As ruínas contempladas por Dickerson localizavam-se na zona florestal de Honohulu, no Havaí, onde ele e os Rangers guiavam-se por um mapa impresso a caminho do local numa trilha de terra percorrida em um jipe verde escuro. Jessie sentiu necessidade de apontar a obsolencência evidente de mapas como aquele.


— Não é reclamado da viagem nem nada, mas... — disse Jessie sentada entre Austin e Zoe — Os mapas já se modernizaram faz uns anos. Esse carro não tem GPS? — ela perguntou.


— Aí é que está a magia da arqueologia: quanto menos tecnologia, maior o aproveitamento da exploração. — disse Dickerson ao volante usando óculos escuros debaixo do escaldante sol havaiano naquele tarde de céu desprovido de nuvens.


— Acho até mais confiável. — comentou Zoe — Já pensaram se o GPS pifa?


— Eu já acho mais fácil vir uma águia e pegar esse mapa. — brincou Jessie, olhando para Damian, que estava focado no mapa. — Aí, Damian, larga esse mapa um minuto e curte a brisa.


— Deixa ele, Jessie, tá super focado. — disse Austin — — Afinal de contas, alguém tem que ficar de olho nele o tempo todo pra nós guiar até as ruínas.


— Mas e quanto ao nosso vigia de bagagens? — perguntou Zoe, chamando a atenção de Tim, que jogava no celular na traseira do jipe.


— Se divertindo do jeito dele. — falou Jessie com uma expressão brincalhona.


— Ei, Tim, viemos aqui curtir a natureza, você não tá entrando no espírito. — afirmou Austin. — Anda, sai daí, tem um espacinho aqui.


— Já vou, me deixa só finalizar essa rodada. — disse Tim, compenetrado.


— A temperatura máxima aqui em Honohulu costuma variar entre os 50 e 60 graus. — informou Damian a Jessie.


— Sério mesmo? Íamos sentir saudades das ondas de calor da Califórnia. — falou a Ranger Amarela meio tensa.


— Entramos na faixa de proximidade, dez quilômetros à esquerda. — informou Damian, e o jipe seguiu a rota.


A tela do celular de Tim apagou-se.


— Epa! Meu jogo... Ah não!


— Tim, o que foi? — indagou Zoe.


— A tela só apagou do nada. — respondeu ele, sentando-se entre Jessie e Austin.


— O sinal de telefonia se perde a uma certa distância. — ressaltou Dickerson. — Mas isso foi estranho. Deve ser uma instabilidade eletromagnética.


— Eu tava evitando de perguntar, mas... — disse Jessie meio desconfortável. — Alguém teve notícias do Flint e do Mason nessa última semana?


— Foi mal, Jessie, nenhum de nós ouviu mais falar deles desde aquela batalha. — disse Austin, percebendo a preocupação dela.


— Ficamos tão ansiosos pela viagem que nem lembramos deles. — falou Tim. — Relaxa, eles devem ter viajado também.


— Isso me deixa mais tranquila. — disse Zoe. — Quando voltarmos às aulas, vamos revê-los, eu acredito.


— E se tiverem mudado de cidade outra vez? — especulou Jessie entristecendo Zoe com a possibilidade.


— Eu tenho certeza que vocês irão reencontrá-los antes do novo ano escolar. — falara Dickerson deixando Jessie e Zoe extremamente curiosas com a segurança na fala do mentor.


Após estacionarem o jipe, o grupo seguiu a pé por uma trilha, com Dickerson cortando a folhagem à frente.


— Quem quer mais repelente? — Damian ofereceu.


— Eu, eu, eu! — Jessie exclamou, pegando o creme e aplicando nos braços.


Austin notou um vulto se movendo entre as árvores. Sua intuição o impeliu a investigar. O Ranger Vermelho reduziu o ritmo da caminhada vendo uma figura nas sombras esgueirando-se como um vulto.


— Alguém mais quer passar? Austin? — Jessie indagou, estranhando-o. — Pra onde você tá indo?


— Avisa que eu fui fazer xixi. Alcanço vocês, prometo. — Austin disse, desviando-se.


— Mas Austin... — Jessie manifestou curiosidade.


— O que houve? Cadê o Austin? — Zoe perguntou.


— Ele saiu pra fazer xixi, mas é desculpa barata. — a Ranger Amarela ponderou. — Ele sentiu que estávamos sendo seguidos e foi conferir.


— Serão Psycho-Bots?


— Não... — Jessie mostrou-se séria. — Parece que alguém vive nessa floresta e... não gosta muito de visitas. Ela apontou para uma caveira fincada num galho, o que tensionou Zoe.


Austin procurava avidamente pela figura misteriosa.


— Vamos parar de esconde-esconde. Quem é você? — Austin interpelou.


Ele viu o espião atrás de uma árvore, que rapidamente se escondeu. Austin se aproximou, curioso.


— Não sou nenhum invasor nem meus amigos. Se existir algum tesouro, garanto que não vão roubar. Confia em mim e aparece.


No entanto, o indivíduo saltou para a árvore e se deslocou pelos cipós.


— Ei, espera! — Austin o perseguiu, correndo no limite que suas pernas permitiam, desviando de árvores e raízes salientes— Caramba, você é rápido! O Tarzan ficaria com inveja.


A corrida terminou quando o espião o despistou. Austin desacelerou, procurando-o.


— Droga, o perdi de vista.


Contudo, Austin encontrou um destino que o fez sentir-se com sorte.


— Nossa, não acredito... — ele murmurou, saindo da mata e entrando nas ruínas. As edificações de pedra e madeira o fascinaram.


— Isso que chamo de arquitetura. Pena que o tempo não fez muito bem pra essas casas.


— Deve ser por isso que passaram a chamar de ruínas, certo? — indagou uma garota à direita de Austin, observando as construções.


— Pois é, elas mereciam uma restauração... — Austin olhou de soslaio e reagira com um grito de susto, recuando um pouco — Aí, você me assustou. Espera, você é...


