Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Austin e Mason ficam em pé de guerra, competindo um com o outro dentro e fora das batalhas. Mas uma oportunidade surge para que isso possa mudar: ambos vão parar numa dimensão onde se deparam com um poderoso inimigo anteriormente derrotado, isso enquanto os demais lidam com um monstro que aprisiona pessoas em realidades virtuais. Tenha uma leitura (e que o poder o proteja)!


A integração de Flint e Mason à equipe estimulou em Dickerson um desejo de testar o desempenho dos heróis no simulador de batalha que havia acabado de adquirir melhorias dois dias após a bem-vinda adição da dupla. Naquele treino, os Rangers enfrentavam minions de antigos vilões em um cenário virtual de caos, enquanto testavam a flexibilidade das novas versões dos uniformes com detalhes adicionais nos capacetes.


Austin e os demais desferiam chutes e socos em versões virtuais de bonecos de massa, soldados de Rita Repulsa, por em um pano de fundo noturno de escombros e fogo.


— Esses daqui parecem até gostar de apanhar! — disse Flint dando joelhadas na barriga de um dos soldados, logo girando e chutando-o contra um carro em frangalhos. O impacto fizera o boneco de massa se despedaçar.

— Os Rangers do Zordon brincavam com esses panacas! — disse Jessie que girou num salto baixo para chutar um deles.


— Será que são feitos daquelas massinhas de modelar? — indagou Zoe que se apoiou com dois braços no chão para chutar dois bonecos de massa que vinham até ela.


Austin enfrentava dois a sua direita e esquerda, chutando-os sem nenhum esforço.


— Nem precisamos das pistolas Z! — disse o líder, que agarrou o braço de um que o atacaria por trás, o jogando ao chão. Pisou no emblema de Z, acarretando na destruição imediata — Galera, ataquem no meio do peito onde tem esse Z!


— Esse ponto fraco eu já percebi bem antes. — disse Mason disse Mason desferindo chutes até socar forte no Z do peito e o empurrar contra uma pilha de escombros onde o soldado se desfez em pedaços.


— Ah, legal... Que bom pra você. — disse Austin, notando uma certa soberba do Ranger Roxo.


— Se só basta atingi-los no peito, é aí que as pistolas Z são necessárias! — disse Tim, sacando sua arma e disparando certeiro em três bonecos.


— Mas não é benéfico ao treinamento de combate marcial! — falou Damian que chutou dois num pulo baixo, logo chegando perto do Ranger Azul com quem ficou costa a costa — Mas parabéns pela pontaria.


— Ah, sabia que ia reconhecer! Valeu, amigão.


Owen usou apenas os cotovelos para detonar dois em ambos os lados.

— Sem querer parecer resmungão, mas esse treino tá meia-boca! Sr. Dickerson, será que dá pra mandar adversários mais à nossa altura?


— Eu sei que estão ansiosos pra enfrentar os chefões finais, mas tudo a seu tempo, crianças. — disse o mentor, tranquilo ao lado de Karen, na cabine de controle do simulador.


— Que outros supervilões poderia satisfazê-los? — questionou a tecnóloga.


— Vejamos esses aqui. Acho que irão sentir o desafio começando a esquentar.


A porta de um prédio se abriu, revelando uma sombra de um monstro bestial.


— Quem será? — quis saber Tim.


— Acho que chegamos à fase final. — disse Zoe. O oponente se revelou: um monstro de rosto preto e animalesco, com armadura dourada e uma espada.


— Eu não vou admitir que nenhum Power Ranger se interponha no meu caminho!


— Conheçam Goldar, general de primeira patente da feiticeira galática Rita Repulsa. — informou Dickerson. — Não o subestimem, apesar da vantagem de vocês. Ele foi responsável por destruir as moedas do poder que abasteciam os Rangers de Zordon.


— OK, estamos prontos. — disse Austin.


Outros dois surgiram, à direita e esquerda de Goldar.


— Aí estão, Rangers: esse da direita é Ecliptor, subordinado leal de Astronema. O da esquerda é Zeltrax, general de Mesogog, inimigo dos Rangers Dino Trovão. Organizem-se e os combatam com estratégia.


O trio vilanesco se posicionou e avançou ferozmente.


— Muito bem, eu cuido do Goldar, vocês se dividam em grupos contra os outros dois! Atacar! — disse Austin que logo correu ao encontro de Goldar desferindo chutes contra os golpes da espada.


— Não é justo ele lutar sozinho contra um oponente, dá pra ele se encaixar num grupo. — criticou Mason.


— Reclama menos e luta mais! — rebateu Owen que junto de Flint avançou contra Ecliptor que movimentava sua espada para ataca-los.


— Esse estilo de liderança dele não tá com nada. — disse Mason.


— Sabre Kong! — bradou Owen, alterando a adaga para a forma de espada e investindo contra Ecliptor num duelo de lâminas faiscando — Não fica se sentindo o bichão! Já enfrentei um cara pior que você aqui!


— Por acaso se refere a Darkonda? — indagou Ecliptor.


— Não, acho que o nome dele era... Zodd, Zedd, não lembro direito.


Ecliptor o chutou no peito o mandando para meio longe.


— Não se distraia conversando numa luta, garoto!

— Mangual Rompante! — disse Flint, lançando sua arma contra Ecliptor que usaria a espada para cortar a corrente, mas acabou tendo o braço direito envolvido e preso


— Levanta, cara, é a sua vez! — pediu Flint enquanto o Ecliptor o puxava.


— Esse golpe foi pesado, mas já tô recomposto! — disse Owen, energizando o sabre e desferindo cortes que atingiram Ecliptor seriamente, faíscas explodindo em vários pontos do corpo.


— Pra fechar com chave de ouro... — disse Mason correndo e lançando ondas do emissor ultrassônico que faziam o corpo de Ecliptor rachar.


O Ranger Roxo parou abrupto, logo virando de costas em uma pose enquanto Ecliptor caía despedaçado, logo explodindo.


Zeltrax travava um duelo ferrenho com Zoe que usava seu ferrão de arraia.


— Você me envergonha com essa técnica amadora! — disse o vilão que quebrou o ferrão num forte golpe, logo depois desferindo um ataque da espada no peito a derrubando.


Jessie veio em voo baixo com as garras raptoras, lançando um corte em X que atingiu Zeltrax.


— Se liga que é quatro contra um! — disse Tim, chutando-o nas costas.


Zeltrax virou, lançando um raio que acertou Tim o mandando para longe com explosões de faíscas em volta, mas ao bater numa parede tomara impulso para atacar com as barbatanas cortantes num corte em X, mas Zeltrax defendera-se com a espada sendo empurrado com os pés arrastando.


Damian veio batendo sua marreta avalanche no solo, a onda de terra vindo até Zeltrax que para revidar baixou sua espada energizada lançando um pilar de raios azuis. Porém, a onda terrosa prevaleceu anulando o ataque e fazendo ceder o chão em torno de Zeltrax que caiu no subsolo repleto de fogo e lava. Damian virou de costas posando vitorioso com sua arma, a explosão final emergindo intensa da cratera.


