Power Rangers: Esquadrão Z

34 Estranhos Numa Terra Estranha (Parte 2)


Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Após serem aprisionados numa redoma no planeta dos tubbianos, os Rangers creem que a missão falhou devido ao campo de força exaurir suas energias ao ponto de desmorfarem. Contudo, a esperança de libertar os tubbianos das mãos de Bragnor vem numa ação que vale qualquer risco. Enquanto isso, na Terra, Aracna e Mudok reativam a bomba aproveitando que os Rangers estão ausentes, mas a dupla é surpreendida por réplicas dos heróis. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!


A corrida contra o tempo parecia irrefreável no trajeto até a principal vila dos tubbianos. A fumaça tida como ponto referencial parecia permanecer a uma distância inalterada.

— Qual é, não dá pra chegar nunca nessa vila? No começo parecia longe, agora... parece que ainda estamos no começo! — perguntou Tim, as pernas já doloridas.

— Andar por essas superfícies não é tão fácil quanto se pensava. — disse Damian — É bem provável que seja a gravidade!

— Então quanto mais corrermos, mais pesados iremos nos sentir? — indagou Jessie.

— A natureza geomagnética dessa planeta é tão desconhecida quanto imprevisível. — respondeu o Ranger Preto.

— Agora bateu o medo de chegarmos tarde demais por conta disso! — alarmou Zoe — As condições desse planeta são um mistério talvez até pra eles que estão bem acostumados!

— Deve ser esse solo, não é como na Terra, não importa o quanto se pareça! — disse Austin — Mas não vamos parar por nada!

No entanto, eles acabaram parando. Ou melhor, sendo parados e muito abruptamente. Uma espécie de campo de força em redoma os envolveu, levando a bater de frente contra a parede meio transparente e elétrica de raios brancos, caindo em seguida.

— O que é isso? Batemos nesse domo invisível... — disse Austin levantando — Todos bem?

— Sim, tô legal. — disse Jessie.

— Eu também, apesar da pancada ter sido bem forte. — relatou Zoe tocando no capacete — Mas que negocio é esse? Estamos presos?

De repente, uma estrutura de concreto emergiu da terra ao redor deles, os blocos rapidamente formando uma construção em formato de cúpula.

— Agora estamos, definitivamente. — disse Damian esquadrinhando o ambiente criado que possuía duas janelas redondas pequenas.

— Não pode ser! — disse Austin que logo socou a parede semi-transparente, mas acabou se queimando com os raios — Ai, droga! — recuou chacoalhando a mão direita — Parece um tipo de campo de força elétrico!

— E uma armadilha também. — apontou Zoe — Mas por que os tubbianos criariam algo assim se são tão hospitaleiros e pacíficos?

— Não faço ideia, mas de uma coisa devemos ter certeza: estamos completamente sem saída. — disse o líder baixando um pouco a cabeça — Eu não posso acreditar que eles vão acabar mortos por aquele maldito do Killvox!

— Na minha cabeça eu também imagino a gente salvando eles e todo o povo da vila, mas... — disse Jessie se aproximando de Austin — E se não houver mais como? E se tiver sido o fim da linha? Nunca mais voltaremos pra Terra.

— Eu tô tentando ser otimista, mas nossas chances de salvação nesse momento são praticamente nulas. — disse Damian.

— Mas e aí, vamos ficar presos aqui até quando? — questionou Tim.

Alguns guardas de Tubbie adentraram naquela prisão munidos de suas lanças. Porém, não aparentavam a amabilidade esperada de um tubbiano autêntico. A começar pelas aparências grotescas, mais precisamente seus rostos que tinham um aspecto monstruoso com rugas, olhos vermelhos distorcidos e dentes afiados.

— Acho que devemos perguntar a eles. — disse Austin que foi tentar um diálogo — Olá, somos naitvos da Terra, queremos saber se...

Um dos guardas bateu a ponta da lança agressivamente na redoma eletrificada contra o líder vermelho que recuou depressa.

— Parece que eles cansaram da hospitalidade! — disse Tim, tenso.

— Invasores, fiquem quietos! Tem o direito de permanecerem em silêncio! — disse um guarda.

— Não permitimos a entrada e a livre circulação de nenhum visitante alienígena! — declarou outro.

— São nossos prisioneiros até segunda ordem! — areemetou um outro.

— Ordem? Mas ordem de quem? — questionou Jessie.

— Do ancião que não é! — confrontou Zoe.

— Olha, estão entendendo errado, não viemos fazer mal ao seu povo, temos a missão de resgatar os discípulos do ancião e todo o resto que o Bragnor escravizou. — explicou Austin.

— Mas é com a benção do nosso nobre rei que temos autorização expressa para deixa-los aqui em cárcere! — disse um dos sentinelas.

— Até que ele decida o que fazer com vocês após Tubbie ser totalmente dominado! — falou outro — Não tentem nada ou será pior pra vocês! — mexeu nunca console, ativando um sistema.

Eles saíram com o andar meio vagaroso inerente da raça e fecharam a porta gradeada num baque.

— O que ele quis dizer com será pior? — indagou Jessie — Já estamos numa pior!

— E por que o ancião precisa de guardas como se fossem cavaleiros se são tão de boa? — questionou Tim.

— Ora, pra defender a integridade do ancião e dos moradores da vila em caso de invasões coloniais. — disse Damian — Esse pode ser um sistema de defesa contra invasores malfeitores.

— Então por que não usaram contra o Bragnor? — perguntou Jessie.

— Possivelmente, Bragnor aterrissou muito próximo da vila onde talvez não haja esse sistema instalado, também muito provável que já tenha detectado bem antes. — especulava o Ranger Preto.

— Gente, a questão mais urgente é a respeito daqueles guardas. — disse Zoe — Eles não se pareciam com tubbianos normais.

— A Zoe tá certa, eles estão com uma aparência feia e maligna, além do comportamento não ter nada a ver com o que eles são. — disse Austin.

— E um adendo: nas memórias dos tubbianos não lembro de ter visto tiaras douradas nos guardas. — apontara Damian com seu olhar clínico.

— Também reparei naquelas tiaras. — disse Jessie — Será que o Bragnor os deixou assim?

— Dá a entender que estão submetidos a algum transe. — aferiu Damian.

— Como uma lavagem cerebral. — reforçou Austin — É isso, o Bragnor vem controlando os guardas do ancião forçando eles a usarem aquelas tiaras.

— E fazendo eles agirem como policiais malvados. — disse Tim — Cara, esse desgraçado não merece o título de rei em lugar nenhum.

— Pessoal, é só eu ou... — disse Jessie se apoiando com as mãos nos joelhos transparecendo cansaço — ... mais alguém tá se sentindo meio exausto?

