Power Rangers: Esquadrão Z

49 A Verdadeira Fúria Selvagem (Parte 2)


Notas iniciais
Sinopse do capítulo: O chefe da Intercorp notifica Dickerson do desaparecimento de um tecnólogo de sistemas e as peças vão se encaixando. Flint e Mason atacam a cidade com seus zords. É levantada a hipótese de um traidor entre os Rangers que teria plantado o morfador falso no momento em que Austin foi recupera-lo. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!


Dois dias depois


Era o início de uma das manhãs mais ansiosamente esperadas, a fase final de provas do ano letivo que, por sinal, para o 6⁰ ano-A fora antecipada pelo diretor Brewster, uma notícia que causaria o maior frisson entre os alunos que entrariam de férias mais cedo. Jessie sentiu o coração palpitar ao ver Mason próximo quadra ao ar livre terminando de jogar basquete com alguns garotos do 6⁰ ano-B.


— Vocês vão perder da próxima vez, seus otários! — disse ele parecendo ter sido expulso do jogo.


— Mason, bom dia! — disse a Ranger Amarela aproximando-se dele com toda sua simpatia.


— Bom dia é o escambau, sai da minha frente. — devolveu ele grosseiramente, andando a passos largos.


— Ô Mason, peraí, o que foi? Tá zangado comigo por que? Não fiz nada, só te cumprimentei.


— Pois eu não preciso ser cumprimentado, principalmente por garotas emocionadas como você que se assanham pro primeiro garoto bonito que veem. — disse Mason com ar infame.


— Como é? E-eu não tô entendendo... Que bicho mordeu você, Mason?


— Ah, não entendeu, é? Quer que eu te faça um desenho pra ficar mais fácil?


Jessie estourou sua paciência, fechando os olhos por um segundo para dar sua tréplica.


— Olha aqui, eu não sou desse tipo que você tá me acusando. O que significa isso? Ontem você parecia ser um...


— Cara legal? Ah, que pena, eu te fiz cair direitinho no meu charme de amiguinho gentil. Todos caem feito patinhos nesse truque, é bom ver que ainda funciona.


— Você e o Flint pagaram a nossa conta lá no Earl na maior boa vontade. — disse Jessie expressando confusão com a mudança brusca no comportamento do novato.


— E eu me arrependo disso, se quer saber. Eu não tô nem aí pra você e seus amigos debiloides que riem de qualquer piadinha idiota.


— Não fala assim dos meus amigos! Olha, quer saber? O Earl bem que me avisou pra não me envolver com você e o Flint! Como fui ser tão ingênua de me aproximar de um transferido que causou um incêndio numa escola?


A Ranger Amarela saiu bufando em raiva e indignação pelo tratamento desagradável por Mason que a observou com um sorriso de canto cínico e um olhar malicioso, suas pupilas piscando um brilho roxo. Flint foi avistado por Zoe arrumando seu armário. A Ranger Rosa sorriu consigo mesma meio tímida e foi aproximando-se com passos nervosos.


— Oi, Flint, eu queria te perguntar se...


— Vê se não me enche, falou? — disse ele, batendo a porta do armário ao fechar — Não tenho saco pra aguentar gente boazinha.


— O quê? Err, espera... — disse Zoe se pondo diante dele — Eu só ia te convidar pra um próximo happy hour no Earl hoje. Você e o Mason estão afim de ir?


— Pra quê? Pra vocês se aproveitarem da nossa grana como ontem? Tô fora! Sai da frente se não quiser que eu te atropele.


— O que é isso, Flint? Por que tá sendo grosseiro desse jeito? Não quisemos nos aproveitar, foram vocês dois que se ofereceram pra pagar, caso tenha esquecido.


— E caso você tenha esquecido, mocinha, eu sou um transferido desordeiro e mau encarado que foi expulso de tanto aguentar ser pisado como um tapete por um bando de adultos que me viam como uma aberração.


— Eu não sabia que tinha gente naquele colégio que te fazia se sentir mal, eu... sinto muito.


— Ah, sente muito, Zoe? É tudo que garotas fracas e molengas como vocês sabem dizer, né? — disse Flint, sua aproximação a deixando tensa ao ponto de recuar para se encostar nos armários.


— Flint, para com isso, não fala assim comigo, tá me assustando.


O novato bateu sua mão direita numa porta do armário e a manteve nela para intimidar Zoe que se sentiu encurralada e amedrontada.


— Eu falo do jeito que eu quiser com quem eu achar que merece! No seu caso, uma garota inútil, fraca e que não se sabe se defender sozinha tem mais é que ser tratada assim mesmo. E adivinha: eu não dou a mínima. — disse ele arqueando as sobrancelhas com um olhar maldoso.


— Flint, deixa ela em paz. — disse Jessie, vindo com seriedade, para o instantâneo alívio da amiga — Se mexer com ela de novo...


— Vai fazer o quê, fiel escudeira? Me bater?


— Se for preciso, pode apostar que sim. — disse Jessie, impondo-se ao dar dois passos a frente — Nos meus amigos você e o Mason não tocam.


— Hum, tá apostado. Vamos ver quanto você segura vendo eu infernizar um monte de gente nessa espelunca que chamam de colégio. — disse Flint ousadamente antes de virar as costas e seguir.


— Zoe, ele te machucou? — amparou a amiga.


— Não, eu tô legal. Você citou o Mason... Ele também te maltratou?


— Sim e de graça. O Earl tinha me avisado há dois dias, quando eles racharam a conta pra gente.


— Pois é, você ia contar alguma coisa que ele tinha falado a você sobre eles. O que era?


— Eles foram transferidos por conta de... um incêndio no colégio onde estudavam, eles mesmos fizeram isso, até viraram notícia no jornal, mas parece que ninguém deu muita bola.


— Pra você ver como esses casos de estudantes que se revoltam contra todos por algum motivo pessoal ficaram tão comuns que ninguém mais se importa. — lamentava Zoe — O Austin tava certo. — relembrou, encostando-se no armário ao lado direito da amiga — Transferidos não são confiáveis.


Após o toque do sinal e todos os alunos sentarem em seus lugares, o diretor Brewster veio a sala do 6⁰ ano-A proferir um importante comunicado e fazer uma tremenda surpresa.


— Muito bom dia, crianças, espero que estejam com a corda toda para o início das provas finais.


— Ei, cadê a Srta. Webb? — indagou um garoto de ascendência asiática na primeira fileira.


— Lamento informa-los de que... Arianne Webb não faz mais parte do nosso quadro de funcionários.


— É o senhor que vai nos dar aula hoje, diretor? — perguntou Tim.


— Não, Dixon, na ausência de um professor não me compete assumir a função interinamente.


— Ah bom. — contentou-se o Ranger Azul que logo se curvou para o lado esquerdo a falar com Damian — Aí, Damian, o que é interinamente?


— Devo informa-los de que a Srta. Webb pediu demissão enviando uma carta ao Conselho. — revelou Brewster, a informação absorvida com espanto pelos alunos.


