Power Rangers: Esquadrão Z
15 A Nova Super-Máquina do Mudok (Parte 1)
Notas iniciais
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O Instituto de Pesquisa e Tecnologia da Alameda dos Anjos era um dos mais prestigiados laboratórios científicos da Califórnia, não sendo por mero acaso estar concorrendo a uma premiação realizada por uma respeitada ONG de valorização a ciência num acordo com o governo para a injeção de milhões de dólares em recursos para pavimentar um caminho de diversos avanços. Às vésperas do concurso, a equipe do Dr. Carl Smith, co-autor do projeto, alimentava a expectativa de uma vitória com a nova invenção que revolucionaria a geração de energia.
Naquela noite, Smith entrava no prédio de interior escuro, passando pelo saguão onde viu um segurança andando em sua direção e apontando uma lanterna para o seu rosto, se surpreendendo com a visita.
— Dr. Smith?! Mas o que veio fazer aqui? Já passa das dez, o laboratório fechou faz tempo.
— Não me leve a mal, eu só quero acertar alguns detalhes do projeto que eu e minha equipe desenvolvemos, nada que seja prolongado até a madrugada. Mas pra quê me preocupar? Tenho bons seguranças ao meu dispor. — disse o homem caucasiano na faixa dos cinquenta e com uma calvície bem acentuada.
— É claro, senhor, pode ir. Fique o tempo que precisar, sei o quanto esse reator é importante pro futuro desse lugar... e pro meu emprego também, né?
Os dois deram risadas leves. Smith deu um tapinha no ombro do segurança ao andar diretamente a sala onde se reunia com seus parceiros de trabalho. Ao chegar até a porta, passara pelas etapas de checagem exigidas. Primeiro, o scanner de retina em um painel à direita. Em seguida, um leitor de impressão digital para todos os cinco dedos à esquerda. Com o acesso permitido, a porta destravou e ele entrara ajeitando seu jaleco branco por cima da camisa azul-marinho xadrez.
Digitou a senha num cofre digital, retirando um cilindro em formato de carretel com extremidades metálicas e que emitia uma luminosidade alaranjada. Apesar do tamanho médio e de aparentar peso, o homem o segurava tranquilo. No lado de fora, um clima oposto a calmaria do interior. Uma van preta estacionada a alguns metros perto dos fundos do prédio balançava agitada. Era o próprio Dr. Smith tentando se livrar das amarras e da mordaça ao ser trancado no veículo por Psycho-Bots que travavam um embate com os Rangers.
— Eu odeio fazer hora extra! — disse Tim jogando uma lata de lixo sobre um robô que saiu às cegas batendo nas paredes e em outros dos seus pares.
— Sr. Dickerson só não nos paga porque trabalho infantil é ilegal! — disse Zoe chutando dois robôs e dando um golpe de judô em outro que derrubou-o.
— Não somos tão crianças assim! — disse Jessie, disparando lasers com as pistolas Z, detonando com três deles que foram lançados a uns bons metros em faíscas.
— Ou fazemos pelo dinheiro ou pelo legado! — disse Damian batendo em dois robôs com os cotovelos e depois esquivando de um golpe e chutando outro — Os dois não dá!
— O Damian tá certo! — concordou Austin, derrubando um robô imobilizando-o com o braço direito sobre o peito, depois sacando a pistola Z e atirando para danifica-lo — A recompensa do que a gente faz é o sorriso no rosto daqueles que ajudamos!
O Ranger Vermelho saltou para o lado girando e atirando lasers em três robôs, abrindo caminho para chegar até a van. Abriu uma das portas, encontrando Smith.
— É um dos cientistas do Instituto! Vamos tira-lo daí agora mesmo!
Porém, um Psycho-Bot veio por trás numa chave de braço, afastando Austin do veículo. No prédio, o segurança escutara ruídos agitados do lado de fora e tomou a iniciativa de sair para averiguar. A luta com os Psycho-Bots foi levada para um ponto meio distante. O segurança avistou a van e ao se aproximar da traseira, deparou-se com o cientista implorando para ser solto com olhos arregalados.
— Minha nossa, mas é o... O Dr. Smith! — disse ele, atônito, apontando a lanterna ligada — Então aquele lá... Caramba, logo hoje! — reclamou, pegando seu rádio-transmissor o aproximando a boca — Atenção, equipe! Alerta de invasão, temos um intruso! Ele se passa pelo Dr. Carl Smith, tomem máximo cuidado!
Um punhado de seguranças veio correndo pelo caminho que levava ao laboratório onde o impostor estivera. O alarme soou no prédio, atraindo os Rangers.
— Não dá pra ficar aqui gastando energia com esses palhaços! — disse Jessie num salto ao chutar dois robôs ao mesmo tempo contra uma parede.
— Temos que libertar o doutor antes que ele seja levado! — disse Zoe atirando com sua pistola Z.
— Galera, o alarme! — disse Austin olhando para o prédio — Não temos tempo a perder, vamos!
Os Rangers saltaram para adentrar na estrutura deixando alguns robôs intactos. Mas ao chegarem lá, viram que a agilidade não foi suficientemente favorável.
— Mas... é a equipe de segurança. — disse o líder se deparando com os homens caídos e gemendo de dor — O que aconteceu aqui?
— Parece que tomaram um sarrafo daqueles. — comentou Tim.
O falso Smith surgira na saída para o saguão com o reator em mãos.
— Saudações, Rangers! Vejam que belo souvenir eu adquiri.
— O doutor? Mas... — disse Zoe, confusa.
— Ele é um impostor, detenham-no! — disse exasperado o real Smith vindo com o segurança que o tirou da van. O Psycho-Bot revelou-se entre os Rangers e o homem copiado — Um organismo cibernético!? Mas isso é inacreditável!
— Pois é melhor começar a reavaliar sua ciência, doutor. Ou ficarão ultrapassados. Isto aqui é o mais próximo que vocês chegaram ao meu nível atual.
— Essa voz... — disse Damian, reconhecendo — Mudok, é você, não é? Largue esse reator!
— Tentem arranca-lo de mim se puderem! — desafiou o androide falando através do robô.
Os Rangers sacaram as pistolas Z. Mas antes que atirassem, Smith bradou advertindo:
— Não, não façam isso! Pode atingir o reator, serão milhões desperdiçados!
