Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Zoe se atrasa para um passeio a estação da Intercorp, mas em contrapartida ganha o apoio de uma Ranger veterana na luta contra um monstro que transforma banhistas da praia de Angel Grove em conchas marinhas. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!

Anteriormente a viagem programada aos recantos paradisíacos do Havaí, os Rangers puderam desfrutar de um prêmio na forma de um passeio gratuito à estação espacial da Intercorp pelo feito honorável de salvarem a Terra da intoxicação ambiental provocada pelos impactos destrutivos das ações de Abram Ooze naquela mesma semana de início das férias de verão. Dickerson e Karen, naturalmente, acompanhavam os heróis na base aérea da NASADA, parceira fidelizada da organização intergalática, naquela manhã ensolarada de poucas nuvens enfeitando o azul do céu.


— Cara, esse passeio já é irado só de pensar nas maravilhas tecnológicas que vamos ver por lá! — disse Tim sem conter seu entusiasmo — Se pudéssemos contar pra galera do colégio...


— Opa, opa, dá uma ênfase bem grande nesse "se". — advertiu Damian com o dedo indicador direito levemente erguido.


— Pois é, não deixa essa animação toda te levar a fazer besteira. — disse Austin com seu habituais bom humor — Se controla aí, tubarão ansioso, eu também concordo plenamente que esse vai ser o passeio mais incrível que qualquer visita a museus. — falou ao abraçar o amigo de lado enquanto caminhavam, mas logo olhou para Damian com sorriso nervoso — Hehe, sem querer ofender o seu gosto por museus, Damian.


— Tudo bem, sem ofensa. Eu admito que por mais entusiasta de artes que eu seja, não dispensaria um passeio diferente como esse.


— Relaxem, eu só tava no calor da emoção, não vou cometer a idiotice de contar pra todos. — retratou-se Tim — Mas que seria legal, seria. O pessoal inteiro se doendo de inveja por termos ido ao espaço, imaginem as caras de pasmo.


— Imagino você sendo o primeiro a espalhar a notícia. — disse Jessie que usava óculos de sol emprestados de sua mãe — "Extra, Extra: fizemos uma viagem ao espaço porque fomos premiados por sermos os Power Rangers e salvamos o mundo do maior desastre ambiental da história".


— Tá aí uma manchete perfeita pro jornal da escola. — concordou Tim.


— Quem iria acreditar que visitamos uma corporação espacial de alta tecnologia? — questionou Austin.


— É, talvez sua liberdade em querer falar aos quatro ventos não causaria um furor midiático. — falou Damian desestimulando a fantasia inocente do Ranger Azul.


— Nossa, a temperatura já tá subindo e ainda não são nem dez horas. — disse Karen também de óculos escuros mexendo em seu celular — Se sentirem sede, tenho garrafinhas d'água aqui na mochila.


— A gente tá legal, valeu Karen. — disse Austin.


— Rangers, é logo ali naquele ponto onde a nave aterrissará para nos levar. — apontou Dickerson para a área mais ampla e aberta da base — A pista de pouso em que os aviões mais caros da Califórnia decolam.


— Não seria mais prático nos teletransportarmos? — indagou Tim, franzindo uma sobrancelha.


— De fato, sim. — disse Karen.


— Mas ainda não temos autorização devido a Central de Comando ter sido posta em operação há pouco menos de um ano. — esclareceu Dickerson — Jessie, alguma notícia da Zoe?


— Não paro de mandar mensagem e ela diz que já tá vindo de ônibus. — disse a Ranger Amarela, apreensiva — Dou um desconto pra ela que normalmente não é de acordar no horário de ir pra escola durante as férias.


— A nave ou a Zoe? Quem chega primeiro? Apostas abertas, camaradas. — disse Tim mostrando uma nota de um dólar tirada do bolso — Aposto na nave.


— Acho que alguém não devia sentar na janelinha por zoar com os amigos. — dissera Damian em provocação ao Ranger Azul.


— Ela vai vir, tá legal? Se a nave chegar primeiro, que fique esperando. — retrucou Jessie.


— Aí é que está, Jessie. — disse Karen — O comandante Leozor determinou que atrasos de qualquer tripulante desobrigam a nave a aguardar.


— Então... Se a nave chegar antes da Zoe, teremos que ir sem ela? Nossa, que regra mais chata. — disse Austin.


— Mais uma vez: por que não usar o teletransporte? — insistiu Tim.


— Por decisão do conselho da Intercorp, os comunicadores de vocês foram desligados assim como o teleporte, tudo pra que vocês aproveitem o passeio sem a pressão de sentirem que a qualquer momento Lokknon pode atacar a Terra com um monstro. — disse Dickerson.


— Lembrem-se que Owen está de reserva pro caso de uma emergência. — adicionou Karen — Além do mais, Theron está na Central de Comando tomando conta dos computadores, Dickerson deixou ele cobrindo minha função por hoje. Substituto melhor eu desconheço.


— Sério? Ele deve ficar super a vontade já que... bem, ele é um robô, né? Máquinas não falantes são como bichos de estimação pra ele. — disse Austin.


— Ah, agora só faltava essa. — disse Jessie olhando para o celular enfezada.


— O que foi, Jessie? Mensagem nova da Zoe? — quis saber Austin.


— É e má notícia: ela está num ponto pra pegar um segundo ônibus porque o primeiro empacou no meio do caminho, o motor morreu, sei lá. Ai, eu não queria dizer isso, mas... acho que não vai dar tempo. Sem ela eu não quero ir.


— Eita, que zica da braba ela tá passando. — comentou Tim.


— Restam apenas vinte minutos, doze segundos e... — disse Damian conferindo no seu smartwatch construído por ele mesmo.


— Tá bom, Damian, também não precisa fazer contagem regressiva, só piora meu nervosismo. — contrapôs Jessie, estressada


— Calma, ela vai conseguir chegar a tempo de um jeito ou de outro. — disse Austin, otimista — A propósito, ela ainda anda de patins, certo?


A Ranger Rosa havia resolvido lutar ferrenhamente contra o relógio ao calçar seus patins rosa com detalhes brancos e sair pelas calcadas pedindo licença a quem quer quer estivesse na frente tamanha a pressa.


— Licença, tô passando... — disse ao passar perto de um homem carregando um longo pacote embrulhado e que desviou — Com licença... Err, desculpa, é que tô apressada. — quase esbarrou numa mulher levando seu cão para passear. Seu celular vibrara indicando ser mensagem de Jessie — Ah não, eu tô deixando eles cada vez mais impacientes. Acelerando.


