Power Rangers: Esquadrão Z

16 A Nova Super-Máquina do Mudok (Parte 2)


Notas iniciais
Sinopse do capítulo: A cidade passa a desacreditar nos Power Rangers após a derrota humilhante perante o MK-Destroyer de Mudok que segue causando mais destruição. Os Rangers contam com uma descoberta de Dickerson que pode virar o jogo, mas terão de ser ágeis se quiserem vencer. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!

A inevitável luta dos Rangers contra aquele pequeno exército de Psycho-Bots se desenrolava no terraço do hotel com o cenário caótico de fumaça e fogo ofuscando o céu do fim da tarde e servindo como um desastroso pano de fundo. Os heróis chutavam os robôs de modo que os jogavam do alto do edifício, além de desviarem dos golpes pois aqueles soldados monoculares também detinham uma boa noção de combate — embora não suficiente para fugirem à regra de serem meros atrasos.

Mas devido ao cansaço, os Rangers tomavam ataques no peito e na barriga. Austin, justo o mais disciplinado nas artes marciais, fora derrubado duas vezes com golpes no tronco. Zoe e Jessie desferiram juntas chutes que lançaram dois robôs a caírem da altura de vinte metros do prédio. Tim desviava de chutes e socos de um robô, logo girando e chutando-o na cabeça a ponto de empurra-lo a grade do guarda-corpo, consequentemente fazendo-o se desequilibrar e cair. Damian se abaixou safando-se dos chutes de dois robôs, um na frente e outro atrás, logo passando uma rasteira no que se via adiante e depois, se mantendo no chão, chutando o outro que estava atrás com os dois pés no peito, o empurrando contra a porta de aço que dava acesso até ali.

Quando todos os robôs vencidos desapareceram alquebrados, mais uma leva saía pela porta de aço arrombada.

— Vieram mais?! Quantos desses malditos o Lokknon tem, afinal? — questionou Austin.

— Talvez mais que um milhão! — supôs Zoe.

— É como matar formigas! — comparou Tim, apreensivo — Não importa quantas você esmague, sempre aparece mais um montão!

— Se liga, pessoal! O Lokknon tá fazendo isso pra perdermos tempo enquanto o Mudok toca o terror na cidade! — apontou Jessie.

— Não podemos continuar aqui lutando ininterruptamente! — avisou Damian — Seremos levados a exaustão e nosso tempo recarga vai prolongar!

— Então o que a gente faz? — perguntou Tim que olhou para baixo no guarda-corpo — E se pularmos dessa altura? Será que nos quebramos todos?

— Não, nada demais, só causaria um possível traumatismo craniano ou fraturas múltiplas. — respondeu Damian.

— Tá louco, Tim? Não estamos desesperados com medo desses panacas pra fazer isso! — falou Jessie, estressada.

— Se pudéssemos morfar, sim. Mas a situação aqui não dá muitas escolhas! — declarou Austin.

— Eles só vão atacar se nós atacarmos primeiro.— disse Zoe — Mesmo se corrermos passando por eles pra chegar até a escada.

— Nesse caso, só resta tentarmos nos teleportar pra Central de Comando. — sugeriu o líder — Prontos? Ao meu sinal.

Os Rangers estavam com as costas coladas na grade do guarda-corpo acuados pela horda de Psycho-Bots.

— Já! — bradou Austin. Os cinco apertaram os botões de teletransporte, virando pilares de luzes coloridos que sumiram rapidamente. Contudo, em vez de surgirem na base terráquea da Intercorp, acabaram indo parar no térreo bem próximo ao estacionamento.

— Ué, onde estamos? — indagou Tim — O Sr. Dickerson coleciona carros?

— Mas que droga. — resmungou Austin — Parece que ainda estamos no mesmo prédio.

— Nós só descemos pro primeiro andar?! — disse Jessie, incrédula.

— Não é falha no comunicador, é devido ao nosso desgaste. — aferiu Damian — Está limitando nosso alcance de deslocamento.

— Temos de esperar mais até nosso corpo se recompor e o nível de energia voltar ao normal. — disse Zoe, afoita e se sentindo encurralada.

Para a infelicidade ainda mais crescente dos heróis, mais Psycho-Bots vinham de encontro a eles passando pelos carros, alguns em zigue-zague, outros pulando sobre.

— Vambora, galera! Me sigam! — disse Austin disparando em corrida com os amigos para fora do estacionamento. Enquanto isso, Lokknon se divertia com o frenesi dos Rangers, regozijando-se do esgotamento que sofriam.

— Hahaha! Fugindo como ratos num esgoto! É um verdadeiro deleite vê-los assim tão frágeis como os terráqueos perdedores que são! — zombava o imperador assistindo pelo visualizador multifocal — Mas estou curioso pra ver como Mudok vem se saindo colocando a cidade dos Rangers abaixo dos seus pés totalmente desimpedido. — mudou de "canal" com o controle remoto — Aqui não... — mudou novamente — Aqui também não... — porém, notou algo distintamente perceptível — Espere, aqui sim! — mudou para o foco anterior, vendo Metalorg em sua farra destruidora cuspindo bolas de ferro derretido — Mas o que é isso? De onde saiu essa coisa abominável? Mudok!

O androide recebeu o chamado em alto e bom som pela saída de áudio no painel de controle do MK-Destroyer.

— Na escuta, milorde!

— Me diga se consegue ver daí de cima um distinto ponto cinzento se movendo pela cidade e cuspindo bolas de fogo.