— A observadora oculta que facilitou sua busca. — disse a garota de pele morena, cabelos pretos e olhos amendoados — Meu nome é Kaoa, sou uma descendente Menehune.


— O quê? Você só pode estar brincando... A tribo dos Menehune foi extinta há milhares de anos. — Austin ficara estupefato.


— Uma boa parte foi dizimada na grande guerra celeste. Mas remanescentes se mantiveram sobreviventes. Eu descendo de um deles e essa área está sob minha proteção.


— Nossa, você podia me dar uma aula de história completa sobre sua tribo. Eu sou o Austin. — Ele apertou a mão dela. — Fico agradecido de me levar por um atalho. Pensei que fosse um nativo indígena querendo nos atacar.


— É assim que os americanos nos enxergam? Selvagens primitivos e territoriais? Fiquei meio ofendida. — Kaoa retrucou, cruzando os braços.


— Ah não, não pense que vemos os havaianos dessa forma, é que...


Kaoa soltou uma risada.


— Qual é a graça?


— Você aí todo nervoso tentando se corrigir. Eu estava só brincando com você. — ela respondeu, risonha. — Quer vir comigo, turista? — estendeu a mão, e Austin a aceitou.


Ambos caminhavam pelas ruínas, sobre ladrilhos rachados.


— Então você vive sozinha nessa floresta como guardiã das ruínas, não é? — Austin indagou, interessado na conexão dela com os mitos Menehune.


— Não, moro na cidade, na costa oeste da zona do porto. Mesmo jovem, já trabalho no meu próprio negócio de pranchas de surf. — Kaoa informou. Lançou um olhar melancólico às ruínas. — Mas aqui também é meu lar. É onde me conecto à memória dos meus ancestrais.


Austin notou uma torre à esquerda.


— O que é aquela torre? É tipo um obelisco.


— É o totem da principal fera lendária que salvou a tribo e toda a ilha há milhares de anos. — disse Kaoa, indo depressa até o totem, que exibia desenhos de um pássaro vermelho. — O Falcão Ignnus.


— Falcão Ignnus... — Austin se aproximou, curioso — O que aconteceu nessa tal guerra celeste?


— Uma invasão de outro mundo tentou devastar a tribo, reivindicando o solo sagrado. As feras sagradas foram acordadas pelos mestres xamãs e, com o poder da tríade xamânica, se uniram, formando o guerreiro gigante da trindade.


— Como um Megazord. — Austin comentou.


— O que disse? — Kaoa perguntou, confusa.


— Ahn, não, nada, falei bobagem. Eu ando vendo muito desenho animado de robôs gigantes, haha. — Austin se corrigiu, desconcertado.


— Do que está falando? O guerreiro sagrado podia se parecer com um robô, mas não pode ser definido como um.


— Tá bom, vou te contar um segredo, mas que deve ficar só entre nós dois, tudo bem?


— Por mim tá ótimo, seu segredo vai estar seguro. Quem é você de verdade, Austin?


— Eu... sou um Power Ranger. O Ranger Vermelho, líder da equipe. Já ouviu falar?


— Os heróis coloridos da América do Norte, é claro que sim. Que sorte a minha encontrar justo o líder deles. Nós também vemos TV, sabia?


Austin riu.


— Conta mais desse Falcão Ignnus. O meu mentor falou sobre uma ave de fogo que tem relação com o vulcão adormecido daqui.


— Sim, o Ignnus tem uma ligação tão íntima com o vulcão Mawaki que, uma vez despertado, pode trazê-lo de volta à vista.


— Como assim à vista?


— No fim da guerra, os xamãs selaram as outras duas feras em uma outra dimensão. Mas o Ignnus seguiu livre por Honohulu, invisível aos olhos humanos, sobrevoando o território sem parar.


— Um pássaro que voa sem se cansar e invisível... É, ele faz um excelente trabalho.


— Devido à minha descendência xamânica, pude profetizar o retorno do Ignnus quando uma força maligna que usar o poder do Tiki para o mal despertar o vulcão. — Kaoa explicou.


— Você previu o futuro?! Então o vulcão vai acordar, daí o Ignnus salvará a todos, certo? — Austin indagou.


— A menos que haja um guardião em potencial. O despertar do vulcão deve coincidir com a vinda do guardião que tomará o poder do Ignnus selado neste totem. — Kaoa esclareceu.


***


Nesse instante, Lokknon, observando pelo visualizador multifocal, teve uma súbita explosão criativa.


— Minha cabeça está fervilhando agora como vulcão em erupção! — Lokknon exclamou.


— Não se preocupe, já trago sua aspirina, mestre. — Mudok apressou-se.


— Fique onde está, seu tolo, não estou com dor de cabeça! Tive um lampejo baseado no que essa terráquea falou sobre o pássaro lendário. — Lokknon corrigiu.


— Que monstro virá dessa vez? Ele vai sequestrá-la pra deixar na beirada do vulcão? — Aracna perguntou, lendo sua revista.


— Ideia proveitosa, Aracna. Exatamente isso que ele fará, pois é presumível que essa garota seja a única a reconhecer um guardião. — Lokknon confirmou.


— A ligação mística dela com os ancestrais a torna uma mentora do guardião desse pássaro. — Mudok ponderou. — Se eu adivinhei certo, o senhor pretende fazer desse monstro um candidato ao título.


— Exato! — Lokknon respondeu com autoconfiança. — Não seria surpresa alguma o Ranger Vermelho ser o escolhido legítimo por esse poder, e isso será evitado a todo custo. Barooma, crie um monstro que possa reacender o vulcão e se passar por um potencial guardião!


— Sem demora, mestre! — Barooma afirmou. — Já baixei as informações necessárias sobre vulcanismo e a entidade havaiana conhecida como Tiki, tudo já transferido ao boneco! — Ele acionou o bio-modelador indo baixar a alavanca — Que venha com muita saúde!


