Power Rangers: Esquadrão Z

50 A Verdadeira Fúria Selvagem (Parte 3)


Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Propondo um desafio para testar cada modalidade de combate, os Rangers Roxo e Marrom seguem atormentando a turma que está desfalcada após o traidor vir à tona. Aracna e Mudok acham que estão sendo passados para trás e ambos resolvem ficar mais ativos. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!

A incredulidade dos Rangers diante dos vídeos acusatórios contra Owen era gigantesca de modo que um silêncio pesado pairou na sala de controle da Central de Comando. O Ranger Verde recuava devagar olhando para os amigos em aflição crescente frente aos olhares nin mosto de surpresa e decepção.


— Owen... Por que? — indagou Austin.


— Não acredito que você tá achando isso tudo verdade, Austin! Eu juro por tudo que é mais sagrado: esse não sou eu!


— Então pra quê inventou de ficar depois da aula pra organizar as fotos do anuário, cara? — questionou Tim, repressivo como um promotor de justiça — Tinha o resto da semana toda, mas você decidiu fazer isso justo no dia que o Austin fica de castigo por uma coisa que ele nem fez.


— Agora a situação é diferente comigo: eu tô sendo acusado por algo que nunca fiz e nunca pensei em fazer! Por favor, confiem em mim como vocês fizeram quando assumi a liderança.


— Será que não era essa a sua intenção o tempo todo, Owen? — falou Jessie em tom acusador — Sabotar o Austin pra ficar no lugar dele?


— Claro que não, eu jamais planejaria uma coisa tão trapaceira a ponto de arriscar a vida de um amigo. Austin, você é um cara inteligente, com certeza você no fundo tá duvidando desses vídeos. — disse Owen clamando por compreensão por parte do líder.


— Aí, só fala com o Austin depois que você se arrepender do que fez! — disse Tim se colocando a frente do Ranger Vermelho apontando o dedo na cara de Owen.


— Tim, dá um tempo! — repreendeu Zoe — Deixa ele se explicar, isso tudo pode ser um engano.


— É necessário dar o benefício da dúvida. — destacou Damian, mas o Ranger Preto soava meio inseguro em conceder esse direito.


— Gente, acordem! — disse Jessie voltando-se se aos dois — Na maioria das vezes o Owen sempre preferia agir sozinho pra vencer as batalhas sozinho e no início ele desobedecia o Austin tomando as próprias decisões pra atacar. E não acho que foi coincidência ele querer ficar depois da aula durante a detenção do Austin.


— Jessie, eu tô realmente espantada com você. — disse Zoe — Logo você que sempre foi defensora de que todos são inocentes até que se prove o contrário.


— Mas aqui temos provas que confirmam tudo! — disse Jessie apontando para o monitor principal — Provas de que o Owen tramou contra a gente esse tempo todo aliado ao Lokknon.


— É mentira, esse não sou eu! — rebateu Owen em tom raivoso.


— Como não pode ser você se foi o único que decidiu ficar no colégio e recusou ir pro Earl? — questionou Jessie, o olhar triste de desapontamento ao fotógrafo amador — Fica mesmo muito difícil acreditar em você com essas imagens, Owen.


— Eu sempre admirei o Austin como líder! — defendeu-se Owen — Eu disse isso a ele ontem.


— Toda essa admiração não prova que você não tá de rabo preso com o Lokknon. — contrariou Tim.


— Como e por que eu estaria do lado do Lokknon? Nem eu sei que vantagem isso me traria! — disse Owen se colocando no meio deles — Isso daí é uma montagem descarada, fiquei o tempo todo na sala de revelação das fotos, não saí de lá um minuto sequer, acho que sai até mais cedo que o tempo do castigo do Austin.


— A única sala que não tem câmeras. Sei, espertinho, você tá quase me convencendo. — ironizou Tim com expressão de desinteresse.


Uma discussão acalorada se gerou entre Owen, Tim e Jessie, ameaçando tornar-se uma briga de vozes exaltadas. Karen cutucou Dickerson.


— Você tem que intervir, tá sendo decepcionante ver eles brigando desse jeito pro comandante.


O mentor respirou fundo com seriedade e intrometeu-se.


— Crianças, ouçam: O comandante Leozor ainda está aqui, constrangido com todo esse clima de desarmonia. Se acalmem, por favor.


— Sr. Dickerson, acredita que sou inocente, né?


O explorador fitou o Ranger Verde seriamente.


— Owen, faremos o que estiver ao nosso alcance pra investigar se esses vídeos são farsas ou fatos.


— Mas tá na cara que são farsas!


— Pela minha análise preliminar... — disse Karen, desconfortável — Não há nada que indique previamente se a sua figura foi forjada digitalmente, Owen. Parece muito realista em contrastes de luz e sombras, contornos, etc. Se for um recurso de inteligência artificial, é avançado o bastante pra emular perfeitamente a imagem humana.


— Karen, você é um gênio da tecnologia. — disse o Ranger Verde, o olhar de desespero — Você sacaria só olhando de relance.


— Temos que ter certeza. — disse ela, um tanto entristecida — Usarmos algum programa que possa identificar se uma I.A está por trás disso.


Leozor resolveu se pronunciar e dar um ultimato irrevogável:


— Diante dessa conjuntura, eu apenas me obrigo a suspender você, Owen, até que todos os fatos sejam devidamente elucidados.


— O quê? Tá me aplicando uma suspensão por uma coisa que com certeza eu nunca faria nem nos meus sonhos mais doidos? Galera, eu não fiz nada disso, nunca planejei roubar o lugar do Austin, eu juro! — disse Owen cujos olhos marejavam.


— O que foi? O traíra vai começar a chorar as lágrimas de crocodilo? — provocou Tim fazendo gesto de choro com as mãos fechadas.


O alarme soou para o susto de todos. Karen detectou as presenças dos inimigos.


— A dupla dinâmica do mal nos enviou outro vídeo. — pusera na tela dando play.


— Olá, nobres heróis. — disse o Ranger Roxo — Estão vendo essas pessoas fugindo apavoradas e toda essa destruição? É só a ponta do iceberg pro nosso cronograma de hoje.


— Se não forem covardes depois da surra que demos com nossas motos, venham pra revanche que estamos aqui só esperando. — disse o Ranger Marrom, infame.


— Rangers, vão agora antes que esses ataques se ampliem. — ordenou Dickerson.


Os Rangers se moviam para ir ao ponto mais espaçoso da sala a fim de morfarem, mas Owen se meteu na frente de todos num último esforço pela sua inocência.


— Olha, Tim, sei que você não gosta muito de mim, mas tenta pensar um pouco, raciocina. — disse ele tocando-o nos ombros.