Austin limitava-se a esquivas, escapando dos raios oculares de Goldar. O lendário servo de Rita avançou com sua espada. Austin segurou a lâmina com as duas mãos, empurrado até bater as costas em um carro.


— Terei derrotado mais um Ranger Vermelho! Meu dia de sorte!


— Hoje não! — disse Austin, chutando-o na barriga.


Goldar revidou, mas Austin esquivou, e a espada acertou o carro. Austin o atacou com socos, mas recebendo um contragolpe de espada no peito, caindo.


— Austin! — disseram Jessie e Zoe.


— Não sei como deseja me vencer sem uma espada, mas admito que é bem habilidoso pra uma criança!


— A criança aqui tem um belo ás na manga! — disse Austin, reerguendo-se. — Poder Ignnus! Espada de Chama Dourada!


A espada, derivada da conexão com o Falcão Ignnus, surgiu em sua mão direita e foi carregada pelo poder flamejante.


— Onda Explosiva! — disse Austin, o fogo da espada crescendo, tomando a forma de uma ave similar à fênix.


Ele disparou o ataque potente ao baixar a a espada, a ave de fogo atravessando Goldar.


— Você pode não ser real, mas sinto que fiz justiça pelos Rangers do Zordon. — disse o líder que virou de costas, posando para a vitória com a explosão de Goldar ao cair.


A voz eletrônica do simulador proferiu:


— Simulação encerrada.


O cenário de guerra se dissolveu gradualmente em fragmentos de dados digitais, revelando uma sala azul-cinzenta. Os Rangers comemoravam alegres batendo as mãos.


— Parabéns, Rangers, o treino foi um verdadeiro sucesso. — disse Dickerson. — A propósito, o que acharam da flexibilidade dos novos uniformes?


— Eu me amarrei, essas roupas ficaram ainda melhores com essas modificações. — disse Austin.


— Peraí, ninguém mais vai dar opinião? Ou o líder fala por todos? — questionou Mason.


— Bom, nesse caso, diria que sim. — disse Damian.


— É, todos nós achamos os uniformes morfenomenais. — disse Tim.


— Pois eu acho que deviam ser menos apertadas e ter mais detalhes, tipo dourado. — opinou Mason, o que incomodou Jessie.


— Que bicho te mordeu hoje, Mason? Ficou implicando com o Austin, agora é com os uniformes. Qual o seu problema?


— Meu problema é com gente egoísta que se acha incrível demais pra não pedir ajuda.


— Onde que fui egoísta? — indagou Austin, aproximando-se do Ranger Roxo. — Eu só disse pra formarem grupos e decidi lutar sozinho porque sei que daria conta com a espada.


— Até porque é apenas uma simulação. — disse Zoe — Numa batalha real, Austin não recusaria a ajuda de ninguém.


— Eu duvido. Esse líder de vocês só quer a glória pra si mesmo, ele esperou derrotarmos nossos adversários pra se deixar por último brincando com aquele tal de Goldar quando podia tê-lo destruído.


— E daí que fiquei brincando com ele pra finalizar o treino? Eu sou o líder, isso é normal. Acho melhor pensar mais no que você interpreta das coisas.


— E pra você é melhor parar de querer impressionar todo mundo, tá fazendo um papel ridículo querendo aplausos.


— Tá me chamando de ridículo? — Austin ficou a centímetros dele.


— É, seu bobalhão. Ri-dí-cu-lo. Entendeu ou vou ter que soletrar?


Austin o empurrou e Flint logo interveio para apartar.


— Epa, vamos parando com a treta! Aqui a gente só simula luta contra vilões.


— Eu não ia simular nada. — disse Austin, afastando-se.


— Nem eu. — falou Mason.


Karen e Dickerson entreolharam-se sérios.


— Acho que uma nuvem de tempestade tá pairando entre eles. — disse Karen.


— Você acha? Desde o início eu já percebia que esses dois não se bicaram.


— Resquícios de uma inimizade anterior forçada. — relembrou Karen, sobre a ocasião da lavagem cerebral de Lokknon.


O alerta soou na Central de Comando, a situação sendo verificada diretamente da cabine de controle do simulador.


— Rangers, está havendo um ataque de Psycho-Bots a uma loja de conveniência na zona oeste. O grupo principal vai enquanto Flint, Mason e Owen ficam de reserva.


— Beleza, galera, vamos nessa. — disse Austin entre os amigos. — Esse ataque pode ser cortina de fumaça pra algo mais sério. — os cinco apertaram os botões de teletransporte, virando pilares de luzes.


***


A correria barulhentos entre clientes e funcionários se algomerava perto do posto de gasolina. Tiros de laser estilhaçavam as vidraças, dando passagem a um grupo de Psycho-Bots carregando estoques numerosos de latas de energético, algumas até caindo pelo caminho.


O quinteto Ranger logo viera e saltos acrobáticos, barrando o trajeto dos robô ao pousarem.


— Tem que passar primeiro no caixa de sair, seus manés! — falou Tim apontando.


— Larguem essas latas, conosco aqui vocês não levam pra lugar nenhum! — mandara Austin.


Repentinamente, disparos de laser atingiram os heróis causando explosões de faíscas em volta deles, atordoando-os.


— A razão é simples: o mestre deseja! — disse Mudok acompanhado de um punhado de Psycho-Bots — E vocês não são os únicos com fantasias novas! — ativou algo no bracelete esquerdo — Acionar Modo Trovão!


Todos os Psycho-Bots postos em batalha transformavam-se com raios amarelos dançando pelo corpo.


— Modo Trovão?! Isso tá me lembrando... — disse Jessie.


— Aquele gato safado do Nekovolt! — recordou Tim.


— Galera, usem suas armas com o colete Zoomorph! Mudok os deixou mais fortes! — avisara o líder.


— Não tenham dúvidas, hahaha. Ataquem! — ordenou Mudok que logo teleportou-se de volta a nave de Lokknon.


Vendo a luta se dificultar dada a chegada de mais robôs, Dickerson voltou-se aos três Rangers que estavam sem capacetes.


— Esses Psycho-Bots possuem uma força redobrada que se nivela aos coletes. Um de vocês terá que ir prestar reforço.


— Eu já tava esperando por esse momento. — disse Mason, aquecendo os braços. — Pode me escolher, Sr. Dickerson, eu tô mais que pronto.


— Ei, vai com calma aí, por que não irmos nós três logo? — perguntou Flint.


— Se fosse o caso de um monstro destrutivo, sim, vocês três iriam. Mas só é necessário um Ranger adicional nesse luta. — disse Dickerson.


— Apoio tirarmos no pedra, papel ou tesoura. — propôs Owen. — E aí, jogam ou estão com medo de perder pra mim?


— Medo de perder? Pff, fala sério. — minimizou Flint.


— Até em jogo da velha a gente manda bem. Vamos lá. — disse Mason.


Os três lançaram suas jogadas. Karen reagiu surpresa. Mason vibrou com a vitória.