— Por que ela se demitiu? Estávamos começando a gostar dela. — disse Cindy.


— Diretor, a Cindy não fala por todos nós. — contrariou Jessie — Estávamos nos acostumando a ela, é bem diferente.


A patricinha virou o rosto para encarar a rival com olhar raivoso semi-cerrado. Jessie retrucou com uma careta mostrando a língua.


— O motivo do desligamento de Arianne é por problemas de saúde. A mesma razão alegada pela Srta. Paddleton que por sinal... — o diretor logo gesticulou para uma pessoa entrar.


A professora legítima fizera uma entrada celebrada por toda a classe. Ela se aproximou do diretor sorrindo simpática aos seus alunos.


— A boa filha à casa torna. — disse Brewster.


— Seja muito bem-vinda de volta, Srta. Paddleton. — felicitou Austin.


— Obrigada, Austin. Logo você um dos alunos que mais puxo a orelha sendo tão receptivo comigo, fico muito grata mesmo, continue assim.


— Que estranho, ela não parece se lembrar que eu a resgatei. — comentou Austin com os amigos Rangers.


— Vai ver a palhaça da Aracna resolveu apagar as lembranças dela sobre o tempo que ficou presa. — disse Jessie a frente dele em tom baixo.


— Eu não duvido nem um pouco. — falou Zoe.


— Um aviso de grandíssima importância, meus jovens: devido ao fato da Srta. Paddleton ter passado por uma pequena cirurgia recentemente e ainda estar se recuperando, as provas finais para o 6⁰ ano-A foram adiantadas em uma semana. Sabem o que isso quer dizer?


— Que as férias de verão vão começar mais cedo pra gente?! Iuhuuu! — comemorou Tim animadamente, levantando oa braços.


— Mas não quero que a expectativa pelas férias os façam dar menos valor a essas provas que serão as mais desafiadoras do ano, então preparem-se e se organizem. — disse Paddleton.


— Olha aí que ironia do destino, temos que ser gratos a Aracna. — disse Austin.


— Mas ela não saiu como boazinha disso. — contrariou Jessie.


— Ainda paira o mistério do que ela realmente almejava conseguir com o disfarce. — salientou Damian.


— Obrigada pela recepção, diretor, sou muito grata a todos que compreenderam minha situação difícil. — agradeceu Paddleton tocando Brewster no ombro — Seguirei firme até o fim, não se preocupe.


— Está certo, é ótimo tê-la de volta, sei que continuará fazendo o excelente trabalho. Até mais, crianças. — disse o diretor, logo saindo da sala.


— Arianne me repassou todos os conteúdos estudados no período que estive fora. Faremos uma revisão preparatória às provas. — disse a professora pegando o giz e escrevendo no quadro um roteiro de revisão de conteúdo.


Owen notava o quanto Flint e Mason estavam distantes no fundão perto de Brock e Stuart. O fotógrafo mirim olhou para trás os fitando sério.


— Por que os calouros estão sentados no fundão hoje? — indagou Owen aos amigos em voz baixa.


— Ahn, agora que você falou... — disse Austin dando uma olhadela para trás — O que eles tem? Ficaram frios e distantes do nada, nem falaram conosco.


— Aconteceu que você tinha razão, Austin. — falou Zoe meio triste.


— No intervalo eu conto pra vocês o que rolou de verdade pra esses dois serem expulsos. — prometeu Jessie que deu uma olhada de soslaio para Mason. O novato deu uma piscadela para ela com uma expressão de sorriso canalha. A Ranger Amarela manteve a sisudez no rosto e virou-se para prestar atenção na aula.


Na Central de Comando, Karen detectava uma anomalia no sinal do morfador de Austin.


— Isso tá me intrigando desde ontem a noite. — disse a tecnóloga vidrada no seu monitor.


— O quê? Algum problema? — indagou Dickerson aproximando-se.


— O sinal do morfador do Austin está instável, a conexão num ciclo de queda e retorno a cada 30 segundos. E ele nem teve gastos significativos de energia lidando com aqueles supostos Rangers do Lokknon, sequer lutaram.


— Seja lá o que for, vamos chama-lo alguma hora pra fazer uma manutenção rápida. — definiu o mentor, não crendo ser algo grave.


Durante a saída do colégio, Zoe corria para chamar a atenção de Flint que andava ao lado de Mason a uma certa distância.


— Flint! Flint, espera! — disse ela descendo a escadinha da entrada, mas logo desistindo ao vê-los dobrarem a esquina — Droga...


— Zoe, o que você tava tentando? — indagou Jessie vindo com os garotos — Não insiste, deixa o Flint pra lá.


— Verdade, esses caras não prestam. Esse Flint é muito fanfarrão, te humilhou a troco de nada. — disse Owen — Ah, se eu estivesse lá na hora...


— Você teria levado uma bifa bem no meio das fuças. — falou Tim — O cara pode ser meio magrelo, mas é sinistro, eles não são amadores que nem o Brock e o Stuart.


— Eles nos enganaram bem, mas não vamos desafia-los. — disse Austin — Se eles não mexerem conosco, a gente não mexe com eles.


— Mas aí é que mora o perigo. — disse Damian — Se os ignorarmos, eles vão tentar nos chamar atenção de qualquer modo. Teremos que reagir de um jeito ou de outro.


— Não seriam loucos de fazer algo pra nos ferir ou causar uma confusão enorme pra serem expulsos de outra escola. — declarou Austin.


O alerta na Central de Comando soara, levando Karen a rastrear o ponto de origem da ameaça.


— Dickerson, olha aqui! — chamou a tecnóloga, o mentor logo vindo até ela — São os mesmos sinais anômalos daquela noite.


— E onde estão situados?


— Aqui, vem da pedreira Johnson. Estão se movendo a uma velocidade absurda. Essas energias estranhas que eles emanam impedem uma visualização monitorada.


— Os Rangers já devem ter saído do colégio. Contate eles agora. Saberemos quem são esses dois encrenqueiros. — mandou Dickerson na ânsia de descobrir com clareza os inimigos.


Os comunicadores tocaram, forcando o sexteto a se mover rapidamente para o limiar do bosque, ficando escondidos entre as folhagens. Após verificar se ninguém os observou, Austin atendeu o chamado:


— Na escuta, Sr. Dickerson.


— Os inimigos misteriosos voltaram, mas dessa vez eu receio que querem servir o prato principal depois daquele aperitivo indigesto. — disse Dickerson — Estão na pedreira Johnson, vocês irão para lá quando se teletransportarem.


— Criaram coragem pra sair a luz do dia? Beleza, já estamos a caminho. — disse Austin que logo encerrou o contato. Sacou sua célula e morfador junto aos demais — Prontos? É hora de morfar!


— Touro Ônix!


— Tubarão Cobalto!


— Gorila Esmeralda!


— Arraia Rósea!


— Águia Flavescente!


— Leão Escarlate!


Os Rangers surgiam correndo na pedreira, um local rochoso de espaço amplo numa zona desabitada promovendo o cenário ideal para uma luta satisfatoriamente aberta e direta.


