentos quase vazio. O zelador havia esquecido do desentupidor. Pegara-o e seguiu de volta.
— Cara, eu tenho alergia, esse lugar, além de apertado, tá cheio de poeira. — disse o 5.
— É por causa do nosso eu original, ele tá com um baita resfriado. Tenta não espirrar. — pediu o Tim-4.
— Não sei como... parar... aaa... aaa...
Rapidamente o Tim-4 usou o dedo indicador para tapar as narinas do seu clone e evitar o surgimento de mais um, o que felizmente dera certo.
— Valeu, mas acho que foi alarme falso.
— Essa foi por pouco hein. Que tal sairmos daqui? Vai dar ruim se ficarmos nos escondendo o tempo todo, então só nos separamos e damos um jeito de fugir da escola.
— Mas não era pra trabalharmos em equipe?
— Relaxa, o número 3 cuida de tudo, ele segura a barra até o original melhorar.
— Número 3?
— É, seu cabeça oca. Eita, como é estranho eu me xingar. Enfim, você entendeu, sou o número 4 e você o 5. Uma cópia nova é criada através da última, ou seja, se você espirrar vai nascer o número 6 e assim por diante.
— Mas o que acontece se você ou qualquer cópia antes de mim espirrar?
— Nada, eu acho. Talvez só a última cópia faça isso.
— Entendi, vai numa sequência seguindo os números, é tipo uma regra. O Damian coloca regrinhas até nisso.
— Olha, eu acho que o Damian não planejou esse efeito no gel. Vamos sair daqui, tô começando a sufocar. — disse o Tim-4 que tocou na porta visando abri-la, porém constatou estar emperrada — Ah não! Sujou! A gente tá preso!
— Culpa sua por me arrastar pra cá!
— Minha nada, nossa! Somos a mesma pessoa!
— Mas pensamos independente, né? A ideia foi sua, logo a culpa é sua, duh!
— Socorro! — disse o 4 batendo insistentemente na porta.
— Para de bater! Quer que descubram toda essa bagaceira que fizemos? Já era, vamos todos morrer aqui dentro e no nosso funera... aaaa... aaaa... Atchim!
Uma nova cópia surgia dentro do exíguo espaço. Devido ao ambiente empoeirado mais clones eram gerados. Paralelamente, Furryetti surgia em teleporte na cidade, mais precisamente atrás de uma árvore na praça.
— Encontrei uma lugar bem grande pra espalhar meus lindos pelos. Por onde eu começo? Hum... Ah, já sei, aqueles idiotas ali. — disse o monstro que mirou jovens skatistas alegremente conversando. Espirrou e liberou uma nuvem de pelos que se dirigiu até os rapazes e os envolveu. Se agitaram tentando espantar os pelos, mas logo começaram a espirrar descontroladamente. Outras pessoas em volta também manifestavam a alergia — Hehehe! Todos espirrando sem parar! Minha força tá aumentando a mais de mil! — correu em busca de mais vítimas.
O Tim original resolveu ligar para seus clones a fim de saber do status da operação. Os celulares de todos os clones tocaram. A turma do 6⁰ ano-A se encontrava já em sala de aula. O Tim-3 resolveu atender, apesar da proibição, se abaixando.
— Alô?
— Me diga que só você tá na linha, número 2. — disse o original na conferência.
— Quem tá falando aqui é o número 4! A coisa tá feia, papai!
— Não me chama de papai! Peraí, então existem mais eus?! Ah meu Deus... — disse o original se desesperando no quarto — Era o que eu mais temia. Tá legal, muita calma nessa hora.... Número 3, cadê o número 2?
— Não faço ideia, ele saiu pro pátio quando entramos pelo banheiro. Estamos fazendo conferência, né? Ele deve ter atendido.
— Número 2, na escuta? — perguntou o original sem obter resposta — Deve ter fugido. Caramba, tá tudo saindo do controle.
— E qual sua ideia? — indagou o Tim-4.
— Abortar a missão. — decretou o original.
— Tarde demais! — disse o número 4.
— Quantos de mim já existem?
— Perdemos a conta. — disse o Tim-5 junto ao sexto, sétimo, oitavo, etc., todos apertados como sardinhas enlatadas.
— Eu vou até aí esclarecer tudo de uma vez pros meus amigos, já foi longe demais. — disse o original que desligou.