— Ahá, pedra esmaga tesoura e amassa o papel, ganhei essa! E então, Sr. Dickerson, posso ir?


— Certo, já que optaram por decidirem assim, portanto está feito. Boa sorte, Mason. — disse o mentor, dando uma piscadela e um joinha.


— Beleza. Lamento por vocês que ficam, rapazes. A sorte tá sempre ao lado dos que acreditam nela. — disse Mason, recolocando o capacete. — Partindo pra ação! — teleportou-se ao apertar o botão no morfador preso ao cinto.


— Ele tem uma autoestima daquelas hein. — disse Owen a Flint.


— Nem me fala. — disse o Ranger Marrom, incomodado. — Epa, espera aí: o papel embrulha a pedra. Eu joguei papel, era pra eu ter ido!


— Analisando friamente, o jogo é um ciclo perfeito de um elemento mais forte que o outro. — disse Karen. — A pedra esmaga a tesoura que corta o papel que por sua vez... embrulha a pedra.


— Aquele safado, trapaceou na maior cara de pau. — resmungou Flint.


— Mas parando pra pensar... — refletia Owen. — O papel ser amassado pela pedra também pode ser visto como uma derrota. Nossa, esse jogo é bem mais discutível do que eu pensava.


Entrando no confronto, o Ranger Roxo preparou-se, logo invocando sua arma sonora.


— Hora de dar um baile nesses sucatas. Emissor ultrassônico! — Mason avançou dando um salto ao disparar as ondas vibratórias contra alguns dos robôs que foram lançados meio longe.


— Mason, você foi escolhido! — disse Jessie que girou e desferiu um brutal golpe num robô com as garras raptoras — Bem-vindo.


— Digamos que a sorte me escolheu! — falou Mason, sendo alvejado por dois robôs que dispararam atrás dele.


Austin percebeu e agiu rápido, protegendo-o.


— Mason, cuidado! — disse o líder, saltando. — Barreira Z! — o emblema Z no Colete Zoomorph se projetou em holograma como um escudo que repeliu os ataques para os lados resultando em explosões de faíscas.


— Aí, eu não pedi por proteção. — reclamou Mason.


— Ah, para de reclamar, você ia ser pego na guarda baixa. Eu fiz por você o que faria por qualquer um.


— É, como ser um tremendo exibido. Mas esse seu movimento não foi nada impressionante. Quer ver uma proeza nota 10? Saca só!


O Ranger Roxo saltou para trás, ficando de ponta-cabeça no ar, e disparou mais ondas do emissor em três robôs, que saíram do chão com a explosão.


— Grande coisa! Nada que eu também não saiba fazer, senão até melhor! — disse Austin, com ares de riso.


Sacou a pistola Z que, junto ao detonador Max, usou para atirar de braços cruzados, saltando e girando, atingindo os robôs que o cercavam com explosões faiscantes intensas.


— Você só derrubou eles, não é nada demais. Meu tiro certeiro é pra detonar de vez! — retrucou Mason, apontando o emissor para cinco robôs e disparando ondas que os abateram. O


utros tentaram cercá-lo, mas Mason disparou uma vibração no chão para saltar e atirar mais ondas no ar, mandando os robôs danificados contra o posto de gasolina batendo em colunas de concreto.


Austin sentiu um possível perigo ao ver a força e execução dos ataques de Mason, intervindo após o Ranger Roxo disparar contra mais cinco robôs arremessados contra carros.


— Mason, espera aí, você tá muito afoito!


— Como assim afoito? Me deixa acabar com esses inúteis do meu jeito! — rebateu ele, mandando mais ondas.


Austin agarrou o braço direito dele.


— O que você tá fazendo? Sai fora!


— Você tem que ajustar a força, pode acabar ferindo alguém!


— Eu não tenho que ajustar meu emissor coisa nenhuma! Grrr... solta...


— Não te solto até você se controlar... — insistiu Austin.


— Isso é uma ordem por acaso? Você tá sendo ridículo, sabia?


— É você quem tá agindo descontrolado só pra dizimar eles mais rápido!


— E tava funcionando até você chegar! Me larga, Austin... Vou atirar naqueles ali...


— Ah não, olha ali! — disse Tim, defendendo-se de um raio com as barbatanas — Eles começaram a briguinha de novo!


— Já tô ficando de saco cheio disso! — disse Jessie, chutando robôs intercalando com golpes das garras.


Austin e Mason seguiam no conflito. Austin persistia em segurá-lo até que reduzisse a potência das ondas, mas o outro teimava em discordar.


— É só diminuir a potência, não vai quebrar sua arma!


— Mas quero destruir um bom número deles de uma só vez! Será que tá tão difícil pra você entender? Solta meu braço agora!


O botão de disparo do emissor foi acidentalmente apertado, lançando ondas que atingiram uma bomba de propano no posto de gasolina. A onda de choque da explosão súbita derrubou a dupla, os demais Rangers e vários robôs. As chamas se alastraram pelo posto, ameaçando chegar a loja. Pessoas desesperadas se aglomeravam a certa distância, algumas contatando os bombeiros.


— Tá vendo o que você fez? Aliás, o que me fez fazer! — acusou Mason.


— O que eu fiz? O que você fez, isso sim! — contrapôs Austin, levantando em meio à fumaça. — Ficou tão obcecado em eliminar os Psycho-Bots mais rápido que se descuidou!


— Eu que me descuidei? Você que me atrapalhou! Ficou irritadinho porque fiz uma manobra melhor que a sua, né? — rebatia Mason, empurrando Austin. — Não me empurra ou vou...


— Você me empurrou primeiro, esqueceu?


Jessie resolveu intervir.


— Meninos, já chega disso! — a Ranger Amarela se colocou entre eles. — Não importa de quem foi culpa, o posto de gasolina já era, agora temos que controlar esse fogo, ainda tem pessoas lá!


Dickerson fizera contato.


— Tim, ative seu modo Fúria Animal para usar o Hidro-Canhão e apagar o incêndio, depressa.


— Boa, Sr. Dickerson, estávamos pensando igual! — disse Tim, aproximando-se. — Cartão da Fera! — inseriu o cartão e ativou o Modo Fúria Animal, com a armadura e armas substituindo o traje base. — Lá vai água! Hidro-Canhão! — despejou um jato potente, amenizando o incêndio.


Mudok ressurgiu acima de um prédio.


— Bater em retirada! Já temos os estoques de que o mestre precisa!


Os robôs sobreviventes se teletransportaram, logo depois o tutor deles. Em poucos minutos, o incêndio foi completamente apagado.


— Querem levar um banho também vocês dois pra esfriarem a cabeça? — perguntou Tim, apontando o Hidro-Canhão para Austin e Mason.


— Não, eu já me acalmei. O liderzinho aqui tem sorte que a minha raiva dura pouco. — disse Mason, afastando-se.


— Liderzinho? Ah tá. — disse Austin, levemente contido por Jessie. — Ele sabe que foi o culpado. Você viu, tava atirando feito louco, eu tinha que pará-lo antes que ferisse alguém.