— Não é que eu não goste, cara. Olha pra isso, olha pro que rolou até aqui. É uma sensação horrível não saber se pode confiar em alguém. Só tira as mãos de mim, me deixa. — disse o Ranger Azul, decepcionado com tristeza.


— Jessie, você acredita nem que seja um pouquinho na minha inocência, né?


— Vou acreditar se a Karen e o Sr. Dickerson desmascararem tudo. Até lá...você não é mais um de nós. — disse a Ranger Amarela com olhar de frustração.


— Damian, Damian, parceiro... Você é o mais sensato e inteligente, então não duvida de mim.


— A julgar pela qualidade de renderização do vídeo quanto a sua figura... Pode ser uma prova cabal 100% confiável. Nem os maiores gênios da atualidade saberiam distinguir uma aparência humana real de uma forjada por I.A. Sinto muito pela suspensão. — disse o Ranger Preto que passou por ele meio desalentado.


— E você, Zoe? É a pessoa mais amável que eu conheço, lá no fundo você sabe que eu nunca seria capaz de unir forças com o Lokknon pra prejudicar o Austin.


— Owen, vai ficar tudo bem. Mas por enquanto... eu não sei se coloco a mão no fogo por você, a minha cabeça tá confusa. — disse a Ranger Rosa, desconfortada, logo passando por ele.


Austin seguiria sem falar com ele, mas Owen o parou com um toque no ombro.


— Aí, espera. O último sonho maluco que você teve não quer dizer nada, tem alguma coisa maligna por trás disso também. Austin...


Mas o Ranger Vermelho resolveu ignora-lo, seu silêncio indiferente absorvido dolorosamente por Owen. Os cinco Rangers se alinharam lado a lado com Austin no meio, sacando suas células e morfadores.


— Se eles querem uma revanche de verdade, vamos dar tudo que temos até o limite. — definiu o líder, esticando os braços para encaixar a célula abaixo do morfador — Prontos? Hora de morfar!


— Touro Ônix!


— Tubarão Cobalto!


— Arraia Rósea!


— Águia Flavescente!


— Leão Escarlate!


No centro da cidade, uma repórter cobria a onda de ataques perpetrada pelos Rangers Roxo e Marrom, transparecendo sua aflição em meio ao caos de destruição e gritos apavorados.


— As autoridades estão acuadas, apenas aguardando a intervenção dos Power Rangers! — noticiava a mulher de cabelo liso castanho com uma mecha diagonal usando terno feminino bege — Os dois indivíduos que ali se encontram... — a câmera focalizou Flint e Mason à uma certa distância, ambos disparando raios de energia das mãos — ... não devem ser chamados de Rangers, pois aqueles que se intitulam de Power Rangers são exclusivamente heróis que lutam em prol da humanidade e... — a dupla desapareceu em teleporte — Sumiram!?


Eis que ambos ressurgiram próximos da repórter que gritou tamanho seu susto, ela se retraindo com medo de represálias.


— Pensou que tínhamos ido embora? — indagou Mason.


— A diversão nem chegou na metade. — reforçou Flint.


— Por favor, não... Não façam nada comigo nem com meu colega, eu somente tô fazendo meu trabalho!


— É, eu sei, e tá me parecendo que você se formou em jornalismo ontem. — implicou Mason que tomou a força o microfone das mãos dela — Dá isso aqui, não tenho paciência pra quem tá começando. — a empurrou para o lado violentamente, a derrubando — Focaliza aqui, imbecil! Muito bem... Caros cidadãos, a todos que estiverem assistindo a essa transmissão, nós temos o imenso prazer de anunciar que a era dos Power Rangers heroicos acabou. Ou está para acabar muito em breve!


Mason ofereceu o microfone ao parceiro.


— Somos os emissários fundamentais de Lokknon. Quando seus heróis estiverem amassados no chão como panquecas, ele moverá suas tropas a este planeta para reconstruí-lo à imagem e semelhança do que um dia foi o seu!


Karen e Dickerson se surpreenderam.


— Esse é o objetivo final do Lokknon envolvendo a Terra?! Transforma-la em Nemethea? — perguntou Karen.


— Mais precisamente, no que Nemethea foi antes da ofensiva massacrante dos Combanautas. — disse Dickerson com as mãos apoiadas no painel próximo dela — Ao fim da operação, liberaram uma nuvem tóxica que devastou a fauna e a flora do planeta pra que ele fosse completamente inabitável. Metais e minerais valiosos também foram ameaçados. Lokknon foi o único sobrevivente do império e juntou todas as reservas de nitox que tinha e fugiu antes que a devastação o alcançasse.


— Caramba, sabe bem mais desse dia do que eu imaginava. E você ainda nem tinha nascido. — disse Karen.


— Foi nesse mesmo dia que meu pai selou o destino do rei e da rainha de Nemethea. Não sei exatamente como, ele sempre omitiu essa parte quando me contava. — falou Dickerson olhando com preocupação para os Rangers malignos — Lokknon está finalmente jogando suas cartas para se vingar do que meu pai fez com os pais dele e do que aconteceu com seu planeta.


A dupla maléfica seguia incutindo terror na população via transmissão televisiva, mas uma chuva de lasers os interrompeu, as explosões de faíscas os deixando meio desequilibrados.


— Chegamos pro próximo round e dessa vez será pra valer, podem crer! — assegurou Austin armado com sua pistola Z tal como os outros.


— Ah, enfim chegaram os Power Patéticos. — disse Mason fazendo um aquecimento com os braços — Achei que tivessem recuado, teria sido uma escolha sábia.


— Vai achando que vamos arregar pra vocês, seus malas! — rebateu Tim.


— Prontos pra apanharem de novo? Vocês gostam de serem feitos de pano de chão. — implicou Flint estralando os dedos ao se aquecer para o embate.


— É melhor que estejam prontos também, pois dessa vez usaremos tudo que temos ao nosso dispor pra acabar com vocês! — avisou Austin.


— Hahaha, voltou cheio de pompa, hein Austin! Vai desejar ter ficado dormindo depois daquele colapso no seu morfador. — provocou Mason que parou de caminhar ao lado do parceiro, as duas frentes antagônicas a uma distância periclitante.


— Quando mostrarmos nosso máximo de poder vocês vão voltar pro Lokknon dormindo de conchinha surrados e acabados! — contrapôs Austin.


— Máximo de poder? Não vejo razão de nos desgastarmos tanto. — disse Mason — Uma luta no limite de nossos poderes pode causar mais estragos nessa cidade, não acham?


— O que tá pensando? — perguntou Jessie, rude.


— Vamos testar vocês e também nos testar em cada modalidade de batalha. Começando pelo mano a mano. Sem armas, só artes marciais. — propôs o Ranger Roxo.