— Não, não vem pra cá... — disse o 3 que logo viu a figura robusta da Srta. Paddleton parada próxima dele com a mão direita apoiada sobre a mesa e movendo os dedos — Oh-oh. — dera um sorriso nervoso a ela que o fitou rigorosa pedindo o aparelho
Instantes depois, o Tim original se aproximava da escola após fugir pela janela do quarto e driblar os irrigadores. Bateu na porta com quadrados de vidro. O segurança veio atendê-lo.
— Conheço você...
— Sim, sou o Tim Dixon do 6⁰ ano-A. Por favor, me deixa entrar, me atrasei feio hoje.
— E onde está sua mochila?
— Nossa, que distraído eu, né? Acabei esquecendo em casa. — mentiu dando de ombros.
— Conhece as regras, nenhum aluno é permitido entrar após o primeiro tempo.
— Mas a professora me pediu pra... ahn, discursar sobre a guerra civil americana no segundo tempo como castigo por uma travessura de ontem.
— Hum... É bom que seja verdade, senão vai se ver com o diretor. — disse o segurança destrancando a porta e abrindo-a.
— Valeu, Doug, amigão. — disse ele entrando depressa.
No intervalo, os Rangers se reuniram numa mesa, mas algo chamava a atenção. Tim esperava na fila por bolinhos de chocolate em vez de aproveitar a salsicha empanada.
— Temos que concordar: o Tim não tá legal. — disse Austin — Ele não é de comer bolinhos no dia que ele só come salsicha.
— E nem entraria pela janela do banheiro não importa se perseguido por um valentão ou por um touro bravo. — disse Zoe.
— O mais esquisito foi ele falando comigo no corredor principal e de repente ele sentiu vontade de espirrar e correu pro banheiro dos professores. — disse Jessie — Faltavam cinco minutos pro sinal tocar.
— Cinco minutos? Mas nesse meio tempo o Tim encontrou a mim e o Austin no pátio. — disse Damian.
— É, falou que vinha do banheiro. — disse Austin olhando para os três — Galera, alguma coisa não tá batendo. Como o Tim poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo?
— Foi se baseando na suspeita que peguei o celular dele, estava na caixa de achados e perdidos. — disse Damian mostrando o aparelho — Sorte que a Srta. Paddleton não percebeu. Agora vamos ver quem ligou pra ele.
Na lista de chamadas atendidas contava o número de Tim como a última.
— Não vão acreditar... — disse Damian mostrando a tela para os demais — É o próprio número dele.
— Tim tava falando com ele mesmo? — indagou Jessie franzindo a testa, confusa.
Dois garotos do 6⁰ ano-B passaram assistindo a um vídeo viral e comentando acerca.
— Não vou mentir, tô com inveja dessa coragem do Tim de matar aula só pra participar do concurso de cachorro-quente do Earl e ainda vencer. — disse o garoto com o celular.
— Agora vai ficar se achando por ganhar uma semana inteira de comida e bebida grátis. — disse o outro.
— Concurso de cachorro-quente? — indagou Zoe. Austin levantou e parou a dupla.
— Ei, vocês, me digam uma coisa: o Tim realmente ganhou uma competição de cachorro-quente no Earl? Quando foi isso?
— Hoje mesmo. Faz quase meia hora que postaram o vídeo e viralizou.
Jessie verificava pelo seu celular entrando site de compartilhamento de vídeos. Mostrou a tela aos amigos confirmando a veracidade.
— Admito que isso agora tá me assustando. — disse Jessie.
— Tim tem um irmão gêmeo idêntico? — indagou Zoe, preocupada.
— Pessoal, tenho uma teoria sobre o que pode estar acontecendo. — disse Damian, pensativo.
Austin se sentou depressa ao ver Tim-3 retornando.
— Lá vem ele voltando. Guarda o celular, Damian, disfarça.
Ao voltar para a mesa, o clone trouxera uma bandeja com mais bolinhos.
— Ah, aquela fila quase não andava. Vão querer alguns? Tô afim de dividir, então aproveitem.
— Não, Tim, nenhum de nós quer. — disse Austin levantando.
— Pode se esbaldar aí a vontade. — disse Zoe também levantando. Jessie e Damian também o fizeram.
— Pra onde estão indo? Não gosto de lanchar sozinho.
— Vamos ao banheiro, mas já voltamos. — disse Damian.
