Power Rangers: Esquadrão Z
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Notas iniciais
A temporada do circo Burlesk na Alameda dos Anjos daquele ano havia iniciado para atrair uma enorme parcela de adultos e crianças que formavam filas quilométricas para assistir aos mais fabulosos espetáculos que abrilhantavam a arte do entretenimento circense.
Alocada no parque de diversões, a trupe organizou uma gincana com crianças valendo prêmios que eram sonhos de consumo da garotada. No meio da multidão eufórica de meninos e meninas de 8 a 12 anos, os Rangers não perderam a chance de dar uma olhada antes do início do espetáculo naquela tarde deliciosamente ensolarada.
— Aproximem-se, crianças que estejam com fome de determinação e sede de garra! — dizia o carismático e jovem apresentador com uma roupa que remetia ao visual do Mágico de Oz — Pois as provas dessa competição exigem rapidez, intuição e... forte espírito esportivo!
As crianças aplaudiam, menos os Rangers — a exceção dentre eles sendo Tim.
— O que estamos fazendo aqui mesmo? — indagou Damian comendo pipoca num balde — Achei que fosse pra se divertir no parque como uma prévia até irmos ao circo.
— O Tim que nos arrastou pra cá, então ele tem a resposta. — disse Austin olhando para o amigo.
— Ah, pessoal, deem uma chance. — disse o Ranger Azul parecendo empolgado em participar — Ficaram sabendo da lista de prêmios que eles dão pra cada gincana vencida?
— Diz aqui no folheto que o primeiro bloco de provas vale um videogame, mas não diz qual exatamente. — disse Jessie, desconfiada — Tim, como você quer disputar um videogame que você nem sabe se é de última geração?
— Você já não tem um? — indagou Zoe ao lado da amiga
— Eu tinha. Lembram? Tive que vender pra um cara barra pesada do meu bairro pra pagar uma dívida da mamãe.
— Mas você já joga na casa do Damian. — disse Jessie — Sempre que quiser, você pode ir lá jogar por horas e horas.
— Se liguem, por mais que eu goste de jogar com meu amigão na casa dele, eu quero ter a oportunidade de convida-lo pra jogar na minha. — disse Tim indo para a direita de Damian o abraçando de lado.
— Mas quando você ainda possuía o seu nunca me convidou pra compartilhar. — contrapôs Damian.
— Não era tão avançado, então você ia ficar entediado. Aí, me passa essa pipoca.
— Ei, quando se quer dividir, primeiro se pede. — disse Damian incomodado.
— Mas eu pedi, não pedi? — disse Tim falando de boca cheia.
— Ah, legal, você esqueceu como se pronuncia por favor. — disse Damian ficando de braços cruzados com expressão indiferente.
Austin, Jessie e Zoe riram brevemente até que o apresentador da gincana finalmente anunciava quais provas.
— E agora, eis as provas pelas quais nossos dois competidores terão de passar! A primeira é bem simples, é preciso apostar seguro em qual balão vai estourar por último. — disse ele mostrando uma máquina onde haviam bexigas a serem automaticamente enchidas — Já na segunda é necessário muita agilidade e raciocínio rápido, pois terão que levar cada peça do quebra-cabeça até aquela mesa segurando esse balão metalizado. Ganha quem resolver o enigma antes do balão estourar. E na terceira última prova... — fora até uma bacia repleta de bexigas — A vitória vai para quem encher cinquenta balões em cinco minutos de modo que eles subam a uma altura de dez metros!
— Ah, cinquenta balões em cinco minutos, é moleza pra mim. — disse Tim já sentindo-se vencedor. Porém, uma certeza adversa o fez recuar — Ops, não é, não. — deu-se conta com expressão tensa — Jessie, será que você poderia ir no meu lugar, por favorzinho?
— Não, Tim, isso é perda de tempo, devíamos estar na montanha-russa a essa hora do que assistir competição infantil.
— Só que na montanha-russa daqui eu não tenho a altura mínima pra entrar. Vamos, faz isso por mim, vou me ajoelhar e te implorar pra todo mundo ver.
— Jessie, é bom lembrar que em matéria de fôlego, você tem o melhor entre nós cinco. — disse Austin.
— E seus palpites são quase sempre certeiros. — reforçou Zoe.
— Além da sua aptidão atestada pra solucionar quebra-cabeças. — acrescentou Damian em incentivo motivador.
Jessie os olhou num misto de dúvida de serenidade e dúvida.
— Acham mesmo?
— Mas é claro que sim, você arrasa não importa quem seja seu adversário. — disse Tim levantando a moral da amiga com honestidade — Por favor, esse prêmio significa muito pra mim.
— Tá bom, eu vou. Mas só porque vocês tem certeza do quanto eu sou boa nessas provas.
O apresentador tentava escolher os competidores a dedo frente a várias crianças clamando para serem selecionadas. Jessie se colocou mais adiante da plateia erguendo a mão.
— Eu aqui, me escolhe, por favor!
— Você me parece cheia de garra, garota loira! Pode vir, pode vir!
Jessie foi até o palco e acenou para os amigos. O mágico apontou para sua segunda escolhida.
— Você aí, garota de franja e vestido rosa, pode vir! Temos as nossas competidoras, que comece o desafio!
-— O quê? — disse Jessie ao ver de quem se tratava a sua adversária — Tá brincando comigo...
Cindy Harper subia altiva, acenando com sua classe e elegância para o público. Tim engoliu a saliva, a tensão aumentando.
— Ih, ferrou.
— Ferrou pra quem? — indagou Austin a esquerda.
— Pra Jessie ou pra Cindy? — perguntou Zoe para incita-lo a fazer uma escolha que não deveria atormenta-lo.
— Ferrou pra mim! Uma parte minha quer que a Jessie vença pra me dar o videogame e a outra quer que a Cindy vença porque, ahn, bem... é a Cindy.
— Não tem dificuldade alguma em escolher. — disse Damian o tocando no ombro — Se deseja mesmo esse prêmio, então use sua energia para torcer pela Jessie.