— E de novo se esconderam! — reclamou Jessie.


— Não sejam tímidos, seus otários! — provocou Tim — Venham aqui pra levarem a chuva de troco que temos pra dar!


Dois raios, um roxo e outro marrom, veio sobre eles, recaindo de forma explosiva ao ponto de tira-los do chão. Os heróis caíram após a explosão de fogo tremenda.


— Isso não é querer uma luta as claras... — disse Owen levantando.


— Esse joguinho de se ocultar já saturou... — falou Damian também reerguendo-se.


Duas auras naquelas cores caíram como meteoros ao chão causando uma explosão de poeira. A dupla de Rangers filiados a Lokknon finalmente se expunha com seus uniformes e capacetes revelando-se gradualmente em meio a poeira dissipando.


— E não é que são Power Rangers mesmo! — disse Tim, absimado.


— Não são Rangers, são impostores. — corrigiu Austin.


— Eles tem senso de imponência. — disse Damian.


— E um gosto meio duvidoso pra cores. — comentou Jessie.


— Como foi que o Lokknon conseguiu criar dois Rangers em tão pouco tempo? Achei que o acesso a rede de morfagem fosse exclusivo da Intercorp e outros mentores de Rangers. — dissera Zoe, ávida por respostas.


— Apenas o mestre Lokknon tem o direito de dizer se somos ou não Rangers. — disse o de roxo falando com uma voz cavernosa e sintetizada.


— Comparados a nós, vocês não passam de lixo que teremos o imenso prazer de varrer. — insultou o de marrom no mesmo tom de efeito vocal.


— Aí, camarada, já contou quantos somos? — desafiou Tim.


— Maior número não significa maior chance. — retrucou o roxo.


— Ah não? Então nos digam como! — falara Austin, impaciente.


— A gente prefere mostrar na prática. — disse o marrom.


— Espadas Nitox! — disseram em uníssono invocando espadas negras dentificadas. A dupla avançou ferozmente em alta velocidade, atacando os heróis no esquema parecido com o da noite do primeiro encontro. Os Rangers recebiam os ataques velozes sem chance de driblar ou defender. A dupla passou para o lado oposto de costas ao heróis posando com suas espadas enquanto o sexteto faiscava de dor.


— É a nossa vez... de mostrar do que somos capazes! — disse Austin virando-se — Rangers, atacar! — os seis avançaram, Austin, Tim e Owen combatendo o Ranger Roxo na tentativa de desferir socos ou chutes, mas que o oponente defendia e esquivava com impressionante habilidade.


Damian e as meninas enfrentavam o Ranger Marrom que após defender-se de alguns chutes delas desferiu um golpe com a espada as derrubando com faíscas no uniforme. O Ranger Preto sacou a pistola Z disparando contra ele, mas o oponente virou-se usando a espada para rebater os tiros que estouraram faíscas dos lados. Jessie e Zoe saltaram para um chute quádruplo contra o qual ele defendeu-se somente com a espada sendo empurrado com os pés arrastando em um único metro.


— Vamos, não batam como garotas! — provocou ele, logo emanando sua aura em forma de urso que liberou contra elas as mandando para longe com explosões de faíscas ao redor.


— Jessie! Zoe! — disse Damian, preocupado.


— Sua hora chegou, mané! — disse o Ranger Marrom reativando sua aura para energizar a espada e com a ponta virada para o chão a bateu lançando uma onda de raios que atingiram Damian causando uma forte explosão de poeira atrás dele e nos lados.


O Ranger Roxo lutava contra Austin e Tim que procuravam chuta-lo efetivamente com giros, mas o adversário logo emanou sua aura em forma de morcego como uma barreira elétrica que os repeliu, logo a mandando contra ele que voaram meio longe com faíscas explodindo intensas aos lados.


— Não vão pensando que parei por aqui! — disse o Ranger Roxo que desferiu cortes de luz púrpura da espada, atingindo Austin e Tim em pleno ar e provocando uma explosão de fogo atrás deles.


— Colete Zoomorph! — disseram ambos, as proteções corporais surgindo nos trajes.


Após derrubar novamente as meninas, o Ranger Marrom notara Owen num rochedo prestes a lançar uma pedra enorme sobre Mason.


— Lá vai pedra! — bradou o Ranger Verde chutando a rocha contra o Ranger Roxo.


— Cuidado! — disse o marrom logo saltando para perto do amigo e chutando a pedra do tamanho de um carro de volta a Owen que esquivou para o lado antes que a rocha espatifasse despedaçando com poeira levantada.


— Ei, não precisava ter me salvado, aquela pedra ia se partir assim que encostasse em mim!


— Mais fácil em mim do que em você! — retrucou o marrom.


— O casalzinho vai brigar agora? — zombou Tim — Barbatanas Cortantes!


— Punhos da Selva! — disse Austin invocando sua arma e avançando. Tim atacara primeiro num corte em X em colisão ao corte da espada Nitox do Ranger Marrom, ambos explodindo no impacto. Saltaram um contra o outro, duelando com a lâminas em ritmo veloz em pleno ar. O marrom desferiu um corte no colete de Tim que o derrubou a cair impactante no solo rochoso.


Austin socava com seus punhos da selva aceleradamente, mas o Ranger Roxo defendia-se de todos eles num ritmo que acompanhava estando tranquilo.


— Estamos lutando ou brincando de adoleta? Que patético! — insultou ele logo batendo nos braços de Austin de modo a ergue-los e garantir abertura para um golpe de duas mãos juntas energizado numa chama roxa aplicado no peito protegido pelo colete. Austin foi empurrado e jogado longe, o ataque produzido uma onda vibratória — Onde estarão os outros? Se esconderam de medo?


Procurou por entre um conjunto de rochedos. Parou para utilizar sua técnica de ecolocalização a fim de detectar seus alvos, as ondas de sonar vibrando ao redor da sua cabeça num giro de 360⁰. Owen disparou o tiro do seu Macro-Detonador de um morro, o Ranger Roxo logo virando-se e desferindo um corte da sua espada que explodiu o tiro no ar.


— Ele destruiu o ataque do Macro-Detonador com um só golpe daquela espada, caramba!


— Faltam vocês aparecerem, gatinhas. Vamos lá, não tenham medo. — disse o Roxo sabendo exatamente onde elas estavam. Jessie e Zoe surgiram já com seus coletes Zoomorph atacando com suas armas individuais.


Primeiro Jessie que moveu rapidamente com suas garras raptoras contra as quais o Ranger Roxo defendia-se com a espada habilmente.


— O que foi? Não deram alpiste pra águia?


— Eu ia dizer algo, mas não sei fazer piadas sobre morcegos! — disse ela que girou dando um chute e depois um golpe vertical com as garras da mão direita que baixaram a espada até o chão. Jessie e Mason se encaravam por trás dos capacetes muito próximos.


— Você só baixou minha espada. Esperava quebrar? Que pena, não tem força o bastante.


Jessie usaria as garras da mão esquerda para ataca-lo diretamente, mas ele desapareceu num borrão hiperveloz.