Impôs mais velocidade ainda distraída pela mensagem que tentava responder. Naquele instante, um homem saía de uma loja de artigos de luxo a direita de Zoe com uma caixa um tanto pesada. Quando a Ranger Rosa passara por ele, o homem assustou-se dada a rapidez com que ela patinava, acabando por cair para trás e derrubar o conteúdo da caixa que resumia-se a conchas marinhas de porcelana que quebraram-se.


— Ei, garota, não corra assim tão rápido! Olha o que me fez! — reclamou ao levantar, os cacos das conchas caindo pelos ombros.


— Me desculpe, por favor! — disse Zoe em voz alta — Se eu pudesse pagar pelo prejuízo... — culpou-se em lamentação e voltou os olhos para frente — O sinal vai abrir. Mas posso atravessar rápido que nem uma flecha. Eu consigo. — falou consigo mesma, determinada.


O semáforo acendeu a luz verde poucos segundos antes de Zoe se arriscar a atravessar a faixa de pedestres. Porém, um carro de tração verde musgo viera rápido, fazendo-a pular num reflexo e passar sobre o capô, mas escorregando e caindo. O veículo parou brusco.


— Ai... Não ralo o joelho assim... desde que aprendi a patinar. — disse ela meio caída, olhando a ferida resultante da queda. Uma moça loira de blusa azul claro sem mangas, calças jeans e botas bege saía do carro depressa.


— Tá tudo bem, eu ajudo ela. — disse a mulher para as pessoas próximas que presenciaram o acidente. Foi até Zoe estendendo a mão — Ei, você tá legal? Esse joelho aí tá precisando de um bom mertiolate.


Zoe sorriu timidamente, segurando na mão acolhedora dela que a levantou.


— Eu tô bem. Podia ter sido pior.


— Pois é, do jeito que você corria se safou de pegar uns bons pontos. Você deu muita sorte. — disse a bela e jovial loira queje sorriu simpática — Mas no que tava pensando em correr de patins tão rápido pra atravessar uma rua como essa? É muita coragem.


— Coragem nada, estupidez mesmo. Achei que como o trânsito não parecia tão movimentado eu podia passar tranquila. Mas valeu pela ajuda, não vou te culpar, eu que fui precipitada.


— OK, mas só por curiosidade... Você ia pra algum lugar?


— É, eu tava a caminho de ir pra... — hesitou Zoe em contar abertamente — Pra base aérea da NASADA. Tenho um tio que trabalha lá e prometi que iria visita-lo sozinha.


— Pra NASADA? Fica uns 10 quilômetros daqui, se você quiser... te dou uma carona. De quebra ainda posso cuidar desse seu ferimento, tenho uma caixinha de primeiros-socorros no carro.


— Nossa, você é um anjo. Dei sorte mesmo. — falou Zoe, contente em receber tanto apoio daquela gentil moça caucasiana de madeixas douradas e beleza quase nórdica — Prazer, meu nome é Zoe.


— Prazer também. Meu nome é Victoria, mas meus amigos me chamam de Tori.


— Ah, legal. Ótimo, eu vou com você, Tori.


A nave da Intercorp vinha ao encontro da turma descendo meio devagar. Os garotos olhavam tristemente para Jessie.


— Sinto muito pela Zoe, Jessie. — disse Austin Tenho certeza que ela tentou de toda forma.


Ao pousar, a nave liberou a rampa de embarque, o piloto acenando para que viessem.


— Vamos, crianças. — disse Dickerson — Infelizmente, Zoe não poderá ir, não podemos espera-la.


— Podemos sim! Avisa pro comandante que ninguém, principalmente eu, não embarca nessa nave até ela chegar. — recusou-se Jessie, inconformada com a regra de Leozor.


— Jessie, o comandante não volta atrás quando toma uma decisão. — ressaltou Karen.


— Mas essa regra de não poder esperar não tem cabimento. — protestou Austin — Se a Jessie não vai sem a Zoe, eu também não vou.


— Eu também não. — apoiou Tim.


— Nem eu. — reforçou Damian aproximando-se dos amigos.


— Pensem bem: o comandante Leozor ficará bem chateado se ninguém embarcar, cogitando até cancelar o passeio. — alertou Dickerson — É mais preferível que a ausência da Zoe seja justificada. Jessie, ela mandou mais mensagens?


— Não. — disse a Ranger Amarela olhando desalentada para a tela do celular — Acho que... ela acabou desistindo. Eu não quero deixar o comandante frustrado. E vocês, rapazes?


— Pelo lado bom, o Owen não vai estar sozinho se o Lokknon aprontar alguma. — disse Austin — Vamos nessa, pessoal. A Zoe vai ficar bem.


— Só que durante o passeio, eu não. — disse Jessie expressando sua tristeza em não ter a companhia de sua melhor amiga na viagem. Os sete se encaminharam à nave, logo subindo a rampa que não demorou a ser recolhida.


Poucos minutos depois da decolagem, Tori e Zoe chegavam na entrada da base onde havia um portão com uma cerca elétrica ligada. A Ranger Rosa avistou a nave alçando voo e desesperou-se, saindo depressa do veículo.


— Não! — disse ela, correndo e segurando nas grades do portão — Não... Eu não acredito que eles foram obrigados a ir sem mim. — seus olhos lacrimejaram de frustração.


— Zoe, o que foi? — perguntou Tori descendo do carro e preocupada com o estado emocional dela, aproximando-se — O que tá acontecendo? Aquilo ali é... — semicerrou os olhos — ... uma espaconave? O seu tio por acaso é astronauta?


— Não, eu... não tenho nenhum tio que trabalha aqui. — revelou Zoe olhando tristemente para ela — Me desculpe ter mentido, eu...


Tori a encarou num misto de curiosidade e suspeita.


— Zoe, qual é a verdade? Você disse que eles embarcaram naquela nave sem você. Eles quem?


Zoe respirou fundo, enxugando as lágrimas.


— Meus amigos. Não adianta mais esconder, então vou contar toda a verdade. — disse ela vindo mais perto de Tori — Eu... sou uma Power Ranger.


— É sério mesmo? — disse Tori fingindo incredulidade ao sorrir — Tá bom, não vou curtir com a sua cara. Eu bem que achei inusitado uma garota da sua idade embarcar numa nave tão sofisticada como aquela direto pro espaço. Então você é da nova geração de Rangers, olha... confesso que tô um pouco surpresa.


— Iria com eles pra estação espacial da organização que fornece nossos recursos como um prêmio por termos derrotado um inimigo que quase intoxicou todo o planeta e o meio ambiente.