— Até breve, Power Trouxas! — disse Mudok, teletransportando. Os Rangers baixaram as armas, um tanto constrangidos.
— Nós... sentimos muito, doutor. — disse Austin.
— Ah, sentem? Lá se foi um dos maiores projetos no qual me envolvi de corpo e alma! — reclamou Smith, zangado — Aquele reator custava mais do que nossa renda anual!
— Se tivesse nos deixado atirar, ainda teria o reator. — contestou Jessie.
— É, provavelmente em frangalhos. — disse Smith, desesperado.
— Em o quê? — indagou Tim — Ah, vai entender esses caras da ciência.
— Doutor, por favor, compreenda que estávamos sem brechas para intervir de outra maneira. — declarou Damian assumindo a frente — Iríamos atirar somente nele com enorme precisão.
— Agora é tarde pra se arrependerem. — disse o segurança — Se tivessem chegado antes, nada disso teria acontecido.
— Mas o que esperar de crianças inexperientes? Pra quem vocês trabalham? Quem são vocês, afinal? — questionou Smith ainda chateado.
— Não pode nos obrigar a revelar nossas identidades pra aceitar nossas desculpas. — disse Zoe em tom crítico.
— A gente errou, doutor, assumimos a culpa. — disse Austin — Mas tenha absoluta certeza que vamos recuperar aquele reator custe o que custar. Certo, Rangers?
— Certo! — disseram os demais.
— Vocês falharam até em me libertar. Com herois feito vocês a cidade está perdida. E a vitória no concurso científico também. — disse Smith se encostando na parede com as mãos na cabeça em aflição.
— Concurso científico? — indagou Damian, curioso.
— O Instituto está participando de uma competição entre todos os centros de pesquisa do estado valendo uma grana alta pra trazer melhorias a esse lugar. — disse o segurança — Se a equipe do Dr. Smith perder, o Instituto não terá mais verba pra se sustentar, a prefeitura não liga pra isso aqui, só uma ONG pra fazê-los dar um pouco de valor a ciência.
— Vocês me arruinaram! — disse Smith, apontando o dedo acusador para os Rangers — A cidade inteira ficará sabendo que os Power Rangers foram indiretamente responsáveis pela extinção da pesquisa científica na Alameda dos Anjos! Estão acabados!
Os heróis retraíram-se nas posturas estando envergonhados, a culpa do deslize sendo dividida em partes iguais.
***
Austin entrava no colégio devagar ouvindo conversas paralelas em toda parte que citavam os Power Rangers, mas não com elogios. Jessie e Zoe vieram até ele a passos largos.
— E aí, meninas? Que caras são essas? Parecem chateadas.
— Austin, não vamos fingir que tudo acabou bem ontem a noite. — retrucou Jessie com o celular na mão — E pelo que tô vendo, só fica pior. — olhava as notícias via internet.
— A imprensa está nos massacrando. — informou Zoe, o semblante meio tristonho — Aquele doutor nos denunciou pra mídia e agora estão fazendo dos Power Rangers os heróis mais incompetentes da face da Terra.
— Não é possível... Ele sabe que erramos, até garantimos trazer o reator de volta. — disse Austin, incrédulo — Não acho que ele tentaria acabar com a nossa reputação por isso.
— Jura? Pois veja por si mesmo as coisas maravilhosas que andam falando da gente. — disse Jessie entregando o celular ao amigo. O líder foi passando o dedo na tela conferindo cada notícia sobre o roubo no Instituto de Pesquisa.
— "Power Rangers fracassam em evitar assalto ao IPTAA". Quase todas as manchetes são as mesmas. Isso aqui é um absurdo. Tivemos culpa e reconhecemos, mas não merecemos toda essa campanha maldosa. — disse Austin que devolvera o celular a Jessie.
— Na ótica do Dr. Smith, sim. — disse Damian vindo com Tim no outro lado — A notícia é primeira página em todos os jornais da cidade. Mas considerando o objetivo dele e de toda a equipe que trabalhou duro naquele reator... eu diria que a reclamação dele é válida.
— Ah, qual é? Não fica do lado dele só porque é chegado numas paradas avançadas de ciência. — criticou Tim — O cara quer ver nosso filme queimando só porque não tivemos sorte.
— Acho que a questão não foi bem essa, Tim. — disse Austin, refletindo — Devíamos ter entrado no prédio primeiro pra procurar Psycho-Bots lá dentro, mas... tudo o que fizemos foi apenas lutar com aqueles idiotas enquanto o Dr. Smith sofria naquela van preso. Eu devia ter usado a Beast Cycle pra entrar com tudo e deixado o resto com vocês.
— Era noite, estávamos todos cansados, não pensamos direito. — destacou Zoe — Quem de nós não queria ter estado na cama naquela hora?
Os outros ficaram silenciosos ante a pergunta, as faces tomadas pela vergonha.
— Então é isso, né? A maior parcela de culpa é nossa. É difícil admitir, mas... eu me sinto mal por ele. — disse Jessie — Ele nos chamou de inexperientes e, vamos combinar, ele não tá errado.
— Mas podíamos ter atirado, daí o reator ficaria a salvo. — disse Tim, inconformado.
— Mas havia o risco de destruímos o reator junto. Eu também pensei assim, só que analisando melhor... nossas chances de acerto não eram boas nas condições em que estávamos. — disse Damian — Gostaria de poder fazer algo pra ajudar o Smith nesse concurso, o Instituto tem uma importância desvalorizada por aqueles que deveriam apoiar.
— Confesso que eu tô tão preocupada com isso quanto essa mancha na nossa imagem. — disse Zoe, apreensiva.
— Não sei pra quê o Mudok quer aquele reator, mas seja o que for, deve ser uma coisa grande, a gente tem que se preparar. — disse Austin — E talvez vai usar isso pra tentar nos derrotar esperando que a nossa reputação caia muito mais.
Em sua nave, Lokknon assistia euforicamente ao lamento dos Rangers tomando seu licor.
— Me alegro imensamente sabendo que os Rangers estão fadados a cair no conceito de todos os terráqueos! — disse o imperador dando uma risada alta, chegando a derramar um pouco da bebida no chão — Sofrerão tanta rejeição que os lideres políticos vão sancionar um exílio!