— Tá aí que gostei da ideia. — disse Flint.


— Um combate só corpo a corpo... — disse Austin refletindo — Droga, logo quando decidi que íamos pra cima deles com tudo.


— Se não atenderem a nossa exigência, pediremos ao mestre Lokknon que nos torne gigantes pra espalhar mais destruição. — ameaçou Mason apontando para eles.


— Está bem, aceitamos! — disse o Ranger Vermelho falando por todos e se posicionando em combate — Amigos, tomem cuidado.


— Concedo a vocês o privilégio de atacarem primeiro. — desafiou Mason — Podem vir. — fizera um gesto de chamar com o dedo indicador direito.


Os heróis dispararam avançando valentemente contra a dupla. Austin saltou meio inclinado aplicando uma sequência de chutes em Mason, mas o Ranger Roxo, embora empurrado, defendia-se com os braços. Austin girou no ar voltando ao chão e quase dando rasteira, mas Mason pulara saltando para o lado oposto no instante que Austin levantou e aplicou um chute que o acertou na lateral da barriga e depois aplicou uma série de socos que não davam chance de rebater ou defender para em seguida girar e efetuar um chute potente que o mandou contra uma camionete.


— Austin! — disse Tim vindo com Damian para enfrentar Mason que resolveu debochar enquanto defendia-se dos socos e chutes de ambos em simultâneo.


— Se nem o líder de vocês deu conta de mim, por que vocês dariam? — questionou o Ranger Roxo que logo rebateu os golpes com chutes rápidos, primeiro em Damian e depois em Tim, os derrubando.


Flint lidava com as meninas, defendendo-se dos golpes que ambas desferiam simultaneamente o fazendo andar para trás. O Ranger Marrom deu um impulso para trás num só pé, deslizando num poste e subindo para girar no ar e por trás delas chuta-las nas costas ao mesmo tempo, as mandando direto ao chão a alguns metros.


— Você tá bem? — indagou Zoe ao lado da amiga caída de bruços tal qual ela.


— Minha coluna tá inteira. Foi tão rápido, nossos reflexos parece que foram superados!


— O que foi, garotas? Vão ficar aí como se estivessem pegando bronze na praia? — instigou Flint se posicionando ao combate.


— Que tal testarmos aquele movimento hein?


— Demorou! — topou Zoe, assentindo.


As duas uniram-se tocando uma a outra boa ombros lado a lado e se impulsionaram para frente com os pés mirados em Flint, logo o atacando com a sequência de chutes rápidos contra aos quais ele se defendia com os braços sendo empurrado. As garotas saltaram para ficar atrás dele, mas o Ranger Marrom virou-se e ativara sua técnica de invulnerabilidade, seu uniforme adquirindo uma camada metálica.


Liberou garras retráteis de urso das luvas. Encarnando seu animal, moveu-se em quatro patas contra elas, logo desferindo golpes eficazes que estouraram faíscas nas roupas de ambas, derrubando-as. Jessie mostrara mais resistência ao levantar depressa e tentar desferir chutes com giros, mas Flint agarrou o pé direito dela e a rodou inclinada para investir com as garras de urso jogando-a contra um poste.


— Ele ativou a técnica especial dele, isso é trapaça! — disse Tim enfrentando Mason ao lado de Austin e Damian. Mas a distração o fez tomar um chute no peito que o jogou meio longe.


— E vocês? Que tipo de técnicas têm? — indagou Mason. Austin e Damian o golpeariam com os punhos de ambos os lados simultaneamente, mas o Ranger Roxo saltou, fazendo-os atacarem entre si e caírem. Ao pousar, o infame Ranger resolveu utilizar sua técnica de autoclonagem, suas cópias saindo de sua direita e esquerda como vírus replicando.


— Disse que seria uma luta totalmente corpo a corpo, não tá cumprindo com sua regra! — disse Austin levantando.


— Exatamente. Mas não falei que podíamos nos proibir de usar nossas técnicas. — disse Mason — Ataquem!


As cópias avançaram contra o trio, realizando performances combativas semelhantes ao original que se misturou entre elas para confundi-los — especialmente Austin.


— Então isso tudo pra vocês significa um jogo?! — disse o Ranger Vermelho batendo nos clones com seus chutes e socos habilidosos.


— Vocês não prestam mesmo! — reforçou Tim esquivando dos golpes de três dos clones, mas acabou tomando golpes no peito e na barriga que o fizeram cair do corrimão de uma escada de concreto. As cópias desceram em saltos e o cercaram, logo o agredindo ao tirarem proveito de que ele estava caído — Socorro!


Damian era agarrado dos dois lados por clones e recebia socos no abdômen por outro.


— Nerds como você merecem ser tratados assim no colégio! — disse o clone agressor.


— Me larguem! — disse Damian tentando se desvencilhar dos clones com sua força bruta, mas seu esforço resistente enfraquecia pelo impacto doloroso dos golpes.


— Damian! — Austin correu para salva-lo, mas foi barrado por quatro clones que o cercaram e efetuaram golpes que o obrigaram a manter-se na defensiva. Mas quatro oponentes temente habilidosos enfrentandos ao mesmo tempo havia sido demais para acompanhar. O líder tomou golpes nas costas e na barriga, chegando a ser passado de um clone para outro.


— Não pense que encarar minhas cópias é como lutar contra Psycho-Bots! — avisou o verdadeiro Mason que veio saltando para aplicar um chute duplo em Austin que bateu contra o banco da praça e caiu rolando — Minha força é dividida a eles na mesma proporção!


— Eu já percebi! — disse Austin reerguendo-se — Mas isso não vai me fazer desistir! Iaaaa! — se direcionou até o adversário, destemido.


Damian passou a se agarrado pelas pernas sendo jogado sobre um carro que explodiu em faíscas. Austin confrontava o real Mason novamente, tentando acertar algumas golpe, mas o Ranger Roxo defendia com extrema destreza movendo tranquilamente os braços e sem sinais de recuo.


— Nenhum humano seria tão bom assim pra atacar e defender! Só mesmo um monstro!


— Tem razão, Austin. Mas saiba que sou muito pior que um monstro. — disse Mason que cansou da defensiva, agarrando os dois braços de Austin, logo realizando um movimento inédito — Já ouviu falar do ataque tesoura? É assim que se faz! — suas pernas se ergueram para prender o pescoço de Austin, o Ranger Roxo se movendo ágil para ficar acima dele — Só que do meu jeito é mais eficaz. — exerceu uma força nas pernas que tirou Austin do chão a partir do agarro no pescoço, depois forçando um giro para ficar de ponta a cabeça no ar e depois voltar a posição anterior soltando Austin que caiu sobre o solo de concreto esmagando-o com sua forma de corpo fixando.