— Atrás de você, Jessie! — alertou Zoe que logo fora impedir o golpe covarde da espada saltando. Seu ferrão de arraia chocou-se com a espada do Ranger Roxo que a baixou. Mas o marrom logo viera descendo sua espada contra o ferrão, partindo-o, assim livrando o parceiro.


— Meu ferrão! — frustrou-se Zoe recuando e vendo sua arma partida quase ao meio. Ambos energizaram as espadas passando as mão nas lâminas, logo desferindo um duplo corte que as mandou contra um rochedo onde bateram fortemente. Ao caírem, os coletes desativaram.


Owen, tendo ativado seu colete Zoomorph, desceu do rochedo e partiu para a luta enfrentando ambos ao mesmo tempo, socando, chutando, esquivando e tomando alguns golpes. Quando a dupla maligna atacava com as espadas, o Ranger Verde segurou as lâminas com toda sua força de gorila, mas a força conjunta da dupla se mostrava prevalente, as espada baixando devagar conforme a medição pendia para eles do que para Owen que rosnava impondo mais força bruta.


— Parece que o gorila não ganha do urso. — insultou o Ranger Marrom. Energizaram as espadas, as lâminas caindo nas ombreiras do colete faiscando e causando dor torturante a Owen. Tim viera correndo e disparando com a pistola Z interrompendo-os..


— Tudo bem aí? — indagou o Ranger Azul.


— Sim, vamos dar uma coça nesses patifes! — disse Owen. Porém, a dupla maligna bateu as pontas das espadas energizadas no solo, enviando uma onda elétrica da terra para Owen e Tim que foram pegos numa forte explosão de fogo.


Damian veio com sua marreta avalanche, batendo-a no solo intensamente.


— Pega esse contragolpe! — a avassaladora onda de pedra alvejava o Ranger Marrom.


— Escudo Invulnerável! — disse o inimigo, ativando uma habilidade defensiva logo que a onda terrosa o atingiu em cheio com explosão poeira. Logo ele saltou irrompendo da nuvem de poeira e aplicando socos no corpo de Damian e depois girando para um chute, mas o Ranger Preto defendeu-se com a marreta e com ela moveu a perna dele o fazendo girar, logo o atacando com a arma.


— Acaba com ele, Damian! — torcia Austin que saltou para retomar a luta contra o Ranger Roxo disparando com seu detonador Max. Os tiros foram inócuos, apenas explodindo faíscas em volta do adversário. Quando Austin veio planando baixo na direção dele, Mason avançou velozmente, em seguida desferindo um violento corte da espada negra que o derrubou, o colete desativando depois. O marrom se mostrava firme após o forte golpe da marreta.


— Você até bate bem, sabia? Mas tem que comer mais arroz com feijão pra se igualar a mim! Vem cá, vem!


Damian avançara, batendo sua marreta no oponente que estranhamente estava parado de braços cruzados não sentido a potência de nenhum dos golpes.


— Não tá me fazendo nem cócegas. Mas isso aqui você sente? — disse Flint golpeando com um bater de palmas que gerou uma onda vibrante a arremessar Damian que voou rodopiando até um rochedo que foi destruído — Foi como soprar uma vela, parabéns pra mim.


— Damian! — disse Austin — O que foi aquilo? — indagou enquanto esquivava dos ataques de Mason com a espada — Por que seu amigo não sentiu nada?


— Aquela é a técnica especial dele de invulnerabilidade! Acho que tá na hora de apresentar a minha. Saca só!


O Ranger Roxo tomou certa distância e acionou uma técnica que lhe permitia se autoclonar em várias cópias, cercando o líder. Mason e seus clones misturaram-se em supervelocidade.


— Vamos lá, Austin! Consegue achar meu verdadeiro eu? Desafio aceito ou não? — disseram as cópias juntas.


— Um truque desses não me impressiona! — disse Austin chamando pelo detonador Max. Com apenas a ponta do pé direito, girou disparando contra os clones, as fortes explosões de faíscas os destruindo — Não pode se esconder por muito tempo!


Porém, vários dos clones saltaram para ataca-lo de todas as direções supervelozes, desestabilizando-o. O último a atacar o derrubou facilmente. Mason parou o olhando, abrindo os braços como um chamado aos clones que voltaram a ele nos dois lados rapidamente.


— Voltou a ser um... Não confia na sua técnica?


— Pra alguém que se diz líder, você tira conclusões muito precipitadas.


— Chega, já vi que teremos que lutar no máximo dos nossos poderes! — disse Austin, levantando — Colete Zoomorph! — a armadura ressurgia — Cartão da Fera! — na sua mão direita o cartão surgia — Ativar modo... — entretanto, seu morfador faiscou em raios vermelhos que se expandiram para seu corpo, o fazendo gritar de dor.


— Austin! — disseram os demais correndo até ele, mas mantiveram curta distância ao pararem.


— O que tá havendo com ele? — queria saber Jessie.


— Isso me lembra de quando aquele garoto do 7⁰ ano usou uma célula de morfagem falsa e acabou sofrendo com coisa parecida! — recordou Zoe.


— Mas o Austin tá usando célula e morfador originais! — disse Damian — Não faz sentido ocorrer esse colapso!


— Devem ter sido vocês que fizeram isso com ele! — acusou Tim apontando.


— Não temos nada a ver com isso. — disse o Ranger Roxo.


— Vai ver deu defeito, melhor mandar pra assistência. — disse o Ranger Marrom juntando-se ao parceiro.


Austin acabou por desmorfar e cair de frente imóvel como uma pedra.


— Esquece, melhor chamar um médico. — zombou Flint.


— Lamento pelo líder fracote de vocês. — debochou o Roxo. A dupla se teleportou indo embora. Austin foi virado de barriga para cima por Damian.


— Ele tá inconsciente, sinto pulso. Mas está fraco, a frequência cardíaca muito irregular.


— Ai meu Deus... Austin. — disse Jessie, afligindo-se — Gente, por que será que isso aconteceu?


— Vamos leva-lo pro Sr. Dickerson, levantem ele. — sugeriu Zoe. Damian e Tim ergueram-no para carrega-lo entre eles.


— Agora, pessoal, vamos lá. — disse Owen, todos reunidos. Teleportaram-se a base como pilares de luzes na suas cores.


— Me deem ele. — pediu Dickerson que logo o pegou para carregá-lo nos braços. Se dirigiu para o corredor além dos monitores e painéis até ser parado por Jessie.


— Ele vai ficar bem, não vai?


— Não se preocupem, o colapso de energia no morfador só causou perda de consciência temporária.


— Mas por quanto tempo? — perguntou Tim.


— Eu vou estimar quando examina-lo na sala hospitalar. Enquanto avalio a situação do Austin, Karen vai investigar a causa da instabilidade.


— Deixa comigo. — assentiu ela, o mentor logo caminhando até a sala com o paciente — Crianças, relaxem, tudo correrá bem, Austin é um garoto muito forte e sairá dessa mais forte ainda.