— Espera, eu também. — disse Austin arfando um pouco — Nossa, é como se minhas forças... estivessem sendo sugadas aos poucos.

— Também tô sentindo. — disse Tim sentando rápido no chão gramado — Caraca, que canseira...

— Eu me sinto bem indisposto também. — disse Damian sentando junto a Zoe.

— E eu. — disse a Ranger Rosa — Nem corremos tantos quilômetros pra ficarmos tão cansados.

— Galera, tô achando que é essa prisão... — disse Austin correndo os olhos pelo recinto — Claro, um deles mexeu naquele painel... e ativou um sistema que tá absorvendo a nossa energia.

— Além de presos, vamos ficar esgotados? — perguntara Jessie.

— Tudo leva a crer que... — disse Damian com dificuldade respiratória — ... seremos drenados até que Bragnor mande levar os tubbianos.

— Até lá já teremos morrido de cansaço! — alertou Tim — Não dá vontade nem de levantar.

— Aguentem firme. — incentivou Austin ficando de um só joelho dobrado — A missão só acaba quando nós dissermos que acabou!

Na vila, os guardas eram forçosamente enfileirados para receberem as tiaras que eram distribuídas pelos soldados dourados do tirano.

— Andem logo! — ordenou Bragnor sentado num trono do lado de fora do templo do ancião com o cofre no colo — Eu não quero que isso leve o dia inteiro, ouviram bem?

Um guarda foi empurrado pela lança elétrica de um dos soldados sendo o próximo da fila a receber a tiara eletrônica dourada.

— Eu me... me recuso a obedecer um déspota como ele! Minha lealdade é restrita ao ancião!

— Não é mais! — disse Bragnor que gargalhou.

O soldado o empurrou mais agressivo, desta vez aplicando eletrochoque. Sem saída, o guarda tivera sua cabeça segurada, recebendo a tiara cujo centro piscou uma luz vermelha e desencadeando um efeito que modificava sua face para algo horrendo como todos os colegas subjugados. Foi despachado e o próximo viera.

— É assim que castiga aqueles que considera abaixo da sua grandeza? — disse o ancião vindo até ele com o inseparável cajado — Lhes subtraindo seu livre arbítrio?

— É mais efetivo para meu domínio ser bem-sucedido! Essas tiaras alteram drasticamente a natureza do indivíduo, despertando seu lado mais obscuro! Vocês possuem malignidade, apenas a reprimem, por isso estão habituados a serem fracos!

— Você está redondamente enganado, o deus-sol honra a força da qual fomos agraciados para resistir ao mal interior que reside em todo ser consciente.

— Me poupe da sua patética falação religiosa! Preciso de concentração para desvendar o segredo desse maldito cofre! Vamos, suma da minha vista antes que eu o expulse desta vila!

O ancião o olhou torto e fora andando. Encarou tristemente seu povo a mercê das tropas repressivas e seus guardas convertidos ao exército de Bragnor em total devoção a ele.

— Eu peço que derrame sua luz de infinita graça sobre nós. — disse o velho olhando para o céu — Não passo de um homem velho que já viveu mais do que pode contar, não consigo sozinho liberta-los. Faça-se tua vontade. — fechou os olhos. Os tubbianos escravizados e agrupados se ajoelharam em oração instigados pelo velho.

Os guardas se entreolhavam sem entender aquela manifestação de fé. Killvox logo retornava trazendo os quatro tubbianos extraordinários sob sua ferrenha custódia.

— Já não era sem tempo, Killvox! — disse Bragnor o vendo se aproximar com os cativos. O anciao interrompeu a oração olhando para trás.

— Ancião! — disse Pou — Estamos de volta!

— Por pouco tempo. — disse Dipso em desalento.

— Meus pupilos, não se desamparem!

— Calado! — bradou Bragnor, autoritário — Ótimo, os leve até o local da execução. Você será o encarregado de sacrifica-los diante dessa civilização medíocre!

— Que tal um pagamento adiantado já que cumprirei uma tarefa extra? — sugeriu Killvox.

— Não é um trabalho adicional, seu oportunista! Pagarei o que combinamos desde o início e não tem mais conversa!

— Deveria redobrar o valor pois eu os trouxe vivos justamente para que ordenasse a execução pública! — contrariou o caçador em tom ríspido — Se discorda, eu os levo de volta à Terra e você não terá seus belos tapetes decorando seu palácio!

— Certo, certo, terá um ganho a mais, mas me espere decifrar o código do cofre antes de iniciar a cerimônia!

— Sim, meu rei. — disse Killvox que logo voltou-se para uma direção conduzindo o quarteto — Andando!

— Não estamos perdidos. — disse Twinky em voz baixa.

— Como não? Nos deixamos sermos pegos. — disse Layka — Não há como escapar.

— Eu digo que há sim. Tenho certeza que eles virão, aguardem. — garantiu o tubbiano roxo.

Enquanto isso, Austin dava constantes golpes de ombro no campo de força, sem sucesso.

— Ah, droga... — disse o Ranger Vermelho caindo de lado, exaurido — Não dá mesmo. Nada adianta pra fugir. Já gastei toda a força que eu tinha pra tentar.

— É um desgaste desnecessário, Austin. — julgou Damian quase deitado.

— Verdade, se tentarmos sair na marra, mais energia é drenada. — disse Jessie.

— E enfraquecemos mais rápido. — disse Zoe — Melhor aceitarmos que...

— Não! — interrompeu Austin batendo a mão direita fechada no chão — Jamais iremos nos render, nem mesmo numa situação como essa!

— Falar é fácil. — disse Tim — Devíamos ter escutado o Sr. Dickerson.

— E deixar os pobrezinhos pra trás? Não, isso eu não faria. — disse Jessie sentada com as mãos na grama — Colocamos nossas vidas na frente das deles.

— Pois é, não podemos retribuir sem se importar com o que vai acontecer a eles. — ressaltou Austin.

Bragnor notara um recipiente cilíndrico transparente acoplado na fachada do templo e viu um líquido cor de cereja enchendo devagar.

— O que é exatamente aquele líquido? Responda ou eu o punirei! — exigiu ao ancião.

— É o elixir que estende a minha duração de vida por longos períodos. — respondeu o velho sob a mira do cetro do rei cujo diamante brilhava com raios azuis ameaçadores.

— Hum... Mas qual a origem disso? Não há nada ligado ao recipiente que esteja abastecendo.

— Se trata do nosso sistema de segurança. Ele gera uma prisão em campo de força na qual o prisioneiro tem sua energia drenada e revertida na forma do elixir. É ativado automaticamente quando invasores se aproximam da vila.