— Hum, será mesmo? — indagou Aracna, incerta — Eu não contaria com uma queda de popularidade até eles ficarem no fundo do poço e serem odiados por mais gente além de nós. Não parece ser nada que eles não possam resolver.
— Calada, Aracna, essa sua visão tem o mesmo valor de um detrito espacial à deriva. Eles cometeram um erro que pode sacrificar a legitimidade deles como heróis, não se pode desdenhar da grande possibilidade que isso nos traz. — discordou Lokknon, deslumbrado.
— E depois eu que sou o estraga-prazeres. — disse Mudok vindo a sala.
— O coelho saiu da toca, finalmente. — disse Aracna em tom de sarcasmo.
— Um coelho não. Um leão. — disse o androide se aproximando — Um leão que trará na sua boca como presa a cabeça do Megazord dos Rangers para o jantar.
— Ui, ele voltou feroz. É uma promessa quanto a sua nova máquina de guerra? — questionou Aracna, mantendo a ironia — Está mesmo apostando alto nisso, tipo como foi com o Titanodron e sabemos que fim levou.
— A minha criação em nada se compara ao Titanodron em termos de desempenho. Vocês serão testemunhas de um poder destrutivo nunca antes manifestado.
— Ótimo, Mudok, estou feliz em saber que concluiu seu projeto com sucesso. — disse Lokknon mexendo sua taça cheia — Mas se certificou em relação a qualidade de manuseio, pelo menos?
— Definitivamente, mestre. Ao contrário da ocasião com o Titanodron, desta vez fiz um test-drive completo no simulador e posso afirmar que os Rangers irão padecer na derrota certa.
Barooma resolvera se pronunciar:
— Mestre, vai mesmo se ludibriar com mais uma promessa fajuta de Mudok? Não quero superestimar os Rangers, mas vale lembrar que a tecnologia deles provém da Intercorp que nunca fica estagnada! Eu tenho um pedido formal a fazer ao senhor, milorde!
— Pois então diga, Barooma. O que deseja? Dependendo do que for, posso, no mínimo, pensar no assunto. — assentiu Lokknon.
— Eu proponho servir um reforço a empreitada de Mudok! Pra ser mais exato, um monstro que distraia os Rangers enquanto a criatura de Mudok espalha destruição indiscriminada pela cidade, isso os deixará indecisos e perdidos!
— Caia fora, Barooma. Fique no seu lugar e não se meta nas minhas batalhas. — repreendeu Mudok — Tenho mais do que o necessário para derrotar os Rangers, não é de um monstro inútil que sai dessa sua máquina patética que precisamos.
— Pedido negado, Barooma. Lamento, mas o bio-modelador, por ora, está fora de uso. — determinou Lokknon que tomou o último gole do licor — Deixemos tudo com Mudok, ele precisa trabalhar individualmente para mostrar todo o seu potencial contra os Rangers.
— Não, mestre, isso é um erro! — protestou Barooma — Confiar a derrota dos Rangers a um único subalterno é apostar demais no risco! Nós somos uma equipe ou não somos?
— Olha, nem nos meus piores delírios febris eu concordaria com o Barooma, mas... — disse Aracna um tanto desconcertada olhando para o imperador — Acho que ele pode estar certo nesse caso. — fechou os olhos intensamente — Nossa, minha língua até ardeu!
— Basta de questionamentos! — disse Lokknon levantando-se bravo do trono — É a vez de Mudok e se ele deve aprender a combater os Rangers em peso, que seja sozinho! — esmagou a taça devido a raiva, os cacos caindo.
— Obrigado pelo voto de confiança, mestre. Daqui há pouco envio direto ao visualizador um registro da simulação do MK-Destroyer.
— MK-Destroyer?! Foi esse o melhor nome que inventou? Isso por si só já me inspira a fracasso. — insultou Aracna, amargamente.
— Pois saiba que o julgamento antecipado normalmente precede a desilusão. — disse Mudok ficando a poucos centímetros da princesa aracnídea, enfrentando-a olho no olho.
— Ah, é? Pois eu tô com o Barooma nessa, você vai ser amassado pelos Rangers e o mestre vai escolher a mim como a próxima grande aposta.
— Não vou ficar discutindo a toa, tenho de acertar os últimos retoques e organizar o roubo do segundo gerador e aí sim tudo estará pronto.
O androide saiu da sala num andar firme de passos largos pelo estresse causado por Aracna e sua sanha competitiva. Lokknon voltou-se aos dois empregados.
— Um de vocês me traga uma taça com mais licor, agora! Prevejo um dia agradável para me embriagar ouvindo o choro dos Power Pirralhos como música clássica!
— Eu pego a taça! — prestou-se Aracna — Barooma, vem comigo pra encher. — o puxou pelo braço abruptamente.
— Aracna, me solte! Assim você vai me desmembrar! — disse Barooma pelo corredor.
— Para de escândalo, fica aí e me escuta. — disse ela soltando-o e o pondo encostado na parede — O que me diz de nós participarmos da festa? Não acho justo Mudok se divertir sozinho.
— Por acaso quer me aliciar pra uma sabotagem? É tentador, mas o mestre me jogaria de volta ao espaço!
— Não, seu imbecil. Falo sobre entrarmos de penetra. Se Mudok possui tantas chances de conquistar a vitória, devemos pegar nossas fatias já que somos mais do que uma equipe, somos uma família. Tenho sua parceria?
Barooma olhou para um lado, avaliando as probabilidades de êxito da missão.
— De acordo com os meus cálculos, uma tentativa de esforço em conjunto pode resultar num grandioso desfecho para nós três! Mudok pode nos delatar ao mestre, mas não seremos prejudicados se fizermos um bom trabalho!
— São essas palavras que eu gostaria de ouvir. Vamos começar assim que ele for pra Terra pegar esse outro reator. Agora pode ir.
Barooma caminhou para retornar a sala central da nave, mas Aracna o parou.
— O frigobar fica naquele lado. — disse ela apontando para o direção oposta.
— Mas e você? Aonde vai?
— Vou tomar um banho de espuma pra enfrentar os Rangers de alma lavada. — disse Aracna virando as costas e andando em desprezo ao colega.
— Mas era para você e eu irmos pegar mais licor para o mestre!
— Não, não. Ele disse um de nós. — disse ela erguendo o dedo indicador e dobrando para uma saleta pela qual se acessava um toalete.