— Vocês quatro juntos? Que coisa... — disse Tim olhando com estranheza os amigos afastarem-se — Beleza, vai tudo pra minha barriga.
Enquanto isso, o Tim original descia até o depósito confiando no seu instinto.
— Aqui é o primeiro lugar que eu pensaria em me esconder quando estivesse numa fria. — disse Tim indo até o armário. Forçou para abrir a porta. Mas ao abrir, foi bombardeado por vários clones que caíam sobre ele. Todos levantaram tocando na cabeça doída — Saiam de cima de mim, chega pra lá!
— E aí, maninho? — disseram boa parte dos clones.
— Eu sou o número quatro! Acredita em mim, né? Digo, acredita em você, né?
— Olha, não venham me confundir, a situação já chegou ao ponto de me enlouquecer! Eu sou o original e estou no comando, portanto prestem bem atenção. Eu já tô quase melhor graças a sopa da mamãe, mas vou ter que escolher um de vocês pra ficar na escola até o fim e lutar contra um monstro do Lokknon se aparecer.
Os clones se olharam e logo inflamou um clima de rivalidade. Todos eles levantaram as mãos agitadamente pedindo pelo voto do original.
— Ah, onde foi que amarrei meu burro? — disse Tim pondo as mãos na cabeça em aflição por ouvir aqueles vários "eu" ditos pelos clones.
No corredor dos banheiros, os Rangers discutiam a natureza bizarra do caso.
— O Lokknon deve ter infiltrado um impostor do Tim. — supôs Austin.
— Mas o Tim que come bolinhos na quarta também vem agindo estranho. — disse Zoe.
— Se aquele é outro impostor, então cadê o original? — questionou Jessie.
— Mas é desse impostor que tô falando, é o único. — disse o líder para as meninas — O Tim que conhecemos matou aula pra ir ao Earl participar da competição de cachorro-quente.
— Escutem, tenho uma ideia do que seja a causa pra essas duplicatas do Tim terem surgido. — disse Damian. Mas o toque dos comunicadores interrompeu-o. No depósito, os clones cessaram o vozerio com o toque simultâneo dos comunicadores.
— Eita, é o Sr. Dickerson em contato. — disse o original — Tirem no pedra-papel-tesoura pra ver quem vai pra morfar.
Os clones se agruparam e jogaram. Eis que o quinto clone havia ganho com pedra sobre vários papéis.
— Yeah, eu sou o número 5! Ganhei!
— Legal, se teletransporta pra onde os meus amigos estão agora. — mandou o original. A cópia o fez, porém acabou por substituir o Tim-3 no lugar onde estava — Ué, que doideira é essa?
— Eu tava quase terminando o penúltimo bolinho! — disse o 3 — E sou o número 3, só pra ficarem sabendo.
O Tim-5 estava sentado no refeitório desentendido.
— Mas cadê eles? Devem ter ido ao banheiro. — disse ele levantando. Mas voltou só para pegar o último bolinho — Hum, bolinho gostoso.
— Na escuta, Sr. Dickerson. — disse Austin.
— Rangers, preciso que vocês vão até as proximidades da praça central, há uma criatura atacando com nuvens de pelos e causando surto de alergia em todos que inalam. — avisou o mentor visualizando a atividade de Furryetti por um monitor.
— A gente tá a caminho. — disse Austin. Tim-5 veio correndo — Vem logo, Tim, um monstro do Lokknon tá aprontando.
— Encontrei vocês. Não iriam sem mim, né?
— De modo algum te deixaríamos pra trás. — disse Zoe — Não seria a mesma coisa sem você.
— Muito bem, Rangers, o dever nos chama. — disse Austin com a célula e o morfador — É hora de morfar!
— Touro Ônix!
— Tubarão Cobalto!
— Arraia Rósea!
— Águia Flavescente!
— Leão Escarlate!
No depósito, Tim e seu clones morfaram automática e simultaneamente.
— Não acredito! O clone que venceu o jogo morfou, daí todos morfaram juntos! — disse o original — Façam o seguinte: se teletransportem pra diferentes lugares da cidade.
— E se um de nós trocar de lugar com o número cinco? — indagou um deles.
