Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Jessie deve superar seu medo de palhaços quando um monstro inspirado em um começa a roubar toda a felicidade das pessoas e até mesmo absorvendo as cores. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!


A quermesse anual da Alameda dos Anjos tinha dotes de uma festividade digna de angariar vários adeptos para celebrar a união e o bem-estar da convivência comunitária. Organizada pela paróquia municipal, o evento contava com uma variedade eclética de atrações, tais como festivais de música, espetáculos teatrais, concursos diversos, parque de diversão, barracas de cachorro-quente e pipoca, bingos e rifas solidários, etc. Zoe e Jessie foram as primeiras do grupo a chegarem naquela plena tarde ensolarada conforme o planejado — exclusivamente entre elas.

— Olha só, quanta gente. — disse Zoe observando ao redor o número de pessoas atraídas — A organização esse ano se superou na propaganda. Primeira parada?

— A cabine de fotos! — disse Jessie ao apontar para o local de fotos instantâneas — Costumam vir com a data e a hora de quando foram tiradas.

— Acho que encontramos nosso ponto de partida. Vem, vamos fazer umas fotos bem loucas pra colar no nosso álbum. — disse Zoe puxando a amiga pela mão, empolgada.

A dupla entrara na cabine animadamente. Os flashes piscaram ao se colocarem diante da lente, ambas fazendo caras e bocas diversas a cada clique. Saíram aos risos logo indo pegar a tira com as fotografias que foi liberada. Zoe pegou conferindo os registros.

— Essa aqui de longe foi a melhor! — opinou a Ranger Rosa com gargalhadas enquanto caminhava lado a lado da amiga de distanciando da cabine.

— Somos a dupla mais fotogênica que deve ter passado por lá! — disse Jessie aos risos — O Owen ia amar se fosse conosco, íamos zoar com ele até dizer chega. Alguma notícia dele?

— Ah é, soube que ele volta de viagem na semana que vem. Já até postou umas fotos da competição. — disse Zoe verificando no seu celular — Quer dar uma olhada?

— Mais tarde. Podemos ir pro karaoke agora? Ou é cedo demais pra você?

— Pra quem se sente um desastre cantando, sempre será cedo demais. — respondeu Zoe levando do Jessie a dar uma boa risada.

Porém, o bom humor da Ranger Amarela sofreu uma virada drástica que foi sentida com o impacto de uma punhalada no peito. Um palhaço careca de rua — de cara pintada de branco e os olhos contornados com maquiagem azul, boca exageradamente vermelha e o típico nariz — fizera aquela risada gostosa transformar-se num grito com expressão de olhos arregalados que traduzia o puro pavor. O simpático palhaço lhe sorriu aberto e logo executou uma mágica simples, retirando uma rosa vermelha da manga da roupa colorida e larga que usava.

Jessie o encarava atônita e boquiaberta, as pupilas dilatadas ao se ver frente aquele burlesco rosto pintado. O palhaço insistiu que ela pegasse a rosa, mas Jessie novamente gritou, disparando a correr na direção oposta.

— Jessie! — chamou Zoe, alarmada. Voltou-se ao palhaço que fizera uma expressão triste fazendo que não com a cabeça devagar — Desculpa pela minha amiga, acho que... ela tem um trauma com palhaços, mas... Obrigada, eu entrego pra ela.

Zoe pegou a rosa, o palhaço lhe sorrindo com seus brancos dentes, acenando para ela com os dedos movendo quando a via se dirigir a Jessie que se escondera atrás da cabine agachada com as mãos no rosto. Zoe se aproximou, preocupada.

— Jessie, tá tudo bem?

— Não, não tá nada bem, Zoe. — disse ela com a voz de apavoro — Ele já foi?

— Acho que sim, já se afastou de onde estávamos. Qual foi, Jessie? Você nunca me contou que tinha medo de palhaços.

— Me desculpa, não contei porque... — disse Jessie levantando e se recompondo — Ia me sentir a maior trouxa. Imagina só o Austin, o Damian e o Tim sabendo que a amiga deles, a corajosa e destemida Ranger Amarela, morre de medo de palhaços ridículos. Eles iriam caçoar de mim a vida inteira, principalmente o Tim.

— Claro que não iam, teriam sentido o mesmo, eu vi como isso te afetou, foi tão de repente que você parecia estar tendo uma crise de asma, fiquei preocupada.

— Lógico, é minha melhor amiga, eu nunca seria motivo de piada pra você. Mas eles... Ai, eu odeio isso! — disse Jessie dando lugar a raiva — Justo num sábado que planejamos pra ser perfeito, isso acontece comigo! Vamos embora.

— Não vamos, não. Mal começamos a nos divertir, prometemos que ficaríamos até a noite.

— Então você fica esperando os meninos chegarem porque eu vou vazar daqui. Posso dar de cara com aquele maluco pintado de novo.

— Eu sei que existem palhaços com maquiagens que mais assustam do que divertem, mas aquele era tão simpático, te ofereceu uma rosa e você respondeu como se tivesse visto o pior monstro que existe.

— Palhaços são monstros por dentro. Nunca ouviu falar de casos onde crianças foram raptadas por caras vestidos de palhaço e nunca voltaram pra casa? Eu não confio, pra mim são todos uns otários que acham que são engraçados com essas maquiagens horríveis fazendo malabarismos idiotas.

— A dele não é tão desagradável. — retrucou Zoe olhando para o palhaço que via-se longe.

— Pode ser como for, eu detesto e sempre vou detestar gente que se veste desse jeito.

— Muitos artistas ganham a vida com isso, Jessie. Todo trabalho é digno.

— É, você tá certa, é digno sim, mas isso até ele assustar uma criancinha e fazer o contrário do que devia. Você vem comigo ou vai ficar?

Zoe respirou fundo olhando firme para a amiga.

— Tudo bem, vamos pra casa. Mas fica com a rosa, pelo menos.

— Não lembra que sou alérgica?

— Não lembra que você mentiu pro Brock quando ele tava te xavecando depois que derrotamos a Lotusa?

— Tá, tá bom, me dá. — disse Jessie recebendo a flor cujo talo estava embalado por um plástico com um papel grudado — De Pavaraki para uma bela dama. Pavaraki... Tá mais pra Pavoroso.

— Ele é o pavoroso e você é quem? Ah, a vergonhosa. — disse Cindy vindo acompanhada de Lindsey e Kate com algodões-doces. As três patricinhas riram em escárnio.

— Cindy, vê se dá o fora, hoje eu não tô no clima pra te aturar. — rebateu Jessie tentando ignora-la.

— Mas hoje é um dia ótimo pra curtir com a cara de quem tem medo estúpido de palhaços, tipo você. Já fez 13 anos, né? Ver aquele rosto te fez lembrar de trazer o absorvente?

— Cindy, para de encher, todo mundo tem um medo irracional. — disse Zoe — Duvido que vocês duas aí não tenham ao menos um.

— Meu maior medo é ter minha mesada cortada. — declarou Lindsey.

— Já o meu... Ahn, ficar com pontas duplas. — disse Kate pegando uma mecha do cabelo.

— E você, Cindy? Fala aí qual é o seu maior medo. — pressionou Jessie em postura desafiadora — Tô louquinha pra saber.