***
Na Cantina do Earl, os Rangers assistiam pela TV fixada em painel, sentados ao balcão, a uma reportagem da CCAG sobre o assalto ao Instituto de Pesquisa.
— A polícia não identificou nenhum outro suspeito além dos robôs que praticaram o roubo, mas ouviu o depoimento do cientista que é membro adjunto da comissão de engenharia tecnológica, o Dr. Carl Smith. Ele denuncia que os Power Rangers tiveram grande influência para a efetuação do roubo, sendo ineficientes na agilidade que sempre prezaram no combate ao crime. — disse a repórter próxima ao prédio dos Laboratórios Transcenter, um rival do IPTAA que concorria ao prêmio — Vamos agora falar com o chefe de pesquisa bio-tecnológica, Rupert Grimson, aqui nos Laboratórios Transcenter, para ouvirmos o que ele acha acerca desse ocorrido e o que isso reflete ao futuro visto que o item roubado seria a garantia para vencer a competição entre os centros de ciência de todo o estado da Califórnia, cujo prêmio é um orçamento milionário despendido pelo governo.
— Tá vendo só? Pegamos a maior fama de desleixados e imprestáveis. — disse Jessie, baixinho, que se conteve ao ver Earl se virar a eles.
— A coisa tá feia pros meus heróis. Eu bem que tava pensando em fazer umas camisetas com estampa deles e vender, mas depois dessa bola fora... — disse o cozinheiro, desapontado.
— Não é o fim, Earl, os Power Rangers são capazes de dar a volta por cima. — disse Austin, esperançoso — Um erro pode acontecer, eles não são perfeitos, ninguém é.
— Mas deixaram um daqueles robôs de nada escapar com o troço sem nenhum arranhão.
— Não é um troço, é um reator de energia a base de fusão nuclear estável e... — disse Damian que se interrompeu ao ver que sua explicação não o interessaria tampouco o faria mudar de opinião — Ahn, deixa pra lá, você não ia entender.
— De qualquer forma, eles vacilaram feio. Parecia uma coisa mamão com açúcar pra eles, muito esquisito terem dado essa mancada. — disse Earl enxugando uns copos de vidro.
— Eu concordo, Earl, eles deviam ter disparado com aquelas pistolas de laser bem nas fuças daquele robô ladrão. — disse Tim que tomou duas cotoveladas de leve nos braços por Damian e Zoe — Au!
Eles olharam de repente para a TV após a entrevista ser interrompida pelo ataque de Pshcho-Bots. A repórter corria seguida pelo cinegrafista que balançava a câmera.
— Estamos sob ataque dos mesmos robôs que realizaram o assalto! Parece que... o Transcenter é o mais novo alvo! Estão atirando na gente com suas armas explosivas! Corre, Jeremy, corre! – disse ela em meio a estouros de faíscas dos tiros de lasers — Onde estarão os Power Rangers agora?
— É uma boa pergunta. — disse Earl — Se eles tiverem coragem, que apareçam e limpem o nome deles. — o cozinheiro se direcionou para a cozinha — Já volto, crianças.
— Tá legal, Earl. — disse Austin que não tirava os olhos da TV — Galera, nós temos que correr pra lá depressa, sem atraso, ou vai ser mais um roubo que deixamos acontecer.
Os comunicadores tocaram fazendo-os se levantarem com cautela ao olharem para os lados sem que ninguém percebesse. Foram para o corredor que conduzia a entrada do local. Austin atendera ao chamado.
— Na escuta, Sr. Dickerson.
— Rangers, venham pra cá, preciso contar algo pra Damian imediatamente.
— Pra mim? OK, deve ser sobre o Dr. Smith.
Os Rangers apertaram os botões de teleporte chegando a Central de Comando em pilares de luzes e energia de cada respectiva cor.
— E aí, Sr. Dickerson, o que eu tenho pra saber? — indagou Damian.
— Damian, eu observei vocês hoje no colégio pra conferir como anda a repercussão do assalto entre seus colegas e não pude deixar de ouvir que você tem um interesse em ajudar o Smith com o reator. — disse o mentor se aproximando — Somos grandes amigos, o conheci quando ele ainda ensinava na faculdade.
— Sério? Que demais, isso cria uma ponte pra que eu possa ajuda-lo com qualquer coisa que seja um protótipo e possa ser terminada antes do tempo. — disse o Ranger Preto.
— Aí que está. Tem uma boa e uma má notícia. — disse Dickerson olhando para os Rangers com seriedade — A boa notícia é que existe realmente um protótipo do reator roubado que seria utilizado para testes. A má... é que o concurso foi adiantado pra noite de hoje.
— Ah não, isso é péssimo. — disse Zoe, apreensiva — Tudo por conta do roubo, os chefes desse sindicato de ciências querem ver algum grupo ser desclassificado, isso é cruel.
— Mas o Damian consegue fechar um projeto em poucas horas. — disse Austin — É moleza pra ele quando nós precisamos, imagina pra esse reator de fusão.
— Pois é, avisa que ele desenrola essa parada na velocidade da luz — disse Tim, confiante da habilidade do amigo.
— Beleza, eu vou, mas isso depende também do estágio de desenvolvimento desse protótipo. — ressaltou Damian.
— Verdade, se for um protótipo muito primário, o trabalho de transforma-lo num substituto ao reator roubado pode se estender até a hora do concurso, senão além. — disse Karen virando-se para eles sentada na cadeira giratória — Mas isso vai ter que esperar graças ao ataque no Trasncenter, os Psycho-Bots já invadiram o prédio, estão fazendo reféns.
— Mudok tá atrás de uma fonte de energia pra ligar alguma máquina destruidora. – disse Jessie — É só um palpite, mas vai que eu acerto.
— Rangers, vão até lá e façam o que puderem pra impedir de levarem outro reator. Estão passando por uma crise de popularidade, portanto se concentrem em virar a opinião pública a favor de vocês novamente. — orientou Dickerson.
— Não ficaram chateados conosco, né? — perguntou Zoe.
— Por que estaríamos? Já era tarde demais, Mudok escaparia com o reator independente de vocês atirarem ou não. Pra isso servem os soldados do Lokknon: atrasar. Agora preciso que trabalhem ativamente pra limparem suas imagens. Boa sorte. — disse Dickerson que deu uma piscadela com um joinha.