Bragnor levantou-se, deixando o cofre no trono, e se dirigiu ao cilindro. Pegou uma mangueira conectada a ele e a pusera na boca, sugando o líquido vermelho como se tomasse um suco.

— Mas isso é um glorioso néctar divino! Me sinto revigorado como se acabasse de repor minhas energias!

— Estava se enchendo... O que se significa que alguém acabou de invadir o planeta e está sujeito a absorção de suas forças até o limite. — disse o ancião.

— Killvox! — chamou Bragnor com sua retumbante voz. O caçador veio a passos largos.

— Sim, meu rei, o que deseja? Os coloquei na área central do vilarejo e Goldhogs estão cuidando de aprontar tudo para a execução.

— Excelente! Preciso que vá até os confins da vila verificar se há uma prisão. Se encontrar, entre e veja se existe alguém cativo e me reporte a identidade! Aparentemente, não somos os únicos estrangeiros aqui!

— O farei agora, alteza. — disse Killvox que logo tomara o rumo devido.

Paralelamente, a Alameda dos Anjos vivia um estado de vulnerabilidade devido a ausência dos Rangers. Mudok e Aracna estavam no terraço de um edifício.

— Não há sinal dos Rangers em parte alguma do globo. — disse ele olhando o rastreamento por um holograma da Terra projetado de seu antebraço esquerdo — Enfim, já fizemos demais aproveitando-se da saída do mestre. Eu só tinha uma unidade da bomba que os Rangers desarmaram e sem dúvidas destruíram

— Tem certeza que se livraram dela?

Mudok conferiu o sinal do explosivo que permanecia visível mesmo com a contagem interrompida.

— Crianças desleixadas, hehehe. — disse Mudok que logo teleportou-se ao esgoto para reativar a bomba.

Na Central de Comando, Karen tomara um susto ao ver um específico ponto vermelho ressurgir na tela.

— Di-Dickerson, vem aqui. Mau sinal. Não, crítico sinal.

— O que foi? — perguntou ele vindo até ela.

— O sinal da bomba retornou. A contagem foi reiniciada. Estavam com tanta pressa em trazer o dispositivo tubbiano que não lembraram de destruí-la.

O prompt de comunicação emitia sons de eststica com outros ruídos intermitentes. Karen, curiosa, aumentou o volume.

— Estamos sendo contatados fora da Terra.

— Devem ser eles. Mas não tinha que haver toda essa estática. — estranhou Dickerson inclinando-se ao painel — Rangers? Na escuta?

— Na... Es--Escuta, Sr. Dickerson... — dizia Austin, a fala entrecortada — Es-Estamos co--com sérios pro--blemas...

— Sérios problemas. — repetiu Karen — Isso já diz muito. O sinal de rádio caiu. É estranho, Tubbie fica na Via Láctea e nossa captação se expande anos-luz além.

O alarme soara e Karen colocara na tela maior imagens da cidade sendo novamente atormentada por Psycho-Bots.

— Lokknon talvez se deu conta da viagem dos Rangers. Temos a bomba, os Psycho-Bots e os Rangers em apuros. Vou tomar meu calmante.

Dickerson mexera nos controles do painel frente ao monitor esquerdo. Logo, cinco cópias dos Rangers morfados surgiram como projeções fantasmagóricas se materializando no meio da sala.

— Sabem o que devem saber. Primeiro, os Psycho-Bots e por último a bomba.

— Sim, senhor! — as réplicas bateram continência.

— Os dublês holográficos. Fiquei tão nervosa que nem lembrei deles. Mas e a outra solução?

Dickerson a olhou com um levantar de sobrancelha sugerindo uma medida desafiante. Minutos depois, o explorador vinha voltando do closet de trajes especiais usando um no estilo furtivo todo preto, estando equipado com um cinto prateado que continha uma arma laser.

— Enfim achou a oportunidade perfeita de reviver os bons tempos da academia de treinamento tático. — disse Karen o olhando de cima à baixo — E o passaporte. — entregou o dispositivo tubbiano — Fiz uma rápida inspeção. Não há irregularidades após o uso, é uma tecnologia de funcionamento bem estável.

— Obrigado, achei até que fosse ser esgotável necessitando de recarga. — disse ele meio que brincando com a esfera ao jogar para cima numa baixa altura e ela cair na sua mão enluvada. Virou-se para a direção de onde ficava a porta de entrada e moveu o botão do aparelho. A luz se projetou liberando o portal que abriu-se instantaneamente — Espere meu contato pra que reabra o portal. — devolveu o dispositivo.

— Mas apenas vai salva-los e partir ou... os trará de volta?

— Se for preciso... A segunda opção será mais do que um plano sensato de fuga. Me deseje sorte. Não faz essa cara. Eu volto. Sozinho ou não. — pusera uma balaclava preta.

O explorador arqueológico voltou-se ao portal, logo dando largos passos e pulando para o outro lado. Enquanto ele se esgueiraria para localizar os Rangers, os heróis queixavam-se da fraqueza progressiva e insuportável.

— É como se estivéssemos todos de cama. — reclamou Zoe — Me sinto até com febre.

— A sensação térmica dessa redoma é um fator resultante da drenagem. — disse Damian.

— Vamos perder nossas forças nos sentindo doentes com uma febre de 40⁰? — perguntou Jessie.

— Amigos, não percam a esperança, por favor. — disse Austin, tentando se manter ao menos de joelhos, mas o cansaço pesado incapacitava.

— Tá difícil, cara... — disse Tim — Quando tô sem energia, fico até deprê. A gente já era.

— Não, ainda é cedo pra levantar bandeira branca. Alguém vai aparecer e nos salvar, acreditem! — insistiu o líder no esforço contínuo de seu otimismo.

A porta da prisão era aberta. Contudo, a revelação da visita fora sentida como um tremendo balde água fria. A vigorosa e intimidadora silhueta de Killvox emoldurada pela luz solar forte de Tubbie se aproximava.

— Olha aí, Austin, finalmente estamos salvos. — ironizou Jessie.

— Estamos ferradíssimos, isso sim. — falou Tim.

— Mas que visão mais estimulante. Minhas mãos até coçam. — disse Killvox esfregando as mãos ao observar os Rangers aprisionados — Não sei como me seguiram até esse planeta ridículo, mas eu não posso deixar passar a vantagem que isso me confere.

— Vai embora, Killvox. — disse Austin — Nossa situação já está problemática o suficiente.

— Não está, não. — disse o mercenário que virou para o console e o analisou, logo pegando o jeito de manusea-lo.

— Tá fazendo o quê? — perguntou Jessie.

Aumentou a potência de absorção do campo de força acelerando o ritmo do processo. Nisso, os Rangers gemiam caídos e mais combalidos até que repentinamente desmorfaram em simultâneo.