— Porque uma coisa é certa: se a Cindy ganhar, a última coisa que ela pensará em fazer será doar o prêmio. — declarou Zoe, o que fizera Tim se decidir, assentindo para si mesmo.
— Vai lá, Jessie! Você arrebenta! — falou ele em voz alta — Tomara que a Cindy ganhe só a primeira prova. — disse em voz baixa, nervoso.
— Ora, veja só, a mulambenta oxigenada vai ter a audácia de competir comigo.
— Eu diria que é uma sorte muito grande ter você como adversária, Cindy. — disse Jessie com ar de deboche.
— O que tá querendo dizer com sorte?
— Você verá.
— Hum, veremos. — disse a patricinha com expressão azeda.
Enquanto isso, Flint e Mason passeavam pelo parque, ambos comendo algodão doce rosa.
— Onde será que eles estão? O espetáculo no circo começo mais cedo será? — questionava Mason.
— Disseram que seria as cinco. Vai saber se mudaram. — disse Flint pegando um pedaço do algodão e enfiando na boca — Eu tô mesmo afim é de encher a barriga e levar pra casa uns bichinhos de pelúcia indo nessas barracas de tiro ao alvo.
— Para de zoar, você nem gosta de pelúcia.
— Mas eu gosto de vencer jogos e a emoção da conquista é o verdadeiro prêmio. Duvido que ganha de mim em qualquer um deles.
— A minha arma de Power Ranger atira ondas hipersônicas e você sabe que não faço feio na mira.
— É, mas você não tá morfado agora, espertão.
— Acha que só tenho boa mira quando me transformo em Ranger?
Um balão azul claro viera voando e bateu de leve no rosto de Mason que incomodou-se.
— Que saco, quem é que fica soltando esses balões por aí? — perguntou-se ao pega-lo pelo fio — Não, tenho uma pergunta melhor: qual é a graça de ficar segurando um balão pra cima e pra baixo?
— Sei lá, balão é coisa de criancinha. É colorido, voa e estoura, deve ser por isso que gostam.
— Eu nunca vi sentido algum. — disse Mason que logo usara a ponta do palito do algodão doce para estourar a bexiga — Encher pra estourar depois, grande utilidade.
Um garoto de seis anos correu até eles com voz de choro e semblante de pranto.
— Era meu! — berrava o menino — Seu idiota, você estragou meu balão! — começou a bater com os punhos cerrados na barriga de Mason.
— Ei, ei, pirralho, relaxa aí! — disse Mason dando um leve empurrão no garoto — Eu não sabia que tinha dono, tá legal? Pede pra sua mamãe comprar outro.
— Mas eu gostava desse. — disse o garoto que ameaçava abrir um choro alto.
— Aí, da próxima vez não se distrai pra largar o balão.
— Ei, toma. — disse Flint dando uma moeda ao garoto que abrira um sorriso ao pegar.
— Obrigado. — disse o menino que saiu correndo chamando por sua mãe.
— Tem que ser menos duro com as crianças, cara. — orientou Flint que foi andando.
— Mas balões ainda são inúteis. Por isso são baratos. — retrucou Mason que foi seguindo-o.
Na gincana, Cindy bufou a fuzilando com o olhar após a rival vencer a prova de carregar o balão metalizado enquanto se resolvi o quebra-cabeça em menos tempo. Jessie retribuiu a sua maneira: com uma expressão confiante e um aceno elegante.
— Na terceira e última prova, nossas participantes terão que encher e amarrar o maior número de balões dentro do tempo-limite no objeto que acharem ideal para levantar um voo de até dez metros. Valendo! — disse o mágico, logo soprando o apito.
Jessie e Cindy rapidamente começaram a encher os balões, as duas trocando olhadelas sisudas. A Ranger Amarela amarrava os balões que pôde nos cinco minutos e pensava em qual pedra levantaria seu conjunto até dez metros.
— Pensa, Jessie, pensa...
— Se pensar demais vai acabar ficando pra trás. — disse Cindy tendo escolhido sua pedra a qual amarrou os balões que subiam — Oh, tadinha, já ficou. — zombou ela forçando uma expressão triste.
Zoe sentiu o medo da derrota da amiga fortalecer. A loirinha encontrava dificuldades para escolher uma pedra que tivesse densidade correta para que os balões subissem a altura exata.
— Se eu soubesse o peso de cada uma...
Os balões de Cindy acabaram ultrapassando os dez metros.
— E os balões de Cindy passaram da marca! Mas ainda há esperança pra ela: se Jessie não tiver enchido os balões em menos tempo ou não subir os balões até dez metros!
— Essa daqui. — escolhera Jessie, amarrando os balões — O Tim tá botando toda a expectativa dele em mim, não posso decepciona-lo.
Os balões subiram com um certo silêncio se fazendo na plateia que acompanhava atenta. Jessie engoliu a saliva, apreensiva. O grupo de balões acabou não alcançando a marca.
— Ah, mas que pena, Jessie, você escolheu uma pedra muito pesada pros seus balões. — disse o mágico ficando entre elas — Já que nenhuma das duas venceu nessa etapa, a vitória será decidida pelo resultado do tempo de enchimento dos balões. E vamos lá...
— Tô quase fazendo xixi nas calças. — disse Tim — Jessie, você tem que ser a ganhadora. — fechou os olhos e cruzou os dedos das duas mãos — Mas bem que a Cindy podia ter vencido na parte da subida.
O mágico anunciava os resultados do tempo cronometrado.
— Em apenas dois minutos e quinze segundos... Jessie encheu seu grupo de balões! Cindy encheu os seus em dois minutos e quarenta segundos, portanto a vitória é de Jessie
A plateia, sobretudo os Rangers, gritaram vibrantes em comemoração por Jessie.
— Mas foram dois minutos pras duas, isso deveria ser considerado empate! — contestou Cindy.
— Agora você gosta de empates, né? Supera, Cindy, vencer não significa tudo. — falara Jessie recebendo o videogame das mãos do mágico.
— Uma salva de palmas para Jessie! — o mágico pedira e a plateia atendeu efusivamente.
Os Rangers vieram correndo até ela parabeniza-la.