— Austin, relaxa. Vou falar com ele. — disse Jessie, indo até Mason.


— Aí Tim, você foi sensacional. — elogiou Austin, batendo a mão na do amigo.


— Zoe e eu verificamos o interior da loja. — disse Damian vindo com a Ranger Rosa.


— Ninguém ferido e nenhum sinal de curto-circuito. — falou Zoe — Austin, tá tudo bem? Você e o Mason não vêm se entendendo desde a primeira missão. O que há com vocês?


— Ele que começou com a implicância. Mas se depender da Jessie, talvez ele aprenda que um líder deve ser respeitado.


— Do jeito que ela trata ele toda delicadinha... sei não. — disse Tim. — Mas eu tô contigo nessa, Austin. Você é um líder de primeira, sempre foi.


— Vimos como você o defendeu naquela hora. — destacou Zoe.


— Ele deve reconhecer esse ato e parar de agir como se quisesse competir com você. — disse Damian.


— Acho que vai demorar pra isso acontecer. — disse Austin, olhando com desconfiança para Jessie e Mason em conversa.


Enquanto isso, Lokknon bebia energético em excesso, espalhando latas amassadas.


— Ah, mas essa bebida não pode ter sido inventada por um terráqueo, mas por um ser divino! — exclamou o imperador, buscando mais latas — Eu desejo mais, mais! Cadê? Eu preciso de mais meio litro!


— Mestre, o senhor tomou todas. — disse Aracna, lendo uma revista na grande almofada.


— Pois então recolha essas latas imediatamente, Aracna! O seu ócio me irrita!


— Já tô indo, mestrezinho! — disse ela que estremeceu com a ordem.


Mudok trazia uma nova remessa.


— A espera acabou, mestre. — jogou uma lata para Lokknon que pegou certeiro e abriu rapidamente, bebendo voraz — Os Rangers foram distraídos com os Psycho-Bots aprimorados com o Modo Trovão.


— Eu vi, não precisa me falar o óbvio! — respondeu Lokknon. — Seu trabalho é me servir mais energético para que eu mantenha minha mente ativa!


— Mestre, seu check-up não é animador! — alertou Barooma — Essa bebida o transformou num dependente de cafeína! Está alterando sua frequência cardíaca e pressão arterial!


— Está me sugerindo... parar, Barooma? — Lokknon perguntou, esmagando a lata.


— Não, não, mestre! Continue bebendo! — Barooma recuou — A propósito, está perto de vinte litros consumidos!


— O que Barooma quis dizer é que o efeito dessa bebida pode ser prejudicial ao seu coração, mestre. Por isso anda tão ansioso e estressado. — acrescentou Mudok.


— Mas minha mente está sendo beneficiada! Barooma, veja se há alguma indicação na Terra do que podemos criar para destruir os Power Pirralhos!


— Nada, mestre! Mas cidadãos da Alameda dos Anjos estão indo a uma liquidação de eletrônicos! — informou Barooma.


— Que tipo de produto? — questionou Mudok, olhando o visualizador.


— É um visor ou óculos tecnológico! — disse Barooma, dando zoom.


— Um óculos de realidade virtual. — disse Mudok. — Que patéticos.


— Aí está a fonte da minha ideia magnífica! — Lokknon exclamou. — Me crie um monstro que submeta os terráqueos à experiência forçada da realidade virtual para que suas mentes fiquem presas eternamente! Hahahahaha! Me dê mais latas, Mudok!


Barooma baixava as informações necessárias para transferir ao bio-modelador.


— Pronto, mestre! Transferência de dados concluída! — fora até a máquina, baixando a alavanca — Que venha com muita saúde!


O bio-modelador piscava suas luzes e exalava sua fumaça de vapor enquanto o monstro era forjado. A criatura saíra da cabine.


— Mestre Lokknon, se sua realidade orgânica estiver muito entediante, eu sou a solução!


— A única realidade que você irá alterar será a desses seres ignorantes do planeta Terra! Mas cuidado com os Power Rangers, se possível também os prenda no seu mundo virtual. — ordenou Lokknon enquanto tomava uma lata.


Araca veio trazendo uma lixeira metálica, logo começando a recolher as latas uma a uma.


— Aracna, não vai nomear a mais nova aberração de Barooma? — questionou Mudok.


— Ele é basicamente uma máquina, né? Você é o expert nisso, então nomeia ele, não me importo.


— Depois não se arrependa de permitir. Bem, vejamos, hum... O que acha de VR-Dynamo?


— Nada mal, vou até registrar na minha pele. — disse a criatura fazendo o nome surgir no seu peito letra por letra como se escrito a laser.


— Agora faça uma demonstração ao mestre do que é capaz. — pediu Mudok.


— Pra ser direito, eu materializo óculos de realidade virtual e os atiro nos meus alvos para que fiquem imersos no meu mundo.


— Realidade virtual? — disse Aracna, interessada na proposta. Voltou-se aos monstro com entusiasmo — Deixa eu te fazer um pedido. — fora até ele e cochichou algo no ouvido.


— Pra mim tá ótimo! — disse VR-Dynamo que materializou um óculos VR na cabeça de Lokknon que largou uma latinha pela metade ao ter sua mente mergulhada no mundo virtual.


Mudok indignou-se:


— Que insolência! Pedi para demonstrar ao mestre, não usá-lo de cobaia!


— Mas ela me pediu para prendê-lo num mundo onde ele reinasse com um palácio novinho. Além do mais, eu precisava de um teste.


— Aracna, sua infeliz, quando o mestre for liberto, direi que você sugeriu isso. — ameaçou Mudok.


— Mas pelo lado positivo, serviu pra acalma-lo!


— Eu vou me mandar pra Terra, ficar aqui nessa nave faz eu me sentir preso numa lata. — disse VR-Dynamo que teleportou-se.


— E por falar em lata... — disse Aracna indo até Mudok, logo cobrindo a cabeça do androide com a lixeira — Agora você limpa essa bagunça. Tchau, tchau. — saíra da sala com altivez.


Mudok retirou a lixeira com raiva, jogando no chão. Lokknon estava imóvel como uma pedra enquanto sua mente transitava pelo mundo simulado. O imperador esboçou um sorriso fechado e sereno, desfrutando do prazer como num sonho.


***

Ainda naquela tarde de sábado, Austin, de regata vermelha e listras brancas e bermuda jeans, pedalava calmamente em sua bicicleta pelo bairro. Acenou para um pai e seu filho que o reconheceram enquanto brincavam no limiar do parque ecológico.


Mas foi surpreendido por Mason, que o alcançou de bicicleta.


— Vejo que você é bem conhecido por essas bandas. — disse Mason.


— O quê? Mason?! Você me seguiu até aqui? — perguntou Austin, incomodado.


— Eu moro a umas duas quadras daqui. — respondeu Mason.


— Não somos parceiros, não enquanto você continuar com essa birra. — Austin retrucou.


— Tá, eu agi feito um idiota. Em qualquer equipe, alguém ficaria de fora.