— Muito bem, pessoal, estão prontos? — disse Austin sacando o morfador e a célula de morfagem — É hora de morfar!
— Touro Ônix!
— Tubarão Cobalto!
— Arraia Rósea!
— Águia Flavescente!
— Leão Escarlate!
Dentro do prédio dos Laboratórios Transcenter, funcionários e cientistas estavam mantidos reféns por cordas e mordaças na ampla sala de engenharia tecnológica enquanto Psycho-Bots elevavam o reator por meio de uma corda e um gancho preso sa uma nave compacta pilotada por um deles que fez um buraco na cúpula. A fonte de energia tinha uma envergadura maior, comparável a um anel de concreto.
Os Rangers vieram saltando para adentrarem no prédio, mas logo após pousarem foram barrados por Mudok que surgiu teletransportado.
— Saudações, Rangers! Que belo dia pra esticarmos as pernas, concordam?
— Mudok, deixa a gente passar! — disse Austin — Não sei o que tá planejando, mas daqui você não levará nada!
— Mas já estou levando! Meus soldados estão retirando o reator de força com a ajuda de uma nave e vocês não tem como evitar!
— Pra quê precisa roubar dos outros se você mesmo pode criar sua própria fonte? — questionou Zoe.
— Ou você não confia tanto assim no seu taco? — perguntou Tim.
— Tudo que estou fazendo por agora é economizar tempo. Eu preciso desses reatores super-avançados para aprimora-los. E não tenho porque explicar meus motivos a vocês, os meus soldados falam por mim! Psycho-Bots, ataquem! – disse Mudok que jogou as esferas pretas e metálicas no ar, das quais saíram os robôs monoculares armados com seus detonadores.
— Rangers, atacar! — bradou Austin em posição de batalha. O quinteto correu em frente contra o pequeno exército sacando as pistolas Z.
O confronto iniciava com os heróis chutando os adversários alternando com disparos de lasers. Mudok saltou para ficar no topo do prédio.
— Se não quiserem recair na mesma falha, sugiro que vejam no estacionamento, caso também estejam preocupados com os reféns! — declarou o androide que soltou uma risada.
— Pior que ele tem razão! — disse Jessie encurralada por quatro robôs. Saltou para trás girando de ponta a cabeça e pousou sobre um carro, disparando nos quatro rapidamente com as duas pistolas e os destruindo com faíscas — Se não dermos um jeito nesses panacas logo, a situação vai se repetir!
— Tim e Zoe, vão pro estacionamento pra cuidar de quem estiver por lá! — mandou Austin chutando dois robôs com os pés juntos e planou no ar voando para trás e disparando com as duas pistolas. Os robôs bateram num carro com explosões de faíscas ao redor e caindo aos pedaços.
— Falou! — disseram Tim e Zoe que saltaram e correram ao estacionamento coberto.
Com o Detonador Max e uma pistola Z, Austin atirou nos que vinham pela esquerda e pela direita correndo em direção ao prédio. Porém, mais robôs caíram para impedir a passagem. O Ranger Vermelho adicionou mais um cartucho ao detonador e disparou, provocando fortes explosões que fizeram-os voar.
— Boa, Austin! — disse Damian batendo com sua marreta avalanche em alguns robôs.
— Manda ver! — disse Jessie atacando ferozmente com suas garras raptoras, rasgando e despedaçando os que se aproximavam.
Contudo, mais Psycho-Bots saiam do prédio e dispararam pesadamente com os detonadores. Os tiros acertaram ao redor de Austin, causando faíscas e explosões que o desestabilizaram até fazê-lo atirar a esmo com a pistola Max.
Tim e Zoe encontraram pessoas que se refugiaram em seus carros assustadas.
— Podem ir, estão seguros com nossa cobertura! — disse Zoe abrindo a porta de um dos veículos.
— Eu não tenho tanta certeza. — disse um homem negro de barba grisalha que trabalhava no laboratório e estava junto de seu parceiro mais jovem.
— Está tudo bem, podem saír! Garanto que dessa vez faremos nosso trabalho direito! — insistiu a Ranger Rosa. A dupla saiu do carro às pressas — Tim, como tá aí?
— Já foram quatro! E você? Oh-oh... — disse Tim que se acuou ao ver Aracna se aproximando por trás de Zoe — Atrás de você, cuidado!
Zoe virou-se rápido mirando a pistola Z.
— Aracna! Só faltava você mesmo!
— Pra quê tanto alarme, crianças? Eu só vim curtir a festinha que o Mudok está dando.
— Deixa eu adivinhar: você não foi convidada. — disse Tim.
— Não mesmo. Mas e daí? Invadir é mais divertido! — disse ela que passava suas unhas grandes na lataria de um carro vermelho e arranhara — Ops, acho que estraguei a pintura.
A princesa aracnídea logo disparou um raio da mão direita contra Zoe que deu uma cambalhota para trás escapando da explosão de faíscas. Ela saltou ignorando a Ranger Rosa e ficando frente a Tim.
— Só eu e você, peixinho. — disse ela concentrada nele. Zoe avançou contra ela, mas levara um chute forte na barriga que a lançou por uns metros até bater as costas numa coluna onde havia o extintor de incêndio.
— Zoe! — disse Tim, preocupado — Barbatanas Cortantes! — invocou suas armas se posicionando para lutar — Por que dispensou a Zoe pra vir lutar comigo?
— Duas razões. A primeira é que dois contra um não vale. E a segunda... azul é a minha cor favorita. — revelou Aracna que logo disparou raios das duas mãos dando um grito agudo. Tim saltou esquivando e girou horizontalmente atacando-a com as barbatanas num corte em X. Aracna recuou tendo sofrido um corte na barriga e revidou com chutes que foram defendidos e evitados habilmente por Tim. O Ranger Azul a chutou no rosto num pulo e desferiu outro golpe com uma barbatana, desta vez nas pernas. Mas ela saltou, logo disparando uma sequência de raios enquanto Tim corria para escapar usando os carros para se esconder.
Enquanto isso, um veículo blindado inteiramente preto de Mudok irrompia do prédio em alta velocidade destruindo a parede.
— Mas que tubarão mais covarde! Quem sabe outro dia terminamos! — disse Aracna que teletransportou-se.
— Zoe! — disse Tim correndo até ela que vinha ao encontro dele — Você tá legal?
— Tô, ela é durona, mas dá pra levar.