— Fiquei sabendo, eu estive onde os efeitos desse desastre foram sentidos. Vocês devem ter lutado com muita garra e coragem. Meus parabéns por terem vencido.


— A velha guarda dos Rangers deu uma força. Eu reconheço que sem eles não teríamos sequer uma mínima chance de vitória. Foi ali que percebi o quanto nós podemos aprender e evoluir precisando de ajuda de Rangers mais experientes.


— É, eu acredito firmemente nisso. — concordou Tori a olhando com sorriso leve.


— Mas me faz outro favor: mantém esse segredo a sete chaves, só te contei porque sei que acharia estranho uma simples criança de quase 13 anos e também... por ter sido tão amigável comigo me dando essa carona.


— Pode deixar, seu segredo tá mais do que seguro. Mas peraí... Quase 13 anos? Aniversário muito em breve?


— Muito em breve tipo... amanhã. — disse Zoe que deixou escapar uma risada rápida.


— Parabéns antecipado. — disse Tori dando as mãos a ela que retribuiu.


— Obrigada, Tori. Só a sua companhia nesse momento pra me aliviar depois desse atraso terrível.


Lokknon observava com asco a cumplicidade e o laço firmado entre elas, mas pairava uma dívida entre Aracna, Mudok e Barooma.


— Isso é outra prova do quão débeis são os terráqueos. Confiam cegamente em qualquer um que lhes ofereça algo prestativamente. Mal se conhecem e um simples favor já marca o início de uma amizade. Argh, só sinto ojeriza com tamanha demonstração de inocência.


— Mestre, não está se esquecendo de algo? — indagou Mudok.


— É, uma coisinha voando nos céus como um foguete. — completou Aracna próxima do androide.


— Mestre, está se deixando distrair por essas duas! — destacou Barooma — Veja, os Rangers estão partindo para uma nova viagem espacial! Não vai autorizar uma interceptação a essa nave com um bombardeio do nosso canhão laser?


— Pare de me mostrar isso como se eu não prestasse atenção! E daí que os Power Pirralhos farão um passeio pelo espaço sabe-se lá pra onde? Eu estou pouco me importando! A Ranger Rosa permaneceu na Terra devido ao seu atraso. Ela está sozinha, o que nos beneficia.


— Mas não nos esqueçamos que o Ranger Verde pode ser solicitado a qualquer instante se atacarmos. — disse Mudok.


— Só que neste instante a frágil e emocional Zoe está sozinha e indefesa. Essa nova amiguinha dela na certa a deixará lá fugindo no seu veículo.


— Eu posso ir lá dar uma lição nela? — pediu Aracna com mãos juntas — Faz tempo que tô sedenta por uma revanche. Por favor, mestrezinho.


— E de que serve mandando você combatê-la se uma unha quebrada já é motivo pra recuar? — questionou Mudok.


— Devo admitir que Mudok apontou um fato lastimável. Sua vaidade é seu maior ponto fraco, Aracna, por isso mesmo eu a proíbo de lutar com a Ranger Rosa. — declarou Lokknon, severo.


A princesa aracnídea deixou cair os ombros em desânimo e saiu cabisbaixa.


— A Ranger mais fraca do grupo contra um exército de Psycho-Bots não durará muito em confronto direto sem usar seus poderes! — disse Lokknon que bateu sua mão direita fechada no braço do trono.


O grupo de robôs surgiu cercando-as com seus movimentos padronizados e ameaçadores.


— Essa não, Psycho-Bots! — disse Zoe ficando mais próxima de Tori — Melhor você fugir e rápido! Agradeço pela carona, você é demais, Tori. Iááá! — ela avançou dando cambalhotas e escapando dos tiros de laser, logo chutando um robô e depois outro. Em seguida, dera uma rasteira noutro e num giro chutando um que foi empurrado contra outro dorerova cerca elétrica onde fora eletrocutado se danificando com salpicos de faíscas. Tori fora agarrada pelos braços por dois deles — Soltem ela, seus palhaços!


Porém, a Ranger veterana resolveu expor suas habilidades combativas de ninja ao se desvencilhar dos robôs com cotoveladas e logo golpeando mais com ataques de notória destreza, algo que ligeiramente impressionou Zoe.


— Nossa... — disse ela, boquiaberta ao ver Tori chutar os robôs e desviando dos ataques de uma maneira que ela reconhecia com toda familiaridade. Alguns deles eram jogados a cerca tomando choques danosos — Que jeito de lutar ela tem. Aí, Tori, você pratica alguma modalidade de artes marciais?


— Pratico sim, a arte ninja. — disse ela ao derrubar um robô num golpe no peito.


— É que... percebi que você luta incrivelmente bem como se fosse uma Ranger.


Tori virou-se rápido para ela, mostrando seu morfador tempestade no pulso esquerdo.


— É porque sou uma. — falou ela com um sorriso simpático e confiante. Zoe ficara ainda mais estupefata, não contendo sua alegria.


Tiros de lasers as atingiram com explosões de faíscas, as derrubando. Um outro grupo de robôs vinha em motocicletas disparando.


— Esse lugar não tem segurança? — indagou Tori ao levantar e ajudar Zoe — Tá, foi uma piada.


— Temos que ir, agora! — disse a Ranger Rosa. Ambas voltaram ao carro apressadas. Tori dera partida, o veículo cantando pneus e liberando fumaça cinzenta e escura do escapamento contra os robôs que ficaram desorientados, chegando a colidir uns nos outros nas motos e caindo — Mandou bem!


— Vambora! — disse Tori acelerando — Que tal a gente pegar um solzinho na praia? Tá afim?


— Demorou! — topou Zoe com animação.


Lokknon se enfureceu batendo as mãos nos braços do trono.


— Raios! O que significa isso, afinal? Uma provocação do destino? A primeira pessoa que essa Ranger Rosa patética encontra pra lhe ajudar é justamente uma Power Ranger como ela?!


— Consta nos meus dados que essa garota que atende pelo nome de Tori Hanson é parte de uma equipe de Rangers treinados como guerreiros da arte milenar dos ninjas originada no Japão! Eles são formados numa academia que treina jovens talentos!


— Cale-se, Barooma, eu não preciso de detalhes sobre essa Ranger ninja intrometida. Se ela tiver uma experiência longeva, estaremos com problemas, ela será um escudo inquebrável para Zoe. — disse Lokknon prospectando as chances — Precisamos de um monstro... Ideias, vamos, coloquem essas mentes ineptas pra funcionar!