A máquina forjou a criatura, com luzes e fumaça.


— Aff, ter que interromper minha leitura pra isso! — resmungou Aracna largando a revista.


O monstro, feito de rochas e cinzas vulcânicas, saiu da cabine portando um martelo de magma.


— Alguém chamou o despertador de vulcões? Aqui estou eu, pronto para inundar a Terra de muita lava! — o monstro proclamou.


— Ele emana um calor equivalente à temperatura média de um vulcão em pré-erupção. — Mudok observou, recuando. — Vou tomar distância.


— Hum, dá pra ver um calor saindo do seu corpo. — Aracna aproximou-se. — Mas isso não me impede, pois sou tolerante a condições extremas. — falou para provocar Mudok. — Volcatiki, faça um bom serviço atormentando os Power Rangers. — ao tocá-lo, retirou a mão rapidamente, sentindo queimar. — Ai! Você é literalmente intocável!


— Primeiramente, ele se disfarçará de terráqueo para ludibriar a garota, de modo que ela o leve até o vulcão. Mas antes o Ranger Vermelho deverá lutar para salvá-la, se puder, hahahaha! — Lokknon articulou, batendo no botão do trono.


Um exército de Psycho-Bots surgiu em torno de Austin e Kaoa.


— Essa não! Kaoa, foge daqui, depressa! — Austin alertou, em posição de combate.


— Tá legal! — Kaoa correu entre as casas de pedra, mas foi barrada por três robôs.


Austin correu e usou uma pedra de impulso para saltar girando vertical até pousar e chutar os soldados.


— Corre! — Austin disse, desferindo um chute tornado num robô.


— Como ele é habilidoso. — Kaoa comentou, correndo para outra direção.


Austin derrubou vários soldados com rasteiras e chutes duplos, repelindo outros com golpes de karatê.


Apesar de seus ataques, Austin também era atingido. Um robô chutou na barriga o empurrando contra uma parede de tijolos de pedra, o grupo o encurralando. Mas o líder avançou bravo, chutando e socando flexível ao derruba-los. Subiu pulando os degraus da escada de uma casa, derrubando robôs no caminho com golpes simples.


— Austin, socorro! — Kaoa gritou. Ela havia sido amarrada por quatro Psycho-Bots e estava sendo levada para a floresta. — Não, me larguem! Austin!


— Kaoa! — Austin gritou. Ele se soltou de um robô e chutou outro, correndo para resgata-la. Contudo, robôs no alto da escada dispararam lasers vermelhos, atingindo-o e derrubando-o com explosões de faíscas.


Kaoa foi amordaçada e levada floresta adentro.


— Ah, droga... — disse Austin, levantando. Um exército de robôs se formou à sua frente, forçando-o a recuar em direção à floresta. — Lokknon, eu vou salvar a Kaoa, não vou fugir como um covarde!


Lokknon ficou jubilante com a atitude.


— Ah, mas você se acovardou, Austin. Sábio de sua parte, não vale a pena enfrentar tantos inimigos enquanto sua amiga fica a milhas de ser salva! — Lokknon ironizou.


— Posso entrar em ação agora, mestre Lokknon? — Volcatiki perguntou, ansioso.


— Há mais vulcões além desse que poderá despertar. Apresente-se como o potencial titular do pássaro lendário que você irá controlar. — Lokknon ordenou.


— Como bem quiser. — Volcatiki respondeu, assumindo a aparência de um garoto havaiano de cabelos pretos. — Ela cairá direitinho na minha lábia. — Ele sorriu maligno, com os olhos brilhando em laranja.


Austin reencontrou a equipe, surgindo diante deles e causando um susto.


— Aí, é o Austin! — disse Tim. — Cara, que susto! O melhor lugar pra fazer xixi fica tão longe?


— Austin, ainda bem que você apareceu! — exclamou Jessie.


— Por onde esteve? Alterei a rota pra procurarmos por você. — Dickerson se aproximou.


— Chegamos a imaginar que tinha se perdido. — disse Damian.


— Você parece bem preocupado. — notou Zoe. — O que houve?


— Galera, emergência. Vocês têm que me seguir. Eu conto tudo no caminho. Venham! — Austin disse, correndo de volta para as ruínas.


***


Chegando às ruínas, Dickerson se agachou em frente a uma parede com pinturas rupestres dentro de uma casa.


— Essas gravuras datam da época da guerra celeste, representam o conflito do início ao fim. Este vilarejo é uma relíquia que abriga outras relíquias tão incríveis quanto.


— Olha esses mosaicos. — Jessie se fascinou com a arte nas paredes.


— Lindos, né? — Zoe, a direita dela, concordou. — Minha mãe ia adorar um desses.


— Austin, tenho que admitir que você fez a descoberta que vale por toda a expedição. — Dickerson elogiou. — Uma descendente Menehune viva... Eu juro que ainda tô processando esse fato.


— Só que agora ela tá refém do Lokknon, que com certeza vai querer despertar o vulcão. — Austin lamentou.


— O vulcão Mawaki? Isso é péssimo, a última erupção quase varreu Honohulu. — Dickerson notou.


— Temos que voltar pro hotel e pegar nossos morfadores. — Zoe sugeriu. — O Theron deve estar super-nervoso por não termos voltado ainda.


Nesse momento, o mordomo-ciborgue relaxava em uma boia na piscina do hotel, bebendo uma marguerita.


— Quem disse que sintozoides não merecem um descanso refrescante como esse? — ele ponderou.


De volta às ruínas, as ausências de Tim e Damian foram sentidas.


— Peraí, cadê o Tim e o Damian? — Austin perguntou.


— Saíram pra uma exploração própria. — Dickerson explicou. — Vamos atrás deles.


A dupla estava numa área com um totem de fera sagrada.


— Ah, cara, o Owen não sabe o que tá perdendo. — Tim comentou, fascinado.


— Ei, tira uma foto minha aqui. — Damian pediu, apoiando-se no totem e fazendo um joinha.