Mudok ampliou a visão pelo radar do computador para detectar o tal ponto cinzento. Ao encontrar, sentiu como se um choque elétrico de pequena voltagem perpassasse seus circuitos.

— Não pode ser! Mestre, é um monstro cuja fisionomia lembra muito ao que Barooma costuma criar. Aquele miserável! Ele vai me pagar caríssimo por tentar obstruir meu plano!

Barooma se encontrava em outro arranha-céu após fugir de Aracna.

— Aqui me sinto um pouco mais seguro sem aquela descontrolada da Aracna me atormentando! Vamos, Metalorg, chame a atenção dos Rangers e os destrua enquanto estão impossibilitados!

O subalterno foi surpreendido com o MK-Destroyer em forma draconiana subindo a poucos centímetros do arranha-céu, a face daquela gigantesco dragão metálico lhe encarando fixamente com seus temíveis olhos amarelos. Mudou fizera a máquina soltar um rugido agudo e tão intenso que empurrou Barooma contra a parede. O androide pulou para fora do cockpit para tirar satisfações.

— Barooma! — disse Mudok pousando no terraço do edifício e avançando para agarrar seu colega, mas Barooma ameaçou com o cajado.

— Pare aí mesmo, Mudok! Se tentar qualquer coisa contra minha integridade física, o mestre irá puni-lo severamente! Não pense que vou hesitar em usar meu cajado se der mais um passo!

— Então é minha espada contra essa varinha mágica ridícula que você chama de arma! — disse Mudok invocando sua própria espada, a Cyber Blade, apontando-a para Barooma — O mestre foi bem claro ao dizer que somente eu teria toda a liberdade de enfrentar os Rangers!

— Mas é uma injustiça que Aracna e eu sejamos deixados de lado enquanto você desfruta do prazer de acabar com os Rangers! Eles tem um forte espírito de equipe, então por que não podemos nos igualar a eles pelo menos nisso?

O androide fez menção de ataca-lo, mas parou e refletiu a questão levantada. A união fazia a força com os Rangers, na prática. Não seria diferente se Lokknon e sua tropa pensassem de maneira mais coletiva.

— Hum, talvez esse meu egoísmo me impeça de dividir a conquista até mesmo com o mestre. — disse o androide baixando a espada devagar — De início, pensei que só estava cobiçando uma fatia de crédito pela derrota dos Rangers pra não se sentir inferior a mim.

— Eu? Espere isso da Aracna que inclusive me persuadiu a esse plano! Mas ela é dispensável! O que me diz? Parceiros?

— Ótimo, mas aceito esse trato com um simples termo: o seu monstro de sucata se restringe a espalhar terror e destruição pela cidade enquanto meu MK-Destroyer cuida dos Rangers e do Megazord.

— Fechado! Mas saiba que a palavra do mestre é decisória para que possamos levar a cabo!

Mudok retornou ao cockpit do MK-Destroyer.

— Façamos uma pausa por hoje. Quero reservar uma boa quantidade de energia pra que amanhã os Rangers sintam o sabor amargo da derrota!

O dragão cibernético voou mais alto com seus propulsores e se teletransportou. Enquanto isso, Dickerson chegava ao local que sediava o concurso científico, o espaço já bastante lotado com repórteres fotografando e entrevistando nomes notáveis da ciência. O explorador, trajando um terno cinza simples, o procurou nos bastidores, logo o encontrando sentado à uma mesa com postura preocupada.

— Smith! O que houve? Por que não ainda não se reuniu com seus colegas de equipe?

— Eles não vieram. — disse o cientista erguendo o rosto molhado de lágrimas — Me deixaram à própria sorte por não acreditarem que eu tenha recebido ajuda de uma criança para terminar o reator. O grupo foi dissolvido, nenhum deles confia na eficácia de um protótipo concluído às pressas, mas na verdade tivemos um cuidado totalmente minucioso e paciente.

— Quer saber de uma coisa? A minha opinião honesta quanto a isso? — indagou Dickerson tocando-o no ombro — Não precisa da validação deles pra acreditar no julgamento positivo da bancada. Eles estão fora, não têm propriedade pra falar nada a respeito.

Smith dera um fraco sorriso ao explorador.

— Obrigado, Thomas. Mas... há uma coisa faltando pra eliminar completamente essa sensação ruim de abandono.

— E o que é?

— Preciso do Damian e... não é apenas para me prestigiar na plateia. — disse o cientista levantando com uma certa urgência no olhar.

Os Rangers se esgueiravam por um beco e, ao dobrarem, se depararam com o estado calamitoso das ruas assoladas pela fúria flamejante de Metalorg que continuava regurgitando bolas de fogo e derrubando carros emitindo grunhidos selvagens. Os Rangers observaram de longe em meio ao corre-corre.

— Olhem, aquela coisa parece um dos monstros que o Lokknon manda! — reconheceu Tim.

— Não parece, é! — disse Jessie — Como se já não bastasse todo o sufoco que passamos com a máquina assustadora do Mudok.

— Deve ter sido ele que nos atacou naquela hora. — apontou Zoe.

— A minha vontade é de ir lá e descer o sarrafo nele! — intencionou Tim.

— Nem pensar que vamos enfrentar esse bicho feio nas condições em que estamos. — disse Austin.

Uma mãe e sua filha estavam escondidas atrás de um ônibus, agachadas e amedrontadas.

— Cadê o papai? Já tá quase anoitecendo. Por que ele tá demorando tanto? Eu tô com muito medo dele ter morrido!

— Calma, filhinha, ele já tá vindo, já tá vindo.