— Ahn... Bem, aparentemente essa Ranger ninja tem um apreço por ambientes litorâneos. — disse Mudok — Ela possui uma prancha de surf, um esporte praticado no mar. Um monstro marinho baseado em algum peixe seria uma opção.


— Que tal um daqueles que infla feito balão em situações de perigo? — sugeriu Aracna.


— Há uma espécie catalogada desse tipo. É chamada pelos terráqueos de baiacu, ele possui um mecanismo de defesa que incha seu corpo na proximidade de predadores! — disse Barooma frente ao seu supercomputador.



— Pois não espere mais nenhum minuto para dar vida a essa criatura. Lembro que a Ranger Rosa passou por um homem que levava uma caixa repleta de conchas marinhas... Ahá, será essa a habilidade nociva dele: transformar os banhistas da praia da Alameda dos Anjos em conchas de diferentes tipos e formas, hahaha. — idealizou Lokknon, sua ansiedade crescente.



— E como é um período de férias, a faixa litorânea está com lotação estabelecida. — apontou Mudok vendo vários ângulos da praia na tela.



— Os dados já foram transferidos ao bio-modelador, mestre! — disse Barooma que se dirigiu a alavanca para baixa-la — Que venha com muita saúde!



A máquina manifestou seus efeitos habituais como as luzes piscantes como relâmpagos e a fumaça de vapor exalando feito névoa. Após a forja, a criatura saía da cabine, mas entalou devido ao sua fisionomia obesa.



— Mas quem foi o imbecil que fez uma porta tão estreita hein? Alguém me ajude a sair!


— Mudok, tire-o dali, ele não consegue minimizar sua proporção corporal, apenas aumenta-la.


— Exaramente, mestre Lokknon. — disse o monstro sendo puxado por Mudok pelo braço. O androide usara sua força descomunal, o tirando em poucos segundos — Ah, que alívio, obrigado.


— O idiota que tirou as medidas erradas da porta esta bem aí atrás de você. — apontava Aracna, implicante.


— Ah, é você, cabeça de panela?! Quer sentir meus espinhos? Eles podem penetrar nessa sua pele dura e transformar você numa concha linda para minha coleção.


— Mais respeito ao se dirigir a mim, fui eu quem o criou, para início de conversa! Está vendo essa praia? É lá que você fará uma miríade de conchas que não se encontram no oceano!


— Oh, mas que belas presas pros meus espinhos, ele darão conchas belíssimas pelas quais eu possa ouvir seus gritos de desespero.


— Nossa, isso foi bem cruel de se dizer. — disse Aracna aproximando-se dele fingindo reprovação, mas logo lhe sorriu — Por isso te adorei! Vou te chamar de Puffertox, tá bom?


— Ganhei um nome, que beleza! Estou preparado, mestre Lokknon, tão preparado que estou quase inflando de empolgação, hehehe! — disse Puffertox esfregando as mãos.


Na praia, Tori decidiu parar numa barraca onde vendia frutos do mar e sobremesas, comprando dois sorvetes de creme para ela e Zoe que sentou na beira da plataforma de madeira que sustentava o estabelecimento.


— Academia Ninja do Vento?! Conseguiu me deixar interessada em visitar, tomara que aconteça um dia. — disse Zoe quando Tori veio lhe dar seu sorvete e sentou a esquerda dela — Obrigada.


— Um sorvetinho vem a calhar nesse calor californiano de verão. — disse Tori que mordiscou um pedaço do sorvete — E se eu pudesse te levar pra uma visita a academia, seria agora. Você ia amar, quem sabe até sentir vontade de aprender a arte que meu mestre ensinou a mim e meus amigos. Olha eles aqui. — mostrava fotos na sua galeria do celular — Esse é o Shane, Ranger Vermelho que domina ao ar. Esse aqui é o Dustin, ele é o Ranger Amarelo, dominador da terra. Esse é o Hunter, Ranger Rubro, ele é da academia ninja do Trovão junto com o irmão dele, Blake, que é esse aqui.


— Olha você aí com eles, linda foto. Que cores diferentes as deles, devem ser muito fortes. — comentou Zoe tomando seu sorvete.


— E são sim, bastante. Tem centenas de fotos minhas com o Blake já que... — mostrou um anel no dedo anelar direito — ... somos noivos.


— Que bom, felicidades pra vocês. Vem casamento por aí?


— Ainda estamos avaliando as possibilidades, se é que me entende. — respondeu Tori com ar risonho que levou Zoe a rir com leveza — Por fim, esse aqui é o Cam, nosso técnico de suporte que nos ajudou em nosso período de atividade como Rangers. Ele é o atual sensei da academia.


— O que aconteceu com o mestre que treinou você e seus amigos?


— Ahn... — Tori mudara seu semblante de imediato como se fosse noticiar algo triste — Ele... Ele morreu há alguns meses. Antes de partir, deixou um testamento onde passava a posse da academia para o nome do único filho.


— Eu sinto muito pela perda do seu mestre. Acredito que ele tinha orgulho do próprio filho e transmitia isso a vocês.


— Sim, ele tinha. Era uma figura paterna pra todos os alunos. Eu e os outros Rangers criamos um memorial com uma estátua em homenagem.


— Você falou em período de atividade... Então vocês se aposentaram como Power Rangers?


— Não exatamente. Usávamos os poderes ninja na época que a Terra esteve ameaçada pelo Lothor que era irmão gêmeo do sensei Watanabe. Depois que o derrotamos, continuamos com nossos morfadores após nos formarmos como mestres ninjas. Só pra garantir caso outro inimigo surja de repente.


— Lothor? Lembra o nome do inimigo meus amigos e eu enfrentamos: Lokknon.


— Ele também vive numa nave espacial?


— Sim, é um imperador intergalático ambicioso que deseja dominar a Terra como um vilão de desenho animado. Ninguém sabe o que ele quer de verdade, talvez nem ele próprio.


— É, imagino que são muito mais parecidos, acho até que seriam aliados.


— Por quanto tempo você vai ficar aqui na cidade?


— Até acabar a competição de surf das olimpíadas estaduais. Vai torcer por mim, vai?


— É claro que vou, quero te ver arrasando nas ondas, mas tô ainda mais ansiosa em te apresentar pros meus amigos. Eles são demais, você vai ver quando voltarem lá da Intercorp.


— Intercorp? É algum tipo de corporação?


— É a organização que fornece nossos poderes zoomorph, é basicamente uma polícia militar espacial. Bem, você contou sua história, hora de contar a minha.