— Então admite que você só implicou porque... sentiu inveja de mim? — Austin perguntou.


Mason desviou o olhar.


— É, foi. Mas já passou. Você que é o capitão e eu acabei de chegar, pegou mal pra mim.


Austin se satisfez com a resposta.


— Aí, legal a sua bike. Que óleo você usa pra lubrificar a corrente?


— Tenho uma fórmula secreta, você nunca vai saber.


— Ah, tá bom, entendi... Ainda estamos competindo.


— Mas que tal dessa vez competir saudável? Eu começo. — Mason acelerou, passando Austin.


— Ei, espera por mim! — Austin também acelerou. — Corrida de bikes? Fechado!


Ambos seguiram por uma curva ladeada por uma encosta íngreme e alta a direita e algumas casas a esquerda. Mas num dado instante, Austin entendeu até onde aquela rota terminaria.


— Mason, vai devagar!


— Ir devagar? Numa corrida? Só porque você quer! — disse Mason, pedalando sem as mãos.


— Cara, estamos indo pra uma área perigosa!


— Então vamos por um atalho. — Mason dobrou para uma floresta, aborrecendo Austin.


— Droga, que cara mais difícil. — reclamou o líder Ranger, seguindo-o.


Alguns metros depois, passaram da floresta chegando a uma área aberta de solo terroso e rochoso


— Esse som, tá ouvindo? Não devíamos vir por aqui.


— Numa corrida, quem partiu primeiro decide o caminho. — retrucou Mason.


— Em corridas se traça uma rota! Esse solo é ruim pra pedalar! Foi um erro!


— Você se preocupa demais, só tenta me acompanhar sem reclamar... — Mason perdeu o controle devido às pedras, indo em direção a um desfiladeiro. — Opa... Essa não!


— Mason! — Austin gritou, vendo-o à beira da queda.


Logo a bicicleta de Mason acabou tropeçando, levando a queda direto ao desfiladeiro


— Não! — Austin largou sua bicicleta e correu para a beirada. — Mason!


— Austin! — disse o Ranger Roxo segurando-se numa pedra e olhando para baixo — Me ajuda aqui, dá uma mãozinha!


— Ah, que bom, você ainda tá vivo. Já tô descendo...


— Não sabia que tinha cachoeira por aqui.


— Era desse som que eu falava. — disse Austin, descendo. Seu pé escorregou, mas ele se segurou. — OK, me dá sua mão, vou te puxar.


Mason o fez, mas, no momento em que seria puxado, a pedra de Austin quebrou, e ambos caíram desfiladeiro abaixo, seus gritos se misturando ao barulho da cachoeira.


Tudo escureceu num segundo. Austin abriu os olhos, com a visão embaçada.


— Austin, acorda. Tem uma coisa muito estranha rolando. — disse Mason.


— Minha cabeça... não dói. — Austin se levantou. — Onde estamos?


— Devíamos ter caído na água, mas voltamos à floresta, eu acho... — Mason olhou em volta. — Será que aqui é o pós-morte?


— Tá mais pra um purgatório, ainda mais ficando junto de você.


— Ah, qual é? Estávamos quase nos acertando.


— Não chegamos nem perto. Você não quis me escutar e olha o que aconteceu.


— Aconteceu o quê? Sobrevivemos a uma queda de dez metros?


— Não estamos mais na floresta. Aqui é parecido, mas... tem um clima diferente. E se tivermos atravessado algum portal?


— Vamos descobrir investigando. — disse Mason indo adiante, mas Austin o barrou com uma mão no peito.


— Dessa vez eu assumo a dianteira. — disse o líder, categórico.


— Tá bom, o chefinho que manda. — disse Mason, debochado.


Caminharam na mata densa com uma atmosfera sombria.


— Esse lugar tá me deixando assustado. Parece que algum bicho vai nos comer vivos. — disse Mason.


— Se isso acontecer, que você seja o primeiro.


— Tá chateado pelo acidente com meu emissor, né? OK, eu me desculpo por isso também. — Mason fez uma pausa. — Mas eu tava detonando geral com as ondas, isso não dá pra negar.


Austin virou-se, exalando incômodo.


— Tá vendo só qual o seu problema? Seu orgulho impede de assumir os erros.


— Agora vamos ter uma sessão de terapia com o Dr. Austin Jones.


— Quer saber? Cansei de fazer você entender. Procura você sozinho o caminho de volta pra Terra porque não vou te aturar até algum sinal aparecer.


Austin se afastou, deixando Mason com um gosto amargo.


— Tudo bem, melhor assim. Antes só que mal acompanhado. — retrucou Mason virando as costas.


Nuvens carregadas e escuras cobriram o céu, além de poderosos raios e relâmpagos amarelos serpentearem. Ambos olharam para cima.


— Ih, tá com uma carinha de que vai chover. — disse Mason.


Um raio caiu com estrondoso impacto diante deles, a fumaça escondendouma figura ameaçadora.


— Quem está aí? — perguntou Austin.


— Quem mais seria? Eu, o gato mais amado da TV, o incrível Nekovolt! — disse o felino robótico, revelando-se.


— Isso tá ficando cada vez mais estranho. — disse Austin. — Nekovolt foi derrotado há meses.


— Se esse bichano for tão forte quanto se acha, eu aceito o desafio. — disse Mason, sacando sua célula e morfador e olhando para Austin. — Não sozinho, claro.


— Pensei que não aceitaria dois contra um. — disse Austin se pondo a direita dele com sua célula e morfador, logo esticando os braços para encaixar os itens — Pronto? É hora de morfar!


— Morcego Púrpura!


— Leão Escarlate!


A dupla se posicionou combativa e logo avançou bravamente. Enquanto isso, os outros Rangers os aguardavam na Cantina do Earl. Jessie não parava de verificar o relógio.


— Onde que o Austin tá? Já era pra ter chegado.


— Vai ver teve uma diarreia. — especulou Tim — Eu tava achando aquele chili do colégio meio requentado, argh.


— Ou o pai dele o chamou para ajudar em algo na oficina. — conjecturou Damian.


Zoe voltava do balcão após fazer os pedidos.


— Liguei pro Flint, e ele disse que o Mason também tá fora de contato.


— O celular do Austin continua fora de área. — disse Jessie.


— E não podemos julgar coincidência Mason também estar incomunicável. — ressaltou Damian.


— Estranho do jeito que a gente já conhece. — disse Tim semicerrando os olhos.


— Se tiverem se metido numa encrenca, fico pensando se estão bem ou brigando que nem duas criancinhas. — disse Jessie, cansada.


Não muito distante dali, VR-Dynamo surgiu sobre um prédio, observando o vai e vem corriqueiro na praça.


— Quanta gente vivendo uma realidade entediante, sempre nesse vai e volta fazendo tudo igual todos os dias!


O monstro disparou raios, materializando óculos VR nas cabeças dos alvos aleatórios, consequentemente gerando pânico e alarde entre outras potenciais vítimas.


O alarme soou na Central de Comando, levando Dickerson a contatar os Rangers. Os comunicadores logo tocaram.