— Queria acreditar nisso depois de ver ele caindo feito um pedra. — disse Owen — Será que foi enfrentando aqueles miseráveis?


— Acho que o suco de uva tinha razão, não foram eles. — disse Tim — Se fosse assim, todos nós teríamos sofrido a mesma coisa.


Dickerson voltava entregando o morfador de Austin a Karen.


— Aqui está. Vou agora mesmo fazer um exame laboratorial e prever quando os sinais vitais dele vão se normalizar.


— Sr. Dickerson é um cara de muitos talentos. — comentou Owen — Até de medicina entende.


— Ele fez um curso de biomedicina e enfermagem na academia da Intercorp quando foi cadete nos Combanautas. — disse Karen pegando o morfador — É bom lembrar que os morfadores possuem uma trava de segurança interna que é ativada caso haja um pico de oscilação.


— Foi isso que salvou a vida do Austin, né? — perguntou Zoe.


— Sim. Sem ela... O pior certamente teria ocorrido.


Após meia hora de espera, os Rangers, que haviam tirado seus capacetes, finalmente viam Karen voltar-se a eles para revelar o resultado da análise do morfador.


— A inspeção acabou. Vou chamar o Dickerson.


— Olha eu aqui. — disse o mentor voltando.


— E o Austin? Quando ele acorda? — perguntou Jessie.


— Em menos de seis horas ele poderá despertar, os sinais vitais estão estabilizando. E você, Karen, o que extraiu do morfador?


— Eu já notifiquei o comandante Leozor disso. Sem dúvidas temos a resposta para o propósito do disfarce da Aracna. — afirmava ela, séria.


— E o que descobriu? — indagou Owen.


Karen engoliu a saliva em nervosismo contido antes de revelar.


— É falso. — a afirmação gerou assombro nos Rangers. Jessie e Zoe boquiabriram entreolhando-se.


— Foi isso que ocorreu, Austin dormiu na detenção e Aracna, que já havia confiscado o morfador original, aproveitou essa deixa para substituir por um falso. — explanou Damian.


— Lokknon pode tê-lo usado como modelo pra criar os morfadores daqueles Rangers horríveis. — acrescentou Zoe — E ainda está com ele, temos que recupera-lo de qualquer jeito.


Comandante Leozor entrava na conversa pela viodechamada.


— Saudações, Rangers. Agradeço pela notificação pois também tenho uma má notícia a informar.


— O que houve, comandante? — perguntou Dickerson.


— Um dos nossos operários da segurança de sistemas desapareceu misteriosamente. No registro de carga-horária consta que ele bateu ponto pela última vez há dois dias terráqueos.


— Lokknon levou dois dias pra fabricar seus próprios Rangers... — disse Karen.


— Estamos certos de que ele moveu suas tropas para sequestrar esse funcionário que é identificado como Bouk. — declarou Leozor, o nome sendo reconhecido por Dickerson.


— Bouk? Será o mesmo Bouk que eu conheci na minha época de cadete?


— Pesquisando no banco de dados... — disse Karen teclando rápido, logo encontrando a ficha do operador — Pronto, é esse aqui. — a foto de Bouk foi imediatamente reconhecida.


— Não pode ser... Bouk... tinham que levar justo ele.


— Era amigo do senhor? — indagou Jessie.


— Mais do meu pai. Eu basicamente só o conhecia de vista. Bouk trabalhou junto com ele nas células no estágio inicial do desenvolvimento.


— Obviamente, ele prestou consultoria com mão de obra escrava na nave do Lokknon. — afirmou Karen.


— Uma coisa não tá batendo. — disse Damian, pensativo e andando devagar — Como Lokknon sabia exatamente qual operador raptar pra ajudar na criação das células dos Rangers Roxo e Marrom? Logo o que auxiliou o seu pai, Sr. Dickerson.


— Coincidência? Eu acho que não. — disse Owen.


— Receio que esse mistério nunca será desvendado. Lokknon é bem direto e aberto nas suas intenções, mas acreditem, ele guarda segredos, especialmente sobre sua família. — disse Dickerson que se dispôs a focar na solução do rapto de Bouk.


O alarme soou novamente.


— São eles. — disse Karen — Estão em cima de um complexo industrial. Nossa visualização monitorada foi liberada. Eles podem bloquear nosso rastreador visual, que absurdo.


Na tela, Flint e Mason estavam morfados lado a lado.


— Sei que estão nos observando agora. — disse Mason — Temos uma conexão com a Central de Comando graças aos nossos morfadores, captamos tudo o que vocês emitem e recebem.


— Queremos propor um jogo. — disse Flint — Estamos com duas coisas que vocês desejam muito recuperar. A primeira é o morfador legítimo do Austin, ele é o prêmio que vai garantir a recuperação da segunda coisa.


— Que é um empregado da Intercorp que nos foi de grande ajuda. Venham até essa fábrica em dois minutos ou ele vira picadinho e ficamos com o morfador. Aliás, o destruiremos. — ameaçava Mason.


— Rangers, vão, depressa. — mandou Dickerson — Comandante, obrigado por nos avisar.


— Disponham. A propósito, eu gostaria de declarar Owen como líder provisório até que Austin se restabeleça. O que me diz, rapaz?


— Sério? Demais! Eu prometo não decepciona-lo, serei um líder de mão cheia na ausência do Austin. — os demais juntaram-se a ele — Confiam em mim pra quebrar esse galho?


— Se o Leozão confia, a gente também dá uma moral. — disse Tim — Digo, Leozor. Ops, comandante Leozor.


Jessie, Zoe e Damian riram brevemente do atrapalhado amigo.


— Confiamos totalmente em você, Owen. — disse Zoe — O comandante escolheu com sabedoria.


— Pois então vamos nessa, a vida de um inocente não pode esperar. — disse Owen no meio deles erguendo o capacete para recolocar — De volta à ação!


***


Os Rangers enfim surgiam correndo pelos interiores da fábrica abandonada. Os cinco procuraram com olhos nos arredores pela presença de Bouk e dos Rangers nefastos.


— Ah não, vão brincar de esconde-esconde de novo? Essa tática já cansou! — disse Owen.


A dupla viera em teleporte como fumaças de luz sombria, ambos de pé sobre uma máquina de produção passo a passo.


— Até que enfim! Cadê o Bouk? — perguntou Jessie.


— Chegaram pontualmente, meus parabéns. — disse Mason — Eu quase acelerei o tempo pra estragar a brincadeira.


— Hora do jogo começar. — disse Flint que desceu da máquina para retirar uma capa vermelha de couro que cobria algo preso na esteira. Os heróis alertaram-se ao ver que tratava-se de Bouk amarrado e amordaçado. O Ranger Marrom pegara um controle ligado a um cabo, apertando um botão.


A esteira se moveu com Bouk sendo levado de encontro ao triturador que o destruiria da cabeça aos pés.


— Aquele é o Bouk! — disse Zoe, apreensiva.


— Exato e vocês tem menos de dez minutos para salva-lo antes que ele seja transformado em carne moída! — falara Mason — Achem o morfador e desligaremos!


