Power Rangers: Esquadrão Z

33 Estranhos Numa Terra Estranha (Parte 1)


Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Um grupo de quatro seres alienígenas oriundos de um planeta distante aporta na Alameda dos Anjos como fugitivos de uma invasão, tendo escapado justo quando seriam sacrificados para terem suas peles removidas por um rei tirano e caprichoso. Quando o mercenário Killvox é designado para captura-los, os Rangers têm a missão de proteger os indefesos visitantes. *** ALERTA DE CROSSOVER E crossover com ninguém menos que os Teletubbies! Sim, você não leu errado, se trata de um crossover com aqueles serzinhos coloridos e amigáveis quando éramos pivetinhos. Fiz algumas adaptações, como leves mudanças nos nomes dos personagens. Tenha uma ótima leitura (e que poder o proteja)!

Nos recantos mais longínquos da Via Láctea, orbitando uma estrela com amplas similaridades ao sol que sustentava a Terra, havia um curioso e pequeno planeta povoado por criaturas de aspecto um tanto humanoide, de estruturas relativamente baixas e dotadas de uma personalidade altamente hospitaleira e pacífica. A morada daqueles seres chamava-se Tubbie e os mesmos referiam-se como tubbianos, membros de uma sociedade civilizada que pregava como princípio social básico a boa convivência entre seus pares, bem como em relação a visitantes interplanetários.

Entretanto, durante uma noite de vaga-lumes a passear pelas colunas gramadas e serem perseguidos por tubbianos infantes, a recepção de trato cordial e agradável contrastou lamentavelmente com o tratamento oferecido àqueles estrangeiros tripulando uma nave robusta e dourada de caráter agressivo reforçado pela maneira de pousar no principal vilarejo cujos ocupantes se aglomeravam em curiosidade próximos ao gigante de metal. Um sujeito gorducho e de rosto robótico e vestes típicas de um monarca da realeza descia pela rampa da espaçonave seguido de seus acólitos — denominados Goldrons — que empunhava lanças com pontas no formato de um imã.

— Exijo ser conduzido aos aposentos do ancião desta vila! — proferiu o rei altivo brandindo seu centro ornado com um grande diamante — Ele é o único capaz de me fornecer todas as informações necessárias para meu triunfo!

— O ancião está descansando a essa hora, senhor... — disse um tubbiano adulto que usava uma armadura já que trabalhava como guarda do templo.

— Bragnor! Rei Bragnor para vocês, aliás! Eu não vim aqui para ter minha paciência testada, levem-me diretamente ao ancião ou esta vila conhecerá um terror que jamais presenciou!

— Então não vieram confraternizar com o grande ancião? — indagou outro guarda.

Bragnor gargalhou maldosamente com seus subalternos robóticos, logo disparando um raio de seu cetro no chão que fizera os indefesos seres recuarem assustados.

— Vou explicar meus propósitos para minha vinda a este planeta ordinário de uma forma que criaturas insignificantes como vocês entendam: eu desejo suas peles para extrair e vender como belas tapeçarias valiosas!

— Nossas peles!? Mas o que será de nós se permitirmos isso? — indagou uma tubbiana de pele rosada.

— Não podemos viver sem elas, o deus-sol as mantém saudáveis para nos dar energia. — revelou outro de cor preta.

— Isso já não é problema meu! Afinal, não irão sobreviver ao processo para se preocuparem com isso! Hahahaha! — dissera Bragnor os amedrontando cada vez mais.

— Não deixaremos que capturem nossos residentes! — falou um dos guardas apontando uma lança — Somos pacíficos, mas não toleramos afrontas e ameaças ao ancião e a todos que o rodeiam! Vão embora!

— Acham que me mandar embora fará com que eu mude meus planos? São mais ingênuos do que me contaram! — disse Bragnor — Killvox!

O mercenário galático vinha descendo a rampa inspirando medo real nos tubbianos civis.

— Sim, meu rei, o que solicita que eu faça?

— Ensine a eles a não recusar uma exigência formal de um rei poderoso como eu!

Killvox sacou sua espada e bateu contra o solo gerando raios vermelhos que serpentearam na grama, aterrorizando-os.

— Nos levem ao ancião ou destruirei todo esse lugar irritantemente calmo!

— Só se passar por todos nós! — disse uma tubbiana formando uma corrente para barra-los juntando as mãos com os demais.

— Eu geralmente fico entediado quando facilitam meu trabalho, mas neste caso me dá uma saborosa sensação! — disse Bragnor — Acabem com tudo e todos!

Os Goldoghs avançaram com hostilidade disparando lasers das lanças e batendo-as nos tubbianos para aplicar choques elétricos. Os seres coloridos corriam apavorados da opressão violenta daquelas tropas que tornavam a exuberante paisagem da flora de Tubbie menos bela com os tiros explosivos em casas e árvores, atingindo inocentes no caminho.

Killvox acompanhou Bragnor em direção aonde acreditavam ser o templo do ancião que naquele instante dormia profundamente em seu quarto redondo de paredes cinzentas e elegantemente decorado. A algazarra do ataque abria caminho para a dupla que atravessava o mar de explosões e gritos.

— Você aí! — disse Killvox apanhando um dos guardas como se pega um gatinho — Leve-nos até o ancião agora!

— Si-sim, senhor... Por favor, não nos machuque, só estávamos tentando ser gentis!

— Acredite, nós também tentamos. E é isso que acontece quando me desacatam! — disse Bragnor que riu com sarcasmo

O ancião acordou sobressaltado com um baque que estremeceu as paredes.

— Mas o que se passa? Oh, pela luz do sagrado deus-sol... Quem são vocês e o que fazem aqui?

— Sou Bragnor de Elgohar! — disse o rei apontando seu cetro ao velho — Reivindico seu mundo para erigir meu palácio! Além disso, eu quero que me entregue quatro de seus discípulos que possuem dons especiais!

Killvox jogara no chão o guarda coagido.

— Mestre, eles são hostis, pretendem usar nossas peles para vender como adornos! Não permita que isso aconteça, por favor!

— Onde eles estão? — perguntou Killvox.

— Não estou autorizado a falar. — recusou o ancião pegando seu cajado.

— Eu autorizo! — disse Killvox sacando sua espada e apontando.

— Não, mestre, não desperdice sua vida, é melhor obedecê-los! — alertou o guarda — Estão devastando a vila! Diga a verdade, para o seu próprio bem!

O ancião semicerrou os olhos, desafiador.

— Está bem, irei avisa-los imediatamente. Aguardem pacientes, se não for pedir muito.

— Não existe nenhuma autoridade superior a você nesta vila, então não seja dissimulado comigo ou Killvox sujará suas mãos em meu nome! — declarou Bragnor, ameaçador — Volte aqui com eles para que se rendam a minha custódia!