— Tá perfeito. — Tim concordou, tirando a foto. — E... foi! Sorte que o celular voltou a funcionar. Que tal uma selfie agora?


Damian sentiu uma energia quente passar do totem para seu braço.


— O que foi? — Tim se aproximou. — Um mosquito te picou? Esse repelente não dura um dia, né?


— Não foi mosquito, eu... Tive a sensação do totem me transmitir um calor estranho. O pelo do meu braço tá até eriçado.


— Deixa isso pra lá, é esse clima quentíssimo. — Tim descartou, preparando a selfie e fazendo sinal de surfista — Lá vai, sorri amigão.


— Aí estão vocês, pensei que tinham sido devorados por uma fera da selva. — Zoe interveio. — Venham, vamos voltar ao hotel.


— Acabou a expedição? Poxa. — Tim lamentou, caminhando. — Vambora, Damian, o Theron deve estar sentindo nossa falta.


Damian deu alguns passos, mas parou ao sentir o calor novamente. Ele olhou para o antebraço e viu traços luminosos roxos, como uma tatuagem.


— Considerando o que Austin revelou... — ele olhou para o totem. — Será mesmo que...


***


Kaoa se debatia, tentando romper as amarras, enquanto quatro Psycho-Bots a carregavam por uma área aberta da floresta. De repente, um jovem irrompeu dos arbustos num salto, chutando e derrubando os robôs que largaram Kaoa para enfrenta-lo, mas foram todos derrubados pelos golpes eficazes do lutador.


Os vilões foram teleportados de volta para a nave de Lokknon, e o rapaz, um lutador habilidoso, libertou Kaoa das amarras e da fita na boca.


— Nossa, quanta força... — ela comentou, surpresa. — Obrigada.


— Estive passando por aqui e não pude ignorar uma garota tão bela sendo levada por aqueles trogloditas. — o jovem galanteou.


— Será você mesmo? — Kaoa o encarou, sorridente. — O guardião do Ignnus?


— E se eu for? Ganho um beijinho seu?


— Tenho uma recompensa melhor. — disse Kaoa, tirando da bolsa um frasco com um líquido vermelho.


— Um pacto de sangue?


— Não, é uma poção com o dom do antigo guardião do Ignnus. Se bebê-la, será o novo titular da fera lendária.


— Por que acha que eu mereço? Eu apenas espantei aqueles sequestradores. — o jovem fingiu desconfiança.


— No meu sonho profético, o guardião em potencial salvaria minha vida. É você. Vamos, beba.


O rapaz pegou o frasco, hesitou por um segundo, mas logo bebeu a poção. Uma aura vermelha e alaranjada emanou dele deixando Kaoa maravilhada.


— Me sinto revigorado. É um poder que jamais imaginei existir.


— Vem, vou te mostrar o Mawaki.


Ele acompanhou Kaoa em direção ao vulcão, caminhando com uma expressão maliciosa no rosto.


Enquanto isso, no hotel, Tim e Damian jogavam sinuca.


— Droga, essa já foi a terceira tacada malfeita! — Tim reclamou, frustrado. — Eu sou novo demais nisso, meu lance é basquete.


— OK, hora do veterano ensinar uns macetes. — Damian se inclinou para a tacada. — Observe e aprenda.


Ele bateu a ponta do taco na bola, atingindo várias outras e derrubando muitas nos buracos.


— Acho que nem olhando mil vezes eu aprendo. — Tim se impressionou.


— Sinuca requer paciência e bom foco. Tenta novamente, eu não vou te zoar se errar. — Damian incentivou.


— Não vai mesmo? — Tim preparou a tacada com a língua para fora, mas errou o movimento. Damian controlou a risada, cobrindo a boca, enquanto Tim o olhava desaprovador.


Austin, na varanda, estava desanimado por ter falhado em salvar Kaoa. Zoe se aproximou, preocupada.


— Austin, desde que voltamos, você está muito quieto. Tá tudo bem?


— Não, não tá, Zoe.


— Ah, sim, é a Kaoa. Você se sente mal por ter falhado em salva-la. Eu... sinto muito.


— Mal? Eu tô arrasado. Olha, não consigo mais ficar nessa dúvida do que o Lokknon planeja com ela. Vou resgata-la.


— Sozinho você não sai daqui. O problema do líder é também de toda equipe, não se esqueça.


Jessie viera ate ambos com tickets em mãos.


— Olha o que ganhei: ingressos grátis pro luau de hoje a noite na praia. Ahn... Ah sim, o clima não é de festa. Temos uma missão a cumprir.


— Que seria só minha, mas... a Zoe me convenceu de que preciso de todos vocês.


— Precisa da gente pra quê? — Tim e Damian perguntaram, chegando.


— Vamos resgatar a Kaoa, agora. — Austin determinou.


O quinteto passou por Theron no corredor.


— Theron, avisa pro Sr. Dickerson que fomos resgatar a última descendente dos Menehune. — disse Austin.


— Mas pretendem fazê-lo sem o consentimento do mestre?


— Não temos tempos a perder. — justificou Jessie.


Kaoa e o novo guardião se aproximaram do vulcão Mawaki.


— Aqui estamos, nesse ponto o Ignnus pode se tornar visível a nós.


— Tem razão, ele será todo meu. — o garoto revelou sua verdadeira forma: Volcatiki. — Agradeço pelo presente, minha vez de retribuir!


O monstro agarrou Kaoa, que gritou apavorada.


Dickerson foi até a piscina e perguntou a Theron sobre os Rangers.


— Theron, viu eles por aí?


— Não, senhor. Devem estar no playground.


— Eu já conferi lá e não estão. — Dickerson que virava-se, mas logo parou. — E mentiras continuam não sendo seu forte. — deu uma piscadela para o mordomo antes de ir.


— Ele deveria trabalhar como detetive. — Theron murmurou.


Os Rangers se reuniram em um quarto de hóspedes.