— Minha terapia está em dia, aprendo a controlar meus medos. — disse a patricinha tirando um pedaço de algodão-doce e esfregando de leve na cara de Jessie. A Ranger Amarela afastou a mão da rival — Todos ficarão sabendo no colégio que Jessie Stone se borrou de medo na frente de um palhaço pobretão. Queria ser popular? Aí está a chance, vai me agradecer um dia por isso.

— Você não teria essa coragem, sua... — disse Jessie estourando ao ponto de querer partir para as vias de fato. Zoe a segurou e logo em seguida vieram os garotos interceptar. Austin a conteve prontamente — Me larga, eu vou quebrar a cara dessa magrela!

— Jessie, se acalma, deixa ela pra lá! — disse Austin segurando-a.

— Cindy, não tá afim de assistir comigo o festival de talentos? — perguntou Tim.

— Eu assistiria se fosse pra te ver levando uma chuva de ovos podres no palco. — disse Cindy fazendo as amigas rirem maldosamente — Vamos, meninas, temos a tarde e a noite toda pra não perder tempo com essa cambada. — fora embora com ares infames de riso.

— O que motivou você a quase partir pra cima da Cindy? Deve ter sido uma injúria tremenda. — quis saber Damian a Jessie.

— Ela viu quando eu... quando eu... — dizia Jessie que lançou um olhar nervoso para Zoe. A amiga a encorajou a contar fazendo que sim com a cabeça — Apareceu um palhaço do nada na nossa frente e eu corri de tanto medo, foi isso, agora que comecem as piadinhas!

— Sério que você tem medo de palhaços? Eu não fazia ideia. — disse Austin não sinalizando fazer gracinhas — Bem, não sou de zoar com quem sofre desses medos, eu mesmo me assusto com cada coisa boba que você nem imagina.

— Verdade, Austin? Nossa, pra mim você era o mais corajoso dos garotos que já conheci. — disse Jessie, um pouco mais aliviada — E vocês dois? O que acham?

— Bom, eu acho que você deveria cuidar dessa fobia com sessões regulares de psicoterapia, é algo perfeitamente tratável . — recomendou Damian.

— Eu esperava ouvir isso de você, Damian. E agora você, Tim... O que me diz? — perguntou ela meio tensa ao Ranger Azul.

— Ahn... Sei lá, eu também tenho medo de palhaços, mas daqueles com caras mais monstruosas, usando perucas espetadas parecendo chifres de demônios, bocas repletas de dentes afiados, olhos vermelhos...

— Chega, Tim, para! — pediu Jessie quase tapando os ouvidos — Pra mim todo tipo de palhaço é horrendo e asqueroso! Agora a Cindy vai espalhar pra escola inteira. Antes vocês me zoando do que isso.

— Pode esfriar a cabeça, todos tem medos que nunca contariam pra ninguém. — disse Austin em postura apoiadora.

— Viu só? Eles entendem que ter medos irracionais não é algo pra se envergonhar. — afirmou Zoe ao lado dela a abraçando — Vamos te levar pra casa se você ainda quiser ir embora.

— Pior que quero sim, a Cindy terminou de estragar meu dia de diversão. E estraguei o de vocês. — lamentava Jessie, tristemente.

— Nada de levar essa culpa na cabeça. — disse Austin.

— Se um de nós se sente mal, o resto se desfaz de qualquer plano pra apoiar no que for preciso. — ressaltou Damian.

— Mas depois de deixarmos a Jessie em casa vamos voltar pra fazer uma boquinha, beleza? — questionou Tim dando joinhas com um largo sorriso, logo tomando tapinhas na cabeça por Austin e Damian enquanto caminhavam para se afastar daquela área.

— Ah, Tim, você só pensa em encher essa barriga! — disse Austin em tom de zoeira.

— Tava só brincando, hahaha! — dizia o Ranger Azul, travesso.

Lokknon, como de praxe, estava observando atentamente pelo visualizador ao assistir a cena de susto de Jessie e a maneira como ela reagiu.

— Me alegra muito ver qualquer um desses pestinhas sendo intimidado por aquilo que temem, mas nunca revelariam em público. — disse o imperador, satisfeito ao passar a cena várias vezes — Hahaha, fica mais engraçado à medida que repito!

— Consta nesse dicionário terráqueo que o nome disso é coulrofobia, um medo de palhaços decorrente de experiências traumáticas ou sem causa aparente. — disse Aracna com um óculos lendo o dicionário sentada na grande almofada. Fechou-o revirando os olhos — Me poupe, esse povo da Terra ama passar vergonha de graça.

— Apesar de me divertir a valer com essa reação de medo da Ranger Amarela, meu sangue está fervendo com toda essa cantoria e animação abobalhada. — confessou Lokknon passando imagens de vários pontos da quermesse — Parece que festejam como se tivessem acabado de descobrir a solução para todos os problemas. Por que não mostrar a eles que um dia como esse pode virar uma tragédia?

— Um monstro com fisionomia de palhaço, eu suponho que esteja pensando, mestre. — disse Mudok.

— Certeiro, Mudok. Mas um palhaço que não apenas provoque um medo natural, ele também deve levar esse evento irritante a ruína total! — planejou Lokknon, excitando-se com a ideia.

Aracna tinha ressalvar a compartilhar.

— Que tipo de ameaça um palhaço inspiraria? Não basta ele ser feio e grotesco, tem que ser habilidoso em alguma coisa que não seja fazer alguém rir. Mestre, acho que esse plano não dá.

— Se eu acredito no potencial de um plano, todos vocês obrigatoriamente devem ecoar as minhas palavras! — esbravejou Lokknon batendo no braço-direito do trono.

— Desculpe, mestre, é que depois do fracasso com o Nekovolt achamos que o senhor passaria um tempo de abstinência. — esclareceu Aracna retraída e intimidada.

— Achamos?! Você achou, não envolva a mim e o Barooma nas suas conclusões, fale por si mesma! — repreendeu Mudok.

— Por mais que eu odeie dizer isso, Mudok tem razão! — concordou Barooma — Além do mais, Nekovolt foi uma dor de cabeça para o mestre tanto quanto para os Rangers, ele causou prejuízos incalculáveis e ofendeu a nossa honra deliberadamente!

— Então o que os Rangers fizeram foi encarado como um favor? Se o Mudok não tivesse um pulso tão frouxo, teria colocado aquele gato enxerido na rédea curta. — replicou a princesa aracnídea.

— Eu não iria ruminar esse fiasco por dias até que tivesse um plano ainda melhor. — declarava Lokknon com severidade — Os Rangers não param e a cada dia mostram como nos inspirar a planos promissores. Barooma, crie logo um monstro-palhaço que possa roubar a alegria de todas essas pessoas!

Barooma inseria os dados para transferência ao bio-modelador.

— Asseguro ao senhor que ele fará bem mais que sorver estados de espírito positivos! — disse o cientista que foi até a cabine — Um boneco já foi posto previamente e acabou de receber as informações baixadas referentes à palhaços e truques mirabolantes! — baixou a alavanca — Que venha com muita saúde!

A máquina piscou suas luzes feito relâmpagos tempestuosos aliadas ao vapor branco exalando e se propagando. A criatura logo saíra da cabine num pulo.