O ancião ergueu o cajado do qual emanou uma luz branca. Ele teleportou-se para o dormitório dos quatro tubbianos que considerava seus discípulos extraordinários. Estavam acordados e desesperados com o clima conflituoso.

— Ancião, que bom que está aqui! — disse Pou, uma tubbiana de pele vermelha e a menor e mais nova do grupo.

— Acordamos com estrondos lá fora! — disse Dipso, um tubbiano de pele verde limão e o segundo irmão do meio.

— Não posso acreditar que uma guerra está acontecendo no nosso planeta! — disse Layka, tubbiana de pele amarela, a primeira irmã do meio.

— Estamos cercados! Será que ninguém está a salvo? — questionou Twinky, um tubbiano de cor púrpura, o mais alto e o irmão mais velho.

— Sim, vocês estão! Ou melhor, estarão muito em breve. — assegurou o ancião — Vocês são meus aprendizes mais valorosos, não posso permitir que sejam violentados por essa invasão. Portanto, vou teletransporta-los a uma nave de exploração que reservo no meu container de suprimentos.

— Mas o senhor não pode criar um portal para outros mundos? — perguntou Pou.

— Sim, é claro. Mas devo lembra-los de que só consigo executar isso quando o deus-sol está presente. Não há mais tempo a perder. Vocês devem ir a um planeta que ofereça segurança.

— Mas pra onde iremos, afinal? — perguntou Layka — Aqui é nossa casa, fomos escolhidos pelo senhor para proteger o mundo inteiro.

— Exato, mas precisam partir antes que um rei malévolo chamado Bragnor e seu general os encontre para extrair suas peles e usa-las como ornamentos para satisfazer seus desejos fúteis. O planeta que escolhi chama-se Terra, encontra-se no Sistema Estelar ST-5. Vamos, cheguem mais perto e fiquem em meu entorno.

Os tubbianos especiais o fizeram dando as mãos em cumplicidade. O ancião ergueu o cajado, enviando-os por teleporte até a nave.

— Adeus, meus nobres guerreiros. — disse o velho derramando uma lágrima e olhando para cima — Protejam os terráqueos se por acaso atraírem as hostes desse maldito rei até lá.

A decolagem da nave causou um tremor.

— O que foi isso? — indagou Killvox — Me parece com... um lançamento de jato espacial.

O mercenário fora até a janela onde viu um ponto incandescente ao longe subindo. Neste mesmo instante, o ancião retornava.

— Você é um velho cretino! Aquilo é uma nave e certamente tripulada por seus discípulos! Ele nos enganou, meu rei! — disse Killvox a postura de confronto ao sacar sua espada.

Bragnor se dirigiu até o velho tubbiano com austeridade e o agarrou pela barba.

— Agiu a seu favor pelas minhas costas! Não admito essa audácia, pode apostar que eles serão encontrados e trazidos de volta com ou sem vida! Killvox, faça as honras!

— Esperem! Eu posso ofertar algo em troca de preservarem a minha vida e a de todos. — disse o ancião temeroso — Eu costumo ser generoso sem exceções. Você ostenta joias preciosas, certo? Pois bem, tenho uma guardada no meu baú, é o tesouro mais inestimável de Tubbie.

— E onde encontro esse baú?

— Eu faço questão de traze-lo às suas mãos.

— Mas não fuja ou darei ordem para Killvox executa-lo em praça pública!

— Meu rei, se me conceder permissão, gostaria de ficar no encalço daqueles tubbianos que fugiram naquela nave.

— Apresse-se e traga os quatro! — voltou-se para o ancião — Para onde os mandou?

— A Terra. — disse o idoso tubbiano tendo sua barba solta — Vou pegar meu baú, já volto.

— Terra... Outra vez irei pisar naquele mundinho atrasado e primitivo. — resmungou Killvox recordando de quando caçou Prys — Milorde, juro que não falharei como na ocasião do garoto cromatoniano.

— Aquilo foi um ledo engano meu, ainda me culpo em tê-lo feito perder tanto tempo. Se me trouxer os tubbianos, farei um reajuste no combinado. Agora vá e se caso encontrar os famosos Power Rangers... não tenha clemência.

— Entendido, milorde. — disse Killvox saindo as pressas dali para decolar em sua nave. O ancião voltava com o baú contendo a pedra.

— Aqui está. Abra, se puder. — disse ele entregando-o.

— Como assim se eu puder? Você deve abri-lo pra mim!

— Este baú nunca foi aberto, nem na época dos meus ancestrais. Conta-se que guarda o que chamavam de pedra dos desígnios. Ela realiza todo e qualquer desejo de seu portador. Há um código a ser quebrado para abrir o baú.

— E se estiver mentindo?

— O baú não pode ser fechado uma vez descoberto o código. Se eu soubesse, não guardaria a pedra nele sem essa garantia. O desafio a quebrar este código até que seu subordinado volte. Se não conseguir, libertará meu povo e desistirá da sua ambição.

Bragnor olhou com minúcia para os caracteres nas teclas giradas verticalmente e ponderou.

— Fechado. Até que Killvox retorne já terei aberto este baú e me apoderado da pedra! Não deve ser nada complexo vindo de vocês. — disse o monarca sentando numa cadeira para iniciar.

— Eu não subestimaria a perspicácia dos meus antepassados. — disse o ancião cofiando a barba — Eles só não tentaram porque temiam serem seduzidos pelo poder da pedra.

Na Terra, os Rangers estavam reunidos numa floresta na área irrestrita da reserva para uma noite especial de acampamento. Os cinco rodeavam uma fogueira comendo marshmallows.

— Ai, acho tão gostosa essa brisa invernal. — disse Jessie esfregando os braços — Dá vontade de me enfiar num saco de dormir e sair só depois que amanhecer.

— Pois vai lá, é bom que sobra mais marshamallow. — disse Tim pegando um e jogando-o para dentro. Mas Jessie pegara antes que caísse na boca do Ranger Azul e o comeu — Ei, esse era meu! Assim não vale, Jessie!

— Hum, tá ótimo! Eu que não dispensaria isso pra ir dormir cedo. — disse ela, a boca cheia.

— Aí, será que essa área não é terreno privado? — perguntou Austin.

— Eu confirmei com o dono da reserva, estamos realmente em campo livre. — disse Damian — Por que essa dúvida?

— E se houver um dono bem mais antigo vivendo aqui? — questionou Austin em tom de suspense na intenção de provocar medo.

— Tipo um urso ou um lobo? — especulou Zoe — Se bem que nós vimos a placa de alerta com animais selvagens.

— Não, não é um animal comum. Mas uma mistura de dois. Homem e fera. — disse o líder sorrindo de canto com ar de mistério.

— Um lobisomem?! — disse Tim, apreensivo.