— Dois Rangers desaparecidos e um problema aparece. — disse Zoe.


— Lei de Murphy: não há nada ruim que não possa piorar. — disse Damian.


— Vamos pro corredor, depressa. — disse Jessie.


— Mas e nossos hambúrgueres? — indagou Tim — Eu não consigo lutar de estômago vazio.


— Você não se alimentou de vento em casa e no colégio. Anda, vem logo. — disse Damian.


No corredor, Jessie atendeu o chamado.


— Na escuta, Sr. Dickerson. O Austin não tá aqui, ele e o Mason sumiram.


— Está bem, vou contatá-los, apesar de termos perdido os sinais. Rangers, na praça central há um novo capanga de Lokknon submetendo pessoas a um transe com óculos de realidade virtual, estão paradas como estátuas, mentalmente presas em simulações.


— OK, estamos a caminho. — disse Jessie, desligando — O que quer que tenha acontecido com o Austin e o Mason, eles vão sair dessa. — sacou sua célula e morfador, assim como os outros. — Prontos? Hora de morfar!


— Touro Ônix!


— Tubarão Cobalto!


— Arraia Rósea!


— Águia Flavescente!


Earl vinha trazendo os hambúrgueres e encontrou a mesa vazia.


— Ué, cancelaram pedido de novo? Pelo menos deixaram a gorjeta. O que será que rola pra eles sumirem desse jeito hein? Ai, ai. — fosse lê pegando as notas de um dólar.


Os Rangers chegaram à praça, encontrando um bom número de cidadãos imóveis com os óculos maléficos.


— Gente, tô pasma com o poder desse monstro. — disse Jessie — Estão todos duros como pedras.


— E não respondem a nenhum estímulo. — completou Damian dando batidinhas nas costas de um homem.


— Isso é tão horrível. — comentou Zoe.


— Galera, pensem bem: são óculos VR que podem ser destruídos facilmente. — disse Tim, sacando sua pistola Z e mirando.


Porém, Damian o impediu segurando o braço direito dele.


— Ei, espera aí, não podemos agir em suposições!


— Isso mesmo, o Damian tá certo. — concordou Jessie. — Destruir os óculos pode não ter efeito pra salvar as pessoas enquanto o monstro ainda existir.


— Ih, faz sentido. Foi mal. — disse Tim, guardando a pistola. — Mas cadê o meliante?


— Me chamaram? — disse VR-Dynamo, surgindo por teletransporte. — Atendo por VR-Dynamo! O que acharam do meu museu hiperrealista?


— De muito mal gosto artístico! — rebateu Damian.


— Viemos fechá-lo permanentemente! — disse Zoe.


— É verdade que derrotando você é a chave pra libertar todos? — questionou Jessie.


— Sim! Só estejam cientes de que, se falharem, esses terráqueos ficarão parados aí, faça chuva ou sol, até que seus corpos definhem!


— Chega de conversa. Pessoal, ao ataque! — disse Jessie, sacando sua pistola Z.


Os Rangers dispararam lasers, mas os tiros atravessaram VR-Dynamo.


— Isto é apenas um holograma meu! Onde será que estou? — a projeção desapareceu.


O monstro reapareceu, chutando Damian nas costas.


— Será que aqui?


— Marreta Avalanche! — disse Damian, invocando sua arma e a batera no solo gerando uma onda de choque.


Porém, VR-Dynamo desapareceu novamente, ressurgindo diante de Zoe e chutando-a. A Ranger Rosa invocara seu ferrão de arraia e foi atacando em golpes da arma intercalados por chutes em pulos. VR-Dynamo defendia-se dos ataques, indiferente a dor.


— Aí vou eu! Garras Raptoras! — disse Jessie, saltando com as garras, executando um corte em X.


VR-Dynamo desapareceu, e o ataque acertou Zoe, que caiu.


— Ah não, Zoe! — Jessie correu para ajudá-la.


— Tá tudo bem, Jessie. — disse a Ranger Rosa, levantando. — Ele é resistente, mas tá trapaceando.


— Ouvir isso me ofende! — disse VR-Dynamo, reaparecendo. — Meu jogo é limpo e honesto! Tomem isso! — ele disparou raios, materializando óculos VR nas duas.


— Não! — disse Zoe, tentando arrancar os óculos.


— Grr, parece que grudou! — disse Jessie, também sem sucesso. — Nada que fizerem as livrarão da realidade virtual do meu mundo!


Damian voltou-se a Tim.


— Temos que agir rápido.


— Beleza, vamos detonar! — disse Tim, mirando nos óculos.


— Tarde demais! — disse VR-Dynamo, estalando os dedos.


Jessie e Zoe foram submetidas ao mundo virtual, ficando imóveis.


— Agora a vez de vocês! Primeiro o pirralho de preto! — lançou um raio azulado em Damian, mas Tim se jogou na frente, ganhando um óculos VR e caindo.


— Tim, Jessie, Zoe... Vou derrotá-lo por justiça a vocês!


— Você me derrotar? Eu não estou aqui fisicamente, a minha versão original está dentro do simulacro! — revelou VR-Dynamo. — Só é possível me fazer voltar a essa realidade no meu corpo físico se destruir um óculos em particular!


— E alguma indicação de qual seja esse óculos?


— Hahah, mas que tolo você é? Acha que sou idiota?


— Imaginei que dissesse isso! Mas não preciso adivinhar, apenas liquidar com você! — disse Damian, cuja marca da fera lendária brilhou. — Minha marca da fera... A fera sagrada de que sou guardião quer se libertar.


Dickerson fizera contato.


— Damian, o totem sinaliza a cinco quilômetros de você, vá depressa. Chamarei Owen e Flint para cuidar de VR-Dynamo.


— OK, já tô indo. Mas nada do Austin e do Mason ainda?


— Estamos fazendo tudo o que podemos. Vá atrás do que é seu, ela está te esperando.


O Ranger Preto saltou superveloz entre os prédios.


— Isso aí, foge! É o que os fracotes fazem! — disse VR-Dynamo, achando-se vitorioso.


Damian pousou na floresta perto das cachoeiras, vendo o ponto brilhante próximo às bicicletas de Austin e Mason.


— Essas bicicletas... são do Austin e do Mason. O que deve ter ocorrido pra sumirem? Enfim, a resposta virá cedo ou tarde. Agora vou soltar minha fera lendária: Pantera Basteh, seu guardião a convoca!


O totem emergiu do ponto brilhante, tomando a forma da Pantera Basteh que rugiu ferozmente.


— Beleza, minha fera lendária parece ser bem forte! — disse Damian, saltando sobre a Pantera Basteh e montando nela. — Naquela direção, vamos lá!


A fera rugiu e disparou pela floresta em direção à zona urbana, onde VR-Dynamo atuava.


Em um estacionamento, Flint aguardava Owen no meio de duas vans.


— Até que enfim! Achei que tivesse sumido também. — disse Flint.


— Ué, mas quem sumiu? — Owen perguntou.