— Não acho que isso vai acontecer. Confiem em mim. Eu vou caçar o monstro tentando encontra-lo antes dos meus amigos. — disse o original ficando próximo dos múltiplos gêmeos — Tomara que o número 2 já tenha saído do Earl. Vamos lá, juntos! — tocou no morfador preso ao cinto ao que as cópias repetiram. Os Rangers Azuis se teletransportaram para diferentes localidades nos quatro cantos da cidade.
Furryetti seguia disseminando seus pelos incômodos por toda parte, afugentando pessoas que espirravam ininterruptamente.
— Maravilha! Ninguém vai escapar dos meus pelos, todos vão saber como eles são incríveis!
O Tim original corria até ali, mas travou ao deparar-se frente ao monstro a alguns metros.
— Droga, aquele é o monstrão!
— Você é diferente, não tem nariz. — disse Furryetti virando-se para ele — Mas não importa, meus pelos devem ser sentidos por todos!
O monstro espirrou lançando a nuvem de pelos diretamente a Tim que se agitou tentando afasta-los como se espantasse insetos. O Ranger Azul tomou outra direção correndo o mais rápido que suas pernas permitiam. Em seguida, os Rangers enfim chegaram abordando Furryetti.
— Chega de sujar a cidade com todo esse pelo, ô pé grande! — disse Austin.
— Ele vitimou muita gente. — disse Damian olhando em volta.
— É como se todos tivessem pego um resfriado ou uma alergia. — analisou Zoe.
— Vieram mais iguais aquele que acabou de fugir! Preparem-se pra sentir meus pelos!
— Quem igual a nós fugiu? — perguntou Jessie.
— Será o impostor? Ele também morfou? — se perguntou Zoe.
— Galera, não temos tempo pra ficar pensando, vamos ao ataque! — determinou Austin.
— Vejam como meus pelos são gostosos! — disse Furryetti soprando mais uma nuvem de pelos.
— Barreira Z! — disseram os Rangers que alinhados reproduziram um escudo holográfico com energia concentrada dos emblemas em seus peitos. Os pelos foram rebatidos de volta.
— Melhor atacar depressa antes que ele solte mais volume de pelos! — sugeriu Damian.
— Boa, Damian! Pistolas Z! — bradou Austin sacando a sua arma. Os cinco dispararam os lasers que explodiram faíscas ao redor de Furryetti que se desorientava.
Paralelamente, o Tim original correu para um vasto terreno baldio com um prédio de obra inacabada ao lado, segurando o espirro ao máximo. Porém, parou não resistindo mais um segundo sequer.
— Atchim!
O espirro acabou por gerar clones e mais clones em todos os pontos onde as cópias estavam. Na área onde os Rangers confrontavam Furryetti, o Tim-5 gerou uma nova cópia enquanto os demais lutavam corpo a corpo com o monstro que os repelia com sua força aumentada. Dera uma cabeçada em Austin, o derrubando.
— Austin! Cê tá legal? — disse o Tim-5 ajudando-o, mas a cópia também viera — Sai fora, eu ajudo ele a levantar!
— Sou amigo dele tanto quanto você! — retrucou o clone.
— Perai, o que tá havendo? São dois Tim aqui comigo?! — disse o líder, atônito, entre os clones.
— De onde saiu esse outro? — perguntou Zoe ajudando Jessie a levantar.
— Não tô entendendo mais nada! — disse a Ranger Amarela.
— Eu posso explicar, eu sei o que desencadeou essa loucura! — disse Damian.
— Vocês me deixaram muito zangado! Atchim! — disse Furryetti espirrando e liberando mais pelos que desta vez atingiram os heróis que começaram a espirrar tal qual os civis.
— Essa não, meus amigos foram afetados! — disse o Tim-5.
— Nossos você quer dizer! Não fica aí parado, vamos dar uma surra nesse gorducho peludo! — disse a cópia se posicionado para lutar.
Lokknon observava a balbúrdia com os espirros, mas logo foi mudando de "canal" e se surpreendeu com as inúmeras cópias de Tim em diversos pontos da cidade realizando boas ações como ajudar a idosos a atravessar a rua, segurar sacolas pesadas de compras, comprar sorvete para crianças, cortar a grama etc.
— Eu diria que a única maneira de cessar a clonagem é curando o Ranger Azul! — disse Barooma.
— Que sandice acabou de dizer, Barooma! Por que eu cederia meu antigripal a esse verme? — questionou o imperador.