— É agora que a gente cozinha feito lagosta. — disse Tim, a expressão de impotência dolorosa.

— Ele acelerou o processo... — disse Damian — Dessa vez é nossa força humana que vai nutrir o campo.

— E no fim estarão exauridos até que deem o último suspiro. — disse Killvox — Mas quanto a acelerar o processo... — levou suas mãos a espada presa ao cinto — Eu poderia fazê-lo à minha maneira. Mas para a sorte de vocês não tenho ordens pra isso e minha cota de execução será fechada com os tubbianos escolhidos.

O caçador virou as costas e caminhou à porta.

— Vão sacrifica-los... — disse Zoe quase chorando — Não... Isso não pode acontecer...

— Não! — gritou Austin forçando-se a levantar — Volta aqui, Killvox! Volta!

— Aproveitem seus últimos instantes, Power Rangers. — disse o caçador saindo e fechando a porta com uma risada infame.

— Por que tava chamando ele de volta? — indagou Jessie, a voz fraca.

— Pensei num plano de convencê-lo a acabar conosco pra dar fim ao nosso sofrimento, só que pra isso ele teria de desligar a redoma... daí teríamos a chance de fugir. — revelou o líder.

— Uma remota chance. — contrapôs Damian — Killvox deve ter aproximadamente dois metros... fora que ele é muito ágil... não passaríamos dele tão facilmente.

— Pois é, o cara é uma muralha. — concordou Tim — Mas sei lá... acho que valia a pena tentar.

— Não, o Damian tem razão, seria arriscado demais. Mas eu não desisto... não desisto de acreditar que seremos salvos!

Na Terra, os clones holográficos entravam em cena pilotando as Beasts Cycles a fim de aplacar os ataques indiscriminados dos Psycho-Bots. Disparavam lasers que estremeciam os robôs com explosões de fogo e faíscas no meio das ruas movimentadas do centro.

— Mas é inacreditável! — disse Mudok do alto de um prédio observando as motos detonarem contra o exército com certa facilidade.

— Concordo, o seu rastreador tá precisando de uma assistência técnica especializada. — comentou Aracna a direita dele.

— Me refiro aos Rangers! O meu radar funciona normalmente, nunca deixo de fazer manutenções periódicas! Mas quem são eles?

— Como assim quem são eles? — indagou ela franzindo a testa.

— Aqueles não são os Power Pirralhos originais... — aferiu o androide — Vou tirar a prova e ver do que são feitos. — pulara do edifício.

— Ei, não vou ficar de fora! — disse Aracna, logo também pulando.

Após derrotarem os robôs, os dublês reuniram-se tendo desativado as motos.

— Próxima etapa: localizar e desarmar a bomba. — disse o falso Austin com a voz minetizada.

— Entendido! — disseram os demais com acesso de cabeça.

Mudok pegara a cabeça decepada de um Psycho-Bot, sua cólera efervescente.

— Por duas vezes num único dia destruíram meu exército os tratando como meros brinquedos... Não sou passivo com esse tipo de humilhação!

O androide avançou sacando sua espada de metal negro e enfrentava os cinco clones Rangers ao mesmo tempo, chegando a feri-los e derruba-los com alguns golpes, porém um detalhe não lhe escapou.

— Mas espere aí... — disse ele que se defendeu de um chute da clone de Jessie com um braço, logo revidando com um giro seguido de um chute mais efetivo que a mandou para longe e a fez bater num poste de placas de trânsito — Eles não produzem faíscas quando são atingidos.

Aracna viera em seguida lutando contra as duplicatas de Austin e Zoe em simultâneo e os derrubando com golpes precisos de socos e chutes.

— O que foi? Perderam a manha? — disse ela, vangloriando, logo sendo atacada pelos duplos de Damian e Tim com tiros das pistolas Z que a desequilibraram com as explosões de faíscas. Ambos atacaram em conjunto com Damian lançando Tim em posição horizontal contra ela. A duplicata do Ranger Azul dera um chute duplo potente e vibrante que a empurrou contra a carga de um caminhão que amassou.

— Não precisam desperdiçar energia com esses dois, vou manda-los direto ao local da bomba. — disse Karen que apertara uma tecla.

Os dublês foram simultaneamente teleportados.

— Bateram em retirada?! Nós intimidamos eles, Mudok!

— Duvido. Dickerson os tirou daqui pra os mandarem aonde está a bomba. — disse o androide indo até ela.

— Teria sido mais fácil derrotarem eles já que lutavam de um jeito meio... robótico e nada interessante.

— É porque não passam de impostores! A força deles é equivalente aos Rangers, mas não replicam exatamente seus modos de combate.

— Se aqueles são cópias fajutas... Então onde estarão os autênticos pirralhos?

— Receio que... se aventurando no mesmo planeta para onde Killvox levou seus prisioneiros. Mas nada está perdido para nós. As modificações que implementei na bomba impedirão que eles a desativem a tempo. Vamos voltar à nave para assistirmos ao espetáculo devastador.

Ambos se teleportaram retornando a nave esperando se deleitarem com a catástrofe pelo visualizador multifocal. Já em Tubbie, Dickerson espiava por trás de arbustos numa árvore circundada com pedras do tamanho de sofás pequenos. Viu Killvox saindo da prisão andando calmamente.

O caçador foi seguindo na caminhada em retorno a vila, mas sua atenção foi chamada por um barulho vindo da árvore a alguns metros. Parou e a observou, levando sua mão a espada.

— Quem esta aí? — perguntou com sua voz trovejante. Dickerson xingou a si mesmo pelo deslize, mas ficara quieto abaixado e encostado numa das pedras. Alguns coelhos grandes de pelagem acobreada saíram dos arbustos à vista de Killvox que logo se convenceu do engano.

Quando o caçador retomou o caminho, Dickerson expôs parte da cabeça atrás da pedra o vendo se distanciar até subir uma colina e não ser mais visto. Logo, rolou para frente e correu até a prisão. Puxou a maçaneta abrindo a porta com força, alertando os Rangers.

— Quem é você? — perguntou Austin.

— Que legal... — disse Tim num sorriso forçoso — Um ninja veio nos salvar. Ou eu tô delirando?

Sem ser identificar, Dickerson os olhos bem e viu o console. Se aproximou para utiliza-lo.

— Mas quem é esse aí? — indagou Zoe.

— Se for inimigo, não tem como piorar mais essa tortura. — disse Jessie.

Com o apertar de uma tecla, o campo de força se desfez rapidamente. Os Rangers sentiram a disposição e o vigor retornarem numa torrente e se levantaram depressa.

— Nos recompomos! — disse Damian.