— Há alguém que possa me alimentar com uma boa dose de alegria? — indagou o monstro com rosto e vestes de palhaço — Mestre Lokknon, não se importaria de sacrificar sua alegria a mim?

— Posso deixa-lo fazer uma rápida demonstração. — concedeu Lokknon.

O palhaço maligno sacou do bolso uma bexiga verde que enchera fazendo-a assumir um formato cilíndrico e manteve no boca para absorver tudo o que esperava haver de felicidade ao redor. Porém, nada aconteceu.

— É essa a incrível habilidade dele? Encher balões? — criticou Aracna.

— Não seja implicante, Aracna, ele estava tentando absorver nossas alegrias através disso! — disse Barooma — Mas acontece que não somos dotados de sentimentos positivos como os terráqueos manifestam!

— Especialmente eu por motivos óbvios. — disse Mudok — Devemos coloca-lo à prova na Terra.

— Eu não quero ser tratado como uma criança que acabou de nascer e não sabe fazer nada! Preciso de alegria para sentir que minha vida tem algum valor! — disse o monstro expressando bastante incômodo.

— Então você não sabe produzir sua própria alegria, oh coitadinho... — disse Aracna se aproximando dele com afagos na cabeça — Mas também se soubesse não teria utilidade. — afastou-se dando um leve empurrão nele — Vamos chama-lo de Pierroth, o palhaço que tá sempre de baixo astral.

— Já que necessita de alegria alheia para se sentir mais forte, você terá ao seu dispor um banquete farto! — garantiu Lokknon que bateu sua mão direita fechada no braço do trono onde ficava um botão de teleporte.

Pierroth surgira nas imediações da área onde ocorria a quermesse a pleno vapor, discretamente despercebido por arbustos.

— Mestre Lokknon será muito bem recompensado por me oferecer tantas baterias que eu possa drenar sem a menor preocupação.

O palhaço-monstro pegara a bexiga enchida pondo-a na boca, logo sorvendo ao utilizar seu poder de drenagem de emoções felizes e cores como seus nutrientes. A absorção da felicidade de todos que apreciavam o evento ocorria simultaneamente a das cores naquela área delimitada, vários tons cromáticos sendo sugados direto a bexiga e deixando o local relegado a um melancólico preto e branco.

Sem se darem conta da ausência das cores no espaço físico em volta, os cidadãos antes tão entusiasmados e festivos, se viram obrigados a irem embora pela tristeza profunda à que foram acometidos. Os festivais musicais e de talentos variados foram cancelados subitamente, todos cessando as atividades devido ao teor de disposição e ânimo quase nulo enquanto o público partia reclamando com vozes entristecidas e andares cabisbaixos.

— A alegria dos terráqueos é de um sabor único! — disse Pierroth em êxtase. O monstro verificou um aparelho no pulso esquerdo, semelhante a um relógio, o qual chamava de alegrômetro — Rendeu 20%! Não imaginava que fosse conseguir isso tudo logo de primeira! Eu não sabia o que era autoestima até ver isso, hahahaha, eu estou rindo, estou rindo, posso sentir alegria pulsando no meu peito! Mas pra me satisfazer completamente, preciso me alimentar desta cidade inteira!

Os Rangers nesse momento caminhavam por uma rua quase deserta rumando até a casa de Jessie. Os comunicadores inesperadamente tocaram e prontamente Austin antedera ao chamado após os cinco pararem numa calçada e ficarem meio escondidos perto de uma cerca preenchida de arbustos.

— Na escuta, Sr. Dickerson.

— Rangers, problemas justo no lugar onde ocorria a quermesse anual da Alameda dos Anjos.

— Acabamos de sair de lá. — disse Austin — O que houve?

— Aparentemente uma anomalia fez com todos ali perdessem o encanto pelo evento, foram todos embora, caíram em um estado repentino e profundo de tristeza e angústia. Além disso tem outro fenômeno ainda mais estranho que vocês terão que pagar pra ver porque se eu disser não irão acreditar e juro que até pra mim seria difícil.

— OK, já estamos a caminho. — confirmou Austin, logo encerrando o contato — É, pessoal, seria bom demais pra ser verdade o Lokknon nos dar sossego num dia como esse. Vamos lá.

A turma correu mais do que as pernas costumavam aguentar numa aula de educação física. Retornando a área da quermesse, os heróis depararam-se, atônitos, pela ausência total de cores além de preto, cinza e branco.

— Gente, que loucura... — disse Jessie olhando ao redor, estupefata — Se não fosse pelo aviso do Sr. Dickerson, eu diria que tô dentro de um daqueles sonhos esquisitos que acabam de repente.

— Eu me sinto dentro de um filme da época dos nossos avós. — disse Zoe, igualmente surpresa.

— Quem quer que tenha tirado a alegria das pessoas que se divertiam aqui também roubou as cores desse terreno que a paróquia alugou pra organizar a festa. — disse Austin com estranheza na face.

— Como um removedor de tinta? Caraca, é muito doido pensar que alguém pode simplesmente fazer o mundo perder a cor. — disse Tim.

— Esse monstro provou que consegue literalmente fazer isso. — disse Damian — De certa forma, as cores que enxergamos nem mesmo existem, não passam de interpretações do nosso cérebro em relação às ondas de luz de diferentes frequências e vibrações.

— Mas se ainda tem luz como não pode haver cores? — questionou Tim, confuso.

— É uma análise bem complexa. Do ponto de vista filosófico, as cores neutras são o resultado simbólico da alegria que se perdeu. Mas de uma perspectiva científica é quase impossível chegar a uma explicação lógica. — disse o Ranger Preto.

— Acho que isso prova que a ciência de quem ajuda o Lokknon a criar esses monstros faz a nossa comer poeira. — disse Austin.

— Tá fazendo até frio. — disse Zoe afagando os braços incomodada com a atmosfera gélida que recaiu sobre o espaço.

— Ei, gente, olha isso aqui! — disse Jessie apontando para uma caixa com manivela perto de um carrinho de cachorro-quente — É uma daquelas caixinhas-surpresa. — os demais vieram até ela olhando a tal caixa azul turquesa.

— O que será que tem aí guardado? — se perguntou Tim levantando uma sobrancelha.

— Só abrindo pra descobrir, né? — disse Jessie se dirigindo a caixa tomada pela curiosidade. A apanhou, logo girando a manivela devagar. Atrás dela a poucos metros, os amigos ficavam ansiosos com o que sairia dali.

De modo agressivamente brusco, a caixa se abriu após o giro completo da manivela, deixando sair a cabeça de Pierroth enorme ligada à um pescoço que se esticava como uma mola. O palhaço maligno fizera Jessie estremecer de medo pelo terrível susto e gritar.

— Nããããoooo! — berrou a Ranger Amarela que largou a caixa, logo correndo na direção oposta sem olhar para trás.

— Jessie! — chamou Austin em alto som.

Os Rangers, alarmados com a fuga de Jessie, voltaram-se para Pierroth que saía da caixa com quatro patas de aranha peluda ligadas ao pescoço mole e esticável, rindo loucamente.

— Tá me lembrando de uma história que meu pai contou quando eu era pequeno, acho que aconteceu no Maine! — disse Tim, assustado.

— Esse palhaço tá rindo a beça pelo que fez, mas quem vai rir por últimos somos nós! — disse Austin se posicionando para lutar.