— Mas e os Power Rangers? Por que não apareceram ainda pra salvar todo mundo?

— Eu acredito que... eles se sentiram muito culpados com o erro que eles cometeram e como a maioria das pessoas se desagradou... acho que eles podem ter fugido da Terra e talvez nunca mais voltem.

A menina começara a chorar ante a possível debandada dos heróis coloridos. Austin sentiu um nó na garganta ao se compadecer da garotinha junto à sua mãe e deu dois passos a frente, mas logo Damian tocou-o no ombro atrás dele fazendo que não com cabeça.

— Não podemos fazer nada. — disse o Ranger Preto, entristecido. Os comunicadores tocaram.

— Na escuta. — disse Austin ao atender.

— Sou eu, Rangers. — disse Karen — Dickerson tem uma mensagem importantíssima pra dar ao Damian. Vocês precisam sair daí agora mesmo antes que esse ferro-velho ambulante veja vocês e os ataquem.

— Mas nosso teletransporte tá falhando por causa da energia esgotada. — justificou Austin.

— Vou redirecionar o fluxo de energia para que cheguem aqui em segurança. — disse a tecnóloga, executando a tarefa — Prontinho, podem vir.

Os Rangers apertaram os botões de teleporte, conseguindo finalmente chegarem a base.

— Ufa! Se tivéssemos tentado de novo, vai saber onde iríamos parar. — disse Jessie.

— Provalvemente bem pertinho daquele cara de ferrugem. — disse Austin.

— Aí estaríamos ferrados. — disse Tim dando uma risada nervosa — Entenderam? Ferrados.

Jessie e Zoe o fitaram e reviraram os olhos para a piada, o deixando meio triste.

— E aí, Karen, o que o Sr. Dickerson quer me contar? Cadê ele? — perguntou Damian se aproximando.

— Ele foi ao evento da premiação científica. — disse ela virando-se a ele — Aqui está a gravação que ele mandou há poucos minutos.

A tecnóloga apertou um botão para reproduzir o áudio.

— Karen, preciso que chame pelos Rangers imediatamente. Especialmente o Damian. Smith precisa que ele venha ao concurso porque... ele não sabe como ligar o reator.

— O quê? Como assim não sabe? — indagou Damian.

— Por favor, os faça ouvirem essa mensagem. Acontece que Smith teve pouca participação no projeto, servindo mais como consultoria em vez de botar a mão na massa com os outros.

— Agora entendo porque ele me deixou fazer praticamente tudo sozinho enquanto só me dava alguns macetes. — compreendeu Damian — Eu tenho que ir pra lá ou a apresentação vai ser um fiasco monumental.

— Você tava pensando em não ir, tava? — indagou Tim.

— Com a emergência da destruição na cidade, eu realmente cogitei não comparecer. Mas como Mudok recuou, fiquei disponível de novo.

— Mas como fica aquele monstro de lata? Tem gente sofrendo sem nenhum herói pra socorrer. — disse Austin, aflitivo — Me sinto um fracassado no meio de tanta confusão sem poder mover um dedo pra ajudar.

— Em relação a isso, podem ficar despreocupados, por enquanto. — disse Karen mostrando a visualização da área onde Metalorg atacava, não sendo visível mais nenhum sinal dele — O monstro que Barooma criou apenas com peças descartadas de metal acabou de sumir do radar. A zona do centro da cidade onde ele estava ficou livre de perigo. Barooma o chama de Metalorg, conseguiu construí-lo bastando o poder do seu cajado.

— Amanhã será diferente, vamos tirar a reputação dos Power Rangers da lama de uma vez por todas. — disse Austin socando a palma direita, sua raiva fervendo ao ver imagens de vídeo do MK-Destroyer e de Metalorg na tela.

— Bom, galera, eu vou indo salvar o Dr. Smith. Passar em casa, me arrumar e ir direto pra lá. — disse Damian — Vejo vocês amanhã no colégio?

— Claro, mesmo com o falatório que vai ser de fofoca contra os Power Rangers. — disse Jessie.

— Pode crer. Desejamos sorte pro Dr. Smith. — disse Austin dando um joinha ao amigo.

— Ei, se tiver salgadinhos e docinhos por lá, não esquece de trazer uns pra gente dividir amanhã no intervalo. — pedira Tim com glutonia.

— Não tá afim de ir comigo? Lá tem um buffet vasto pra você se esbaldar.

— Sério mesmo? Tá pra mim então! — disse Tim se colocando ao lado do amigo e o tocando no ombro — Eu me apronto num instante e te encontro lá pra tirarmos a barriga da miséria.

— Só que antes disso terão umas longas explicações científicas que você vai amar ouvir. — adiantou Damian para desestimular o amigo.

— Sem problema, eu levo meu ipod e fico ouvindo umas musiquinhas enquanto a parte chata vai passando.

— Espertinho você. Vamos nessa. E vê se não demora pois vou dizer que trouxe um acompanhante.

Ambos apertarem juntos seus botões de teleporte para as suas respectivas casas.

— Esse Tim não perde uma chance pra encher a pança. — disse Austin.

Zoe se afastou, ficando próxima ao painel de análises materiais. Notando a tristeza da amiga, Jessie se aproximou dela para conforta-la.

— O que foi, Zoe? Que cara é essa?

— O pai daquela garotinha... Será que ele já voltou?

— Elas estão bem. Mas vamos torcer pra que tenham encontrado o pai são e salvo. — disse Jessie a abraçando de lado.