— Não, muito pior. Nunca ouviram falar do homem-coiote da Alameda dos Anjos?

— Oba, uma lenda urbana de terror! — animou-se Jessie — Conta tudinho, Austin. Me amarro nessas histórias por serem tão... malucas.

— Eu até que gosto, pra mim não passam de pura invenção. — opinou Zoe esquentando mais um conjunto de marshamallows num espeto.

— Bem, vamos lá... — disse o Ranger Vermelho — Tudo começou quando...

— Não, Austin, não conta! E se for real? — disse Tim, atemorizado com uma lanterna acesa.

— Ele mal começou a narrar e você já tá tremendo na base? Relaxa, o homem-coiote não vai sair de um arbusto depois que acabar a história. — amenizou Damian achando engraçada a postura do amigo.

— Além do mais, já enfrentamos coisa bem pior no dia-a-dia. — salientou Zoe.

— Aham, os monstros do Lokknon fariam qualquer um dessas lendas borrarem de medo. — reforçou Jessie.

— Só que agora não estamos morfados pra encarar um monstro. — retrucou Tim — Mas sei lá... Ah, vai, continua, eu não vou ouvir mesmo. — tapou os ouvidos.

— OK, tudo havia começado quando uma tribo de índios desta mata...

De repente, um estrondo retumbou interrompendo a contação. Todos subitamente viraram os rostos na direção que se pensava ter vindo o barulho.

— O que pode ter sido isso? — perguntou Zoe — Fez o chão tremer!

— Pareceu uma explosão! — disse Jessie.

— Ou uma queda de aeronave. — supôs Damian.

— E se for uma matilha de homens-coiotes? — teorizou Tim, alarmado.

— Não existe homem-coiote, Tim, se acalma. — garantiu Austin — Eu tava te sacaneando, só isso. Galera, vamos dar uma olhada. Acho que foi por ali. — pegara uma lanterna e ligou-a, indo na frente.

O quinteto seguiu o trajeto rumo ao ponto de origem do estrondo, os fachos das lanternas rasgando o breu da floresta. Austin avistou algo pegando fogo.

— Aqui, venham. — disse ele correndo e afastando galhos e plantas. Se depararam com os nativos de Tubbie saindo da nave que deixou um rastro de fogo na aterrissagem — Mas quem são eles?

— A questão pertinente é: o que são eles? — corrigiu Damian ajeitando os óculos.

— Gente, isso é uma nave espacial, tá na cara. — apontou Jessie.

— Estamos tendo uma invasão alienígena?! — disse Tim.

— Sem pânico, eles devem ser pacíficos. — disse Zoe apontando a luz da lanterna a eles que cobriram os rostos com as mãos — Olá... Podem nos dizer quem são e de onde vieram?

— São os terráqueos? Que bom, fomos encontrados! — disse Pou andando.

— Ei, vamos com cuidado. — disse Dipso a parando — E se o ancião tiver errado sobre eles?

— Não diga bobagem, Dipso, o ancião jamais faria uma análise imprecisa de um povo como esse. — disse Twinky.

— Vamos falar com eles, parecem ter gostado de nós. — disse Layka que foi se apresentar — Saudações, terráqueos. Viemos de Tubbie para nos refugiar em seu planeta. Sou a Layka.

— Sou o Dipso.

— Twinky, muito prazer.

— E eu sou a Pou.

— Oh, podemos ficar com eles? São tão cuti-cuti. — disse Jessie tendo adorado-os.

— Parecem mais bichos de pelúcia que ganharam vida. — disse Tim.

— Acho que você tem razão, Zoe. Eles vieram em missão de paz. — disse Austin — Aí, amiguinhos, confiem na gente, estão entre amigos.

— O ancião nos disse que os terráqueos são acolhedores como nós. — contou Layla.

— Ahn... Digamos que ele está certo e ao mesmo tempo... não. — afirmou Zoe.

— Há terráqueos malvados por toda parte. — disse Tim — Mas nós somos bonzinhos, acreditem.

— Estão fugindo? Do quê? — questionou Damian.

— Nosso planeta foi invadido por um rei malvado. — disse Dipso.

— E o ancião nos mandou pra cá buscarmos abrigo porque somos a esperança da raça. — revelou Twinky — A última que resta.

— Olha, por que não vêm conosco se juntar ao nosso acampamento pra vocês contarem tudo? — propôs Austin com imensa hospitalidade — Vão adorar a comida da Terra.

— O que é um acampamento? — indagou Pou enquanto acompanhavam os Rangers.

— Vocês verão. — disse Zoe — Seja qual for problema que enfrentam, poderemos ajudar.

Já enturmados aos Rangers no acampamento, os tubbianos provavam do marshamallow.

— Hum, é delicioso. — disse Pou — Eu quero mais!

— Tem pra todo mundo, aproveitem. — disse Damian dando uma tigela a Dipso — Enfiem nesses espetos assim, vejam... — demonstrara.

— Depois é só colocarem no fogo... — demonstrou Jessie ao que eles imitaram — ... e comer. — mordiscou um — Mas assoprem pra esfriar e não deixem tempo demais no fogo pra não estragar.

— Marshmallow é a melhor comida da Terra. — disse Layka saboreando.

— Vocês não viram nada ainda. — disse Austin — Mas e aí, vocês acham que esse tal de Bragnor virá atrás de vocês?

— Talvez sim, talvez não. — disse Twinky — O ancião decidiu que a sobrevivência da espécie merecia ser garantida por nós.

— Mas nada impede que sejamos seguidos. — disse Dipso — Nossa missão também é proteger aqueles do mundo que virou nossa nova casa.

— No que nos diz respeito, sabemos nos cuidar. — disse Damian — Somos grandes heróis aqui.

— É, somos os Power Rangers. — disse Jessie se aproximando de Layka — Gostei de você, Layka, sua cor combina com meu cabelo.

— A recíproca é verdadeira, Jessie.

— Vocês vivem aqui? — indagou Pou — Essa casa lembra muito as nossas.

Austin se prestou a responder.

— Não, um acampamento é apenas um...

Um novo estrondo, ainda mais impactante, interrompeu a fala do líder.

— Outra queda!? — disse Zoe, apreensiva.

— Essa foi mais forte! Será que... — disse Austin.

— Bragnor! Oh não, acho que fomos seguidos! — disse Layka.

— Vou entrar em contato com a Central de Comando. — disse Zoe mexendo no comunicador.

— Pessoal, vamos desfazer o acampamento e nos esconder! — sugeriu Jessie — Não é seguro pra nenhum de nós na barraca.

— Tem uma caverna bem ali embaixo! — disse Tim apontando a direção. Austin e Damian desarmavam a barraca enquanto Zoe recolhia a comida.

— Vambora, temos que recolher tudo antes que ele se aproxime! — apressou Austin — Tim, apaga a fogueira!