Pierroth se metamorfoseava para sua forma original tocando uma corneta repetidas vezes.

— Estão gostando do espetáculo, crianças? Ah, ora mas como vocês ficam impertinentes nesse cenário desolador! Que tal me darem suas alegrias de bom grado para que combinem com a linda paisagem que eu pincelei hein?

— Devolva os sentimentos que arrancou daquelas pessoas! — ordenou Zoe.

— Se eu não absorver toda a alegria desta cidade ao longo desse dia, meu alegrômetro volta a estaca zero! — retrucou Pierroth.

— Adivinhou nosso plano porque é assim que vamos te deixar no final! — disse Austin.

Mudok surgira perto do carrossel lançando no ar esferas metálicas que comportavam Psycho-Bots. Os soldados foram liberados tomando a frente de Pierroth ficando entre ele e os Rangers.

— O que pensa que está fazendo seu robô maluco? Eu não preciso de peões, trabalho melhor sozinho!

— Eles manterão os Rangers ocupados enquanto você age livremente drenando o seu alimento! — respondeu o androide — Não perca mais tempo, vá logo e carregue seu medidor!

— Se é pra ser assim, então vi vantagem hahaha! Boa sorte, Power Pestinhas, nos encontramos mais tarde! — disse Pierroth que se transformou do pescoço para baixo numa bola azul com estrelas vermelhas e saiu pulando com ruídos de buzina infantil.

— Rangers, venham! — disse Austin que correu dando a entender uma fuga. Os demais o seguiram levando os robôs a perseguirem-os. Os perderam de vista, mas se separaram para procurarem-os a mando de Mudok. O time havia se escondido atrás de um trailer de fast-food após despistarem-os.

— Zona segura? — indagou Damian.

— Cem por cento. — verificou Austin — Não sobrou mais ninguém por aqui, aquele palhaço expulsou todo mundo da festa. Mas antes de lidarmos com ele, temos que cuidar daqueles panacas, mas bem rápido antes que ele realmente deixe a cidade inteira desse jeito. — sacou sua célula e morfador, os amigos em posição nos dois lados — Prontos? É hora de morfar!

— Touro Ónix!

— Tubarão Cobalto!

— Arraia Rósea!

— Leão Escarlate!

Após morfarem, Zoe parou Austin para um aviso importantíssimo.

— Será que vocês aguentam a barra até eu alcançar a Jessie e trazê-la de volta?

— Tudo bem, Zoe! A gente segura as pontas, eu sei que ela é capaz, a Jessie é uma garota forte, vai conseguir sair dessa se ouvir suas palavras.

— Contamos com você, Zoe. — disse Damian.

— Se a Jessie tiver que amarelar, que seja morfando! — falou Tim.

— Beleza! Valeu pelo apoio, meninos, eu vou tentar! — disse Zoe que logo seguiu saltando em alta velocidade.

Tiros de laser atingiram os garotos causando estouros de faíscas em volta. Os Psycho-Bots enfim os achavam apontando seus detonadores e engatilhado novos disparos destrutivos.

— OK, isso não basta pra derrubar a gente, seus frangotes! Rangers, atacar! — bradou Austin sacando a pistola Z ao que os demais imitaram, o trio logo avançando para o confronto.

Paralelamente, Jessie caminhava pela ponte quando avistou um homem com roupas de palhaço ameaçar pular daquela altura agravante. Seu Instinto heroico gritou mais alto que o medo.

— Ai meu Deus, é aquele palhaço, o Pavaraki... O que ele tá pensando em fazer? — indagou aproximando com cautela. O viu pôr o pé esquerdo para frente sinalizando querer cair — Não, não faz isso! — berrou Jessie que num ímpeto correu até ele. O agarrou por trás o tirando da beira da ponte — Sai daí! Ficou maluco? É uma queda de uns 10 metros! Já tiveram acidentes e ninguém sobreviveu.

— Podia ter me deixado ser o próximo. — disse Pavaraki com a maquiagem circense borrada devido as lágrimas escorrendo. Jessie recuou o rosto, o arrepio na barriga voltando intenso.

— Ma-mas por que? Por que tava querendo acabar com sua vida de um jeito tão horrível? Desculpe, não é da minha conta, vou indo. — disse Jessie que rapidamente virou a cara e fez menção de ir embora. Mas a consciência pesou... e como pesou. Ela apertou os olhos fechados, a culpa lhe queimando no peito. Virou-se para Pavaraki — Ei, eu tenho que me desculpar por outra coisa.

— Ah, agora lembrei, você é a garota que se assustou ao me ver na quermesse. Sua amiga é muito gentil.

— Eu sei, gentileza é com ela mesmo, o total contrário do que fui, me desculpa, é serio. Saí correndo com medo de você feito uma idiota. — relatou Jessie aproximando-se mais à vontade.

— Está tudo bem. É normal crianças ou até mesmo adultos terem medo de uma maquiagem exagerada como essa, às vezes até eu não gosto muito. Mas é assim que um palhaço se apresenta e chama atenção, não posso mudar sozinho esse padrão.

— Por um momento achei que tinha ficado deprimido pela forma como eu reagi.

— Na verdade, o motivo da minha tristeza é bem mais pessoal. Eu não quero voltar pra casa fazendo minha filha pensar que sou um fracasso paternal, ela nunca mais confiaria em mim se eu chegasse sem um tostão furado.

Um novo ímpeto se acendia no coração de Jessie olhando para a postura sofrida de Pavaraki.

— Me conta mais dela e de você. — pediu ela dando sua mão direita a ele — Virei as costas pros meus amigos por causa desse medo bobo. Não vou fazer isso com mais ninguém.

Pavaraki deixou formar um sorriso fraco e tímido, mas com olhar condescente. Dera sua mão, entrelaçando os dedos aos de Jessie.

No local da quermesse, o trio de Rangers utilizava das armas próprias na tentativa desesperada de finalizar o embate e impedir Pierroth a tempo dele não converter a Alameda dos Anjos numa pintura quase monocromática. Austin disparava com os canhões dos punhos selvagens em robôs que o cercava, saltando e gerando uma explosão atrás com a potência dos tiros sucessivos, não cessando os ataques.

Tim deslizava no chão executando cortes eficazes com as barbatanas de tubarão que rasgaram Psycho-Bots de ambos os lados. Já Damian manejava sua marreta avalanche batendo contra carrinhos de pipocas e os mandando direto aos robôs que se danificavam ao serem atingidos. O Ranger Preto logo bateu a arma no solo gerando um pulso que deteve três robôs, estes pegos numa explosão gerada pela intensidade do ataque que os tirou do chão.

Zoe retornava num salto acrobático para dar seu reforço, já munida do ferrão de arraia e logo desferindo golpes precisos e ferozes nos robôs próximos de todas as direções. Desferiu um corte horizontal ao girar, o qual atingiu três Psycho-Bots que foram derrubados com danos físicos envoltos de raios e faíscas.

A Ranger Rosa chutou um robô que caiu sobre um dos cavalos do carrossel. Com o pé direito, Zoe baixou a alavanca ligando o brinquedo mas na velocidade acima do permitido. O carrossel girava super-rápido até que o Psycho-Bot fora lançado fora e caiu. O robô levantou-se cambaleante e desorientado.