— Tim, toma. — disse Jessie entregando o videogame ao amigo de boa vontade — Venci essa por você.
— Valeu, Jessie. Vou ficar te devendo hein. E é um Ultra Vision que vem com óculos VR! Irado!
Cindy aproximou-se revoltada mirando em Jessie.
— Ahá, então foi por isso! Resolveu participar pra vencer por outra pessoa que com certeza perderia feio pra mim. Vou até o mágico de Oz e pedir que anule sua vitória.
— Nada disso, Cindy. — falou Jessie, barrando-a — A única coisa que você vai fazer agora é dar meia-volta e ir pra casa dar seu show de má perdedora. O Tim merece esse prêmio e com ele fica.
— Até porque não há nenhuma regra proibindo o vencedor de doar o prêmio. — salientou Zoe.
— Aí, Cindy, toma. — disse Tim dando o videogame a patricinha — Se doar o prêmio não é errado pro vencedor, então posso fazer isso por você.
— Ei, Tim, fazendo isso você desmerece todo o esforço que a Jessie teve pra ganhar por você. — disse Austin tocando-o no ombro ao lado dele.
— Hum, só está me oferecendo por piedade. — disse Cindy — Eu não preciso disso, muito menos de um plebeu como você. — deu de ombros soberba e fora embora.
— Ah, poxa, por que ela tem que ser tão maldosa com quem é amarradão nela? — perguntou Tim.
— Porque a Cindy só enxerga as aparências e nada mais. — disse Zoe.
— E ela talvez nem goste de videogames, só queria aparecer. — comentou Austin.
— Gente como ela não merece caridade de quem tem um coração enorme como o seu, Tim. — disse Jessie — Você ia fazer uma coisa muito legal mesmo por quem não vale nada.
— Mas aí, como o Austin falou, seu esforço seria em vão se eu entregasse o prêmio. Quer saber? Você é quem merece de verdade, não a Cindy. Valeu de novo, Jessie. — a abraçou.
— A paixonite masoquista dele ainda tem cura. — cochichou Damian para Austin.
— Ah, tem. — falou o líder com ar de riso.
De inesperado, um exército de Psycho-Bots apareceu em teleporte cercando quase toda a área nos arredores do circo, cansado alvoroço no público. Os Rangers se uniram em posição de combate.
— O dia da diversão acabou, pessoal! — disse Austin.
— Que nada, pra mim só tá começando. — falou Tim — Mas peraí... Não posso lutar com o Ultra Vision. Vou ter que esconder. Mas onde?
Os robôs iniciaram ataques com tiros de seus detonadores que explodiam faíscas para aterrorizar a todos. Os Rangers avançaram ao ataque contra os robôs em saltos, pulos, socos e chutes eficazes. Tim tentava encontrar um local onde esconder o videogame, mas três robôs barraram-no, o que não impediu ele de chuta-los e usar a caixa do prêmio como escudo contra os socos dos adversários, revidando com um cabo de vassoura tirado de um cestão e simulando um bastão com golpes diretos que derrubaram os robôs.
Flint e Mason juntaram-se a luta, chutando os robôs e esquivando de golpes. Mason achara uma barra de ferro que improvisou como bastão, a girando com habilidade, depois desferindo golpes nos robôs próximos que eram derrubados facilmente.
— Boa hora pra virem! — disse Austin ficando costa a costa com Flint.
— Não íamos deixar vocês se divertirem sem nós.
Ambos deram pulos seguidos de chutes nos robôs que vinham ataca-los. Tim procurava um esconderijo seguro para o valioso videogame. Três robôs dispararam contra ele que escapou dos tiros explosivos.
— Não me pegam, otários! — falar isso olhando para eles acabou distraindo-o.
Um dos palhaços do circo vinha puxando um carrinho de mão com materiais de estrutura no qual Tim tropeçou, rolando pelo chão, o videogame caindo meio longe.
— Tim! — disse Jessie chutando um robô contra a jaula vazia e aberta de um animal do circo e a fechou trancando — Fica aí preso, panaca! — o robô segurava as grades afim de sair.
— Meu Ultra Vision! — disse Tim levantando.
Um Psycho-Bot agarrou o palhaço por trás, mas o artista pegou do carrinho uma bexiga que esguinchava água e a jogou no robô que afastou-se.
Tim correu para reaver o videogame, contudo um tiro de laser atingiu seu prêmio causando uma leve explosão de fogo que o fez parar quase caindo.
— Não! — olhou com assombro o estado do videogame destruído.
Mudok se revelava saindo detrás de uma van.
— Mudok, seu miserável, você me paga!
— Preocupe-se mais com sua vida considerando o que o mestre planeja para destruí-los hoje, hehehe. — disse o androide que teleportou-se. Os Rangers vinham correndo até Tim.
— Mudok sem vergonha, não precisava ter feito isso. — disse Austin.
— É o Lokknon, né? Ver a gente arrasado faz o dia dele mais feliz. — disse Zoe — Tim, tá tudo bem?
— Não, não tá! — respondeu ele virando-se com lágrimas rolando pelo rosto — Eu devia ter dado o videogame pra Cindy, pelo menos ia continuar inteiro!
— Nossa, Tim, eu sinto muito. — disse Jessie, triste por ele — Eu também tô mal, afinal dei duro pra conseguir pra você. Não fica assim, eu... te dou um de presente de aniversário. Promessa é divida. Junto a grana até lá e compro outro Ultra Vision novinho pra você.
— Sério? Ah, Jessie, você é a melhor.
— Qual foi a parada aí? — indagou Flint.
— A Jessie competiu pelo Tim na gincana dos balões do circo e venceu. — disse Damian.
— E o prêmio era o quê? Mais balões? — perguntou Mason.
— Não, o videogame que o Tim acabou de perder. — disse Zoe.
— Bom que o circo não fez a idiotice de premiar com balões. — comentou Mason.
Lokknon se empolgara ainda mais com a ideia que formulou com base na gincana.
— Eureka, mil vezes eureka! Parece que minha criatividade saltou vários níveis depois que encontrei você. — disse ele voltado para Enckantess que sentou-se no seu colo.