Mason descera ficando sobre as costas do Ranger Vermelho sentindo pisar nele como uma barata.


— Aprendeu direitinho, Austin? Espero que não tenha quebrado nenhum osso, ainda quero vê-lo com todo gás na próxima fase. — disse ele,ogo saltando para trás deixando Austin amargar numa dor profunda nas costelas e no tórax na tentativa de levantar.


Na Central de Comando, Owen assistia consternado ao embate mal-sucedido para os amigos e tentou se impor contra a suspensão.


— Eu não aguento ficar aqui só de espectador desse desastre de luta. Tenho que estar lá, Sr. Dickerson, por favor, me dá uma chance.


— Owen, infelizmente não posso contrariar a decisão do comandante Leozor, qualquer pedido de autorização de minha parte será negado. — disse o mentor voltando-se a ele.


— Mas... Eles precisam de mim, esses caras vão fazer deles brinquedos até se cansarem de brincar. Não posso deixar isso acontecer.


— Vou ser bem honesto com você: se não quiser assistir, pode ir pra casa. Mas não sem antes me entregar seu morfador e sua célula.


Karen virou-se olhando com certo dó para o Ranger Verde.


— É uma decisão sua ou do comandante?


— É o protocolo que devo seguir. Sinto muito, não posso permitir que atue em campo, a suspensão de um Ranger exige que ele ceda seus itens de operação. — disse o explorador estendendo a mão direita — Por favor.


Owen baixou a cabeça, o olhar distante e entristecido pensando no quanto sentia-se inútil e impotente sem liberdade para auxiliar os amigos como sempre fazia na situações de apuros que ele podia solucionar como reforço. Do bolso da sua bermuda marrom, tirou sua célula e morfador, entregando para Dickerson sem mais questionar a ordem de suspensão.


— Você permanece com o comunicador pra ser avisado de quando tivermos o resultado da análise dos vídeos. Faremos o possível pra provar sua inocência, Karen e eu faremos isso com todo o empenho.


— Então acreditam em mim?


— Nós precisamos acreditar. — disse a tecnóloga — Sabemos que teve algumas dificuldades se adaptar à equipe e a liderança de Austin, mas isso não quer dizer que você potencialmente pudesse se aliar ao Lokknon por insatisfação.


— A menos que fosse controlado mentalmente por ele. — adicionou Dickerson.


— Era o que eu devia ter falado pra eles, eu nunca me juntaria com a gangue do Lokknon por livre e espontânea vontade só porque eu não me sentia especial o bastante por ser um Ranger com tanto poder. Eu nunca quis ser líder pra ter que ameaçar a vida do Austin. — falou Owen, aceitando melhor sua condição — Mas eles não voltarão a confiar em mim tão cedo.


— Foi um baque tremendo pra eles. — disse Dickerson deixando a célula e o morfador sobre a mesa de vidro — Pra mim e pra mim Karen também, mas nós dois estamos firmes na crença de que você honra com os princípios de ser um Ranger sem intenções egoístas.


— Obrigado pelo apoio, aos dois. Não podem mesmo fazer nada por eles?


— Esses dois impuseram condições pra limita-los enquanto os testam na medição de forças. — disse Dickerson aproximando-se do monitor principal — Tenho um novo recurso em modo de espera, mas... com a ameaça de serem gigantizados por Lokknon se não jogarem o jogo deles, melhor guardar pra outra ocasião. Não podemos subestimar a capacidade destrutiva em larga escala deles.


— Vamos entrar em contato assim que a análise for concluída. — disse Karen — Seja forte e não se preocupe, eles vão saber se virar.


—E fique na torcida pra encontrarmos rastros de uma I.A. nas filmagens. — acrescentou Dickerson.


— Valeu, eu nem sei como agradece-los pela confiança. Espero que descubram a farsa o mais rápido que puderem. Até mais. — disse Owen, logo apertando o botão de teleporte da pulseira, virando um pilar de luz verde que desapareceu.


Na nave de Lokknon, Mudok batia educadamente na porta escancarada do quarto de Aracna que chorava lamúrias deitada de bruços em sua luxuosa cama olhando-se no espelho cujo reflexo mostrava Arianne Webb no mesmo semelhante de pranto copioso.


— Se me der licença... Eu não vim incomoda-la, Aracna. Bem, de certa forma, sim. — disse o androide no limiar do recinto.


— Vai embora, Mudok. Eu não sei mais quem sou de verdade! Aracna ou Arianne? Quem sou eu? — questionava ela, chorando sofridamente.


— Uma hora você terá que parar com esse drama e sair desse quarto, pois o mestre precisará de nós dois juntos mais do que nunca.


— Eu não sei se vou ter coragem de sair daqui!


— Nem pra confrontar dois Rangers metidos que ele criou e que se autoproclamaram hoje como emissários fundamentais?


A princesa aracnídea reergueu a cabeça e o olhou por cima do ombro.


— Aracna, corremos o risco de sermos substituídos por aqueles fedelhos. Eles serão os futuros generais que levarão o mestre a vitória.


Num ímpeto de revolta, Aracna levantou-se.


— Não se evitarmos!


Paralelamente, no centro da cidade, ocorria uma breve pausa na luta entre Rangers.


— Austin, tá tudo bem? — perguntou Jessie indo ajuda-lo a levantar junto de Zoe.


— Depois de ser quase esmagado como uma formiga... Sim, eu tô bem. — respondeu o líder ainda sentindo as costas doerem um pouco.


Tim e Damian vinham em seguida.


— Aqueles clones fizeram eu sentir saudade dos meliantes do meu bairro. — comentou Tim sofrendo com dores pelo corpo após ser espancado pelo grupo de cópias de Mason.


— De um modo geral, esses dois estão me fazendo sentir saudade é do Chimerax, isso sim. — disse Damian tocando no ombro esquerdo ferido.


— OK, você disse tudo agora, amigão. — concordou o Ranger Azul.


Flint e Mason juntaram-se a uma certa distância segura para os oponentes, ambos com posturas altivas.


— Será que podemos chamar uma ambulância? — zombou Mason.


— Parecem bem debilitados como velhos caquéticos. — completou Flint a direita do parceiro.


— Pois saibam que mesmo perdendo essa primeira fase do joguinho trapaceiro de vocês, nós não vamos nos dobrar! — garantiu Austin firmemente, cerrando o punho dirieto levemente erguido.


— Mas nós não trapaceamos, seu otário. — contrariou Flint.


— Fui bem claro quando expliquei, eu não vou me repetir. Pensem o que vocês quiserem, estamos pouco ligando. — falou Mason — Vamos a próxima competência: velocidade.