— Recuperamos nossa força! — falou Austin qie voltou-se ao salvador — Aí, valeu pela ajuda, de coração, seja lá quem você for.

O herói se desmascarou sorridente, gerando alegria entre os cinco.

— Sr. Dickerson! — disseram eles em uníssono, em seguida correndo até ele. Austin o abraçou ao que o mentor correspondeu afetivamente.

— Salvou nossas vidas! — disse o Ranger Vermelho — Nem sabemos como agradecer.

— É, dizer obrigado é pouco. — destacou Zoe, emocionada.

— Ficamos te devendo essa, amigão. — falou Tim dando um toque de mão na dele.

— Pensávamos realmente que nada poderia nos tirar dessa. — disse Jessie, contente — Mas foi um milagre o senhor ter aparecido.

— Nem imaginamos que usaria o dispositivo de teleporte tubbiano pra vir nos salvar. — disse Damian — De tão cansados que estávamos.

— Pra dizer a verdade, nem eu imaginava que precisasse ir mais além pra desrespeitar as normas, mas se tratandod e tira-los desse aperto eu passaria por cima de qualquer regra.— disse Dickerson — A decisão agora é de vocês: ficam ou partem comigo?

— Como tá lá na Terra? — indagou Jessie.

— Psycho-Bots ainda atacando. Mas mandei os clones holográficos de vocês pra contê-los, pelo menos enquanto eles durarem. Eu não podia trazer mais cinco deles pra cá por duas razões: cinco é o limite e o teletransporte interplanetário é impossível.

— Nós vamos ficar. — disse Austin, determinado — Somos heróis, não viramos as costas pra quem juramos salvar. Se tá tudo sob controle na Terra, é uma preocupação a menos.

— A bomba de Mudok foi reativada. — avisou Dickerson — Mas suas duplicatas foram bem instruídas a lidar com essa circunstância. O problema é que não instruí vocês a lidar com ares de outros mundos, é uma experiência nova demais a essa altura.

— Tá tudo bem, Sr. Dickerson, é na prática que se aprende. — disse Austin que sacou sua célula e morfador — Não é, pessoal? Todos prontos? É hora de morfar!

Entretanto, nenhuma fagulha de luz manifestou-se, deixando-os arrasados.

— Não podemos morfar?! — disse Zoe.

— Ué, não ficamos 100% de novo? — perguntou Jessie.

— Logo que íamos arrebentar pra fazer uma entrada triunfal! — reclamou Tim.

— A energia de morfagem ligada à vocês foi bastante sugada naquele campo. — afirmou Dickerson — Vai recarregar em torno de trinta minutos.

— Temos que libertar os tubbianos em menos tempo que isso. — disse Austin.

— Ei, a energia dos tubbianos compartilhada conosco pode nos recarregar. — apontou Jessie — Que nem quando eles fizeram enquanto lutávamos com os Psycho-Bots.

— Mas aquilo foi diferente, eles somente amplificaram nossas forças. — contrariou Damian.

— Pode ser possível, não sabemos até que nível os poderes deles alcançam. — declarou Zoe.

— Aqui, tomem. — disse Dickerson mostrando uma caixa preta — São pistolas miniaturizadas, vão segurar as pontas com elas. Austin fique com esta. — dera ao líder a que carregava no cinto. Todos pegaram as armas e apertaram os botões para normalizar seus tamanhos.

O mentor fazia contato com Karen.

— Pode reabrir o portal, por favor?

Em poucos segundos, um portal surgia ali dando passagem de volta.

— Conseguem se virar sendo bons de mira?

— Pode apostar que sim. — disse Austin, exalando autoconfiança num sorriso, destacando sua pistola. Dickerson assentiu desejando sorte a eles e pulara no buraco de luz amarela que fechou-se imediatamente — Muito bem, galera, sem corpo mole. De volta a ação!

Enquanto isso, os clones holográficos se viam diante da bomba ainda acoplada ao mecanismo da nave tubbiana.

— Tim, antes você havia desarmado a bomba ao puxar o fio azul. O faça novamente. — ordenou o dublê de Austin.

— Positivo e operante. — disse o dublê do Ranger Azul aproximando-se.

— Não, esperem, isso pode ser um erro! — avisou Karen, aflita.

Porém, o fio já fora puxado. O resultado não poderia ser mais desesperador: a contagem se acelerou e a detonação foi adiantada.

— A contagem regressiva ganhou velocidade. — disse a dublê de Zoe.

— O mecanismo foi alterado. — disse a de Jessie.

— Foi o que eu quis alertar, deviam ter me escutado. — disse Karen suando de nervosismo.

Dickerson retornava pulando do portal que logo fechou-se.

— Da próxima vez faça duplicatas que não ajam impulsivamente.

— O que fizeram?

— Repetiram a ação anterior pra desarmar a bomba. Mas a contagem se adiantou.

— Tim agiu por impulso quando a desarmou.

— Eles não me ouviram. Mudok alterou o sistema e não há tempo de adivinhar o novo fio certo. Como foi lá? Estão salvos?

— Tudo quase bem. Os Rangers estão livres, mas impedidos de morfar devido suas energias terem sido drenadas por uma armadilha. — disse Dickerson se inclinando ao painel — OK, vamos recorrer ao disparador tático. Fazer com que a bomba exploda a uma altitude segura.

— Mas a altura de disparo dele é de 280 pés. Não podemos estimar a extensão da onda de choque.

— Confie em mim, a cidade não sofrerá danos graves. Rangers, ouçam com atenção. — disse o mentor apertando algumas teclas.

A arma disparadora, com tamanho de um rifle, surgiu nas mãos do clone de Austin.

— O que devemos fazer, senhor? Quais suas ordens?

— Removam a bomba e saiam da tubulação.

Os dublês acataram estritamente. De volta às ruas, os heróis esperaram o próximo passo.

— Agora fixe a bomba na arma e depois dispare para cima.

O dublê Ranger Vermelho grudou o explosivo na ponta de disparo da arma parecendo um alto-falante e apontou para o céu, logo apertando o gatilho. Mudok contava os últimos segundos ao lado de Aracna a partir do holograma saído do bracelete do androide, ambos frente ao visualizador.

— Dez... nove... oito... sete... — diziam ambos em uníssono, ansiosamente.

A bomba subia até a altitude máxima estimada por Karen. Um segundo antes de cair, explodira intensamente. E o espectáculo aguardado por Mudok ocorria, mas da maneira que o desagradou profundamente.

— Não! Maldição, aqueles Rangers farsantes a lançaram pro alto! Mas como? Droga!

— E esse foi mais um dia comum de nossas fracassadas vidas. — disse Aracma tocando um desconsolado Mudok no ombro — Ah, se eu soubesse teria ficado tomando licor o dia todo.