— Oh, querido, a minha magia real é te inspirar com todo o amor que eu tenho.
Ambos se beijaram causando um certo nojo em Aracna que lia revistas na grande almofada. Mudok retornava a nave.
— Nada me dá mais prazer do que arruinar a felicidade desses fedelhos, hahaha. Ahn... Desculpe, mestre, eu não devia ter entrado, estou interrompendo o momento íntimo do casal mais temido do universo.
— Isso foi um elogio ou ironia? — indagou Aracna. Mudok a encarou, a princesa aracnídea levantando uma sobrancelha com expressão sacana.
— Não se sinta culpado, Mudok, não há nada que Enckantess e eu não possamos fazer na presença de vocês. — disse Lokknon.
— E se um dia quiserem ter filhos? — perguntou Aracna pra si mesma folheando a revista.
— Vão adorar a ideia genial que ele teve pra acabar com os Power Pirralhos. — disse Enckantess.
— Ei, pra chamar de Power Pirralhos você precisa ter no mínimo seis meses de casa. — advertiu Aracna.
— Pare de implicância, Aracna, ou vou manda-la pro seu quarto onde fará regime de isolamento. — disse Lokknon, severo — Não quero ninguém destratando a esposa que escolhi ter ao meu lado. Ouviram bem? Nenhum de vocês!
— Não está mais aqui quem falou, mestrezinho. — disse Aracna que ao virar o rosto fez uma careta com revirar de olhos e língua para fora.
Theron veio até o imperador trazendo uma taça de licor numa bandeja metálica.
— Obrigado, Theron. Cuide do jantar romântico que Enckantess e eu faremos hoje.
— Capriche no cardápio. — disse Enckantess.
— Com prazer, milorde e milady. Algum plano em mente contra os Rangers, senhor?
— O mais simples, mas também o mais efetivo que já elaborei. Barooma, criei-me um monstro fanático por balões que faça os Rangers serem parte da sua vasta coleção. — ordenou Lokknon apontando para o cientista.
— Agora mesmo, mestre! Os dados referentes a balões de bexiga foram baixados e transferidos! — disse Barooma que fora ao bio-modelador no qual baixou a alavanca — Que venha com muita saúde!
A máquina manifestou seus efeitos habituais como as luzes piscantes feito relâmpagos e a fumaça de vapor feito névoa. Ao término do processo, a criatura enfim saía da cabine.
— Uma pilha ambulante de balões?! Barooma, isso não irá causar nenhum tipo de espanto nos Rangers. — protestou Mudok.
— Está o julgando precipitadamente, Mudok! — disse Barooma — A aparência contrasta com o seu poder imbatível!
— Não me tratem como um bebê recém-nascido, eu já sei falar! — disse o monstro.
— Mas tecnicamente você é um bebê. — disse Enckantess aproximando-se dele. Começou a toca-lo no rosto e nos braços — Que engraçado, seu corpo é todinho feito de... bexigas, hahahaha.
— Enckantess, por favor, não seja inconveniente com nosso novo assecla. — disse Lokknon — Toca-lo assim está o deixando desconfortável.
— Mas eu não sinto absolutamente nada. — revelou o monstro — Meu corpo é naturalmente imune a sensação de dor.
— Ele é desprovido de terminações nervosas, isso leva a crer que sua resistência a ataques físicos é ilimitada. — disse Mudok.
— Nem mesmo um míssil terra-ar pode me destruir. Vou manda-lo de volta ao atacante.
— E como você adora balões, o seu nome vai ser Balooctor. — disse Enckantess, elevando a cólera de Aracna que levantou-se e a virou rudemente para encara-la.
— Ei, não te avisaram que sou eu quem dá nomes aos monstros do Barooma aqui?
— Aracna, me desculpe, eu... realmente não sabia. Momozinho não me contou, acho que esqueceu.
— Momozinho?! Olha, eu sinceramente não sei o que o mestre viu em você pra enxergar como esposa! — disparou Aracna o que fizera Lokknon explodir de raiva.
— Já chega! Vá para o seu quarto imediatamente, Aracna, e não saia de lá até que eu mande! — disse Lokknon apontando furioso para a saída da sala — Eu a escolhi conscientemente e ela agora pertence a nosso império como a futura rainha de Nemethea!
— Mestre... O senhor nunca antes me mandou de volta pro quarto. — disse Aracna, abalada.
— Agradeça por ele não manda-la pra solitária, queridinha. — disse Enckantess, sarcasticamente.
A princesa aracnídea seguiu para fora da sala cabisbaixa.
— Onde posso colecionar balões a vontade? Não quero esperar mais. — disse Balooctor.
— A Terra é seu destino, Balooctor. Transforme os Rangers para que somem a coleção. Mas antes preciso que Barooma empreste uma substância que possa ser modificada com seu poder para que depois Theron vá ao parque e adultere balões com o composto.
— Daí crianças atraídas para enche-los serão transformadas. — completou Mudok.
— E, por fim, Theron prenderá os balões em alguma casa para que alcem voo. Mas não sem uma bomba que exploda essa casa junto aos balões.
— Mas é a minha coleção. — disse Balooctor.
— Essa parte do plano é para desafiar os Rangers a salvarem os inocentes cidadãos, mas não poderão já que você os terá como seus adorados balões coloridos. Dickerson se frustrará e lamentará todas as perdas. — disse Lokknon tomando do seu licor.
— Está bem, acho que vale o desperdício de balões. — disse Balooctor, conformando-se.
O monstro rapidamente foi teleportado ao parque disparando suas bexigas que enchiam no simples contato com o oxigênio e voavam como insetos perseguidores, as bocas dos balões abrindo-se, devorando os alvos aleatórios e voltando para Balooctor que começava a juntar balões em fios.
— Com tantas opções disponíveis, terei o maior número de balões da história!
Os cinco principais Rangers estavam na fila para entrarem no circo cujo horário do show fora adiantado. Porém, o toque dos comunicadores os fez saírem da fila urgentemente. Foram para perto de um trailer da equipe circense.
— Na escuta, Sr. Dickerson. — atendeu Austin.