— Ainda bem que ela se cansou, se essa luta durasse mais, talvez eu seria detonado.
O veículo era dirigido por Mudok e saía na arrancada com estardalhaço. A nave compacta sobrevoou segurando o reator e ficara acima do carro depositando a fonte que passou pela abertura.
— Excelente! Fechar escotilha! — disse Mudok.
— Essa não, estão levando o reator! — disse Jessie.
— Se depender de mim, não! — disse Austin que saltou extremamente alto adiante — Beast Cycle Vermelha, ativar!
A motocicleta surgiu caindo sobre o teto do veículo e com os guidões firmemente agarrados por Austin.
— Sequência de teletransporte iniciar! — disse Mudok ativando uma contagem de 20 segundos.
— Modo Míssil Turbo! — disse Austin acionando a velocidade máxima da moto onde era envolvido de energia alaranjada similar à fogo. Disparou, ultrapassando o veículo blindado e dando a meia-volta na pista a certa distância.
— Você atingiu o limite de velocidade permitido, o que me dá o direito de penaliza-lo! — falou Mudok que apertou um botão fazendo emergir do alto do veículo um canhão a laser — Fogo!
O laser acertou a Beast Cycle poderosamente, causando uma explosão intensa e derrubando Austin que rolou no asfalto. O gigante blindado atravessou o fogo, se teleportando em seguida.
— Não! — disse Austin levantando com dores. Os demais vieram atrás correndo.
— Cara, não acredito que demos mancada de novo! — disse Tim, as mãos na cabeça.
— Não, dessa vez a culpa foi toda minha. — lamentou o Ranger Vermelho erguendo levemente o punho esquerdo cerrado, atribuindo a si o insucesso. O comunicador de Damian tocou indicando ser Dickerson.
— Oi, Sr. Dickerson. Já devemos ir até o Instituto de Pesquisa?
— Seria bom irmos agora, acabei de ligar pra Smith avisando que vamos visita-lo. Vejo que passaram maus bocados por aí.
— Pois é, falhamos novamente. Mudok levou o reator de força, agora só nos resta libertar os funcionários.
— Façam isso, com exceção de você, Damian.
— Certo, vai lá, Damian. — disse Austin — Não se preocupa, nada tá perdido.
— Soltando os reféns, talvez as pessoas voltem a nos enxergar com bons olhos. — disse Zoe.
— OK, galera, se cuidem, até mais! — disse Damian que se teleportou a Central de Comando.
— Austin, não joga a culpa toda pra cima de você. Todos nós dividimos esse erro. — disse Jessie o tocando no ombro — Se anima, a gente vira esse jogo.
— Valeu, Jessie. Legal, vamos nessa, Rangers. Aquelas pessoas merecem ser salvas por nós!
***
Dickerson e Damian se encaminhavam ao Instituto de Pesquisa e Tecnologia ávidos por uma resposta assertiva do Dr. Smith. Após entrarem pegando seus crachás de visitantes, o cientista os recebeu no laboratório.
— Boa tarde, Smith. Há quanto tempo hein. — disse Dickerson tocando Damian nos ombros.
— Thomas... Minha nossa, você continua um garotão. Se formou em arqueologia como aspirava nos tempos dourados da faculdade? — perguntou Smith apertando a mão do ex-aluno.
— À duras penas, sim. — respondeu Dickerson com ar de riso — Este é o pequeno gênio de quem falei pra você.
— Olá, doutor, eu me chamo Damian e... ficaria honrado em ser seu assistente por um dia. — disse o Ranger Preto meio tímido.
A resposta facial de Smith não soava tão receptiva.
— Foi pra isso que o trouxe? Confia que exista uma maneira milagrosa de reinserir minha equipe na competição?
— Smith, Damian não vai fazer nenhum milagre, ele mostrará seu talento incrível com engenharia, vai fazer do limão uma limonada em instantes. — assegurou Dickerson.
— Não, Thomas, não posso aceitar, desculpe. Tornar o protótipo em definitivo antes do concurso teria que ser como transformar água em vinho. Não podemos deixar isso a cargo de uma criança sem formação adequada.
— A formação dele já se encontra bem aqui, Smith. — disse Dickerson tocando na cabeça com o indicador — Vá por mim, ele é um dos pequenos gênios que costuma ingressar mais cedo na universidade. Tem uma genialidade reconhecida, eu poderia trazer um boletim escolar dele como prova...
— Sr. Dickerson, será que pode me dar a palavra, por favor? — pediu Damian querendo assumir a rédea. O mentor fez que sim com a cabeça — Doutor, preciso muito que me dê essa oportunidade, pode ser sua única chance pra salvar o instituto de fechar as portas. Eu sei como estabilizar uma fusão nuclear pra que o reator forneça energia limpa e renovável. Por favor, acredite em mim. A existência desse lugar representa muito pro meu futuro acadêmico.
O olhar de Smith se modificou com a declaração sincera e apelante do aspirante a engenheiro.
— Aposte todas as suas fichas em Damian, ele é a pessoa ideal pra concluir o projeto a tempo. — reforçou Dickerson.
— Quantos anos você tem, rapaz?
— Fiz 13 em agosto passado.
— Hum... Eu sei que Thomas jamais se enganaria com uma mente que ele ache brilhante sendo ele também uma. Venha, entre, juntos faremos o milagre da engenharia tecnológica acontecer.
— Muito obrigado, doutor. — disse Damian, feliz, se aproximando para entrar na sala — Sr. Dickerson, aviso quando tiver terminado.
— OK, boa sorte aos dois. Até mais.
Na nave de Lokknon, Mudok instalava os reatores na máquina colossal em sua oficina, manejando controles numa área de observação de testes para acoplar os equipamentos na parte interna da criatura mecânica que se via na sala enorme de simulação operacional. Ligando os reatores, sua empolgação cresceu.
— Sensores de movimento detectando alta taxa de articulação! Ativar propulsores! Bem-vindo, MK-Destroyer. Finalmente abastecido com duas fontes de alimentação inesgotáveis!
No prédio da Transcenter, os Rangers encerraram a libertação dos funcionários, os mandando buscar refúgio.
— Todos livres, até que enfim! — disse Jessie se reunindo aos amigos.
— Será que apenas isso vai restaurar nossa imagem pública? — indagou Zoe.