O Ranger Azul pegou uma jarra d'água e derramou sobre o fogo, depois apagando as brasas com o pé.

— Ninguém na escuta. — disse Zoe.

— Sr. Dickerson e Karen estão fora de serviço. — disse Damian carregando a barraca com Austin — Aonde deixamos isso?

— Aqui. — disse Austin levando para esconder atrás de uma árvore — Vamos nessa.

Os Rangers e os tubbianos se encaminharam apressados até a caverna sem olharem para trás. A sombra de Killvox alcançou o ponto do acampamento e parou diante da marca da fogueira no solo. A caverna era repleta de poças d'água e goteiras.

— Tô sentindo uma presença estranha... — disse Austin intencionando conferir lá fora — Acho que vou verificar. Fiquem aí e não façam ruído.

— Austin, toma cuidado. — disse Jessie.

— Se acontecer alguma coisa, não hesite em avisar. — disse Damian destacando o comunicador.

— Podem deixar. — assentiu o líder que logo saíra.

Austin se embrenhou na floresta com sua lanterna acesa, arriscando uma procura mais adiante. Repentinamente, tiros de lasers estouraram faíscas em volta dele, o derrubando e levando a cair por uma parte íngreme do solo.

— O que faz o líder dos heróis deste planeta miserável andando solitário? — perguntou Killvox acima de uma rocha.

Austin levantou encarando-o com raiva.

— Não tô solitário! E nosso planeta não é miserável coisa nenhuma!

— Quer me fazer engolir minhas palavras? Estou a disposição. — disse o caçador, logo descendo da pedra num salto e atirando lasers. Austin saltou para o lado escapando dos tiros.

— Hora de morfar! — disse ele transformando-se no Ranger Vermelho, depois saltando com a pistola Z e disparando. Killvox deu duas cambalhotas para trás em esquiva dos tiros que explodiram faíscas, logo se posicionando para uma luta corpo a corpo. Austin veio praticamente voando, chutando-o no peito. O embate seguiu-se entre socos e chutes dados e defendidos, mas numa larga vantagem que pendia para Killvox. O caçador, após se esquivar de um chute com giro, chutara-o fortemente na barriga o mandando contra uma árvore robusta.

O mercenário sacou novamente sua pistola e disparou mais lasers, desestabilizando Austin que manteve-se de pé em meio aos estouros de faíscas apesar do desequilíbrio.

— Você os encontrou, não é? Detectou meu perigo de proximidade e os escondeu!

— Não sei do que você tá falando! — retrucou Austin tocando no braço direto ferido.

— A nave tubbiana pousou a uma curta distância de onde você e seus amigos estiveram! Ou vai me dizer que isso não é de alguma amiga sua? — disse Killvox que mostrara o diário de Jessie.

"Droga, o diário da Jessie!", pensou ele, aflito.

— Isto pertence a Ranger Amarela, ela anota suas aventuras nestas páginas! Depois que peguei ficou claro que os tubbianos estão sob proteção dos Power Rangers! Onde eles estão?

— Vai ter que me pegar se quiser saber! — disse Austin que logo saltou — Beast Cycle Vermelha!

A moto surgira prontamente e Austin colocou-se sobre ela movendo os guidões e acelerando.

— É meio difícil correr numa moto nesse terreno, mas isso fará eles ganharem tempo!

Killvox apertou teclas num controle touch-screen, ativando um chamado direto da sua nave. Assim, viera um veículo até ele, um monociclo motorizado e superveloz.

— Não é o único que aprecia uma boa corrida! — disse ele saltando para cair sobre o veículo e saiu a toda velocidade perseguindo Austin.

O Ranger Vermelho olhara para trás, surpreendendo-se.

— Nossa, ele também tem uma motoca turbinada! Mas uma roda só não é páreo pra duas! — disse ele elevando a aceleração.

Killvox disparava lasers do monociclo, dos quais Austin desviava, as explosões ficando para trás e ineficazes contra ele. Mas exigia agilidade de visão por conta das árvores a serem desviadas, o que certamente era dificultado pela noite.

— Tenho que pegar um atalho pra despista-lo! Posso acabar batendo numa árvore com essa escuridão atrapalhando!

Alterou a rota se ocultando numa parte densa da mata e logo saltou com a moto numa encosta baixa, pousando firmemente num solo meio terroso meio rochoso e reduzindo um pouco o ritmo.

— Yeah! Acho que ele me perdeu de vista. Melhor avisar pros outros antes que ele desista de me seguir e vá atrás deles.

Os comunicadores tocaram e os Rangers esboçaram alerta máximo. Damian atendera.

— Austin, fala aí! Achou alguma coisa?

— Não qualquer uma coisa, mas alguém. Não vão acreditar: o Killvox voltou e trabalha pro Bragnor caçando os tubbianos.

— O quê? Killvox... Aquele caçador intergalático que tentou capturar o Prys!? — disse Zoe — Não pode ser... — abraçou Pou e Dipso entre eles.

— Pensei que ele nunca mais voltaria depois de ser tapeado pelo chefe dele. — disse Tim.

— Austin, onde você tá agora? — perguntou Jessie.

— Tava enfrentando o Killvox, primeiro uma luta e agora uma corrida de motos. Mas tô quase na linha de chegada, já voltando pra aí!

— O Killvox tem uma moto?! Caras como ele são cheios das cartas na manga. — comentou Tim.

Porém, Austin fora barrado pelo mercenário que ressurgiu saltando com o monociclo e sacando sua espada.

— Ah, essa não! — disse Austin que não tivera tempo de desviar e fizera a moto saltar. Contudo, na colisão, o Ranger Vermelho levara um golpe da espada na costela direita, sendo derrubado lamentavelmente. Na queda, a Beast Cycle desaparecera. Killvox fez uma volta riscando a espada no solo e a roda do monociclo levantando poeira. Disparou lasers do veículo que atingiram Austin gerando uma explosão flamejante de tira-lo do chão.

— Austin! — chamou Damian — Ele tá com problemas, ouvi som de uma explosão.

— É o Killvox, encurralou ele. — disse Zoe preocupada.

— Pessoal... Levem eles pra Central de Comando, depressa. — pedira Austin caído de barriga para cima, logo reerguendo-se.

— OK, é o único refúgio 100% seguro pra eles. — disse Damian.

— Mas e você, cara? — indagou Tim.

— Eu me viro! Agora vão, tirem eles daí!

Os tubbianos apoiaram-se nos ombros dos Rangers: Pou em Zoe, Layka em Jessie, Dipso em Tim e Twinky em Damian, todos em linha reta como uma fila.

— Prontos? Aqui vamos nós. — disse Zoe. Os Rangers apertaram os botões de teleporte, virando pilares de luzes coloridas. Ao chegarem, viram que a sala estava parcialmente as escuras — Nossa, aqui parece mais escuro que na floresta de luzes apagadas.