— Tudo que precisarão fazer é tentar acompanhar nosso ritmo saltando a uma velocidade impressionante. — explanou Flint.


Austin decidiu impor uma condição favorável:


— Aceitamos o desafio com uma condição: irmos pra um local onde não hajam pessoas arriscadas a se ferir com a luta.


— Veja só, ele se acha no direito de nos forçar a condições. — rejeitou o Ranger Marrom.


— Não acho nada mal migrar pra um lugar mais amplo onde possamos ter maior liberdade pra ataques mais destrutivos. — disse Mason dando uma prévia da fase posterior àquela — É por ali que seguiremos! — apontou com o polegar para trás — Valendo!


A dupla virou-se e disparou velozmente em saltos por entre os prédios como borrões sombrios de energia.


— Mas que sem-vergonhas! — xingou Tim — Só escolheram aquela direção porque estavam na frente!


— Estamos esperando o quê? Depressa, temos que ultrapassa-los! — alarmou Austin. Os cinco logo saltaram supervelozes a fim de alcança-los. Os borrões saltantes da dupla maligna já se distanciavam da zona urbana. O quinteto se aproximou gradualmente deles saltando o mais rápido que seus corpos permitiam. Contudo, a aproximação não culminou em ultrapassagem.


— E vencemos! — disse Mason parando junto ao parceiro, deslizando no solo gramado de uma área campal repleta de rochas e vegetações baixas — De novo. — ambos viraram-se.


Os heróis chegaram dois segundos depois.


— Essa corrida foi muito injusta, devíamos ter dado largada alinhados! — protestou Austin.


— Terem vencido dessa maneira não provam que são mais rápidos! — reforçara Zoe.


— Sinto muito. Nosso jogo, nossas regras. — disse Mason provocador — Aceitem ou não.


— Eu não acho que o resultado seria diferente pra vocês, lesmas! — afrontou Flint — Parecem bem cansados depois de tomarem aquela surra.


— Então deviam ter nos desafiado pra esse teste de velocidade primeiro! — rebateu Damian.


— E que graça teria? — disse Mason que compartilhou uma risadinha de escárnio com o parceiro.


— Já chega! Se não dirão qual é a próxima fase, nós atacaremos na potência máxima! — ameaçou Austin — Eu não tô brincando!


— Eu sei que não está e nós muito menos. — retrucou Mason, confiante — Preparem-se para a terceira e última modalidade: uso de armas.


— Nossas armas próprias contra as espadinhas de vocês?! Hahaha, confiem que já ganharam. — falou Tim cantando vitória antes do tempo.


Ambos riram com deboche irritante.


— O que é tão engraçado? — perguntou Jessie.


— É que também possuímos nossas armas individuais, se não tinham deduzido. — revelou Mason — Emissor Ultrassônico! — invocou sua arma que parecia uma espécie de autofalante roxo que liberava pulsos de vibração sonora.


— Mangual Rompante! — bradou Flint chamando por sua arma que também era chamada de estrela do amanhã em épocas medievais, consistindo num cabo sustentando uma esfera metálica com espinhos.


— Aquelas espadas são pra eles o que as pistolas Z são pra nós. — constatou Damian.


— Eu já suspeitava. Muito bem, sabem o que fazer! Vamos lá! — disse Austin — Punhos Selvagens! — as duas armas surgiram nas suas mãos, o líder se posicionando.


— Garras Raptoras! — chamou Jessie por suas garras que surgiram ocupando suas mãos.


— Ferrão de Arraia! — num brilho rosa o ferrão surgia no braço direito de Zoe.


— Barbatanas Cortantes! — disse Tim chamando por suas lâminas curvas.


— Marreta Avalanche! — bradou Damian recebendo sua vigorosa marreta via teleporte.


— Dispersar! — mandou Austin. Os cinco se afastaram uns dos outros, correndo para diversos lados visando criar um cerco.


— Bombas Ferozes! — os canhões dos Punhos Selvagens destravaram, disparando lasers contra Mason. O Ranger Roxo saltou quando uma explosão de fogo ocorreu atrás dele, logo revidando com uma onda sônica do seu emissor que atingiu Austin em cheio o mandando contra uma rocha.


— Vamos ver se essa marretinha é boa de bater melhor que meu mangual! — disse Flint movendo sua arma de um jeito bárbaro para desferir um golpe efeito em Damian que se limitou à defensiva com a marreta, o choque das armas soando metálico com faíscas soltas.


— A sua arma faz isso aqui? — desafiou Damian ao usar o cabo da marreta em defesa, logo empurrando Flint e batendo fortemente a arma no solo, o abalo sísmico desequilibrando o Ranger Marrom. Uma rachadura se fez entre as pernas dele, logo abrindo-se para ameaça-lo de queda no abismo — ou de fraturar ossos da virilha.


— Aí, cuidado pra não rasgar a calça! — disse Tim lançando cortes das barbatanas ao saltar. 9 ataque recaiu sobre Flint como um raio, o levando a cair na fenda do solo.


— Essa não. — disse Mason ao ver que o parceiro foi abatido.


— Preocupado com seu amiguinho? — disse Zoe avançando contra ele ao manejar seu ferrão como uma espada, o Ranger Roxo esquivando sem nenhuma dificuldade.


— Essa agulha de crochê nunca vai encostar em mim! — insultou Mason, atacando com seu emissor. As ondas de pulso jogaram Zoe para longe com explosões de faíscas no uniforme.


— Se machuca minha amiga, eu machuco mais forte! — disse Jessie saltando e voando baixo, logo atacando com suas garras. Mason se dividiu em clones, alguns deles recebendo os cortes e desaparecendo como fantasmas feitos de fumaça roxa. Ao voltar para o chão, a Ranger Amarela seguiu retalhando os clones.


— Eu acho que não, loirinha. — disse Mason se fazendo de borrão para ataca-la em múltiplas partes em alta velocidade, o uniforme amarelo salpicando faíscas.


— Cadê você? — indagou ela, ferida. Mason reapareceu diante dela, mas quando Jessie atacaria novamente com as garras a imagem revelou-se uma ilusão. O original Ranger Roxo logo ressurgiu sobre seu antebraço direito de pés juntos, liberando as ondas do emissor que torturaram ela. Jessoe se ajoelhava, sofrendo a dor encefálica terrível das ondulações vibratórias — Ai... Como isso dói, para!


— E aí? Quem está sendo machucado agora?


Austin viera num salto com o punho diriero em riste, atacando Mason e o tirando perto de Jessie. Ao derruba-lo, colocou-se frente a Ranger Amarela.


— Jessie, você tá bem?


— Tô sim, Austin, valeu. Cuidado com essa caixinha de som dele, dá uma baita dor de cabeça!


Mason levantou rápido, posicionando-se.