— Mesmo que não seja o bastante, não podemos perder a esperança de que ainda hoje vamos acertar em coisas maiores pra que as pessoas voltem a nos respeitar. — disse Austin.
— Só um assalto que deixamos rolar não vai fazer o povo perder a confiança em nós. — disse Tim, crendo numa guinada — A gente acerta mais do que erra, somos imbatíveis.
Karen entrava em contato, os comunicadores tocando.
— Na escuta. — disse Austin, atendendo.
— Rangers, nuvem negra se aproximando e uma bem carregada. — disse a tecnóloga, tensa — Há um objeto não-identificado atravessando a atmosfera com uma assinatura de energia maior que o Titanodron.
— Essa não... Como eu temia, deve ser o Mudok. — disse Austin — Ele tava mesmo preparando um brinquedinho novo pra nos assustar.
Dickerson voltava a Central de Comando e passos rápido até Karen.
— Dickerson acabou de voltar.
— Algum problema? — indagou ele.
— Gigante. Dez vezes mais que antes.
— Sr. Dickerson, cadê o Damian? Ele convenceu o Dr. Smith pra fazer o reator? — perguntou Austin.
— Esse amigo gênio de vocês tem uma lábia tão grande quanto o cérebro. — brincou Dickerson — Eles estão juntos agora, dispostos a correr contra o tempo pra entregar o projeto em 100%.
O MK-Destroyer aterrissava impactante sobre a cidade e vários cidadãos corriam, pedestres e motoristas que inclusive abandonavam seus carros, todos aterrorizados com o imenso dragão robótico que soltava um rugido agudo.
— Tremam diante da minha fera cibernética, terráqueos insignificantes! — disse Mudok no cockpit — Esta cidade acaba de ser sitiada!
O dragão alçou um voo baixo, lançando rajadas de fogo amarelado contra prédios, provocando explosões a torto e a direito. Com suas garras, destroçava edifícios em fase de construção como se fossem feitos de isopor.
Os Rangers saíram do Transcenter para observar de perto a correria devido ao caos destruidor. Em meio ao pânico generalizado, os Rangers ajudaram algumas pessoas que tropeçavam e caíam por escombros.
— Obrigada. — disse uma moça morena com uniforme de garçonete.
— De nada. Procure abrigo! — disse Zoe.
— Caraca, aquilo é um draģão-robô!? Acho que o Mudok tá querendo se vingar pelo que fizemos pra lagartixa enferrujada dele! — aferiu Tim.
— É, isso ficou bem claro agora. — disse Austin se alinhando com os Rangers ao ver o MK-Destroyer meio distante cuspindo chamas — Eu não tô nem aí pra como o Mudok se sente, a cidade já tá pagando caro demais com o roubo dos reatores, então não vamos dar bobeira!
— Precisamos do poder Megazord agora! — bradaram os Rangers em uníssono.
Os zords saíam de seus hangares a caminho da batalha. Karen dava um comunicado relevante:
— Rangers, o zord do Damian foi colocado em piloto automático.
— Por quanto tempo? — indagou Jessie já no cockpit de sua Águia Flavescente.
— Quinze minutos. É o máximo possível pra mante-lo em combate.
— Chave de comando, ativar! — disse Austin inserindo e girando a chave — Sequência Megazord!
O Megazord Z era formado com as conexões anatômicas programadas. Logo o robô se firmou no campo de batalha em posição e gesticulando com a mão direita para que o MK-Destroyer viesse atacar.
— Estão com tanta pressa de serem aniquilados ou estão muito confiantes. — disse Mudok que avançou com a máquina selvagem. Disparou a rajada de fogo amarelo.
— Escudo Selvagem! — disse Austin invocando a arma defensiva. Porém, a resistência do escudo se provou abaixo da força de impacto da rajada que empurrava o robô até despedaçar o recurso.
O Megazord sentiu o fogo dourado derruba-lo, os Rangers gritando com o balançar agitado no cockpit.
— Alterar para modo guerreiro! — disse Mudok acionando uma modificação física. O dragão assumia uma forma humanoide dos pés a cabeça. O Megazord reergueu, vigoroso.
— O que aconteceu com o dragão? — indagou Tim.
— Ele mudou de aparência! — disse Jessie — Parece algum tipo de modo alternativo!
— Por essa nem você esperava, hein Austin. — disse Zoe.
— Pior que não, mas vamos seguir lutando! Até o piloto automático do Touro Ônix acabar, temos tempo de sobra pra ganhar de virada!
O MK-Destroyer logo veio enfrentar com seus punhos, desferindo socos e chutes no Megazord que revidava na mesma medida.
— Lâmina Furiosa! — disse Mudok invocando uma robusta espada negra — Essa foi em sua homenagem, mestre.
Mas Lokknon não encarou com tanto afeto.
— Mas o que significa isso, Mudok? Só existe uma Lâmina Furiosa que é a minha!
— Que atroz ele, não é, mestre? Copiando a espada mais poderosa do universo pra se sentir como se fosse o senhor. — disse Aracna — Eu cancelaria a missão dele neste momento.
— Não é pra tanto, eu concedi liberdade a ele, não posso revogar minha permissão.
Barooma rosnou, saindo da sala.
— O que há com ele? — perguntou Lokknon.
— Não sei, deve ser... dor de cotovelo. — disse ela dando de ombros — Vou falar com ele.
Lokknon desconfiou da atitude, levando em conta que Aracna não costumava se importar quando algum subalterno tinha um problema, exceto quando com ela. Ela o parou no corredor.
— Tá na sua hora de mostrar que o Mudok não merece ser a única criança do parquinho.
No instituto de pesquisa, Damian e Smith finalizaram o reator celebrando um teste bem-sucedido.
— A força está além da capacidade alcançada anteriormente. — disse Smith sorridente — Damian, você é um jovem fora de série, meus parabéns. Sou eterna e imensamente grato a você e ao Thomas.
— Ah, não, esse crédito também é seu, eu apenas quebrei um galho aqui. — disse Damian, satisfeito. O comunicador dele tocara — Ahn, eu tenho que ir, pode ser o Sr. Dickerson.
— Isso foi um tipo de bipe ou alarme?