Puffertox surgia em teleporte no meio da praia, gerando rapidamente um alarido de banhistas.


— Não é essa recepção calorosa que eu esperava! Fiquei magoado, portanto sintam meus espinhos! — disse o monstro que inflou o corpo e disparou seus espinhos como projéteis que atingiram em simultâneo várias pessoas, as quais caíam na areia transformando-se em conchas marinhas — Oba, oba, conchinhas pra colecionar, nem sei qual delas pego primeiro!


Zoe e Tori levantaram alarmadas ao verem do que Puffertox era capaz, alguns banhistas apavorados correndo próximos delas.


— Me enganei, é hora de chutar o traseiro de monstro horroroso. — disse a Ranger Rosa.


— E falando em traseiro, o desse aí vai ser bem mais divertido chutar. — disse Tori — Pra isso vai precisar de uma parceira.


— Sério? Desde já, fico muito grata. Vamos lá.


As duas correram para a área de trás da barraca onde haviam kombes estacionadas e dentre as quais se esconderam longe da vista de qualquer um.


— Aqui tá ótimo. Pronta? — indagou Tori.


— Pronta! — disse Zoe com a célula e o morfador — É hora de morfar! Arraia Rósea!


— Tempestade Ninja, forma Ranger! — bradou Tori morfando como Ranger Azul Ninja do Vento — Poder da Água!


Puffertox recolhia as conchas juntando nos braços.


— Fascinante! Uma mais bela que a outra! — colou uma ao ouvido — Haha, consigo ouvir os gritos de desespero como música!


— Tô curiosa pra ouvir o seu! — disse Zoe surgindo junto a Tori frente ao inimigo — Deve ser bem irritante de se ouvir!


— Que trajes de banho mais ridículos! — provocou Puffertox.


— Olha pro seu primeiro! — falou Tori — O que foi? Esqueceu de bronzear a barriga?


— Se vieram tomar essas conchas de mim, estão perdendo tempo! São todas pra sempre minhas, nunca voltarão a ser aqueles idiotas!


— Pra sempre é tempo demais! Ferrão de arraia! — disse Zoe que logo avançou com sua arma.


Puffertox cuspiu bolas de uma gosma rosada parecida com chiclete, as quais Zoe rebatia para os lados com o ferrão, causando explosões de fumaça rosa na areia.


— Oh, ela é boa! — elogiou Tori.


Zoe saltou desferindo um corte luminoso vertical no monstro que inflou-se, neutralizando o golpe. A Ranger Rosa insistiu em sucessivos ataques, mas nada adiantava.


— Parece que inflado ele fica mais resistente!


— Acertou, garotinha fraca! — disse Puffertox que disparou sua chuva de espinhos, gerando explosões de faíscas em volta de Zoe e no uniforme dela a derrubando.


— Deixa ele comigo, Zoe! — disse Tori com sua arma própria — Barbatana Sônica! — correu até Puffertox disparando ondas vibratórias que o tiraram do chão — Agora girando, girando! — disse ao faze-lo rodar verticalmente no ar e o elevando mais alto — Agora caindo! — o derrubou com súbito impacto na areia.


— Mandou bem, Tori! — disse Zoe após levantar, correndo até ela.


— Ah, isso não foi foi tudo. Poder da Água! — disse a Ranger Azul fazendo seu gesto ninja com as mãos, uma aura aquosa emanando do seu corpo. Lançou um jato d'água potente no ponto onde Puffertox caíra, criando uma poça no buraco que o afundava como areia movediça.


— O que é isso? Não consigo me mover!


— Na verdade, consegue sim. — disse Tori — O problema é que quanto mais você se mexe, mais rápido você afunda.


— Nããããooo! — gritava Puffertox ao afundar totalmente, sua voz produzindo bolhas na poça.


— Você acabou mesmo com ele? Me pareceu que sim! — disse Zoe.


— Esse truque elemental foi só pra atordoa-lo, ele pode parecer fraco pela forma física, mas percebi que não. — disse Tori esperando ele reaparecer.


Puffertox movia-se debaixo da terra, logo inflando subitamente sob as duas, as jogando para longe, depois voltando ao fundo da areia para ir recolhendo as conchas que eram tragadas para baixo.


— Ele tá levando as conchas... — disse Zoe ao levantar.


Puffertox reapareceu como uma bola emergindo da areia, logo mostrando ter pego todas as conchas aninhadas nos braços.


— Haha, eu falei que são só minhas! Tentem me pegar da próxima vez!


O monstro teleportou-se.


— Droga, fugiu de nós pra guardar essas conchas sabe lá onde. — disse Tori aproximando-se de Zoe.


— Com certeza ele não vai parar por aqui. Pessoas na cidade correm risco de também serem vítimas, por isso vou contatar um amigo meu lá na base do Esquadrão Z. — disse Zoe que logo fizera contato com Theron na Central de Comando — Theron, na escuta? Theron!


O mordomo relaxada na cadeira giratória reclinável ouvindo música num headfone completamente distraído.


— Se a montanha não vem até nós, vamos até ela. — declarou Zoe tocando no braço de Tori — Vem comigo conhecer a Central de Comando.


A Ranger Rosa apertou o botão de teleporte, levando Tori de acompanhante até a base. Ambas apareceram lá vendo o mordomo tranquilo e despreocupado.


— Esse que é o mentor de vocês? — indagou Tori.


— Ele também foi pra Intercorp junto com a assistente de suporte, a Karen. Esse aí é o Theron, mordomo do Sr. Dickerson.


— Pelo visto, ele tá curtindo bem a folga. — disse Tori se aproximando dele junto a Zoe.


— Theron, fala comigo. — disse Zoe tentando chamar atenção. Desligou o fone apertando o botão, fazendo-o sobressaltar como se despertasse de em sonho — Até que enfim, bem-vindo de volta ao mundo, Theron.


— Quem interrompeu minha música relaxante? — se perguntou, logo virando-se para Zoe — Ah, é você, Srta. Gardner. E está acompanhada...


— Muito bem acompanhada, pra ser sincera. — disse Zoe apresentando Tori — Essa é uma nova amiga minha, Tori Hanson.


— Olá, muito prazer. Nossa, esse lugar tem tecnologia de ponta em cada centímetro.


— Sinta-se como se estivesse no seu QG ninja. Qualquer Ranger é bem recebido aqui.


— Tenho que confessar: não esperava esse lance de teletransporte, é sensacional.


— Mas o que se passa? Por que não está com os demais na viagem? — questionou Theron.