— Lá se vai nossa promoção... — disse Mudok ajoelhando-se frustrado com gemidos que simulavam choro.

Os cidadãos da Alameda dos Anjos amedrontavam-se e ao mesmo tempo fascinavam-se olhando para a ampla massa de fogo que se expandia nos céus que se alaranjaram, muitos fotografando a beleza catastrófica com celulares.

***

Bragnor havia perdido a paciência com o desafiador jogo de tentativa e erro para quebrar o código do cofre selado. O tirano puxara-o pela gola da túnica por trás e o virou rudemente.

— Eu já me cansei dessa brincadeira sem graça! Estou há horas tentando inutilmente e nenhuma alternativa funciona!

— Você pode estar tão estressado e obcecado pela pedra que recorreu as mesmas tentativas sem perceber. — disse o ancião.

— Errado! — esbravejou Bragnor dando uma bofetada com o dorso que derrubara o velho, levando-o a rolar uma pequena parte íngreme do solo. O ancião tentou alcançar o cajado, mas Bragnor viera pisando fortemente em seu pulso — Terá seu cajado quando me disser a senha! Prometo poupar seus pupilos.

— Jura por tudo que for mais sagrado?

— Eu juro. — disse Bragnor firmemente — Agora fale!

O ancaio fechou os olhos e com sua telecinesia pôde mover as teclas até formar a combinação. A porta do cofre abriu-se, revelando a grande joia que assemelhava-se a uma esmeralda. Bragnor a retirou, largando o cofre.

— É minha! Acho que dá pra encaixa-la na minha coroa! — disse o rei a colocando sobre a cabeça — Encaixou perfeitamente! — a pedra brilhou intensa com raios envolvendo seu portador — Mas que poder fabuloso! Me sinto um deus!

— Agora que a pedra dos desígnios é sua, cumpra sua palavra! — disse o ancião levantando após reaver o cajado.

— É claro, eu quase me esqueci! – disse Bragnor que virou para onde Killvox estava — Killvox... Inicie a execução! Hahahaha!

— Neste instante, majestade. — disse o caçador que fora até o espaço reservado ao show de horror que os pobres e angustiados civis tubbianos eram coagidos a assistir sob a mira dos Goldhogs.

— Você é um patife! Desconheço mais traiçoeiro e ardiloso! — atacou o ancião, sua raiva contida.

Killvox se aproximou da estrutura de metal dourado montada para prender os tubbianos especiais que era similar à da guilhotina — os quatro inclinados com as mãos e cabeças presas. O caçador brandiu sua espada primeiramente contra Pou.

— Você será a primeira, pequenina.

— Não, pegue a minha cabeça! — clamou Twinky — Sou o mais velho, mereço ir primeiro!

— Twinky, deixe que eu vá embora primeiro, é do menor que se começa.

— Chega! Eu decido quem corto primeiro! E será ela! — disse Killvox novamente erguendo a espada.

— Feche os olhos, Pou. — disse Layka.

— Isso vai doer mais em nós do que em você. — falou Dipso. A plateia se fervilhava de repulsa pelo ato dantesco que presenciariam. Pou fechara os olhos e Killvox preparava-se para baixar a lâmina.

Até que uma chuva de tiros de lasers recaiu sobre Killvox, as explosões de faíscas o desestabilizando ao ponto de deixar cair a espada. Todos os habitantes da vila olharam para uma única direção, maravilhados. Lá estavam eles, os cinco heróis devotados a salvar aquele inocente povo, apontando suas armas do alto de uma colina gramada.

— Esses são os tais Power Rangers? Como interceptaram Killvox sendo apenas meros terráqueos? Goldhogs, ataquem! — bramiu Bragnor apontando aos Rangers com a ordem.

O exército dourado avançou disparando raios das lanças.

— Rangers, atacar! — bradou Austin. A turma se dispersou escapando dos disparos que explodiram em fogo e faíscas. Tim e Jessie puderam ultrapassar alguns dos Goldhogs atirando com destreza, chegando aos tubbianos.

— Eu previ que viessem! — disse Twinky.

— Não íamos deixa-los acreditar que tudo acabaria aqui. — disse Jessie disparando na armação metálica para desprende-los.

— O Bragnor vai ver o que é bom pra tosse! — disse Tim fazendo o mesmo.

Killvox sacava sua espada numa luta contra Austin, Damian e Zoe que o desorientavam com os tiros se mantendo um pouco distantes dele e usando pedras como trincheiras.

— Covardes, me enfrentem diretamente se acham que podem comigo! — desafiou o caçador rebatendo com agilidade os lasers que explodiam fortemente em faíscas ao redor dele.

Os tubbianos tomaram uma atitude corajosa ao correrem na direção dos pupilos do ancião, passando por Bragnor como uma manada de bois.

— Voltem para a detenção! São meus escravos!

O ancião escapava junto deles, porém o rei o puxou pela antena.

— Você não vai! A sua vida ainda me pertence!

— Eu já lhe dei a pedra dos desígnios! O que mais você quer de mim?

— Iremos descobrir. — disse Bragnor que passou a arrasta-lo, gargalhando.

Os tubbianos eleitos junto à todos da vila cercavam os Rangers deixando Killbox e os Goldhogs confusos.

— Todos dando as mãos. — disse Layka.

— Nossos heróis carecem de poder. — disse Dipso.

— Como eles sabem que não podemos morfar? — indagou Zoe.

— É um mistério, mas sinto que essa corrente do bem vai fornecer toda a energia necessária. — disse Austin com sorriso de satisfação.

Os tubbianos da vila inteira fecharam os olhos, suas antenas logo brilhando nas diversas cores, imbuindo os Rangers com uma carga potencial de energia. Ao soltarem as mãos gradualmente uns dos outros para abrir espaço, os tubbianos testemunharam a restauração dos poderes dos Rangers envolvidos naquela aura de luz multicor. Os heróis se encontraram já morfados, restabelecidos a luta.

— Deu certo! — disse Jessie — Como eu tinha dito!

— Vocês não fazem ideia do quanto somos gratos! — disse Austin — Obrigado a todos! Agora devem se retirar porque as coisas vão esquentar por aqui! — mirou em Killbox socando a palma esquerda.

Os tubbianos se dispersaram afoitos após os Goldhogs abrirem fogo. Killvox avançara com sua espada, partindo para cima dos Rangers ferozmente.

— Barbatanas Cortantes! — disse Tim invocando as armas e desferindo um corte em X que repeliu e derrubou o caçador — Maneiro! Aquele bônus de força de antes veio no pacote!