— Beleza, Jessie e Zoe vão para aquele lado! Tim e Damian vão para aquele e eu vou sozinho! — determinou Owen.


— Já está valendo. — disse Flint — O relógio é o maior inimigo de vocês agora, não nós.


Se dispersando, os heróis deflagraram a corrida para encontrar o morfador. Porém, a dupla não facilitaria essa busca mesmo com o tempo apertado.


— Não é um desafio se não tiver alguns obstáculos. — disse Mason com esferas pretas metálicas que lançou ao ar — Psycho-Bots, ataquem!


Os robôs saíram e foram correndo se espalhando pela fábrica para estorvar os Rangers ao longo da caçada. Zoe e Jessie foram barradas por três deles, ambas logo os chutando e derrubando.


Damian e Tim saltavam atirando nos robôs com as pistolas Z, os acertando com precisão. Ao voltarem ao chão, foram cercados e ficaram de costa a costa.


— Que fal aquele lance da ponta do pé em homenagem ao Austin? — sugeriu Tim.


— OK, vamos tentar. — concordou Damian. Ambos realizaram o movimento e giraram de costas um ao outro, disparando uma chuva de lasers contra os soldados, as explosões faiscantes os derrubando.


Owen chegara a um depósito de grandes caixas de madeira usando a visão infravermelho do capacete.


— Talvez esteja por aqui... Vamos, cadê?


Porém, Psycho-Bots sugiram em cima de algumas caixas e dispararam contra eles com seus detonadores. Owen saltou em esquiva, os tiros explodindo faíscas. Sacou sua pistola Z e revidou com tiros eficazes que os derrubaram.


Bouk tentava exprimir um grito de socorro enquanto sua distância ao triturador encurtava. Damian se direcionou com Tim até um freezer onde detectou algo com a visão térmica.


— Parece que encontrei algo! — o Ranger Preto correu até a pilha de caixas de papelão.


— Tinha que ser logo nesse frio de lascar? — reclamou Tim batendo os queixos e se aquecendo nos braços. Damian abriu a caixa, pegando o morfador entre vários hambúrgueres bovinos.


— Achei! Depressa, vem! — disse ele logo correndo.


— Peraí, não sabia que essa fábrica também fazia hambúrgueres! Que tal eu pegar uns pra minha mãe fritar pra mim hoje a noite.... — disse Tim querendo surrupiar algumas das carnes, mas Damian o puxara pelo braço.


Owen detonava com Psycho-Bots usando a pistola Z intercalando com golpes marciais.


— Adaga Kong! — sacou a adaga, executando vários cortes velozes de luz verde que atingiram quatro robôs, os despedaçando.


— Owen, encontrei! — anunciou Damian. As meninas também seguiam no combate.


— Ah, que ótimo! — disse Jessie que se motivou com o êxito e saltou meio inclinada chutando dois robôs, logo girando e disparando com a pistola Z, os danificando com raios vermelhos pelo corpo ao caírem.


— Bom trabalho, Damian! — disse Owen — Vocês aí, desliguem a máquina!


— Por que não tentam fazê-la parar? — desafiou Flint. A dupla virou-se para a máquina, desferindo cortes das espadas negras que atingiram os circuitos internos. A máquina salpicava faíscas e exalava fumaça, entrando em colapso, consequentemente acelerando a esteira. A dupla teleportou-se.


— Desgraçados! — disse Owen que saltou acrobático até a esteira e cortara as amarras em Bouk com a adaga, retirando-o dali em segurança faltando meio metro até o triturador.


— Prontinho, são e salvo. — disse o Ranger Verde — Você tá bem mesmo?


— Os pulsos meio doloridos, mas sim, me sinto bem. O filho de Dickerson montou uma equipe da pesada, muito obrigado, Rangers. Acharam o morfador?


— Tá aqui, meio congelado, mas ainda funcional, eu creio. — disse Damian.


— Ele precisa passar por uma sessão de religamento de circuitos, baixas temperaturas podem travar o sistema, isso se não estiverem com o usuário. — revelou Bouk.


— O Sr. Dickerson vai cuidar disso. — falou Zoe.


— Agora você tem que fugir sem olhar pra trás e se esconder até acabarmos com aqueles dois. — idealizou Owen.


Intensos tiros de lasers atingiram os heróis causando explosões de faíscas. Bouk correra o mais rápido que suas pernas aguentavam para fora do complexo. Flint e Mason vinham em retaliação pilotando suas Beasts Cycles fornecidas por Mudok.


— Eles também têm Beasts Cycles!? — disse Tim levantando — Ah, caramba, só complica!


— Tudo o que nos torna Rangers eles também têm e sabem fazer! — salientou Owen reerguendo-se.


— O que acham de um segundo desafio? — sugeriu Mason.


— Com mais emoção e adrenalina! — completou Flint.


A dupla veio acelerando com as motos, circundando-os. Mason tomara o morfador da mão de Damian, logo ambos se encaminhando para fora da fábrica.


— O que foi? As motos de vocês estão em reparos? Venham arrancar de nós o morfador, não sejam covardes! — insultou Mason.


— Galera, usem vocês as Beasts Cycles. — disse Owen — Eu tenho um plano pra agir como um bom atirador furtivo.


Bouk corria pela área aberta onde havia carros estacionados após sair pelos fundos da fábrica. Contudo, sua fuga foi interrompida por Lokknon surgindo como um gigante holograma.


— Aonde pensa que vai? A utilidade dos seus serviços não terminou aqui!


— Pra mim já deu, não fico mais um dia sendo forçado a trabalhar duro pra um monstro como você, eu me demito!


Para a surpresa do imperador, um grupo de soldados com trajes de prata meio azulados e capacetes com visores escuros e que deixavam a boca exposta veio ao resgate de Bouk, grupos menores deles saindo de passagens mais obscuras da fábrica. Eram os Combanautas, a força policial da Intercorp composta por homens honrados que dedicavam suas vidas no enfrentamento ao crime intergalático. Equipados com armas laser sofisticadas, os soldados vieram até Bouk.


— Lokknon, tem sorte de não estar aqui fisicamente pra coagir alguém que escravizou. — disse o major Regallus, líder da tropa — Temos ordens expressas para escolta-lo de volta a estação, não tente nos impedir.


— Tudo bem, me contento com apenas dois Rangers, eles são mais que suficientes para fazer a Intercorp ficar de joelhos a mim! — ameaçou Lokknon cuja projeção foi desligada.


Os Rangers saíam da fábrica com as motos em alta velocidade. Jessie disparou ao saltar por uma rampa, os tiros causando uma explosão de fogo atrás de Mason quando ele dobrava para enfrentar diretamente. O Ranger Roxo seguiu, logo sacando sua espada e a riscando no chão, soltando um corte de energia vertical.


— Jessie, cuidado! — disse Zoe que se interpôs com a moto saltando, recebendo o golpe tremendamente e caindo rolando ao chão.


— Zoe! — disse Jessie — Vocês me pagam!