— Cadê aquele seu outro amigo, o verdinho?


— Ele tá fora de cena, mas eu tô aqui pra te impedir de se aproximar dos meus amigos!


— Me impedir?! Conta outra! — disse Mason logo soltando uma nova dose das ondas vibrantes roxas do emissor contra as quais Austin avançou resistente tentando manter os pés no chão que se arrastavam em recuo afundando na terra gramada — É como atravessar uma tempestade de areia!


— Austin! — afligia-se Jessie. Tim e Damian ajudava Zoe a levantar.


— Damian e eu demos um jeito no chocolate estragado.


— Mas parece que o suco de uva vem dando bastante trabalho pro Austin e pra Jessie. — apontou Damian — Temos que dar cobertura!


Mas logo que os três dispararam a correr para prestar ajuda, o solo tremeu em torno deles. Eis que Flint emergia com destruição da terra girando feito uma broca e energizado com sua aura maligna na forma de urso. Ao pousar, preservar seu contra-golpe lançando a esfera do mangual, ligada a uma corrente saindo do cabo, diretamente contra Damian, mas apenas o desarmando.


— A minha arma é melhor, concorda? — implicou o Ranger Marrom que elevava sua aura.


— Grande coisa! Os manguais medievais também tinham essa funcionalidade! — minimizou Damian.


— Deixa a gente passar! — pediu Zoe, aborrecida.


— Só por cima do meu cadáver! — disse Flint preparando seu contra-ataque decisivo através de sua aura ferina.


— Qual é? Vai lançar um Kamehameha? — indagou Tim.


Flint enfim disparou a rajada de energia da sua aura em forma de urso, atingindo o trio que foi tirado do chão graças a explosão de fogo atrás. Austin tentava sofridamente avançar mediante as ondas potente do emissor de Mason, mas já não conseguia dar mais nenhum passo.


— O que eu faço? Eu tô me sentindo inútil aqui parada só vendo... — disse Jessie, apreensiva — Para com isso!


— Vem me fazer parar, loirinha! — disse Mason aumentando a carga de vibração das ondas. Austin tivera a ideia de baixar os punhos selvagens ao chão com os canhões destravados.


— Vamos ver se você aguenta essa!


— Disse alguma coisa? Sua voz tá meio esquisita falando dentro desse túnel ultrassônico que você não consegue atravessar.


— Bombas ferozes! — disse o líder disparando os tiros do canhão no solo de modo que a trajetória alvejasse Mason de baixo para cima. As duas esferas laranja cruzaram o subsolo rapidíssimo. Logo que Austin tirara os punhos do solo, os dois tiros explodiram sob os pés do Ranger Roxo que voou pela explosão de fogo.


— Morcego Púrpura! — disse Flint voltando-se para onde estava o amigo, logo saltando para perto dele — Admita, o colorado até que foi esperto pra te detonar.


— Cala essa boca. — retrucou Mason levantando-se — Eles ainda não viram nada.


— Somos cheios de truques sujos na cartola, né? Tá afim de testar o dois em um?


— É nossa única opção pra destruí-los.


Austin foi ajudado por Jessie a levantar.


— Tá tudo legal, Austin?


— Só meio zonzo, mas tá passando.


— Fiquei super mal em ficar só olhando. — lamentou ela.


— Sem problema, eu já tava com aquela ideia em mente assim que ele mandou brasa pra cima de mim. — respondeu o líder, recomposto. Os dois vieram depressa.


— Que a propósito foi sensacional. — elogiou Damian tocando-o no ombro a direita dele.


— Hehe, valeu, você também mandou super bem contra o urso esquentadinho. Estão bem?


— Tomamos uma bifa, mas continuamos firmes pra mais uma rodada! — disse Tim.


— Que bom ouvir isso! — disse Mason. A dupla havia combinado suas armas, o emissor ultrassônico ligado ao cabo do mangual rompante — Espero que gostem da novidade.


— Apresentamos o Demolidor Sônico! — disse Flint segurando a outra ponta.


— O que é aquilo? — indagou Zoe — E-eles juntaram as armas, é isso?


— Parece que sim, mas não vejo como isso pode funcionar. — disse Austin.


— Ah, vai funcionar sim. Sugiro que façam o mesmo com as suas. — disse Mason.


— Tá legal, você pediu! Galera, hora de combinar nossas armas! — determinou Austin. Os Rangers conectaram as armas, logo desencadeando a fusão que gerou o Abatedor Selvagem. O canhão duplo foi apontado a dupla.


— Agora! — bradou Mason que disparou uma grande onda sônica do emissor. Ambos viraram a arma, sendo a vez de Flint soltar a bola metálica espinhosa do mangual que ao atravessar a onda adquiriu uma proporção gigante em forma de energia marrom.


— Um, dois, três... Disparar! — bradaram os Rangers, o canhão duplo disparando. Mas os lasers laranjas não sustentaram o intenso cabo de guerra após a colisão, a esfera demolidora de energia prevalecendo sobre eles. Os Rangers foram tirados do chão com a tremenda explosão de fogo resultante do golpe inimigo ao ponto de caírem e desmorfarem em sincronia.


Dickerson e Karen entreolharam-se tensos.


— Eles tem que admitir que o Macro-Detonador teria promovido um duelo de forças bem mais equilibrado. — disse Karen.


— O impacto da ausência de Owen em batalha irá faze-los reconhecerem que há sim grandes chances dele ser inocente. — disse Dickerson que socou o painel abaixo dele — Droga, não era pra Bouk estar num trabalho externo, ele se tornou uma presa fácil. É lógico que com a tecnologia atual e todo o aprendizado com meu pai facilitariam pra ele construir morfadores e células excepcionais. Lokknon usou o conhecimento de um velho amigo pra me atingir psicologicamente e conseguiu, isso não vou perdoar nunca.


Na área campal, os Rangers reerguiam-se feridos em meio às labaredas.


— Ainda não acabou! — asseverou Austin.


— Não vou discordar. — disse Mason no alto de um rochedo junto à Flint.


— E agora? A gente já era? — indagou Tim.


— Estamos batendo em retirada estratégica. — disse Flint.


— Que estratégia vocês veem deixando escapar a oportunidade perfeita de nos destruir agora que voltamos as nossas formas civis? — questionou Damian resistindo as dores dos ferimentos nos braços.


— É bem simples: seria fácil demais elimina-los quando o que mais queremos é desafio até o último nível de nossas forças, ou seja, se não mostraram tudo que têm não vamos continuar interessados em lutar. — explicou Mason.


— Até mais, perdedores! — disseram em uníssono, ambos teleportando-se.


— Duas armas combinadas surraram cinco?! Cara, é nessas horas que... — disse Tim tocando no ombro ferido — Ah, deixa pra lá.