— Me atrasei e perdi o embarque. Liga o radar do computador, há um monstro do Lokknon atacando a cidade, temos que encontra-lo antes que ele acumule mais vítimas.


O mordomo sintozoide levou suas mãos ao teclado do painel, acessando o radar e colocando e modo de visualização de imagem.


— Esse é o ponto do sinal anômalo e... Pelas barbas de Poseidon, que criatura mais repulsiva. Se bem que não aprecio baiacus.


— É ele, tá mesmo causando terror na cidade. — disse Tori — Melhor irmos, Zoe, depressa.


— OK, não podemos esperar os outros voltarem. — disse Zoe ficando ao lado de Tori.


— Deseja que eu contacte o Sr. Barnes para somar reforço?


— Não precisa, acho que... duas garotas duronas dão conta. — disse Zoe — Além do mais, o Owen merece aproveitar as férias com o pai dele sem ser perturbado, pelo menos hoje.


— Quem é Owen? Outro Ranger? — indagou Tori.


— Sim, nosso Ranger Verde. Forte como um gorila, tipo o King Kong.


— Legal, também temos um verde. Justo o nosso técnico e atual sensei.


— O Cam é um Ranger também?! Aí sim fiquei surpresa. Queria tanto que fosse um encontro completo das nossas equipes.


— Quem sabe um dia, nada é impossível. Vamos nessa, teleportar até que dá uma sensação boa.


— Mas antes... Colete Zoomorph! — disse Zoe ativando a armadura protetora — Cartão da Fera! — inseriu na entrada do colete — Modo Fúria Animal, ativar! — a armadura rosa gerou-se no lugar do traje-base com as armas.


— Que máximo! Todos os outros também acessam esse poder aumentado?


— Sim, até mesmo o Owen. Vocês também tem um, não tem?


— Na época que combatíamos o Lothor, não. Mas hoje é diferente. Nossa experiência ninja nos fez evoluir também como Rangers. — disse Tori que preparou-se — Estou pronta! Modo Ninjutsu! — seu traje Ranger modificou-se, o spandex substituído por partes de armadura da mesma cor — Cortesia do lendário Ninjor. Longa história, prometo contar mais tarde.


— Eu amei, é lindo! Ótimo, com nossas forças multiplicadas seremos imbatíveis.


— Assim espero. — disse Tori tocando no ombro da Ranger Rosa.


— De volta a ação! — dissera Zoe teleportando junto a Tori até a zona urbana.


Puffertox seguia caótico pela ruas, rolando como uma bola na sua forma inflada e pulando sobre carros que eram esmagados.


— Que venham mais conchas! — disparou seus espinhos num grupo de pessoas correndo. Os cidadãos indefesos logo viraram novas conchas marinhas à coleção do monstro que as sugou com a boca como se fizesse uma refeição.


Um robusto caminhão buzinou alto prestes a atropelar Puffertox que em resposta inflou mais e girou na intenção de colidir com o veículo. Porém, Zoe surgiu num salto pousando no meio, logo disparando suas bolhas explosivas como tiros que refreavam Puffertox até fazer-lo desinflar e cair rolando no chão a uns metros.


O motorista do caminhão freou brusco.


— Está fora de perigo, pode passar! — disse Zoe.


Puffertox reerguia-se insistente ao inflar seu corpo novamente e rolar diretamente até Zoe qie estava distraída. Porém, um borrão azul viera rasgando o vento e o atacando de várias direções, o desorientando.


— Tori! — disse Zoe que correu em direção a ninja que pousou frente ao monstro.


— Ele quase te pegaria na guarda baixa. — disse a Ranger Azul — Ninguém mais por perto em risco de virar concha pra esse idiota, né?


— As ruas estão quase esvaziadas, tido sob controle. Vamos faze-lo murchar de tanta vergonha pelo que andou aprontando.


— Oh, trocaram de trajes! Mas pra mim não faz diferença alguma, enquanto meu corpo inflar e meus espinhos serem imparáveis como balas, nada me fará desistir, vocês perderam! — disse Puffertox que inflara grandemente e disparou mais uma chuva de espinhos.


— Quer ver só a diferença de quando estávamos na praia? Olha aí! — disse Tori que energizou espada ninja — Tempestade Aqua! — fazia um movimento giratório com a lâmina para cima, formando um tornado de água que lançou contra Puffertox. O monstro foi pego no tornado, rodando da base até o topo até cair causando estragos no chão e desinflando.


— Ainda não me cansei de lutar! Saiam do meu caminho, preciso de conchas novinhas para expandir minha coleção! — disse ele que novamente inflou com disparos de espinhos.


— Mas que teimoso! — disse Zoe — Barreira Z! — o emblema no peito se projetou como escudo holográfico rosa, fazendo os espinhos serem rebatidos aos lados com explosões de faíscas.


— Meus espinhos são infinitos! — disse Puffertox que inflou novamente e avançou rolando e disparando mais espinhos os quais Tori neutralizou com um escudo de água criado pela espada, logo depois a Ranger Azul levando a ponta da lâmina ao chão energizando um ataque que se lançou como uma onda até o monstro convertendo-se num novo tornado formado abaixo de Puffertox e se elevando.


— Até que altura será que ele chega? Acho que só vamos descobrir se você der o próximo golpe, Zoe.


— E eu já sei como! — disse a Ranger Rosa indo para ficar no ponto certo sob Puffertox enquanto o monstro era alçado pelo tornado d'água — Olha pra cá e abra bem a boca! — disparou as bolhas explosivas do seu canhão para cima, Puffertox as devorando e se inflando cada vez mais. O tornado se desfez e o monstro flutuava no ar como balao com as múltiplas bolhas enchendo seu corpo.


Contudo, Theron detectou pelo computador uma variação súbita de temperatura no interior de Puffertox dada os disparos contínuos de bolhas.


— Isso representa uma reação que pode causar sérios danos à cidade. — ativou a comunicação — Srta. Gardner, pare de atirar, ele está se superaquecendo internamente!


— Superaquecendo!? Ah não, acabei de lembrar que ele tinha devorado as conchas! — disse Zoe que prontamente cessou os tiros.


— Por que parou? A medida que ele ficasse maior, seria a deixa pra eu lançar o ataque final. — disse Tori vndo até ela.


— As pessoas que foram transformadas estão dentro dele, se ele explodir... E-eu cometi um grave erro, fiz tudo errado até aqui!


— Eu vi você salvar uma vida inocente hoje, Zoe. Já é um feito valoroso demais. — disse Tori que logo voltou sua atenção para Puffertox absurdamente inflado subindo — Sei como resolver: vou lançar uma esfera de água que ele vai engolir, quando ela se maximizar as bolhas se dissolvem e ele volta a forma normal.