— Não há câmeras aqui, então... — Austin disse, sacando sua célula e morfador, e os outros o seguiram. — Prontos? É hora de morfar!


— Touro Ônix!


— Tubarão Cobalto!


— Arraia Rósea!


— Águia Flavescente!


— Leão Escarlate!


Volcatiki encontrava-se nas profundezas subterrâneas do vulcão, batendo seu martelo magmático que produzia fortes abalos em simultâneo a reativação da atividade vulcânica. Fissuras com lava derretida criavam-se por toda parte.


— Agora o ingrediente principal! — o monstro se teleportou para fora do vulcão. — Apareça, grande ave sagrada, atenda ao meu chamado!


O Falcão Ignnus, invisível até então, tornou-se visível, emitindo um som agudo e incendiando suas asas. Volcatiki saltou e montou no pássaro.


— Lance seu fogo impiedoso direto naquele vulcão, é uma ordem de seu guardião, hahaha!


O Falcão Ignnus voou sobre a boca do vulcão Mawaki e cuspiu um rajada de fogo, deflagrando uma erupção. O vulcão explodiu em chamas e lava, causando um terremoto que se espalhou pela cidade. No hotel, os hóspedes entraram em pânico. Theron caiu na piscina e sentiu a água vibrar.


— Imaginava que sismos não eram tão comuns nesse país! Mestre, onde está? — Theron indagou.


Os Rangers chegaram à zona de perigo, vendo a erupção no auge.


— Ah não, o Mawaki entrou em erupção! — disse Austin.


— Não podemos ter chegado tarde demais pra resgatar a Kaoa! — disse Zoe, otimista.


— Essa região tem uma estrutura de terra que pode fazer a lava chegar à cidade em aproximadamente uma hora! — alertou Damian.


— Ou talvez menos! — disse Volcatiki, surgindo em um rochedo.


— Foi você quem despertou o vulcão, não foi? Vamos impedir outra catástrofe! — Austin respondeu. Ele avistou o Ignnus. — Aquele é o...


— Sim, minha ave de estimação ajudando a propagar o caos! — zombou Volcatiki.


— Sua? O Falcão Ignnus pertence ao guardião legítimo! — disse Jessie.


— Que sou eu, hehehe! A donzela Menehune me agraciou com a tutela da fera lendária!


— A Kaoa nunca faria isso por um monstro como você! Onde ela tá? — Austin perguntou, revoltado.


— Pode ir atrás dela se quiser confirmar, não irei impedir!


— Pessoal, vocês cuidam dele enquanto procuro a Kaoa. — disse Austin ao que os outros concordaram. Ele saltou superveloz pelas rochas.


— Vamos mandar brasa pra cima dele! — Jessie sugeriu.


Os quatro Rangers dispararam lasers contra Volcatiki.


— Isso é pra me assustar? Isso aqui assusta mais! — disse o monstro que bateu seu martelo na rocha. Rachaduras vulcânicas brotaram da terra frente aos Rangers, explodindo em pilares de lava próximos deles. O monstro pulou do rochedo ao solo — Ninguém salvará essa cidade ou essa ilha enquanto eu estiver aqui!


— Pra agilizar, que tal maximizar nossas forças? — propôs Damian.


— Boa ideia, vamos nessa! — Jessie concordou.


— Colete Zoomorph! — bradaram em uníssono — Cartão da Fera! — inseriram na entrada dos coletes — Modo Fúria Animal, ativar!


Jessie avançou primeiro voando baixo, logo girando feito um tornado e lançando as penas. Contudo, Volcatiki bateu seu martelo no solo, um pilar de fogo e lava emergindo como uma barreira que incinerou as penas. Jessie foi desviando dos pilares flamejantes, mas acabou atingida e derrubada, o impacto da queda explodindo em fogo.


— Jessie, não! — disse Zoe.


— Tá tudo bem, continuem! — Jessie respondeu, ferida.


Damian lançou sua bola batedora, mas Volcatiki defendeu com o martelo. Ele rebateu a esfera com força, jogando Damian contra um rochedo.


— Ninguém machuca meu amigão! Zoe, vamos dar uma refrescada nele? — Tim sugeriu.


— Apoiado! — Zoe concordou.


Volcatiki bateu o martelo novamente, criando mais fogo vulcânico por baixo como uma fonte termal. Zoe e Tim baixaram o canhão-bolha e o Hidro-Canhão ao solo, disparando os ataques que se combinaram no subsolo chocando-se com o fogo de Volcatiki e prevalecendo, logo emergindo numa torrente e resfriando o corpo do monstro inteiramente.


— Vocês conseguiram! — disse Jessie, juntando-se a eles com Damian.


— Resfriaram a composição vulcânica dele sem restar nenhuma brasa. — Damian observou.


Volcatiki, paralisado e envolto em fumaça fria, começou a recuperar o calor.


— Vão precisar fazer mais do que me dar um banho pra apagar meu fogo!


— Ah não, ele se aqueceu de novo! — disse Tim.


— Nossos ataques combinados não foram suficientes!? Ele é mais forte do que pensávamos! — Zoe declarou.


— Agora que minha temperatura recuperou, segurem minha onda de calor! — Volcatiki exclamou ao bater o martelo, lançando uma rajada de calor que causou uma explosão de fogo, derrubando os Rangers.


Na Central de Comando, Karen contatou Dickerson, que estava no quarto dos Rangers.


— Na escuta. Karen, não acho eles em parte alguma.


— Pois eu achei. Estão combatendo o monstro que provocou a erupção, mas ele é só uma distração. A lava ameaça se deslocar para a cidade.


— Saíram sem me consultar... — Dickerson lamentou. — OK, chame o Owen pra que os Rangers possam ajudar a evacuar a cidade.


— Mas só quatro estão disponíveis. — informou Karen ampliando a visualização de Austin procurando por Kaoa.


— Se a localizar, informe a rota. — Dickerson ordenou. — Chamando o Owen agora.