— Ia citar o Owen, né? — indagou Zoe — Sim, eu também acho que... ele devia estar aqui, teria feito uma grande diferença pra nós.


— Podíamos pedir formalmente ao comandante Leozor que revogue a suspensão temporariamente. — idealizou Damian.


— Não. — contrariou Austin virando-se aos amigos — Eles ainda não provaram do modo Fúria Animal e a forma Super. Vamos contar que podemos derrota-los com isso. Estão comigo? — Jessie e Tim assentiram — Zoe, Damian... Por favor. — ambos relutantemente deram meneios positivos de cabeça — O Owen não pode voltar pra gente enquanto ele não provar sua inocência. É a ordem do Leozor, não tem jeito.


Na nave de Lokknon, o clima era de celebração pura entre o imperador e seus dois bravos asseclas que haviam removido os capacetes.


— É maravilhoso o quanto de satisfação vocês tem me dado até aqui!— disse Lokknon bebendo seu licor na taça de pé acompanhado dos seus Rangers que tomavam em latinhas uma bebida gaseificada de outro planeta.


— Nós que agradecemos pelo encorajamento, milorde. — disse Mason.


— A gente tá adorando as recompensas pelos nossos feitos gloriosos, mestre. — disse Flint — O que estamos bebendo exatamente?


— Ah, isso é uma bebida revigorante que os manterá em total estado de alerta antes, durante e após as batalhas contra os Rangers.


— Eu diria que a próxima batalha será a última deles. — disse Mason — Não tenho bola de cristal, mas consigo prever a derrota humilhante daqueles idiotas se não mostrarem todo o poder que possuem.


— Sua expectativa me anima, Mason. — disse Lokknon passando por entre eles — Mas o aviso que vou dar vale aos dois: não os subestimem, ainda que estejam claramente num nível muito superior. — virou-se a eles com ar professoral — Poder não é determinante para haver um vencedor. Uma estratégia de combate deve sempre ser levada em conta, não esqueçam.


— E o que ganhamos pela vitória de hoje, mestre? — indagou Flint — Só essas bebidas?


— Hum, vejam. — disse Lokknon apertando um botão do controle remoto do visualizador mutifocal. A tela exibia dois animais mecânicos, um morcego e um urso, versões virtuais que giravam lentamente para dar uma visão 360⁰.


— São nossos zords. — disse Mason — Quando poderemos usa-los? Hoje?


— Por ora, hoje não. Devem se resguardar ao momento certo, não querem parecer que estão desesperados em provar que são os mais fortes. — disse Lokknon — Agradeçam a Mudok, ele que se desdobrou para construí-los.


A dupla ergueu de leve suas latas ao androide como um gesto de gratidão. Mudok acenou com a cabeça ao lado de Barooma.


— Com essas novas peças de batalha, vocês farão frente ao pobre Megazord dos Rangers, os esmagarão como essas latas, hahahaha.


Flint e Mason entreolharam-se com sorrisos malévolos, ambos amassando suas latinhas. Aracna surgiu de repente atrás de Mudok e Barooma.


— Reunião na minha sala agora. — disse ela convidando os colegas. Os dois a seguiram sem objeções, virando as costas para a confraternização de Lokknon e seus novos queridinhos.


Já na sala particular de Aracna, a princesa aracnídea apoiou as mãos na sua mesa digitalizadora como a mediadora da reunião.


— Estamos no início de uma crise seríssima. — disse ela.


— Está soando como a comandante de um motim. — disse Mudok.


— Planeja se rebelar contra o mestre por conta do favoritismo dele por aqueles dois? — questionou Barooma.


— Não é nenhum motim ou rebelião que Mudok e eu estamos tramando. — contrariou ela revirando os olhos com irritação — Mas uma expressão do nosso valor pra que o mestre não esqueça que nós ainda temos serventia pra acabar com os Rangers.


— E que utilidade vocês teriam pra ajuda-los?


Aracna respondeu com simpatia forçada para o cientista:


— Lembra dos presentinhos que você nos reservou? Eu acessei os arquivos e vi que você não deu nenhum acabamento na pintura e...


— Você bisbilhotou os arquivos dos maquinários que projetei?! Aracna, essa invasão é inadmissível, que isso nunca mais se repita!


— Tá bom, não precisa ficar soltando fumacinha pelas orelhas. Tudo que fiz que foi concluir seu trabalho com meu toque artístico. Vejam. — disse Aracna que logo apertou um botão da mesa. Figuras holográficas surgiram no centro da mesa, mais precisamente dois robôs feitos em alusão direta a Aracna e Mudok.


— Acho que essa sensação que relaxa meus circuitos é alívio. — disse Mudok aprovando os visuais — Bom trabalho, Aracna. Talvez seja a primeira e última vez que digo isso.


— Mas não creem que o mestre ficará aborrecido se intervirem numa luta reservada para Flint e Mason? Eles possuem regalias como se...


— Como se o mestre tivesse certeza de que eles são o bastante pra exterminar os Rangers do Dickerson. — completou Aracna ao interromper — E sabe o que vem depois, Barooma? Nós três descartados, esnobados e chutados desta nave como lixo espacial. E então? Você vai liberar ou não esses robôs?


Barooma soava nervoso com a aterradora previsão.


— Se estamos ameaçados de sermos substituídos, então posso programar os robôs para entrarem em modo de operação quando Flint e Mason atacarem a Terra com seus zords!


— Isso! Barooma, sabia que podíamos contar com você! — disse Aracna o abraçando.


— Pare com esse contato físico exagerado! Mas fico satisfeito de ver que se curou da disforia de imagem!


— Eu desencanei de fingir ser quem nunca fui de verdade. — disse Aracna dando de ombros — Arianne Webb se foi. Aracna voltou com sua essência e beleza naturais. Gosto mais de mim mesma como realmente sou. — olhou-se num espelho de mão, dando um beijo para si mesma.


Na Cantina do Earl, na tarde daquele dia, Owen entrava na espera de encontrar os Rangers, mas não viu nenhum deles. "Poxa, não estão aqui... ", pensou. Mas reparou em duas presenças indesejáveis sentadas numa mesa. "Ah não, aqueles canalhas vieram pra cá..."


Sem se retrair com a dupla, ele seguiu até o balcão para falar com Earl.


— Aí, Earl, sabe me dizer se a galera passou por aqui agora há pouco?


— A Jessie e a Zoe vieram no meio do dia, mas resolveram tomar chá de sumiço em vez de vitamina de banana. Os garotos... Não, nenhum deu as caras. Vai querer alguma coisa?


— Não, hoje não. Valeu. — disse Owen que saíra meio cabisbaixo.