— Ferrão de Arraia! — disse Zoe que duelou contra o mercenário e sua espada. Ao girar e se desviar de um golpe, o espetou com a ponta do ferrão na barriga — Agora diga: touchê! — uma descarga elétrica com raios rosas em volta do corpo foi liberada e o fez se debater. Jessie veio na sequência voando com as garras raptoras e executando cortes que não proporcionavam brechas para ele se defender. O caçador bateu a espada furioso no solo, gerando raios que serpenteavam ligeiros.

— Marreta Avalanche! — Damian bateu-a contra o solo, a onda vibratória mandando os raios de volta ao caçador que logo foi pego sofrendo uma explosão acachapante atrás de si que o tirou do chão.

— Combinar armas! — bradou Austin. As armas foram conectadas e fundiram-se formando o Abatedor Selvagem — Preparar, apontar, fogo! — o canhão duplo disparou as rajadas contras as quais Killvox defendeu-se com a espada, sendo empurrado com os pés afundando na terra. A intensidade destrutiva dos lasers se sobressaíra, chegando a destroçar a espada e o derrubar.

— Minha espada! — lamentou Killvox tocando nos pedaços chamuscados da arma — Despedaçada por esses vermes! Nããããooo!

O laser duplo foi repartido para os Goldhogs que faziam cerco, destruindo-os massivamente com explosões poderosas.

— Eles já eram! — disse Austin — Ganhamos!

Bragnor fora barrado pelos tubbianos eleitos que sugiram pela magia de um cata-vento.

— Deixe o ancião em paz! — disse Pou.

O quarteto iluminou suas antenas de mãos dadas lançando feixes de energia dos quadrados nas barrigas contra a pedra que se destruiu em pedaços.

— Minha linda joia divina está arruinada! — disse Bragnor, atemorizado.

Porém, os fragmentos se reuniram e a joia rapidamente fora reconstituída, voltando a coroa de Bragnor.

— Meus caros discípulos, a pedra dos desígnios é indestrutível, a menos que o próprio portador resolva destruí-la! — informou o ancião que logo foi jogado para o lado.

— Eu não preciso mesmo de você! Esta joia magnífica satisfaz todas as minhas necessidades! — disse Bragnor que logo usara o poder da pedra para absorver os tubbianos. Com um aumento significativo de poder, se agigantou colossalmente, assustando os residentes da vila — Todos me pertencem! — a pedra brilhara, os tubbianos, inclusive os guardas, sendo tragados para dentro dela como pontos de luzes coloridas.

— Olha isso, o rolha de poço fica gigantesco também! — disse Tim.

— Mas como iremos combatê-los sem nossos zords? — perguntou Damian.

— Karen, os problemas cresceram! — disse Austin pelo comunicador na pulseira vendo Bragnor esmagando casas de tubbianos e disparando raios do seu cetro.

— Rangers, acalmem-se. Os zords são teleportáveis a nível interplanetário, mas num futuro breve vocês também serão. Já estão a caminho. — disse a tecnóloga.

Cinco portais abriam-se no horizonte, as máquinas animais vindo ao socorro.

— Aí estão eles! Rangers, agora! — disse Austin que saltou. Os demais logo o fizeram também, todos adentrando nos cockpits — Chave de comando ligada! Sequência Megazord!

Os zords ligaram-se formando o Megazord Z. O robô gigante pousou ao campo de batalha. Bragnor disparou um raio do cetro que foi defendido pelo escudo Z. Mas o rei decidiu usar o poder da pedra a seu favor.

— Eu desejo que se afastem! — a joia resplandeceu.

O Megazord dera passos para trás.

— Em vez de nós controlarmos o Megazord, é ele quem tá fazendo! — disse Zoe.

— É aquela joia na coroa dele! Faz com que ele deseje qualquer coisa! — disse Austin.

— Os tubbianos nos contaram sobre essa joia no acampamento! — disse Jessie.

— E agora? Todos os desejos dele se realizam, ele pode simplesmente querer até que o Megazord se exploda! — alarmou Tim.

Bragnor lançava rajadas da joia que causavam explosões contra o robô. O Megazord caíra.

— Não podem conter a fúria de um rei que tornou-se uma entidade divina!

— Ah, podemos sim! Galera, pra derrotar esse cara teremos que agir rápido! Força nos controles! É hora das das asas de águia!

As asas da Águia Flavescente se abriram e alçaram voo levando o Megazord a uma considerável altura.

— Não permitirei que fujam! — disse Bragnor lançando um raio da pedra com outro do cetro aos quais o Megazord desviara.

— O único modo de destruir a joia será levando o Megazord a operar em capacidade máxima! — disse Damian.

— É nisso que eu tava pensando! — disse Austin, confiantemente — Modo Velox!

O Megazord tomou uma forma esguia, porém que agilizou o voo passando a direcionar-se de encontro a Bragnor.

— Sabre Selvagem!

A espada caiu na mão direita do robô, rebatendo os raios esverdeados da joia e defendendo-se com o estudo alternativamente.

— Chama Cromática! — disseram em uníssono.

O sabre fora envolvido com o fogo multicolorido, sendo manejado em vários cortes velozes pelo robô. Cortes esses que recaíram sobre Bragnor impiedosamente. O Megazord pousara, recolhendo as asas rapinas e virou de costas para Bragnor que tinha sua deslumbrante joia caindo aos pedaços e seu corpo salpicando faíscas.

— Era meu direito ser o soberano deste mundo! — disse o rei que caíra e explodiu fatalmente.

A pedra dos desígnios logo se restituiu, libertando cada um dos tubbianos antes aprisionados. Os residentes da vila davam as mãos e abraços em confraternização e solidariedade.

Ao por do sol, os Rangers, desmorfados, preparavam-se para a despedida diante dos tubbianos — os eleitos na linha de frente.

— Vocês tem mesmo que ir? — perguntou Layka.

— Fiquem por alguns dias. — disse Pou.

— Não podemos, mas adoraríamos. — falou Zoe que foi abraça-la — E já estamos morrendo de saudades. Pou, você é um amor.

— Layka, foi um prazer. — disse Jessie abraçando sua amiguinha de pele amarela.

— O prazer foi todo meu, Jessie. Você é minha heroína.

— Dipso, meu mano, um dia vamos zoar pela Alameda dos Anjos provando mais coisas da Terra. — disse Tim bafendo sua mão seguido de um soquinho amigável na do tubbiano verde — Haha, você aprendeu direitinho!

— Eu vou sonhar com esse dia, Tim. E vamos torna-lo realidade.

— E espero que um dia tenhamos a chance de compartilhar uma experiência científica juntos, não é, Twinky? — disse Damian dando um aperto de mãos no tubbiano roxo.