— Nossa, parece até que ele tá bêbado! — comentou Tim.

Zoe se aproximou despreocupada do robô.

— Oh, tô quase com peninha de te ver assim. — disse ela antes de desferir um corte brutal no pescoço do Psycho-Bot que tivera a cabeça decepada — Brincadeirinha!

— Acho que esse foi o último. — disse Austin acompanhado de Damian até Zoe e Tim — Não teve sorte com a Jessie, né?

— Eu nem sequer a achei antes de você entrar em contato. Mas creio que ela tenha ido pelo caminho que leva até a ponte Entwistle pra arejar um pouco a cabeça.

— Mas e aí, o que acontece? — indagou Tim — Com que fórmula vamos curar ela?

— Não se cura uma fobia como se cura um soluço, cabeção. — disse Damian em tom de repreensão — A mudança desse quadro tem que partir dela mesma, mas isso requer tempo, o que é variável de pessoa pra pessoa.

— Enquanto a Jessie não recupera a coragem, temos que impedir o palhaço sem graça de acabar com a alegria da cidade. Vamos lá, depressa! — disse Austin guiando todos para a caça de Pierroth.

Perto do campus da universidade federal de Angel Grove, Pierroth avistava um grupo de estudantes que acabaram de colar o grau em clima de comemoração. O palhaço infame se escolheu atrás de uma árvore já pegando sua bexiga aspiradora.

— Aqueles patetas sorridentes ali são pratos cheios pra mim, que dia de sorte, hehehe. — disse ele logo pondo a bexiga na boca e sugando as cores do território da faculdade junto as alegrias dos universitários que logo alteraram suas faces e suas posturas.

Jessie conduziu Pavaraki até o banco da praça central e sentou-se a esquerda dele, sensibilizada com a história dramática que o palhaço contara no caminho.

— Então sua filha faz aniversário amanhã e você prometeu bancar a festa que ela tanto sonhou, mas... Não conseguiu dinheiro suficiente, né?

— Não. — disse Pavaraki fazendo que não com a cabeça, entristecido — Os membros da paróquia resolveram me despedir por eu não atrair muitas crianças, mas me indicaram um circo onde eu poderia ter algum sucesso.

— Se te deram o contato desse circo, acho que devia agarrar a oportunidade antes que seja tarde, eles foram muito bondosos em te afastar da quermesse dando um novo trabalho.

— Eles não me deram nada, é difícil passar nesses testes pra ser admitido em circos, a banca de jurados é muito rigorosa.

— Mas não duvido que vai se sair bem, você até sabe fazer mágica, nunca vi palhaços fazer um truque igual aquele.

— Um palhaço doente nunca vai conquistar a audiência de nenhuma criança desse mundo. — desabafou Pavaraki, baixando a cabeça entristecido.

— Como assim doente? Você só está triste e perdido, isso vai passar.

— O que eu tenho e escondo da minha filha e da minha mulher... não é só uma simples tristeza. — revelou Pavaraki olhando-a.

Os Rangers pegaram Pierroth em flagrante sugando a alegria de crianças e adolescentes brincando no espaço da juventude, alvejando os que estavam na quadra esportiva.

— Pare! — disse Austin sacando a pistola Z junto aos outros. Os quatro dispararam os tiros de lasers que explodiram faíscas em torno do palhaço. Pierroth estremeceu com os estouros.

— Os Pestinhas Rangers de volta! Vão procurar o que fazer, isso é falta de uma lição de casa!

— Mas antes a gente prefere dar uma lição em você, seu feioso! — disse Tim

— Chega de transformar a cidade num lugar triste e descolorido! — assinalou Zoe.

— Sua travessura termina aqui, as cores podem não ser reais, mas elas promovem benefícios sensoriais! — disse Damian.

— E eu com isso? Eu tô mais interessado em beneficiar a mim, a alegria alheia é meu elixir de vida eterna e eu adoro extrai-la!

— Qualquer palhaço de verdade não se diverte com a alegria dos outros desse jeito! — repreendeu Austin.

— Eu não sou qualquer palhaço! — disse Pierroth que logo terminou de absorver as cores daquela área, a beixiga cheia na boca. Os Rangers viram as cores do chão ladrilhado e do espaço a volta serem puxadas deixando o preto e branco predominarem.

— Até o céu descoloriu! — apontou Zoe.

As crianças da quadra iam embora cabisbaixas.

— Que delícia! Hahahaha! — zombava Pierroth.

— Pessoal, já que esse lugar ficou praticamente deserto, podemos lutar sem restrições. — declarou Austin — Mas sem usar o Modo Fúria Animal, OK? Não acho que esse palhaço vale gastar tanta energia.

— Isso me ofendeu hein! Tomem isso! — disse Pierroth que vomitou serpentes de brinquedo verdes com listras pretas. As cobras voaram até eles atacando com mordidas sucessivas, chegando a derruba-los.

— Não vamos perder pras suas brincadeiras de mau gosto! — disse Austin caído agarrando uma serpente que tentava morde-lo no capacete.

Zoe se libertara das cobras jogando-as no chão, logo saltando contra Pierroth para desferir um golpe com o ferrão de arraia, porém Pierroth retirou uma corneta sabe-se lá de onde e apertou, o som altíssimo criando uma vibração que repeliu a Ranger Rosa a alguns metros.

— Zoe! — disse Damian também se desvencilhando das cobras, logo ativando sua marreta avalanche. Saltou dando um giro vertical, golpeando a cabeça do palhaço cujo corpo acabou encolhendo como um personagem de desenho animado quando recebe um impacto forte na cabeça por um objeto pesado. Pierroth ficara andando com seus sapatos exagerados mal dando pra ver sua cabeça.

— Seria nossa chance de derrota-lo? — perguntou Zoe ajudando Austin e Tim a se livrar das cobras jogando-as longe.

— Sem a Jessie não podemos formar o Abatedor Selvagem. — disse Austin.

— Damian, maceta ele de vez! — sugeriu Tim — Ele tá andando que nem barata tonta!

Antes que o Ranger Preto aplicasse outro golpe com a marreta, Pierroth, contudo, se inflava com o polegar na boca. Seus quadris se inflaram de súbito a um tamanho absurdo, batendo em Damian que foi jogado. O palhaço se restituiu a forma normal em segundos, mas no meio desse processo fazendo pirraça ao inflar exageradamente as mãos, os pés e a cabeça a uma velocidade progressiva até se endireitar.

— Querem saber? Nem doeu! Hahahaha! — chacotou ele mostrando a língua.

— O que esse palhaço tem de assustador ele tem de irritante também! — disse Tim.

— Vamos num ataque em conjunto! — disse Austin — Punhos Selvagens!

Munidos das suas armas, os heróis correram na direção de Pierroth, porém o palhaço sacou três bolas vermelhas com as quais fez um rápido malabarismo e logo em seguida as multiplicou mantendo-as no ar. Lançou aquelas bolas contra os Rangers que foram parados ao sentirem que elas grudavam no corpo e se enchiam.

— Que droga, essas bolas... grudam feito chiclete! — reclamou Austin, incapacitado.

— E exercem uma pressão muito intensa no corpo! — relatou Damian tentando removê-las dos braços e das pernas.