— Ergue essa cabeça, otário. — disse Mason dando um tapa leve no rosto do fotógrafo. O som da bofetada chamou a atenção de Earl que olhou sério para eles — Sabia que faz mal pra coluna andar assim que nem um zumbi? — Flint rira maldosamente da piada.


— O que vocês querem de mim?


— Sei lá... Talvez sua cara de choro pedindo pra mamãe vir te salvar. — disse Flint, zombeteiro — Unhé, unhé. — imitava um bebê com gesto de lágrimas com as mãos fechadas.


— Ei, agora lembrei: esse daí é filho de pai solteiro. — disse Mason rindo com desdém — Onde é que tá a sua mãe?


— Deve ser boazuda.


— Ela te rejeitou, foi? Ou pôs chifres no seu pai?


Owen controlou sua raiva, os encarando mordaz com olhos semicerrados.


— Fiquem longe dos meus amigos, seus palhaços.


— Senão o quê? Vai, fala. — pressionou Mason inclinando-se para ele.


O Ranger Verde reparou nas pulseiras que ambos usavam.


— E essas pulseiras? Onde compraram?


— Quer saber disso por que? — devolveu Mason cobrindo a pulseira com a manga da blusa moletom roxa.


— Não é da sua conta, mané. Vamos sair fora, Mason. O curioso aí quer dar uma de Sherlock Holmes pra cima da gente.


Os dois andaram esbarrando nos ombros de Owen e seguiram até a saída.


— Podem apostar que eu quero sim.


Earl viera até ele solidário.


— Ei, loirinho, cê tá legal?


— Ahn... Sim, claro, eu tô bem. Eu não tenho medo desses malucos. Confesso que eles me fazem até gostar do Brock e do Stuart. Pelo menos eles nunca incendiaram uma escola.


Flint e Mason receberam chamados pelos comunicadores nas pulseiras pouco depois de saírem da cantina.


— Mason na escuta, mestre Lokknon.


— É tempo de vocês viverem uma experiência no meu simulador de treino. O que me dizem?


— Convite aceito, mestre. — disse Flint.


— Estamos indo. — disse Mason, logo encerrando o contato — Devemos contar ao mestre sobre o Ranger Verde, estamos sob suspeita.


— O mestre saberá contornar isso da melhor forma para proteger nossas identidades.


Seguiram andando pela calçada com semblantes sisudos até um ponto onde pudessem teletransportar discretamente.


***


Na manhã seguinte, era dado início a operação de Flint e Mason para inaugurarem seus zords, o Morcego Púrpura e o Urso Pardo, os quais saíram da nave de Lokknon como estrelas cadentes com suas respectivas cores em luzes diretamente à Terra. Surgiram na metrópole da Alameda dos Anjos já causando grande estardalhaço e pânico generalizado.


— Hora do nosso show de horrores, parceiro. — disse Mason pilotando seu zord voador que foi disparando ondas vibratórias dos emissores nas asas, destroçando com prédios.


— Mal posso esperar pros idiotas coloridos virem achando que batem de frente! — falou Flint que fizera seu zord correr disparando bolas de ferro espinhosas e explosivas, deixando um rastro de destruição para trás.


Mudok e Aracna caminhavam por uma parte da oficina do androide que dava acesso à área de testes de maquinários de grande porte. Nela estavam os robôs programados por Barooma e definidos para a dupla. Ambos saltaram para adentrar nos cockpits, logo fechando as cúpulas das máquinas humanoides após se acomodarem. Se dirigiram a Terra, caindo de pé com impacto na mesma zona dominada por Flint e Mason.


— Que brinquedinhos são esses? — indagou Mason — Identifiquem-se!


— Aqui é a Aracna, pronta pra arrasar!


— Aqui é o Mudok, nada irá me frear!


— Seus intrometidos, a missão de destruir os Power Rangers cabe somente a mim e a meu parceiro! — contrapôs Flint.


— A elite do exército do mestre não se resume a vocês dois! Também vamos participar da festa! — disse Aracna, o pulso firme.


— Combinem seus zords quando os Rangers chegarem. — disse Mudok — Enquanto isso não ocorre, vamos propagar a destruição nessa cidade estúpida!


Os robôs não-convidados a festa disparavam lasers destrutivos e explosivos. Durante a saída do colégio, os Rangers foram contatados, a turma indo para onde situavam-se os banheiros.


— Na escuta, Sr. Dickerson. — disse Austin ao atender.


— Flint e Mason estão novamente atacando a cidade, mas dessa vez... com seus próprios zords. E não só eles, Aracna e Mudok também possuem robôs de batalha. Será um desafio redobrado pra vocês, aguentem firme.


— Caramba... Tudo bem, já estamos a caminho. — disse Austin logo encerrando a chamada — Nossos problemas acabaram de aumentar.


— Quadruplicar, aliás. — disse Damian.


— Será que aguentamos a barra sem o Owen? — indagou Jessie.


— Vamos descobrir na prática, não temos escolha. — disse Austin — Prontos? Já.


Se teletransportaram para a área afetada e lá morfaram. Os robôs de Aracna e Mudok dividiam a onda de destruição com os Rangers Roxo e Marrom, as duas frentes meio distantes. Os heróis observaram o caos do terraço de um prédio, a devastação de todos os lados.


— A cidade virou uma zona de guerra! — apontou Zoe.


— Eu duvido muito que Lokknon tenha deixado Aracna e Mudok somarem forças com eles. — disse Damian.


— Vai ver ficaram com ciuminho deles que devem estar ganhando bem mais atenção do Lokknon! — adicionou Tim.


— Não há tempo a perder, galera! Precisamos do poder Megazord agora! — bradou Austin.


As máquinas animais vieram ao combate. Após saltarem aos cockpits, os Rangers sacaram suas próprias chaves.


— Chaves de Comando! — inseriram e giraram — Ligado!


— Sequência Megazord, ativar! — acionou Austin. Os zords conectaram-se, logo formando o Megazord Z que pousou frente aos zords da dupla de Rangers maléficos — Nem tentem nos convencer de que podem formar um Megazord com apenas dois zords.


— Só acredita vendo, é? Então veja. — disse Mason — Urso Pardo, agora!


— Ativar conexão Megazord! — disseram em uníssono. Os dois zords se desfaziam em montagem, o morcego virando o corpo para dar forma a cabeça e o torso liberando os braços nas laterais enquanto o urso se dividia para formar as pernas. As duas partes ligaram-se verticalmente, formando um robô esguio e de uso prático — Gigante Cavernoso Megazord!


Aracna e Mudok aproximavam-se com seus robôs formando um cerco ao Megazord Z. Uma batalha de três contra um estava prestes a se deflagrar com alarmante incidência de danos estruturais a cidade.


CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO!


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