— Pense bem, mestre. As complicações tendo vários Rangers Azuis coexistindo. — disse Mudok — A sua dor de cabeça seria incessante.
— Odeio admitir, mas... — disse Aracna, desconfortável — Um Ranger Azul incomoda, mas milhares dele incomodam muito mais!
— Está bem! — disse Lokknon rangendo os dentes — Em virtude das implicações dessa epidemia de Ranger Azul... Eu empresto meu remédio pra que isso tenha fim. Aracna, vá pega-lo e entregue ao Ranger Azul. Não lute com ele.
— OK, se é pra evitar maiores danos, eu farei.
O Tim original sofria para travar mais espirros.
— Posso sentir, criei mais eus... Se eu continuar espirrando não vai caber mais no planeta!
Aracna surgia em teleporte diante dele com o frasco do antigripal.
— Aracna! Veio dificultar ainda mais meu dia, né?
— Eu adoraria, mas fui encarregada de uma tarefa bem chata. Pega! — disse ela que logo jogou o frasco. Tim o pegara certeiro.
— Que negócio é esse? Por que me deu isso?
— É o remédio que o mestre toma sempre que tem sintomas gripais, ele usa para prevenir.
— Por que eu confiaria em você?
— Se não quiser comprovar, problema seu. — disse Aracna, virando as costas e andando desdenhosa. Tim olhou bem para o frasco e ponderou as chances.
— Não entendo. Por que o Lokknon me curaria?
— Só você com os outros Rangers é insuportável o suficiente pra ele. E pra mim também. — disse ela virando-se para ele — Pega ou larga. A escolha é sua.
Tim, que sempre acreditou no seu otimismo, decidiu assumir o risco sem medo algum. Tirou o capacete, abrira o frasco e tomara a cápsula. De instantâneo, suas vias nasais foram desobstruídas.
— Caraca, meu nariz... desentupiu todinho! Eu... queria dizer... — disse Tim se esforçando para agradecer — ... obrigado. Mas isso não muda nada!
— Óbvio que não. O mestre não fez isso por você ou pelos outros Power Pirralhos. Devia estar ajoelhado diante dele agradecendo.
— Aí já é demais! — disse Tim pondo de volta o capacete — Muito bem, todos os meus eus, se teleportem pra onde eu tô, agora!
— O original manda! — disseram todos os clones. Se teletransportaram ao terreno baldio em um número que assustou Aracna.
— O quê? Tudo isso?!
— E aí, Aracna, tá afim de encarar? — desafiou o original aquecendo os dedos.
— Sorte a sua que o mestre me proibiu de lutar! Eu teria dizimado todos num instante! — disse Aracna, irritada, logo se retirando.
— Aí, rapaziada, o que acham de fazermos uma surpresa pro monstrengo? — sugeriu o original — Estão pensando o mesmo que eu, né?
— Pode crer! — disseram as cópias dando joinhas.
— Ótimo, todos juntos! — disse Tim se teletransportando com todas as duplicatas.
Furryetti pulava de alegria com os Rangers espirrando a cada segundo.
— Essa cidade é minha! Eu sou o rei do mundo!
— Pra mim tá mais pra rei da idiotice. — disse um clone de Tim saindo detrás de uma árvore.
— Você voltou! Só falta você pra experimentar meus pelos!
— Acho que não vai dar. — disse outra cópia saindo de um arbusto.
— Porque vamos te dar um tratamento especial. — falou outra saindo detrás de um caminhão.
— É, que nem fazem com os cachorros no pet shop.
— Vai ficar uma gracinha.
As múltiplas cópias vinham cercando Furryetti o deixando confuso e aflito.
— Barbartanas cortantes! — bradaram os clones junto ao original invocando as armas. Todos eles partiram ao ataque desferindo cortes ferozes de luzes azuis com as lâminas sucessivamente, raspando a pelagem de Furryetti que rodava recebendo os golpes. No fim, não restou um fio sequer no corpo pelado do monstro que tinha olhos pretos pequenos.
— Não! Meus lindos pelos se foram! Olha o que fizeram! — disse o monstro apanhando os pelos caídos e tentando repo-los.
As pessoas acometidas pela alergia desenfreada foram rapidamente curadas e respiravam aliviadas. Com os Rangers não havia sido diferente.
— Paramos... Paramos de espirrar, pessoal! — disse Austin.