— Vou tentar encontrar o interruptor acessando o sistema pelo computador. — disse Damian ligando as máquinas.

Austin sofria sérias dificuldades no confronto, limitando-se a defensiva com os punhos selvagens bloqueando os golpes da espada. Killvox baixou-a num golpe potente ao que Austin defendeu com os dois punhos e a empurrou abrindo os braços, logo girando e chutando o caçador no peito o fazendo bater as costas numa rocha. Porém, Killvox energizou a espada que emanou raios e a baixou ao chão. Os raios seguiram pelo solo, atingindo Austin que foi arremessado a alguns metros.

— Sinta o meu golpe de misericórdia! — bradou o caçador que avançou para baixar a espada sobre Austin. Caído e sem tempo de defesa, o Ranger Vermelho tocara no morfador e teleportou-se. A ponta da espada bateu no solo por pouco — Maldição! — berrou para o alto, logo tendo um descontrole lançando cortes destrutivos da espada nas pedras.

Austin gerou suspiros de alívio com sua volta sendo levantado por Dipso e Pou.

— Ah, obrigado.

— Prontinho. — disse Damian com o acender das luzes — Não foi tão fácil, mas nada que a paciência não ajude. Austin, ainda bem que você não insistiu na luta.

— É, ficamos todos bem preocupados. — disse Zoe — Até eles, tadinhos.

— Se eu não tivesse me teletransportado a tempo, ele teria feito picadinho de mim, com certeza. — disse Austin retirando o capacete — Vão por mim, não queiram sentir o ataque da espada dele. Acho que ele tá até mais forte do que daquela vez.

Pou derramava lágrimas de saudades que comoveram os Rangers.

— O que foi, Pou? Tá chorando? Oh, vem cá, não chora. — disse Jessie.

— Sinto falta de casa. — disse a tubbiana vermelha com sua voz infantil.

— No lugar de vocês, todos nós sentiríamos. — disse Zoe com olhar triste indo abraçar Layka e Twinky.

— Mas é aqui que devem ficar até derrotarmos o Killvox. — ressaltou Austin.

— Aí Dipso você podia dormir comigo lá em casa, eu iria te mostrar umas coisas bem iradas da Terra. — disse Tim — Pena você não poder.

— Mas eu posso te mostrar coisas de Tubbie. — disse o verdinho — Veja. — o quadrado em sua barriga brilhara, logo exibindo imagens da paisagem de Tubbie com seus habitantes.

— Caraca, isso é radical. — disse Tim, sorrindo abismado — Vocês praticamente tem uma TV no estômago.

— Podemos mostrar nossas memórias através do poder natural. — disse Twinky o fazendo também.

— Todos os tubbianos fazem isso. — disse Layka exibindo suas lembranças felizes.

— Oh, que lindinhos esses coelhinhos. — disse Jessie.

— É uma habilidade bem complexa pra criaturas com modos tão simples de se relacionar. — disse Damian inclinado olhando as memórias de Dipso junto a Tim — Realmente fascinante.

— Vocês são admiráveis. — disse Austin — Iremos protege-los custe o que custar.

***

Na nave de Lokknon, imperava uma quietude absurdamente incomum devido a ausência marcante do imperador que havia comparecido a uma reunião na sede da Aliança Imperial levando Barooma, o que deixara Mudok enciumado. O androide veio até a sala central, mas estacou ao ter uma visão que parecia lhe doer os olhos — ainda que fosse um robô.

— Oh, eu preciso acordar desse pesadelo...

— Acordar? Você nem dorme. — disse Aracna sentada no trono de Lokknon e, como se essa ousadia bastante não bastasse, tomando de seu licor púrpura enquanto zapeava pelos "canais" do visualizador multifocal — Deixa de ser fresco, vem aqui e se serve. Ah, lembrei, rovos também não bebem. Nesse caso, a diversão fica todinha pra mim! Ai, tô me sentindo uma rainha épica!

— Não vejo diversão nenhuma em infringir uma norma clara do mestre. — disse Mudok se aproximando.

— Mas ele nem tá aqui pra testemunhar. — retrucou ela tomando um gole.

— Eu sou a testemunha. — disse Mudok em tom de ação fazendo-a quase engasgar.

— Você não faria isso com a sua única amiga, faria?

— Eu não tenho amigos e nem preciso. — rebateu Mudok tomando a taça da mão dela — Viro as costas por um minuto e você resolve aprontar das suas!

— Mudok, me devolve, essa é a última...

— É como se eu estivesse cuidando de uma criança rebelde. Se eu soubesse, teria insistido ao mestre para que me levasse em vez do Barooma. Tenho um projeto a apresentar, estou prestes a concluí-lo!

— Você não ficou de babá pra mim! Agora me dá a taça antes que eu jogue a garrafa em você, daí seus circuitos darão pane e não terá ninguém que me delate ao mestre quando ele chegar.

— Você já bebeu o suficiente pra me aborrecer. Sabe como o licor a embriaga facilmente. — disse Mudok que esmagou a taça.

— Oh, hahaha! Parece que empatamos!

— Eu devia ter escondido a garrafa... — lamentou — Desligue isso.

— Tô entediada e quero ver o que os Power Pirralhos farão hoje.

— Agir sem o consentimento do mestre é um erro gravíssimo, vai piorar sua situação.

Aracna parou num canal que mostrava Killvox carregando a nave dos tubbianos na floresta e se empolgara.

— Mas esse não é... não é o Killvox?

— É ele mesmo. Mas o que essa bandido veio fazer desta vez?

— Não quer ir lá perguntar a ele?

— Eu não dou a mínima.

— Se você não vai, então eu vou. — disse Aracna levantando do trono e andando. Mudok a tocou no ombro e virou-a.

— Se investir contra os Rangers, reporto ao mestre e isto não foi uma ameaça, mas uma promessa.

— Não ta nem um pouquinho curioso?

— Não! Não vai me manipular com essa indução baixa!

— Então por que não saímos daqui por um tempo pra respirar o ar terráqueo? Vamos, será só um ataque de Psycho-Bots, não vamos criar nenhum monstro. Espairecer faz bem.

Mudok avaliou rigorosamente a sugestão.

— Tudo bem, desde que não nos envolvamos com o que Killvox planeja.

— Ah, ótimo! Por isso somos uma boa dupla.

— Ah, cale-se. Eu não devia ter saído da oficina.

Karen iniciava mais uma manhã de operações na Central de Comando sem dar brecha para a sonolência. Acendeu as luzes, mas logo tomara um susto tremendo dando um grito.

— Por favor, não tenha medo, não somos invasores. — disse Layka levantando.

— Só estávamos dormindo. — disse Pou.

— Eu vi que estavam dormindo. — disse Karen ainda em choque se aproximando — Que tipo de alienígenas vocês são?