— Rangers, na parte leste do perímetro do parque um monstro amante de balões está atacando e... transformando a todos em balões. Lutem com extrema cautela, essa habilidade dele não deve ser subestimada.
— Já estamos indo. — disse Austin que desligou — Cadê o Flint e o Mason?
— Se escafederam. — disse Tim dando de ombros.
— Talvez na barraca de tiro ao alvo. — disse Jessie — Era a próxima parada deles antes de começar o espetáculo, mas eles não sabem que o show foi antecipado.
— Vamos chamar o Owen e eles se a coisa ficar feia pra gente. — disse Austin sacando a célula e o morfador ao que os demais também fizeram, os heróis logo alinhando-se — Estão prontos? É hora de morfar!
— Touro Ônix!
— Tubarão Cobalto!
— Arraia Rósea!
— Águia Flavescente!
— Leão Escarlate!
Com um salto acrobático, Austin aplicou um chute duplo em Balooctor atingindo seu peito, porém o corpo flácido feito de balões anulou qualquer impacto, levando o líder a ser empurrado contra ao chão rolando.
— Austin, você tá legal? — indagou Jessie vindo com os demais, ajudando-o.
— Parece que a pele dele é literalmente feita de... balão. — disse o Ranger Vermelho — Meus pés afundaram e fui repelido.
— A epiderme do tecido dele tem uma propriedade amortecedora ao contrário da fragilidade de um balão de bexiga, isso o torna praticamente invulnerável. — disse Damian.
— Vamos ver o quanto ele pode resistir. Rangers, pistolas Z! — disse Austin sacando a sua.
Os cinco dispararam os lasers que explodiam faíscas em torno de Balooctor.
— Já vieram os pirralhos coloridos me encher o saco! Melhor tomarem cuidado ao me atacar porque estou segurando balões contendo vidas terráqueas que vocês salvam todo dia!
— Essa não, aqueles balões são as vítimas apanhadas há pouco. — apontou Zoe — Esses balões não são resistentes como a pele dele.
— Se não podemos atirar nele... O que faremos então? — perguntou Jessie.
— Arrancar esses balões da mão dele na marra! — sugeriu Tim.
— Boa ideia, Tim! Preparem-se! — disse Austin em posição.
— Isso mesmo, preparem-se para somarem a minha coleção, hahahaha! — disse Balooctor que soltou bexigas murchas que subitamente encheram-se lançadas aos Rangers.
— Essas bexigas são pra nos pegar, atirem! — mandou Austin, os Rangers logo disparando nos balões que voavam como insetos circundando.
Dickerson assistia com tensão à luta.
— Rangers, muito cuidado com a trajetória dos disparos. Há o risco de um tiro acertar acidentalmente um dos balões que ele segura.
Balooctor lançava mais bexigas conforme os Rangers destruíam a primeira leva.
— Não adianta gastar energia, meu estoque de bexigas é inesgotável!
Quatro balões voaram acima de Tim como abutres ameaçando proximidade.
— Tô me sentindo um idiota lutando contra... balões! — disse o Ranger Azul disparando nos balões que explodiram.
— Quanto mais destruímos, mais ele manda! — disse Zoe usando seu ferrão de arraia para cortar os balões. Porém, um balão abriu sua boca, devorando-a da cabeça aos pés.
— Zoe, não! — disse Jessie com as garras raptoras que fez menção de avançar para salvar a amiga, mas Damian a conteve.
— Espera, Jessie! A Zoe já foi pega, se for destruir o balão também a destruirá!
— Damian, Jessie, atrás de vocês! — avisou Tim.
O Ranger Preto virou-se batendo sua marreta ao chão, a onda de choque explodindo sete balões em simultâneo. Jessie lançou um corte em X, destruindo quatro do exame de balões.
— Um pouco de ar quente pra aquecer! — disse Balooctor enchendo bexigas na sua barriga e as disparando.
Esses balões atingiram os Rangers como bombas, explodindo em fogo ao redor deles. O balão que antes era Zoe voou para a mão de Balooctor.
— Ótimo, meu primeiro balão Ranger. Vou separar em dois grupos. — disse o monstro segurando o conjunto dos terráqueos na mão direita e o balão-Zoe na direita.
— Não se desorientem, ele só quer nos distrair! — disse Austin — Ué, onde foram parar os balões?
— Olhem para cima, hehehe! — disse Balooctor.
Os Rangers o fizeram, mas os balões agiram mais rápido, descendo com as bocas abertas. Jessie, Tim e Damian foram engolidos, indo para as mãos de Balooctor. Por um triz, Austin não foi pego, tendo rolado escapando.
— Quero um vermelho!
— Vai ficar querendo! — falou Austin correu do balão vermelho com a boca aberta o perseguindo quase que em círculos.
— Não me escapa agora! — disse Balooctor fazendo o balão abrir mais a boca. Mas Austin pegara impulso com o pé num trailer, virando-se para disparar certeiro no balão.
— Belo tiro, Ranger Vermelho, mas nada me fará desistir de pega-lo! — Balooctor disparou mais bexigas vermelhas enchidas, mas que foram interceptadas por uma chuva de tiros lasers.
Flint, Mason e Owen vinham correndo armados com pistolas Z até Austin.
— Chegaram meio tarde, mas ainda somos o bastante pra libertar os outros. — disse o líder.
— Jessie foi pega... — disse Mason voltado ao monstro.
— Zoe, vou te tirar dessa. — falou Flint.
— Ele não pode ser atacado nem de perto nem a distância. — alertou Austin.
— Vamos deixar ele fazer a gente virar balãozinho de aniversário? — questionou Flint.
— Vamos ter que tirar aqueles balões das mãos dele! Eu vou pela direita e você, Owen, vai pela esquerda. — determinou Austin — Agora!
— Você manda! — disse o Ranger Verde que avançou junto ao líder. Ambos saltaram para tomarem de assalto os balões, girando vertical no ar, porém Balooctor disparou duas bexigas, uma verde e outra vermelha.
Infelizmente, Owen acabara engolido pela bexiga de sua cor Ranger. Em contrapartida, Austin conseguira desviar e ainda pegar os balões-Rangers.