— Eu me sentiria ainda mais culpada sabendo que vidas se perderam porque não estávamos ali pra impedir. — disse Zoe derramando uma lágrima e deitando sua cabeça no ombro de Jessie.

Num ferro-velho, Barooma ordenava Metalorg a ingerir pedaços de ferro sucateado como meio de aumentar seu vigor e poder para a batalha seguinte. No alto de uma pilha de metal, ele bradava seus mandos ao monstro que devorava cada objeto com as duas mãos numa fome voraz.

— Continue assim, Metalorg! Nesse ritmo, sua envergadura crescerá de forma que os Rangers mal arranhem a superfície!

***

A manhã seguinte na Angel Grove Middle School para os Rangers havia iniciado conturbada do modo que temiam. Austin passava pelo corredor principal sentindo os ouvidos doerem com mais comentários detratores pela performance mal-sucedida do dia anterior.

— Cara, os Power Rangers só ficaram brincando com aquele dragão e ainda tiveram o robô deles desmontado. — falava Stuart para Brock.

— E eu pensando que davam pro cheiro! São uns molengas, devem ter fugido pro espaço sideral com as calças borradas. — opinou Brock, revoltado.

O líder passou por Cindy e suas amigas que confabulavam o mesmo assunto.

— Aquilo foi vergonhoso, não bastava terem deixado um assalto acontecer, ainda por cima são quase esmagados por um monstro daqueles que parecia tão fácil pra eles. Não os reconheço mais. Foram muito covardes em fugir quando outro monstro atacava o centro da cidade. — disse a patricinha, desdenhosa.

Austin fechou os olhos e andou mais rápido até os armários do 6⁰ano-A onde viu Tim arrumando o seu. Socou a porta com a lateral do punho direito fechado, sua raiva indisfarçável.

— Não aguento mais isso. Dá vontade de mandar todos calarem a boca.

— Ei, calma aí, campeão. Olha, hoje eu vim de fones de ouvidos com meu ipod só pra não ter que escutar esse monte de baboseira.

— Engraçado você me chamar assim, logo eu o líder que não conseguiu acalmar uma garotinha assustada. — disse Austin, o ombro encostado no armário.

— Meu pai costuma me chamar assim mesmo quando a vida fica complicada. — disse Tim retirando os fones — Relaxa, irmão. A gente sai dessa, aquele foi só o primeiro round.

As meninas se aproximavam por trás de Tim.

— E aí, rapazes. Finalmente encontramos vocês. — disse Zoe.

— Viram o Damian? Sabem se ele já chegou? — indagou Jessie.

— Ainda não. — respondeu Tim — Aquele dorminhoco ficou na festa até umas dez horas, passando do horário super-programado de dormir dele. Olha eu aqui, acordei cedinho e bem disposto.

— Ao menos eu não sujei as calças por exagerar nos doces. — disse Damian vindo por trás de Austin que se virou para cumprimenta-lo.

— Fala, Damian. — deu um toque amigável na mão dele — E que história é essa do Tim ter se sujado nas calças por comer demais?

— Vai, conta pra eles, glutão. — disse Damian com um sorrisinho brincalhão.

— Eu passei um bom tempo na mesa de comes e bebes, mas comi o bastante pra me saciar.

— Ou o bastante pra você passar horas se vazando no banheiro. — disse Zoe que arrancou risadas de Austin, Jessie e Damian.

— Vai ver colocaram laxante nos brigadeiros. — disse Tim sentindo-se envergonhado ao recordar do momento constrangedor.

— Aí gente, devíamos falar de assuntos mais leves e ignorar toda essa intriga que criaram pra cima de nós sobre termos fugido do planeta. — afirmou Jessie.

— Juro pra você que eu tentei, mas não dá, é difícil aturar quando não reconhecem seu esforço mesmo quando tudo dá errado. — falou Austin — Entrar hoje aqui foi bem dureza, parece até que fomos banidos do mundo.

— E como foi no evento, Damian? O Instituto de Pesquisa ganhou o concurso ou não? — quis saber Zoe.

— Graças ao bom senso dos jurados... sim. — revelou Damian fazendo os demais soltarem o ar aliviados — Imagino como os colegas do Dr. Smith que largaram ele pra se virar sozinho devem estar se sentindo agora.

— Com a maior cara de tacho por não compartilharem dessa vitória, com certeza. — disse Jessie, contente pela conquista do IPTAA.

— Mas sabem o que faria o Dr. Smith se sentir totalmente realizado? — perguntou Damian — O reator original de volta em perfeito estado.

— Então será esse nosso objetivo final, galera. — disse Austin, confiante novamente — Essa revanche com o Mudok tem que ser decisiva pra gente arrancar o reator daquela coisa e devolver pro instituto.

— E de quebra mudar esse clima de desconfiança nos Power Rangers. — disse Zoe.

— Espera... Damian, quando você disse que o instituto de pesquisa venceu, o Tim também suspirou de alívio e ele estava lá. Como ele não sabia? — questionou Jessie.

— Ele dormiu durante a apresentação. — respondeu o Ranger Preto olhando com reprovação o amigo que deu uma risadinha nervosa com a mão coçando atrás da cabeça.

***

A sala central da nave de Lokknon virava um palco de uma guerra verbal entre Barooma e Mudok acerca do trato que fizeram em relação ao MK-Desteoyer e Metalorg se revezarem no confronto aos Rangers.

— Metalorg é quem virá primeiro! Não lhe soa mais coerente? Primeiro o menor, depois o maior! — disse Barooma frente a Mudok.