— De Tubbie, nosso planeta. — falou Dipso — Mas não estamos aqui para causar problemas, se é o que pensou.

— Você é aliada dos Power Rangers? Eles nos permitiram ficar. — revelou Twinky.

Dickerson vinha logo atrás mexendo num tablet distraído e entrava.

— Dickerson. — chamou Karen. O explorador ergueu os olhos, assustando-se com a presença dos quatro fugitivos — Temos hóspedes não-autorizados.

Durante a saída do colégio, os Rangers foram contatados.

— Eles descobriram. — disse Austin.

— Será que lá vem bronca? — perguntou Tim.

— É o que vamos saber agora. — afirmou o líder guiando-os para a parte de baixo da escada onde era mais discreto — Na escuta.

— Rangers, venham imediatamente até aqui pra uma conversa franca sobre certos moradores inesperados que encontramos.

— Estamos indo. — disse Austin que apertou seu botão de teleporte tal qual os demais.

Os Rangers chegaram, temendo advertências. Os tubbianos estavam atrás da dupla.

— Sr. Dickerson, podemos explicar... — disse Austin.

— Eles já nos contaram tudo, fiquem tranquilos. — disse Dickerson — Sobre o planeta Tubbie, a invasão do rei Bragnor, o encalço de Killvox...

— Mas deveriam ter avisado a um de nós dois, eu estava acordada digitando relarorios até altas horas. — disse Karen.

— Tudo o que ocorre na sala de controle deve vir ao conhecimento do comandante Leozor. — destacou Dickerson — Mas em virtude dessa situação, decidi não reportar a ele. A ordem seria para deixa-los em segurança num bunker e vocês não tem autorização pra agir fora do sistema solar ainda.

— Mas como eles ficariam desconfortáveis já que se apegaram tanto a vocês, tornamos isso sigiloso. — disse Karen.

— Isso não acarretaria em consequências? — perguntou Damian.

— O comandante não fica ciente de nada do que acontece aqui a menos que nós compartilhemos. — informou Dickerson.

— Eles vão poder ficar, não vão? — indagou Jessie.

— Ao menos até que a invasão de Bragnor seja contida. O exército de Combanautas da Intercorp eventualmente chegará lá se forem informados. Vocês cuidam de Killvox aqui.

— Mas não podemos voltar. — disse Dipso.

— O ancião nos enviou para manter a espécie subsistente aqui na Terra. — salientou Twinky.

— Então isso significa que... provavelmente a raça de vocês corre altíssimo risco de extinção. — disse Karen — Ele já previa esse final.

— Não desanimem, amigos. — motivou Austin — Acreditamos que o povo de vocês continue vivo.

— Alimentem a fé de que podem voltar e reencontrar seus amigos, nada acabou. — disse Zoe.

— Pois é, eu não acho que todo mundo lá já virou tapete decorativo. — disse Tim.

— O Killvox tá por aqui, talvez o Bragnor esteja esperando ele voltar com os troféus e só a partir daí mandar que façam coisas horríveis com eles. — disse Jessie que foi até Layka — Eu não quero perder nenhum de vocês. — deu as mãos a tubbiana amarela.

O alarme tocara. Na tela, Karen pusera imagens de Psycho-Bots atirando com seus detonadores aleatoriamente no centro da cidade.

— Estão bem no centro. — disse a tecnóloga.

— Só Psycho-Bots? O Lokknon deve ter gasto toda a coletânea de monstros. — disse Zoe.

— Ele não é de mandar somente um exército desses palhaços, tem alguma coisa suspeita. — disse Austin — Mas enfim, vamos lá. — sacou sua célula e morfador tal qual os amigos — Prontos? É hora de morfar!

— Touro Ônix!

— Tubarão Cobalto!

— Arraia Rósea!

— Águia Flavescente!

— Leão Escarlate!

Os heróis rapidamente teleportaram-se até o local do ataque, acima de um prédio, porém com acompanhantes inusitados.

— Hã, o quê? Vocês vieram conosco! — disse Austin.

— Como foram tão rápidos? — perguntou Jessie.

— Nos ligamos a energia de vocês usando a nossa que desperta das antenas. — explicou Layka.

— Queremos cumprir o propósito que o ancião nos deu. — disse Twinky.

— Ajudar na proteção da Terra como verdadeiros heróis. — reforçava Dipso.

— Que nem vocês fazem. — falou Pou.

— Olha, sabemos nos virar como uma equipe, mas é muito melhor pra vocês ficarem num lugar seguro. — disse Austin.

— Killvox tá por aí, se ele pega vocês aqui dando sopa... — disse Tim que simulou com a mão direita um corte na garganta com um barulho.

— Portanto, fiquem fora da luta e procurem onde se esconderem. — orientou Zoe.

— Galera, vamos! — disse Austin, preparado. Os Rangers saltaram em simultâneo do prédio e pousaram num cruzamento de ruas onde os robôs atacavam com tiros explosivos.

Killvox vinha saltando entre prédios até parar após ver Aracna e Mudok observando de camarote a batalha dos Rangers.

— Deve ser chato apenas observar. — disse ele aproximando-se — Quanta preguiça.

— Você de novo! – disse Mudok virando-se para ele — Essa zona de guerra pertence a nós!

— Killvox, como vai? — cumprimentou Aracna indo até o caçador. O tocou com certo interesse — Não quer se juntar a nossa festinha?

— Eu tenho meus próprios assuntos. Saia da minha frente! — disse Killvox a empurrando e indo ao parapeito.

— E continua um casca grossa. Humpf! — rebateu Aracna, revoltada cruzando os braços.

Killvox mirou uma arma de tiro a longo alcance para onde estavam os tubbianos.

— São aqueles seres estranhos que deseja liquidar? Eles estão com os Rangers... — disse Mudok.

— Não me desconcentrem ou atiro em vocês! Meu rei quer eles vivos ou mortos, preciso finalizar essa missão a curto prazo!

— Mas assim que der o primeiro tiro, os Rangers pararão a luta na intenção de protege-los. — afirmou Mudok — Não está agindo estrategicamente. Eu posso sugerir... uma negociação entre você e eles.

O caçador baixou devagar a arma, virando o rosto oculto para o androide.

— Seja mais específico.

Os Rangers aplacavam os Psycho-Bots com suas armas para dizima-los depressa e voltar o foco aos tubbianos. As quatro criaturas coorofias entraram num consenso.

— Essa luta já se prolongou demais. — disse Twinky — Vamos liberar nossas energias e alimenta-los. O que acham?

— Certo! — disseram os outros três.

O quarteto emanou suas energias dando as mãos, suas antenas iluminando-se.

— Concentrem-se. — pediu Layka fechando os olhos. Não tardou para os Rangers sentirem uma mudança brusca na ampliação dos poderes.