— Acho que vou desmaiar. — disse Jessie apontando para o exército de clones.
— Minha nossa... Como o Tim criou tantas cópias de si mesmo? — questionou Zoe.
— Se me deixarem explicar... — disse Damian.
— Agora temos a chance de fazer picadinho dele! — disse Austin — Ei, qualquer um de vocês vem aqui!
Os clones se movimentaram, mas começaram a brigar entre si sobre quem iria. Os pelos de Furryetti voltavam a crescer gradualmente.
— Meus pelos estão voltando, que legal!
— Depressa, a pelagem dele tá se restituindo! — disse Damian.
— Vou escolher então. — disse Austin movendo o dedo indicador direito de um lado para o outro — Você aí! Sim, você mesmo.
O clone correu até eles entusiasmado.
— Combinar armas! — bradou Austin. Os Rangers chamaram pelas armas e logo as fundiram, assim originando o Abatedor Selvagem — Alvo travado na mira! — apontou o canhão duplo em Furryetti — Disparar!
O laser foi lançado e atravessou Furryetti que chorou sem ver sua pelagem recomposta. O monstro caíra e explodiu fatalmente. Lokknon manifestava sintomas gripais como se a derrota de Furryetti não o desesperasse o bastante.
— Mas que vergonha de monstro foi esse, Barooma! Eu vou aposentar esta máquina... aaa... aaa... Atchim!
— Mestre, o laser regenerador, não devo disparar? — indagou Barooma.
— Imbecil, não vê que o mestre precisa de cuidados? Mexa-se, vá procurar remédios na caixa de primeiros-socorros! — disse Mudok o empurrando.
— Só tem um probleminha. — disse Aracna, tensa, encostada na parede — Aquele frasco era o último e tinha uma só cápsula.
Lokknon espirrava mais vezes.
— Foi aquele... Atchim... maldito monstro... Atchim... e seus pelos detestáveis! Atchim! Vá ao planeta Healk agora, Mudok, e me traga mais um frasco! Atchim!
— Imediatamente, mestre. Irei preparar uma nave compacta. — disse o androide saindo.
Na Terra, as cópias celebravam a vitória, mas havia uma pendência.
— E o Lokknon não transformou o bola de pelo num gigante. — disse Austin — Melhor pra nós, economizamos energia. O problema agora são todos vocês...
— Como se um já não bastasse. — disse Jessie fazendo Zoe rir.
— Ouvi isso hein! — disse um dos Tim, mas oculto.
— Qual de vocês é o verdadeiro Tim? — perguntou Austin em voz alta. Os clones se afastaram apontando para o original que se via no meio.
— Seus dedo-duros. — resmungou Tim.
Damian se colocou à frente dos amigos.
— Pessoal, eu sei exatamente o que houve, faz um tempão que tô tentando explicar.
— Então vai Damian, conta pra gente. — disse Jessie.
— Acontece que semana passada eu emprestei meu gel duplicador pro Tim. Criei essa fórmula pra facilitar a vida de quem perde objetos com frequência. O Tim se encaixa no perfil de usuário, afinal ele sempre perde suas canetas e lápis. Então pra que não ocorresse com mais nenhum outro objeto, cedi o gel pra que ele criasse pelo menos uma cópia de cada objeto propenso a ser perdido.
— Só que aí fiquei gripado e achei que viria a calhar usando em mim mesmo porque... — disse Tim se aproximando — Eu não queria me sentir inútil ou vocês me achando um inútil por ficar de fora.
— Mas... Tim, você é parte da equipe com a mesma importância que qualquer um de nós. — disse Austin — Com certeza não nos sentiríamos totalmente fortes sem você.
— E você estava doente, isso justifica você não poder vir. — disse Zoe.
— Achou que não íamos entender isso? Não seríamos tão inflexíveis. — declarou Jessie.
— Nossa, se continuarem falando assim eu vou chorar. — brincou Tim — Mas não entendi porque foram saindo várias cópias.
— Foi devido a sua condição de saúde. — apontou Damian — Uma das funções de um vírus é se replicar, então o efeito do gel assimilou essa característica.
— Agora que tá tudo esclarecido... O que vamos fazer com os seus irmãos, Tim? — indagou Austin.
— Não tem espaço nem pra metade deles na minha casa. — disse Jessie.
— Nem na minha. — adicionou Zoe.