O Ranger Verde estava numa pescaria com o pai quando seu comunicador tocara enquanto colocava a caixa de iscas para fora do trailer. Escondido atrás do veículo, conferiu se o pai estava distraído preparando as varas.


— Isso, continua arrumando as varas até eu voltar. — disse, logo teleportando-se a base — Karen, e aí? Problemas no Havaí?


— Os Rangers precisam que você assuma a luta contra um monstro para que possam evitar estragos da erupção vulcânica da cidade.


— Um vulcão ameaçando destruir tudo, caramba... Vou nessa encarar esse mascarado feioso. — Owen sacou a célula e o morfador. — Hora de morfar! Gorila Esmeralda!


Viera saltando, pousando na frente dos Rangers que se reerguiam feridos.


— Ei, pessoal, tudo bem aí?


— Estamos bem sim, você chegou numa boa hora, Owen. — disse Zoe.


— Cadê o Austin?


— Saiu pra resgatar a namoradinha havaiana dele. — disse Tim.


— Corta essa de namorada, Tim. — Jessie repreendeu. — Owen, você pode lutar no nosso lugar? Temos que salvar a cidade antes que a lava se espalhe.


— É esse o plano que a Karen falou. Boa sorte pra vocês. Vamos lá, seu bocudo, vem me encarar! — Owen desafiou Volcatiki.


Os outros quatro Rangers saltaram em direção à cidade. Volcatiki bateu seu martelo, lançando esferas rochosas vulcânicas contra Owen.


— Sabre Kong, materializar! — a adaga fora modificada para a forma espada, logo sendo usada para destruir as rochas — Já saquei que sem esse martelo você não é de nada!


Owen avançou destruindo mais rochas facilmente até atacar o monstro, porém Volcatiki defendeu-se com o cabo do martelo que neutralizou o golpe.


— Não quer dizer que seja fácil me separar dele! — disse o monstro logo golpeando-o com o martelo.


Owen foi arremessado girando inclinado contra um rochedo, mas logo reergueu-se.


— A chapa vai esquentar agora! — Owen ativou o Modo Fúria Animal. — Granadas Kong! — As escotilhas de seus punhos se abriram, liberando bombas que atingiram Volcatiki, lançando-o pelos ares com uma explosão.


Enquanto isso, Austin gritava o nome de Kaoa, mas uma corrente de lava o forçou a saltar para a beirada de um barranco.


— Essa foi por pouco. — ele comentou.


Karen o contatou.


— Austin, na escuta?


— Sim, Karen, pode falar.


— Há uma assinatura biológica na parte subterrânea de uma gruta onde a lava se desloca, e está prestes a preencher esse local.


— Pode ser a Kaoa! — Austin se apressou em seguir a rota do GPS, encontrando-a amarrada e ilhada em uma rocha plana, cercada pela lava.


— Socorro! — gritava Kaoa, desesperada, quando Austin pousou na pequena ilha rochosa que estava prestes a ser coberta pela lava — Austin?


— Sou eu mesmo, Kaoa! Vou te tirar daqui. — ele disse, desamarrando-a. — Se segura.


Os dois se teleportaram, sumindo segundos antes da lava engolir a rocha.


Do lado de fora, Kaoa o abraçou.


— Tenho uma dívida com você, Austin. Mas eu cometi um erro terrível.


— Eu já sei, não precisa se desculpar, você foi enganada.


— Aquele monstro, Volcatiki, pode condenar o Havaí inteiro com essa erupção.


— Meus amigos estão cuidando disso, não se preocupe.


O Falcão Ignnus voou perigosamente em direção a eles, preparando uma rajada de chamas.


— OK, não é só com o Tiki do mal que devemos nos preocupar. — disse Austin, apreensivo.


Kaoa deu passos à frente.


— Kaoa, não! O que vai fazer?


Ela olhou fixamente para a ave e fez uma oração.


"Ignnus, sei que pode me ouvir. Sou descendente do povo que te venerou. Você foi corrompido por um guardião falso. Por favor, suplico que pare e tente se libertar, o seu guardião... está bem aqui."


A ave parou voltando os olhos para Austin.


— Ele... tá olhando diretamente pra mim. Como fez ele parar?


— Eu não o parei. Ele sentiu em você o verdadeiro dom de um guardião. — Kaoa explicou, aliviada. — Você foi contemplado.


— Isso significa... que sou o guardião? Mas o poder está com o...


— Quando uma fera da tríade reconhece um guardião digno, o poder que uma força do mal tinha sobre ela desaparece.


Ignnus deu um piado agudo.


— Ele está o chamando. Veja, a marca pertence a você. — Kaoa apontou para a marca brilhando no antebraço direito de Austin.


— Verdade! Haha, ótimo! Ele não vai se arrepender de me ter como guardião. Vamos, Ignnus, temos trabalho a fazer!


Volcatiki se levantava após o último golpe de Owen.


— Meu fogo está queimando de raiva! Prepare-se pra sentir a fúria viva de um vulcão! Ninguém está a salvo nessa ilha!


— Eu discordo! — Austin falou, chegando montado em Ignnus.


— Olha aí, o Austin adotou um pássaro de fogo! — Owen vibrou.


— O quê? Mas o Ignnus me pertence, sou o guardião! — Volcatiki protestou.


— Você foi rejeitado! Ignnus, a toda velocidade!


O monstro bateu o martelo, e pilares de fogo brotaram da terra. Ignnus desviou habilmente se todos e apanhou Volcatiki com as garras.


— Não! Me ponha no chão, sua ave estúpida!


— Não fala assim que fere os sentimentos dele! Ignnus, por ali! — Austin apontou para o mar.


A ave sobrevoou o oceano e soltou Volcatiki, que gritou durante a queda.


— Chama Meteoro! — uma bola de fogo foi disparada do bico de Ignnus, atingindo Volcatiki e causando uma explosão na água, a dupla voando perto — Yeah, formamos uma dupla morfenomenal!