— Parece bem efetivo. Conto com você, Tori, arrasa!


Puffertox sentia-se desconfortável com a lenta subida.


— Eu odeio voar! Me coloquem de volta ao chão! — disse ele, sua voz mais grave devido a forma inflada.


— Calminha aí, peixinho, você já vai descer! — disse Tori energizando a espada que formava a a esfera d'água.


Lokknon visualizou uma catástrofe vantajosa a ele com a ameaça de Puffertox em explodir.


— O seu pedido será atendido, Puffertox. Mas em outro cenário, hahahaha! — disse o imperador que bateu no botão do trono, teleportando o monstro ao mar da praia da cidade.


— Ué, aonde ele foi parar? Faltava pouco pra disparar! — disse Tori, confusa.


— O Lokknon teletransportou ele! — alarmou Zoe — Theron, algum sinal dele?


— Nas águas da praia, madames. Ele foi mandado para o meio do oceano onde explodirá dentro de alguns segundos. — disse o mordomo-ciborgue expressando preocupação — Sugiro que ajam rápido, a prévia do computador alerta que a explosão possui magnitude suficiente para gerar uma onda de até cem metros!


— Cem metros!? Isso vai devastar mais da metade da cidade ou ela inteira!


— Zoe, o que ele tá te dizendo?


— Temos que voltar a praia, depressa. Toca em mim! — disse Zoe que logo fora tocada por Tori. Ambas se teleportaram de volta a praia onde avistaram Puffertox boiando — Bem ali!


— Ele tá meio longe pra ser alcançado pelo ataque da minha esfera.


— Não, não podemos atirar! Se ele explodir de qualquer jeito, vai formar uma tsunami de até cem metros, segundo o Theron.


— Caramba, uma onda dessas é o sonho de qualquer surfista profissional! Zoe, tive uma ideia: que tal surfarmos nela?


Puffertox havia chegado ao limite, o ponto de ebulição entrando no máximo. A explosão inevitável chacoalhou o fundo do mar, a vibração desoladora causando um tremor na praia.


— Lá vem ela! — disse Zoe vendo a tsunami vir em peso e crescente — Tori, qual o seu plano além de surfar nessa onda gigantesca?


— Usar um jutsu de poder congelante pra para-la antes de chegar a dez metros da maré baixa. Precisamos de uma prancha, vou buscar a minha, dá tempo!


— Espera, lembrei que o Sr. Dickerson adicionou uma espécie de prancha no meu Modo Fúria Animal, mas nunca tinha oportunidade de usá-la... até agora. Vamos lá!


Ambas correram até as ondas baixas, a tsunami ainda um tanto distante, mas não menos aterradora.


— Ativar prancha-arraia! — a prancha rosa surgira sob os pés dela — Tem lugar pra você atrás de mim, Tori, vem!


— Eu vou adorar isso! — disse Tori subindo na prancha. Zoe avançava surfando rumo a tsunami — Você leva jeito pra coisa! Tá no nível de uma competidora olímpica!


— Você acha? Surfar é o maior barato! Lá vamos nós!


Alcançavam enfim a tsunami colossal e avassaladora, chegando a surgirem no interior dela em inclinação. Chegavam a crista da onda.


— OK, estamos na crista da onda! Consegue se manter enquanto lançou meu ataque?


— Claro, vai nessa! Me equilibro facilmente!


Tori dera um salto para trás e planou no ar fazendo um sinal ninja com as mãos, uma kanji japonês piscando em luz azul.


— Sopro Sub-Zero! — disse ela lançando uma intensa torrente de água congelada a frente da onda criando uma imensa parede fortificada. A onda batera forte na muralha de gelo, sendo refreada para trás e desfeita em seguida.


— Isso foi um verdadeiro show! — disse Zoe surfando com a Ranger Azul voltando a prancha.


— Nós duas demos esse show! Arrasamos! Uhhuu! — falou Tori, a euforia em meios as ondas normais — Yeah, hahahaha!


Lokknon enfurecia-se, rosnando.


— Laser regenerador, Barooma! Eu duvido que somente duas Rangers derrotem Puffertox como gigante, não existe a menor chance!


— Como ordenar, mestre! — disse o cientista que apertou o botão disparando o raio verde direto no oceano onde criou-se um vórtice profundo do qual Puffertox ressurgiu enorme.


De volta às areias da praia, a dupla de Rangers se atemorizou com o renascer do monstro.


— Mas que droga, Lokknon reviveu ele! — disse Zoe — Apenas dois zords não são o bastante!


— Mas tenho certeza que cinco são! — disse Austin, os quatro Rangers surpreendentemente reaparecendo morfados acima de um rochedo praiano.


— Olha só, Zoe, seus amigos voltaram!


— Pessoal, eu tava morrendo de saudade!


— Eu também! — disse Jessie — A viagem tava meio chata sem você lá, sabia?


— Não íamos ignorar o chamado do Theron, agradeça a ele. — disse Damian.


— E olá, garota nova! — disse Tim acenando para Tori — Sabia que azul é minha cor favorita também?


— É, dá pra ver pelo seu uniforme, hahaha! — respondeu ela descontraída.


Zoe desativara seu Fúria Animal e saltou para perto dos amigos.


— Bom ver vocês de novo, eu já estava sem esperanças de vencer esse peixão feioso!


— Pois vamos juntos manda-lo pra vala! — disse Austin — Precisamos do poder Megazord agora!


As máquinas animais saíram de seus hangares e corriam ao palco da batalha. Os Rangers saltaram aos cokcpits.


— Chaves de Comando! — inseriram as chaves e giraram — Ligado!


— Sequência Megazord ativar! — disse Austin.


Os zords conectaram-se formando o Megazord Z. O robô pousou na parte semi-rasa do mar, pronto para a luta.


— Sabre Selvagem! — bradou Austin, a espada prateada caindo na mão direita do robô — Vamos fazer sushi de baiacu!


— Um homenzinho de lata desses não me dá medo! — disse Puffertox que retirou uma robusta concha do umbigo e a soprou. O som emitido fizera o cockpit do Megazord estremecer, o robô atordoando-se.


— Até uma buzina de navio é mais suave de ouvir! — disse Jessie com as mãos no capacete.


— Ele só quer nos assustar! Modo Velox! — disse Austin, o robô reduzindo a envergadura. Puffertox largou a concha e inflou-se, disparando chuva de espinhos. Porém, o robô manejou o sabre com incrível rapidez e destreza, rebatendo todos os espinhos.