— É o meu celular, ele tem um toque diferenciado. Muita sorte no concurso pra você e sua equipe, Dr. Smith. Foi um prazer trabalhar com o senhor, eu expandi meu conhecimento, muito mesmo. — disse Damian andando para trás e rapidamente saindo da sala. Smith tivera uma percepção súbita.
— O quê? Mas... ele já foi embora? Não vai me prestigiar no evento? Damian!
O Ranger Preto atendeu ao chamado no corredor.
— Tô na escuta.
— Damian, os Rangers estão travando uma batalha difícil contra um monstro maquinário de Mudok que vem devastando a cidade. — disse Karen — Você já terminou com o reator?
— Sim, finalizamos tudo. Estão no Megazord?
— Estão, mas seu zord foi posto em piloto automático. O tempo tá se esgotando, vai depressa.
— Vou nessa. — disse Damian se teleportando. Smith saiu da sala um segundo depois procurando pelo seu ajudante.
— Damian! Que pena, ele se foi. Mas tomara que lembre de aparecer no concurso.
No confronto de gigantes, o Megazord fora derrubado após ser erguido pelo MK-Destroyer em forma humanoide. Mas logo os Rangers se levantaram e Damian, já morfado, surgiu à vista deles sobre um prédio.
— Galera, tô por aqui, cheguei! — gritou ele que logo saltou para adentrar no cockpit caindo no seu assento frente aos controles.
— Bem-vindo de volta, pequeno Einstein! — disse Tim.
— Como foi lá no instituto? — perguntou Jessie.
— Conseguimos aprimorar o reator pra operar em força total.
— Mas a melhoria que o Mudok aplicou no original tá nos dando uma surra! — disse Zoe.
— É nossa vez de pegar pesado! Modo Velox! — disse Austin. O Megazord ficara mais esguio, embora mais forte em poder bruto.
— Alterar para Modo Fera! — disse Mudok fazendo o MK-Destroyer retornar a forma draconiana. Lançou uma rajada de fogo da qual o Megazord escapou num salto e com isto desferiu um chute vertical para baixo. Porém, o dragão segurou o pé direito com as duas mãos, disparando mais outra rajada e a queima-roupa.
O Megazord foi lançado brutalmente para longe, desfazendo o Modo Velox.
— Fiquem no chão pra que eu possa dar o último beijo de boa noite! — disse Mudok. O dragão lançara novamente a rajada, causando curtos-circuitos tremendos no interior do Megazord.
— Parece que os controles vão pifar! — alertou Tim.
— Essa onda de fogo tá levando o Megazord a superaquecer! — alardeou Damian.
— Mais potência! — disse Mudok elevando a intensidade do fogo.
— Não! — gritou Austin, as faíscas salpicando em toda parte. O Megazord se desmontara, forçando os Rangers a abandonarem-os. Os zords caíram um tanto afastados uns dos outros.
No topo de um arranha-céu, Barooma surgia com seu cajado.
— Eu não vou ficar o dia todo à sombra da sua grandeza, Mudok! — disse ele que levantou o cajado para disparar poderosos raios azuis que se alastraram pelo quatro cantos da cidade.
Os raios atingiram locais que serviam de depósitos clandestinos de lixo, criando um ponto de atração magnética que sugava partes diversas de metal desses lugares e que se fundiam num amontoado para dar corpo a uma criatura senciente. Karen detectou a anomalia.
— No centro da cidade apareceu uma distorção magnética, se fixou a um ponto onde atrai quase todo o metal reciclável e descartado da cidade.
— Visualização filmada. — pediu Dickerson. Ao abrir a câmera de longo alcance, Karen mostrou a criatura monstruosa de metal que saia distribuindo bolotas de ferro derretido contra carros e residências causando explosões — Primeiro o Megazord é desfeito, agora essa...
Os Rangers haviam caído no terraço de um hotel e assistiam, perto do parapeito, desconsolados, ao MK-Destroyer arrasar com a cidade.
— Pelo menos, os zords foram recolhidos e estão fora de perigo. — disse Zoe.
— Legal, mas a gente fica aqui sem fazer nada enquanto essa coisa horrorosa transforma a cidade num inferno! — disse Jessie.
— Calma, talvez o Sr. Dickerson transportou os zords pra uma oficina na Intercorp! — disse Austin — Logo ele manda de volta pra formarmos o Megazord e lutar a sério com o Mudok!
Uma bola de fogo veio sobre eles que foram pegos desprevenidos. A explosão intensa os fizera sair do chão e gritar. Barooma avistava no arranha-céu que estava próximo dali acompanhado de seu novo monstro.
— Excelente, Metalorg! Belo tiro! Dificilmente eles resistiram a esse ataque! — disse dando tapinhas nas costas do monstro que exprimia somente grunhidos — Agora volte lá pra baixo e continue seu trabalho de derreter tudo ao redor!
O monstro foi teletransportado pelo raio do cajado de Barooma que logo depois foi importunado por Aracna.
— Que ideia foi essa de você dar nome ao monstro? Eu cumpro essa parte! — reclamou ela puxando uma orelha do parceiro.
— Aracna, pare! Pode não parecer, mas isso dói! Não discutimos isso no nosso acordo!
Desmorfados, os Rangers estavam caídos após a explosão e sujos de fuligem. Levantaram com dificuldade.
— Tá todo mundo bem? — perguntou Austin, ajudando Tim a levantar.
— Sim, só meio desorientados. — disse Damian, trôpego.
— Nossa, isso que eu chamo de ataque-surpresa. — disse Jessie tentando se recompor.
— Aquilo não veio do robô do Mudok. — apontou Zoe fazendo cara de dor.
— Então foi de quem? — indagou Tim.
Inesperadamente, um grupo de Psycho-Bots surgiu teleportado, cercando-os.
— Ótimo, nosso dia tava sensacional, agora não sei mais como pode melhorar! — disse Jessie se posicionando para lutar.
— A energia pra morfar tá zerada! — disse Tim.
— Não tem jeito, vamos ter que lutar de cara limpa ou nos rendemos. — disse Austin em posição de combate — O que me dizem?
— Que estamos com você. — disse Damian.
— O jogo não acabou. — disse Jessie.
— Rendição não é opção! — afirmou Zoe.
— Se é assim, então... — disse Austin, pronto — Rangers, atacar!
Os cinco avançaram valentes contra os irritantes Psycho-Bots esperando dizima-los logo para descobrir a nova ameaça nascida.
CONTINUA...
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