— Por acaso insinua que sua pilha de sucata seja mais forte do que minha máquina de destruição em massa? Subestima muito o poder do MK-Destroyer pra falar tamanho absurdo!

— Se quer ver uma autêntica pilha de sucata, basta se olhar no espelho! — retrucou Barooma.

— E o placar está de três a um para Barooma! — disse Aracna com uma folha de papel colada numa placa de metal negro mostrando os números — Vamos, podem continuar o debate, não é todo dia que ganho um bom entretenimento por aqui.

— Não, já chega! Parem com essa discussão ou vou despacha-los ao vácuo do infinito! — disse Lokknon se levantando enfurecido do trono — O poder decisório compete a mim, certo?

— Foi o que eu disse a esse energúmeno! — disse Barooma.

— Mestre, sou todo ouvidos a sua palavra. Mas por favor, priorize o MK-Destroyer, é o que mais possui recursos para levar os Rangers a uma derrota inescapável. — disse o androide.

— Hum, vejamos... Metalorg poderia atacar primeiramente para depois os Rangers serem surpreendidos com o MK-Destroyer espalhando mais destruição. Mas que diferença isso faz? Perdendo para um ou outro, a fama de fracassados deles será irreversível!

— Acabei esquecendo que os Rangers perderam apreço dos terráqueos. — disse Mudok — Mas quero apostar que eles escolherão a mim quando estivermos em ação.

— É lógico que eles preferirão enfrentar Metalorg antes de formarem o Megazord!

Os dois voltaram-se para Aracna.

— Aracna, qual o seu palpite? — perguntaram ao mesmo tempo. A princesa aracnídea reagiu meio surpresa, mas logo expressou raiva.

— Do jeito que você traiu nosso acordo, Barooma, me trocando pelo Mudok, eu até prefiro que os Rangers amassem suas lutas velhas. — disse ela que largou a placa de metal no chão e saiu fervorosa da sala.

Na escola, pouco após o sinal do fim do turno tocar, os Rangers foram pegos desprevenidos com o toque dos comunicadores. Os cinco caminhavam juntos e foram se esconder próximos da escada que conduzia ao prédio do ensino médio onde era minimamente discreto.

— Pode falar. — disse Austin ao atender.

— Metalorg acabou de voltar a zona central, mas atacando um ponto mais distante que o de ontem. — avisou Dickerson — Venham aqui, Rangers, tenho uma notícia a dar.

Os Rangers se teleportaram a Central de Comando ansiosos pela novidade.

— Notícia boa ou ruim, Sr. Dickerson? — indagou Austin se aproximando — E aí, Karen?

— Excelente, crianças. — disse o explorador com uma face de satisfação e expectativa — Mas ainda requer alguns ajustes de última hora.

— Vai guardar segredo até voltarmos a apanhar daquele dragão robótico do Mudok? — perguntou Jessie, curiosa.

— Sejam um pouco mais pacientes, garanto a todos vocês que é digna de ser chamada de arma secreta. — declarou Dickerson — Virei a madrugada só trabalhando nela.

— Um trunfo pra nos sobressairmos àquela fera de metal é tudo que precisamos. — disse Damian — No status atual, não vejo nem a mais remota chance de vencermos.

— Eu já dei uma olhadinha preliminar. — disse Karen — E posso dizer seguramente que...

— Oh-oh. — disse Dickerson interrompendo-a e fingindo fechar a boca com um zíper.

— OK, Sr. Suspense, vamos focar no ataque de agora do Metalorg. Ele se encontra na avenida Roland Crawl, gerou um congestionamento terrível no trânsito, parece que ouço as buzinas daqui vendo as imagens.

— Tomem cuidado, Rangers. A qualquer instante a máquina destrutiva de Mudok pode reaparecer. — alertou Dickerson — Talvez numa estratégia conjunta com Barooma pra deixa-los indecisos sobre qual deles enfrentar.

— O problema é que esse monstro do Mudok tem uma resistência que superou muito a do Megazord. — disse Zoe.

— E nem é só isso, ele fica trocando os modos de combate o tempo todo. — disse Tim.

— Pois é, parece até que estamos lutando com dois oponentes num só. — apontou Jessie.

— Tecnicamente uma batalha de dois contra um. — reforçou Damian.

— Então vamos ver se podemos equilibrar a luta. — determinou Austin — Quando ele estiver na forma dragão, nos mantemos em modo normal e quando ele mudar pra forma guerreira ativamos o modo Velox. É possível, Sr. Dickerson?

— Uma alternância bem ritmada pode manter os níveis de energia inalterados. Saibam usa-la com inteligência até que eu finalize a arma secreta.

— Beleza, vamos nessa! — disse Austin sacando seu morfador e célula assim como os demais e se virou para um lado com eles — É hora de morfar!

— Touro Ônix!

— Tubarão Cobalto!

— Arraia Rósea!

— Águia Flavescente!

— Leão Escarlate!

Os Rangers saltaram chegando ao local que já se encontrava em estado caótico com carros viraods e pegando fogo, além de muita correria de cidadãos apavorados, sendo eles motoristas e pedestres.

— Mal chegamos e ele já fez a maior bagunça! — disse Jessie olhando em volta.

— Mas ela acaba a partir de agora! Ei, sua pilha de ferro-velho, olha pra cá! — disse Austin chamando a atenção de Metalorg que virou-se e grunhiu alto — Tá com medo de mandarmos você de volta pro lixão?

O monstro despejou uma de suas bolas de ferro derretido contra os heróis.