— Isso sim que é habilidade ninja! — elogiou Tori assistindo à luta.


— Perdeu, peixe gordo! — disse Tim.


— Hora do protezord Salamandra! — chamara Austin, o réptil robótico vindo pelos rochedos e pulando até o Megazord ao assumir a forma de espada.


— Trocaram uma espada pela outra? O que isso tem demais? — disse Puffertox que inflou e rolou contra o robô. Mas o Megazord o parou com o pé direito e enfiara a ponta da espada na boca do monstro.


— O peixe morre pela boca, não é? Salamandra inflamar! — bradou Austin, a espada incendiando, as chamas destruindo Puffertox de dentro para fora com buracos explodindo — Tchauzinho! — soltara-o para o alto, o monstro cuspindo fogo enquanto subia com seu corpo esburacado e em chamas.


O Megazord virou de costas em pose de vitória, a explosão fatal de Puffertox ocorrendo nos céus. Tori vibrou em júbilo, aplaudindo-os de pé.


— Haha, mandaram ver! Vocês são ótimos Rangers!


— Ei, Zoe, me apresenta essa sua amiga nova, por favor? — perguntou Tim.


— Tá bom, mas vou avisando que tubarões não fazem muito o tipo dela, hahaha.


***


Ao fim da tarde, em pleno pôr do sol, a turma do Esquadrão Z l despedia-se de Tori na orla da praia, a Ranger Azul do Vento guardando sua prancha na carroceria de seu carro 4x4.


— Bem, galerinha, tá na hora de cair na estrada. — disse ela voltando-se aos Rangers, tendo trocado a blusa sem mangas por uma de mangas longas até os pulsos listrada de branco e azul — Gente, foi um prazer, vocês tem um poder Ranger Rosa que merece ser muito valorizado.


A fala deixara Zoe um tanto retraída, mas lisonjeada.


— Sério que vocês ninjas Rangers não tem nenhuma outra Ranger mulher? — perguntou Jessie num misto de curiosidade e indignação.


— Esqueci de contar pra Zoe, agora vou contar pra todos vocês: pouco tempo depois de derrotarmos o Lothor pela segunda vez com a ajuda dos Rangers Dino Trovão, a Academia Ninja do Trovão liberou uma antiga aluna que domina o poder do relâmpago dourado a se juntar a nós e o Cam construiu um morfador pra ela.


— Uma Ranger dourada, sensacional. — falou Austin — O Sr. Dickerson nos falou de todas as equipes do passado e essa Dino Trovão não ficou de fora. Tô afim de conhecê-los um dia.


— Isso é meio difícil de acontecer porque eles vivem separados, cada qual com suas vidas e seus planos... Mas ainda mantenho contato com a Kira, a Dino Ranger Amarela, somos amigas.


— Significa que eles são uma equipe aposentada? — indagou Damian.


— Desse time apenas Tommy Oliver está na ativa, ele foi e ainda é o Dino Ranger Preto. Bem, não só nessa cor atualmente.


— Sabemos quem ele é, uma lenda entre os Power Rangers, ele começou como Ranger Verde, depois passando pra branco, vermelho... — disse Austin curioso quanto a vida atual do veterano.


— O Cam é que sabe dessa história com mais detalhes, ele ficou amigo de Billy Cranston, antigo Ranger Azul, soube que ele criou um morfador especial para Tommy que faz ele acessar suas antigas formas.


— Caraca, um morfador que acessa diferentes poderes. — disse Austin, sonhando em conhece-lo numa ocasião especial — Espero um dia chegar ao nível dele.


— Mas fiquei confuso. — disse Tim franzindo a testa — Os ninjas do Trovão tem alguma coisa a ver com os Rangers Dino Trovão? Acho que a sua beleza me distraiu e não consegui prestar atenção.


— Ah, foi mesmo? Vem cá, adorei você, Tim. — disse Tori dando um rápido abraço nele — Gostei da rima. Curte hip-hop?


— Claro, tenho outras rimas que você vai se amarrar.


— Mas é uma pena que a Tori não tenha tempo livre pra ouvi-las, né, Tori? — interviu Zoe tocando os ombros do Ranger Azul por trás.


— Pois é, tô quase atrasada pra reunião na academia. Mas logo tô de volta a Alameda dos Anjos pro campeonato de surf.


— Pena também que não vamos poder torcer por você aqui na praia. — lamentou Zoe dando as mãos a ela que retribuiu — Temos viagem pro Havaí marcada pra amanhã de manhã.


— Nossa, legal. As ondas havaianas são verdadeiros tesouros tanto pra surfistas experientes quanto iniciantes. Bem, se cuidem, crianças. Um dia quero reencontra-los pra unir nossos times, seja pra lutar contra o mal ou se divertir.


— Ser Ranger também é divertido, mas ainda temos muito que amadurecer e... sinto que aprendi muito com você hoje. Obrigada, Tori. — declarou Zoe, exalando gratidão e emoção.


— Também sou grata a você pela parceria, Zoe. Que vocês consigam vencer esse Lokknon, a responsabilidade de proteger o mundo hoje está nas mãos de vocês, portanto não fraquejem e continuem sempre lutando. Tchau, pessoal, até um dia.


Os Rangees despediam-se com falas paralelas enquanto ela adentrava no carro. Tori mirou o olhar em Tim e lhe sorriu com uma piscadela acenando antes de dar a partida e seguir.


— Que injustiça ela não ser alguns mais nova... Como a minha idade. — lamentou Tim — Ela faz meu tipo, nossas cores combinam e até nossos zords... Ah, ela é perfeita pra mim.


— Não liguem, logo ele volta ao modo capacho da Cindy Harper. — disse Damian gerando risadas contidas nos amigos.


Os cinco foram caminhando pela orla tranquilos.


— Aí, bonitinha, fez uma nova amiga loira e se esqueceu de mim, não foi? — provocou Jessie em tom brincalhão.


— Na minha vida só tem espaço pra uma melhor amiga loira e ela não necessariamente precisa ser uma Ranger com poderes de água como eu. — respondeu Zoe que logo desatou a rir abraçada com Jessie.


— Contagem regressiva pra nossa super viagem, galera. — disse Austin — Zoe, não vai se atrasar, hein.


— Podem apostar que chego primeiro.


— Apostado, então, haha. — disse Austin que bateu a palma das mão na dela.


— Havaí, aqui vamos nós! — bradou Tim com os braços erguidos em total animação e expectativa pelo dia seguinte.