Lokknon grunhiu irritado.


— Laser regenerador! — ele ordenou a Barooma.


O raio verde foi disparado no mar, logo Volcatiki emergindo revivido e gigantizado.


Os Rangers continuavam ajudando as pessoas a fugir quando Austin desceu de Ignnus.


— Valeu, Ignnus, você foi incrível!


— Austin, você veio montando no Falcão Ignnus?! — Jessie exclamou.


— Então você é o novo guardião! — disse Zoe.


— Como isso aconteceu? — Damian indagou.


— Explico depois, agora temos problemas maiores. — Austin apontou para Volcatiki, que saía da água e destruía tudo com seu martelo.


— Precisamos do poder Megazord agora! — bradaram os cinco, erguendo as mãos.


As máquinas animais saíram de seus hangares, logo vindo ao Havaí via teleporte. Os zords saltaram aos seus cockpits.


— Chaves de Comando! — sacaram as chaves e as inseriram — Ligado!


— Sequência Megazord! — disse Austin.


Os zords conectaram-se formando o Megazord Z que pousou em formação de batalha.


— Sabre Selvagem! — A espada materializou-se, e com ela o robô desferiu um golpe nas costas de Volcatiki, interrompendo a destruição.


— Mas que ataque mais covarde! — o monstro reclamou — Será que não podem deixar eu me divertir um pouco?


— Não tem diversão em ver uma cidade inteira se afogando em lava! — rebateu Austin.


Volcatiki atacou com o martelo num duelo contra o sabre em choques potentes. Na última colisão, o monstro usara o lado pontudo da arma que exerceu pressão na lâmina do sabre. A espada, em posição meio horizontal, sofria a força do calor que derretia o metal rapidamente.


— O Sabre Selvagem virou pasta de dente! — disse Tim.


— Temos outra arma que ele não vai derreter! — Austin exclamou. — Dupla Lança Selvagem!


A lança de dois gumes surgiu e o robô se posicionou ao combate, avancando com uma ponta da arma direto em Volcatiki que defendeu-se com o cabo do martelo. Porém, a ponta girara pressionando fortemente até romper o cabo.


A lança de dois gumes surgiu, e o Megazord a usou para romper o cabo do martelo do monstro.


— Meu martelinho! Era pra ser indestrutível! — Volcatiki se queixou.


— Que tal um impulso? Asas de Águia! — Jessie acionou.


As asas se liberaram, e o Megazord empurrou Volcatiki por quilômetros com a ponta da lança, perfurando seu peito. A ponta acabou perfurando o peito do monstro que sofreu rachadura a se espalharem pelo corpo.


— Subindo! — disse Austin, o Megazord voando aos céus enquanto a lança girava perfurando mais fundo Volcatiki até que o soltara no ar, logo voando de volta ao solo. Ficou de costas a queda de Volcatiki que explodiu fatalmente assim que impactou.


Lokknon soltou um urro de raiva.


— Mestre, por que sinto que ficou mais irritado do que jamais esteve? — Aracna perguntou, lendo sua revista.


— Meu cansaço por tantos fiascos chegou ao limite! Por causa de Dickerson e dos Rangers, meus pais se forçaram ao sacrifício para viverem entre as estrelas. É justo que eu retire algo que pra ele possui tanto valor quanto um familiar. E já sei bem quem.


No fim da tarde, Dickerson e os Rangers se reuniram com Kaoa nas ruínas.


— Damian também se tornou um guardião de fera lendária?! Que demais! — Austin celebrou. — Parabéns.


— A nós. Eu bem que suspeitava. — Damian comentou.


— Então pra ser um guardião só precisa tocar nos totens? — Tim questionou.


— O indivíduo que for digno receberá o dom. — respondeu Kaoa — Este é o da Raposa Cryog, a terceira e última fera a formar a sagrada tríade.


— Eita, vou nem me oferecer. — Tim falou.


— Podia ir você, Owen. — Zoe recomendou.


— Mas... E se eu não for digno?


— Aí você passa vergonha no meu lugar. — Tim brincou.


— Não custa tentar, Owen. — Jessie disse.


— Não tem outro modo de descobrir. Confie na sua essência. — Dickerson falou.


Owen se aproximou, relutante. Ele tocou no totem de olhos fechados.


— Não tô sentindo na... — ele parou ao sentir a energia se transferir para seu braço, formando a marca de guardião. — Opa, caramba! Olhem isso, é mágico.


— A marca da fera, você conseguiu. — Kaoa se contentou. — Meus parabéns, novo guardião.


Ela pediu para os três se alinharem.


— Owen, você domina o poder da Raposa Cryog, uma fera de inestimável poder congelante. Damian, você tem a Pantera Basteh, que capta energia da terra. E você, Austin, detém o poder do Falcão Ignnus, o maior elo da tríade. Juntas formam o guerreiro celeste que foi profetizado.


— Deixa conosco, Kaoa. Vamos honrar esses poderes em nome da memória do seu povo. — Austin afirmou.


— Temos de ir, crianças. Theron precisa saber que estamos bem. — Dickerson disse. — Kaoa, muito obrigado. A sua existência fez valer a pena o trabalho que vim fazer aqui.


— Eu que agradeço por visitarem as ruínas e ainda com três novos guardiões pra manter vivo o legado dos meus ancestrais. — disse Kaoa, grata. — Sou grata também por salvarem a cidade. Foi emocionante. — recordou do momento em que o Megazord usou os hidro-canhões para despejar água na boca do vulcão e se expandir para a lava que quase se propagou a longa extensão na cidade.


— Espero um dia podermos voltar. O Havaí é um paraíso na Terra. — Austin comentou.


— Também espero. Gostei de conhecê-lo, Austin. Senti que havia potencial de guardião em você. Minha profecia não estava errada.


Austin sorriu enrubescido.


— Bem, o que acham de uma festinha dos três mosqueteiros e seus amigos?


— Tá pra mim. — Damian concordou.