— Se dispersem! — mandou Austin pulando a esquerda enquanto os outros iam pela direita, esquivando da bola que causou uma explosão. Os Rangers rolaram e ficaram meio afastados uns dos outros, sacando suas pistolas Z e logo disparando. Mas os tiros não produziam mais estourou de faíscas em vez de danos penetrantes na couraça de metal.

Metalorg avançava à medida que era afrontado com os lasers.

— Detonador Max! — bradou Austin chamando por sua pistola exclusiva que surgiu na mão direita. Adicionou um cartucho de poder máximo e tomou proximidade — Fogo!

Nesse momento, Metalorg lançou mais uma bola de ferro recém-forjado contra o laser gerando uma colisão explosiva cuja onda de choque repeliu os Rangers contra um ônibus. Austin acabou pego mais gravemente, sendo arremessado contra uma picape na qual bateu as costas na lateral.

— Agora você me tirou do sério. — disse o líder levantando — Punhos da Selva! – invocou suas armas e saltou dando inúmeros socos que empurravam Metalorg rapidamente, depois tomando impulso o chutando para voar para trás e disparar com os dois detonadores. Metalorg foi jogado com faíscas explodindo em sua volta contra um poste de placas que caiu no impacto, deixando pedaços de metal no chão.

— Marreta Avalanche! — disse Damian que bateu a arma contra o solo produzindo uma onda de terra que lançou Metalorg ao ar — É com você, Jessie!

— Garras Raptoras! — disse a Ranger Amarela saltando e desferindo ataques sucessivos com as garras que fizeram cair mais peças enferrujadas.

— Barbatanas Cortantes! — disse Tim.

— Ferrão de Arraia! — disse Zoe.

De início, Tim moveu suas barbatanas em cortes de luzes azuis na direção de Metalorg que caía. Em seguida, Zoe lançou um corte de luz vertical que se combinou aos do parceiro e atingiram Metalorg a poucos centímetros do chão causando uma explosão que o arremessou um tanto longe.

Porém, o brilho de autoconfiança sumiu nos Rangers ao verem o MK-Destroyer na forma de dragão feroz retornar em teleporte sobrevoando a cidade.

— Essa não, é o Mudok com o bichinho de estimação dele! — disse Austin se reunindo aos amigos.

— Logo quando estávamos quase acabando com o sucata! — disse Tim.

Barooma surgiu no alto de um prédio, mas não se esmoreceu com a desvantagem de Metalorg.

— Enganam-se vocês, Rangers! Metalorg está apenas se aquecendo para a luta definitiva!

Mudok fixou-se em Barooma.

— Os Rangers já estão combatendo o monstro de Barooma! Ele não me esperou, desgraçado!

Apertou um botão que ativou o disparo de um laser amarelo da boca draconiana do monstro diretamente aos Rangers. O tiro potente tirou os heróis do chão ao provocar uma intensa explosão resultante.

— Mudok, acabou de ferir nosso pacto! — protestou Barooma — Não deixarei que reduza o espaço de Metalorg nesta batalha!

— Você descumpriu o acordo primeiro ao mandar seu monstro ridículo sem me avisar! Os Rangers são todos meus!

Se levantando com dores, os heróis não faziam ideia de como proceder.

— Ai, essa foi de lascar. — disse Tim.

— Mas pelo menos continuamos morfados. — disse Damian segurando o braço esquerdo ferido.

— Droga, e agora? Bem que o Sr. Dickerson falou, é tudo um plano pra nos deixar sem saber o que fazer! — disse Austin. Metalorg se reergueu, atravessando a fumaça cinzenta com seus grunhidos animalescos.

— Vejam bem, ele tá caindo aos pedaços! — apontou Jessie.

— Não podemos perder essa deixa! — disse Zoe.

— Invocar armas! — bradou Austin. Os Rangers tornaram a manejar suas armas para fundi-las e assim formar o Abatedor Selvagem. Miraram o canhão duplo em Metalorg — Disparar!

O laser foi lançado e atravessou a couraça metálica de Metalorg e o despedaçando numa explosão. Os componentes enferrujados de Metalorg estavam espalhados como confete.

— E então, Barooma? Como se sente? Considere-se fora da jogada! — zombou Mudok.

Lokknon voltou-se a Aracna que estava ouvindo música num discman de olhos fechados e sentada numa poltrona.

— Aracna. — chamou o imperador que se enervou — Aracna! — soltou um fino raio roxo de energia de um dedo, danificando o aparelho. Ela abriu os olhos, assustando-se.

— Meu tocador de música! Mestre, por que? — disse ela em tom choroso.

— Isso é por se distrair numa hora como essa e não me atender quando eu chamo! Dispare o laser regenerador agora!

— Mas isso não é trabalho do Barooma?

— Excepcionalmente é seu hoje. Agora vá!

Aracna levantou-se indisposta caminhando até o console do computador de Barooma.

— É esse botão vermelho aqui? Hum, não sei porque tão grande. — disse ela que apertou. O raio esverdeado e retilíneo caiu sobre os restos de Metalorg que foi reconstituído e gigantificado.

— O problemão agora é dobrado, galera! — disse Austin — Precisamos do poder Megazord!

Os zords prontamente vieram ao campo de batalha e formaram o Megazord Z para o confronto final.

— Todo mundo aqui, certo? Vambora, começando pelo Metalorg! — disse Austin.

— Nem pensar, seus vermes! Terá que enfrentar os dois em simultâneo! — negou Mudok colocando o MK-Destroyer lado a lado com Metalorg. Porém, Barooma rejeitou veementemente a ideia, lançando um raio do seu cajado sobre Metalorg que o fez empurrar o dragão cibernético para o lado — Mas o quê? Barooma, o que está fazendo? Estamos trabalhando em dupla!