— Eu já melhorei da gripe...
— Nesse caso você pode absorve-los. — revelou Damian — Basta tocarem em você, são extensões suas. Com a gripe curada, o efeito será o inverso.
Tim se dirigiu aos clones ficando no meio deles.
— Quem quer partir pro abraço?
As cópias gritaram eufóricas e correram para pular em cima da versão original massivamente. Após todos os clones voltarem ao corpo de Tim, o Ranger Azul levantou-se, disposto.
— Voltei. Único e inigualável. Aí Damian, foi mal por usar o seu gel desse jeito, te devolvo amanhã.
— Sem problema. Essa situação vai servir de lembrete pra não te emprestar mais nenhuma invenção minha.
— E vocês provaram que gostam tanto de mim pra não terem se chateado... Será que todos aqueles clones meus iam deixar a vida de vocês mais divertida? Confessem, eu sei que iria!
— Ahn, tenho dúvidas. — disse Austin virando-se e caminhando.
— Um é bom, dois é muito e um milhão é insuportável. — disse Zoe.
— Não, peraí, não vão saindo assim! — falou Tim seguindo os amigos — Não sou melhor multiplicado por mil?
***
Na tarde seguinte, Tim se direcionava com seu costumeiro sorriso bem-humorado até a cantina do Earl para encontrar os Rangers. No outro lado da esquina, Brock e Stuart passavam e avistaram-no prestes a entrar na lanchonete.
— Ei, olha ali a nossa presa, Stuart.
— Vamos perguntar a ele como foi que ganhou a competição de cachorro-quente.
A dupla de valentões atravessou a rua e foram se aproximando com expressões maldosas. Brock empurrou Tim pelas costas tão forte que o fez bater o rosto no poste que sustentava a placa com o letreiro da cantina.
— Seus pregos, quase quebrei meu nariz! — disse Tim voltando-se a eles irritado — O que vocês querem? Não tem dinheiro pra lanche hoje, tô duro.
— E a gente lá quer tua grana, paspalho! — disse Brock — Mas é claro que não tem já que venceu a competição de cachorro-quente, daí pode fazer até rodízio de graça. Fala pra nós, pangaré: como foi que você conseguiu?
— Qual é o segredo? Vai falando logo! — disse Stuart — Senão o Brock te enche de bifa!
— E olha que eu sou bicampeão e iria ser tri se você não tivesse se metido onde não foi chamado. — disse Brock se gabando.
— Para de mentir, seu mané. Até eu sei que você quase se engasgou e foi desclassificado na disputa do mês passado.
— Agora você vai ver só... — disse Brock erguendo o punho cerrado para socar Tim.
— Vê se pega alguém do seu tamanho! — disse um outro Tim saindo de um arbusto.
— Aprenda a ser um bom perdedor. — disse outro que saiu detrás de um muro. Mais dois vieram e cercaram Brock e Stuart que se amedrontaram.
— Que parada doida é essa? — indagou Brock com medo.
— Ele tem irmãos gêmeos e ninguém avisou?! — disse Stuart.
— Eu sei lá, mas nem quero saber! Vamos vazar! — disse Brock disparando a correr com o parceiro. Tamanho assombro que quase foram atropelados por um taxi, sendo xingados pelo motorista.
— Eu não sabia que era preciso mais quatro de mim pra fazer esses caras largarem do meu pé. — disse Tim.
Os clones logo se revelaram como sendo os Rangers disfarçados por máscaras e outros acessórios que emulavam a aparência de Tim.
— Não vai se acostumando. — disse Jessie.
— O Sr. Dickerson vai querer esse kit de espionagem de volta ainda hoje. — disse Zoe.
— Mas acho que serviu pra eles se mancarem. — disse Austin.
— Devem ter achado que ficaram insanos. — disse Damian.
— Poxa, galera, valeu por acreditarem quando eu disse que esses dois iam encher meu saco depois que me tornei o Mr. Hot-Dog por um mês.
— E eu tenho certeza que o Earl vai abrir uma exceção pra nós graças a você. — disse Austin tocando-o no ombro à esquerda dele.
— Pois somos os melhores amigos do campeão. — disse Damian à direita bem perto.
— Ah vão se ferrar seus interesseiros! — disse Tim em tom brincalhão indo com os Rangers para entrar na cantina e dividindo altas risadas.
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