— Austin e Mason desapareceram. Sr. Dickerson quer que a gente ajude o Damian contra um monstro maluco que bota óculos de realidade virtual nas pessoas. — explicou o Ranger Marrom.


— Caramba, esse aí não deve ser moleza. — owen ficou ao lado dele. — Deu sorte de me ligar quando já tinha terminado o treino no dojo. Tá pronto?


— Você ainda pergunta?


— Hora de morfar! — bradou Owen.


— Urso Pardo!


— Gorila Esmeralda!


Nekovolt realizava truques de autoclonagem para brincar com a percepção d adipla que os destruía com as pistolas Z


— O tempo tá acabando! — pressionava Nekovolt.


— Esse gato tá me deixando mais nervoso! — disse Mason, impaciente. — Vou usar meu emissor ultrassônico e acabar com essa palhaçada!


— Se atirar como atirava naquela hora, posso acabar sendo atingido! — Austin alertou.


— É seu jeito fofinho de dizer que sua pontaria é melhor que a minha? Eu cansei dessa brincadeira!


Mason invocou o emissor, dizimando vários clones de uma única vez, não tardando a atingir o verdadeiro Nekovolt que foi lançado a uma árvore.


— Peguei você, gato safado! — Mason exclamou.


— Chega de brincar, agora é voltagem máxima! — disse o gato-androide, levantando.


Um clone atrás de Mason disparou um raio.


— Mason, cuidado! — Austin saltou, recebendo o raio no peito e caindo com faíscas.


— Austin! Então você aí era... — Mason virou para o clone, que desapareceu.


Ele se voltou para o verdadeiro Nekovolt.


— Me pegou direitinho.


— Haha, enganei o bobo! Não tenho um pingo de medo dessa sua arma fru-fru!


— Pois devia ter! — Mason disparou mais ondas, torturando Nekovolt.


— Grrr, faz isso parar, não consigo carregar minha eletricidade!


— Sim, vou parar... Parar de atirar no grau médio! Toma mais! — Mason aumentou a intensidade. — Austin, tá tudo bem aí?


— Eu tô legal, só com umas pontadas. — disse Austin, reerguendo-se.


— Então me dá uma mãozinha aqui!


— Não era você quem ia derrotá-lo sozinho?


— Tá bem... Por favor, me ajuda aqui. Sozinho eu não me sinto um Power Ranger vencedor. Anda logo, meu emissor... tá ficando pesado e esquentando!


— OK, a parceria finalmente começou! Colete Zoomorph! — a proteção corporal surgira — Modo Fúria Animal, ativar! — correu até ele — Já sei: vou combinar meus ciclones flamejantes com as vibrações, se prepara! — as patas leoninas giraram soltando fogo, e os espirais flamejantes cruzaram com as ondas, causando estragos severos em Nekovolt.


A dupla posou vitoriosa, Nekovolt caindo e explodindo fragorosamente.


— Yeah, somos os maiores! — disse Mason, batendo a mão na de Austin.


— O emissor naquele nível ajudou a aumentar a força do meu ciclone. — Austin comentou.


— Peraí... Você tá dando a maior parte do crédito... pra mim? Aquele raio fritou o seu ego?


— Aí, não começa com as piadinhas. Mas sim, o crédito maior é seu, o que fiz foi só um impulso.


— Nossa, eu... Tô até envergonhado pela forma que te tratei antes. Me... me desculpa?


— Que tipo de líder eu seria se não perdoasse um parceiro que admite um erro? Juramento do mindinho pra nunca mais brigarmos.


— Isso é coisa de criança. — Mason virou o rosto. — Tá bom, o líder quem manda. Juro nunca mais questionar sua liderança. — juntou seu mindinho ao de Austin.


— Você é mesmo digno desse posto. O Sr. Dickerson acertou em cheio.


— E aqui estou eu atentamente observando esse lindo momento de reconciliação. — disse a voz de Dickerson ecoando.


— Essa é a... a voz do Sr. Dickerson?! — disse Austin, estupefato.


— Peraí, Austin, tô começando a entender o que rolou de verdade. — Mason percebeu.


A sala do simulador da Central de Comando surgiu.


— Simulação encerrada. — disse a voz eletrônica feminina.


Dickerson e Karen entraram com sorrisos satisfeitos. Austin e Mason tiraram os capacetes.


— Então tudo isso não passou de um teste? — disse Mason — Só pra que eu e o Austin ficássemos numa boa?


— E pelo visto o objetivo foi alcançado. — disse Dickerson.


— Na verdade, era para testarmos você, em especial, Mason. — revelou Karen.


— Sim, eu pisei na bola. Prometo me comportar e respeitar as decisões do líder. Tenho problemas pra seguir ordens. O Flint também, só que ele foi com a cara do Austin.


— Quer dizer que você não gostou de mim logo de cara? Tô meio magoado.


— Não brinca. — Mason desconfiou.


Ambos saíram da sala caminhando juntos.


— OK, tô brincando. Ninguém é perfeito. — disse Austin. — Todos nós temos algo a melhorar. No meu caso, é ser um líder mais cooperativo. Só me sinto completo lutando ao lado dos meus amigos.


— Essas são as palavras que um líder eficiente diria.


— Ah, agora vai encher a minha bola, né?


— Não tô enchendo nada, foi um elogio.


— Que fez bem pro meu ego que você tanto criticava.


— Eu não tô nem aí pro seu ego. É sério, não vou implicar mais.


— Isso só o tempo vai dizer.


Dickerson e Karen se entreolharam.


— Isso requer outro teste de trabalho em dupla?


— Não. — disse o mentor olhando-os seguro — Acredito que eles encontraram o ponto de equilíbrio ideal.


Owen e Flint iam pelos ares por uma explosão causada por VR-Dynamo.


— Mas que imprestáveis! Vou colocá-los pra dentro do meu mundo virtual!


— Nem que você me prometa ser um milionário! — disse Flint, levantando. — Mangual Rompante!


VR-Dynamo disparou mais raios, os quais foram rebatidos pelo Ranger Marrom com a bola metálica espinhosa balançando, os ataques atingindo pelos lados com faíscas explodindo. Flint lançou a esfera no rosto do monstro, acertando o óculos VR próprio dele.


— Aaah! Meus óculos virtuais, não!


Os cidadãos e os outros Rangers foram libertos dos óculos, que desapareceram.


— Estamos livres! — disse Jessie.


— Sai da frente que eu tô passando! — disse Damian, montando na Pantera Basteh.


— Opa! — disse Owen, abrindo caminho junto a Flint. — Aí sim, Damian, vai que é tua! Minha vez tá chegando! — olhou para o antebraço onde estava sua marca.


— Damian! — disseram Jessie, Tim e Zoe em uníssono.


— E aí, pessoal! Mas como Flint e o Owen adivinharam o óculos certo?


— Adivinhar? Não, eu só ataquei com meu mangual direto nas fuças dele!


— Foi isso, o óculos certo era o dele mesmo! Ah se eu tivesse deduzido antes...