Dois dos robôs dispararam contra Austin que saltou com a explosão causada atrás atrás. O líder disparou com os canhões dos punhos selvagens em pleno ar, atingindo os robôs com explosões potentes. Jessie fizera um corte em X com as garras raptoas, destroçando três de uma única vez.

— Minhas garantias detonaram com tudo neles!

Tim rodopiava no ar com cortes ágeis das barbatanas, destruindo um bom número deles.

— Eita, eles desmontaram que nem lego!

Zoe perfurou um no peito que tremera com choque elétrico e logo desmontando.

— Ou eles estão mais fracos... ou nós que estamos mais fortes!

— Calminha aí, me deixa testar rapidinho! — disse Damian que batera suaarrwta no chão asfaltado, produzindo um pulso brutal vibratório que mandou um grupo de robôs pelos ares em múltiplas partes – Uau, nossas armas de repente foram amplificadas!

A turma reuniu-se após o confronto.

— É, acho que acabamos com todos. — disse Austin.

— Não sobrou nenhum inteiro. — apontou Jessie.

— Gente, o que foi aquilo? — questionava Zoe — Nossad armasbdo nada ganharam um aumento absurdo de força.

— Será que fomos promovidos? — indagou Tim.

— Creio que a reosta se encontre logo ali. — disse Daniab apontando para o prédio onde estavam os tubbianos.

Os heróis saltaram de volta ao edifício.

— Fomos bem claros quando dissemos pra buscarem abrigo, não fomos? — disse Austin.

— Não fique bravo conosco. — disse Pou.

— Só quisemos ajudar. — completou Layka.

— Não teriam vencido sem estarem banhados com nossa energia. — afirmou Dipso.

— Nós agradecemos a intenção de vocês. — disse Austin, condescendente — Mas não foi um modo justo de vencer. Concordam?

— Você tem razão. — disse Twinky — A ideia foi minha, então brigue comigo.

— Não estamos zangados. — disse Zoe — Mas o que fizeram arriscou atrair Killvox até vocês.

— Vamos tirá-los daqui rápido! — determinou Austin.

A fuga se seguiu tranquila até que Aracna e Mudok surgiram dobrando para a rua em que os heróis transitavam.

— Vocês!? — disse Austin — O que houve com o Lokknon? Deu uma folga pros monstros dele?

— A vida pessoal do mestre não é da sua conta. — redarguiu Mudok.

— Vimos que esses anões coloridos tiveram muita influência na vitória de vocês. — disse Aracna — Mas milagres só acontecem uma vez!

A dupla disparou disparou raios contra os Rangers que formaram a barreira Z protegendo a integridade dos tubbianos. O ataque foi rebatido aos subalternos de Lokknon, ambos pegos numa explosão de tira-los do chão.

— Por aqui! — disse Austin indicando outro caminho.

— Eu detesto trabalho em dupla. Especialmente com você! — disse Mudok levantando em meio às labaredas.

— Não tenho culpa se não posso prever o futuro! — disse Aracna tossindo ao levantar.

— Vocês podem se esconder no subterrâneo. — disse Austin ao trazer o quarteto para um canteiro de obras abandonado que contava com uma cratera levando até a tubulação.

— No meio do esgoto?! — disse Jessie.

— Eles não podem teletransportar e não temos energia suficiente pra leva-los de volta, além de que precisamos derrotar o Killvox ainda hoje. — justificou o líder.

Porém, um disparo potente de laser os atingiu gerando uma explosão intensa se fogo. Killvox estava sobre uma retroescavadeira e descera.

— Eu nunca ouvi uma piada tão engraçada quanto essa! — disse o caçador se aproximando com uma espécie de controle.

— Killvox! Não vai achando que é seu dia de sorte! — replicou Austin reerguendo-se.

— Estão todos bem? — perguntou Zoe aos tubbianos ajudando-os com Jessie.

— Um pouco tontos, mas bem. — disse Twinky ajudado por Damian.

— Fica colado em mim, Dipso. O grande Tim Dixon será seu escudo!

— Se quiser leva-los, tenta passar por cima da gente! — desafiou Jessie.

— Como se eu tivesse problemas pra fazer isso sem levar danos críticos. Mas não vim para conflito direto. — disse Killvox mostrando o controle — Há uma bomba prestes a destruir esta cidade!

— O quê? Uma bomba?! Agora a parada ficou séria! — disse Tim.

— A implantei no motor avariado da nave desses vermes que escondi no subsolo. Esse é o detonador com dois botões: um detona a bomba caso recusem entrega-los, o outro acelera a contagem caso eles se rendam.

— Droga... — disse Austin cerrando os punhos — Não, você tá blefando!

— Estou? — Killvox mostrará uma projeção holográfica da bomba no seu bracelete mostrando a contagem regressiva — Estimo que o potencial destrutivo dela varreria 70% desta cidade.

— Uma extensão bem significativa. — disse Damian — Não temos escolha. Se os entregarmos, ainda teremos chance de salvar todo mundo.

— Ele tá certo, temos que nos render. — disse Layka — Nos deixem fazer isso pelo bem dos terráqueos desta cidade que vocês protegem.

— Austin... A decisão é sua. — disse Zoe o tocando no ombro. O líder virou-se a eles.

— Está bem, mas... prometemos ir a Tubbie salva-los. Eu juro.

— Obrigado por tudo, amigos. — disse Twinky indo na frente.

— Não é uma despedida. — disse Jessie em tom choroso abraçando Layka e Pou.

Os tubbianos se dirigiam a Killvox retraídos e acuados.

— Seu maldito! Você joga muito sujo, sabia? — atacou Tim.

— Mas nunca pra perder. — disse Killvox prendendo os pulsos das caças com algemas metálicas. Após agrupa-los em linha reta, se colocou atrás deles — Boa sorte em encontrar a bomba, Power Trouxas.

Se teleportou direto a Tubbie com os quatro. Porém, numa fração de segundo, expeliu pela boca um objeto esférico de metal antes de sumirem dali.

— Ei, olhem. — disse Jessie correndo junto aos amigos. Austin apanhou o desconhecido objeto.

— O Twinky cuspiu isso... Mas o que será?

— Vamos levar pro Sr. Dickerson averiguar. — disse Damian.

O líder entregou o aparelho ao Ranger Preto.

— Não sem antes acharmos essa bomba. De volta a ação! — bradou Austin.

Aracna e Mudok observavam escondidos em blocos de concreto eles deflagrarem a corrida contra o relógio.

— Quer fazer uma aposta como eles não acham a sua bomba? — instigou Aracna.

— Ela é a prova de rastreio, mas... eu pesei os riscos se o mestre ficasse sabendo. Ele ficaria extremamente chateado se não participasse de um plano tão efetivo.

— O que você fez?