— O acordo já era! Voltamos a disputar pela derrota dos Rangers!

— Seu hipócrita mentiroso! Nosso acordo nunca existiu, você quis desde o início me ofuscar!

Metalorg avançou contra os Rangers e cuspiu uma nuvem com cascas minúsculas de ferrugem que cercou o robô gigante.

— Parece um enxame de abelhas! — disse Zoe.

— Rangers, não permitam que esses fragmentos de ferrugem penetrem no Megazord! — alertou Karen.

Os fragmentos grudavam nos braços e nas pernas do robô e se alastraram como um fungo pernicioso.

— O metal do Megazord está oxidando na camada mais externa! — disse Damian — Em poucos segundos, vai preencher tudo, se aprofundar e afetar os circuitos!

— Acho que isso vai resolver! — disse Austin — Explosão Pulsar!

O Megazord se energizou e liberou um pulso como onda de choque que reduziu os fragmentos a nada.

— Sabre Selvagem! — bradaram os Rangers.

A espada caíra na mão direita do robô.

— Insígnia Feroz!

O Megazord desenhara o círculo em sentido horário com a espada, logo executando o corte diagonal que acertou Metalorg. O monstro cambaleou com raios vermelhos em volta e caiu para trás, explodindo fatalmente.

— Yeah, vencemos o ferro-velho! Sua vez agora, Mudok! — dissera Austin.

— Mas não mesmo! — disse Barooma lançando um raio de seu cajado que tratou de reviver Metalorg intacto. O monstro renasceu com seu grunhido animal para uma nova rodada.

— Pra mim chega! Não vou esperar dar o golpe de misericórdia, não foi pra isso que projetei esse grandioso invento que deixaria minha família orgulhosa!

O MK-Destroyer disparou o laser de sua boca contra Metalorg que explodiu em milhares de pedaços da cabeça. O Megazord se afastou protegendo da explosão de metal despedaçado e incinerado.

— Traga-o de volta e o próximo raio caíra sobre você, Barooma! — ameaçou Mudok.

— Eu estava quase me abrindo a proposta de batalhar em dupla e você me dá esse desgosto! Eu te odeio ao infinito, Mudok! — disse Barooma que se retirou em teleporte de volta a nave de Lokknon.

— Pelo visto, foi chutado pelo seu parceiro de crime. — ironizou Aracna.

— Me deixe em paz, Aracna! — vociferou Barooma — Com licença, mestre! — se dirigiu ao corredor saindo da sala. Mas parou e bateu seu punho na parede — Ele está cego! Ficou obcecado e por conta disso perderá a luta!

O Megazord Z deu um golpe de ombro contra a cabeça do MK-Destroyer.

— Fraco demais. — insistiu Mudok que atacou usando os pés do dragão, empurrando o robô ao ponto de derruba-lo — Alternar para Modo Guerreiro! — o dragão logo tomou a forma humanoide — Lâmina da Fúria!

Se reerguendo, o Megazord avançou com o Sabre Selvagem.

— Modo Velox!

O robô tivera seu peso e porte físico reduzidos em contrapartida à força e agilidade elevadas. O duelo de espadas atraía os cidadãos que assistiam ao embate. Os choques das lâminas era impactante com raios vermelhos faiscando. O Megazord saltou dando um chute duplo e desferiu cortes velozes com o sabre que explodiram faíscas no MK-Destroyer.

— Alternar para Modo Fera!

O dragão retornava e novamente vomitando sua arrasadora rajada de fogo. Para aplacar o golpe, a Insígnia Feroz era repetida e o corte diagonal fora feito, avançando contra o fogo amarelo em contenção. Contudo, o dragão estava sorvendo de volta seu fogo junto ao ataque final do sabre.

— Eu não vi isso! Ele engoliu nosso ataque?! — disse Tim. O modo Velox havia se desfeito.

Mas logo ele regurgitou no formato de uma bola de energia laranja repleta de raios que atingiu tremendamente o Megazord. A explosão resultou na desmontagem do robô, os zords caindo em diferentes pontos da cidade.

— Rangers, bater em retirada! — disse Austin. O quinteto se teleportou à Central de Comando — Cadê o Sr. Dickerson? Não terminou de ajustar a arma secreta? — perguntou, retirando o capacete assim como os outros.

— Crianças, deviam ter permanecido lá. — disse Karen virando-se para eles — E reformado o Megazord pra outra sessão de luta.

— Verdade, todos vão pensar que desistimos e fugimos de novo. — disse Jessie, inconformada.

— Eu não sabia que ficava tão bonito sem o capacete. — disse Tim se olhando pela tela de um monitor desligado — Hehe, gatão.

— Esse espelho tá escuro demais pra você se convencer disso. — disse Zoe atrás dele, tirando onda.

Dickerson viera de sua oficina de aparatos com empolgação, olhando para todos.

— Acabei. Está pronta pra uso sem limitações.

— Legal, já podemos voltar então. — disse Austin.

— Não, só um minuto. — disse Damian ganhando a atenção total — Eu analisei friamente o padrão de combate do MK-Destroyer e descobri algo que pode ser muito bem julgado como um ponto fraco.

— Ponto fraco?! Não brinca. — disse Tim.

— Conta aí pra gente, Damian. — pediu Austin — Que ponto fraco é esse que você detectou?