— Irei aguardar com esmero, Damian. Nossas mentes interligadas dariam um ótimo projeto.

— Prometemos voltar aqui, então prometam voltar a Terra também pra experimentarem mais comidas de lá. — disse Austin — Um amigo nosso é um verdadeiro cozinheiro de mão cheia. O marshmallow é só um aperitivo perto do que ele faz.

Através do cata-vento girando e soltando um brilho cintilante, o ancião retornou em teleporte.

— Olá, ancião, já vai arrumar a nave pra partirmos, né? — indagou Austin.

— Isto não será necessário, jovens terráqueos. O deus-sol ainda continua ativo, apesar de estar encerrando seu ciclo diuturno. Portanto, ainda posso envia-los de volta à Terra por meio disso.

Com seu cajado, o ancião abrira um portal dava acesso direto à Terra, mais precisamente no mesmo local em que os Rangers acampavam.

— Muito obrigado, ancião. — disse Austin — Temos uma dívida com Tubbie. Acredite, nunca esquecemos daqui.

— A nossa gratidão é ainda maior, tenham certeza. Libertaram nosso povo das mãos daquele tirano. E certamente meus compatriotas se lembrarão de vocês eternamente.

Os quatro mostravam pelos quadrados nas suas barrigas a todos os companheiros as memórias que registraram da Terra, deixando-os impressionados com o quão parecidos ambos os mundos eram.

— Que sociedade mais avançada. — disse Damian — Num sentido moral, os terráqueos teriam muito a aprender com vocês.

— Não podem ir embora sem um presente. — disse o ancião revelando um estojo contendo cinco chaves com as respectivas cores.

— Mas... são chaves de comando iguaizinhas as que uso pra ativar a sequência Megazord. — disse Austin pegando o estojo e analisando-as.

— Mas como o senhor as criou tão rápido? — quis saber Jessie.

— Possuímos um aparelho capaz de assimilar tecnologias de outros mundos. Enquanto lutavam naquele colosso, ele estava ligado. Eu isolei os dados da chave de comando e os dividi em cinco partes iguais que, uma vez ativadas, trarão melhorias de desempenho ao robô.

— Nossa, isso que se chama de presentão! — disse Tim pegando a sua.

— Agora vamos poder formar o Megazord sem depender somente de mim. — disse Austin — Perdi uma exclusividade, mas por uma boa causa, pelo menos.

— Então você tá metade triste e metade feliz? — indagou Zoe.

— 90% feliz e 10% triste. — disse Damian — Acertei?

— É bem por aí. — disse Austin que arrancou risadas dos amigos — Bem, é hora de dar tchau pros nossos novos amigos.

Os Rangers despediam-se dos tubbianos que acenavam felizes, logo atravessando o portal. Regressados à Terra, um vazio de saudade se instalou nos corações dos heróis.

— Espero mesmo que um dia os vejamos de novo. — disse Jessie melancólica ao ver o portal fechar.

— Estamos de volta a reserva florestal. — apontou Damian.

— Que tal continuarmos essa noite? — sugeriu Austin — A não ser que não queiram saber como termina a história do homem-coiote.

— Que jogo sujo pra convencer alguém a participar de um acampamento, Austin. — disse Tim — Tá legal, eu vou. — cedeu com hesitação.

Na nave de Lokknon, o imperador punia Mudok e Aracna com ondas psíquicas após retornar da reunião. Os subalternos gemiam de dor ajoelhados e quase caídos.

— Eu fui enfático, eu fui categórico, mas vocês ainda assim ousaram me desobedecer!

— A ideia partiu de Aracna! Piedade, mestre!

— Como ficou sabendo? — questionou Aracna, chorando.

Barooma apareceu como por mágica na sala.

— Barooma?! — disse ela — Espera, então...

— Sim, eu estive aqui o tempo inteiro! O mestre compareceu sozinho a reunião me incumbindo a tarefa de vigia-los com meu modo de invisibilidade!

— Barooma, seu maldito... Eu te mato. — disse Mudok.

— Bom trabalho em não acoberta-los como eu suspeitei que faria. — disse Lokknon.

— Não há de quê, mestre! Hã? Suspeitou de mim!?

— Acho que não é tão confiável quanto achava. — disse Aracna que deu uma risadinha junto de Mudok.

— Quietos! Não estão em posição de ficarem alegres como se saíssem vitoriosos contra os Rangers! — esbravejou Lokknon fortalecendo as ondas mentais.

A noite, o quinteto vinha trazendo a barraca presa a cordões firmes, caminhando até o ponto onde se estabeleceram anteriormente. Porém, depararam-se com Brock e Stuart já a postos para montarem a barraca.

— Ah não, quem foi que soprou pra esses panacas que a gente tava acampando aqui? — perguntou Jessie.

— Esses dois sempre nessa estupidez de cortar o barato dos outros. — disse Zoe.

— Vamos expulsar eles, eu começo. — disse Tim.

— Aí, eu tive uma ideia bem melhor. — disse Austin — Fiquem aqui escondidos e em silêncio, já volto.

Austin se embrenhou na mata e parou num canto onde os espionou. Com as mãos meio fechadas perto da boca, emitiu um som que soou como um coiote uivando. A dupla se ouriçou, temerosa.

— Ei, Brock, me diz que foi o seu estômago.

— Tá doido? Minha barriga não faz esse barulho sinistro, não.

— Então só pode ser uma coisa.

O som ficara mais agudo e assustador levando-os a abraçarem-se com medo.

— O homem-coiote! — gritaram eles se entreolhando aterrorizados, logo correndo em disparada e largando suas coisas.

Os Rangers se juntaram comemorando a estratégia bem-sucedida de expulsa-los dali.

— Austin, isso foi genial. — elogiou Damian.

— Ei, esqueceram de levar essas tralhas! — berrou Jessie que ria — Correram tão depressa que devem já estar longe da reserva.

— E aí, Tim? Agora gosta só um pouquinho dessa lenda? — indagou Zoe.

— Se tiver um final feliz, talvez sim. — disse o Ranger Azul, receoso.

— Então vamos armar a barraca e acender a fogueira porque a história é longa. — disse Austin tocando no ombro do amigo de lado.

Enquanto isso, Mudok finalizava seu mais novo e ambicioso projeto maquinário na sua oficina.

— Chegamos ao ápice do desenvolvimento. — disse ele frente a uma cabine de ferro, a porta tendo uma janela retangular pequena — Você será a chave para que o mestre reconstrua a confiança em mim, desta vez não tenho dúvidas. – apertou um botão com um controle.

Os parafusos da porta se soltavam de baixo para cima, a cabine vibrando. Uma luz amarela piscava raios elétricos saltando da janela.

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