Os Rangers se lançaram na caçada a desenfreada pelo explosivo pela rede de esgoto, sem se separarem. Karen fazia contato.

— Rangers, rastreei o sinal da bomba. Vou ajustar o teleporte remoto para o ponto exato.

A tecnóloga fizera-o num simples aperto de botão. Os Rangers chegaram até lá e correram para verificar a cápsula tubbiana. Damian encontrara a bomba no mecanismo interno conectada a fios azul, vermelho e branco.

— Quem se habilita? — indagou o Ranger Preto.

— Você, Damian! Usa seu super-cérebro, amigão. — disse Tim.

— Não, eu não consigo trabalhar sob tanta pressão. — negou Damian — Jessie?

— Tô fora, sou péssima em decidir nisso.

— E isso mexe demais com minha sensibilidade. — relatou Zoe.

— Galera, o tempo tá passando! — alertou Austin — Tim, você. Quantas vezes não te vimos acertar qualquer resultado de primeira hein?

— Vinte segundos e contando! — disse Damian.

— Ai, caramba... Tá bom aqui vou eu! — disse Tim frente a bomba já restando menos de dez segundos — Ah, escolho o azul!

Puxou o fio azul impulsivamente. Para o alívio extremo dos heróis, encolhidos num canto em instinto de proteção, a contagem parou aos dois segundos e desapareceu. Dickerson e Karen soltaram o ar pela boca, batendo as mãos comemorando.

De volta a Central de Comando, Dickerson veio retornando do laboratório com a esfera. Os Rangers, sem os capacetes, voltaram-se a ele com expectativa.

— E aí, Sr. Dickerson, descobriu pra quê serve essa coisa? — perguntou Austin.

— Indo mais fundo na estrutura interna, concluí que é um artefato manipulador das propriedades de espaço e tempo com uma funcionalidade mais avançada do que esperei de um planeta aparentemente primitivo como Tubbie.

— Eles mostraram a vocês as memórias deles? — perguntou Zoe.

— Sim, é um lugar lindo, digno de se passar umas boas férias longe do caos metropolitano. — comentou Karen.

— Mas não foi possível inferir o que essa esfera exatamente faz através do espaço-tempo? — questionou Damian.

— A teoria mais lógica é que seja um dispositivo de teleporte interplanetário. — disse Dickerson olhando para o objeto — Seria bom se afastarem, vou testá-lo.

O explorador logo baixou um botão móvel. A parte frontal que continua um "olho vermelho" de repente projetou uma roda de energia amarela que se expandiu rapidamente mostrando as colunas gramadas sob o céu azul de graciosas nuvens brancas de Tubbie.

— Isso é algum tipo de... — disse Jessie.

— Portal? — indagou Zoe, maravilhada.

— Pelo visto, absolutamente sim. — afirmou Damian, não menos impressionado.

— Um portal direto pra Tubbie... — disse Austin se aproximando vagaroso.

— É a nossa chance! — disse Tim, animado — O que estamos esperando? Um pulo e estamos lá pra salva-los!

— Não estão esquecendo de uma certa restrição? — disse Karen — Crianças, eu sinto muito, sei o quanto se apegaram a eles, mas...

— Ah é, a tal da autorização que não temos pra agir em outro planeta. — disse Jessie, afligindo-se — E agora?

— Sr. Dickerson não tem como pedir ao comandante Leozor que abra uma exceção pelo menos uma única vez? — sugeriu Austin.

— Não, infelizmente a autorização parte do conselho da Intercorp. O comandante já é uma barreira bem difícil, o conselho então... é uma muralha impenetrável. Mas não disse que pediria a ele.

Karen virou-se ao colega levantando uma sobrancelha.

— Dickerson, não tá pensando em violar outra regra, né? Os Combanautas podem estar lá no controle da situação, estaremos arriscando a legitimidade dos Rangers e a nossa. Na pior das hipóteses, se forem vistos lá e o portal fechar, ficarão presos e serão detidos por infração.

— Mas são vidas inocentes como gado a caminho do abate. — contrapôs ele — Merecem ser salvos por aqueles que juraram com suas vidas protege-los. Leozor concordaria comigo por mais que seja leal a cadeia de comando.

— Então... podemos ir? — perguntou Zoe, a face meio triste — São nossos amigos, não podemos abandona-los, eles não merecem sofrer tanto quando nunca fizeram mal a ninguém.

Dickerson respirou fundo de braços cruzados os olhando com branda seriedade.

— Vão. Mas cuidado: se as tropas da Intercorp estiverem por lá, sejam furtivos e foquem ao menos em libertar o ancião. E evitem Killvox ao máximo, nada de combates. Boa sorte.

— Vamos torcer com toda fé. Salvem eles com toda a garra de um Power Ranger que já a essa altura eu sei que vocês tem.— disse Karen alterando seu posicionamento.

— Obrigado por compreenderem, nós vamos voltar, acreditem. — disse Austin com sorriso leve, logo voltando-se ao portal — Muito bem, Rangers, estão prontos? — os quatro assentiram com as cabeças, determinados. Austin ergueu o capacete junto aos demais e pusera à cabeça — De volta a ação!

O grupo avançou, logo pulando no portal com Austin na dianteira. A roda luminosa fechou-se.

— Será que os perdi? — indagou Dickerson, preocupado com un olhar distante — Terá sido um erro deixa-los ir?

— Do ponto de vista da alta cúpula, sim. — disse Karen abraçando-o de lado — Mas um erro necessário. Regras as vezes devem se permitir serem quebradas se o bem comum estiver em jogo. A coragem deles me abriu os olhos a isso.

Dickerson virou o rosto para ela dando um sorriso fechado de conforto e a aproximou. Já pisando no solo gramado de Tubbie, os Rangers olhavam em volta.

— Será que todo esse planeta é um imenso campo de golfe? — se perguntou Tim.

— Se liga, Tim, é óbvio que aqui tem vilas ou cidadezinhas. — disse Jessie.

— Pois é, muito embora pareça desabitado. — disse Damian — Além de respirável, o ar é bem fresco e a temperatura é amena, de acordo com minha leitura. — analisava os dados ambientais e atmosféricos pelo visor.

— Que seja, eu tô em outro planeta, cara! Iuhuu! — celebrou Tim levantando os braços.

— Nossa primeira missão fora da Terra, não vamos deixar nada estragar esse grande passo! — disse Zoe contagiada pelo ânimo de Tim, ambos dando um toque batendo as mãos.

— Galera, menos turismo e mais ação! — disse Austin — Eu também tô em êxtase por estarmos longe da Terra, mas nossos amigos nos esperam! Vamos, aquela fumaça é um sinal!

A equipe correra em disparada até onde localizava-se a origem daquela fumaça resultante dos ataques destruidores de Bragnor.

CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO!

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