— Você é muito escorregadio, vermelho! Isso me irrita! — disse o monstro virando-se a Austin que pousou no lado oposto.
— Owen... Droga, ele conseguiu mais um.
Mason captou um movimento estranho no grupo de balões-Rangers.
— Peraí... Tem um balão vermelho ali... Essa não, Austin, devolve esses balões pra ele!
— São nossos amigos aqui, eu vou protege-los de tudo que ameace!
— Cara, isso é uma armadilha! — alertou Mason, as mãos na cabeça.
— Eu escutaria seu amigo se fosse você. Devolva meus balões... Não, pensando bem, fique com eles, hehehe. — dissera Balooctor revelando o golpe sujo.
O balão vermelho abriu sua boca sugando Austin, o conjunto flutuando no ar.
— Esse maníaco por balões já torrou minha paciência, vou estourar ele! — disse Flint — Mangual Rompante! — invocou sua arma e avançou destravando a bola espinhosa.
— Um marrom! — disse Balooctor, logo disparando uma bexiga marrom que encheu e abriu sua boca enorme, engolindo a arma e depois Flint.
— Flint! Sobrou apenas eu... E agora?
O balão voou a mão de Balooctor, mas Mason saltara ágil e o pegara primeiro, em seguida também pegando o grupo dos balões-Rangers.
— Eles ficam comigo, você já carrega balões demais! — disse o Ranger Roxo.
— Não cheguei nem na metade! Devolva-os!
— Vem arrancar da minha mão! Ou melhor, tenta me transformar! Já não gosto de balões mesmo, imagina só virar um.
— Então eu deveria transforma-lo como castigo por odiar balões!
— O castigo quem leva é você! Emissor ultrassônico! — invocou sua arma com a qual disparou as ondas vibratórias que estranhamente faziam Balooctor gargalhar.
— Hahahahahaha, como faz cócegas, eu não aguento, pare! Hahahaha!
As vibrações passaram a danificar a pele do monstro causando rasgos e faíscas.
— Agora tá doendo, ai, ai! Pare! — os balões soltaram-se da sua mão, flutuando para o alto, mas logo que Mason cessou as ondas, Balooctor recompôs-se e os pegara rápido.
— Você tem sorte que meu emissor não pode atirar sem parar por muito tempo! Não fosse isso, eu tinha acabado com você agorinha.
Karen e Dickerson se satisfizeram com a descoberta da fraqueza de Balooctor.
— Foi uma tremenda sorte Mason ser rejeitado. — disse o mentor — As ondas do emissor anularam a resistência desse monstro.
— Ondas de frequência sonora desestabilizam a cadeia molecular que o torna invulnerável a dor. — falou a tecnóloga — Mas será que o necessário pra vence-lo é o bastante que o emissor aguenta?
— Isso é algo que ele terá de descobrir mais tarde. — disse Dickerson que aproximou-se do painel — Mason, fuja daí mantendo os balões seguros com você.
— Está bem, vou cuidar dele depois. A gente ainda vai se ver e na próxima vez te faço murchar. — disse Mason que logo saltara superveloz com os balões.
— Meus balões especiais, volte aqui! — berrava Balooctor — Grrr, não faz mal, estou cercado de opções pra aumentar minha coleção!
Karen abriu um vídeo do radar de monitoramento.
— Dickerson, olha. — o mentor aproximou-se dela conferindo o vídeo — Foi há dez minutos.
— Theron. — falou Dickerson vendo seu ex-mordomo adulterar as bexigas do circo numa caixa. Em seguida, várias crianças se reuniram para encher, não tardando a serem engolidas — Como eu temia, Lokknon o reprogramou.
— Sei como se sente. — disse Karen em tom consolador — Não desanime, um dia vai recupera-lo.
— Não tenho tanta certeza. Lokknon retribuiu de modo justo, eu fiz com que ele perdesse os bens que mais lhe importavam na vida e ele me tirou um bem precioso que eu tinha como família.
— Por um lado bom, ao menos não foi um bem realmente familiar.
— É, não foi. Lokknon poderia ter feito pior. Mas enquanto Westville não estiver sob seu foco, ele vai estar seguro.
— Ele ainda vive em Westville?
— E continuará vivendo por muitos e muitos anos... ou até que Lokknon seja derrotado.
Mason pousou no terraço de um prédio do centro da cidade carregando os balões para fazer uma pausa.
— Ah não, agora vou ter que ficar pra cima e pra baixo com esses balões. Mas sou a última esperança deles, estão contando comigo. Por isso tenho que achar um lugar onde amarra-los, um lugar totalmente seguro. Ah, já sei.
Contatara a Central de Comando, Dickerson logo atendendo.
— Sr. Dickerson, na escuta?
— Sim, Mason, na escuta. O que houve? Os balões... digo, os Rangers estão bem?
— Estão, mas não sei quanto tempo posso mante-los a salvo. Eu podia muito bem deixa-los aí enquanto dou uma lição no homem-balão.
— Aqui definitivamente é o lugar mais seguro. — disse Karen — Mas só tem um porém...
— Você carrega objetos com energia anômala e que infelizmente não podem atravessar o campo de força que protege o observatório. — revelou Dickerson para o desalento de Mason que deixou cair os ombros.
— Tá de brincadeira... Ah não, isso só deixa tudo ainda mais complicado pra mim.
— Diria que torna sua missão ainda mais valorosa. Não duvide ser capaz de cumpri-la. Ache um local que ofereça toda a segurança.
— Tá bom, eu... Eu vou procurar. — disse Mason olhando a imensidão da cidade abaixo.
Uma cacofonia de sons de pelicanos o fez virar-se, o que lhe causou um susto de arrepiar a espinha.
— Ai, caramba! De onde vem esse montão de pássaro? Tenho que dar o fora daqui!
A revoada de pelicanos estava próxima de um metro quando Mason resolvera pular do prédio. Pousou com certo impacto na calçada meio movimentada.
— Foi mal cair desse jeito, é que... Eu tô em missão com esses... balões aqui... — colocou a mão na testa do capacete envergonhado de si — Ah, quem se importa? OK, nada de ficar em prédios altos demais.