— É mesmo, sinto que... meus ossos vão quebrar com todo esse aperto! — detalhou Zoe.

— É porque elas enchem quanto mais vocês se movem, pestinhas! — revelou Pierroth, divertindo-se com o sufoco dos heróis.

Tim foi o primeiro a sofrer com o enchimento das bolas que o derrubaram de frente.

— Podia ter avisado antes, né? — falou o Ranger Azul sofrendo com a pressão.

— E que graça teria? Hahaha! — caçoou Pierroth.

— Jessie! — disse Austin caindo, as bolas grudadas nele inflando mais depressa — Vem logo... — seu capacete estava quase preenchido.

Na praça, Jessie se emocionava com o desabafo de Pavaraki.

— Eu não sabia... — disse ela enxugando as lágrimas — ... que esse tipo de tristeza seria uma doença tão grave. Você tem que contar, elas vão entender.

— Não tenho certeza de como elas vão se sentir.

— Olha, tive uma ideia: vou reunir meus amigos e toda a turma da minha classe pra fazer uma vaquinha. Com o dinheiro arrecadado, você diz a Madelaine que juntou o necessário pra festa dela.

— Mas estaria sendo desonesto com ela.

— Por que não contou seu problema pros membros da paróquia? Eles teriam feito uma ajuda coletiva, daí você não sentiria culpa e vergonha.

— Eu não preciso da piedade deles. — afirmou Pavaraki com semblante irritado — Mas tô aberto a sua ideia se concordar que eu devo dizer a Madelaine que o dinheiro não é meu.

— Espero que você tenha muita coragem nessa hora, mas vai ficar tudo bem. — disse Jessie afagando o braço dele — O sorriso dela vai apagar toda a escuridão que te atormenta.

O comunicador da Ranger Amarela tocara.

— O que é esse toque? Seu celular?

— Ahn, err... Meu bipe que dá sinal quando é hora de fazer uma tarefa que eu marquei pra esse horário. Prometo que chamo todo mundo que conheço da escola pra festa da Madeleine. — disse ela levantando.

— Eu desde já sou muito grato a você, Jessie. — disse Pavaraki, voltando a sorrir emocionado.

— Eu que agradeço. Agora tenho que ir, mas adorei te conhecer. Tchau! — disse Jessie que logo foi andando para um local discreto a passos apressados. Pavaraki levantou-se do banco para falar em voz alta:

— Você salvou a minha vida, Jessie! Nunca vou esquecê-la!

A loirinha sorriu consigo mesma ao ouvir tais palavras, meio encabulada, mas bastante satisfeita da ação empática que tomou. Ficou a sombra de uma arvore, atendendo o chamado.

— Na escuta.

— Jessie, venha até aqui, por favor. — pediu Dickerson em tom sério.

— Tô indo. — disse ela, logo apertando o botão ao de teleporte e transformando-se num pilar de luz amarela. Chegara a Central de Comando já certa de que escutaria más notícias — A galera tá em apuros, né? — se aproximou.

— Acertou em cheio. — disse Karen virando-se para ela na cadeira giratória — Jessie, nesse momento você se tornou a única salvação pra eles. Veja, estão presos nessas bolas grudadas que Pierroth lançou neles pra absorver suas energias.

— Se desmorfarem, acabarão sendo vítimas da absorção de alegria que esse palhaço faz de uma maneira que desafia a compreensão. — disse Dickerson intencionado a ajuda-la ao ver que ela encarava as imagens de Pierroth no monitor temerosa — Acho que dessa vez nem seu medo pode te forçar a escolher entre fugir ou salvar seus amigos, Jessie.

— Não, não pode. — disse Jessie respirando fundo ao se impor coragem — Medo nenhum vai me fazer dar as costas pra eles de novo. — sacou a célula e o morfador — Com meus amigos esse palhaço otário não brinca. É hora de morfar! Águia Flavescente!

A Ranger Amarela enfim surgia no espaço próximo a quadra ao ar livre, observando o estrago com a falta de cores. Encontrou os Rangers em situação crítica.

— Pessoal! — correu até eles, porém foi atacada por bolas azuis que faziam ruídos de corneta atiradas por Pierroth — Ei, para com isso!

— Me faça parar então! — desafiou Pierroth jogando as bolinhas em ritmo acelerado.

— Você pediu! — disse Jessie sacando a pistola Z, disparando várias vezes contra o palhaço e causando explosões de faíscas que o faziam pular de incômodo — Solta eles!

— Um contra um é mais justo! — rebateu Pierroth que tirou uma bexiga comprida amarela e a esticou com um chicote, logo envolvendo-a até prende-la por inteiro — Dá uma voltinha! Hahahaha! — puxou a bexiga levando Jessie a rodopiar enquanto era solta.

Pierroth moldou uma bexiga que simulava uma metralhadora, logo cuspindo balas em Jessie que era atingida por estouros de faíscas no corpo e ao redor, caindo depois.

— E aí, o que achou da minha arma? O pipoco é dos grandes! — disse Pierroth que soprou a fumacinha saída da falsa arma.

— Tô cheia de você e desse showzinho de palhaço! — disse Jessie reerguendo-se decidida no que fazer a seguir — Colete Zoomorph! — acionou a proteção que surgiu em teleporte no seu tronco — Cartão da Fera! — inseriu o cartão amarelo na entrada do colete — Modo Fúria Animal! — o emblema Z fora energizado, brilhando intenso, ativando o aumento substancial de poder — A garota que fugiu de você mais cedo é a mesma que vai te dar o maior troco agora!

— Acha que me assusta só porque ficou parecendo uma galinha grandona? — debochou Pierroth — Pois eu vou te depenar e depois cozinhar!

— É uma águia, seu idiota, e essa águia é a predadora que faz picadinho da presa! — disse Jessie, valente na postura, logo avançando para atacar com as super garras raptoras.

— Quero ver só se ainda não treme de medo de mim! — falou Pierroth que passou a se metamorfosear em inúmeras formas, ora se transformando numa aranha caranguejeira com sua face, ora apenas numa cabeça gigante soltando fogo pela ventas que depois fazia os olhos saírem das órbitas como serpentes rastejando para atrás da cabeça e entrando na boca.

— Não! — disse Jessie que parou pondo as mãos na cabeça no esforço árduo de lidar com a fobia — Eu não posso... Preciso... resistir... Aaaahhh!

Seu grito não a denotava mais medo e sim valentia movida pelo ímpeto ousado. A lembrança de Pavaraki lhe aconselhando lhe serviu de força motriz.

— Você é só um palhaço ridículo com truques baratos! — vociferou Jessie que avançou furiosamente no voo aprimorado de águia, rasgando a roupa de Pierroth enquanto o empurrava com os golpes. Fizera um corte em X que o derrubou com faíscas estourando. Ela virou-se para os amigos realizando o mesmo corte, assim destruindo todas as bolas vermelhas que os imobilizavam.

— Jessie! — disse Austin levantando com os demais — Haha, você veio!

— Eu sabia que você criaria coragem pra vencer o medo se fosse nos salvar! — falou Zoe — Tô muito orgulhosa de você!

— Até ativou o Modo Fúria Animal pra deitar esse palhaço folgado! Você é fera, Jessie! — parabenizou Tim.