— Se aproximem. — mandou Damian sorrindo. Até mesmo Dickerson e Karen foram para perto a fim de ouvir sobre a falha percebida.

Mudok fazia seu maquinário pisar sobre os zords violentamente, os chutando também.

— O que foi? Reajam! Ficaram paralisados de tanto medo?

Os Rangers retornaram aos cockpits dos zords em teleporte para o round derradeiro.

— Sequência Megazord!

As máquinas animais reergueram-se e formaram novamente o Megazord Z.

— Quem que está com medo aqui? — perguntou Jessie.

— Hora da virada, Mudok! — disse Zoe.

— Porque de virada é mais gostoso! — falou Tim.

— Ah, voltaram? Mas quanta falta de autorrespeito! — zombou Mudok.

— Modo Velox! — disseram os Rangers em uníssono. O Megazord tomou um impulso para num salto se afastar a uns bons metros.

— Que recuo é esse? Querem ser abatidos a uma longa distância?

— Você já vai saber. — disse Austin.

— Rangers, enviando as armações. — disse Dickerson apertando um botão. Duas hastes curvas e brancas surgiram nas mãos do Megazord. Das pontas delas saíram ligas de aço que se juntaram transformando numa roda. O robô colocou os pés sobre a parte inferior segurando firme e virou diretamente ao alvo.

— Ignição a jato! — bradaram os Rangers.

A roda com o auxílio da força do Megazord foi impulsionada a sair girando entre os prédios. Alcançou uma velocidade de 1224 km/h, ultrapassando a barreira do som. Nesse ápice foi envolvida numa energia azul elétrica.

— Podem vir, Power Trouxas! Vou para-los com toda a força necessária! Alterar para Modo Fera!

No entanto, a roda acelerada atravessou o MK-Destroyer como se o mesmo fosse intangível.

— Não vamos fazer isso outra vez, né? — perguntou Tim — Porque o resto do que comi na festa quer sair pelo andar de cima!

— Espero que não tão cedo. Minha cabeça tá girando. — disse Jessie, tonta.

Mudok notava algo curiosamente estranho.

— Mas o que há de errado? A alteração não foi executada. Espere... Eu senti o Megazord transpassar o MK-Destroyer. Então...

Após as hastes sumirem, o Megazord voltou-se para seu adversário estranhamente imóvel.

— Não tô entendendo. Parece que não aconteceu nada. — disse Austin.

— Eu acho que detonamos com ele hein. Olhem! — disse Zoe apontando para faíscas salpicando para fora do robô.

No cockpit do MK-Destroyer, Mudok se desesperava para tentar frear os danos.

— Não, suporte mais um pouco! Não pode ser, o projeto ao qual mais me dediquei está ruindo! Malditos Rangers, eu ainda terei minha vingança completa!

O androide abandonara o cockpit em implosão pulando até pousar num prédio para assistir ao MK-Destroyer cair partido em duas metades que explodiram fragorosamente. Os Rangers comemoravam socando o ar e levantando os braços junto ao coro das pessoas abaixo.

— Os Power Rangers voltaram! — disse um homem de camisa azul e gravata verde, celebrando a retomada triunfal dos heróis.

O Megazord dera um joinha para a população e piscou brilhando seus olhos azuis, simbolizando toda a gratidão pela confiança restituída. Enquanto isso, Mudok optou pela auto-penitência em vez de ouvir um sermão longo e humilhante de Lokknon que parecia em cefaleia sendo amparado por Barooma trazendo a indispensável aspirina. Aracna acompanhou seu parceiro até a solitária, um recinto exíguo e acolchoado de couro preto nas paredes.

— Tem certeza de que quer se submeter a isso? — perguntou ela — Parece tão... isolado aí dentro, eu posso te dar o Barooma como companheiro.

— Saia daqui, Aracna. Não se atreva a tocar no nome desse inseto perto de mim até que eu me liberte. Ele tentou se sobrepor ao meu poder.

— Mas mesmo assim você perdeu pros Rangers. Tem que dar a mão a palmatória. — disse Aracna que inclinou-se a ele — Ele estava certo.

Mudok rosnou entrando na solitária, logo fechando a porta.

— Sei que não está me ouvindo, mas ainda assim vou falar: eu achei pouco a queda que você sofreu perante os Rangers! Quem sabe isso te ensina a ser menos individualista!

A princesa aracnídea saiu pelo corredor e ouvira Mudok urrar de fúria dentro da cela, o que a fez dar um sorrisinho de canto malicioso.

— Acho que ouviu.

Naquela mesma tarde, os Rangers foram agraciados no Instituto de Pesquisa e Tecnologia com medalhas de honra ao mérito numa cerimônia com várias pessoas marcando presença, dentre elas Dickerson e Karen.

O diretor do centro científico, um homem gordo de barba e bigode grisalhos, colocava as medalhas no peito de cada um dos Rangers. Ao chegar em Austin, o tocou no ombro simpático.

Ele virou-se ao público, orgulhoso, para falar ao microfone.

— Deste dia em diante, os Power Rangers são oficialmente considerados amigos da ciência. Uma salva de palmas a esses nobres heróis!

Os aplausos calorosos foram unanimidade. Dickerson e Karen se entreolharam sorridentes aplaudindo, sentindo a gratificante sensação de dever cumprido e devidamente reconhecido.

Os Rangers ficaram em círculo pondo as mãos umas sobre as outras.

— Prontos? — indagou Austin.

— Power Rangers! — gritaram os cinco levantando as mãos com um pulo que foi capturado por uma câmera de um dos fotógrafos da imprensa.

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