A Pantera Basteh parou bruscamente frente a VR-Dynamo e rugiu tremendamente.


— O Ranger Preto voltou com um gato de estimação! Uma pena que não posso mais enviar ninguém pro meu mundo!


— E me alegro muito! Hora de você receber o troco merecido! Pantera Basteh, tempestade de terra!


A fera emanou uma aura poderosa com várias pedras junto a poeira terrosa manifestando, atiradas em espiral contra VR-Dynamo que fora lançado contra um carro, caindo de frente coberto de terra e lama.


— Mas que sujeira é essa? Meu corpinho limpo já era! Você me paga, você e seu gato irritante!


Damian saltou da fera que logo desapareceu.


— Alabarda Basteh! — invocara a arma individual relativa ao poder da fera — Onda Rochosa!


Batera a lâmina curva no solo fortemente, em seguida uma série de rochas robustas surgiram flutuantes em meio a Damian e lançaram-se contra VR-Dynamo, fechando-o numa dura casca de pedra. O Ranger Preto lançou um corte bruto diagonal com a alabarda no amontoado de pedras que logo foi rachando-se em partes com fachos de luz amarela.


Damian virou de costas em pose vitoriosa, VR-Dynamo logo explodindo fatalmente em terra e poeira.


O óculos VR em Lokknon acabou desaparecendo de imediato, o imperador despertando sobressaltado.


— Mas... Mas estou de volta a minha nave... Meu palácio, onde está?


— Mestre, felizmente VR-Dynamo foi derrotado, isso garantiu que o senhor acordasse desse sonho virtual. — disse Mudok.


— Ele fez com que... eu desfrutasse da doce ilusão de uma vitória sobre a Terra e agora ele foi destruído pelos Rangers. — lamentava Lokknon cujo tom alterava com drama na voz embargada.


— Não deseja que ele cresça para uma revanche? — sugeriu Barooma.


— O que ele fará contra os Power Pirralhos? Certamente o derrotarão outra vez e não terei mais um desses óculos especiais.


— Prefere tomar mais desse energético, mestre? — perguntou Theron oferecendo uma lata.


Lokknon a pegou, contudo amassou-a com raiva, o líquido esguichando fora, e a jogou no chão.


— Não preciso dessa bebida estimulante que me tornou um viciado, mas sim da minha aspirina!


— Trarei imediatamente. Com licença. — disse Theron que fora saindo da sala.


— Ei, essa tarefa era minha. — protestou Mudok. Aracna colou ao ombro dele.


— Não é mais, generalzinho. E veja pelo lado bom, o mestre se curou do vício em energético graças a minha ideia. Ponto pra mim.


Lokknon debulhava-se em choro tocando na cabeça latejando por baixo do capacete.


— Antes viver uma doce mentira do que uma verdade amarga. Ai, que dor de cabeça, ai...


Austin e Mason retornavam em teleporte na praça onde os heróis ainda estavam. A turma correra até eles.


— Vejam aí, o retorno dos sumidos! — disse Tim.


— Já estávamos quase espalhando cartazes pelas ruas. — disse Jessie.


— Por onde estiveram? — indagou Zoe.


— Eu tava dando uma volta de bike antes de ir até o Earl encontrar vocês, mas aí o Mason apareceu também pedalando e... — disse Austin deixando o parceiro completar o relato.


— Apostamos uma corrida, caímos num penhasco e de repente... fomos parar no nosso simulador de batalha.


— O Sr. Dickerson planejou um teste pra melhorar nossa dinâmica em dupla. — disse Austin — Podem ficar tranquilos, Mason e eu nos acertamos definitivamente.


— E como foi esse teste? — perguntou Owen.


— Encaramos o Nekovolt numa luta meio difícil. — falou Austin.


— Aí, da próxima vez vê se deixa o celular ligado pra me avisar quando você sai. — pediu Flint a Mason — Tava na maior aflição te ligando e depois fico sabendo que você desapareceu.


— Deixei carregando, não precisa fazer drama. Tô de volta, amigão, e melhor do que antes.


— Ah, odeio quando dá uma resposta que acaba com a minha bronca.


A fala gerou risos entre os heróis.


— Caíram no penhasco perto da cachoeira, né? Vi as bicicletas de vocês por lá. — disse Damian.


— Você foi ate lá nos procurar? — perguntou Austin.


— Não, acontece que o Damian despertou a fera lendária dele e era lá onde ficava o ponto certo. — disse Zoe.


— Haha, legal, tô feliz por você, Damian. Falta só você, Owen. Tomara que aconteça logo.


— Mal posso esperar. — disse Owen esfregando as mãos na expectativa.


Jessie ficará entre Austin e Mason os tocando nos ombros.


— Os dois rivais aprenderam a conviver bem nesse teste?


— Eu pude ver que o Mason sabe manejar bem a arma dele. Eu só quis me impor com medo de que ele ferisse alguém só pra me... ahn, como é que se diz mesmo?


— Se autoafirmar? — disse Damian.


— Isso aí. Eu também errei duvidando da sua capacidade.


— Eu vi que o Austin é o líder que a equipe merece. Ele... salvou a minha vida duas vezes.


— Então não vão precisar usar a camisa da amizade. — disse Jessie — Que pena, ia tirar uma foto e postar nas redes.


— Cumprir essa missão deu uma baita fome. — disse Owen — Comemoração no Earl?


— Fechado. — disse Jessie.


— Uhuuu! Bora tirar a barriga da miséria. — falou Flint.


— Epa, eu não salvei sua vida duas vezes, Mason, foram três. — contrapôs Austin — Conta eu ter te segurado no penhasco.


— Mas eu iria cair no simulador sozinho, então não conta. — disse Mason que foi andando lado a lado ao líder.


— É claro que conta. Não sabíamos que a queda nos levaria pro simulador.


— Não conta, não.


— Conta sim!


— Para de teimar, não conta.


— Te salvei três vezes, aceita esse fato.


— Foram duas.


— Foram três.


— Foram duas!


— Foram três!


Jessie se aproximou de Flint observando a dupla de rivais.


— É, nem quando esses dois se ajudam se entendem.


— Relaxa, amizade boa é assim. Se distraem que nem cão e gato por fora, mas se amam por dentro.


Os Rangers foram caminhando.


— Ah, não sei se ainda quero comer os hambúrgueres. — disse Tim.


— Ué, você tava faminto por eles. O que foi? — queria saber Zoe.


— A experiência virtual com os óculos daquele monstro me deixou meio deprê.


— Mas por que? Eu sentia que tinha uma vida perfeita, a vida que eu sempre quis. — disse Jessie — Mas não trocaria a realidade difícil por uma outra de mentira que parece mais um sonho de fantasia.


— Eu também vivi algo perfeito. — contou Tim — Só que fui libertado antes da melhor parte.


— E que parte é essa? — indagou Zoe.


— A parte em que quase beijei a Cindy. — revelou o Ranger Azul, entristecido.


— Oh, tadinho dele. — disseram Jessie e Zoe em tom brincalhão o abraçando de lado.


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