— A Karen criou meu clone holográfico numa boa hora. Acho que meu pai não desconfia. — Owen completou.


— Um por todos. — Austin estendeu o braço, e Damian e Owen puseram as mãos sobre a dele.


— E todos por um! — os três exclamaram, erguendo as mãos.




O clima no hotel mudou radicalmente. Dickerson entrou no quarto de Theron e o encontrou vazio, verificando o banheiro que estava com o chuveiro ligado. Ao abrir a mala de Theron, viu um holograma de Lokknon.


— Aloha, Dickerson! Isso te lembra algo de um recente passado? — Lokknon zombou. — Apenas para informar que seu criado a partir de hoje me servirá obedientemente. É minha retribuição pelo que me arrancou com seus heróis coloridos. Você nunca mais o verá novamente, hahahahahah!


O holograma se desfez. Os Rangers chegaram ao quarto.


— Sr. Dickerson, não vai se juntar a nós na praia? — Austin perguntou.


— O luau já vai começar. — disse Zoe.


— Leva o Theron também. — propôs Jessie.


— É, queremos ver ele soltando a franga na hula, hahah. — falou Tim imitando a dança havaiana — Cadê ele?


— O Theron... não vai participar. Acho que nem eu também.


— Mas por quê? — Damian indagou. — Aconteceu algo grave?


— Sim. — Dickerson respondeu, abalado. — Theron foi sequestrado. Lokknon o levou.


A notícia assombrou os seis.


— Não pode ser... — disse Zoe, os olhos marejados.


— Fala que é pegadinha. — pediu Tim.


— Lokknon... Desgraçado. — Austin rangeu os dentes, contendo a raiva.


— Mas... E agora? — Owen perguntou.


— Sendo Theron um androide... Eu imagino o que certamente vai acontecer de pior com ele. — Dickerson concluiu, temeroso.


O mordomo sintozoide Theron foi jogado ao chão da nave de Lokknon por Psycho-Bots.


— Mas qual a motivação pra esse rapto? Exijo saber, suas máquinas primitivas! — Theron questionou.


Os robôs abriram caminho para Mudok.


— Bem-vindo a minha oficina, Theron. Você estará pronto pra uma nova vida, melhor do que a que Dickerson oferecia.


— Jamais trocaria meu mestre original por outro, muito menos pelo seu!


— Claro que não voluntariamente. Prepare-se, está na hora de uma pequena reprogramação no seu disco rígido. — Mudok respondeu com uma risada infame.


Dickerson e os Rangers retornaram à Central de Comando.


— Mas já voltaram?! O que houve? — Karen perguntou, vindo ao encontro deles.


— Péssima notícia: raptaram o Theron. — comunicou Austin.


— Posso adivinhar: Lokknon. — Karen exclamou, chocada. — Ele revidou mais sujo do que nunca.


— Cancelei as reservas do hotel, o resto da expedição... — Dickerson disse, desalentado.


— E nossa noite no luau. A gente perdeu o clima. — lamentou Jessie.


— Sinto muito, Dickerson. Theron era mais que um amigo, era família. — Karen o abraçou.


— Não, não vou agir como se ele tivesse tido uma falência de circuitos. Um dia... Um dia o terei de volta.


— Eu sei exatamente o que vai animar vocês, crianças. — Karen anunciou.


— Nessa altura tem que ser algo bem animador mesmo. — Zoe comentou.


Dickerson sorriu levemente.


— Acreditem, é uma surpresa e tanto. — Karen respirou fundo antes de usar o comunicador. — Garotos, podem vir.


Dois pilares de luz, um roxo e um marrom, surgiram à frente dos Rangers.


— Não brinca... — Tim ficou estupefato.


As figuras de Flint e Mason morfados se revelaram imponentes.


— Cara, isso tá mesmo acontecendo? — Owen perguntou, incrédulo.


— Deem as boas-vindas aos novos membros do time. — Dickerson disse. — Mason. — o Ranger Roxo retirou o capacete. — E Flint. — o Ranger Marrom fez o mesmo.


— Mason! — Jessie correu para abraçá-lo.


— Sentiram nossa falta? Nossa, tô encabulado. — Mason respondeu.


— Eu e a Zoe, principalmente. Oi pra você também, Flint. — Jessie apertou a mão dele.


— Flint, é ótimo rever vocês dois, estávamos preocupados. — disse Zoe vindo até ele.


— Eu não estive tanto assim. — Tim disse, recebendo uma leve cotovelada de Damian.


— Ficamos um tempinho fora aproveitando que o Sr. Dickerson reconstruiu nossas células de morfagem. — contou Mason.


— E fizemos uns testes maneiros no simulador. — Flint acrescentou.


— Já adiantei a eles sua aprovação, Dickerson. — falou Karen.


— Estejam certos dela. — ele assegurou.


— Sr. Dickerson, como recriou duas células de morfagem em tão pouco tempo? — questionou Austin.


— É uma superação incrível. — observou Damian.


— Tudo que fiz foi reciclar os fragmentos das células corrompidas e alterar suas matrizes. Além disso, os zords estarão prontos até o fim do verão, com novas funcionalidades. — Dickerson explicou.


— Aí, sejam bem-vindos. — Austin cumprimentou, apertando as mãos de ambos. — Eu já esperava que a equipe fosse aumentar.


— Onde um também pode caber mais dois. — Owen brincou.


— Ei, não vamos esquecer daquele nosso rito. — Jessie lembrou.


— Verdade, sem ele vocês dois ainda não são Rangers oficiais. — pontuou Tim.


Austin estendeu o braço direito, e todos colocaram suas mãos uma sobre a outra.


— Aos novos amigos. — disse Mason.


— E às novas experiências. — completou Flint.


— Certo. Prontos? — Austin perguntou, sorrindo.


— Power Rangers! — eles disseram em uníssono, levantando as mãos e formalizando a união de mais dois elos na corrente do bem e da justiça.


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