Ao virar-se para o lado oposto, outro susto: três homens de uma metalúrgica carregando feixes de barras de aço pontudas. Mason rapidamente afastou os balões para a esquerda deles.
— Opa! Ei, esses balões valem uma grana alta! — reclamou, mas logo arrependeu-se — Ah, que besteira eu falei, ninguém vai acreditar que balões são tão valiosos.
Seguiu pelas ruas na tentativa de manter os balões o mais distante possível de coisas pontudas ou potenciais de estoura-los. Em determinado ponto da praça, sua presença chamou atenção especial.
— Olha, mãe, o Ranger Roxo tá vendendo balões hoje! — apontou uma garotinha de mão dada com sua mãe e apontando para Mason. Ambas vieram até ele.
— Deve ser alguém fantasiado, filha. Lembra que hoje é dia do circo? Talvez ele venha de lá.
— Agora ferrou. — disse Mason batendo a mão na testa do capacete.
— Está mesmo vendendo esses balões? — indagou a mãe.
— Ahn... Eu... Não exatamente...
— Por favor, me vende eles, são tão bonitinhos, tem os rostos dos Power Rangers, eu adoro eles! — implorava a menina com expressão de carência.
— É que o aniversário dela é depois de amanhã, ela queria enfeitar a casa inteira de balões até chegar o grande dia. O tema da festa? Power Rangers. — contou a mãe, simpática.
Mason encarou o olhar suplicante da garotinha por uns segundos e uma serenidade inundou seu coração. Porém, Mudok surgiu com um pequeno exército de Psycho-Bots.
— Não irá mais a lugar algum com esse balões tão frágeis. — disse o androide — Apontar armas! — os robôs miraram os detonadores — Não pode lutar e ao mesmo tempo protege-los, você os perdeu!
— Quer saber? Pra você é de graça, toma aqui. — disse Mason, entregando os balões a menina que sorriu radiante. Se colocou a frente delas — Fujam daqui.
— Tem ideia do que acabou de fazer? — disse Mudok.
— Sim, salvei meus amigos. De mim você e seus latas velhas não passam! Podem vir com tudo!
— A chance de destruir os Rangers nestas condições não será desperdiçada! Disparem nelas! — ordenou Mudok, os robôs logo atirando.
— Não! — disse Mason querendo se colocar diante dos tiros.
Surpreendentemente, um escudo de chamas surgiu na forma de um pássaro, as protegendo dos disparos que foram nulificados.
— Caramba, de onde onde veio isso? — questionou Mason.
— É o Falcão Ignnus. — informou Karen que abriu na tela um vídeo da câmera do recinto onde o ovo estava na incubadora de energia — A conexão com Austin e tão forte da dimensão onde ele vive consegue sentir que seu guardião corre perigo.
— O Austin tem um anjo da guarda poderoso hein. Gostei de ver! — disse Mason que voltou-se aos Psycho-Bots — Meu papo agora é com vocês, sucatas ambulantes! Emissor Ultrassônico!
Disparou a rajada ondulatória para causando uma explosão de fogo atrás deles.
— Viu, mãe? Eu sabia que ele era um verdadeiro Ranger! — disse a menininha, maravilhada.
— Vamos embora, filha, depressa! — falou a mãe mãe, a pegando na mão e correndo.
Distante dali, Theron terminava de amarrar os vários balões no alto de uma mansão abandonada numa área gramada quase deserta enquanto Balooctor observava.
— Está feito, Sr. Balooctor. Ainda não me disse o que achou do palácio que eu criteriosamente escolhi. — falou o mordomo.
— Eu adorei, não teria achado local mais apropriado! O mestre Lokknon está bem servido tendo você como empregado.
— Tamanho elogio aquece meus circuitos. — disse o mordomo-ciborgue descendo da mansão num pulo — Faça bom proveito.
— Excelente trabalho, Theron. — disse Balooctor indo até a entrada do casarão — A propósito, o plano de desafiar os Rangers com uma bomba presa a alguns dos meus balões permanece?
— Ah sim, é claro. O mestre não desfez essa artimanha, nem mesmo com um único Ranger restando. Sozinho ele não deterá você.
— Assim espero. Meu lindo palácio voador finalmente está pronto, hahaha.
O monstro adentrou mansão, parando no meio da sala. Ergueu os braços.
— Hora de subir!
Um tremor de terra circundando a mansão causou uma rachadura cíclica, o pedaço de terra elevando-se junto a residência sem dono.
Após finalizar os Psycho-Bots na praça, fazendo a mulher e sua filha ganharem tempo de salvaguardar os balões, Mason apareceu vendo a subida na beira de um barranco.
— Caraca, esses balões são tão pesados que até a terra de baixo sobe junto. — ativou uma visão macroscópica do visor focando no céu — Consigo avistar a bomba, tá quase chegando a estratosfera. OK, zord Morcego Púrpura, venha!
O morcego robótico viera voando supersônico até a área, Mason logo saltando para adentrar no cockpit.
— E subindo. — disse o Ranger Roxo, o zord voando rumo ao grupo de balões amarrados a bomba cuja contagem aproximava-se do fim. Balooctor vira o zord passar voando quase raspando na mansão.
O zord ficando sobre a cabeça do zord, logo utilizando seu emissor numa frequência mínima de execução inversa para atrair a bomba e os balões no túnel vibratório, assim pegando a bomba e desamarrando os balões que subiram livres.
A mansão estava próxima de chegar a altura em que ele estava. Mason voltara ao cockpit do zord, voando para baixo.
— Haha, bolei um plano genial.
— Mason, o que pretende fazer? Livre-se dessa bomba, rápido. — pediu Dickerson, tenso.
— É exatamente isso que farei. Só que do meu jeitinho esperto.
O zord parara frente a mansão.
— O pássaro enorme que vi antes! Xô, suma daqui, ave horrorosa!
— Primeiro que isso aqui é um morcego e é um mamífero, cabeça inflável. — disse Mason saindo do cockpit.
— Ah, mas é aquele Ranger Roxo impertinente!