— Com aquelas bolas mal podíamos ouvir vozes ou qualquer tipo de som. Valeu mesmo, Jessie! — agradeceu Damian dando um joinha.

— Ai, gente, de nada. Vocês nem vão acreditar em quem me ajudou contra esse medo! — disse Jessie vindo até eles — Modo Fúria Animal, desativar! — retornou a forma padrão num brilho amarelo que removeu o colete gerador.

— Vou cair fora, falta menos da metade dessa cidade pra entristecer! — disse Pierroth reerguido e pensando em escapulir.

— Ah, mas não vai fugir de nós dessa vez! — disse Austin — Combinar armas!

Os Rangers invocaram suas armas, as quais logo conectaram umas as outras e fundindo-as, enfim formando o Abatedor Selvagem. O canhão duplo foi apontado para Pierroth.

— Um, dois, três... Disparar! — disse Austin. Os lasers laranjas foram liberados atingindo Pierroth que mal tivera tempo de escapatória. O palhaço cambaleou para trás, logo explodindo ao cair. As alegrias eram devolvidas aos seus receptivos donos como esferas de luzes coloridas, bem como as cores sugadas dos locais afetados voltaram a preencher rapidamente assim que Pierroth explodira.

— Dá até um quentinho no coração ver isso. — comentou Zoe olhando em volta.

— Parece que um balde de tinta derramou na cidade, que lindo! — disse Jessie, fascinada ao ver a Alameda dos Anjos ser recolorida até onde tudo havia começado, no área da quermesse, e as pessoas retomando seus astrais felizes.

Lokknon rosnou furioso ao ver na tela a derrota humilhante de Pierroth.

— Barooma, dispare o laser regenerador, rápido!

— Prontamente, mestre! — disse o subalterno que bateu no botão vermelho, lançando o raio esverdeado e retilíneo sobre os restos de Pierroth. O palhaço tenebroso revivia agigantado.

— Jessie, você tá numa boa, né? — perguntou Tim tocando-a no ombro — Sabe, ele ficou enorme e tudo mais...

— Sem problema, eu me sinto ótima! Um monstro cresce e meu espírito de luta também, não tá sendo diferente com esse mané aí!

— É essa força que queríamos ver em você, Jessie, não tínhamos dúvidas disso! — disse Austin — Agora precisamos do poder Megazord!

Com o chamado, as máquinas animais saíram de seus hangares e corriam para a batalha colossal. Os Rangers saltaram para adentrar nos cockpits, todos pegando suas chaves de comando.

— Chave de Comando, ligar! — disseram em uníssono girando as chaves — Sequência Megazord!

Os zords uniram-se com as conexões de montagem, logo formando o Megazord Z que pousou ao campo de batalha. O robô veio desferir um soco na barriga de Pierroth, mas o palhaço abrira um buraco pelo qual o punho atravessou, logo fechando e o prendendo.

— Opa, estamos juntinhos!

— Os controles da Arraia Rósea não respondem, não consigo soltar! — disse Zoe.

— Vamos tirar onda com ele! — disse Tim movendo o braço direito do robô que apertou forte o nariz vermelho de Pierroth e depois fechou a mão.

— Pegamos o seu nariz! — disse Austin.

— Meu nariz não! Devolvam, seus pestinhas!

— Agora sabe qual é a sensação, né? — disse Jessie.

Pierroth colocara o polegar na boca, inflando o corpo subitamente, o que soltara o Megazord e em simultâneo, derrubando-o.

— Hahahaha, levou barrigada! – riu o palhaço-monstro apontando.

O Megazord reergueu-se e avançou. Porém, Pierroth novamente usava sua bexiga sugadora, absorvendo as cores do robô.

— Epa, os controles apagaram total! — alardeou Tim.

— Os níveis de energia caíram pra zero! — informou Zoe, aflita.

— Ele absorveu as cores do Megazord, mas não faz sentido, é uma máquina! — disse Jessie.

— A alegria, a grosso modo, é uma emoção responsável por nos dar força necessária pra seguir com a vida.— explicou Damian — A força e energia do Megazord é algo comparável a isso, aquilo que o mantém erguido e disposto.

O robô gigante, tingido em tons de preto, cinza e branco, caiu de um só joelho enquanto Pierroth saltitava com zombaria em gargalhadas histéricas.

— E agora? Como vamos derrota-lo com o Megazord tão enfraquecido? — perguntou Austin.

— Rangers, a energia reserva está operacional. — avisou Dickerson — A ativem para que ao menos acionem o Sabre Selvagem.

— Tinha esquecido da reserva de energia! Valeu, Sr. Dickerson! — disse Austin — Muito bem, ativar níveis secundários de energia!

O Megazord se reerguia, mas Pierroth parecia agir estranho tanto para os Rangerd quanto para Lokknon. O imperador se aborrecia ao vê-lo fazendo estripulias de modo histriônico.

O alegrômetro de Pierroth havia alcançado um nível excedente, levando-o a inflar como balão.

— Ele continua rindo feito um louco e tá inchando que nem balão! — reparou Tim.

— Deve ser o medidor dele, o alegrômetro! — disse Austin — Passou do limite!

— Ele vai explodir! — disse Zoe erguendo de leve as mãos como se quisesse proteger-se.

As risadas insanas de Pierroth cessaram com a inevitável explosão. O palhaço estourou tremendamente como uma bexiga, as cores do Megazord retornando ao mesmo como pinceladas de tintas. O cockipt restituía os sistemas de luz.

— A capacidade máxima do Megazord se restabeleceu! — falara Damian.

— Controles reativados! — dissera Zoe.

— Aquele palhaço retardado se ferrou sozinho! — disse Tim com deboche.

— Ainda é meio cedo pra comemorar, Tim! — alertou Austin — Olhem lá em cima! — apontou.

Pierroth levitava no ar como um balão seco caindo, mas que estava prestes a inflar-se novamente com o polegar enfiado na boca.

— Ele tá vivo ainda!? — surpreendeu-se Tim.

— E vai se recuperar se não agirmos depressa! — disse Austin, preparado — Sabre Selvagem!

A espada caíra na mão direita do robô. O sabre foi envolvido pela Chama Cromática até a ponta, logo sendo manejado a desferir vários cortes em diversas posições que atingiram Pierroth diretamente, o fazendo explodir assim que caiu em pedaços rasgados ao chão. A comemoração vibrante dos Rangers enfureceu Lokknon. O imperador urrava disparando lasers nas paredes. Aracna, Mudok e Barooma tentavam não serem acertados.

— Estou farto... Farto de tantos fracassos consecutivos e humilhantes iguais a esse que de todos foi o pior! — esbravejava ele olhando o Megazord triunfante pela tela.

— Mestre, não está cogitando me punir, certo? — perguntou Barooma.

— Devo reconhecer que nenhum de vocês é o culpado.

— O senhor fala sério? — indagou Aracna, surpresa — Quer que eu tire a sua temperatura?

— Não estou delirando de febre, a culpa maior de tantos dos nossos fiascos pertence a um único indivíduo: Thomas L. Dickerson. — disse Lokknon voltando ao trono — Problemas extremos requerem soluções extremas.

— A que extremo iremos partir? — indagou Mudok.

— Você ainda preserva os dados que coletou da análise da célula do Ranger Vermelho, certo?