— Olha aqui o morfador, vem pegar! — provocou Mason mostrando o aparelho com se balançasse um petisco a um cachorro. Jessie passou raspando por ele tentando pegar, mas foi chutada da moto que caiu arrastando — Pega aí! — jogou para o parceiro.


Damian e Tim aceleraram com suas motos.


— Deixem conosco, garotas! — garantiu o Ranger Azul.


— Nós dois não cairemos! — disse Damian, movendo firme os guidões.


Atiraram lasers dos faróis, os tiros explodindo em fogo a volta de Flint que logo revidou com seus disparos em sequência prestes a colidir com os outros dois. Quando se cruzaram, saltaram com as motos, uma forte explosão de fogo ocorrendo ao lado. Tim e Damian tentariam tirar o morfador das mãos de Flint ao mesmo tempo, mas falharam. De volta ao chão, as duas motos se distanciaram da inimiga.


— Droga, não deu! — disse Tim.


— Não se esqueçam de mim! — disse Mason disparando lasers dos faróis. Tim e Damian não se desestabilizaram com as explosões de faíscas. O Ranger Roxo saltou da moto até eles, agarrando-os pelos pescoços, logo os arrastando no chão, as costas da dupla liberando faíscas com o atrito — Modo Míssil Turbo!


A moto Morcego Púrpura virou-se ativando a aceleração acima do limite, a energia roxa a envolvendo. Mason arremessou primeiro Tim contra a moto, depois Damian. Ambos bateram contra ela, os impactos deixando eles bem combalidos. Dickerson se impressionou.


— Eles podem ativar o modo Míssil Turbo automaticamente sem pilotar. Confesso que pela primeira vez me sinto... ultrapassado.


— Lokknon pode ter avançado tecnologicamente, mas não estrategicamente. — afirmou Karen — Veja, Owen prepara um tiro que pode ser decisivo. Ocultei sua localização pra que Lokknon não o rastreie.


O Ranger Verde mirava o Macro-Detonador estando acima do prédio da fábrica.


— Ótimo, ele parou. — disse ao ver Flint freando, mas prestes a correr novamente movendo os guidões com o ronco do motor — Flash paralisante.


O flash piscou em Flint que sentiu-se imóvel como pedra.


— Ei, o que é isso? Não consigo me mexer... Quem fez isso?


Mason veio até o companheiro na moto.


— Percebeu que o verdinho desapareceu? Na certa foi ele, escondido em algum lugar!


— Meninos, tudo bem? — perguntou Zoe vindo com Jessie até eles que levantavam com dores pelo corpo.


— Tô me sentindo uma massa de pão batida. — disse Tim.


— Incrível, eles conseguem ativar o Modo Míssil Turbo por piloto automático. — destacou Damian.


— Boa ideia. — disse Mason — Ativa seu piloto automático pra gente detonar de vez com eles.


— Piloto automático, ligar! — acionou Flint, o comando de voz religando a moto. Mas antes que a parida fosse dada, Owen saltou para perto deles, tirando o morfador do cinto de Flint onde estava preso.


— Isso aqui pertence a um amigo meu! — disse ele que depois saltou até os amigos.


— Boa, Owen, foi ágil tão bem quanto foi furtivo. — elogiou Damian.


— Se é assim, a gente pega de volta na marra! — disse Mason. As duas motos avançaram.


— Macro-Detonador! — bradou Owen invocando seu canhão que apareceu sobre seu ombro direito — Agora posso fazer vocês virarem poeira! Flash Paralisante! — o flash imobilizou as duas motos e também Mason, as rodas atritando no solo e elevando fumaça.


— Não dá... pra sair do lugar! — disse Mason.


— E nem vão! Porque chegaram no fim da linha! — disse Owen preparando o tiro — Preparar, apontar... Fogo! — a esfera verde elétrica foi disparada, atingindo-os em peso ao causar uma explosão flamejante que parecia transparecer uma inevitável destruição.


— Ué, eles... sumiram?! — disse Jessie.


— Duvido que tenham sido detonados pra valer, são mais resistentes que eu. — disse Owen.


— Lokknon pode tê-los teletransportado antes do tiro acertar. — teorizou Damian — Mas sua tese tem fundamento, Owen. Eles não seriam liquidados facilmente, não são monstros comuns.


Os Combanautas vinham marchando até os Rangers para agradecê-los.


— Espera, vocês são... — disse Zoe.


— Os Combanautas?! — falou Jessie


— A tropa de elite paramilitar da Intercorp, é um prazer conhece-los pessoalmente, Rangers. — disse Regallos — Sou o major Regallos, movi esse pequeno exército para levarmos em segurança o operário de sistemas.


— O prazer é todo nosso, major. — disse Owen — O salvamos de um perigo bem tenso.


— E somos inteiramente gratos ao desempenho de vocês, orgulhem-se dos heróis que são.


— Obrigado de novo, Rangers. Mandem lembranças ao Thomas. — disse Bouk.


— Pode deixar. Fica bem, Bouk. — disse Jessie.


— Ah, ele ficará sim, mas não sem antes ser submetido a interrogatório acerca dos planos escusos de Lokknon.— determinou Regallos.


— Espere, você é o novo líder? — indagou Bouk a Owen.


— Ahn... Até o Austin se recuperar, sim.


— Agora lembrei... O morfador... Há um traidor entre vocês! Não faço ideia de quem, mas há um traidor que trocou os morfadores!


— Levem-no, ele está muito atordoado depois do que passou no cativeiro! — ordenou o major.


— Mas que história é essa de traidor? — questionou Jessie.


— É algo que saberemos em detalhes após o interrogatório. Voltem para a base, os manteremos informados. Até mais. — disse Regallos que virou as costas. Os soldados teletransportaram-se de volta a estação.


***


Na nave de Lokknon, Flint e Mason acabavam de recobrar todos os movimentos das articulações após efeito do flash paralisante.


— Que beleza, voltei a me mover totalmente! — disse Mason ajustando seu braço esquerdo cujos ossos estralaram — Aquele verme verde é repleto de recursos convenientes.


— Ele merece um revide pra nunca esquecer. — disse Flint estralando ossos do pescoço.


Lokknon chamara a atenção deles.


— Bom, agora que se recomporam, o mínimo que eu espero é um pedido de perdão pelo deslize estúpido com o Ranger Verde!


— Mestre, nos conceda sua misericórdia, fomos imprudentes em não considerar um plano de ação oculto aos nossos olhos. — disse Mason, ajoelhado diante do Imperador.


— Estamos honrados em sermos salvos pelo senhor antes que aquele golpe nos atingisse. — adicionou Flint também de um só joelho e cabeça baixa.


— De que modo o senhor sugere para retaliarmos contra o Ranger Verde? — indagou Mason.


A intromissão de Mudok mostrou-se vantajosa.


— Mestre, eu tive um lampejo brilhante. Não precisa deles pra desfalcar os Rangers.


— Quanta insolência. — repreendeu Mason levantando.


— Saiba o seu lugar, o mestre não solicitou sua opinião. — criticou Flint.