Mason logo verificou a contagem da bomba: dez segundos.
— Pega essa bola, tá com você!
Arremessou a bomba direto em Balooctor que a pegara certeiro.
— Mas isso é... — o monstro deu-se conta — Não pode ser!
Mason voltara ao cockpit, logo disparando ondas vibratórias do emissor da asa direita do zord diretamente em Balooctor. O zord foi tomando uma certa distância conforme os segundos da bomba decresciam, mas mantendo a rajada ondulatória.
— Hahahahah, aquelas cócegas de novo!
— Não se preocupa, logo logo passa. — falou Mason.
A contagem chegara a zero, logo a explosão tremenda consumindo Balooctor e toda a mansão. O Morcego Púrpura voou para longe deixando para trás a colossal nuvem de fogo. Os balões soltaram-se voando, mas todos eles inclusive os anteriormente presos na bomba voltaram a serem as pessoas vitimadas, as quais retornaram exatamente aos pontos onde foram capturadas como por teleporte.
Os balões-Rangers soltaram da mão de Missy, a garotinha para quem Mason os deu, subindo.
— Os meus balões... Mamãe, pega pra mim!
Porém, os balões brilharam e baixaram ao chão, assim os Rangers retornavam as suas formas normais. Mãe e filha boquiabriram estupefatas.
— Voltamos, pessoal! — disse Austin.
— Filha, acho que esse foi o maior e melhor presente que você já ganhou. — disse a mãe, sorrindo ainda chocada.
— Os Power Rangers! — disse Missy, fascinada — E pensar que eu levaria vocês pra minha casa.
— O Mason não está conosco, então... — disse Damian.
— Ele se safou daquele monstro e deu os balões pra essa menininha. — falara Flint — Eu não esperava isso dele depois que fez um garoto chorar estourando o balão dele.
— Mason fez isso, é? Hum, vou dar um puxãozinho de orelha nele. — disse Jessie.
— Acho que com essa atitude, ele se redimiu. — disse Zoe.
— Aí, garotinha, como se chama? — indagou Austin ficando de um só joelho frente a ela.
— Missy. Será que podem me dizer seus nomes também?
— Isso aí não, princesa, foi mal. — falou Tim.
— Nossas identidades devem ser protegidas... da mesma forma como você nos protegeu. — disse Owen.
— Sem você nos segurando, quem sabe onde iríamos parar. Você foi nossa heroína junto ao nosso amigo Ranger Roxo. — disse Austin.
— Nossa, eu adorei! Minha véspera de aniversário não podia ser melhor!
— Aniversário, é? Parabéns, Missy. — disse Zoe.
— Você é uma fofa, parabéns. — falou Jessie.
— Ela sonha com uma festa tendo vocês como tema. De um jeito inesperado, ela realizou esse sonho. — disse a mãe.
— Eu amo vocês! — disse Missy abraçando Austin.
— Oh, que amor. Abraço coletivo, galera, ela merece. — disse Jessie. Os demais Rangers juntaram-se ao abraço apertado repleto de emoção.
Na nave de Lokknon, o clima seria de festa embora a decepção amarga deixasse o imperador estressado e nada disposto a surpresas como a que Enckantess faria o levando até seu quarto e tapando os olhos dele.
— Pra onde vamos? Que tipo de surpresa é essa, afinal?
— Tá esquentando... E chegamos. — disse Enckantess abrindo a porta deslizante do quarto. Tirou as mãos dos olhos de Lokknon.
— Surpresa! — disseram Aracna, Mudok, Theron e Barooma reunidos em meio a uma decoração consistindo em balões pretos e cinzas com uma faixa escrita "feliz aniversário ao maioral Lokknon".
— Ora, mas isso é... — disse Lokknon olhando para os adereços.
— Deslumbrante? — indagou Enckantess.
— Primoroso? — indagou Aracna.
— Isso é... algum tipo de piada de mau gosto?
— Mas mestre hoje é seu aniversário! Pelo que nos consta é a data correta! — disse Barooma.
— Não é! — esbravejou Lokknon disparando um raio nos balões — Como ousam se enganar com meu aniversário e ainda por cima manter o plano de uma festa-surpresa com balões... no dia em que um monstro coletor de balões falha miseravelmente em derrotar os Rangers? Saíam daí, não haverá festa nenhuma!
O imperador seguiu disparando raios finos roxos dos dedos nos balões extravasando sua frustração raivosa, destruindo a decoração.
— Ah, que pena, deu tanto trabalho arrumar isso tudo! — lamentou Aracna afastando-se com Mudok que se inclinou de lado para ela.
— Você e Enckantess que planejaram juntas essa festa, certo?
— É, eu forcei o mestre a me mandar pro quarto, mas vim pra cá organizar a decoração.
— Então você não desaprova a presença dela no nosso time?
— Digamos que aquilo não foi bem uma atuação. Nada como uma extorsão pra uma aliança funcionar.
— Ficaremos de olho nela em cada movimento suspeito. — disse Mudok.
A conversa ocorra enquanto Lokknon se distraia destruindo os balões fervorosamente.
— Momozinho, por favor, pare! Controle-se!
— Odeio, odeio, odeio... Odeio esses malditos balões! — disse Lokknon furioso.
Um dia depois, Missy, usando um vestido rosa de bolinhas brancas, celebrava seu aniversário e em dado momento correu para seu quarto guardar um presente ganho. Ela se espantou ao ver balões grandes na forma dos capacetes dos Rangers amarrados a uma caixa de presente.
— Uau. São lindos, eu amei. — baixou os olhos para um bilhete grudado na caixa de presente e o pegou reparando num botão no verso do papel. Apertou-o.
— De seus estimados heróis e, especialmente do seu amigo Ranger Roxo, para Missy. Receba o feliz aniversário de toda a família Power Rangers. — dissera a voz gravada de Mason, as letras brilhando em roxo a cada palavra dita.
— Nossa, que incrível. Eu nunca vou esquecer disso. Obrigada, Power Rangers. — disse ela voltando os olhos encantados e a face jubilante para os balões criados com esmero na mesa digitalizadora de Dickerson.
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