— Naturalmente, mestre. Planeja reconsiderar a ideia de forjar um Ranger próprio?

— Eu nunca desconsiderei me aproveitar dessa trama. Dickerson pode acessar a fonte universal dos poderes dos Rangers, mas não é nada que não esteja ao nosso alcance, especialmente do seu, Mudok.

— Mestre, estou ouvindo, vou acatar o que julgar melhor a ser procedido. — disse o androide dando um passo adiante.

— Temos informações robustas da célula, mas não do morfador.

— Ou seja, temos a bomba, só falta o detonador. — comentou Aracna.

— O encarregado da missão de roubar o morfador de qualquer um dos Rangers será você... — disse Lokknon apontando com suspense proposital. Mudok deu mais passos a frente, absorto na expectativa — Aracna!

— O quê? Aracna!? — espantou-se ele virando-se para a parceira — Mestre, com todo o respeito, é uma estupidez imensa confiar a Aracna o sucesso de um plano tão ousado.

— Chamando o mestre de estúpido, Mudok, que deselegante da sua parte. — disse Aracna em tom irônico passando por ele — Mestre, eu nem tenho palavras pra agradecer...

— Eu não quero ouvir nenhum discurso prolongado, apenas ouça minha ordem. — declarou Lokknon, austero.

Naquela manhã de segunda-feira, os Rangers ficavam curiosos ao ouvirem um burburinho na sala de aula entre os colegas. Uma mulher voluptuosa se aproximava da sala, o som de seus saltos bem audíveis no corredor.

— Gente, o Mike me ligou dizendo que tá tudo pronto pra festa. — disse Jessie sentando-se na sua carteira perto dos amigos — Já distribuí todos os convites, vai ser hoje a tarde.

— Quem é Mike? — indagou Tim — Seu novo paquera?

— O homem por trás do Pavaraki. — respondeu ela — A filha dele, Madeleine, é do 6⁰ ano-B. Ele mandou mensagem agradecendo a todos nós.

— Se for pra faze-lo sorrir de verdade, não perco essa festinha por nada. — disse Zoe.

— Nossa presença tá confirmada, mas bem que gostaríamos de levar alguns presentes. — falou Austin.

— Ele disse que o presente mais satisfatório pra ele e pra filha é a presença das pessoas. — revelou Jessie — Sabem, o Mike me fez enxergar os palhaços de outro jeito. Muitos fingem estar bem pra fazer outros se sentirem bem.

— Que ótimo você ter sobreposto a fobia com essa nova perspectiva. — disse Damian.

— Estamos mesmo muito felizes por você, Jessie, essa sim foi a maior vitória do dia. — reforçou Austin.

A professora de chamativa beleza entrava na sala. Seu cabelo ruivo atraiu a atenção dos meninos e os óculos aliados ao semblante fechado lhe davam um charme intelectual.

— Em seus lugares! Todos olhando para frente! — ordenou ela deixando seu material na mesa.

— Cadê a Srta. Paddleton? — indagou um aluno ainda de pé.

— Lamento, pirra... Digo, crianças, mas a Srta. Paddleton tirou uma licença médica por tempo indeterminado. — disse Aracna forçando um sorriso — Agora sente-se e não quero ouvir comentários a respeito disso a não ser que alguém queira ser retirado da sala.

— Temos uma professora substituta?! — disse Jessie — O que será que a Srta. Paddleton tem?

— Gorda daquele jeito deve ter tido um infarto, vai saber. — disse Tim, preocupado — Mas essa daí... Nossa, que curvas lindas ela tem.

— Tim, você não toma juízo mesmo. — disse Zoe — Cuidado pra não babar o caderno.

— Não sei não... Essa saída da Srta. Paddleton foi muito repentina, o diretor Brewster nem nos avisou. — disse Austin.

— É só a mim que ela lembra alguém? — indagou Damian em voz baixa — Licença médica é uma justificativa razoável, mas...

A novata bateu o apagador fortemente na lousa chamando a atenção dos Rangers.

— Eu disse que não quero ouvir comentários sobre a saída da Paddleton! Será que entenderam ou vou ter que leva-los a detenção?

— Não, senhora. — disse Austin, desconfiado — Não vamos falar mais nada sobre isso.

— Acho bom mesmo. — disse Aracna que virou-se para o quadro negro e escrevera seu nome com o giz branco — Me chamo... Arianne Webb. É um prazer.— sublinhou o nome com gosto.

— O prazer é todo meu. — disse Tim, flertando.

Arianne voltou-se aos alunos.

— Agora abram o livro de matemática na página 145 e façam os exercícios valendo nota na média.

— Mas ainda nem chegamos a esse conteúdo. — contrariou Damian.

— Então façam leitura para se anteciparem a minha didática! — rebateu Arianne duramente — Quero todos em silêncio enquanto como esta maçã fresquinha. — sentou-se pegando a maçã, dando uma boa mordida — Hum... sinto que vou gostar daqui.

No momento da festa de Madeleine, ocorrendo no quintal da casa dela reunindo um bom número de convidados, os Rangers se alegraram ao ver Pavaraki divertindo as crianças menores com um show de truques inventivos e engraçados.

— Essa festa tá com uma energia contagiante. — disse Austin tomando refrigerante no copo.

— Dá orgulho do Mike vendo ele assim tão feliz, dessa vez com um sorriso real e sincero. — afirmou Jessie com dois pratinhos de tortas — Damian, cadê o Tim?

— No habitat natural dele em festas de aniversário. — disse Damian que apontou para o amigo se fartando de comida na mesa.

— Comendo assim vai inflar que nem o Pierroth. — brincou Zoe dando risadinha.

Jessie sentiu baforadas atrás dela, logo virando-se. Deparou-se com Brock e Stuart com rostos pintados de maquiagem de palhaço.

— Buuuu! Hahahaha! — falavam eles para assusta-la, o que se mostrou ineficaz.

— Bleeee, idiotas! — retrucou ela mostrando a língua com uma careta — Pensaram mesmo que fossem me assustar com essas maquiagens pra lá de malfeitas? Nem pra palhaços vocês servem.

— Peraí, então fomos enganados? — indagou Brock.

— Pra variar, né? — disse Stuart.

— Vocês caíram na mais nova fofoca mentirosa da Cindy. Agora saiam da frente.

— Só se você der um beijinho nos nossos narizes. — pedira Brock aproximando o rosto.

— Se vocês querem... — disse Jessie que logo dera tortadas nas caras de ambos — Ai está.

— Ah, Jessie, você nunca dá mole! — resmungou Brock limpando o rosto — Vambora dessa festinha xexelenta, Stuart.

Porém, três passos dados foram o máximo que o valentão gorducho dera antes de pisar num skate e sair andando em disparada rumo a mesa de comes e bebes. Ao bater, enfiou a cara direto no bolo com glacê branco.

— Bela manobra! — disse Austin gargalhando.

— Aí cara você estragou o bolo! — repreendeu Tim — Mas em compensação alegrou mais a festa, hahahah!

Brock ergueu a cabeça, expondo o rosto totalmente coberto pelo glacê. Stuart não conteve a risada escandalosa apontando para ele.

— Sua maquiagem de palhaço melhorou bastante agora, Brock! — zombou Jessie que se uniu aos amigos na risadaria tomando conta da festa.

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