— Vamos ouvi-lo. — disse Lokknon — Muito bem, Mudok, o que se propõe a fazer?


— O operário da Intercorp que raptamos esteve a par do plano meu e de Aracna em envolver um dos Rangers falsamente na substituição dos morfadores. Mas fomos vagos, bastando pra ele acreditar que de fato o Ranger traidor existe.


— Plano que esconderam de mim! Onde está Aracna?


— No quarto dela, mestre! – disse Barooma — Continua lamentando se afastar do cargo de professora! Fica se olhando no espelho chamando o reflexo de Arianne!


— Ela vai superar essa distorção de identidade. Mudok, prossiga.


— E se pudéssemos provar que o Ranger Verde é o culpado? Eu sei bem como.


Na Central de Comando, a estimativa de horas nas quais Austin ficaria desacordado chegava ao limite, o Ranger Vermelho reabria os olhos vagarosamente vendo embaçados os rostos dos amigos lhe cercando.


— Bom dia, raio de sol. — disse Tim sorrindo para o amigo.


— Austin, que alívio te ver acordando. — disse Jessie, tranquila — Sr. Dickerson nunca erra.


— Pessoal... — disse Austin piscando os olhos e tentando levantar da cintura para cima — Eu tô num hospital?


— Não, você não vai comer pudim gosmento. — brincou Zoe o fazendo rir — Como se sente?


— Bem, eu acho. Apaguei e... fiquei tendo aquele mesmo pesadelo, só que da última vez foi diferente.


— O que diferencia esse do sonho recorrente com os Rangers do Lokknon? — perguntou Damian.


— Uma névoa verde... levando vocês embora.


— Outro sinal do futuro? O Austin virou vidente? — indagou Tim.


Dickerson e Karen entraram na sala hospitalar para ver Austin.


— Ficamos felizes que finalmente acordou, Austin. — disse a tecnóloga.


— Minha estipulação foi bem precisa. — disse o mentor — Logo terá seu morfador de volta, o original e legítimo.


— Quer dizer que o morfador que usei era falso?! A Aracna tinha que aprontar essa comigo.


— E se não tiver sido ela? — indagou Damian — Bouk tentou denunciar um traidor entre nós que teria plantado o morfador falso enquanto Austin dormia na detenção.


— Mas por que um de vocês faria isso? — indagou Austin — E quem é Bouk?


— Vamos contar tudo que você perdeu. — disse Jessie.


Paralelamente, o funcionário que monitorava cada ponto da Angel Grove Middle School se preparava para deixar o posto e ir para casa. Colocou seu casaco assobiando enquanto preparava-se para desligar os monitores. Mudok teleportava-se lá, bem atrás dele. O homem virou-se, fitando o androide com temor, seu assobio reduzindo até silenciar.


— Se importa de eu assumir daqui? — disse Mudok que logo apagou o homem com um golpe no pescoço — Acho que não, hehehe.


O androide sentou-se na cadeira e inseriu um dispositivo similar a um pen-drive através do qual instalava um programa de I.A para forjar imagens de vídeo. Selecionou as filmagens necessárias para falsificar a presença de Owen e solidificar a acusação.


***


Na tarde do dia seguinte, pouco depois das aulas, Jessie foi a Cantina do Earl onde avistou Mason sentado no balcão esperando impaciente sua vitamina de banana.


— Aí, dá pra andar rápido com essa gororoba? Já tô de saco cheio dessa demora!


— Calma aí, só vou passar outra vez pra não engrossar muito. — disse Earl ligando novamente o liquidificador.


— Mason. — disse Jessie ao se aproximar — Surpresa você ter vindo sem o Flint.


— Jessie, que surpresa você vir sem sua amiguinha sensível e chorona. — disse ele voltando-se a ela — Vê se me erra, eu não quero ouvir nada do que tem pra me dizer.


— Mas vai ouvir sim. — disse Jessie elevando o tom — Eu só queria entender de verdade porque você e o Flint mudaram da água pro vinho sem mais nem menos comigo e com meus amigos.


— Porque somos transferidos do pior tipo que existe. — disse Mason se aproximando perigosamente dela com uma expressão psicótica — Nos fizemos de bonzinhos pra pregar uma peça em vocês e funcionou. É assim que eu sou, Jessie.


— Não, eu não acredito. — disse Jessie o olhando com minúcia — Tem algo diferente em você, minha intuição não falha.


— Ô estressadinho, toma aí, tá pronta. — disse Earl deixando o copo com a vitamina no balcão.


— Joga fora no lixo, perdi a vontade. — disse Mason que saíra lançando um olhar de desprezo para Jessie, indo embora.


— Jogar no lixo?! Até parece, meu dinheiro não nasce em árvore, seu delinquente. – reclamou Earl.


— Não esquenta com ele, Earl, deixa que eu tomo.


— Acreditou em mim agora? Ele e aquele amigo dele são dois malas, fiquem bem longe você e a Zoe. Olha ela ali vindo. — disse Earl antes de ir para a cozinha.


Zoe veio até Jessie com triste semblante.


— Passou pelo Mason?


— Passei e quase fui atropelada. — disse a Ranger Rosa — Mas não foi pior do que tomar um gelo do Flint.


— Já falei pra você parar de ir atrás dele.


— E você veio aqui atrás de quem mesmo?


— Tá, me pegou. Também fui estúpida de insistir. — disse Jessie que tomou um gole da vitamina — Enfim, azar o dele que dispensou essa delícia.


Os comunicadores delas tocaram, alertando-as. Jessie deixou a vitamina no balcão e foi com Zoe ao corredor, logo atendendo a chamada.


— Na escuta.


— Garotas, venham aqui, o comandante Leozor quer discutir o resultado do interrogatório do Bouk. — disse Damian.


— A gente tá indo. — disse Jessie. Ambas teleportaram para a Central de Comando.


Leozor tomou a palavra:


— Com todos aqui, devo ressaltar os desdobramentos do interrogatório que conduzimos com Bouk. Utilizamos um detector de mentiras cuja leitura apontou uma margem de erro muito menor do que o esperado.


— Ele reafirmou a ideia de um traidor entre os Rangers? — perguntou Dickerson.


— Ele parecia bem perturbado com isso. Mas não soube apontar nenhum nome.


— Comandante, invadi o circuito interno de vigilância do colégio. Há duas filmagens específicas, do corredor principal e da sala do 6⁰ano-A. — disse Karen, preocupada.


— Ponha na tela. — mandou Dickerson.


O primeiro vídeo já havia causado espanto suficiente nos Rangers. Mostrava Owen surrupiando o morfador original e colocando o falso sobre a mesa da professora. No segundo vídeo, uma conversa relativamente longa entre ele e Arianne no corredor, o morfador sendo entregue nas mãos dela.


A cena chocou a todos. Karen cobriu a boca com uma mão, abismada tal qual Zoe. Os demais estavam boquiabertos. Mais estupefato ainda estava Owen que balançava a cabeça em negação ao ver a si mesmo cometendo um ato de traição forjado.


CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO!


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